domingo, 1 de fevereiro de 2026

Migrações internacionais na atualidade

Migrar é um ato próprio do ser humano. Entre tanto, em 1948, esse ato passou a ser reconhecido como um direito pela tanto, em 1948, esse ato passou a ser reconhecido como um direito pela Organização das Nações Unidas.
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, todas as pessoas têm o direito de deixar seu país de origem e regressar a ele, assim como pessoas sujeitas a perseguições têm direito de buscar proteção em outros países ou regiões.
Com base nesses princípios, legislações nacionais no mundo todo regulam o ingresso e a permanência de migrantes internacionais. Esses documentos, portanto, têm entre seus objetivos regulamentar a migração externa, isto é, aquela que ocorre entre diferentes países. Em contrapartida, as migrações internas – aquelas realizadas dentro de um mesmo Estado nacional – são livres de regulamentação na maioria dos países.
Segundo dados da ONU, em 2020 havia aproximadamente 281 milhões de pessoas vivendo fora de seus países de origem. Esse número corresponde a 3,6% da população mundial. Apesar de ser considerado um percentual baixo em relação ao total da população, ele tem crescido significativamente nas últimas décadas. Em 1990, por exemplo, havia cerca de 153 milhões de migrantes internacionais. 
Hoje, Europa e Ásia recebem juntas aproximadamente 60% dos migrantes internacionais, seguidas da América anglo-saxônica, destino escolhido por 22% dos migrantes. África, América Latina e Oceania dividem os 18% restantes. 

Migrações internacionais

Os deslocamentos no interior de um país, com a fixação em outro lugar do mesmo território, são chamados de migrações internas (ou nacionais); os deslocamentos de um país para outro, com a fixação em outro território, são as migrações externas (ou internacionais). 
Quando uma pessoa sai voluntariamente de seu lugar de origem e se muda para outro, no mesmo país ou no exterior, ela é considerada migrante. Se for um migrante internacional, no país de saída, ela é considerada emigrante; no de chegada, imigrante. Por exemplo: uma pessoa que deixa a Espanha para viver na Argentina é emigrante da Espanha e imigrante na Argentina.
Muitos latino-americanos deixaram seus países de origem nas últimas décadas e se tornaram imigrantes em outros países, como os Estados Unidos e a Espanha. Desde que entrou na União Europeia, em 1986, a economia espanhola cresceu bastante e ofereceu oportunidades de emprego, atraindo muitos imigrantes. 
Há cerca de 1 milhão de latino-americanos na Espanha, que se tornou o segundo polo de recepção de imigrantes vindos da América Latina. Está atrás apenas dos Estados Unidos, que concentram cerca de 15 milhões de pessoas oriundas dessa região. No entanto, com a crise econômica dos anos 2000 e o forte aumento do desemprego nesses dois países, muitos imigrantes voltaram a seus países de origem. Essa crise se iniciou nos Estados Unidos em 2008 e se propagou para a Europa em 2010.
De acordo com dados do FMI, o desemprego nos Estados Unidos saltou de 4,6% da população economicamente ativa, em 2007, para 9,6%, em 2010; depois desse pico, com a retomada do crescimento econômico, caiu para 4,9% em 2016. Do ponto de vista econômico, o país voltou a ser atrativo para os imigrantes; o problema é que depois da eleição de Donald Trump, naquele ano, houve um endurecimento contra a imigração e um aumento das restrições para se fixar no país.
 Na Espanha, o desemprego é ainda mais alto e, mesmo com a retomada da economia, permanece em patamar muito elevado, o que dificulta a absorção de imigrantes pelo mercado de trabalho.
Os Estados Unidos são o país onde há mais imigrantes em termos absolutos. São quase 50 milhões de pessoas, o que corresponde a 19% do total mundial de migrantes. Mas como sua população total é muito grande (a terceira do mundo), percentualmente o número de imigrantes não é tão elevado. 
Há países nos quais o percentual de estrangeiros (em termos relativos) é bem maior, como é o caso dos principais produtores de petróleo do Oriente Médio. Na Arábia Saudita, os imigrantes chegam a 37% da população; no Kuwait, a 75,5%; porém, o maior índice do mundo é registrado nos Emirados Árabes Unidos, onde 88,4% dos habitantes são estrangeiros.
Isso ocorre porque a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait são países de alta renda e têm carência de mão de obra – com exceção do primeiro, os outros têm populações muito pequenas. Por isso, há um incentivo à vinda de imigrantes, sobretudo do sul e do Sudeste Asiático, para trabalhar na construção civil (principalmente os homens), em serviços domésticos (principalmente as mulheres) e em outros trabalhos que não necessitem de alta qualificação. 
Grande parte desses imigrantes é originária das Filipinas, da Índia, da Tailândia, do Nepal e de Bangladesh. No entanto, as condições de trabalho, em geral, são muito precárias e os salários são baixos.
Embora em menor quantidade, no Oriente Médio também há oferta de serviços que exigem maior qualificação e, portanto, com melhores condições de trabalho e salários mais elevados. Hotéis, companhias aéreas, escritórios de engenharia, empresas de tecnologia da informação e comunicação estão entre os principais empregadores desses trabalhadores, que vêm de diversos países, incluindo o Brasil.

Principais fluxos migratórios

Os continentes europeu e americano estão entre os principais destinos dos migrantes internacionais. 
No entanto, quando observados os fluxos migratórios direcionados a cada país, percebemos que eles não se distribuem de maneira uniforme nos continentes. Conheça a seguir alguns exemplos.
• Considerando o valor total por país, os Estados Unidos são o destino mais procurado por migrantes internacionais. Em 2020, por exemplo, os Estados Unidos contavam com mais de 10 milhões de migrantes mexicanos em seu território. Naquele ano houve um contingente de cerca de 7 milhões de mexicanos, indianos, chineses e filipinos, no país americano.
• A Alemanha é o segundo país com maior número de migrantes estran geiros. Destes, mais de 2 milhões são poloneses. A eles somam-se turcos, russos e casaques, perfazendo mais de 4 milhões de migrantes, vivendo entre os mais de 80 milhões de alemães.
• Na Arábia Saudita, são 2 milhões e meio de indianos. Quando somados aos migrantes da Indonésia, do Paquistão, de Bangladesh e do Egito, compõem uma população de mais de 5 milhões de pessoas no país do Oriente Médio. 
• Índia, México, Rússia, Síria e China, em contrapartida, são os países que hoje apresentam o maior número absoluto de nativos vivendo fora de seus territórios de origem. 
• Cerca de metade dos migrantes internacionais vive em apenas dez países. Além dos três principais destinos já citados – Estados Unidos, Alemanha e Arábia Saudita – completam o ranking Rússia, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, França, Canadá, Austrália e Itália.

Fatores de atração e repulsão

Na atualidade, os altos níveis de desemprego motivam os migrantes a deixar seus países de origem. Porém, os mais pobres não dispõem de recursos para migrar, isto é, têm pouca mobilidade. Assim, os países de recursos para migrar, isto é, têm pouca mobilidade. Assim, os países do Sul configuram as principais regiões de emigração, tornando-se áreas de repulsão populacional, considerando-se o contexto mundial.
Além dos fatores financeiros, a busca por melhores condições de vida está relacionada também às estruturas de serviços sociais, como educação de qualidade, saúde pública, lazer e segurança. Territórios com essas características se configuram como áreas de atração populacional, recebendo muitos migrantes.
Um exemplo são as migrações existentes nas Américas Central e do Norte. Muitos latino-americanos atravessam diariamente a fronteira entre México e Estados Unidos para fugir de situações de violência e pobreza e buscar condições dignas de vida.
Outro fator de repulsão populacional são os conflitos armados. Entre 2015 e 2016, por exemplo, o continente europeu se viu em meio a uma grande crise migratória relacionada aos conflitos armados em países como Afeganistão, Iraque, Síria, Eritreia, Somália e Sudão. 
As mudanças climáticas também são consideradas um fator de repulsão. Em países já pobres, inundações ou secas prolongadas, por exemplo, agravam a situação econômica, pois afetam particularmente a produção  de alimentos.

