Publicado nos Estados Unidos em 1995, o livro A Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, logo fez um enorme sucesso, o que acabou se repetindo também no Brasil.
O livro baseia-se em uma ideia simples: além de uma inteligência "intelectual" nós possuímos também uma inteligência "emocional", tão ou mais importante que a outra para o sucesso na escola e na vida. Goleman fala até mesmo em um QE (Quociente Emocional), que complementaria o QI (Quociente Intelectual).
Para entender o sucesso da teoria da inteligência emocional, é preciso levar em conta a situação da psicologia americana, saturada de conceitos como o de QI e aplicação de testes cognitivos. Nesse contexto, uma teoria que, baseando-se em novos conhecimentos da neurologia, falava da importância das emoções tornou-se uma espécie de antídoto contra a excessiva tecnicidade e aridez dos sistemas baseados em medições de QI e em performances intelectuais.
Em relação à educação, Goleman, e autores influenciados por ele, fala da importância de "educar" as emoções e fazer com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com outros, reconhecer as próprias angústias e medos, etc.
Goleman chega a falar em "alfabetização emocional", como uma espécie de nova matéria, e em "lições emocionais". Mesmo que essa ideia tenha o mérito de chamar a atenção para a necessidade de levar em conta, de forma mais consciente, o desenvolvimento emocional dos alunos, ela merece uma ressalva, na medida em que não se aprendem emoções apenas recebendo lições, mas principalmente negociando-se com os outros.
Quando se cria rotinas escolares repletas de situações em que os alunos trabalham em equipe, discutem regras de vida, falam sobre suas aflições, etc., podem surgir dificuldades emocionais, e a necessidade de negociar com os outros para superá-las pode fazer as crianças evoluírem.
A preocupação com o desenvolvimento emocional das crianças já pode ser encontrada em muitas práticas da Escola Nova, na pedagogia Freinet, nas ideias sobre a construção da cidadania e em muitos autores influenciados pelas ideias de Freud e do movimento psicanalítico. Isso nos faz perceber que, menos que uma ideia original e uma teoria rigorosa, a "inteligência emocional" é uma boa fórmula, que foi capaz de dar voz a uma grande insatisfação contra a educação excessivamente intelectual e árida.
A influência dessa teoria sobre a educação é totalmente positiva, pois chama a atenção para o fato de que as escolas não devem se preocupar apenas com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.
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