domingo, 11 de outubro de 2026

A VIDA COTIDIANA EM ROMA

As pessoas levantavam cedo nas cidades romanas e faziam a primeira refeição à base de carnes e pães. Por volta das oito horas, eram abertas lojas, repartições públicas e outros estabelecimentos. Em seguida, a praça central e o fórum se enchiam de gente.
O período da manhã era também dedicado aos estudos. As crianças pobres eram alfabetizadas na escola, enquanto as ricas tinham preceptores, uma espécie de professor particular.
Costumava-se trabalhar até o meio-dia, horário em que os estabelecimentos fechavam para o almoço. 
A refeição era leve: pão, queijo, nozes, figos secos e azeitonas. Aqueles que não podiam comer em casa levavam consigo um recipiente com alimentos para almoçar na rua ou no anfiteatro, enquanto assistiam a uma luta de gladiadores, por exemplo.
Terminado o almoço, o trabalho recomeçava até o meio da tarde, quando se encerrava o expediente e todos voltavam para casa.
A maioria da população vivia no campo, em aldeias ou em fazendas que produziam alimentos e bens para as cidades e para o exército. Os territórios dominados por Roma abasteciam o império com diversos produtos.

O cotidiano dos trabalhadores livres 


As cidades do Império Romano eram agitadas. Desde cedo, muitos trabalhadores já estavam nas ruas realizando diversas atividades. Para muitos deles, restava pouco tempo para o lazer e a vida social. 
Os moradores das cidades costumavam tomar banho gratuitamente nas termas públicas. Eles também frequentavam circos e anfiteatros para assistir aos espetáculos públicos.

A educação das crianças 


Para os romanos, os filhos eram sempre vistos como garantia importante para a continuidade da família. A educação das crianças variava conforme o grupo social e o sexo.
Os filhos das famílias mais pobres em Roma geralmente cresciam analfabetos, ou seja, sem conhecimentos sobre leitura e escrita. Alguns desses jovens conseguiam adquirir noções de leitura e escrita, especialmente para trabalhar. 
Os meninos e meninas de Roma entravam na escola por volta dos 7 anos de idade. Nela, eles aprendiam a ler, a escrever e também recebiam noções de cálculo. 
Por volta dos 12 anos, as meninas deixavam a escola e passavam a ser educadas unicamente pelas suas mães. O objetivo era que se tornassem boas donas de casa, es posas e mães. 
A partir dos 12 anos, somente os meninos de famílias influentes continuavam a estudar. Aprendiam literatura, história e o idioma grego. Também eram preparados para a vida militar.
Já as meninas das camadas sociais mais altas recebiam lições de cálculo, escrita e leitura até a adolescência. Entre 12 e 13 anos de idade, elas paravam de estudar e podiam se casar. Com o tempo, elas aprendiam com outras mulheres da família a cozinhar, a fiar e a tear lã, além de ajudar suas mães a cuidar dos irmãos. 
Por sua vez, os rapazes de famílias ricas em Roma deviam, geralmente, prosseguir nos estudos, iniciados já na infância. Com o auxílio de um professor de gramática ou de literatura, eles estudavam as obras e as heranças culturais dos grandes autores gregos e romanos. Estudavam também noções de agricultura, astronomia, religião, matemática, arquitetura, geografia, história e retórica.
Além desses conteúdos, as aulas eram voltadas ao ensino da oratória, a fim de que aprendessem como discursar e como defender uma ideia em público. Nessa etapa, muitas aulas eram realizadas nos espaços públicos para que os alunos entrassem em contato com o dia a dia da política.
Os meninos romanos, além de serem educados no ambiente familiar e nas instituições escolares, recebiam uma formação militar. Nos treinamentos, eles aprendiam noções de disciplina e técnicas de utilização de armamentos e também passavam por uma rigorosa preparação física. A formação militar era bastante valorizada e foi muito importante para a expansão e a manutenção do Império.

As mulheres romanas 


As mulheres romanas podiam participar da vida pública. Muitas delas frequentavam banquetes e reuniões sociais, discutiam questões políticas e eram proprietárias de estabelecimentos comerciais.
As mulheres ricas tinham acesso à educação e mais tempo para se instruir. Algumas se tornavam poetisas. Entretanto, elas não podiam votar, não tinham direitos políticos e não podiam exercer cargos públicos.
As mulheres plebeias e patrícias tinham cotidianos bem diferentes. As patrícias casavam-se por volta dos 14 anos com casamentos arranjados pelos pais. Como não precisavam trabalhar, elas tinham mais tempo livre para realizar diversas atividades, como ler, escrever, tocar instrumentos musicais e pintar. Embora fossem responsáveis pelos cuidados dos filhos, contavam com o trabalho de mulheres escravizadas para essa e outras atividades cotidianas.

Mosaico romano do século V representando duas escravizadas ajudando uma patrícia a se arrumar.

As mulheres plebeias tinham mais autonomia em relação ao casamento. Elas podiam se casar com quem quisessem, mas muitas vezes os casamentos entre os plebeus eram realizados para o casal dividir as despesas. Além disso, as plebeias tinham mais liberdade, pois trabalhavam fora de casa e as sim conheciam mais outros ambientes. Em casa, as plebeias tinham como responsabilidade as tarefas domésticas, os cuidados dos filhos e a produção artesanal de tecidos de lã.

Mosaico romano do século IV que representa uma mulher plebeia trabalhando na colheita de uvas.

Mosaico do século IV que representa, no canto esquerdo, uma mulher escravizada ajudando a dar banho no filho da senhora.

