quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Os egípcios, a religião e a morte

O nome Egito vem da expressão egípcia Hewet-ka-Ptah, que significa “mansão do espírito de Path”. Em outras palavras, para os egípcios, sua terra pertencia não só a um deus, mas a um panteão de deuses. Path, por exemplo, tinha um templo dedicado a ele na cidade de Mênfis.
Esse aspecto mostra o papel central da espiritualidade e da prática religiosa na vida dos antigos egípcios. Eles acreditavam que um outro mundo, muito semelhante a este, só que melhor, os esperava após a morte.
Por isso, a passagem de um mundo para o outro devia ser uma preocupação de todo ser humano, pois era a condição para a vida eterna.
Para que fosse possível embarcar ao lado do deus Anúbis, em direção ao tribunal do deus Osíris, ao morrer, o corpo deveria ser preservado (por meio da mumificação) e estar acompanhado de todos os objetos que seriam úteis na travessia e no outro mundo. Os egípcios, em geral, eram enterrados em tumbas, mas os faraós mais poderosos eram enterrados em pirâmides.
Os deuses egípcios governavam os dois mundos, mas habitavam o outro mundo, aquele a que os humanos só tinham acesso depois da morte. Assim, era preciso cultuar os deuses e mantê-los satisfeitos com a conduta humana para garantir que a passagem estivesse sempre aberta.
Entre os principais deuses, estavam Hórus (deus do céu e dos vivos), Rá (deus do Sol), Ísis (deusa da fertilidade) e Anúbis (deus dos mortos). Cada deus tinha poderes e funções bastante diferentes, o próprio templo e sacerdotes e sacerdotisas especializados. Além disso, ao longo dos 3 mil anos do Império Egípcio, as divindades se transformaram. Deuses diferentes muitas vezes se fundiram na mesma entidade, enquanto deuses a princípio menos importantes ganhavam a atenção da sociedade egípcia.

Cena do Livro dos Mortos, de cerca de 1050 a.C. 

Os egípcios acreditavam que, após a morte, as almas eram julgadas no tribunal de Osíris; caso fossem condenadas, eram entregues à divindade Ammit, a “devoradora de almas”. Se fossem absolvidas, tinham permissão para retornar ao corpo.

O túmulo do faraó: 5 mil objetos para a eternidade

Tutancâmon (1341 a.C.-1323 a.C.) governou o Egito dos 10 aos 18 anos, idade em que morreu. Ele não foi um faraó dos mais importantes, mas se tornou um dos mais famosos no imaginário popular do século XX em virtude de uma surpreendente descoberta arqueológica.
Em 1922, a tumba de Tutancâmon foi encontrada praticamente intacta pelo arqueólogo britânico Howard Carter, no Vale dos Reis, perto da atual cidade egípcia de Luxor. Por meio dessa descoberta, foi possível compreender melhor o que os egípcios julgavam que um faraó deveria levar para o outro mundo.
Entre os mais de 5 mil artefatos encontrados, havia estátuas, joias de ouro, barcos, carruagens, alimentos, caixas e objetos da vida cotidiana, como roupas, flechas, etc.



Na tumba, havia alguns objetos de uso cotidiano, como um jogo popular de tabuleiro, chamado Senet, um par de sandálias de ouro maciço e dedais de ouro, instalados no pé da múmia, provavelmente para evitar deformações ósseas.


Máscara mortuária de Tutancâmon, de cerca de 1400 a.C.

O enterro de um faraó era uma cerimônia grandiosa que deveria ser organizada com todos os cuidados. O corpo era mumificado: os órgãos internos (vísceras e cérebro) eram removidos e, em seguida, uma série de procedimentos eram aplicados para preservá-lo contra o processo natural de deterioração. Um sarcófago protegia a múmia na passagem para o mundo dos mortos.
A parte externa do sarcófago de Tutancâmon era de granito. Internamente, havia mais três camadas, uma delas composta de 110 kg de ouro puro. Dentro do sarcófago, a múmia de Tutancâmon estava envolta em uma máscara feita de ouro e pedras semipreciosas como turquesas e cornalinas.

Cajado e mangual de Tutancâmon feito com cabo de bronze coberto com ouro e vidro, madeira dourada e cornalina.


Foram encontrados também dois símbolos de poder do faraó: o cajado e o mangual. O cajado representava a benevolência da realeza; e o mangual, a fertilidade da terra. Essa mistura de objetos comuns com símbolos da realeza expressa a dupla condição dos faraós: a de ser humano e a de divindade. O próprio nome do faraó Tutancâmon significava “imagem viva do deus Amon”.


O poder dos faraós

A civilização que floresceu e brilhou às margens do rio Nilo, há mais de 6 mil anos, desperta admiração e não é para menos: quando pensamos no Egito Antigo, lembramos das grandes pirâmides e dos tesouros encontrados nas tumbas dos faraós, que eram deuses na terra.
A história a seguir trata justamente de alguns desses reis todo-poderosos, que viviam cercados de luxo e magia.

Linhagem divina


Para os egípcios, assim como para a maioria dos povos antigos, o Sol, fonte de luz e calor, era venerado como um deus. Sem ele, a vida seria impossível. Por isso, era comum que o Sol fosse o principal deus daquelas culturas. Foi o que aconteceu no Egito, onde Rá – o deus Sol – era todo-poderoso.
Conta a mitologia egípcia que Rá teve quatro filhos: dois homens, Osíris e Set, e duas mulheres, Ísis e Néftis. O trono do Egito foi ocupado por Osíris, casado com sua irmã Ísis. O invejoso Set matou o irmão, dividiu o corpo em 14 pedaços e espalhou-os pelo rio Nilo. Ísis reuniu os despojos do bem-amado e o fez reviver graças à magia ensinada pelos deuses Thot e Anúbis, transformando-o em senhor do Reino dos Mortos.
Da união de Ísis e Osíris nasceu Hórus. Quando cresceu, Hórus venceu Set e assumiu o trono. Governou com sabedoria e foi amado pelo povo egípcio. Os faraós dos mais de 3 mil anos seguintes eram considerados seus descendentes – filhos de Amon-Rá, o Sol, e Hórus – na forma humana. Daí sua origem divina.
Estas placas ovais contendo hieróglifos eram chamadas de cartuchos. Dois deles formavam o nome do faraó. Os cartuchos têm ajudado os egiptologistas a decifrar a antiga língua egípcia.

Domínio sobre a natureza


Os egípcios acreditavam que o faraó era o responsável pelo equilíbrio da natureza. Sem ele, não haveria as enchentes do rio Nilo, essenciais à agricultura, as plantas não cresceriam e os animais não se reproduziriam.
O faraó era o chefe religioso e militar, juiz e legislador supremo, proprietário de todas as terras do Egito. Mesmo tendo poder absoluto, ele não governava apenas de acordo com sua vontade, pois respeitava os costumes e a tradição do povo, baseados em uma religiosidade profunda. Também não governava sozinho: seu principal conselheiro era o vizir, uma espécie de primeiro-ministro, que controlava os nomarcas, governantes locais.
Os assuntos cotidianos da administração, como fiscalização e cobrança de impostos, eram atribuições dos escribas.

Ao longo do rio Nilo há cerca de 80 pirâmides, túmulos dos faraós e das rainhas. A partir de 1500a.C, os túmulos passaram a ser feitos nas encostas de morros.

A vida na Corte


O faraó vivia em um luxuoso palácio. Os móveis eram feitos com as madeiras mais finas, como o cedro e o ébano, revestidas com ouro e marfim. Contava com inúmeros servos e escravos para realizar as tarefas cotidianas. Nos momentos de lazer, dedicava-se a caçadas, pescarias e jogos.
Em caso de guerra, deveria conduzir o exército na condição de general. Geralmente, casava com uma irmã ou meia-irmã, para que seus filhos tivessem o sangue dos deuses. Ele podia, no entanto, ter muitas outras mulheres.
Os súditos não podiam olhar nos olhos do faraó e, em sua presença, deviam ajoelhar-se até a testa tocar o solo. Nunca se referiam ao soberano por seu nome, mas por títulos. Um deles era faraó, que quer dizer 'casa grande', indicando a proteção que ele deveria representar para o seu povo. Ao morrer, era digno de túmulos grandiosos, como as pirâmides ou os hipogeus.