Políticas migratórias e xenofobia

A chegada de migrantes estrangeiros pode despertar temor e, consequentemente, preconceitos na população local, que tende a se ver em disputa por vagas de trabalho e por acesso aos serviços sociais ou mesmo em situações de violência. 
Atualmente, alguns Estados tentam dificultar o acesso de migrantes estrangeiros, sobretudo daqueles que buscam se fixar no país. Porém, as leis mais severas contra a imigração acabam por colocar em risco a vida de imigrantes, que, diante de tantas barreiras, se arriscam em perigosas travessias, muitas vezes organizadas por grupos que os exploram financeiramente, sem garantias de segurança física ou jurídica. 
A experiência recente, entretanto, demonstra que a presença de leis migratórias severas tem pouca influência sobre o saldo migratório.
Dados da ONU indicam que as políticas de concessão de vistos para trabalho têm reproduzido as desigualdades globais: cidadãos com for mação superior, provenientes de países ricos, têm, em geral, acesso mais fácil à migração e à aquisição de vistos. Por outro lado, cidadãos de países pobres ou em conflito armado, mesmo com formação universitária, frequentemente não conseguem adquirir vistos.
Essa desigualdade revela o tratamento discriminatório dado a determinadas nacionalidades. Ao mesmo tempo, essa disparidade aponta para a dificuldade que muitas sociedades têm de acolher o estrangeiro. O tratamento desigual e discriminatório em relação a estrangeiros é denominado xenofobia.

Os refugiados

Os refugiados (assim como também os migrantes) que foram para os países desenvolvidos sofrem com a xenofobia e o racismo. Sobretudo após a eclosão da crise econômica de 2008, que, como vimos, atingiu especialmente os países desenvolvidos e elevou o desemprego, houve um aumento da hostilidade a estrangeiros ou minorias étnicas, principalmente na União Europeia. A vida dos refugiados é muito difícil porque muitas vezes os acordos internacionais de proteção a eles não são respeitados.

Muros contemporâneos 

Ao contrário do que ocorreu entre o fim do século XIX e o início do século XX, atualmente muitos dos países que mais recebem imigrantes adotam políticas de controle de imigração na tentativa de barrar a entrada de estrangeiros, principal mente, de refugiados. 
Em alguns casos extremos, os governos providenciam a construção de barreiras físicas para impedir os fluxos migratórios. A exceção se verifica em relação a imigrantes altamente qualificados, que, em geral, são beneficiados pelas leis migratórias. No conjunto dos migrantes, porém, essas pessoas representam um pequeno grupo. 
Em 2015, o governo da Hungria anunciou a construção de um muro na fron teira com a Sérvia para conter o fluxo de imigrantes irregulares. No mesmo ano, o Quênia iniciou a construção de uma barreira ao longo da fronteira com a So mália. Em 2014, a Bulgária ergueu um muro na divisa com a Turquia. Nos últimos anos, foram construídas ou ampliadas barreiras nas fronteiras Estados Unidos--México (figura 8), Índia-Bangladesh, Índia-Paquistão, Botsuana-Zimbábue, Israel-Cisjordânia, Israel-Líbano, Grécia-Turquia, Ceuta-Melilla (Espanha), entre outras. 
Na tentativa de buscar abrigo em outro país, todos os anos centenas de pessoas morrem vítimas de fome, afogamento, vio lência, desidratação e doenças. Estima-se que 86% dos refugiados vivem em países em desenvolvimento, que muitas vezes os acolhem em condições precárias.


Movimentos populacionais recentes

Desde os primórdios da história, os seres humanos se deslocam pelo espaço geográfico. Quando os grupos humanos ainda eram nômades, deslocavam-se em busca de alimentos em territórios onde havia maior oferta de animais para caçar ou de frutos para colher. Com o passar do tempo, foram se tornando se dentários, mas ainda se moviam em busca de maior disponibilidade de terras para plantar (e também de melhores solos) e criar animais, quando necessário.
Independentemente das razões, desde os tempos mais remotos, muitos seres humanos sentiram a necessidade de abandonar seu lugar de origem para viver em outro. As motivações para a migração são variadas e podem envolver riscos à sobrevivência − como em caso de crises econômicas, guerras e catástrofes naturais −, perseguições políticas e religiosas, entre outras.

Colonização e migração forçada

A partir do século XV, colonizadores europeus invadiram e ocuparam territórios no continente americano, transferindo parte da Corte para esses locais. Com a ocupação do território, subjugaram os povos originários. Esse processo, conhecido como colonização, é uma forma de conquista territorial empreendida por um Estado, e ocorre articulado com um movimento de migração de parte da população dos países colonizadores para os locais colonizados.
Nesse mesmo contexto, houve uma das grandes diásporas da história: a migração forçada de mais de 12 milhões de pes soas oriundas de diversas localidades do continente africano, que foram traficadas por europeus e vendidas para o trabalho escravo na América. 
E assim o continente americano foi introduzido na ordem global: uma área de exploração de recursos e, ao mesmo tempo, uma região composta de migrantes de diversos locais, os quais se somaram aos povos originários, dando origem à atual população do continente. 

Migrações intercontinentais

Durante o século XIX, cerca de 62 milhões de europeus migraram para a América, principalmente para os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil, fugindo de guerras e da pobreza extrema. 
A emigração europeia está relacionada à consolidação dos Estados nacionais do continente, acentuada entre os séculos XVIII e XIX. Os italianos, por exemplo, emigraram em grande quantidade em direção à América durante o processo de formação da Itália, no século XIX.
A migração árabe, entre os séculos XIX e XX, foi composta, em grande parte, de cristãos oriundos de regiões onde hoje se localizam o Líbano e a Síria. Esse movimento populacional está associado à perseguição religiosa, pois, com a expansão do Império Otomano, que tinha a fé islâmica como princípio, árabes cristãos foram forçados a deixar seus locais de origem.
A diáspora judaica é outro exemplo de migração forçada por intolerância étnica e religiosa. Ela remonta há alguns séculos, com início na perseguição aos judeus na Ásia, que se prolongou até o Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como resultado, os judeus foram forçados a migrar para sobreviver, criando comunidades em todos os continentes.
No Japão da Era Meiji (1868-1912), com a modernização econômica e o crescimento demográfico, grandes massas de pessoas ficaram sem terras para viver e plantar, tampouco havia emprego nas cidades. Por isso, muitos japoneses migraram para o continente americano, em busca de melhores condições de vida.

Migrantes, refugiados e turistas

A partir do processo de industrialização, que começou na Europa no final do século XVIII e gradativamente se estendeu para vários países, as pessoas passaram a buscar melhores oportunidades de trabalho ou de negócios em outros lugares. Muitas migraram do campo para as cidades no interior do próprio país de nasci mento, e muitas outras foram para o exterior, às vezes para países muito distantes. Essas pessoas que se deslocam em busca de melhores condições de vida são chamadas migrantes.
Muitos indivíduos também são obrigados a se deslocar de seus lugares de origem, seja no interior do próprio país onde vivem, seja para o exterior, em razão de perseguições por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política. Esses são os refugiados, cuja motivação é a procura de segurança e liberdade. 
Recentemente na história humana, vem crescendo um grupo particular de pessoas que se deslocam no espaço geográfico por períodos curtos de tempo e, depois, retornam ao seu lugar de origem. São os turistas, que viajam de férias, a negócios e por diversos outros motivos.
No entanto, se uma pessoa se fixar por longo período de tempo no território para onde se deslocou, ela deixa de ser turista e passa a ser considerada migrante. E os refugiados, não podemos chamá-los de migrantes, se passarem a residir em outro país.