A alimentação 


Os hábitos alimentares dos romanos eram determinados de acordo com sua condição econômica.
A alimentação das pessoas pobres não era muito variada. Para os mais pobres, a disponibilidade de alimentos era determinada pela distribuição mensal de grãos.
Elas costumavam fazer três refeições por dia. Na primeira, que ocorria pela manhã, costumavam comer pães e azeitonas e beber vinho diluído em água.
A segunda refeição era realizada próximo do meio-dia. Nela, eram consumidos, principalmente, pães, frutas e legumes. A terceira refeição ocorria no início da noite e costumava ter o mesmo cardápio do almoço.
Para muitos cidadãos, a principal refeição do dia era feita entre as quatro e as seis horas da tarde. O café da manhã e o almoço eram servidos com lanches leves ou apenas pão. Como não havia geladeira, as compras eram feitas diariamente em charretes ou lojas nas ruas.

Detalhe de relevo romano do século I que representa alimentos sobre uma mesa.

Os cidadãos mais ricos usavam especiarias importadas em suas refeições e tinham trabalhadores escravizados para servi-los. Os alimentos consumidos diariamente incluíam grãos, pães, vegetais e azeite.

Relevo romano de cerca de 300 d.C. representando o momento de uma refeição em família.

A carne era muito cara e, por isso, pouco consumida entre os pobres. Já a alimentação das pessoas ricas costumava ser mais diversificada. Além de pães, azeitonas, queijos e vinhos, o cardápio dos ricos incluía diversas frutas e legumes, ovos, ostras e diferentes tipos de carnes.

Namoro e casamento


Os romanos também namoravam, se apaixonavam; mas,  quanto ao casamento, as diferenças entre nós e eles são grandes. Nas famílias ricas, um dia antes de se casar, a noiva depositava seus brinquedos no altar onde ficavam os deuses protetores de sua família; ela ainda tinha brinquedos porque se casava muito jovem, com 12 a 15 anos de idade. Já o noivo, era geralmente um homem com mais de 35 anos.
A menina, porém, não tinha liberdade de escolha; era seu pai que escolhia com quem ela deveria se casar. Para o pai, o amor não tinha importância; o que contava era a posição social do noivo e a riqueza de sua família.
Já entre os pobres, as diferenças de idade entre homens e mulheres não eram tão grandes; o casal se unia com o objetivo de se ajudar na luta pela sobrevivência. Os escravizados, por sua vez, eram proibidos de casar-se, então namoravam e, por vezes, moravam juntos; isso ocorria com mais frequência quando eles pertenciam ao mesmo dono.
Sem a interferência do fator econômico, os casamentos entre os pobres eram, geralmente, movidos pelo sentimento.

Relevo em mármore em um sarcófago romano do século II, representando a celebração de um casamento. Entre o casal está a deusa Vesta, abençoando o matrimônio.


Circo romano 


Os circos eram muito apreciados pelos romanos e ofereciam diversos espetáculos, como apresentações de malabaristas, acrobatas e ilusionistas. 
Uma das principais atrações desses circos eram as corridas de carros puxados por quatro cavalos (quadriga). Essas corridas eram realizadas por quatro equipes de cores diferentes: azul, branca, vermelha e verde.

Luta de gladiadores 


A luta de gladiadores era o espetáculo mais violento e popular do Império Romano. Elas ocorriam em anfiteatros ou em circos. Geralmente, os gladiadores eram pessoas escravizadas que recebiam um treinamento para realizar os combates. Além de lutarem entre si, os gladiadores também podiam lutar com animais ferozes, como leões e ursos.

Os mosaicos romanos


Os mosaicos são uma das várias formas de expressão artística romana. Geralmente, representam temas da mitologia, religião, cenas de gladiadores e cenas da vida cotidiana. Essas obras, em sua maioria, serviam para decorar prédios públicos e residências da elite romana.

Nesse mosaico, é possível perceber a pessoa do lado esquerdo tocando um instrumento de sopro. Esses instrumentos eram utilizados em diversas ocasiões, como celebrações festivas, funerais ou durante os conflitos militares, para dar sinalizações aos soldados.

Esse mosaico representa uma cena de caçada. Essa prática era comum entre membros da elite romana e fazia parte de suas atividades de lazer. 
Nessa cena, dois homens, acompanhados de um cachorro, carregam um javali recém-capturado. O cachorro era usado como animal de guarda e frequentemente participava das caçadas com seus donos.

Os afrescos romanos 


Os romanos costumavam pintar cenas do cotidiano em paredes, conforme indicam os registros arqueológicos datados do século I a.C. em diante. Uma das principais técnicas que eles utilizavam era a dos afrescos. 
Na maioria das vezes, essas pinturas eram bem planejadas, levando em consideração a posição da parede e a luminosidade do ambiente. O tema da pintura, geralmente, era escolhido pela pessoa que encomendava a obra.

Detalhe de afresco do século I a.C. representando pescadores romanos em uma embarcação.

Detalhe de afresco do século I representando romanos realizando atividades de lazer, como um jogo de bola.

Cultura e entretenimento 


A produção literária foi uma importante expressão cultural da civilização romana. Inspirados nas técnicas e nos temas da literatura grega, os romanos produziram grandes obras escritas, como Eneida, de Virgílio, e História de Roma, de Tito Lívio. 
Em Roma, havia uma variedade de espetáculos de entretenimento, como os teatrais, que mostravam ao público cenas baseadas nos costumes romanos da época. Havia também as corridas de quadrigas (carros puxados por animais), o circo e as lutas de gladiadores (geralmente escravos). 
As lutas eram uma paixão coletiva, e esses eventos eram financiados pelos patrícios. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer pelos lutadores. 

As condições de vida na metrópole


Por volta de 27 a.C., quando o imperador Augusto subiu ao poder, vivia em Roma quase um milhão de pessoas em situação extremamente precária, em moradias pequenas e aglomeradas.
A cidade cresceu tanto e tão rápido que as consequências não demoraram a aparecer. Havia falta de habitações, os aluguéis eram caros, trânsito caótico, criminalidade, alto custo de vida e impostos elevados que incidiam sobre quase tudo. O desemprego era um dos maiores problemas, pois a cidade não suportava a demanda dos camponeses que chegavam em busca de trabalho.
As condições de saúde e higiene eram tão precárias que a cidade exalava um terrível mau cheiro. Plínio, o Jovem, escritor e orador, para disfarçar esse fedor, sugeriu que fossem queimados pães. [...]