Hatshepsute, a mulher-faraó


Ela subiu ao trono após a morte de seu marido e meio-irmão Tutmés II e de um breve governo de um enteado. Governou entre 1504 a.C. e 1483 a.C. Tornou-se tão poderosa que era retratada com barba postiça, vestes de faraó e a coroa dupla do Alto e do Baixo Egitos – privilégio exclusivo do faraó.
Seu governo foi um tempo de paz e de prosperidade. Ela foi responsável pelo incremento das relações comerciais com países vizinhos. Seu principal colaborador foi o arquiteto Senenmut, que muitos historiadores dizem ter sido seu amante. Ele ergueu o maravilhoso templo de Deir-el-Bahri em sua homenagem.
A construção do templo deu muito prestígio à rainha, que soube usá-lo para justificar o golpe de Estado por meio do qual subiu ao poder.
As pinturas murais representam sua ascendência divina, justificando seu direito à coroa. Uma prova de como Hatshepsute era considerada um faraó foi o fato dela ter sido enterrada no Vale dos Reis e não no Vale das Rainhas. Foi deposta pelo enteado Tutmosis III, que pôs fim à sua política de paz.

Akhenaton


Aquenáton ou Akhenaton, faraó do Egito antigo (1367 a.C. a 1350 a.C). Casado com a rainha Nefertiti, Aquenáton foi um reformador religioso, devotado unicamente ao culto de Áton, o disco solar.
Quando dividia o reinado com seu pai, Amenófis III, abandonou a religião oficial de Amon. Construiu uma nova capital em Amarna, à qual deu o nome de Aquetáton (ou Akhetaton), que quer dizer horizonte de Áton. Perseguiu os seguidores da velha religião e retirou os monumentos a Amon.
Aquenáton foi, talvez, o primeiro monoteísta, isto é, o primeiro a crer em um só deus. Era conhecido como poeta e patrono das artes.
Por que e como foi a reforma religiosa implantada pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton) no Egito antigo?
A religião egípcia, baseada no culto a várias divindades (politeísmo), começou a sofrer um processo de degeneração. Os princípios éticos começaram a ceder lugar a uma série de superstições, que terminavam por aumentar o poder da classe sacerdotal. Ávidos de lucro, começaram a praticar o comércio de rituais que tinham supostamente o poder de trazer a felicidade àqueles que a adquirissem. 
Essa degradação da religião provocada pelos sacerdotes, que a transformaram num sistema de magia fraudulenta, levou finalmente a uma grande reforma religiosa, liderada por Amenófis IV. Após uma tentativa de reprimir os abusos, o faraó eliminou totalmente o sistema politeísta e o substituiu por um sistema monoteísta. Impôs ao povo o culto a um deus que chamou Áton, cujo símbolo era um disco solar. Mudou o próprio nome e passou a chamar-se Akhenaton (Aquele que agrada a Áton). 
Como nesse momento os hebreus encontravam-se no Egito, é possível que, séculos mais tarde, esse princípio monoteísta tenha influenciado a religião dos hebreus: o judaísmo. 
Portanto precisamos conhecer o Faraó Akhenaton, que foi um indivíduo a frente do seu tempo e condenado pelos seus oponentes como o “Rei Herético” (READFORD, 1987. pág. 01). Akhenaton teve sob sua responsabilidade a conclusão de um projeto político iniciado por seus predecessores (Thutmés IV e Amonhotep III) cujo objetivo político é interpretado por alguns historiadores como sendo o enfraquecimento do poderoso clero de Amon, a imposição e manutenção de um deus único. 
O culto a Aton era muito simples: feito ao ar livre, no pátio de um templo, consistia na oferta de flores e frutos no altar. O faraó eliminou o culto a imagens e enfatizou o amor à natureza, à verdade, à liberdade e à alegria de viver. Em razão dessa mudança, que durou apenas os 15 anos de seu reinado, muitos estudiosos consideram Akhenaton o criador do monoteísmo. Em todos os momentos, o faraó era acompanhado por sua esposa, a belíssima Nefertiti, com quem teve seis filhas.
Assim ocorre a possibilidade de ser este o seu objetivo maior. Se, entretanto, somou a isso elementos relacionados à devoção religiosa, de cunho pessoal, tal fato não deve ser visto como camuflagem dos objetivos principais de um projeto que na realidade não era só seu, mas também de todo uma dinastia que buscava contemplar a um novo deus dinástico. 
A revolução religiosa criada por Akhenaton possivelmente pode ter abalado as estruturas de sua época, já que na hierarquia social o próprio Faraó era uma espécie de revolucionário. Temos, portanto, que a perspectiva proposta nesta pesquisa sobre a monolatria de Akhenaton como de relevância para o pensamento religioso antigo e representando uma especificidade na espiritualidade do mundo antigo que pode ter gerado um desconforto ou um clima de instabilidade entre os diversos segmentos sociais. Para legitimar as suas propostas podemos ver que o faraó se valeu de elementos que estavam fixados já no pensamento religioso do egípcio. Este pensamento era baseado no Mito, na Religião e na Magia. 
Através de um culto oficial denominado Festival-Sed, Akhenaton se valeu da iconografia, dos textos sagrados, das práticas religiosas e da encenação para legitimar sua ação (e o poder divino) para os dois mundos (o mundo celeste e o humano). Contudo o uso do Festival-Sed como prática realizada por ele para se legitimar no festival não representou uma grande novidade para aquele período, posto que outros monarcas como Hatshepsut e Amonhotep II, já haviam o praticado. Através de uma análise realizada sobre esse culto religioso podemos detectar que o ideal religioso de Akhenaton encontrou eco nos demais segmentos sociais egípcios. 
Os ritos funerários anteriores a Akhenaton poderiam deixar os indivíduos preocupados com o dia em que fizessem a passagem para o mundo inferior, no qual enfrentariam um julgamento e passariam por diversos obstáculos.
Na religião de Amarna o faraó Akhenaton poderia ter a função de guiar o indivíduo para que ele fosse absorvido ao deus Aton, sem punições ou julgamentos. Um provável indício é a iconografia de Aton no lugar dos deuses funerários nas tumbas do período simplificando a religião. Este fato citado demonstra a importância de Akhenaton tendo características divinas para este culto solar e seus ritos funerários. 
Após uma análise mais profunda veremos que essa religião simplificaria o rito funerário e pode ter se popularizado devido essa ausência de julgamentos e castigos. Além dessa simplificação dos ritos funerários o faraó fundou uma nova cidade para o novo deus dinástico rompendo mais uma vez com o contexto anterior a ele de pensamento religioso. 
O local que o Akhenaton optou pela fundação de sua nova cidade situa-se entre Mênfis e Tebas, na margem direita do Nilo e recebeu o nome de Akhetaton ("o horizonte de Aton"). Atualmente este local é conhecido como Amarna. Nesta cidade Akhenaton ergueu templos para Aton com uma arquitetura, cuja é completamente diferente de outros templos da XVIII Dinastia: visto que eram feitos com vários pátios ao ar livre que levavam ao altar do deus. Sendo dedicado a uma divindade solar, é possível que não fizesse sentido para o faraó que houvesse escuridão nas salas; uma estrutura ao ar livre permitia a presença dos raios de Aton. 
A troca do nome e da titulatura do rei que deixa de usar o nome do deus Amon (em seu nome Amonhotep) para ser ⎯ o filho de Aton ou o Aton vivo ⎯ o qual passou a se chamar Akhenaton parece não ter sido realizada antes podendo ser considerada como uma novidade para aquele período. Essa mudança de nome — uma prática de valor mágico — fazia parte do projeto político-religioso de modo a centrar as atenções no seu pai o deus Aton em detrimento de Amon - Ra. Como filho de Aton, o faraó seria responsável para levar a diante o culto ao deus além de sua própria “política de governo”. 
É necessário lembrar, que apesar da utilização de ritos pelo faraó para legitimar sua política religiosa o período amarniano é marcado pelo pouco uso de mitos e conceitos da cosmogonia e da cosmologia, para explicar a criação do mundo. Possivelmente por querer romper com a tradição houve uma simplificação desses ritos e mitos. Akhenaton poderia estar buscando demonstrar que Aton era primordial e único por si, assim criou um novo pensamento religioso sobre a criação do mundo. 
Essa cosmogonia é vista através do Hino de Aton onde vemos a explicação da criação sendo realizada por Aton como um deus que brilha e que e da à vida a todos os seres. Assim apesar da aparente ausência de mitos na religião de Amarna no hino ao deus Aton é possível encontrar elementos mitológicos relativos à criação. A relação de Aton com o monarca é de pai para filho sendo o faraó intermediário entre o deus e os homens. Contudo o próprio faraó se diviniza e passa a ser um deus na terra ao lado de sua esposa.
A despeito de seu sucesso inicial, a reforma não teve efeito duradouro. Logo após a morte de Amenófis IV, os faraós permitiram que os sacerdotes corruptos e mercenários retomassem seu poder, em troca de legitimidade à autoridade do faraó.

