Quanto mais o homem encontra meios diferentes para interagir com o meio em que sobrevive, mais desenvolve seu intelecto e transforma seu modo de pensar. Ao fazer História e ao passá-la a seus sucessores recorre a meios que, com o passar do tempo, foram modificados.
Na Europa, uma forte corrente de historiadores, adotou uma maneira de estudar e lecionar a História, o positivismo. Tinha por preocupação tornar a história algo mais comprovado e científico, pela busca incessante de fatos e pelo estabelecimento de relações preciosas entre o documento e a narração – ciência aplicada.
O positivismo, com a influência do Idealismo originou a História Tradicional apresentando o processo do conhecimento, no qual o aluno se mostra em sua passividade. Visava a obtenção de resultados claros, objetivos e completamente corretos. Seguidores desse movimento acreditavam num ideal de neutralidade, isto é, na separação entre pesquisador / autor e sua obra: esta, em vez de mostrar as opiniões e julgamentos de seu criador, retrataria de forma neutra e clara uma dada realidade a partir de seus fatos, mas em os analisar. Pode-se dizer que reduz o papel do homem enquanto ser pensante, crítico, para um mero coletor de informações e fatos presentes nos documentos.
Segundo Fustel de Coulanges, historiador francês, "Os fatos falam por si mesmos"; acreditavam ainda que os fatos possuem uma verdade implícita que aparece quando postos à tona. A História assume o caráter de ciência pura e exata, formada pelos fatos cronológicos e o que realmente significam em si. A objetividade, a minuciosidade, o detalhe e a dedicação impessoal, são grandes lições da escola positivista para o estudo de História.
Em contrapartida, surgiram duas novas correntes, que se opunham e criticavam o positivismo e, ora se conferenciavam em alguns pontos, ora divergiam, em outros, o marxismo e o grupo Annales. As duas correntes têm como ponto comum a crítica e rejeição de uma história ditam positivista e propõem uma renovação dos métodos históricos.
O marxismo fundamenta-se em dois elementos principais, o materialismo dialético e para o qual a natureza, a vida e a consciência se constituem de matéria em movimento e evolução permanente, e o materialismo histórico, para o qual o modo de produção é a base determinante dos fenômenos históricos e sociais, inclusive as instituições jurídicas e políticas, a moralidade, a religião e as artes. Segundo Karl Marx, a história é um processo de criação, satisfação, e recriação contínuas das necessidades são fixas e imutáveis. Quando pretendemos estudar a evolução da sociedade humana, temos que partir de exame empírico dos processos concretos da vida passa a ser descrito, a história deixa de ser uma coleção de fatos mortos ou uma atividade inventada de sujeitos inventados.
Fundamental, portanto para o marxismo, é a análise das condições materiais da existência numa dada sociedade. A corrente inovadora, os Annales, tinha como objetivo eliminar o espírito de especialidade, promover a pluridisciplinaridade, favorecer a união das ciências humanas, passar da fase dos debates teóricos para a fase das realizações concretas, nomeadamente os inquéritos coletivos no terreno da História Contemporânea. Condenam a falta de ambição dos historiadores "positivistas". Propunham uma história não automática, mas sim problemática; ressaltam a importância e a necessidade de uma história engajada, uma ciência humana constituída por fatos e textos, capazes de questionar e problematizar a existência humana. O historiador deve desenvolver seu trabalho, observando pelo menos três fronteiras de tempo: de curta, média e longa duração, pela impossibilidade de captar a multiplicidade do tempo social.
São etapas por que o estudo de História se desenvolveu, e passa por modificações continuamente, conforme a evolução do pensamento e as necessidades humanas; o homem é o ser mais imprevisível e mutável psicologicamente, podendo revolucionar a História toda, em um futuro bem próximo.
Alex Carvalho Bonardi
REFÊRENCIAS
BORGES, Vary P. O que é história. SP. Brasiliense, 1987.
BURKE, Perter (org.). A Escrita da História – Novas Perspectivas. São Paulo:
Editora Unesp, 1992.
FEBVRE, Lucien. Combates pela História. 3ª edição, Lisboa: Editorial Presença.
REIS, José Carlos. Tempo, História e Evasão. Campinas: Papirus Editora, 1994.
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