ANDE, Edna; LEMOS, Sueli. Roma: arte na idade antiga. São Paulo: Callis, 2011. p. 43.

Gravura do século XIX da cidade de Roma no auge do Império Romano.


As mulheres em Roma

A sociedade romana era patriarcal, ou seja, um tipo de sociedade em que o homem exerce autoridade preponderante. O homem tinha direito de vida e morte sobre a esposa e os filhos. 
Durante a Roma antiga, os principais papéis atribuídos às mulheres eram os de mãe, esposa e guardiã do lar. No entanto, saindo do ambiente doméstico, o que predominou na sociedade romana foi uma situação desfavorável às mulheres.
O acesso à educação era um privilégio de poucos. Meninas e meninos podiam aprender a ler, a escrever e a calcular. No entanto, o caminho dos estudos terminava mais cedo para as meninas.
Na infância, as meninas das famílias patrícias recebiam aulas de arte, música e dança. Depois aprendiam a fiar, a tecer e a cuidar do orçamento doméstico.
Nas famílias mais ricas, os casamentos davam-se, em geral, por meio de um acordo entre os pais dos noivos. As mulheres costumavam se casar entre 12 e 18 anos, geralmente com homens mais velhos, de 30 ou 40 anos. Esses acordos familiares não costumavam acontecer nas famílias mais pobres e, ali, a diferença de idade entre os noivos não era tão grande.
Ao contrário das mulheres atenienses, as romanas tinham maior autonomia e não levavam uma vida isolada; interagiam mais com os homens e podiam participar de banquetes e reuniões. Também tinham direito à propriedade e a exercer atividades comerciais.
A participação feminina na vida pública da cidade era admitida em certas festas e atividades. Algumas chegavam a adquirir propriedades rurais. As senhoras casadas saíam pouco de casa e, quando apareciam em público, vestiam roupas que encobriam o corpo.
Uma das maiores desigualdades ocorria na política, pois as mulheres não tinham o direito de participar das decisões do governo. Todos os cargos políticos do Estado eram exercidos por homens.
Embora impedidas de participar da política de Roma, as mulheres não ficavam distantes dos eventos nessa esfera da sociedade. Faziam campanha para candidatos e até chegavam a organizar protestos. Um dos mais conhecidos aconteceu em 195 a.C., quando um grupo de mulheres invadiu o centro de Roma exigindo dos magistrados a abolição de uma lei que as proibia de exibir adornos luxuosos.

Relevo que representa uma mulher romana e seu filho em um banquete, com criada trazendo um cesto de comida, século II. 

Entre as famílias mais ricas, o pai exercia autoridade sobre a esposa, os filhos, os clientes e os escravos. Assim, tradicionalmente, era o pai quem decidia sobre o casamento de seus filhos. Os principais objetivos do casamento eram aumentar o patrimônio e gerar descendentes.
Apesar dessa tradição, a partir do século I, aumentaram os casos de mulheres que participavam da escolha de seus futuros maridos e que administravam seus próprios bens. 
Na vida cotidiana, atividades como cozinhar, tecer e cuidar de crianças eram desempenhadas sobretudo por mulheres. Além dessas atividades, elas realizavam outros trabalhos, que variavam de acordo com sua condição social. 
Assim, havia muitas mulheres que trabalhavam na agricultura, no comércio e no artesanato. Também houve mulheres que se dedicaram às atividades religiosas e se tornaram importantes sacerdotisas. 
As mulheres participavam de vários eventos públicos, assistindo, por exemplo, às lutas de gladiadores, às apresentações teatrais e aos jogos. De modo geral, alguns historiadores indicam que, em comparação com as mulheres gregas, as romanas tinham mais liberdade e não ficavam tão limitadas ao ambiente doméstico.
As mulheres romanas costumavam tingir os cabelos de loiro e maquiar os olhos com grafite ou açafrão. As tinturas eram feitas com sebo de carneiro e cinzas. No caso de cabelos muito escuros, era comum o uso de perucas, feitas com cabelos de mulheres germânicas ou gaulesas.
As romanas também apreciavam os perfumes, que podiam ser feitos de rosas, flores da manjerona ou açafrão. As mais ricas preferiam aromas obtidos da mistura de vários ingredientes, como a mirra, a canela, a amêndoa e o bálsamo, alguns deles importados do Oriente.

Mosaico do século V que retrata senhora rica sendo auxiliada por funcionárias de casa termal (terma). Essa peça foi encontrada na atual Tunísia, região que fazia parte do Império Romano na época. Museu Nacional de Barbo, Tunísia.

Ainda conforme essas fontes, esperava-se que as mulheres ricas se casassem com homens da mesma camada social e cuidassem de seu domus (sua casa), dedicando-se a atividades domésticas ou relacionadas a elas, como a tecelagem. 
A última esposa de Augusto, Lívia Drusa, era o modelo de comportamento para as mulheres da elite: uma figura maternal e piedosa, que sempre buscava a paz. Em 16 a.C., ela foi a primeira mulher a ter sua imagem gravada em moedas provinciais. Assim, seus trajes e penteados ditaram moda em todo o império. 
Depois de sua morte, Lívia foi divinizada e se tornou referência para as imperatrizes seguintes. Assim, outras formas de existência feminina entre os membros da elite foram silenciadas no Império Romano.