Migrações e segregação urbana

As migrações contribuem significativamente para o crescimento das cidades, que ocorre de modo articulado com o processo de segregação urbana ou segre gação socioespacial. 
 A segregação urbana ou socioespacial nas cidades se refere à marginalização de uma parte da população que apresenta determinadas condições econômicas e características sociais, culturais, étnico-raciais e históricas, isolando-a em áreas específicas dentro das cidades. 
A segregação urbana é um reflexo do capitalismo, que é um sistema socioeconômico desigual e excludente. Essa desigualdade se evidencia no espaço urbano, sobretudo nas grandes cidades de países pobres, mas também está presente nas cidades mais ricas do mundo. 
Na fase atual da globalização, como ocorreu também nas fases anteriores, as características do mercado de trabalho influenciam o modo como o espaço urbano é construído e apropriado por distintos grupos sociais. Uma das manifestações mais visíveis da segregação urbana é a existência de favelas. 
Em 2015, de acordo com a ONU, cerca de 863 milhões de pessoas viviam em favelas. Nesses locais, além da precariedade das moradias, das condições de vida e da carência de infraestrutura urbana, como redes de água e esgoto, os serviços nas áreas de saúde, educação e cultura são escassos e de baixa qualidade, em geral. 
Para que essa realidade seja melhor no futuro, são necessárias ações afirmativas dos governos no intuito de investir em obras de saneamento básico, saúde, educa ção e moradia nas áreas carentes e, dessa forma, promover a redução de desigual dades socioeconômicas e aumento da qualidade de vida da população.

A população mundial


Características da população mundial


O estudo da população é realizado por pesquisadores de uma área chamada demografia. O objetivo dessa área é revelar as características populacionais de um espaço geográfico.
Todos os Estados nacionais têm instituições que sistematizam informações sobre a população, com o objetivo de formular políticas públicas, por meio de censos demográficos.
Os censos são levantamentos estatísticos realizados em grande escala que, no Brasil, são realizados pelo IBGE, a cada dez anos, em média.
Organizações internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, coletam dados fornecidos por pesquisas demográficas de diferentes países e compõem análises globais, que têm por objetivo conhecer e comparar as diferentes regiões do mundo.
Assim, podemos dizer que para governar é essencial ter dados confiáveis e atualizados sobre a população que vive no território a ser governado.
A primeira informação a ser levantada em estudos demográficos é a quantidade total de pessoas vivendo em uma área geográfica, isto é, sua população absoluta.
Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o Os países populosos são aqueles com elevada população absoluta. O Brasil é, atualmente, o sexto país mais populoso do mundo.

Indicadores demográficos


Para compreender como ocorre esse crescimento populacional no mundo ou observar o comportamento de diferentes países e regiões em relação a esse aspecto, são necessários estudos e levantamentos demográficos que considerem os indicadores demográficos. 
Taxa de natalidade: número de nascimentos, por mil habitantes, em deter minado período, normalmente um ano. Calcula-se essa taxa dividindo o número de nascidos vivos pela população total e multiplicando por mil. 
Taxa de mortalidade: quantidade de mortes, para cada mil habitantes, em deter minado período, normalmente um ano. É calculada pela divisão do número de óbitos pela população total e multiplicando por mil. 
Taxa de mortalidade infantil: número de mortes de crianças de até 1 ano para cada mil nascidos vivos. Calculada pela divisão do total de nascidos vivos pelo total de crianças que morreram, multiplicando por mil. 
Taxa de fecundidade: mede o número de filhos por mulher, dividindo-se o total de crianças nascidas vivas em determinado ano pelo total de mulheres em idade reprodutiva. Para fazer o cálculo, consideram-se mulheres na faixa de 15 a 49 anos, apesar de haver variação no período de fertilidade entre uma mulher e outra.
O crescimento vegetativo (ou crescimento natural): mede a evolução do número de habitantes do país ou região, sem considerar as migrações. É calculada por meio da diferença entre as taxas de natalidade e mortalidade. 
Esperança de vida ao nascer: corresponde à expectativa de vida, ou seja, o número médio de anos que se espera que um recém-nascido viva. 
Movimentos migratórios: deslocamentos populacionais ocorridos dentro de um país ou entre países.

Crescimento da população mundial 


Além do conhecimento sobre a população absoluta, é importante, para os governantes, por exemplo, saber o quanto a população de seu território cresce ao longo do tempo. 
Chamamos crescimento natural ou vegetativo de uma população a diferença entre a taxa de natalidade e a de mortalidade, isto é, o saldo entre a quantidade de nascimentos e óbitos, em um território, durante certo período. 
Quando a taxa de natalidade é superior à taxa de mortalidade, consideramos que o crescimento vegetativo é positivo, isto é, que a quantidade de pessoas daquele local aumentou naquele período. Esse crescimento pode ser rápido, se houver uma quantidade de nascimentos muito superior à de mortes, ou pode ser lento, se a taxa de natalidade for apenas um pouco mais elevada que a de mortalidade.
Para conhecer o crescimento absoluto de uma população, consideramos, além de seu crescimento vegetativo, o saldo migratório: a diferença entre o número de pessoas que saem do país (emigrantes) e a quantidade de pessoas estrangeiras que nele passam a viver (imigrantes). 

Dinâmicas no crescimento da população mundial


O crescimento populacional ao longo da história da humanidade foi relativamente lento. Fatores como doenças, epidemias, condições precárias de higiene e saneamento, escassez de alimentos, por exemplo, reduziam a expectativa de vida da população, contribuindo para que as taxas de crescimento vegetativo (diferença entre taxa de natalidade e taxa de mortalidade) fossem baixas.
Os avanços conquistados nas áreas de saúde e saneamento básico, a des coberta e fabricação de medicamentos e vacinas e o aumento da capacidade de produção de alimentos resultaram na redução das taxas de mortalidade, particularmente da taxa de mortalidade infantil. 
Como consequência, houve aceleração das taxas de crescimento vegetativo e aumento da expectativa de vida. Entretanto, até meados do século XX, esses fenômenos se mantiveram, de certa forma, restritos aos países que primeiro se industrializaram, nos quais o processo de urbanização se desenvolveu mais intensamente, como os países europeus, os Estados Unidos e o Japão.
A partir de meados do século XX, as conquistas obtidas nos setores de saú de e saneamento básico foram, em parte, estendidas às populações dos países industrializados tardiamente e, em menor intensidade, às dos países periféricos. Esses avanços possibilitaram, consequentemente, redução das taxas de mortali dade e maior crescimento populacional nesses grupos de países, situados, principalmente, na América Latina, na Ásia e na África.
Enquanto essas porções continentais registravam aumento do crescimento vegetativo, os países centrais, em geral – particularmente os da Europa –, passa ram a apresentar um processo de crescimento demográfico lento. Com a intensifi cação do processo de urbanização, no século XX, houve redução das taxas de natalidade nos países desenvolvidos. É importante destacar que, nos espaços urbanos, o custo de criação dos filhos é maior e há mais acesso aos métodos contracep tivos artificiais. Além disso, no decorrer do século XX, as conquistas femininas, que garantiram às mulheres maior participação no mercado de trabalho e nas deci sões no âmbito familiar, contribuíram para a redução das taxas de fecundidade.
Com a aceleração do processo de urbanização em diversos países de industrialização tardia, entre eles o Brasil, as taxas de natalidade também declinaram, pro vocando sensível queda nas taxas de crescimento ve getativo. Na África, que, de modo geral, apresenta uma percentagem relativamente baixa de população urbana em relação à população rural, o número médio de filhos por mulher está próximo de cinco, enquanto na América Latina e no Caribe, onde houve urbanização intensa, a taxa média é praticamente a metade da africana, considerando o período 2010-2015.
A ONU estima que as tendências de crescimento populacional apresentadas nas últimas décadas vão se manter no decorrer do século XXI, ou seja, em média, haverá redução no ritmo de crescimento da população no mundo. Entretanto, o relatório World Population Prospects, The 2017 Revision, da ONU, aponta que, na Europa, as taxas de fecundidade re verterão a tendência de queda e passarão a crescer.
Essas dinâmicas de crescimento vegetativo reper cutem na distribuição da população por faixas etárias: países com crescimento acelerado apresentam grande número de população jovem, ao contrário de países com crescimento lento, cujo número de jovens no conjunto da população é menor. Outro fator que influencia a distribuição da população por faixas etárias é a expectativa de vida. Países nos quais a população desfruta de melhores condições de vida apresentam expectativa de vida mais alta e uma proporção de idosos maior em relação ao total de sua população.

