segunda-feira, 5 de outubro de 2026

As cidades-Estado gregas

A partir de 1200 a.C., com o fim do domínio micênico e a destruição dos palácios, muitas pessoas deixaram de morar nas cidades e passaram a viver nos oikos, no campo, dedicando-se às atividades agrícolas e pastoris. Com o tempo, essas comunidades cresceram, e as terras férteis se tornaram escassas. Para garantir suas terras, alguns oikos se uniram sob o comando de um chefe de família.
Nas disputas entre esses grupos, os chefes vitoriosos ficaram mais ricos e com mais poder. Eles passaram a governar como reis e a contar com o apoio de uma assembleia formada por guerreiros e nobres de diferentes famílias. Esses homens deram origem à chamada aristocracia grega. Eles administravam o território e criavam as leis. Assim, surgiram as pólis, cidades-Estado gregas. 
Eram cidades independentes entre si que tinham autonomia para elaborar leis e tomar decisões, como a declaração de guerra.
Entre as famílias gregas, havia o costume de dividir as terras igualmente entre os herdeiros do sexo masculino. Com isso, muitas famílias passaram a ter propriedades pequenas e, incapazes de gerar o próprio sustento, viram-se obrigadas a trabalhar para os mais ricos. Também se desenvolveu uma ordem patriarcal, isto é, os homens ocupavam os espaços de poder e tinham privilégios em relação às mulheres.
Nesse processo, muitos camponeses se endividaram, e por isso foram escravizados. Em decorrência do aumento da população e da falta de terras férteis, muitas pessoas passaram a ocupar regiões mais distantes do mar Mediterrâneo, em busca de melhores condições de vida. Diversas cidades gregas foram fundadas no sul da Europa, no norte da África e na Ásia Menor. Com isso, a partir de 800 a.C., o comércio marítimo se expandiu, as trocas comerciais se intensificaram e a vida urbana se fortaleceu.

A estrutura das cidades-Estado


O território grego é montanhoso e possui um vasto litoral. Essas características contribuíram para que as cidades-Estado se desenvolvessem de forma isolada. As pólis eram Estados independentes e se comunicavam principalmente pelo mar.
Cada pólis tinha leis, formas de governo e costumes próprios. A maior parte delas era governada por reis, mas os cidadãos participavam das decisões públicas e interferiam no governo. No entanto, nem todos tinham cidadania. Estrangeiros, por exemplo, não participavam das assembleias e não eram considerados cidadãos.
Havia mais de mil cidades-Estado na Grécia antiga, como Atenas, Esparta, Corinto, Tebas e Rodes. Cada uma tinha características singulares, e os conflitos entre as cidades eram frequentes. Isso fez impulsionar a atividade militar e a produção de objetos como armas, capacetes e escudos.

Capacete coríntio de bronze produzido no século VI a.C.

DUAS POTÊNCIAS GREGAS 


Esparta e Atenas foram duas das maiores potências do antigo mundo grego e influenciaram cidades-Estado vizinhas. Esparta foi fundada pelos dórios no Peloponeso por volta do século IX a.C. Atenas estabeleceu-se no mesmo século por intermédio dos jônios e situava-se em uma região montanhosa da Península Balcânica conhecida como Ática. 

Ruínas de um templo dedicado à deusa Atena na cidade de Atenas, na Grécia, 2021

Vista do sítio arqueológico com ruínas de um anfiteatro da cidade-Estado de Esparta, na Grécia. Século XXI.


Diferentemente de Esparta, que ficava no interior do Peloponeso, Atenas estava perto do mar e dispunha de um porto, o Pireu. Isso permitia a seus habitantes a prática da pesca e da navegação. Esses fatores contribuíram para que a cidade se tornasse um importante centro comercial da Grécia antiga.

A Acrópole


Em geral, as cidades-Estado eram organizadas em torno de um centro urbano e uma área rural. Um exemplo sobrevivente da estrutura central de uma pólis pode ser observado na cidade de Atenas.