Nascimento do cristianismo

Durante o período imperial, surgiu na Palestina, região dominada pelos romanos, uma nova religião que se baseava nos ensinamentos de Jesus Cristo: o cristianismo. 
Hebreu nascido na cidade de Belém durante o governo do imperador Augusto, foi o fundador dessa nova crença. Seus seguidores, os cristãos, acreditavam que Jesus era o filho de Deus e que tinha sido enviado à Terra para redimir a humanidade de seus pecados, pregar o amor ao próximo – sem distinção entre ricos e pobres – e garantir a salvação eterna. 
Com cerca de 30 anos, Jesus começou a pregar pela Judeia e pela Galileia. Afirmava que as pessoas deveriam amar a Deus e a seu semelhante. Para ele, todas as pessoas eram iguais entre si, e as que aceitassem sua mensagem seriam salvas e viveriam ao lado de Deus quando morressem.
A doutrina de Jesus, de caráter monoteísta, era oposta à das autoridades romanas, que acreditavam que os imperadores tinham caráter divino. Ao mesmo tempo, irritou os sacerdotes judeus, que não reconheciam Jesus como o Messias enviado por Deus. 
Jesus pregava que Deus era seu Pai. Dizia também que era o messias tão aguardado pelo povo hebreu. Seus seguidores, então, espalharam-se pelo império para divulgar seus ensinamentos. 
As ideias cristãs criticavam o abuso de poder por parte dos governantes, mas foram atraindo muitos seguidores espalhados pelo Império, sobretudo es cravos, plebeus desempregados, pessoas pobres dos campos e das cidades.
Os sacerdotes do templo de Jerusalém, entretanto, condenaram suas pregações, considerando que elas desafiavam as leis judaicas. Assim, mandaram prendê-lo e o julgaram em um tribunal religioso chamado Sinédrio. 
Em seguida, por considerá-lo culpado, os sacerdotes hebreus enviaram-no ao governador da província da Judeia, Pôncio Pilatos (século I d.C.), alegando, entre outras acusações, que ele provocava desordens, condenava o pagamento de tributos e planejava uma revolta contra Roma.
O resultado foi a morte de Jesus, pregado em uma cruz, ao lado de dois ladrões, no monte Calvário, nos arredores de Jerusalém. De acordo com a crença cristã, Jesus Cristo ressuscitou e, em seguida, voltou para Deus.


Detalhe de painel em relevo, do século IV, que representa Jesus sendo levado por legionário romano à presença do governador Pôncio Pilatos.

Depois da morte de Jesus, seus seguidores mais próximos, chamados de apóstolos, continuaram pregando seus ensinamentos. A nova crença entrou em choque com a crença dos romanos e de outros povos, que eram politeístas. 
Os primeiros cristãos foram duramente perseguidos pelas autoridades e tiveram de se reunir secretamente. Descobertos, muitos foram crucificados e mortos. Vários também foram condenados a enfrentar gladiadores e leões nos circos romanos.
Mesmo com as perseguições, as comunidades cristãs se organizavam nas grandes cidades do Império Romano. O estímulo ao amor e à igualdade entre as pessoas, a insistência na paz e a crença em uma vida após a morte junto de Deus atraíam multidões, a maioria agricultores e trabalhadores urbanos pobres, mulheres, escravos e demais marginalizados pela sociedade romana.

O CRISTIANISMO PRIMITIVO 


Os seguidores de Jesus difundiam seus ensinamentos pelos lugares que visitavam. Alguns deles chegaram a escrever sobre a vida e o pensamento de Jesus em livros que, posteriormente, foram chamados de evangelhos (palavra de origem grega que significa boa-nova). A pregação dos seguidores de Cristo atraía, em especial, os pobres e os escravizados. 
À medida que o cristianismo se propagava, as autoridades romanas mostravam-se intolerantes. A rejeição dos seguido res de Cristo à escravidão e a recusa em aceitar a divindade do imperador eram atitudes vistas como desobediência a Roma. De tempos em tempos, os cristãos despertavam ondas de repressão do Estado romano. Essas perseguições se intensificaram principalmente entre os séculos II e III.
O cristianismo era considerado uma ameaça à autoridade dos imperadores e, por quase três séculos, o governo romano não permitiu que fosse praticado no Império. 
Nesse período, as cerimônias religiosas cristãs eram realizadas em segredo, nos subterrâneos de Roma, conhecidos como catacumbas. Quem fosse descoberto naqueles esconderijos era condenado à morte, geralmente enfrentando leões nos espetáculos públicos.

AS GRANDES PERSEGUIÇÕES 


Com medo da repressão, os cristãos praticavam seus rituais em segredo, reunindo-se às escondidas em cemitérios subterrâneos, as catacumbas. Nesses locais, além dos ritos funerários e da comemoração do aniversário dos mártires – os que morreram por não negar a fé cristã –, os cristãos realizavam seus cultos. 

Detalhe de pintura do século III d.C., em catacumba romana. Proibidos de professar sua fé, os primeiros cristãos reuniam-se nas catacumbas. Imagens como essa podem ser encontradas em diversas catacumbas romanas e são importantes documentos sobre a história dos primeiros cristãos.

Contudo, as cerimônias subterrâneas levantaram ainda mais suspeitas. Como consequência, em época de crise política, os governantes apontavam os cristãos como responsáveis pelos problemas que ocorriam no império, ordenando perseguições em massa e punições públicas, como o açoite, a decapitação e a crucificação. 

Detalhe de mosaico romano do século III d.C., encontrado na Líbia atual, uma região dominada pelos romanos na Antiguidade. O mosaico retrata um prisioneiro (ao centro), possivelmente cristão, condenado à morte na arena. Essa forma de condenação era bastante frequente nos primeiros séculos do cristianismo. 

A primeira grande perseguição aconteceu durante o governo do imperador Nero, em 64 d.C., e a última – e mais violenta – deu-se em 305 d.C., sob o governo do imperador Diocleciano.