Tutancâmon 


Casado com uma filha de Akhenaton, Tutancâmon reinou logo depois do sogro, entre 1334 a.C. e 1325 a.C. Tinha apenas 9 anos quando se tornou faraó. Ele transferiu a capital para Mênfis, no norte, e restaurou os antigos cultos. Apesar de seu breve governo, Tutancâmon tornou-se um dos mais famosos faraós. E não porque tenha realizado qualquer grande feito, pois não teve tempo. É que seu túmulo foi o único a ser achado intacto pelo arqueólogo inglês Howard Carter, em 1922, após cinco anos de escavações.
Seu túmulo, descoberto em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, não havia sido aberto desde os tempos antigos e ainda continha a maioria de seus tesouros. Vários aposentos do túmulo estavam repletos de objetos que haviam pertencido a Tutancâmon. 
Essas peças, inclusive o caixão interior de ouro maciço, encontram-se atualmente no Museu do Cairo. O corpo do rei, encontrado em um caixão triplo, foi devolvido ao túmulo.
Os sábios desconhecem a identidade dos antepassados de Tutancâmon. Muitos acreditam que ele era neto do rei Amenófis III e filho de Aquenáton. Outros sustentam que era genro ou irmão de Aquenáton, que havia feito de Áton, o Sol, o único deus do Egito. Inicialmente o nome de Tutancâmon era Tutancáton, que significava a vida de Áton é agradável. 
Os sacerdotes do deus Amon forçaram-no a abandonar a religião de Aquenáton e tomar o nome de Tutancâmon.
Em 1922, a tumba de Tutancâmon foi encontrada praticamente intacta pelo arqueólogo britânico Howard Carter, no Vale dos Reis, perto da atual cidade egípcia de Luxor. Por meio dessa descoberta, foi possível compreender melhor o que os egípcios julgavam que um faraó deveria levar para o outro mundo.
Entre os mais de 5 mil artefatos encontrados, havia estátuas, joias de ouro, barcos, carruagens, alimentos, caixas e objetos da vida cotidiana, como roupas, flechas, etc.



Na tumba, havia alguns objetos de uso cotidiano, como um jogo popular de tabuleiro, chamado Senet, um par de sandálias de ouro maciço e dedais de ouro, instalados no pé da múmia, provavelmente para evitar deformações ósseas.


Máscara mortuária de Tutancâmon, de cerca de 1400 a.C.

O enterro de um faraó era uma cerimônia grandiosa que deveria ser organizada com todos os cuidados. O corpo era mumificado: os órgãos internos (vísceras e cérebro) eram removidos e, em seguida, uma série de procedimentos eram aplicados para preservá-lo contra o processo natural de deterioração. Um sarcófago protegia a múmia na passagem para o mundo dos mortos.
A parte externa do sarcófago de Tutancâmon era de granito. Internamente, havia mais três camadas, uma delas composta de 110 kg de ouro puro. Dentro do sarcófago, a múmia de Tutancâmon estava envolta em uma máscara feita de ouro e pedras semipreciosas como turquesas e cornalinas.

Cajado e mangual de Tutancâmon feito com cabo de bronze coberto com ouro e vidro, madeira dourada e cornalina.


Foram encontrados também dois símbolos de poder do faraó: o cajado e o mangual. O cajado representava a benevolência da realeza; e o mangual, a fertilidade da terra. Essa mistura de objetos comuns com símbolos da realeza expressa a dupla condição dos faraós: a de ser humano e a de divindade. O próprio nome do faraó Tutancâmon significava “imagem viva do deus Amon”.
Tutancâmon tinha 8 ou 9 anos quando se tornou rei e seu reinado, sem importância, durou apenas nove anos. O ministro Ay, provavelmente seu avô ou tio-avô, serviu como co-regente. Ay sucedeu a Tutancâmon como rei e conduziu seu funeral até o Vale dos Reis. 
Depois da morte de Tutancâmon, sua viúva pediu ao rei hitita Xupiluliuma que lhe enviasse um de seus filhos para se casar com ela e dividir o trono. 
O rei enviou o príncipe Zananza, mas este foi interceptado e morto pelos egípcios. Consequentemente uma nova dinastia assumiu o trono.

Ramsés II


Ramsés II, faraó que sucedeu ao pai, Sethi I. Reinou de 1301 a.C. a 1235 a.C. Subiu ao trono com pouca idade. Dedicou-se a um vasto programa de construções, entre elas os templos de Karnac, Lúxor e Abu-Simbel.
Tem-se dito algumas vezes que Ramsés II era o faraó mencionado no Êxodo da Bíblia, mas a veracidade dessa afirmação é duvidosa. A múmia de Ramsés II encontra-se preservada no Museu do Cairo, no Egito.
Ramsés foi um dos maiores faraós que o Egito já teve. Governou por 70 anos, talvez nenhum faraó tenha governado tanto. Foi um grande construtor e um grande lutador. Ficou famoso por causa da grande batalha de Kadesh.
O soberano egípcio queria tomar posse de terra que pertencia aos Hititas, chamada Kadesh, pela qual passavam as rotas mercantis para o Oriente. Para isso, liderou um exército enorme visando conquistá-la. Essa região na Síria, desde do faraó monoteísta Akhenaton, sofria com as tomadas de posse dos hititas e as retomadas dos egípcios.
Ramsés, ao completar 10 anos de idade, foi nomeado como comandante-chefe dos exércitos do seu pai, Set I, e aos 14 anos o jovem príncipe recebeu permissão para participar ao lado do faraó Set de combates na Líbia. Os dois conseguiram tomar a cidade hitita de Kadesh por um breve período, mas os inimigos a recuperaram logo que retornaram ao Egito. Antes da morte do seu pai, Ramsés, o novo faraó, jurou retomar Kadesh.
No quinto ano de seu reinado, Ramsés decidiu reconquistar a estratégica cidade hitita à frente de um exército de 20 mil homens, dividido em quatro partes, cada um com um nome de um deus, Amon, Rá, Ptah e Seth. Durante a batalha, o soberano se adiantou na frente de seu exército e levou a divisão de Amon. 
Ramsés II e seus homens foram surpreendidos pelo exército Hitita comandado pelo rei Mouwattali com 40 mil guerreiros . Graças à pronta chegada dos reforços que acompanhavam as forças principais por outra rota, o faraó conseguiu salvar-se, reorganizando as divisões e fazendo os hititas recuarem.
A batalha de Kadesh não teve vencido ou vencedor, e o norte da Síria continuou sob domínio hitita, com os quais o faraó envolveu-se em novo choques posteriormente.
O tratado definitivo entre egípcios e hititas só foi concluído no 34° ano do reinado de Ramsés, já no reinado do rei hitita Hattusil III, irmão de Mouwattali que se apoderou do trono expulsando o filho do antigo soberano. Pelo tratado, Ramsés teve que desposar a filha mais velha do astuto usurpador para selar a nova amizade.
Nessa época, o faraó já tinha como esposas a bela Nefertari e sua segunda esposa Istnofret, fora as mulheres do harém.
Após a batalha o faraó tratou de se promover. Foi elaborado um relato dramático sobre a batalha de Kadesh - exaltando a sua coragem e a intervenção de Amon-Rá para defendê-lo. Tal relato foi amplamente divulgado em templos (aparece 3 vezes no templo de Luxor), e em várias cópias em papiro (uma das versões foi compilada por um escriba que deu nome a composição: “poema de Pentaur”).
Para perpetuar essa "propaganda" maciça, Ramsés ordenou que fossem também feitas descrições da batalha nos templos em Abu Simbel ( A Montanha Pura).
Durante a construção dos dois templos em Abu Simbel , o Grande Templo, em homenagem a Ramsés, e o Pequeno Templo para a esposa Nefertari, centenas de operários tiveram que esculpir todo o templo na rocha de uma colina de arenito, um detalhe admirável, porque qualquer erro grave causaria o afundamento de toda a obra.
Desenhistas ficaram pendurados por andaimes para desenharem na rocha. Depois vieram os escavadores e esculpiram quatro estátuas colossais de Ramsés II. O santuário interno, escavado em uma sólida rocha, prolongando-se por 55 metros de profundidade, era o lugar mais sagrado do Grande Templo.
Nele, quatro estátuas, a do faraó e as de três deuses, estão sentadas. Duas vezes por ano, graças aos cálculos dos arquitetos, nos solstícios de verão, época da colheita, à medida que o Sol se levanta, seus raios brilham pelas paredes decoradas com as façanhas sangrentas da batalha de Kadesh e iluminam as estátuas divinas. A construção levou 20 anos.
O faraó construiu também outros templos afastados de qualquer cidade egípcia, mas que cruzavam o caminho dos estrangeiros. Sua intenção era mostrar a grandiosidade do Egito. Os templos ficam perto da margem do Nilo, ou seja quem subir o Nilo irá ver as estátuas do rei do Egito em seu trono. Ramsés só criou esses templos e outras obras como uma" propaganda" faraônica de seu poder.
Cada templo possuía o seu sacerdote designado pelo faraó que representava o rei nas cerimônias religiosas cotidianas. Em tese, o faraó deveria ser o único celebrante das cerimônias religiosas diárias que se desenrolavam nos diversos templos espalhados por todo o Egito. Na prática, o grão-sacerdote exercia esse papel. Para alcançar essa posição, tornava-se necessário uma longa educação nas artes e nas ciências, tal como o faraó possuía. Leitura, escrita, engenharia, aritmética, geometria, astronomia, medição de espaços, cálculo do tempo pela ascensão e ocaso das estrelas, faziam parte de tal aprendizado. Os sacerdotes de Heliópolis, por exemplo, tornaram-se guardiões dos conhecimentos sagrados e ganharam reputação de sábios.
Com o templo de Abu Simbel concluído, o faraó, então, levou sua amada esposa para admirá-los. Ele e Nefertari (sua esposa principal) eram mais que marido e mulher, ela era sua companheira inseparável que o ajudava a governar.
Mas para desespero do soberano ela morreu pouco depois. Para sua Nefertari construiu um dos mais lindos túmulos do Egito no Vale das Rainhas. E não deixou por menos para seus filhos, construindo um dos maiores túmulos do Egito no Vale dos Reis. Com sua querida esposa morta e com o passar dos pesados anos Ramsés mudou complemente seu jeito de governar. Ele parou de acompanhar seu exército em batalhas e a se dedicar em construir obras colossais. Passou o comando aos príncipes Ramsés e Khaemwaset, mas ambos morreram antes do pai tal como pelo menos dez outros filhos. Nessa ocasião, Merneptah, o filho mais novo de Istnofret, herdou o trono.
Ramsés morreu com aproximadamente 90 anos e gerou pelo menos 90 filhos. Quando estudaram a múmia de Ramsés, viram grandes problemas com seus dentes. Pode ser que tenha morrido por infecção. Sabe-se que nos seus últimos dias sofreu bastante.