Acrópole: Complexo com templos religiosos e construções do governo no topo de uma colina. Ao seu redor, havia um núcleo urbano com casas, mercados, lojas, oficinas de artesãos e praças.

Esparta


Imagine uma parede de escudos e lanças marchando em sua direção de forma ordenada, em ritmo constante e determinado. Foi assim que o historiador grego Tucídides descreveu o avanço do exército espartano sobre seus inimigos.
Esparta, na região do Peloponeso, tornou-se uma cidade-Estado em torno de 900 a.C. Era famosa por sua tradição militar, pela disciplina e pela violência nos combates.
Esparta, ao contrário da maioria das pólis, não tinha saída para o mar, o que dificultava as trocas comerciais com outros povos. Além disso, a região possuía poucas terras férteis, o que incentivou os espartanos a conquistar outros territórios. Assim, toda a sociedade se organizava em torno da guerra.
A cidade era comandada por dois reis. Enquanto um lutava nas guerras, o outro permanecia na pólis. A participação no governo era restrita aos aristocratas, isto é, aos grandes proprietários de terras das famílias mais ricas, chamados espartíatas ou espartanos. Eles viviam da renda de suas terras, não realizavam trabalhos manuais ou atividades comerciais e formavam a elite de guerreiros de Esparta.
Apenas os espartanos eram considerados cidadãos e podiam participar das assembleias, assumir cargos políticos ou se tornar reis. Essa forma de organização política, um “governo de poucos” e “para poucos”, é chamada de oligarquia.
Os inimigos capturados pelo exército de Esparta em batalhas eram forçados a trabalhar para as famílias espartanas, seja na agricultura, seja no pastoreio. Os povos que já habitavam a região do Peloponeso e foram dominados pelos espartanos também foram submetidos à escravidão. Essas populações eram chamadas de hilotas.
Os periecos, estrangeiros livres, viviam nos arredores da pólis e se dedicavam ao comércio ou ao artesanato. Apesar de não serem considerados cidadãos, eram obrigados a se alistar no exército espartano.

Estatueta grega em bronze do século VI a.C. representando um guerreiro.

Atenas


Após o colapso das cidades palacianas micênicas, em torno de 1200 a.C., Atenas manteve seu crescimento e certa unidade territorial, ao contrário das demais cidadelas.

Atena, a deusa da sabedoria, das artes, da justiça e da guerra, era considerada a protetora dos atenienses, por isso o nome da cidade homenageava essa divindade grega. 

A população ateniense se apoiava em seus mitos de origem, como a narrativa de Teseu e o Minotauro. Isso contribuiu para o desenvolvimento da identidade cultural ateniense. Assim, essa população não migrou para regiões distantes, mas cresceu e prosperou no próprio território.
Com o tempo, surgiram os primeiros órgãos de governo e tribunais. O Areópagos, por exemplo, era um conselho formado por aristocratas, responsável pela administração e pela justiça. Mas, a partir de demandas populares e do desenvolvimento de novas formas de organização política, o Areópagos perdeu o poder, mantendo-se apenas como um tribunal de justiça.
Atenas tornou-se uma cidade-Estado em torno de 1000 a.C. e estava localizada no sul da Grécia, em uma região muito próxima do mar. Por isso, os atenienses praticavam atividades relacionadas à navegação marítima. 
Eles mantiveram um intenso contato com diversas cidades gregas e com povos que viviam em regiões mais distantes, como os babilônios, os fenícios e os egípcios. Atenas se tornou um importante centro cultural e comercial do mundo mediterrâneo.
Como outras sociedades antigas, a sociedade ateniense também era hierarquizada e composta de grande quantidade de trabalhadores escravizados. Veja detalhes da divisão social ateniense a seguir.

Cidadãos - Homens livres considerados cidadãos: Grandes proprietários de terras, agricultores, comerciantes e artesãos.