ROMA SE TORNA CRISTà


A perseguição aos cristãos não desestimulou a dis seminação da nova fé. Ao contrário, o número de adeptos só aumentou, como se pode observar neste mapa. Contudo, o cristianismo só pôde ser praticado livremente após o imperador Constantino (272 d.C.-337 d.C.) se converter a essa religião e instituir, em 313 d.C., a liberdade de culto no império com o Édito de Milão.
Ele também proibiu o trabalho aos domingos, pois esse dia era considerado sagrado para os cristãos. Com essas mudanças, a disseminação do cristianismo pelo império se acelerou e restrições à antiga religião romana foram impostas. Em 353, o imperador Constâncio II, filho de Constantino, determinou o fechamento dos templos pagãos e o fim de sacrifícios aos deuses. 
Em 391, o imperador Teodósio tornou o cristianismo a religião oficial do império e aboliu os cultos aos antigos deuses. A partir de então, os cristãos começaram a perseguir os pagãos com a mesma violência com que foram perseguidos em Roma, no início da era cristã.

AS MULHERES NA ROMA CRISTà

Em Roma, as mulheres não exerciam cargos públicos porque não eram considera das cidadãs. Para os romanos antigos, o principal papel social das mulheres era cuidar da família e do lar. Com a oficialização do cristianismo, a situação não se alterou muito: esperava-se que as mulheres, a quem os cristãos consideravam responsáveis pelo pecado original, fossem obedientes e submissas aos homens, como forma de alcançar a salvação e o perdão de seus pecados.

Estudos científicos realizados a partir de esqueletos de judeus que viveram no século I indicam que, nessa época, um homem comum desse povo tinha em média 1,55 m de altura, cerca de 50 quilos e pele morena.
Portanto, de acordo com os cientistas, o rosto de Jesus seria parecido com o dessa imagem criada digitalmente.




ROMA E SUAS CONSTRUÇÕES

No campo da construção, os romanos desenvolveram importantes técnicas e conhecimentos. Alguns dos melhores exemplos da Engenharia romana são as casas de banho (termas), as estradas e os aquedutos (canais que serviam ao transporte de água).
As estradas romanas eram retas, niveladas e planas. Isso facilitava tanto o comércio quanto o movimento de tropas por todo o Império Romano.
Daí o dito popular “Todos os caminhos levam a Roma”.
A partir de 312 a.C., os romanos desenvolveram um complexo sistema de abastecimento para resolver os problemas de acesso à água corrente da cidade. Para isso, construíram uma vasta rede de canais e aquedutos que alimentava as fontes públicas.
Roma chegou a ter 11 aquedutos e 1 300 fontes públicas. Não havia desperdício: a água que não era utilizada nas fontes servia para alimentar os banhos públicos, para lavar as latrinas públicas ou ia para o sistema de esgoto subterrâneo, construído para receber os dejetos e as águas pluviais.
Os aquedutos são canais que servem ao transporte de água, que, após ser recolhida em nascentes e poços, era levada até as cidades. Inicialmente, os aquedutos eram tubulações de um metro e 20 centímetros de largura por um metro e 80 centímetros de altura, construídas no nível do solo. Durante a expansão militar, os adversários do Império Romano procuravam os aquedutos romanos para roubar ou envenenar a água que seguia para Roma. Para evitar o roubo ou o envenenamento da água, os romanos construíram aquedutos aéreos, com colunas de 15 metros de altura, como o que se vê na imagem.

Acima, vemos a ilustração de um esquema da construção de aqueduto aéreo. Note que ele corre sobre uma fileira contínua de arcos construídos sobre altos pilares apoiados em enormes alicerces. 


As habitações romanas - O espaço urbano


Geralmente, no núcleo central das cidades, ficavam os edifícios públicos mais importantes, como o fórum (principal centro comercial), a basílica (amplo espaço coberto no qual se instalavam repartições administrativas e judiciárias), os templos (edifícios religiosos), os teatros, as latrinas e as termas.

Imagem do projeto Roma Renascida, maquete da Roma antiga em 3D, com vista geral da cidade: templos do monte Palatino à esquerda e o Coliseu no centro.

Lojas, tavernas, padarias, açougues e mercearias estavam dispersos por toda a cidade. Na periferia, longe do centro, encontravam-se os locais de treinamento físico, os depósitos de lixo e as hortas. Assim como nos dias atuais, as pessoas viviam em diferentes tipos de habitação. A minoria rica residia em casas térreas, muito amplas e luxuosas.
No começo do período imperial, foram construídos edifícios para os mais pobres. Conhecidos como ínsulas, tinham até cinco andares e eram feitos de pedra ou de madeira. Cada ínsula tinha vários apartamentos que se abriam para um corredor interno ou para a rua. 
As condições de vida no interior dessas habitações eram precárias, a começar pelo fato de não possuírem banheiros. Seus diversos andares eram ligados por uma escada externa.
Geralmente, o andar térreo da ínsula era ocupado por lojas e oficinas. Os proprietários moravam no fundo ou no andar de cima. À noite, esses estabelecimentos eram fechados com placas ou toras de madeira.
A maioria dos apartamentos não tinha cozinha, o que obrigava os romanos a comprar comida quente ou a cozinhar na rua em fogões portáteis. Em algumas residências havia cisternas para armazenar a água das chuvas.

Reconstrução histórica ilustrada de uma ínsula, moradia da plebe durante o período imperial em Roma.

Já os ricos viviam em casas luxuosas e confortáveis, com aberturas no teto, várias salas e jardim nos fundos. Esse tipo de habitação era denominado domus. Geralmente, as paredes dessas residências eram decoradas com pinturas e mosaicos.

