O pedagogo francês Celéstin Freinet (1896-1966) foi um grande educador popular e um inovador que conseguiu a façanha de ser expulso do Partido Comunista e do sistema público de ensino francês, apesar dos excelentes resultados educativos de seus métodos.
Teve uma infância e juventude rural, em meio das paisagens, modo de produção artesanal, comportamentos e valores de homem do campo. Sua condição de vida veio mais tarde influenciar sua pedagogia.
Com o início da guerra, em 1914, alistou-se e devido a ações de gases tóxicos, comprometeu seu pulmão. Após ter retornado da guerra, decidido, sabia o que seria: “Professor primário”.
Com certeza, sua paixão pelo diálogo com as crianças e a aversão a qualquer forma de autoritarismo e de "didatismo" não angariaram muita simpatia para esse comunista convicto junto aos burocratas.
Por volta de 1925, Freinet encontrava-se incapacitado de passar o dia dando aulas expositivas para os filhos de camponeses, seus alunos, nas aldeias do sul da França, por causa de um ferimento no pulmão durante a Primeira Guerra Mundial. Conhecedor das ideias da Escola Nova (na época, chamada de "Escola Ativa"), ele buscava caminhos para adaptá-las ao trabalho com crianças humildes.
A solução veio quando Freinet comprou uma velha imprensa, dessas de fazer jornais, e colocou-a no coração de sua sala. As crianças começaram a montar textos em que descreviam seus passeios pela aldeia, seus sonhos, seu mundo. Eles eram compostos e impressos até pelas crianças ainda não alfabetizadas. Logo, os alunos trocavam, pelo correio tradicional, textos, desenhos e poesias com escolas da França, de outros países da Europa e até da África.
Essa técnica, que ficou conhecida como correspondência interescolar, juntamente com os contatos com a comunidade e o texto livre (desenha-se e/ou escreve-se livremente sempre que houver vontade de expressar algo), constitui um dos fundamentos do método natural, criado por Freinet e relatado em uma série de livros belíssimos.
O trabalho de Freinet despertou grande admiração, inclusive de Piaget, que considerava o educador francês um pedagogo genial. Também teve muitos críticos, que o censuravam por promover a anarquia e a falta de rigor. As acusações parecem injustas, especialmente quando constatamos o alto grau de desenvolvimento da autonomia e do espírito crítico em alunos que frequentam boas escolas Freinet.
O trabalho iniciado pelo pedagogo francês multiplicou-se e, até hoje, encontramos um grande número de escolas que adota a sua pedagogia. O trabalho de Freinet também pode inspirar escolas de linha mais tradicional que buscam renovar e enriquecer suas práticas.
Freinet mesmo sem a experiência pedagógica, trazia consigo um profundo respeito à criança.
Freinet criou várias técnicas pedagógicas, uma delas seria a “aula passeio”, pois acreditava que o interesse da criança não estava na escola e sim no que acontecia fora dela, Freinet idealizava esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação e vida para a escola.
Para Freinet:
- A criança é de mesma natureza que o adulto;
- Ser maior não significa, necessariamente, estar acima dos outros;
- É preciso ter esperanças otimistas na vida;
- A criança e o adulto não gostam de uma disciplina rígida, quando isto significa obedecer passivamente uma ordem externa.
Freinet possuía um sonho: transformar a educação. Sua pedagogia tinha em mira, formar um homem mais livre, mais autônomo e mais responsável. Um homem que tenha condições de contribuir na transformação da sociedade. Assim sendo, objetiva essa pedagogia, conhecer a natureza e dar consciência ao homem do que ele é e do que ele quer, e procura dar-lhe os instrumentos necessários que o auxilie no desenvolvimento eficiente de suas tarefas sociais.
Para tanto, precisa-se conhecer bem o aluno e o seu meio social, condição sem a qual não se pode desenvolver bem a ação educativa, ou seja, não se pode dar ao aluno as orientações necessárias para que ele possa superar, por si mesmo, suas dificuldades e resolver o seu problema.
As ideias de Freinet começaram a incomodar os conservadores franceses, e Freinet é afastado da escola em que lecionava (Saint Paul), após esta ruptura ele cria uma escola privada e laica, trabalhando arduamente na escola, criando novas pedagogias, porém, o Ministério da educação recusa-se a reconhecê-la.
Durante a Segunda guerra mundial, a escola é desativada, Freinet é preso e fica seriamente doente. Enquanto se estabelecia, escreveu a maior parte de sua obra. Com todos os obstáculos, nos anos 50 a pedagogia de Freinet se espalha pelo mundo.
O que distingue Freinet dos demais pensadores do movimento da escola nova é que ele cria um movimento em prol da escola popular, defendia a livre expressão como um princípio pedagógico, além da educação pelo trabalho e a cooperação e o tateamento experimental. Para Freinet, o trabalho é uma necessidade para o homem, não se devendo fazer distinção entre trabalho manual e intelectual. Célestin Freinet morreu em Vence, na França, no dia 8 de outubro de 1966.
Cronologia da vida de Célestin Freinet
· 1896 - Nasce Célestin Freinet, em uma cidadezinha chamada Gars, que fica situada no sul da França, no dia 15 de outubro. Ainda adolescente mudou-se para a cidade de Nice, onde começou a cursar o Magistério.
· 1914\1918 - Com o início da primeira guerra mundial Célestin Freinet tem que interromper os seus estudos e se alistar no exército. Período em que sofreu muito com o uso dos gases tóxicos, prejudicando para sempre a saúde de seus pulmões, teve que dar baixa no exército, pois ficou muito doente e até sem esperança de cura.
· 1920 - Em Bar-Surloup Célestin Freinet dá início as suas atividades como educador, antes mesmo de terminar o Curso Normal.
· 1921\1924 - Em contato com seus alunos na prática, da início as suas descobertas embasadas somente nos interesses dos seus alunos. Cria uma Cooperativa de Trabalho com aldeões com quem também trabalhava e dá origem as primeiras correspondência escolares.
· 1926\1928 - Fica conhecendo Elise, uma artista plástica que começa a trabalhar como sua ajudante. Depois, de algum tempo Célestin Freinet casa-se com Elise e escreve o livro "A Imprensa na Escola", cria também a revista "La Gerbe" (O Ramalhete) com vários poemas infantis. Funda também a Cooperativa de Ensino Leigo e os dois vão trabalhar na cidade de Saint Paul.
· 1933\1939 - Começam a receber muitas correspondências por causa das atividades desenvolvidas na Escola e na Cooperativa, isso iniciou um certa hostilidade e desconfiança de alguns. E Célestin Freinet é exonerado do cargo de professor na cidade de Sant Paul. Mas Célestin Freinet e Elise Freinet dão continuidade ao seus trabalhos na Cooperativa, e a escola de Célestin Freinet é oficialmente inaugurada. Logo após começa a segunda guerra mundial.
· 1940 - Célestin Freinet vai preso e encaminhado ao campo de concentração de Var, lá ele fica seriamente doente, mas enquanto é mantido preso dá aula para os seus companheiros. Sua esposa Elise Freinet luta pela sua libertação e consegue. Logo após a sua liberdade Célestin Freinet se alia ao Movimento da Resistência Francesa.
· 1947\1948 - Célestin Freinet cria o ICEM, na qual a cooperativa já reunia mais de 20 mil participantes.
· 1956 - Começam a se preocupar com o excesso de alunos em sala de aula e dão origem a uma campanha de âmbito nacional com o objetivo de se conseguir ter 25 alunos por sala de aula.
· 1966 - Morre na cidade de Vence, na França, Célestin Freinet.
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