Pessoas livres não cidadãs - Pessoas livres consideradas não cidadãs: Mulheres, crianças, pobres livres e metecos (pessoas escravizadas que conquistaram a liberdade ou estrangeiros que viviam em Atenas).

Escravizados - Trabalhadores escravizados: Em sua maioria, eram prisioneiros de guerra. Somados aos metecos, representavam a maior parte da população ateniense. Em Atenas, muitos cidadãos possuíam escravizados, e os maus-tratos eram proibidos.

Insatisfações populares e reformas políticas


As terras férteis eram escassas no território grego. Para sobreviver em épocas em que as colheitas eram ruins, os pequenos agricultores atenienses acabavam se endividando. E, sem condições de pagar suas dívidas, muitos deles perdiam suas terras ou eram escravizados.
Descontentes, os camponeses passaram a exigir o perdão de suas dívidas. Os comerciantes e os artesãos nutriam insatisfações com a própria condição. Apesar de formarem um grupo importante para a economia de Atenas, eles não podiam participar da vida política. Essa situação gerou crises e revoltas.
Nesse período, os aristocratas controlavam as leis e dominavam as melhores terras. Com o objetivo de evitar uma guerra civil, eles nomearam o legislador Sólon para implementar reformas sociais e políticas.
Uma das medidas estabelecidas por Sólon foi a criação de critérios de renda para o exercício de funções públicas. Com isso, ele acabou com os privilégios políticos por nascimento. No entanto, mesmo assim, apenas os mais ricos poderiam assumir cargos no governo. Além disso, ele acabou com a escravidão por dívida e criou um tribunal de justiça e uma assembleia popular, que reunia todos os cidadãos.
Apesar das mudanças promovidas por Sólon, os camponeses continuavam com poucas terras, e as desigualdades sociais e políticas se mantiveram. Por isso, as insatisfações populares cresceram. Durante um breve período, o aristocrata Psístrato aproveitou-se da crise geral e tomou o poder à força, dando início a uma tirania. Após a morte de Psístrato, Clístenes assumiu o governo, com o apoio de parte da população.
Em 508 a.C., Clístenes deu continuidade às reformas de Sólon e criou o primeiro governo em que todos os cidadãos poderiam participar das decisões da cidade: a democracia.

Estela funerária de c. 400-375 a.C. representando um homem e uma mulher atenienses. Estima-se que a cidade-Estado de Atenas chegou a ter 350 mil habitantes. Desses moradores, 35 mil eram homens livres, e o restante da população era formada por mulheres, crianças, escravizados e estrangeiros. Embora representassem a minoria da população, apenas os homens livres atenienses possuíam direitos políticos

A democracia ateniense


Na democracia ateniense, todos os cidadãos participavam das decisões políticas. A cada ano, quinhentos cidadãos eram sorteados e escolhidos para servir ao governo. Durante aquele ano, eles eram responsáveis por fazer novas leis e garantir sua execução. Quando uma nova lei era proposta, todos os cidadãos tinham a chance de discutir o projeto e votar a favor ou contra sua implementação. As votações eram realizadas durante assembleias públicas, chamadas de Eclésia.
Pelo menos uma vez por mês, os cidadãos se reuniam e conversavam sobre questões atuais e sobre o que deveria ser feito em cada situação. Assim, pessoas comuns tinham a oportunidade de se envolver nas decisões de como a cidade deveria ser administrada. Esse tipo de governo é chamado de democracia direta.

Vestígios de intervenção humana na colina Pnyx (século VI a.C.), em Atenas, Grécia. Era nesse local, nas proximidades da Acrópole, que a assembleia se reunia e que as decisões eram tomadas pelos cidadãos.

Mas quem eram os cidadãos atenienses? Em Atenas, a definição de “cidadão” incluía apenas homens adultos, livres, filhos de pais atenienses. Mulheres, crianças, estrangeiros e escravizados não eram considerados cidadãos e, portanto, não podiam votar ou participar ativamente das discussões públicas. Com isso, estima-se que 90% da população não possuía cidadania.