Transição demográfica 


No passado, as famílias costumavam ser numerosas, com muitos filhos. Na mesma época, porém, as pessoas não viviam muito tempo, isto é, a expectativa de vida era baixa, por diversas razões.
Com esse cenário, a taxa de natalidade era alta e a de mortalidade também, e o ritmo do crescimento vegetativo era lento no mundo todo.
Graças ao desenvolvimento da área da saúde, as condições de vida melhoraram em diversas partes do mundo, sobretudo na Europa, já a partir do século XVIII. Esse fato aumentou a longevidade, mas a taxa de natalidade permaneceu alta, o que causou um crescimento populacional. Podemos dizer que essa foi a primeira transição demográfica.
Vale lembrar que esse processo não ocorreu simultaneamente em todos os países. As boas condições de vida que permitiram o declínio da mortalidade, por exemplo, tiveram início nos países de industrialização antiga. 
O mesmo ocorre atualmente, com a redução da taxa de natalidade, ocasionada pela popularização dos métodos contraceptivos e pela conquista feminina de espaço na sociedade. 

Distribuição da população mundial


A população mundial não está distribuída igualmente pelos territórios por diversos motivos, como aspectos físico-naturais dos lugares e concentração de atividades produtivas. 
O ritmo de crescimento da população mundial tem diminuído ao longo das últimas décadas. A justificativa para essa queda é a redução gradual da taxa de natalidade em vários países. Esse cenário, contudo, não é uniforme entre as populações de diferentes nações, principalmente em razão dos contrastes socioeconômicos entre elas.
Atualmente, as taxas de natalidade são baixas, sobretudo nos países desenvolvidos e em alguns países emergentes, como o Brasil. Isso se deve, entre outros fatores, à ampliação dos gastos familiares com moradia, educação, saúde, lazer, vestuário e transporte, além do uso de métodos contraceptivos, da maior participação da mulher no mercado de trabalho e de um melhor planejamento familiar.
Elevadas taxas de natalidade ainda são verificadas principalmente em países em desenvolvimento mais pobres. Nessas nações, as elevadas taxas de fecundidade refletem a falta de planejamento familiar e o baixo uso de métodos contraceptivos, além de questões culturais específicas. Conhecer as taxas de natalidade, fecundidade e mortalidade nos ajuda a entender as diferenças relacionadas à estrutura etária da população em diferentes países.

População relativa 


A razão entre o número de pessoas e a extensão do território que ocupam é denominada população relativa ou densidade demográfica, que é dada em habitantes/km2. Localidades com uma população relativa elevada são chamadas de povoadas.

Urbanização


As primeiras cidades do mundo surgiram no Oriente Médio há cerca de 7 mil anos, mas foi apenas ao longo do século XX que a população urbana mundial se tornou maior que a po pulação rural.
Embora ainda haja contrastes com relação ao nível de urbani zação entre diferentes países e regiões do planeta, a população mundial tem, desde então, tornado-se cada vez mais urbana. 
A transição demográfica na Europa se deu com a Revolução Industrial e foi caracterizada pelo êxodo rural. Aos poucos, as pessoas passaram a se concentrar em espaços urbanos nos demais países. 

Características etárias da população mundial


Você já percebeu que conhecer as características da população é muito importante para o planejamento e a execução de políticas públicas. Saber como é a distribuição nos diferentes grupos de idade também é fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com fundamental para garantir o atendimento da população, de acordo com suas necessidades, as quais mudam conforme envelhecemos.
Conhecer a distribuição da população por faixa etária ajuda os governantes a realizar um planejamento socioeconômico mais preciso. Além disso, esses da dos podem servir de base para alguns setores empresariais elaborarem planos de investimentos.
Para visualizar a estrutura etária de uma população, podemos utilizar a repre sentação gráfica denominada pirâmide etária ou pirâmide de idades. Nela é possível observar as características da população por idade (estrutura etária) e sexo (feminino e masculino).

Pirâmide etária


Pirâmides etárias são representações gráficas que mostram a população absoluta organizada por idade e sexo.

Diferentes formatos de pirâmides etárias 


O formato de uma pirâmide etária permite reconhecer países de populações jovens, em processo de envelhecimento ou já envelhecidas. Essas situações envol vem benefícios e desafios próprios que vamos conhecer a seguir. 
• Países de população jovem: a pirâmide etária de um país com população predominantemente jovem apresenta formato semelhante ao de um triângulo. A base larga caracteriza a maior proporção de crianças e jovens na composi ção da população. O topo estreito caracteriza a menor proporção de idosos na composição da população. 
Países com populações jovens refletem as elevadas taxas de fecundidade e natalidade, associadas a altas taxas de mortalidade e reduzida expectativa de vida. Essas características demográficas são típicas de países em desenvolvimento mais pobres, que não oferecem boa qualidade de vida à maior parte de sua população. 
O elevado número de jovens e adultos pode ser um aspecto positivo, pois o país conta com significativa parcela da população em idade produtiva, formando mão de obra necessária às atividades econômicas. No entanto, para atender a essa massa, é necessário ofertar empregos. Caso contrário, o que ocorre são elevadas taxas de desemprego que compelem os jovens a migrar para outros países e regiões do mundo.
• Países com população em processo de envelhecimento: a redução das ta xas de natalidade e o aumento da expectativa de vida ao longo do tempo le vam ao envelhecimento da população, transformando o formato de pirâmide demográfica de um país. Durante essa transição, o país passa a apresentar uma população em processo de envelhecimento.
Perceba que, no caso de países nessa condição, o ápice da pirâmide etária vai se alargando em razão do maior número de idosos no conjunto da população. Esse formato é típico de alguns países emergentes, como Brasil e México. 
O aumento gradual do número de idosos no total da população leva à neces sidade da ampliação de investimentos na área da saúde pública e também no sistema de previdência social, de modo a oferecer uma boa qualidade de vida a essas pessoas.
A transformação da população também está acontecendo, embora em ritmo mais lento, em países em desenvolvimento mais pobres. Avanços na condição socioeconômica desses países, políticas públicas voltadas ao planejamento familiar, adoção de métodos contraceptivos e programas de controle de natalidade são os principais fatores que têm contribuído para mudanças na estrutura etária de suas populações.
• Países de população envelhecida: em um país de população envelhecida, a pirâmide etária apresenta a base mais estreita do que o topo, refletindo maior proporção de adultos e idosos na composição da população. Populações envelhecidas são características da maioria das nações desenvolvi das, com destaque para os países da Europa e o Japão. Esses países, em geral, apresentam condição socioeconômica elevada, baixas taxas de natalidade e alta expectativa de vida.
O envelhecimento da população também leva à diminuição da proporção de in divíduos na PEA, em função da saída de pessoas do mercado de trabalho por causa da idade avançada, que ingressam para o sistema público de previdência social. Nesse cenário, os gastos com os idosos às vezes se tornam tão elevados, que alguns países são obrigados a alterar sua legislação trabalhista, aumentando a idade mínima para a concessão das aposentadorias. 
Para contornar esse desafio, alguns países incentivam a entrada de imigrantes em seus territórios e estimulam os casais a ter mais filhos, concedendo benefícios como extensão da licença-maternidade, construção de creches públicas e auxílio financeiro para as despesas com os filhos.