Vista do interior de uma domus decorada com mosaico. Campânia (Itália), fotografia de 2017

A domus romana era formada, geralmente, de:

1. vestíbulo: pequeno corredor que dá acesso ao átrio;
2. átrio: área com um pequeno tanque no centro, que captava a água das chuvas. Uma abertura no teto permitia a entrada de luz natural no átrio e nos cômodos próximos, quartos de dormir, escritório, depósito e sala;
3. tablino: sala de visitas ou de reuniões para receber pessoas que não fossem da família.
4. alas: saletas abertas na lateral;
5. peristilo: grande jardim rodeado de colunas e embelezado com arbustos, flores e estátuas. Além de ser uma área de lazer, esse jardim possibilitava a entrada de luz natural, que clareava outras construções, como, por exemplo, o salão de festas. O jardim, como se vê, ficava no fundo da casa;
6. salão de festas e banquetes: os banquetes romanos eram servidos por numerosos criados, livres ou escravizados; havia comida e bebida à vontade e apresentações de dança e música feitas por profissionais contratados.

Ilustração que reconstitui uma domus romana elaborada com base em uma planta da época.


Caminhos e construções


Via Appia: construída no ano 312 a.C., seu projeto inicial traçava uma rota entre duas cidades, Roma e Cápua. Essa estrada era tão bem acabada que foi chamada pelos romanos de “A Rainha das Estradas” (em latim, Regina Viarum). Mas não se pode considerar a Via Appia um modelo típico de estrada romana, pois cada uma era construída de acordo com as condições de seu terreno.

Via Salaria: a construção de estradas ampliou as possibilidades de comunicação e comércio entre várias regiões. Um exemplo de estrada comercial era a Via Salaria, que ficou assim conhecida porque foi construída em uma antiga rota utilizada para transportar sal. Assim como nos dias atuais, naquela época o sal era um importante tempero e conservante de alimentos.

Marco miliário: eram pedras cilíndricas que marcavam as distâncias nas estradas romanas. Eles têm esse nome porque eram colocados a cada mil passos (cerca de um quilômetro e meio). Neles, podia haver inscrições com o nome do construtor da estrada e a distância entre aquele e outros pontos (escrita em milhas ou léguas).

Pontes: os romanos criaram pontes tanto de madeira quanto de pedra, muitas delas em forma de arco.

Vista da Ponte Emília, também chamada de Ponte Partida, construída no século II a.C. Roma, Itália.


Roma - Lutas e corridas

A principal diversão da população romana era os espetáculos promovidos em circos (arenas) e anfiteatros. Nesses locais, os governantes patrocinavam diversos tipos de jogos violentos. O grande público tinha paixão pelas lutas e pelas corridas. Os jogos prediletos eram os combates entre gladiadores que costumavam terminar com a morte de lutadores. Havia uma edificação especial para esse tipo de torneio: o anfiteatro. O mais famoso deles, o Coliseu de Roma (ou Anfiteatro de Flaviano), foi construído no ano 80, com capacidade para receber entre 50 mil e 80 mil espectadores.
Outro local de destaque era o Circo Máximo, utilizado desde os tempos da monarquia e onde aconteceram os primeiros jogos romanos, os festivais, as competições e as corridas de biga. A queda dos condutores era frequente e representava uma verdadeira atração para os espectadores. Ganhava o carro que chegasse em primeiro lugar – com ou sem condutor.
Os espetáculos públicos eram frequentados pela maior parte dos moradores de Roma, das pessoas escravizadas aos imperadores. O grande número de feriados facilitava o acesso da população a esses espetáculos; pois no século III havia cerca de 200 feriados por ano. Além disso, havia muitos circos, arenas e teatros onde assistir a eles.
No período Imperial, a cidade de Roma tornou-se uma metrópole com cerca de um milhão de habitantes. Grande parte dessa população, no entanto, não encontrava trabalho e vivia em condições miseráveis. Foi nessa época que os imperado res adotaram a chamada política do “pão e circo” (panis et circenses).
De acordo com essa política, os imperadores distribuíam pães e cereais para a população carente e também promoviam grandes espetáculos, oferecidos gratuitamente ao povo. Entre os principais espetáculos públicos estavam as encenações de teatro, as lutas na arena e as corridas de biga.
Os espetáculos começavam pela manhã e se prolongavam pelo resto do dia. As pessoas levavam comida e bebida de casa para consumir no local. As torcidas eram divididas por cores: verde, azul, branco e vermelho. Havia controle por parte da guarda, mas, muitas vezes, a rivalidade entre as torcidas terminava em pancadaria.

O teatro 


As encenações teatrais, conhecidas como jogos cênicos (ludi scenici), ocorriam em Roma desde os primeiros tempos da República. Os espetáculos teatrais podiam ser de diversos tipos, como comédias, dramas e tragédias. 

Mosaico romano do século III que representa atores e máscaras de teatro.

Porém, como havia um grande número de estrangeiros em Roma, as encenações teatrais que atraíam maior público eram a mímica e a pantomima, espetáculos que representavam a trama por meio de gestos e dança.

As corridas de biga e quadriga 


As corridas de biga e quadriga também atraíam multidões em Roma, as quais ocorriam nos circos, nome dado a grandes construções destinadas a esse tipo de competição. Havia circos em muitas cidades romanas. O maior deles, o Circo Máximo, em Roma, tinha capacidade para acomodar 250 mil pessoas nas arquibancadas.

As lutas de arena 


Um dos espetáculos públicos que mais chamava a atenção da população era a luta de arena. Sua principal atração, o combate entre gladiadores, em geral acontecia entre pessoas escravizadas treinadas especialmente para lutar. 

Mosaico romano do século IV que representa uma luta de gladiadores.

Nessas arenas, também havia lutas entre animais selvagens, como elefantes, ursos, leões, touros, e entre gladiadores e animais. A maior arena construída para lutas de gladiadores foi o Coliseu, em Roma, com capacidade para acomodar cerca de 50 mil espectadores.

Ruínas do Coliseu em Roma, Itália, 2020.