Cleópatra


Cleópatra, a mais famosa rainha egípcia, governou no século I a.C., muito depois do apogeu egípcio. O país já havia sido invadido pelos persas (525 a.C.) e pelo exército greco-macedônio (332 a.C.). A rainha aliou-se ao Império Romano, mantendo relações amorosas com Júlio César e Marco Antônio.


Akhenaton

Aquenáton ou Akhenaton, faraó do Egito antigo (1367 a.C. a 1350 a.C). Casado com a rainha Nefertiti, Aquenáton foi um reformador religioso, devotado unicamente ao culto de Áton, o disco solar.
Quando dividia o reinado com seu pai, Amenófis III, abandonou a religião oficial de Amon. Construiu uma nova capital em Amarna, à qual deu o nome de Aquetáton (ou Akhetaton), que quer dizer horizonte de Áton. Perseguiu os seguidores da velha religião e retirou os monumentos a Amon.
Aquenáton foi, talvez, o primeiro monoteísta, isto é, o primeiro a crer em um só deus. Era conhecido como poeta e patrono das artes.
Por que e como foi a reforma religiosa implantada pelo faraó Amenófis IV (Akhenaton) no Egito antigo?
A religião egípcia, baseada no culto a várias divindades (politeísmo), começou a sofrer um processo de degeneração. Os princípios éticos começaram a ceder lugar a uma série de superstições, que terminavam por aumentar o poder da classe sacerdotal. Ávidos de lucro, começaram a praticar o comércio de rituais que tinham supostamente o poder de trazer a felicidade àqueles que a adquirissem. 
Essa degradação da religião provocada pelos sacerdotes, que a transformaram num sistema de magia fraudulenta, levou finalmente a uma grande reforma religiosa, liderada por Amenófis IV. Após uma tentativa de reprimir os abusos, o faraó eliminou totalmente o sistema politeísta e o substituiu por um sistema monoteísta. Impôs ao povo o culto a um deus que chamou Áton, cujo símbolo era um disco solar. Mudou o próprio nome e passou a chamar-se Akhenaton (Aquele que agrada a Áton). 
Como nesse momento os hebreus encontravam-se no Egito, é possível que, séculos mais tarde, esse princípio monoteísta tenha influenciado a religião dos hebreus: o judaísmo. 
Portanto precisamos conhecer o Faraó Akhenaton, que foi um indivíduo a frente do seu tempo e condenado pelos seus oponentes como o “Rei Herético” (READFORD, 1987. pág. 01). Akhenaton teve sob sua responsabilidade a conclusão de um projeto político iniciado por seus predecessores (Thutmés IV e Amonhotep III) cujo objetivo político é interpretado por alguns historiadores como sendo o enfraquecimento do poderoso clero de Amon, a imposição e manutenção de um deus único. 
O culto a Aton era muito simples: feito ao ar livre, no pátio de um templo, consistia na oferta de flores e frutos no altar. O faraó eliminou o culto a imagens e enfatizou o amor à natureza, à verdade, à liberdade e à alegria de viver. Em razão dessa mudança, que durou apenas os 15 anos de seu reinado, muitos estudiosos consideram Akhenaton o criador do monoteísmo. Em todos os momentos, o faraó era acompanhado por sua esposa, a belíssima Nefertiti, com quem teve seis filhas.
Assim ocorre a possibilidade de ser este o seu objetivo maior. Se, entretanto, somou a isso elementos relacionados à devoção religiosa, de cunho pessoal, tal fato não deve ser visto como camuflagem dos objetivos principais de um projeto que na realidade não era só seu, mas também de todo uma dinastia que buscava contemplar a um novo deus dinástico. 
A revolução religiosa criada por Akhenaton possivelmente pode ter abalado as estruturas de sua época, já que na hierarquia social o próprio Faraó era uma espécie de revolucionário. Temos, portanto, que a perspectiva proposta nesta pesquisa sobre a monolatria de Akhenaton como de relevância para o pensamento religioso antigo e representando uma especificidade na espiritualidade do mundo antigo que pode ter gerado um desconforto ou um clima de instabilidade entre os diversos segmentos sociais. Para legitimar as suas propostas podemos ver que o faraó se valeu de elementos que estavam fixados já no pensamento religioso do egípcio. Este pensamento era baseado no Mito, na Religião e na Magia. 
Através de um culto oficial denominado Festival-Sed, Akhenaton se valeu da iconografia, dos textos sagrados, das práticas religiosas e da encenação para legitimar sua ação (e o poder divino) para os dois mundos (o mundo celeste e o humano). Contudo o uso do Festival-Sed como prática realizada por ele para se legitimar no festival não representou uma grande novidade para aquele período, posto que outros monarcas como Hatshepsut e Amonhotep II, já haviam o praticado. Através de uma análise realizada sobre esse culto religioso podemos detectar que o ideal religioso de Akhenaton encontrou eco nos demais segmentos sociais egípcios. 
Os ritos funerários anteriores a Akhenaton poderiam deixar os indivíduos preocupados com o dia em que fizessem a passagem para o mundo inferior, no qual enfrentariam um julgamento e passariam por diversos obstáculos.
Na religião de Amarna o faraó Akhenaton poderia ter a função de guiar o indivíduo para que ele fosse absorvido ao deus Aton, sem punições ou julgamentos. Um provável indício é a iconografia de Aton no lugar dos deuses funerários nas tumbas do período simplificando a religião. Este fato citado demonstra a importância de Akhenaton tendo características divinas para este culto solar e seus ritos funerários. 
Após uma análise mais profunda veremos que essa religião simplificaria o rito funerário e pode ter se popularizado devido essa ausência de julgamentos e castigos. Além dessa simplificação dos ritos funerários o faraó fundou uma nova cidade para o novo deus dinástico rompendo mais uma vez com o contexto anterior a ele de pensamento religioso. 
O local que o Akhenaton optou pela fundação de sua nova cidade situa-se entre Mênfis e Tebas, na margem direita do Nilo e recebeu o nome de Akhetaton ("o horizonte de Aton"). Atualmente este local é conhecido como Amarna. Nesta cidade Akhenaton ergueu templos para Aton com uma arquitetura, cuja é completamente diferente de outros templos da XVIII Dinastia: visto que eram feitos com vários pátios ao ar livre que levavam ao altar do deus. Sendo dedicado a uma divindade solar, é possível que não fizesse sentido para o faraó que houvesse escuridão nas salas; uma estrutura ao ar livre permitia a presença dos raios de Aton. 
A troca do nome e da titulatura do rei que deixa de usar o nome do deus Amon (em seu nome Amonhotep) para ser ⎯ o filho de Aton ou o Aton vivo ⎯ o qual passou a se chamar Akhenaton parece não ter sido realizada antes podendo ser considerada como uma novidade para aquele período. Essa mudança de nome — uma prática de valor mágico — fazia parte do projeto político-religioso de modo a centrar as atenções no seu pai o deus Aton em detrimento de Amon - Ra. Como filho de Aton, o faraó seria responsável para levar a diante o culto ao deus além de sua própria “política de governo”. 
É necessário lembrar, que apesar da utilização de ritos pelo faraó para legitimar sua política religiosa o período amarniano é marcado pelo pouco uso de mitos e conceitos da cosmogonia e da cosmologia, para explicar a criação do mundo. Possivelmente por querer romper com a tradição houve uma simplificação desses ritos e mitos. Akhenaton poderia estar buscando demonstrar que Aton era primordial e único por si, assim criou um novo pensamento religioso sobre a criação do mundo. 
Essa cosmogonia é vista através do Hino de Aton onde vemos a explicação da criação sendo realizada por Aton como um deus que brilha e que e da à vida a todos os seres. Assim apesar da aparente ausência de mitos na religião de Amarna no hino ao deus Aton é possível encontrar elementos mitológicos relativos à criação. A relação de Aton com o monarca é de pai para filho sendo o faraó intermediário entre o deus e os homens. Contudo o próprio faraó se diviniza e passa a ser um deus na terra ao lado de sua esposa.
A despeito de seu sucesso inicial, a reforma não teve efeito duradouro. Logo após a morte de Amenófis IV, os faraós permitiram que os sacerdotes corruptos e mercenários retomassem seu poder, em troca de legitimidade à autoridade do faraó.