Ostracismo

Na Atenas antiga, qualquer pessoa que representasse uma ameaça à democracia podia ser expulsa da cidade por dez anos, incluindo pessoas influentes e líderes políticos. Essa prática era chamada de ostracismo.

Óstraco ateniense do século V a.C. Na peça de cerâmica está escrito: “Kallias, filho de Kratios”, nome da pessoa que recebeu um voto para ser banida.

O ostrakon era um pedaço de cerâmica que servia como uma espécie de papel em que os cidadãos gregos escreviam o nome da pessoa que deveria ser banida por desonestidade, por agir contra a liberdade pública ou por diferenças políticas.
Os gregos usavam vasos de cerâmica para transportar e armazenar alimentos, para conservar perfumes, para servir refeições ou para realizar rituais religiosos. As pessoas manuseavam esses objetos todos os dias. Então, como você pode imaginar, eles provavelmente quebravam com alguma frequência, ao cair de uma mesa ou ao escorregar das mãos. Assim, artefatos e cacos de cerâmicas eram abundantes e, por isso, aproveitados até mesmo como suporte para o voto.

Algumas diferenças entre Esparta e Atenas


Uma das diferenças entre Esparta e Atenas estava na forma de governo. Em Esparta, havia uma diarquia, ou seja, dois reis governavam juntos. O direito ao trono era transmitido de pai para filho. 
Os reis, porém, não agiam sozinhos. Eles eram auxiliados pelos esparciatas, que formavam uma assembleia popular. Nessa assembleia, eram eleitos cinco éforos, que atuavam com os reis no cuidado da cidade. 
Além disso, na assembleia popular eram escolhidos os 28 membros da Gerúsia (conselho de anciãos). Os membros desse conselho precisavam ter mais de 65 anos, e o cargo era vitalício. 
 Os integrantes da Gerúsia podiam vetar temas debatidos na assembleia e julgar os reis quando necessário. Tanto os membros da assembleia quanto os reis participavam ativamente do exército em Esparta. 
Outra diferença relacionava-se à condição social das mulheres. As espartanas tinham mais liberdade de ação que as mulheres de outras cidades gregas. 
As pertencentes à aristocracia podiam tomar conta dos bens da família, por exemplo, pois, na maior parte do tempo, os homens estavam em guerra ou treinando para a luta. Elas podiam, ainda, ter acesso aos espaços públicos, mesmo sem a companhia masculina, e praticar exercícios físicos. 
Apesar de as espartanas terem mais direitos que as mulheres de outras cidades gregas, também eram subordinadas aos homens.
Os espartanos, assim como os atenienses, relacionavam a educação à noção de cidadania. Essa noção, porém, não era a mesma nas duas cidades. 
De modo geral, em Atenas, os meninos de famílias aristocráticas aprendiam leitura, escrita e debate. Eram, portanto, treinados para atuar na vida pública. 
A atividade física era também parte importante da formação ateniense. Os aristocratas praticavam equitação e caça, enquanto outros esportes, como corridas, eram mais populares, e isso ajudava a preparar os cidadãos atenienses para a guerra. 
Já em Esparta, era usado um sistema rígido para educar os meninos: o agogê. Nesse sistema, aos 7 anos, os meninos eram separados das mães e divididos em tropas para receber treinamento militar rígido em local afastado. 
Eram treze anos de treinamento básico, nos quais os garotos conviviam apenas com outros estudantes e seus superiores, que podiam bater neles caso falhassem em suas atividades. 
O objetivo dos espartanos ao adotar esse sistema era for mar guerreiros dispostos a obedecer à hierarquia militar sem questionar e sem ter medo de sentir dor e de morrer.
Aos 20 anos, os jovens obtinham alguns direitos políticos, como o de fazer refeições com os mais velhos e o de participar de seus grupos, o que era considerado uma honra. Aos 30 anos, podiam se casar e constituir família, além de integrar algumas consultas e votações políticas. Finalmente, caso sobrevivessem até os 60 anos, os cidadãos espartanos eram liberados das obrigações militares e tinham direito de concorrer a qualquer cargo político na cidade.

