As pessoas levantavam cedo nas cidades romanas e faziam a primeira refeição à base de carnes e pães. Por volta das oito horas, eram abertas lojas, repartições públicas e outros estabelecimentos. Em seguida, a praça central e o fórum se enchiam de gente.
O período da manhã era também dedicado aos estudos. As crianças pobres eram alfabetizadas na escola, enquanto as ricas tinham preceptores, uma espécie de professor particular.
Costumava-se trabalhar até o meio-dia, horário em que os estabelecimentos fechavam para o almoço.
A refeição era leve: pão, queijo, nozes, figos secos e azeitonas. Aqueles que não podiam comer em casa levavam consigo um recipiente com alimentos para almoçar na rua ou no anfiteatro, enquanto assistiam a uma luta de gladiadores, por exemplo.
Terminado o almoço, o trabalho recomeçava até o meio da tarde, quando se encerrava o expediente e todos voltavam para casa.
A maioria da população vivia no campo, em aldeias ou em fazendas que produziam alimentos e bens para as cidades e para o exército. Os territórios dominados por Roma abasteciam o império com diversos produtos.
O cotidiano dos trabalhadores livres
As cidades do Império Romano eram agitadas. Desde cedo, muitos trabalhadores
já estavam nas ruas realizando diversas atividades. Para muitos deles, restava pouco
tempo para o lazer e a vida social.
Os moradores das cidades costumavam tomar banho gratuitamente nas termas
públicas. Eles também frequentavam circos e anfiteatros para assistir aos espetáculos públicos.
A educação das crianças
Para os romanos, os filhos eram sempre vistos como garantia importante para a continuidade da família. A educação das crianças variava conforme o grupo social e o sexo.
Os filhos das famílias mais pobres em Roma geralmente cresciam analfabetos, ou seja, sem
conhecimentos sobre leitura e escrita. Alguns desses jovens conseguiam adquirir noções
de leitura e escrita, especialmente para trabalhar.
Os meninos e meninas de Roma entravam na escola por volta dos 7 anos de idade.
Nela, eles aprendiam a ler, a escrever e também recebiam noções de cálculo.
Por
volta dos 12 anos, as meninas deixavam a escola e passavam a ser educadas unicamente pelas suas mães. O objetivo era que se tornassem boas donas de casa, es
posas e mães.
A partir dos 12 anos, somente os meninos de famílias influentes
continuavam a estudar. Aprendiam literatura, história e o idioma grego. Também
eram preparados para a vida militar.
Já as meninas das camadas sociais mais altas recebiam lições de cálculo, escrita e leitura
até a adolescência. Entre 12 e 13 anos de idade, elas paravam de estudar e podiam se casar.
Com o tempo, elas aprendiam com outras mulheres da família a cozinhar, a fiar e a tear lã,
além de ajudar suas mães a cuidar dos irmãos.
Por sua vez, os rapazes de famílias ricas em Roma deviam, geralmente, prosseguir nos estudos, iniciados já na infância. Com o auxílio de um professor de gramática ou de literatura, eles
estudavam as obras e as heranças culturais dos grandes autores gregos
e romanos. Estudavam também noções de agricultura, astronomia,
religião, matemática, arquitetura, geografia, história e retórica.
Além desses conteúdos, as aulas eram
voltadas ao ensino da oratória, a fim de
que aprendessem como discursar e como
defender uma ideia em público. Nessa etapa, muitas aulas eram realizadas nos espaços públicos para que os alunos entrassem
em contato com o dia a dia da política.
Os meninos romanos, além de serem educados no ambiente familiar e nas
instituições escolares, recebiam uma formação militar. Nos treinamentos, eles
aprendiam noções de disciplina e técnicas de utilização de armamentos e também passavam por uma rigorosa preparação física.
A formação militar era bastante valorizada e foi muito importante para a expansão e a manutenção do Império.