Envelhecimento da população


Os países de industrialização antiga foram também os primeiros a se desenvolver economicamente. Podemos dizer que duas dinâmicas demográficas foram alteradas nesses países, em razão dessas mudanças socioculturais: a queda das taxas de natalidade e o aumento da expectativa de vida. 
Importantes consequências dessa nova dinâmica demográfica foram: 
• a redução no ritmo do crescimento vegetativo; 
• o aumento do número de idosos.
O fenômeno denominado envelhecimento da população está estabelecido em países europeus e em alguns países asiáticos, como o Japão, e tem se expandido para outras regiões. 
Embora seja fruto de mudanças positivas para o conjunto da sociedade, esse fenômeno tem preocupado governos, que precisam reformular seu sistema de previdência social para garantir os benefícios das pessoas que já não trabalham, isto é, aposentadas. Além de reformas no sistema previdenciário, alguns países têm adotado políticas de incentivo à natalidade ou mesmo de atração de imigrantes, tendo em vista elevar a população economicamente ativa (PEA).

Distribuição atual da população mundial


Em 2021, cerca de 7,8 bilhões de pessoas encontravam-se distribuí das de maneira desigual por quase todas as regiões da Terra.
O continente asiático apresenta a maior população do mundo, com quase 4,6 bilhões de habitantes, de acordo com dados de 2021. Apenas dois países, a China e a Índia, respondem por grande parte desse total – a China tem aproximada mente 1,4 bilhão de habitantes, enquanto a Índia tem cerca de 1,3 bilhão. 
No entanto, a Índia deve ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo nas próximas décadas. Isso ocorre porque a população total de um país ou região varia ao longo do tempo em decorrência da flutuação das taxas de natalidade e mortalidade e também por movimentos migratórios.
Além da população absoluta, um dado importante quando se necessita conhe cer aspectos demográficos de um território é a densidade demográfica, isto é, a relação entre uma população e a superfície do território que ela ocupa. Dessa forma, podemos compreender como a população de um país ou região se encon tra distribuída por esse território.
Para calcular a densidade demográfica de um país ou região, basta dividir o número total de habitantes pela área de seu território. O valor expressa o número médio de habitantes por quilômetro quadrado (hab./ km 2 ).

A diferença entre populoso e densamente povoado 


Um país que apresenta população numerosa é um país populoso. Se essa popula ção estiver distribuída por um território muito extenso, no entanto, ele terá densidade demográfica média ou baixa. Nesse caso, não é um país densamente povoado. Por outro lado, se a população numerosa estiver concentrada em território pouco extenso, a densidade demográfica será alta. Nesse caso, o país pode ser considerado densamente povoado. 

Distribuição desigual das populações


Ao longo do tempo, avanços tecnológicos tornaram possível a adaptação dos seres humanos aos mais diferentes ambientes do planeta. No entanto, fatores naturais ainda exercem grande influência na distribuição da população humana pela superfície terrestre. 
De modo geral, alguns fatores envolvidos na densidade populacional de dife rentes regiões incluem a disponibilidade de recursos hídricos, o relevo, a altitude, as condições da vegetação e dos solos, além das condições climáticas. 
Áreas que oferecem recursos hídricos e favorecem a prática da agricultura, como as planícies às margens de rios, tendem a ser mais povoadas. A elevada concentra ção populacional verificada ao longo das planícies do Rio Nilo, na África, e do Rio Ganges, na Índia, são exemplos de aglomerações populacionais com origens bastante antigas. 
Por outro lado, regiões localizadas em altitudes muito elevadas, com densa vegetação, áreas com médias de temperatura muito baixas ou regiões sem recursos hídricos tendem a ser menos povoadas.

 As atuais dinâmicas migratórias da população 


Todos os anos, milhares de pessoas migram de um lugar para outro pelas mais diversas razões, tendo em comum a busca por uma vida melhor. Em 2020, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 281 milhões de pessoas em todo o mundo viviam fora do país onde nasceram. Chamamos de emigrantes as pessoas que deixam seu país de origem para ir viver em outro. Denominamos imigrantes aqueles que passam a viver em um país que não é o de sua origem.
De modo geral, podemos classificar as migrações entre migrações voluntárias, isto é, deslocamentos espontâneos por iniciativa da pessoa que busca opor tunidades de trabalho e renda; e migrações forçadas, motivadas por guerras, desastres naturais e outros fatores. Quando o motivo de deslocamento é compro vadamente a ocorrência de guerras, conflitos e perseguições étnicas, políticas e religiosas, o migrante pode ficar em um país na condição de refugiado.
As migrações também podem ser classificadas entre: 
migrações temporárias, em que a pessoa reside apenas por algum tempo, como meses ou anos, no lugar para o qual se mudou; 
migrações permanentes, em que o indivíduo se estabelece definitivamente no lugar para o qual se deslocou.

Os principais fluxos migratórios na atualidade 


Tanto as migrações internas, verificadas dentro de um mesmo país, como as migrações internacionais, realizadas entre diferentes países, ocorrem entre áreas de repulsão (de onde as pessoas tendem a sair) em direção a áreas de atração (para onde muitas pessoas tendem a migrar). 
De modo geral, a maioria das pessoas que migra voluntariamente em busca de melhores condições de vida se desloca em direção a países com maior nível de desenvolvimento socioeconômico do que seu país de origem.
As pessoas que migram voluntariamente, em geral, seguem em direção a nações desenvolvidas ou emergentes, com elevado nível de desenvolvimento socioeconômico se comparado ao país de origem e melhores oportunidades de trabalho e renda. 
Áreas de repulsão também ocorrem em regiões que vivenciam guerras e conflitos étnicos ou religiosos; que são afetadas por problemas ambientais, como escassez de recursos hídricos e desertificação do solo; ou atingidas por fenôme nos naturais, como erupções vulcânicas, terremotos, inundações e secas prolongadas. Nesses casos, como se trata de migrações forçadas, muitas vezes a única opção desses deslocados é se dirigir aos países vizinhos. 
Uma vez no país de destino, os imigrantes, em geral, oferecem mão de obra pouco especializada e acabam empregados em atividades mal remuneradas, que exigem pouca qualificação. Desse modo, atendem a uma parcela importante das necessidades de mão de obra em diversos países. 

Migrações na América Latina 


Vários países latino-americanos registram baixos índices de desenvolvimento so cioeconômico e se caracterizam como áreas de repulsão na dinâmica migratória mundial. Os principais países da região nessa condição, atualmente, são El Salvador, Guatemala, Honduras, Haiti e Venezuela.
O principal destino almejado por esses migrantes, em geral, são os Estados Unidos. Países emergentes como Brasil e México também têm atraído fluxos mi gratórios intensos de alguns países, com destaque para Haiti e Venezuela. 
No caso do Haiti, trata-se de um dos países menos desenvolvidos do mundo, onde grande parte da população vive em condição de pobreza. No entanto, causas naturais também estiveram envolvidas no aumento da emigração a partir de 2010, quando um terremoto de elevada intensidade provocou enorme destruição. Em 2014 e 2021, outros episódios de abalos sísmicos de enormes proporções fo ram registrados nesse país, agravando a situação já difícil de seus habitantes.
Já no caso venezuelano, vive-se uma crise política e econômica desde o início da década de 2010. Devido a fatores como desemprego, inflação e diversas ameaças à segurança do país, até 2020 cerca de 4,8 milhões de pessoas já ha viam abandonado a Venezuela de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Os principais destinos de imigrantes venezue lanos são os países vizinhos, como Colômbia, Peru, Equador e Brasil.