Formas de governo em Atenas

Por volta do século VIII a.C., na época de sua fundação, o governo de Atenas era uma monarquia, ou seja, uma forma de governo em que o poder era exercido por um rei, também chamado de basileu. Com o passar do tempo, as famílias eupátridas tomaram o poder do rei e passaram a controlar o governo, transformando-o em uma oligarquia. 
No século VI a.C., diante de crescentes conflitos provocados pelas desigualdades sociais em Atenas, o governo oligárquico realizou algumas reformas políticas. A principal delas foi a criação de leis escritas. Com isso, mais pessoas tiveram acesso a elas, o que diminuiu o poder da oligarquia, que não pôde mais interpretar as leis orais em seu favor. 
Como nem todos os problemas foram resolvidos, a população continuou a pressionar por mais mudanças. Assim, no século VI a.C., a escravidão por dívidas foi abolida e terras foram distribuídas aos camponeses, o que favoreceu as camadas humildes da sociedade ateniense e estimulou os eupátridas a comprar escravos como forma de reduzir os gastos com a mão de obra.

A democracia ateniense

Até meados do século VIII a.C., Atenas era comandada por um rei, que realizava tarefas de juiz, sacerdote e chefe militar. No final do século VII a.C., o poder do rei passou a ser exercido por representantes da aristocracia (em grego, aristós = o melhor + cracia = poder). Originalmente, aristocracia significava o “governo dos melhores”. 
 A aristocracia ateniense era formada por homens ricos, que possuíam grandes propriedades de terra e alegavam descender de algum deus ou herói. A concentração de poder nas mãos da aristocracia gerou tensões com outros grupos sociais. Na época, por exemplo, pequenos proprietários e camponeses reivindicavam o acesso a terras mais produtivas e o fim da escravidão por dívidas. A escravidão por dívidas afetava a vida da população mais pobre de Atenas, principalmente a dos camponeses. Caso eles fizessem um empréstimo e não conseguissem pagá-lo, perdiam seus bens e, até mesmo, sua liberdade para quitar a dívida. Nesse cenário de tensões sociais, a maioria da população ateniense começou a exigir reformas que, em alguns casos, foram atendidas. 
Em 594 a.C., o aristocrata Sólon (638 a.C.-558 a.C.) pôs fim à escravidão por dívidas. Posteriormente, por volta de 507 a.C., outro político aristocrata chamado Clístenes (565 a.C.-492 a.C.) aprofundou as reformas de Sólon e introduziu a democracia em Atenas.

O principal órgão da democracia ateniense era a Assembleia Popular (Eclésia), na qual todos os cidadãos podiam expressar opiniões, e a decisão da maioria era respeitada. No Conselho dos Quinhentos (Bulé), os integrantes elaboravam leis, que depois eram votadas pela Assembleia Popular. Havia também os estrategos, cidadãos que lideravam o exército e punham em prática as decisões da Assembleia Popular, e os membros do Tribunal de Justiça (Heleia). 
Na tentativa de garantir o bom funcionamento da democracia, o governo ateniense criou o ostracismo, lei que previa um exílio de dez anos a quem fosse considerado uma ameaça à democracia. Ostracismo vem da palavra grega óstrakon, um caco de cerâmica no qual eram escritos os nomes dos candidatos ao exílio. O indivíduo que tivesse seu nome citado por 6 mil cidadãos era condenado. 
Aos poucos, a democracia ateniense foi sendo aperfeiçoada. Os cidadãos pobres passaram a receber pagamento para exercer atividades políticas, por exemplo, o que ajudou a garantir sua participação na Assembleia.