Arte e Arquitetura do Egito

A história do Egito foi a mais longa de todas as civilizações antigas que floresceram em torno do Mediterrâneo, estendendo-se, quase sem interrupção, desde aproximadamente o ano 3000 a.C. até o século IV d.C. A natureza do país — desenvolvido em torno do Nilo, que o banha e fertiliza, em quase total isolamento de influências culturais exteriores — produziu um estilo artístico que mal sofreu mudanças ao longo de seus mais de 3.000 anos de história. Todas as manifestações artísticas estiveram, basicamente, a serviço do estado, da religião e do faraó, considerado como um deus sobre a terra. 
Desde os primeiros tempos, a crença numa vida depois da morte ditou a norma de enterrar os corpos com seus melhores pertences, para assegurar seu trânsito na eternidade. A regularidade dos ciclos naturais, o crescimento e a inundação anual do rio Nilo, a sucessão das estações e o curso solar que provocava o dia e a noite foram considerados como presentes dos deuses às pessoas do Egito. O pensamento, a cultura e a moral egípcios eram baseados num profundo respeito pela ordem e pelo equilíbrio. A arte pretendia ser útil: não se falava em peças ou em obras belas, e sim em eficazes ou eficientes. O intercâmbio cultural e a novidade nunca foram considerados como algo importante por si mesmos. 
Assim, as convenções e o estilo representativos da arte egípcia, estabelecidos desde o primeiro momento, continuaram praticamente imutáveis através dos tempos. Para o espectador contemporâneo a linguagem artística pode parecer rígida e estática. Sua intenção fundamental, sem dúvida, não foi a de criar uma imagem real das coisas tal como apareciam, mas sim captar para a eternidade a essência do objeto, da pessoa ou do animal representado.

PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO


Os primeiros povoadores pré-históricos assentaram-se sobre as terras ou planaltos formados pelos sedimentos que o rio Nilo havia depositado em seu curso. Os objetos e ferramentas deixados pelos primeiros habitantes do Egito mostram sua paulatina transformação de uma sociedade de caçadores-catadores seminômades em agricultores sedentários. O período pré-dinástico abrange de 4000 a.C. a 3100 a.C., aproximadamente.

ANTIGO IMPÉRIO


Durante as primeiras dinastias, construíram-se importantes complexos funerários para os faraós em Abidos e Sakkara. Os hieróglifos (escrita figurativa), forma de escrever a língua egípcia, encontravam-se então em seu primeiro nível de evolução e já mostravam seu caráter de algo vivo, como o resto da decoração. Na III dinastia, a capital mudou-se para Mênfis e os faraós iniciaram a construção de pirâmides, que substituíram as mastabas como tumbas reais. 
O arquiteto, cientista e pensador Imhotep construiu para o faraó Zoser (c. 2737-2717 a.C.) uma pirâmide em degraus de pedra e um grupo de templos, altares e dependências afins. Deste período é o famoso conjunto monumental de Gizé, onde se encontram as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. A escultura caracterizava-se pelo estilo hierático, a rigidez, as formas cúbicas e a frontalidade. Primeiro, talhava-se um bloco de pedra de forma retangular; depois, desenhava-se na frente e nas laterais da pedra a figura ou objeto a ser representado. Destaca-se, dessa época, a estátua rígida do faraó Quéfren (c. 2530 a.C.). 
A escultura em relevo servia a dois propósitos fundamentais: glorificar o faraó (feita nos muros dos templos) e preparar o espírito em seu caminho até a eternidade (feita nas tumbas). Na cerâmica, as peças ricamente decoradas do período pré-dinástico foram substituídas por belas peças não decoradas, de superfície polida e com uma grande variedade de formas e modelos, destinadas a servir de objetos de uso cotidiano. 
Já as joias eram feitas em ouro e pedras semipreciosas, incorporando formas e desenhos, de animais e de vegetais. Ao finalizar a VI dinastia, o poder central do Egito havia diminuído e os governantes locais decidiram fazer as tumbas em suas próprias províncias, em lugar de serem enterrados perto das necrópoles dos faraós a quem serviam. Desta dinastia data a estátua em metal mais antiga que se conhece no Egito: uma imagem em cobre (c. 2300 a.C.) de Pepi I (c. 2395-2360 a.C.).

MÉDIO IMPÉRIO


Mentuhotep II, faraó da XI dinastia, foi o primeiro faraó do novo Egito unificado do Médio Império (2134-1784 a.C.). Criou um novo estilo ou uma nova tipologia de monumento funerário, provavelmente inspirado nos conjuntos funerários do Antigo Império. Na margem oeste do Tebas, até o outro lado do Nilo, no lugar denominado de Deir el Bahari, construiu-se um templo no vale ligado por um longo caminho real a outro templo que se encontrava instalado na encosta da montanha. 
Formado por uma mastaba coroada por uma pirâmide e rodeado de pórticos em dois níveis, os muros foram decorados com relevos do faraó em companhia dos deuses. A escultura do Médio Império se caracterizava pela tendência ao realismo. Destacam-se os retratos de faraós como Amenemés III e Sesóstris III. 
O costume entre os nobres de serem enterrados em tumbas construídas em seus próprios centros de influência, em vez de na capital, manteve-se vigente. Ainda que muitas delas estivessem decoradas com relevos, como as tumbas de Asuán, no sul, outras, como as de Beni Hassan e El Bersha, no Médio Egito, foram decoradas exclusivamente com pinturas. A pintura também decorava os sarcófagos retangulares de madeira, típicos deste período. Os desenhos eram muito lineares e mostravam grande minúcia nos detalhes. 
No Médio Império, também foram produzidos magníficos trabalhos de arte decorativa, particularmente joias feitas em metais preciosos com incrustação de pedras coloridas. Neste período aparece a técnica do granulado e o barro vidrado alcançou grande importância para a elaboração de amuletos e pequenas figuras.