O Brasil e as migrações internacionais 


Em 2021, o Brasil abrigava cerca de 1,3 milhão de imigrantes residentes; ao longo da década de 2010, os maiores fluxos foram provenientes da Venezuela, do Haiti e da Bolívia. Em 2020, também residiam no país cerca de 26,5 mil pes soas na condição de refugiados.
De modo geral, as grandes cidades brasileiras se destacam pela maior presença de imigrantes, pois oferecem mais oportunidades de trabalho. São Paulo, por exemplo, abriga comunidades de diversas nacionalidades, principalmente bolivianos (cerca de 100 mil). Esses imigrantes possuem direitos e deveres iguais aos dos cidadãos brasileiros e contribuem para a nossa sociedade por meio de seu trabalho e também de suas variadas expressões culturais. 
Comunidades formadas por diferentes povos são expressivas em muitos estados e municípios de nosso país, onde suas influências culturais podem ser notadas na paisagem. 
A relação do Brasil com as migrações internacionais também pode ser percebida ao analisarmos a herança étnica e cultural dos imigrantes que ao longo do tempo ajudaram a formar o povo brasileiro e sua identidade cultural. 
No decorrer de sua história, o Brasil foi o destino de muitos movimentos migratórios. Durante o período colonial, europeus colonizadores (portugueses) e africanos (ainda que forçadamente) representaram os principais fluxos. Já nos séculos XIX e XX, houve intenso movimento migratório proveniente de países como Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Líbano. 
Muitos brasileiros são descendentes de imigrantes, e as características desses diferentes povos podem ser verificadas em expressões culturais, hábitos e costumes do povo brasileiro. Em diversos municípios, por exemplo, heranças culturais desses povos estão presentes em estilos arquitetônicos, pratos culinários e festas típicas.
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Distribuição e diversidade da população mundial

Segundo a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), a área da superfície da Terra é de 510 milhões de quilômetros quadrados. Destes, cerca de 150 milhões (29% do total) são terras emersas, ou seja, estão acima do nível do mar. Essas terras estão distribuídas por seis continentes – África, América, Antártica, Ásia, Europa e Oceania –, banhados por cinco grandes oceanos – Antártico, Ártico, Atlântico, Índico e Pacífico.
Os continentes estão divididos em países, em bora nem todos sejam independentes, isto é, Estados nacionais. Por exemplo, embora Taiwan tenha um governo próprio, não é considerado um país independente; a maioria dos países não reconhece sua soberania para não se in dispor com o governo da China, que considera Taiwan parte de seu território.
De acordo com a ONU, em 2017 o mundo contava com 7,5 bilhões de habitantes.
A distribuição geográfica da população mundial é bastante desigual. As planícies, tanto na faixa litorânea como nos vales dos rios, são as áreas mais povoadas. Isso ocorre porque essas regiões, ao longo da história, favoreceram o desenvolvimento de cidades, indústrias e campos agrícolas, bem como a circulação de pessoas e mercadorias. A distribui ção também é desigual considerando os países.
A população mundial sempre apresentou crescimento a cada ano; a proje ção é que em 2050 ela atinja 9,7 bilhões de habitantes, um crescimento de quase 30% em relação a 2017. Apesar disso, esse crescimento vem ocorrendo em ritmo mais lento. 
Um dos motivos da desaceleração do ritmo de crescimen to da população é a queda da taxa de fertilidade. Outro fator que determina rá profundas mudanças na estrutura da população mundial é o aumento da expectativa de vida.

Diversidade cultural da população mundial 

A população mundial apresenta grande diversidade cultural, ou seja, uma enorme variedade de religiões, línguas, costumes, manifestações artísticas, culinárias, vestimentas, tipos de habitação, entre outros aspectos. A religião é um dos aspectos importantes da cultura de um grupo social. A humanidade professa muitas religiões diferentes, cada uma com suas crenças e valores, com seus deuses e seus rituais. 
No entanto, as religiões não são facilmente mapeadas como os limites dos países. As divisões são frequentemen te obscurecidas e sobrepostas. A maioria dos países tem pessoas de muitas religiões diferentes, assim como também há aquelas que não seguem religião alguma.
Por meio das práticas religiosas, grande parte das pessoas manifesta muitos de seus costumes e tradições. No mundo, existe um grande número de religiões, e as que apresentam maior número de seguidores são o cristianismo (dividido em três vertentes principais: ca tólica, ortodoxa e protestante), o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo.
A língua é outro aspecto importante da cultura de um grupo social porque é por meio dela que seus membros se comunicam, tanto de forma oral quanto de forma escrita, difundindo boa parte dessa cultura. Segundo o site Ethnologue, em 2018 havia 6 656 línguas vivas em uso no mundo. As dez mais faladas tinham cerca de 3,5 bilhões de falantes; as 85 seguintes, cerca de 2,5 bi lhões de falantes. Aproximadamente metade das línguas em uso no mundo tem menos de 10 mil falantes, e muitas delas estão ameaçadas de extinção pela crescente influência de línguas mundialmente dominantes, como o inglês. 

Culturas, povos e territórios

Os povos com as mais variadas culturas vivem espalhados pelos territórios dos países. O que melhor caracteriza e identifica os diferentes grupos humanos são os aspectos culturais herdados de um passado histórico comum de cada grupo, como a religião, a língua, os costumes, as vestimentas, as tradições e o modo de vida. 
Entre esses aspectos, a religião e a língua são os que certamente mais se des tacam e identificam cada povo. Por meio da língua, os indivíduos transmitem suas ideias e seus pensamentos, expressam suas crenças e fortalecem as relações e a união entre os membros do grupo. No mundo todo, fala-se um grande número de línguas e dialetos. 
A abrangência de uma língua é avaliada por sua difusão geográfica e pelo número de pessoas que a utilizam habitualmente, pessoas essas chamadas locutores. Assim, o inglês, o espanhol, o árabe, o português e o francês são línguas interna cionais, praticadas em vários países, enquanto o mandarim (falado na China), o russo (falado na Rússia) e o hindi (falado na Índia) são falados apenas em sua própria região. 
Quando consideramos apenas os falantes que adotam a língua materna, o mandarim é a língua mais falada no mundo. Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas fala chinês (mandarim). Quando nos referimos à segunda língua, o es panhol, seguido do inglês, são as mais adotadas.
Atualmente, várias línguas estão sendo extintas. Uma língua é considerada extinta quando o grupo que a possuía como língua materna não se lembra mais dela, ou se lembra apenas de poucas palavras, e quando ela não possui registros que possibilitem seus estudos.

Povos e territórios 

Os povos das mais diferentes culturas que existem em nosso planeta, ocupam territórios dos diversos países da superfície terrestre. 
O território de um país, também chamado território nacional, abrange a porção do espaço geográfico sobre a qual um Estado, com suas leis, governos e instituições políticas e sociais, exerce soberania, ou seja, tem autoridade com poder para ocupar, controlar e organizar esse espaço de acordo com suas necessidades e seus interesses.
Os limites entre países são representados por linhas imaginárias traçadas na superfície. Essas linhas são demarcadas, geralmente, sobre elementos naturais, como montanhas, rios e lagos, ou, ainda, a partir de marcos ou balizas construídos no terreno. Em geral, acordos entre os países fronteiriços estabelecem esses limites. Quando algum país desrespeita esses acordos isso pode levar a crises políticas e até a conflitos armados.