Desde a época de Roma antiga até hoje, estudiosos procuram entender o que levava milhões de romanos a assistir às lutas de gladiadores, mesmo com toda a violência expressa nesse tipo de espetáculo. 
Diferentes hipóteses foram levantadas, entre elas está o fato de a violência fazer parte daquela cultura de modo marcante. Além disso, não sendo os romanos os únicos a apreciá-la. Outra hipótese é a de que esse tipo de interesse pela violência é gerado em uma sociedade em crise, cuja população pouco se interessa por assuntos políticos, encontrando-se alienada, alheia aos problemas da sociedade.

Gladiador, escravo e rebelde


Nascido na região grega da Trácia, o soldado Espártaco (c. 109 a.C.-71 a.C.) poderia ter segui do carreira no exército romano até o fim de sua vida, mas não... Desertou das tropas, foi capturado e escravizado. Foi mandado por seu dono, o mercador Lêntulo Batiato, a uma escola de gladiadores no sul da península Itálica, pois era forte e habilidoso.
Os gladiadores eram escravos que lutavam entre si ou contra animais nas arenas para divertimento público. Utilizavam nos combates lanças, tridentes, escudos e redes e podiam vir montados em cavalos ou em cima de carros puxados por esses animais. A luta terminava somente quando um dos gladiadores era morto, desarmado ou ferido, sem poder continuar o combate.

A morte de Espártaco, ilustração de Hermann Vogel, 1882.

Esses espetáculos agradavam muito aos romanos, e os imperadores es timulavam essas lutas para oferecer diversão à população. Os gladiadores aprendiam a lutar em escolas específicas, recebendo um treinamento rigo roso para se tornarem excelentes lutadores. 
Em torno de 73 a.C., Espártaco liderou uma revolta de escravos que treinavam com ele. Era o Período Republicano da história romana. Durante sua fuga, o grupo saqueou um carregamento de armas, garantindo a defesa de todos até a chegada ao topo do vulcão Vesúvio, onde se esconderam. A revolta de Espártaco deu trabalho às legiões romanas, além de ameaçar um dos pilares da economia romana: a escravidão. 
Os povos na Antiguidade tiveram como base para seu desenvolvimento econômico o trabalho escravo. Os escravos eram capturados nas guerras de conquista e expansão territorial.  A população escrava de Roma contribuiu bastante para que a cidade se tornasse importantíssima no Império.

Detalhe da maquete em 3D da Roma antiga, que representa o Coliseu de Roma.


A SOCIEDADE ROMANA

A sociedade romana era formada por quatro grupos principais: patrícios, plebeus, clientes e escravizados.
Os patrícios eram os membros da aristocracia e proprietários de vastas extensões de terras e de grandes rebanhos. De nominavam-se assim pois acreditavam ser os descendentes dos fundadores de Roma. Eram os únicos com direito a fazer parte do Senado romano.
Os pequenos proprietários, os agricultores, os artesãos e os comerciantes, chamados plebeus, eram pessoas livres e formavam a maioria da população de Roma. Exerciam as principais atividades econômicas e, durante o período monárquico, não tinham direitos políticos.
Os clientes, pessoas livres e pobres, dependiam das famílias patrícias, para as quais prestavam regularmente favores e serviços, além de dar-lhes apoio político e militar. Em troca, recebiam ajuda econômica e proteção. Quanto mais clientes um patrício tivesse sob sua proteção, mais importância política e social ele conquistava.
Havia também os escravos, que eram, em geral, prisioneiros de guerra ou plebeus e clientes endividados. Eles realizavam todo tipo de trabalho, principalmente os que envolviam esforço físico. No período monárquico, a população escrava não era numerosa.

A FAMÍLIA ROMANA 


A origem da palavra família é latina e designava o conjunto de bens que um pater famílias, chefe da família patrícia, possuía. Esses bens incluíam familiares, escravos, clientes, terras, animais, plantações, moradias, meios de transporte e todo tipo de objeto considerado do patriarca.
Dessa forma, na Roma Antiga, a ideia de família estava relacionada à posse, diferente mente do modo como a compreendemos hoje. Na sociedade ocidental contemporânea, as famílias são constituídas por vínculos afetivos; além disso, objetos e propriedades não são considerados membros da família.
Nas famílias de plebeus, o conceito de família também estava ligado à figura do pai, a liderança masculina. Apesar de não dispor de tantos bens quanto os patrícios, os chefes de famílias plebeias também exerciam autoridade sobre a vida dos filhos, que não os desacatavam mesmo depois de estarem casados.

Relevo romano feito em estela fúnebre, por volta do século II a.C. Ele representa algumas das pessoas que faziam parte de uma família romana. A personagem representada à direita, em tamanho menor que as demais, é, possivelmente, um escravo.


AS LUTAS DE CLASSE NA REPÚBLICA


Embora os plebeus constituíssem a maioria da população eram marginalizados desde os tempos da Monarquia continuando até na República. Como conseqüência, os plebeus sofriam sérias discriminações. Nas guerras ficavam com os piores despojos; quando se endividavam e não podiam pagar suas dívidas, tornavam-se escravos. Nessa época, as leis não eram escritas, mas orais, baseadas na tradição, o que concedia grandes privilégios aos patrícios devido à sua complexa interpretação.
Os plebeus não tinham direito de participar das decisões políticas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos, etc. A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação do exército, uma vez que constituíam a maior parte da população. Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir ao exército, o que representou um duro golpe na estrutura militar de Roma.
Iniciaram um longa luta política contra os patrícios, que perdurou por mais de um século. Lutaram para conquistar direitos, como o de participar das decisões políticas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com os patrícios.
Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios e conquistaram direitos. Entre eles encontrava-se a criação de um comício da plebe, presidido por um tribuno da plebe. O tribuno podia vetar todas as leis contrárias aos interesses da plebe, menos em épocas de guerras, ou de graves perturbações sociais, quando todas as leis ficavam sob o controle exclusivo do ditador. Ele era considerado inviolável e quem o agredisse era condenado à morte.