As mulheres romanas
As mulheres romanas podiam participar da vida
pública. Muitas delas frequentavam banquetes e
reuniões sociais, discutiam questões políticas e eram
proprietárias de estabelecimentos comerciais.
As mulheres ricas tinham acesso à educação e mais
tempo para se instruir. Algumas se tornavam poetisas.
Entretanto, elas não podiam votar, não tinham direitos
políticos e não podiam exercer cargos públicos.
As mulheres plebeias e patrícias tinham
cotidianos bem diferentes. As patrícias casavam-se por volta dos 14 anos com casamentos arranjados pelos pais. Como não
precisavam trabalhar, elas tinham mais
tempo livre para realizar diversas atividades, como ler, escrever, tocar instrumentos
musicais e pintar. Embora fossem responsáveis pelos cuidados dos filhos, contavam
com o trabalho de mulheres escravizadas
para essa e outras atividades cotidianas.
As mulheres plebeias tinham mais
autonomia em relação ao casamento.
Elas podiam se casar com quem quisessem, mas muitas vezes os casamentos entre os plebeus eram realizados
para o casal dividir as despesas. Além
disso, as plebeias tinham mais liberdade, pois trabalhavam fora de casa e as
sim conheciam mais outros ambientes.
Em casa, as plebeias tinham como responsabilidade as tarefas domésticas,
os cuidados dos filhos e a produção artesanal de tecidos de lã.
Mosaico do século IV que representa, no canto esquerdo, uma mulher escravizada
ajudando a dar banho no filho da senhora.
A alimentação
Os hábitos alimentares dos romanos eram determinados de acordo com sua condição econômica.
A alimentação das pessoas pobres não era muito variada. Para os mais pobres, a disponibilidade de alimentos era determinada pela distribuição mensal de grãos.
Elas costumavam fazer três refeições por dia. Na
primeira, que ocorria pela manhã, costumavam comer
pães e azeitonas e beber vinho diluído em água.
A segunda refeição era realizada próximo do meio-dia.
Nela, eram consumidos, principalmente, pães, frutas e
legumes. A terceira refeição ocorria no início da noite e
costumava ter o mesmo cardápio do almoço.
Para muitos cidadãos, a principal refeição do dia era feita entre as quatro e as seis horas da tarde. O café da manhã e o almoço eram servidos com lanches leves ou apenas pão. Como não havia geladeira, as compras eram feitas diariamente em charretes ou lojas nas ruas.
Os cidadãos mais ricos usavam especiarias importadas em suas refeições e tinham trabalhadores escravizados para servi-los. Os alimentos consumidos diariamente incluíam grãos, pães, vegetais e azeite.
A carne era muito cara e, por isso, pouco consumida
entre os pobres. Já a alimentação das pessoas ricas costumava ser mais diversificada. Além de pães, azeitonas,
queijos e vinhos, o cardápio dos ricos incluía diversas frutas e legumes, ovos, ostras e diferentes tipos de carnes.
Namoro e casamento
Os romanos também namoravam, se apaixonavam; mas, quanto ao casamento, as diferenças entre nós e eles são grandes. Nas famílias ricas, um dia antes de se casar, a noiva depositava seus brinquedos no altar onde ficavam os deuses protetores de sua família; ela ainda tinha brinquedos porque se casava muito jovem, com 12 a 15 anos de idade. Já o noivo, era geralmente um homem com mais de 35 anos.
A menina, porém, não tinha liberdade de escolha; era seu pai que escolhia com quem ela deveria se casar. Para o pai, o amor não tinha importância; o que contava era a posição social do noivo e a riqueza de sua família.
Já entre os pobres, as diferenças de idade entre homens e mulheres não eram tão grandes; o casal se unia com o objetivo de se ajudar na luta pela sobrevivência. Os escravizados, por sua vez, eram proibidos de casar-se, então namoravam e, por vezes, moravam juntos; isso ocorria com mais frequência quando eles pertenciam ao mesmo dono.
Sem a interferência do fator econômico, os casamentos entre os pobres eram, geralmente, movidos pelo sentimento.