A distribuição da população na África 

No continente africano, as áreas mais densamente povoadas, de modo geral, também são aquelas mais próximas do litoral, caracterizando o padrão de distribuição populacional influenciado pelo processo de colonização a partir das Grandes Navegações. Esse processo foi particularmente marcante nas faixas litorâneas oriental, ocidental e sul. 
Nessas porções dos territórios coloniais estruturaram-se cidades importantes para o es coamento dos produtos explorados pelos colonizadores em diferentes trechos do interior do continente. No entanto, o vale e o delta do rio Nilo e as regiões próximas dos lagos Tanganica e Vitória são de ocupação muito antiga, concentrando grande quantidade de população mesmo antes da chegada dos colonizadores, especialmente a do rio Nilo, onde se desenvolveu na Antiguidade a civilização egípcia. Entre as áreas mais povoadas da África, destacam-se: 
• o vale e o delta do rio Nilo; 
• a região do Magreb, no litoral mediterrânico; 
• o delta do rio Níger e áreas próximas do golfo da Guiné (terras da Nigéria, Benin, Gana e Costa do Marfim); 
• as margens dos grandes lagos Tanganica e Vitória; 
• grande parte da África do Sul. As mais baixas densidades do continente africano correspondem às regiões desérticas e a alguns trechos de Savanas e de Florestas Equatoriais.

A distribuição da população na Europa 

As maiores concentrações populacionais da Europa se encontram nas porções central e centro-ocidental, que correspondem às áreas industriais, às regiões portuárias mais movimentadas, aos vales dos grandes rios e às planícies férteis. 
Nessas áreas, a densidade demográfica é superior a 200 hab./km2. As partes menos habitadas do continente europeu, com baixas densidades demográficas, são as regiões próximas do círculo polar Ártico, como a península Escandinava, a Finlândia, a porção norte da Rússia e as altas montanhas. 

A distribuição da população na Ásia 

No continente asiático estão localizados os dois países mais populosos da Terra – China e Índia, que em 2017 concentravam cerca de 36% da população mundial. A Ásia é a maior porção continental do mun do e a distribuição da população pelo continente é bastante irregular. 
Os vales férteis e os deltas de alguns rios se destacam como áreas de grande concentração po pulacional, sobretudo os vales dos grandes rios da Índia (Indo e Ganges)  –, da China (Amarelo) e da península da Indochina (Mekong). Os vazios demográficos se apresentam nas altas montanhas, nas áreas de sérticas e nas regiões de clima frio e polar, no norte da Rússia. Nos planaltos ele vados, a presença humana também é reduzida.

A distribuição da população na Oceania 

A Oceania é um continente pouco populoso e pouco povoado (3 hab./km²). Em parte por causa das condições naturais (como o clima), sua população distribui-se de forma irregular pelo território. 
Em algumas ilhas e em trechos dos litorais da Austrália (Sydney e Melbourne) e da Nova Zelândia (Ilha do Norte), en contram-se altas densidades demográficas (300 a 350 hab./km²). Nas áreas desérticas da parte cen tral da Austrália (que correspondem à área do Amazonas), o número de habitantes é muito reduzido (menos de 1 hab./km²). 


Distribuição da população na América


A América apresenta grandes vazios demográficos em contraste com áreas de intensa concentração populacional. Esses vazios podem ser explicados pe las características naturais, como a presença de áreas desérticas, florestas densas e regiões extremamente frias, e por razões históricas e econômicas.
As áreas menos povoadas da América correspondem à Floresta Amazônica; aos desertos do Atacama (Chile e Peru), da Patagônia (Argentina) e do Colorado (Estados Unidos); e às regiões de clima Frio e Polar do norte canadense.

Ocupação da América ibérica

Durante o processo de colonização do continente americano, a população se concentrou nas áreas próximas ao oceano Atlântico devido à maior facilidade de acesso e comunicação com as metrópoles europeias. Esse padrão de ocupação foi marcante na formação do Brasil, onde as primeiras vilas se desenvolveram ao longo da faixa litorânea. Antes da chegada dos portugueses, essas áreas – e também o interior do território – já eram densamente povoadas por mais de mil povos nativos, que aos poucos, em boa parte, foram sendo dizimados.
Antes da chegada dos colonizadores europeus, havia áreas de forte concentra ção populacional nos altiplanos andinos, nos planaltos encravados entre as montanhas do México e em partes da América Central continental. A abundância de ouro e prata nessas terras habitadas por povos nativos atraiu os espanhóis, que ocupa ram essas regiões, erguendo fortificações e fundando cidades, muitas vezes sobre antigos povoamentos para impor seu domínio. Nesse processo colonizador, foram destruídas ricas civilizações, como os impérios maia, inca e asteca.
A economia colonial, totalmente voltada para o continente europeu, foi o fator determinante do padrão de distribuição da população na América.
O povoamento do interior brasileiro pelos colo nizadores teve início a partir das rotas estabelecidas para criação de gado, que começaram a adentrar o território ainda no século XVI, prosseguiu com as entradas e bandeiras entre os séculos XVI e XVII e se intensificou com a busca e a exploração de ouro e pedras preciosas nos atuais estados de Minas Ge rais, Goiás e Mato Grosso, no século XVIII.
Foi a partir da segunda metade do século XX, no entanto, que esse processo passou a ocorrer de forma mais expressiva, em consequência do desenvolvimento de diversas atividades econômicas, apoiadas na exploração mineral em larga escala e na produção agropecuária, destinada em parte ao mercado externo. 
A intensificação do processo de ocupação dessas áreas deu origem à expansão de diversas cidades. Também contribuíram para essa nova configuração territorial a construção e a inau guração de Brasília, em 1960, que se tornou a capital do país.

Ocupação da América inglesa 

Nos Estados Unidos, a área de colonização mais antiga se desenvolveu junto ao Atlântico, estendendo-se, na etapa inicial de industrialização do país (início do século XIX), à região dos Grandes Lagos, que constitui uma extensa reserva de matérias-primas essenciais à atividade industrial. 
No início do século XIX, os Estados Unidos expandiram seu território até a Costa do Pacífico (movimento conhecido como a Marcha para o Oeste). A descoberta de ouro nessa região, principalmente no estado da Califórnia, criou um polo de atração populacional.
A porção nordeste dos Estados Unidos – região de ocupação mais antiga, que alcançou notável desenvolvimento industrial pela tradição manufatureira dos povoadores e pela proximidade das áreas produtoras de matérias-primas – apresenta a maior concentração populacional. 
Nessa área, cujas densidades demográficas ultrapassam 80 habitantes por quilômetro quadrado (incluindo a região dos Grandes Lagos), encontram-se algumas das maiores cidades do país e do mundo, entre elas Nova York, Chicago, Filadélfia e Detroit. Em virtude do alto grau de mecanização das atividades agropecuárias, as áreas rurais são pouco povoadas: 82% da população vive nas áreas urbanas. 
Na faixa litorânea, desde a cidade de Boston, ao norte, até Washington (capital), existe enorme concentração urbana, praticamente contínua. Essa área forma a megalópole Bos-Wash, que abrange grandes cidades, como Baltimore. Bos-Wash abrange uma área urbana de 900 quilômetros de ex tensão ao longo do Atlântico por 250 a 300 quilômetros de largura.
Historicamente, a área que hoje forma a megalópole Bos-Wash foi berço do poder econômico e político dos Estados Unidos. Os portos dos vastos estuários abertos na costa estadunidense ainda hoje asseguram sua preponderância no comércio exterior, em particular nas relações com a Europa. 
A região dos Grandes Lagos, que abriga as áreas metropolitanas de Pittsburgh, Buffalo, Cleveland, Detroit, Chicago e Milwaukee – que formam a megalópole de Chi-Pitts – também apresenta grande concentração populacional.
Na costa do Pacífico, algumas regiões também registram altas densidades demográficas, como as cidades de Los Angeles e São Francisco. Esses dois grandes centros urbanos formam, juntamente com San Diego, a megalópole da Costa Oeste conhecida por San-San. 
No sul, e sobretudo no centro-oeste dos Estados Unidos, a concentração po pulacional é mais baixa. Nas montanhas Rochosas e nas áreas desérticas encontram-se as menores densidades demográficas do país. 
No Canadá, a população está fortemente concentrada no vale do Rio São Lourenço (que foi a porta de entrada dos primeiros colonizadores) e junto à região do lago Ontário, na fronteira com os Estados Unidos.