NOVO IMPÉRIO


O Novo Império (1570-1070 a.C.) começou com a XVIII dinastia e foi uma época de grande poder, riqueza e influência. Quase todos os faraós deste período preocuparam-se em ampliar o conjunto de templos de Karnak, centro de culto a Amon, que se converteu, assim, num dos mais impressionantes complexos religiosos da história. Próximo a este conjunto, destaca-se também o templo de Luxor. 
Do Novo Império, também se destaca o insólito templo da rainha Hatshepsut, em Deir el Bahari, levantado pelo arquiteto Senemut (morto no ano de 1428 a.C.) e situado diante dos alcantilados do rio Nilo, junto ao templo de Mentuhotep II. Durante a XIX Dinastia, na época de Ramsés II, um dos mais importantes faraós do Novo Império, foram construídos os gigantescos templos de Abu Simbel, na Núbia, ao sul do Egito. A escultura, naquele momento, alcançou uma nova dimensão e surgiu um estilo cortesão, no qual se combinavam perfeitamente a elegância e a cuidadosa atenção aos detalhes mais delicados. Tal estilo alcançaria a maturidade nos tempos de Amenófis III. 
A arte na época de Akhenaton refletia a revolução religiosa promovida pelo faraó, que adorava Aton, deus solar, e projetou uma linha artística orientada nesta nova direção, eliminando a imobilidade tradicional da arte egípcia. Deste período, destaca-se o busto da rainha Nefertiti (c. 1365 a.C.). A pintura predominou então na decoração das tumbas privadas. A necrópole de Tebas é uma rica fonte de informação sobre a lenta evolução da tradição artística, assim como de excelentes ilustrações da vida naquela época. Durante o Novo Império, a arte decorativa, a pintura e a escultura alcançaram as mais elevadas etapas de perfeição e beleza. 
Os objetos de uso cotidiano, utilizados pela corte real e a nobreza, foram maravilhosamente desenhados e elaborados com grande destreza técnica. Não há melhor exemplo para ilustrar esta afirmação do que o enxoval funerário da tumba (descoberta em 1922) de Tutankhamen.

ÉPOCA TARDIA


Em Madinat Habu, perto de Tebas, na margem ocidental do Nilo, Ramsés III, o último da poderosa saga de faraós da XX dinastia, levantou um enorme templo funerário (1198-1167 a.C.), cujos restos são os mais conservados na atualidade. 
O rei assírio Assurbanipal conquistou o Egito, convertendo-o em província assíria até que Psamético I (664-610 a.C.) libertou o país da dominação e criou uma nova dinastia, a XXVI, denominada saíta. 
Desse período, destacam-se os trabalhos de escultura em bronze, de grande suavidade e brandura na modelagem, com tendência a formas torneadas. Os egípcios tiveram então contato com os gregos, alguns dos quais haviam servido em seu exército como mercenários, e também com os judeus, através de uma colônia que estes tinham no sul, perto de Asuán. 
A conquista do país por Alexandre Magno, em 332 a.C., e pelos romanos, no ano 30 a.C., introduziu o Egito na esfera do mundo clássico, embora persistissem suas antigas tradições artísticas. Alexandre (fundador da cidade de Alexandria, que se converteu num importante foco da cultura helenística) e seus sucessores aparecem representados em relevo nos muros dos templos como se fossem autênticos faraós — e num claro estilo egípcio, e não clássico. Os templos construídos durante o período ptolomaico (helênico) repetem os modelos arquitetônicos tradicionais do Egito.

Arte no Egito Antigo


A civilização egípcia é uma das que mais exercem fascínio sobre os homens, grande parte associada a sua religiosidade, suas práticas de conservação de cadáveres e mumificação - até hoje não totalmente desvendadas - e suas construções grandiosas como as Pirâmides e a Esfinge.
Começou a formar-se há mais ou menos quatro mil anos antes de Cristo, nas proximidades do Rio Nilo. O rio, um verdadeiro oásis no deserto, foi essencial para a concentração de uma população mesclada entre mediterrâneos, asiáticos e africanos, que, principalmente a partir de 3300 a.C., tinham na agricultura e no pastoreio suas principais atividades, guiadas pelas cheias do Nilo. Juntamente com os povos Mesopotâmicos, os egípcios foram os primeiros a atingir o estado de civilização. Após a unificação do norte e sul, por volta de 3000 a.C., o Egito foi cada vez mais se desenvolvendo.
Nesse período inicial da história antiga do país - conhecido como período Pré-Dinástico - encontramos alguns aspectos da cultura e arte egípcia que acabariam por orientar as épocas subsequentes. A escrita dava seus primeiros passos, bem como as técnicas sobre metais (em especial os mais moles como o ouro e o cobre), a tecelagem e a cerâmica. Já é dessa fase o hábito de se representar os governantes, como Narmer (provavelmente o rei que unificou os reinos do Norte e do Sul) em larga escala, em tamanho muito superior aos demais objetos representados - essa característica da representação egípcia permanece durante quase toda sua história.
Outras características importantes das representações humanas egípcias também já aparecem nessa época, como cabeças e pés vistos de perfil, com os olhos mostrados frontalmente e braços e pernas apresentados por inteiro. A respeito dessas representações contorcidas, extremamente conhecidas da arte egípcia, cabe fazer algumas observações. Elas eram realizadas, por exemplo, a partir dos ângulos que melhor representassem determinada parte do corpo. Assim, a cabeça, braços e pernas são mais facilmente vistos de lado, os pés, melhor vistos de dentro (preferiam o contorno partindo do dedão, o que muitas vezes dava a impressão de dois pés esquerdos). Os olhos, por sua vez, de frente são mais expressivos, bem como a metade superior do tronco, mais nítidas se observadas de frente. O “Retrato de Hesire“, esculpido numa porta de túmulo há cerca de dois mil e setecentos anos antes de Cristo é uma boa amostra dessas representações de figuras humanas.
A arte e a cultura egípcia, de uma maneira geral, era bastante conformista e tradicional. As mudanças não eram bem vistas e os padrões estéticos mantiveram-se praticamente sem alterações por praticamente três mil anos (com exceção da época de Akhenaton, que veremos a seguir). O “talento“ de um artista dependia menos de sua originalidade (não era esperado isso dele) do que do rigor com que reproduzia a arte do passado. O período da História egípcia, entre aproximadamente 2780 a.C. e 2200 a.C., é conhecido como Antigo Império ou Reino Antigo. São dessa época as primeiras construções de pirâmides, monumentos funerários extremamente elaborados, que são uma das marcas registradas do antigo Egito. 
Essas enormes construções geométricas de pesadas pedras, simbolizando profunda solidez e força, eram construídas para abrigarem, em seu centro, a múmia do faraó. Possuíam, além da própria câmara funerária (normalmente repleta de tesouros), várias câmaras “decoradas“ com imagens e fórmulas mágicas. Talvez as mais conhecidas pirâmides sejam as três construídas na quarta dinastia: a de Quéops, Quefren e Miquerinos, de Gizé, perto de Mênfis (então capital do Império).
A esfinge, com corpo de leão, cabeça e busto de mulher, com 19,8 metros de altura, também dessa época, já demonstra o gosto egípcio por esculturas em larga escala. Um exemplo mais típico de escultura do período é a enorme estátua do Rei Quefrem, na posição solene que seria outra marca registrada das representações de faraós do país: sentado, com ar de autoridade e poder e as mãos sobre o joelho.
A crença egípcia na vida após a morte, além de ter nos deixado as pirâmides, (e no casos dos mais abastados, que não eram faraós, as mastabas, ou túmulos de tijolos), ainda forneceu algumas representações de rostos com os aspectos essenciais da cabeça. Combinam uma rigidez geométrica ao naturalismo (não extremo), como demonstra um busto em rocha calcária encontrada num túmulo em Gizé e hoje no Museu Kunsthistorìsches, de Viena. A pedra calcária e a madeira eram os principais materiais com que as esculturas dessa época eram realizadas. 
As esculturas em relevo e as pinturas, principalmente decorando paredes de tumbas, também aparecem nesse período. Seus temas normalmente referiam-se à vida egípcia, como caçadas, pescas e o cultivo da terra, além de mostrar os animais característicos da região, revelando grande poder de observação. Um dado interessante nas pinturas era a extrema importância dada ao colorido.

