Os biólogos acreditam que as plantas tiveram origem a partir de um grupo de algas verdes que passou a se desenvolver no ambiente terrestre há cerca de 500 milhões de anos. Ao longo do tempo, várias características se estabeleceram e estão presentes até hoje em muitos grupos de plantas. Em geral, essas características têm relação com a adaptação das plantas ao ambiente terrestre, ou seja, à vida fora da água.
A diversidade de plantas é muito grande e inclui as algas vermelhas, as algas verdes, as “briófitas” como os musgos, as “pteridófitas” como as samambaias e avencas, as “gimnospermas” como os pinheiros, e as angiospermas,
plantas que formam flores, como as mangueiras, os coqueiros, as laranjeiras,
as bananeiras e muitas outras. Estamos usando “aspas” para os grupos que
atualmente não correspondem mais a categorias taxonômicas válidas, embora ainda possam ser empregados como termos coletivos.
As algas vermelhas e verdes vivem principalmente em ambientes
aquáticos e as demais principalmente em ambiente terrestre, sendo por
isso chamadas plantas terrestres.
GRUPOS DE PLANTAS
De acordo com a ausência ou a presença de determinadas características, as plantas são classificadas em quatro grupos: briófitas, grupo dos musgos; pteridófitas, grupo das samambaias; gimnospermas, grupo dos pinheiros; e angiospermas, grupo das plantas que têm flores e frutos, como o ipê e as roseiras.
O surgimento e a expansão das plantas no ambiente terrestre modificaram a paisagem dos primórdios da Terra e possibilitaram a expansão dos animais nesse ambiente, já que elas são a base das cadeias alimentares mais frequentes na natureza. Dentre as várias características que propiciaram essa expansão, vamos analisar aquelas relacionadas com a reprodução sexuada.
As plantas terrestres derivam de um grupo ancestral comum ao das
algas verdes e, na transição para o ambiente terrestre, surgiram as seguintes características:
• camada de células estéreis envolvendo e protegendo os gametângios, estruturas formadoras de gametas; esta camada protetora não
existe nos gametângios das algas;
• retenção do zigoto e dos estágios iniciais de desenvolvimento embrionário dentro do gametângio feminino, conferindo grande proteção
ao embrião.
As “briófitas” apresentam características de transição do ambiente aquático para o terrestre. Elas ocorrem preferencialmente em ambientes úmidos
e abrigados da luz direta e dependem da água para a reprodução sexuada.
Nessas plantas, os gametas masculinos são flagelados, como ocorre também na maioria das algas. Os flagelos são estruturas que promovem o deslocamento das células e só são eficientes nesse processo em meio líquido.
Assim, plantas que apresentam gametas flagelados dependem da água para
a fecundação.
No ambiente terrestre, há necessidade de gotas de orvalho ou
de chuva para que os gametas masculinos cheguem até os femininos, que,
nos diversos grupos de plantas terrestres, são sempre imóveis.
As “pteridófitas” apresentam, em relação às “briófitas”, mais adaptações ao ambiente terrestre, porém
também dependem da água para a reprodução sexuada, uma vez que seus gametas masculinos também são flagelados.
As primeiras plantas que passaram a apresentar
independência da água para a reprodução foram as
“gimnospermas”, plantas cujas estruturas relaciona
das à reprodução sexuada são bem evidentes e são
chamadas estróbilos. É o caso das coníferas, como a
araucária (pinheiro-do-paraná) e o pinheiro-silvestre.
Essa independência está relacionada ao surgimento
dos grãos de pólen, do tubo polínico, dos óvulos e
das sementes.
Os grãos de pólen apresentam envoltório resistente, abrigando em seu interior a estrutura formadora de gametas masculinos, chamados nesses casos
de
células espermáticas
A
B. Na época da reprodução, os
grãos de pólen são liberados e podem ser transportados por diversos mecanismos até as estruturas
reprodutoras femininas. Esse processo é chama
do polinização. Nas “gimnospermas”, a polinização
sempre depende do vento.
Nas plantas, o óvulo não é o gameta feminino, como
ocorre nos animais. Ele é uma estrutura que abriga
o gameta feminino; a oosfera. Ao chegar ao óvulo,
o grão de pólen germina, formando o tubo polínico,
que leva o gameta masculino até o gameta feminino,
ocorrendo a fecundação.
Após a fecundação, o óvulo transforma-se em se
mente. As sementes abrigam o embrião, protegendo-o contra a desse
cação e outros fatores adversos do meio. Na araucária, a semente é popularmente conhecida por pinhão, e o estróbilo feminino é denominado
pinha. O desenvolvimento do embrião origina o pinheiro, e assim o ciclo
continua.
O surgimento da semente contribuiu para aumentar a sobrevivência do
embrião e facilitar a dispersão da espécie, possibilitando que essas plantas ocupassem mais amplamente o ambiente terrestre.
As novidades evolutivas que surgiram nas “gimnospermas”, relacionadas com a independência da água para reprodução, persistiram nas
angiospermas. Elas também apresentam grãos de pólen, tubo polínico,
óvulos e sementes.
Na linhagem das angiospermas, entretanto, surgiram outras estruturas de proteção do óvulo e da semente: os
ovários e os frutos, respectivamente. Após a
fecundação, os óvulos dão origem às sementes, e os ovários formam os frutos, que dão
maior proteção às sementes e contribuem
para sua dispersão.
Nas angiospermas os elementos relacionados com a reprodução sexuada encontram-se
reunidos em estruturas evidentes: as flores.