Democracia direta 


A democracia ateniense apresentava uma ideia básica: todos os cidadãos tinham os mesmos direitos perante a lei. Essa igualdade, que é chamada de isonomia (do grego, iso = igual + nomia = o que é de direito), abriu caminho para que todos os cidadãos (ricos e pobres, aristocratas e não aristocratas) participassem do governo da cidade. 
Porém, a expressão “todos os cidadãos” não queria dizer “todos os habitantes” da cidade. Em Atenas, cidadãos eram só os homens atenienses livres maiores de 21 anos. Assim, estrangeiros, escravizados, mulheres e menores de 21 anos não tinham direitos de cidadania. Calcula-se que, no século V a.C., Atenas tinha por volta de 310 mil habitantes, dos quais apenas cerca de 42 mil eram cidadãos. 
Os cidadãos atenienses podiam ocupar cargos públicos e participar da Assembleia do Povo (Eclésia), que aprovava ou rejeitava projetos para a cidade. Esses projetos eram elaborados pelo Conselho dos Quinhentos, composto de 500 cidadãos sorteados todo ano. Os projetos aprovados eram executados pelos estrategos, chefes de governo que cuidavam da administração e dos assuntos militares. Todos os anos, dez estrategos eram eleitos pela Assembleia. 
A participação dos cidadãos na Eclésia era direta, ou seja, os cidadãos compareciam pessoal mente para votar os assuntos da vida pública. Eles decidiam quais obras deveriam ser construídas, onde aplicar o dinheiro, com quem deveriam manter paz ou declarar guerra. Além disso, era pelo voto que os cidadãos puniam quem fosse considerado um perigo para a democracia. Umas das punições para os condenados era o ostracismo, isto é, a expulsão de Atenas por um período de dez anos. 

Consolidação da democracia 


Em meados do século V a.C., os estrategos Efialtes e Péricles consolidaram a democracia de Atenas. Eles fizeram reformas que reduziram o poder político da aristocracia e aumentaram a participação dos cidadãos no governo. Foi criada, por exemplo, a remuneração para funções públicas. Com isso, cidadãos pobres puderam se dedicar à vida política de Atenas. Péricles foi estratego por cerca de 15 anos. 
Durante seu governo, Atenas atingiu prosperidade econômica e esplendor cultural. Ele construiu grandes obras e embelezou a cidade, encomendando trabalhos a grandes artistas. A democracia ateniense, por ser direta, era bem diferente das democracias de hoje em dia. Atualmente no Brasil, por exemplo, o regime político em vigor é a democracia representativa, em que cidadãos e cidadãs elegem seus representantes para o parlamento ou para o governo.

Governo de Esparta

O governo da cidade-Estado de Esparta pouco mudou ao longo do tempo, pois sempre foi controlado pelos esparciatas. Em fins do século VII a.C., organizou-se na cidade a diarquia, isto é, um governo exercido por dois reis com funções religiosas e militares. Em tempos de guerra, um deles chefiava as tropas enquanto o outro ficava na cidade. Seu poder era limitado pelos seguintes órgãos formados por esparciatas: 
- Eforato: composto de cinco membros chamados de éforos. Eles eram eleitos anualmente, governavam a cidade e controlavam o poder dos reis. Participavam das decisões militares, econômicas e das negociações com outras cidades. - Gerúsia: conselho formado pelos dois reis e por 28 esparciatas com mais de 60 anos, que elaboravam as leis. Seus membros também eram chamados de gerontes. 
- Ápela: assembleia de cidadãos com mais de 30 anos que escolhiam os éforos e os membros da Gerúsia.

Organização social de Esparta.