Da África para o mundo

Estudos demonstraram que os Homo sapiens migraram para a península Arábica e a Eurásia há cerca de 70 mil anos e assim prosseguiram, dispersando-se pela superfície terrestre e tornando-se a espécie dominante do planeta.
O Homo sapiens teve origem na África, na região da atual Etiópia, há cerca de 300 mil anos. A partir desse continente, há aproximadamente 60 mil anos, teve início sua dispersão pelo mundo, primeiramente para a Ásia, continente mais pró ximo, atravessando o mar Vermelho em direção à península Arábica. Há 50 mil anos, os seres humanos atingiram o Sudeste Asiático e a atual Austrália, alcançando a Europa por volta de 40 mil anos atrás. 
De acordo com uma das possíveis teorias, estima-se que a chegada dos humanos à América tenha ocorrido entre 40 mil e 15 mil anos atrás, via estreito de Bering. A passagem por esse local teria ocorrido durante a última Era Glacial, com o congelamento da porção oceânica que atualmente separa os dois continentes. 
Essa propagação ocorreu, em grande medida, em razão da capacidade de raciocínio e de comunicação que a espécie apresentava em relação a outros tipos de primatas. Transmitir e compartilhar informações, cooperar, criar e utilizar ferramentas e estratégias são habilidades que explicam o porquê de, atualmente, termos como ancestrais aqueles que se aventuraram há milhares de anos. 
Há aproximadamente 10 mil anos, após o fim da Era Glacial, os seres huma nos começaram a praticar a agricultura. Segundo fontes históricas mais recentes, os primeiros cultivos parecem ter sido feitos na região de Jericó, no atual Oriente Médio, e não no vale do Nilo, como se supunha anteriormente.
A introdução da agricultura transformou radicalmente a vida dos grupos nômades, que passaram a se fixar nos territórios, sobretudo às margens de grandes rios para aproveitar as terras férteis), tornando-se sedentários. Assim se formaram as primeiras aglomerações humanas.
Esse processo, que ficou conhecido como Revolução Agrícola, levou ao aumento populacional, deu origem a cidades e possibilitou a formação de civilizações e impérios.

Ocupação da América

Não há consenso sobre a época exata do início da ocupação do atual continente americano. Há teorias bastante documentadas que diferem quanto à época e à via de circulação da chegada dos primeiros humanos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos por aqui: a terrestre, denominada teoria de Bering, que data a chegada dos humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento humanos há 13 mil anos; e a marítima, denominada teoria do povoamento precoce, que considera que havia humanos por aqui há mais 20 mil anos.
Há ainda a teoria malaio-polinésia, em que se especula que grupos humanos vieram para cá, também por via marítima, saindo da atual Oceania, pelo Pacífico. 
Segundo a teoria de Bering, grupos humanos teriam chegado ao continente americano por meio da travessia do estreito de Bering, localizado entre a atual região da Sibéria, na Ásia, e o atual Alasca, na América. 
Estudos apontam que nessa região, onde hoje existe água, no passado havia caminhos intermitentes, possibilitando uma travessia a pé. 
Ao longo do tempo, esses grupos de pessoas teriam se deslocado para o sul do continente, ocupando-o por inteiro, formando os chamados “povos originários da América”. 
Há, ainda, uma teoria que busca explicar múltiplas correntes de povoamento da atual América, sendo que as de origem polinésia e africana teriam sucumbido e a de origem asiática, prosperado.

Fatores naturais, históricos e econômicos na distribuição da população

Um fator que favorece a concentração populacional é a presença de rios, principalmente aqueles às margens dos quais se formam vales de terras férteis. Além disso, os rios são importantes para o fornecimento de água e alimento (peixes) e, dependendo de suas características, também podem ser utilizados para na vegação e estabelecimento de portos. Muitas cidades e regiões densamente povoadas se formaram às margens de rios, especialmente dos mais extensos, que interligam diferentes pontos do território.
Em relação aos fatores naturais, é preciso destacar que, em diferentes continentes, muitos trechos litorâneos concentraram população ao longo da história. Já as regiões montanhosas, desérticas, polares ou muito frias dificultaram a ocupação humana. Os avanços tecnológicos, porém, tornaram possível a produção de gêneros agrícolas em áreas ocupadas por de sertos. Atualmente, a aplicação de técnicas modernas, particularmente de irrigação, tem modificado as paisagens de diversos territórios. São exemplos as áreas agrícolas de Neguev, em Israel, e os cultivos desenvolvidos em trechos desérticos da Califórnia, nos Estados Unidos.
Os fatores históricos e econômicos estão associados ao desenvolvimento de determinadas atividades que oferecem oportunidades de emprego e geração de riquezas para a população em diferentes etapas da história. No caso do território brasileiro, se analisarmos sob uma perspectiva histórica, constataremos que os fluxos migratórios internos,  acompanharam a estruturação de atividades econômicas.
No início do processo de colonização, a população se concentrou no litoral, onde tiveram início a extração do pau-brasil e o cultivo da cana-de-açúcar. Poste riormente, nos séculos XVII e XVIII, com a descoberta de diamantes, ouro e outras pedras preciosas em Minas Gerais, houve grande afluxo para essa região, o que deu origem a muitas vilas e cidades. Com a intensificação do processo de indus trialização, a partir dos anos de 1930/1940, o estado de São Paulo passou a exercer forte atração populacional e, atualmente, é o estado mais populoso do Brasil. 
O início da formação do território brasileiro está inserido no contexto das Grandes Navegações, que inaugurou uma fase de importantes deslocamentos populacionais no mundo. Essa etapa constituiu um marco histórico na saída dos europeus para os diferentes continentes. Os fluxos populacionais do continente europeu para territórios localizados na América, África, Ásia e Oceania se estenderam até as primeiras décadas do século XX.
Entre a década de 1810 e 1930, foram bastante expressivos os movimentos migratórios de diversos povos da Europa para a América e a Oceania, em razão de uma série de fatores, entre eles as guerras. Estima-se que entre 50 e 60 milhões de pessoas tenham saído do continente europeu nesse período.
Esse grande fluxo demográfico só foi superado pelos deslocamentos que vêm ocorrendo desde o final do século XX e, particularmente, no início deste século. 
Esse grande fluxo migratório dos séculos XIX e XX decorre do aumento populacional registrado nos países que primeiramente se industrializaram. Com regiões e cidades densamente povoadas, governantes de países europeus estimularam a emigração, coincidindo com os anseios de políticas de incentivo à imigração em países da América e da Oceania.

México

O México, pela sua localização, pertence à América do Norte e, segundo a regionalização histórico-cultural, pertence à América Latina. Com a...