Circo romano
Os circos eram muito apreciados pelos romanos
e ofereciam diversos espetáculos, como apresentações de malabaristas, acrobatas e ilusionistas.
Uma das principais atrações desses circos eram
as corridas de carros puxados por quatro cavalos
(quadriga). Essas corridas eram realizadas por quatro equipes de cores diferentes: azul, branca, vermelha e verde.
Luta de gladiadores
A luta de gladiadores era o espetáculo mais violento e popular do Império Romano. Elas ocorriam
em anfiteatros ou em circos. Geralmente, os gladiadores eram pessoas escravizadas que recebiam um
treinamento para realizar os combates. Além de lutarem entre si, os gladiadores também podiam lutar
com animais ferozes, como leões e ursos.
Os mosaicos romanos
Os mosaicos são uma das várias formas de expressão artística romana. Geralmente, representam temas da mitologia, religião, cenas de gladiadores e cenas da vida cotidiana. Essas obras, em sua maioria, serviam para decorar prédios públicos e residências da elite romana.
Nesse mosaico, é possível perceber a pessoa do
lado esquerdo tocando um instrumento de sopro.
Esses instrumentos eram utilizados em diversas ocasiões, como celebrações festivas, funerais
ou durante os conflitos militares, para dar sinalizações aos soldados.
Esse mosaico representa uma cena
de caçada. Essa prática era comum
entre membros da elite romana e fazia parte de suas atividades de lazer.
Nessa cena, dois homens, acompanhados de um cachorro, carregam
um javali recém-capturado. O cachorro era usado como animal de guarda
e frequentemente participava das caçadas com seus donos.
Os afrescos romanos
Os romanos costumavam pintar cenas do cotidiano em paredes, conforme
indicam os registros arqueológicos datados do século I a.C. em diante. Uma das
principais técnicas que eles utilizavam era a dos afrescos.
Na maioria das vezes, essas pinturas eram bem planejadas, levando em consideração a posição da parede e a luminosidade do ambiente. O tema da pintura,
geralmente, era escolhido pela pessoa que encomendava a obra.
Detalhe de afresco do
século I representando
romanos realizando
atividades de lazer,
como um jogo de bola.
Cultura e entretenimento
A produção literária foi uma importante expressão cultural da civilização romana.
Inspirados nas técnicas e nos temas da literatura grega, os romanos produziram grandes
obras escritas, como Eneida, de Virgílio, e História de Roma, de Tito Lívio.
Em Roma, havia uma variedade de espetáculos de entretenimento, como os teatrais, que
mostravam ao público cenas baseadas nos costumes romanos da época. Havia também as
corridas de quadrigas (carros puxados por animais), o circo e as lutas de gladiadores (geralmente escravos).
As lutas eram uma paixão coletiva, e esses eventos eram financiados
pelos patrícios. Muitos plebeus e escravos preenchiam as plateias dos anfiteatros para torcer
pelos lutadores.
As condições de vida na metrópole
Por volta de 27 a.C., quando o imperador Augusto subiu ao poder, vivia em Roma quase um milhão de pessoas em situação extremamente precária, em moradias pequenas e aglomeradas.
A cidade cresceu tanto e tão rápido que as consequências não demoraram a aparecer. Havia falta de habitações, os aluguéis eram caros, trânsito caótico, criminalidade, alto custo de vida e impostos elevados que incidiam sobre quase tudo. O desemprego era um dos maiores problemas, pois a cidade não suportava a demanda dos camponeses que chegavam em busca de trabalho.
As condições de saúde e higiene eram tão precárias que a cidade exalava um terrível mau cheiro. Plínio, o Jovem, escritor e orador, para disfarçar esse fedor, sugeriu que fossem queimados pães. [...]
ANDE, Edna; LEMOS, Sueli. Roma: arte na idade antiga. São Paulo: Callis, 2011. p. 43.

