Na região grega do Peloponeso localizava-se a cidade-Estado de Esparta. Por volta de 1200 a.C., os dórios, povo nômade provavelmente de origem asiática, fixaram-se na Península Balcânica, onde fundaram a cidade de Esparta, na região do Peloponeso.
A sociedade de Esparta manteve a tradição militar dos dórios durante toda a Antiguidade. Eles usavam armas de ferro, metal – um material que era desconhecido na Grécia – e, como se dedicavam à guerra, destruíram a civilização dos povos que lá viviam e escravizaram sua população. Cercada por montanhas e solos férteis, 
Esparta desenvolveu como principais atividades econômicas a agricultura e a criação de animais. Sua sociedade destacou-se principalmente pela rigidez de costumes e pelo espírito guerreiro; um bom exemplo disso era a dedicação aos treinamentos físicos e militares. Os espartanos valorizavam a guerra como forma de demonstrar honra, coragem e força física, características que os historiadores geralmente relacionam à herança militar dos dórios, povo fundador de Esparta.
Na sociedade espartana, os esparciatas, nome dos cidadãos espartanos que permaneciam à disposição do exército ou dos negócios públicos, consideravam-se os únicos descendentes dos dórios. Eram a minoria da população, do nos das melhores terras e, além disso, somente eles tinham direito à cidadania, controlando o governo. 
Os periecos viviam nos arredores da cidade e eram proprietários das terras menos férteis; alguns eram pequenos comerciantes, outros, artesãos. 
Havia também os hilotas, prisioneiros de guerra que trabalhavam como agricultores ou soldados. Eles pertenciam ao governo, que tinha o poder de libertá-los. Aqueles que ganhavam a liberdade dedicavam-se a diferentes atividades e podiam possuir bens. Filhos de mulher hilota e pai esparciata poderiam ser reconhecidos como cidadãos de Esparta.

Esparta: uma sociedade guerreira

A sociedade espartana estava dividida em três grupos sociais bem distintos: espartiatas (ou esparciatas), periecos e hilotas. Os espartiatas, também chamados de espartanos, compunham a elite da sociedade e descendiam diretamente dos dórios. Representavam cerca de 10% da população, eram proprietários de terras e consideravam-se os verdadeiros cidadãos de Esparta e superiores ao restante da população. Controlavam o poder político da cidade e de todas as instituições de governo. Eram os únicos que podiam participar de assembleias e assumir cargos públicos. 
Os éforos e os dois reis vitalícios (diarcas) que governavam a cidade também pertenciam a esse grupo social.
Os espartiatas viviam da renda de suas terras e eram proibidos de realizar trabalhos manuais. Desde pequenos, eram criados para tornarem-se guerreiros. A partir dos 7 anos, os meninos eram afastados de suas famílias e encaminhados aos quartéis. Até os 12 anos, dedicavam-se aos esportes e aprendiam sobre valores como força, bravura, disciplina e solidariedade. 
Ao completarem 18 anos, os jovens enfrentavam um rigoroso treinamento militar. Dos 20 aos 30, permaneciam nos quartéis, prontos para entrar em combate. Só eram liberados do serviço militar aos 30 anos, quando, então, conquistavam a cidadania. Entretanto, somente após os 60 anos eram dispensados de suas obrigações militares.
Outro grupo social de Esparta era o dos periecos, antigos habitantes das regiões conquistadas pelos dórios e que não combateram os invasores. Os periecos viviam na periferia da pólis, eram livres e tinham a obrigação de alistarem-se no exército, podendo, inclusive, tornarem-se oficiais, mas não tinham o direito de participar do governo. Muitos se dedicavam ao comércio e à manufatura, uma vez que essas atividades eram proibidas aos espartiatas.
Os hilotas (prisioneiros, em grego) faziam parte do grupo que combateu os dórios quando estes invadiram a Península Balcânica. Com a vitória dos invasores, foram submetidos à escravidão e passaram a pertencer a um senhor, mas a cidade-Estado de Esparta tinha direitos sobre eles. Os hilotas não podiam ser vendidos para fora do território espartano e apenas o governo da pólis poderia libertá-los. 
Os homens hilotas trabalhavam nas terras dos espartiatas e eram obrigados a dar a eles metade do que produziam. Também podiam ser convocados para o exército, mas lutavam com armamentos mais simples. As mulheres trabalhavam nas casas da cidade como amas de leite, tecelãs ou fiandeiras. A insatisfação dos hilotas diante de toda essa situação era grande e por vezes eles revoltaram-se contra os espartiatas.