Outras importantes conquistas obtidas pela plebe foram:

Leis das Doze Tábuas (450 a.C.) – juízes especiais (decênviros) decretariam leis escritas válidos para patrícios e plebeus. Embora o conteúdo dessas leis fosse favorável aos patrícios, o código escrito serviu para dar clareza às normas, evitando arbitrariedades.
Lei Canuleia (445 a.C.) – autorizava o casamento entre patrícios e plebeus. Mas na prática só os plebeus ricos conseguiam casar-se com os patrícios.
Lei Licínia – Aboliu a escravidão por dívidas e ainda concedeu aos plebeus a participação no consulado.
Lei Ogúlnia (300 a.C.) – Com essa lei os plebeus adquiriram o direito de exercer a Magistratura de Pontífice Máximo.
Lei Ortênsia – Os plebeus conseguiram que as leis aprovadas pela Assembleia da Plebe (Comitia Plebis) tivessem validade para todo o Estado. Essas decisões foram chamadas de plebiscito, o que significa "a plebe aceita".

Embora os progressos alcançado pelas conquistas da plebe tivessem sido grandes, essas leis, na prática, continuaram a beneficiar apenas os plebeus ricos, principalmente os comerciantes, que, por casamento, podiam almejar os melhores cargos da república. A exploração dos pobres, no entanto, continuou, não havendo a mínima condição de alcançarem o poder.
Apesar disso, por volta do século III a.C., a República Romana se caracterizava pelo equilíbrio de poder entre a classes, o que no fundo, escondia o fato de que havia um Estado Patrício e um Estado Plebeu.


Religião em Roma

Os antigos romanos eram politeístas, e a religiosidade deles estava presente no cotidiano de diferentes maneiras. Nas moradias, as pessoas geralmente tinham pequenos altares, onde faziam oferendas aos deuses domésticos (conhecidos como lares). De acordo com essa crença, os lares protegiam a casa, o alimento e a família.
Os altares públicos também eram muito comuns. Existiam altares do lado de fora dos templos, onde os sacerdotes conduziam rituais para homenagear os deuses.
Entre os diversos tipos de culto, havia também o culto ao imperador. Os imperadores eram adorados como seres superiores, mesmo depois da morte. A população devia prestar homenagens a eles, e os que se recusassem a fazê-las eram considerados traidores.
Agora perceba o detalhe da imagem a seguir: há um edifício retangular com colunas na lateral que representa o templo de Vênus, deusa do Amor, e de Roma A eterna, deusa da cidade de Roma, construído a partir do ano 121.

 Ruínas do templo de Vênus e Roma, localizado em Roma, na Itália, 2019.


O templo é uma homenagem dos romanos a duas deusas que adoravam. A devoção deles aos ancestrais e aos deuses se expressava nas oferendas de comida e vinho depositadas nos templos e nos altares domésticos.
Outras manifestações eram as orações, as procissões e os sacrifícios de animais. Nos templos, as cerimônias e os rituais religiosos eram celebrados pelos magistrados; nas residências, essa tarefa ficava a cargo do dono da casa.
Durante o processo de expansão no século III a.C., Roma entrou em contato com diversas religiões e culturas, chegando a adotar características de algumas delas. Entre essas culturas, a que mais se destacou foi a grega, que influenciou não só a arquitetura e a filosofia romanas mas também a religião.

Altar do século II construído em homenagem ao imperador Galiano.

Os romanos assimilaram os deuses gregos e suas histórias, e deram a eles outros nomes. Nos primeiros séculos da Era Cristã, também havia um culto que reverenciava os impera dores romanos. Era uma espécie de religião cívica praticada principalmente pelas elites.

Afresco produzido na cidade de Pompeia, por volta do século I a.C., que representa a iniciação de mulheres no culto à deusa Deméter.

Influências etruscas e egípcias


A religiosidade dos antigos romanos foi influenciada por diferentes povos. A primeira grande influência veio da cultura etrusca. Os romanos adotaram diversas práticas dos etruscos, como a arte da adivinhação. Por exemplo, acreditava-se que era possível prever ou adivinhar determinado fato por meio da observação do comportamento dos pássaros. 

Deusa Ísis. Escultura em mármore do século I encontrada no templo dedicado a Ísis, em Pompeia.

Os deuses cultuados pela população romana eram bastante diversificados. O culto a Ísis, deusa de origem egípcia, por exemplo, era muito comum em várias regiões do Império. Outras divindades orientais também eram bastante cultuadas, como Mitra (deus persa do Sol) e Cibele (deusa frígia da fertilidade).

Influências gregas


Os romanos foram fortemente influenciados pela religiosidade grega. Muitos de seus deuses revelam características semelhantes aos dos deuses gregos. Por exemplo, Júpiter apresenta diversas semelhanças com Zeus, o líder dos deuses do panteão grego.

Detalhe de afresco do século I representando Júpiter e Cupido.


As conquistas romanas na Grécia e Oriente Próximo abriram o caminho para a introdução de divindades orientais, tais como Isis, Serápis e Mitra. Obviamente, os deuses greco-romanos tradicionais, como Júpiter, Juno e Minerva, caíram em descrédito. O Mitraísmo, uma religião de raízes persas relacionada com o culto do Sol e representada pelo touro, fez inúmeros adeptos.
O Cristianismo veio a substituir todos esses cultos pagãos. Mas seu domínio sobre o Império somente se efetivou em fins do século IV.
O Edito de Milão de Constantino estabeleceu a liberdade de culto aos cristãos, encerrando as violentas perseguições. No século IV d.C., o cristianismo tornou-se a religião oficial, por determinação do imperador Teodósio.

 


A VIDA COTIDIANA EM ROMA

As pessoas levantavam cedo nas cidades romanas e faziam a primeira refeição à base de carnes e pães. Por volta das oito horas, eram abertas ...