Escultura Egípcia


Depois de um Período Intermediário, entre 2134 e 2065 a.C, após o enfraquecimento das dinastias do Antigo Império, começa o Médio Império, sob a liderança de Mentuhotep, tendo Tebas como a principal cidade. Estendeu-se de aproximadamente 2065 a.C. a 1785 a.C.. 
A arte, de uma maneira geral, manteve o estilo que se consolidou no Alto Império. Um exemplo da arte realizada nessa época pode ser dado pelas pinturas realizadas na parede do túmulo de Chnemhotep, cerca de mil e novecentos anos antes de Cristo, nas proximidades de Beni Hassan. Trata-se de um alto funcionário, sacerdote e amigo do Imperador, como se desprende pelos hieróglifos (escrita mais refinada egípcia, utilizada nos monumentos, com sinais da flora e fauna do país). Em tamanho maior que as outras representações da pintura, é mostrado do lado direito pescando, e do lado esquerdo, caçando aves perto de sua mulher, de sua concubina e de seu filho, em tamanhos menores. Chenemhotep novamente é representado em cima da porta, apanhando aves, agora com o auxílio de uma rede, utilizando-se de métodos de caçada egípcios. 
A composição e a ordem aqui presentes são uma marca da pintura egípcia. Nessa época, o granito já é o material predominantemente utilizado nas esculturas. É ainda contemporâneo ao período os colossos de Memnon e Ipsambul e os templos talhados na própria rocha.

Hieróglifos


O Novo Império estendeu-se entre 1580 e 1200 a.C.. Iniciou-se após a expulsão dos hicsos (povos asiáticos que invadiram o país a partir do delta do Nilo, redividindo o Império entre 1785 e 1580 a.C.) e o restabelecimento da autoridade do faraó. Um dos principais acontecimentos desse período foi a revolução religiosa e cultural promovida por Amenófis IV. Ao invés dos vários deuses que sempre governaram a vida egípcia, tentou instituir o culto a um único deus: Aton, que deveria ser representado como um sol. Mudou seu nome para Akhenaton e transferiu a capital do Império de Tebas para El-Amarna. 
A arte dessa época, que até então mantinha-se fiel às tradições do passado, foi bastante modificada. Tornou-se menos pesada e mais descritiva. As representações dos faraós, que mantinham-se praticamente inalteradas desde o começo da história do país, agora eram realizadas de uma maneira menos formal e solene, em poses mais relaxadas. Cenas como o faraó passeando com a esposa pelos jardins ou pondo a filha no colo eram encomendadas pelo governante, chocando os austeros padrões egípcios. É famoso o retrato de Amenófis IV, realizado em relevo num calcário que o mostra como um homem feio, com ênfase no queixo e lábios, numa representação muito provavelmente pouco idealizada e talvez próxima à face real do Imperador. O busto “Rainha Nefertiti“ - esposa desse faraó que muito o ajudou na implementação da reforma religiosa - é outra famosa representação do período, com uma graça e fluidez jamais vista na arte egípcia. 
Após sua morte, o reinado de seu filho Tutancâmon logo restabeleceu as antigas crenças (os sacerdotes obrigaram a mudar seu nome para Tutancâmon). Apesar disso, o estilo artístico da época anterior prosseguiu durante seu reinado. Em seu túmulo, encontrado intacto em 1922, pode ser encontrada a talha dourada pintada no seu trono, em que ele é mostrado numa cena doméstica com sua esposa, de uma maneira relaxada e tendo acima de sua cabeça a representação do Sol.
Entretanto, esse período foi bastante atípico na arte do Egito antigo e logo após Tutancâmon voltaram os padrões tradicionais de arte, consagrados desde a época Pré-Dinástica e o Antigo Império. Após o reinado de Ramsés II (aproximadamente 1200 a.C.), o Egito entra cada vez mais em decadência. Esse soberano é conhecido por suas construções, em especial seu próprio templo mortuário talhado em pedra e guardado por quatro estátuas, representando sua figura, de 18,3 metros. 
Os persas, o exército de Alexandre Magno e posteriormente os romanos acabaram por dominar definitivamente o Egito, que nunca mais teve um período de apogeu tão grande quanto o verificado nessa época histórica.

Ramsés II

Ramsés II, faraó que sucedeu ao pai, Sethi I. Reinou de 1301 a.C. a 1235 a.C. Subiu ao trono com pouca idade. Dedicou-se a um vasto programa de construções, entre elas os templos de Karnac, Lúxor e Abu-Simbel.
Tem-se dito algumas vezes que Ramsés II era o faraó mencionado no Êxodo da Bíblia, mas a veracidade dessa afirmação é duvidosa. A múmia de Ramsés II encontra-se preservada no Museu do Cairo, no Egito.
Ramsés foi um dos maiores faraós que o Egito já teve. Governou por 70 anos, talvez nenhum faraó tenha governado tanto. Foi um grande construtor e um grande lutador. Ficou famoso por causa da grande batalha de Kadesh.
O soberano egípcio queria tomar posse de terra que pertencia aos Hititas, chamada Kadesh, pela qual passavam as rotas mercantis para o Oriente. Para isso, liderou um exército enorme visando conquistá-la. Essa região na Síria, desde do faraó monoteísta Akhenaton, sofria com as tomadas de posse dos hititas e as retomadas dos egípcios.
Ramsés, ao completar 10 anos de idade, foi nomeado como comandante-chefe dos exércitos do seu pai, Set I, e aos 14 anos o jovem príncipe recebeu permissão para participar ao lado do faraó Set de combates na Líbia. Os dois conseguiram tomar a cidade hitita de Kadesh por um breve período, mas os inimigos a recuperaram logo que retornaram ao Egito. Antes da morte do seu pai, Ramsés, o novo faraó, jurou retomar Kadesh.
No quinto ano de seu reinado, Ramsés decidiu reconquistar a estratégica cidade hitita à frente de um exército de 20 mil homens, dividido em quatro partes, cada um com um nome de um deus, Amon, Rá, Ptah e Seth. Durante a batalha, o soberano se adiantou na frente de seu exército e levou a divisão de Amon. 
Ramsés II e seus homens foram surpreendidos pelo exército Hitita comandado pelo rei Mouwattali com 40 mil guerreiros . Graças à pronta chegada dos reforços que acompanhavam as forças principais por outra rota, o faraó conseguiu salvar-se, reorganizando as divisões e fazendo os hititas recuarem.
A batalha de Kadesh não teve vencido ou vencedor, e o norte da Síria continuou sob domínio hitita, com os quais o faraó envolveu-se em novo choques posteriormente.
O tratado definitivo entre egípcios e hititas só foi concluído no 34° ano do reinado de Ramsés, já no reinado do rei hitita Hattusil III, irmão de Mouwattali que se apoderou do trono expulsando o filho do antigo soberano. Pelo tratado, Ramsés teve que desposar a filha mais velha do astuto usurpador para selar a nova amizade.
Nessa época, o faraó já tinha como esposas a bela Nefertari e sua segunda esposa Istnofret, fora as mulheres do harém.
Após a batalha o faraó tratou de se promover. Foi elaborado um relato dramático sobre a batalha de Kadesh - exaltando a sua coragem e a intervenção de Amon-Rá para defendê-lo. Tal relato foi amplamente divulgado em templos (aparece 3 vezes no templo de Luxor), e em várias cópias em papiro (uma das versões foi compilada por um escriba que deu nome a composição: “poema de Pentaur”).
Para perpetuar essa "propaganda" maciça, Ramsés ordenou que fossem também feitas descrições da batalha nos templos em Abu Simbel ( A Montanha Pura).
Durante a construção dos dois templos em Abu Simbel , o Grande Templo, em homenagem a Ramsés, e o Pequeno Templo para a esposa Nefertari, centenas de operários tiveram que esculpir todo o templo na rocha de uma colina de arenito, um detalhe admirável, porque qualquer erro grave causaria o afundamento de toda a obra.
Desenhistas ficaram pendurados por andaimes para desenharem na rocha. Depois vieram os escavadores e esculpiram quatro estátuas colossais de Ramsés II. O santuário interno, escavado em uma sólida rocha, prolongando-se por 55 metros de profundidade, era o lugar mais sagrado do Grande Templo.
Nele, quatro estátuas, a do faraó e as de três deuses, estão sentadas. Duas vezes por ano, graças aos cálculos dos arquitetos, nos solstícios de verão, época da colheita, à medida que o Sol se levanta, seus raios brilham pelas paredes decoradas com as façanhas sangrentas da batalha de Kadesh e iluminam as estátuas divinas. A construção levou 20 anos.
O faraó construiu também outros templos afastados de qualquer cidade egípcia, mas que cruzavam o caminho dos estrangeiros. Sua intenção era mostrar a grandiosidade do Egito. Os templos ficam perto da margem do Nilo, ou seja quem subir o Nilo irá ver as estátuas do rei do Egito em seu trono. Ramsés só criou esses templos e outras obras como uma" propaganda" faraônica de seu poder.
Cada templo possuía o seu sacerdote designado pelo faraó que representava o rei nas cerimônias religiosas cotidianas. Em tese, o faraó deveria ser o único celebrante das cerimônias religiosas diárias que se desenrolavam nos diversos templos espalhados por todo o Egito. Na prática, o grão-sacerdote exercia esse papel. Para alcançar essa posição, tornava-se necessário uma longa educação nas artes e nas ciências, tal como o faraó possuía. Leitura, escrita, engenharia, aritmética, geometria, astronomia, medição de espaços, cálculo do tempo pela ascensão e ocaso das estrelas, faziam parte de tal aprendizado. Os sacerdotes de Heliópolis, por exemplo, tornaram-se guardiões dos conhecimentos sagrados e ganharam reputação de sábios.
Com o templo de Abu Simbel concluído, o faraó, então, levou sua amada esposa para admirá-los. Ele e Nefertari (sua esposa principal) eram mais que marido e mulher, ela era sua companheira inseparável que o ajudava a governar.
Mas para desespero do soberano ela morreu pouco depois. Para sua Nefertari construiu um dos mais lindos túmulos do Egito no Vale das Rainhas. E não deixou por menos para seus filhos, construindo um dos maiores túmulos do Egito no Vale dos Reis. Com sua querida esposa morta e com o passar dos pesados anos Ramsés mudou complemente seu jeito de governar. Ele parou de acompanhar seu exército em batalhas e a se dedicar em construir obras colossais. Passou o comando aos príncipes Ramsés e Khaemwaset, mas ambos morreram antes do pai tal como pelo menos dez outros filhos. Nessa ocasião, Merneptah, o filho mais novo de Istnofret, herdou o trono.
Ramsés morreu com aproximadamente 90 anos e gerou pelo menos 90 filhos. Quando estudaram a múmia de Ramsés, viram grandes problemas com seus dentes. Pode ser que tenha morrido por infecção. Sabe-se que nos seus últimos dias sofreu bastante.