A sociedade ateniense

A sociedade ateniense estava dividida em três grupos sociais: cidadãos, metecos e pessoas escravizadas. Os cidadãos eram minoria na população ateniense e apenas eles tinham direitos civis, políticos, jurídicos e religiosos assegurados. Cabia-lhes participar da vida de sua comunidade, cuidar da defesa do território, envolver-se nas festividades públicas e nas atividades políticas da pólis. Inicialmente, apenas os grandes proprietários de terra, conhecidos como eupátridas, eram considerados cidadãos. 
Posteriormente, outros grupos conquistaram o direito à cidadania, como agricultores que detinham algumas posses (chamados de georgóis; em grego, gergoi) e comerciantes e artesãos (demiurgos; em grego, demiourgoi), por exemplo.
A sociedade ateniense era patriarcal, assim, as mulheres não podiam dispor de propriedades, administrar negócios ou ter direitos políticos. Elas eram sempre representadas pelo marido ou por algum parente de gênero masculino. 
Seu principal papel naquela sociedade era ser mãe e gerar herdeiros. As mulheres atenienses casadas deviam, de modo geral, ficar reclusas em suas casas, dedicando-se à vida doméstica. Ainda assim, cabia a elas a organização de algumas das festas que aconteciam na cidade, como as Panateneias, em homenagem à deusa Atena. 
As mulheres das camadas mais baixas da sociedade, no entanto, costumavam trabalhar, dedicando-se ao pequeno comércio, administrando tabernas, vendendo mercadorias na ágora, entre outras atividades.

Metecos e pessoas escravizadas 


Os metecos, por sua vez, eram um grupo formado pelas pessoas escravizadas que conseguiram a liberdade e pelos estrangeiros que viviam em Atenas. Para os atenienses, eram consideradas estrangeiras as pessoas que não pertenciam à pólis. Assim, tanto um egípcio residente na cidade quanto um grego natural de outra pólis, como Esparta ou Corinto, eram estrangeiros em Atenas. 
Os metecos não podiam ser donos de terras e não tinham direitos civis nem políticos assegurados. Só se tornavam cidadãos os metecos que prestassem serviços importantes a Atenas. 
As pessoas escravizadas formavam a camada mais baixa da sociedade ateniense e, com os metecos, compunham a maior parte da população. Em sua maioria, eram prisioneiros de guerra originários da Ásia Menor ou da Trácia. 
De modo geral, todos os cidadãos – inclusive os mais pobres – possuíam trabalhadores escraviza dos. Estes pertenciam a seus amos, que eram proibidos de praticar maus-tratos contra eles.
A escravidão desempenhava um papel fundamental para o funcionamento da economia no mundo antigo, envolvendo as principais atividades produtivas, especial mente a agricultura. O trabalho das pessoas escravizadas garantia parte importante da produção e, assim, possibilitava o exercício da cidadania pelos atenienses livres. 
Nesse contexto, os atenienses relutavam em dar liberdade às pessoas escravizadas. Houve poucos casos de libertos que conquistaram o direito à cidadania.

Afresco que representa um pescador, produzido por volta do século XVII a.C. A obra foi encontrada na ilha grega de Santorini, no Mar Egeu.

No século V a.C., quase metade da população ateniense era formada por escravos. Os homens livres frequentavam todos os espaços da cidade, entre eles movimentados mercados, onde se comercializavam escravos e diversos tipos de produtos. Os mercados eram também pontos de encontro onde se conversava sobre negócios, política e problemas da cidade.

GUERRA DE TRÓIA

Conflito em que a Grécia antiga teria derrotado a cidade de Tróia, localizada na Ásia Menor, no séc. XIII a.C., valendo-se de um estratagema...