Filhos de Ramsés

Em 1827, John Gardner, um dos fundadores da egiptologia, batizou a tumba KV5 - a quinta tumba encontrada no Kings`Valley, que até 1989 ficou esquecida.
Quando se pensava que nada mais restava a descobrir no Vale dos Reis, o egiptólogo Dr. Kent Weeks, professor de Egiptologia na Universidade Americana do Cairo, Weeks começou a cuidar do projeto de mapeamento - Theban Mapping Project e queria mudar a KV5 de lugar , não porque essa tumba contivesse tesouros - não havia nenhum - , mas por causa da ampliação de uma estrada que passava pela entrada do vale. As obras , provavelmente danificariam qualquer sepultura no caminho. Porém a KV 5 acabou se se revelando como a maior de todas as descobertas.
Em uma escaldante manhã de 1989, os trabalhadores retiravam os entulhos quando se depararam com uma enorme câmara com 16 pilastras. Weeks e sua esposa Susan examinaram um corredor de 30 metros que possuía várias portas e ao final uma enorme estátua de o deus da vida eterna, Osíris. 
Contudo, a maior de todas as surpresas estaria por vir: este era o sepulcro coletivo e inviolado de 50 múmias, todas relativas aos filhos do faraó Ramsés II. Escavações posteriores revelaram a existência de mais dois corredores, cada um deles com 16 outras portas seladas. E os arqueólogos acreditam que ainda possa existir um outro nível, situado bem mais profundamente e abaixo deste vasto complexo, onde talvez todas as múmias dos demais filhos possam vir a ser encontradas.

CUIDANDO DOS REIS

O professor Weeks, um dos principais pesquisadores na região, disse que a visita de 9 mil turistas diariamente estava começando a destruir as pinturas e tecidos dos túmulos que antes foram ocupados por Ramsés II, Seti I e Tutancâmon.
Os túmulos são iluminados por lâmpadas de 40 watts, aumentando a temperatura no que foram durante 30 séculos sagrados corredores escuros. Quatrocentos turistas ou mais por dia deixam para trás 28 mililitros de umidade - cerca de duas colheres de sopa - provenientes de respiração.
O Vale dos Reis é hoje um dos maiores pontos turísticos do Egito e o país espera que o número total de visitantes aumente na próxima década para 14 milhões por ano. O professor Weeks e seus colegas egípcios pretendem testar novas tecnologias de iluminação e criar ingressos com tempo limitado para visitas a qualquer túmulo.

Bibliografia

National Geographic

Coleção sobre Ramsés de Christian Jacq
Editora Bertrand Brasil e National Geographic (edição especial: antigo Egito)




TUTANCÂMON

Casado com uma filha de Akhenaton, Tutancâmon reinou logo depois do sogro, entre 1334 a.C. e 1325 a.C. Tinha apenas 9 anos quando se tornou faraó. Ele transferiu a capital para Mênfis, no norte, e restaurou os antigos cultos. Apesar de seu breve governo, Tutancâmon tornou-se um dos mais famosos faraós. E não porque tenha realizado qualquer grande feito, pois não teve tempo. É que seu túmulo foi o único a ser achado intacto pelo arqueólogo inglês Howard Carter, em 1922, após cinco anos de escavações.
Seu túmulo, descoberto em 1922 pelo arqueólogo britânico Howard Carter, não havia sido aberto desde os tempos antigos e ainda continha a maioria de seus tesouros. Vários aposentos do túmulo estavam repletos de objetos que haviam pertencido a Tutancâmon. 
Essas peças, inclusive o caixão interior de ouro maciço, encontram-se atualmente no Museu do Cairo. O corpo do rei, encontrado em um caixão triplo, foi devolvido ao túmulo.
Os sábios desconhecem a identidade dos antepassados de Tutancâmon. Muitos acreditam que ele era neto do rei Amenófis III e filho de Aquenáton. Outros sustentam que era genro ou irmão de Aquenáton, que havia feito de Áton, o Sol, o único deus do Egito. Inicialmente o nome de Tutancâmon era Tutancáton, que significava a vida de Áton é agradável. 
Os sacerdotes do deus Amon forçaram-no a abandonar a religião de Aquenáton e tomar o nome de Tutancâmon.
Tutancâmon tinha 8 ou 9 anos quando se tornou rei e seu reinado, sem importância, durou apenas nove anos. O ministro Ay, provavelmente seu avô ou tio-avô, serviu como co-regente. Ay sucedeu a Tutancâmon como rei e conduziu seu funeral até o Vale dos Reis. 
Depois da morte de Tutancâmon, sua viúva pediu ao rei hitita Xupiluliuma que lhe enviasse um de seus filhos para se casar com ela e dividir o trono. 
O rei enviou o príncipe Zananza, mas este foi interceptado e morto pelos egípcios. Consequentemente uma nova dinastia assumiu o trono.

SEMÍRAMIS

Rainha lendária da Assíria. Segundo a lenda, teria fundado a antiga cidade da Babilônia e conquistado a Pérsia (atual Irã) e o Egito. Era filha de uma deusa e um jovem sírio. Abandonada pela mãe, Semíramis foi alimentada por pombos. 
Transformou-se em uma bela mulher e casou-se com o rei Nino, da Assíria. Tornou-se rainha quando o rei morreu e venceu muitas batalhas, mas acabou destronada pelo filho. O historiador grego Heródoto (séc. V a.C.) menciona-a como rainha da Babilônia no séc. VIII a.C.

A CIVILIZAÇÃO DE MÉROE

Nas terras desérticas localizadas nos arredores do Nilo, no atual Sudão, chama a atenção um conjunto de mais de 200 pirâmides construídas pe...