domingo, 27 de setembro de 2026

Heródoto (484 - 425 a. C.)

Geógrafo e historiador grego nascido em Halicarnassos, hoje Bodrum, cidade turca da Anatólia, Ásia Menor, considerado por alguns historiadores como o primeiro geógrafo verdadeiro. De origem aristocrática fugiu da terra natal quando esta foi anexada ao império persa e governada pelo tirano Lígdamo II. Refugiado em Samos, viajou pelas ilhas do mar Egeu e regiões vizinhas até voltar a Halicarnasso (454 a. C.) para participar da guerra de libertação e consequente incorporação à federação ateniense. 
Assim, Heródoto foi para o Egito, onde estudou a sua origem. Em seguida viajou pela Líbia, Fenícia e Babilônia, passando pela Pérsia, Macedônia, Trácia, Cítia.
Esta peregrinação lhe permitiu descrever o Egito para a posteridade com detalhes sobre o seu território, seus monumentos, seu povo, ídolos e religiões. Coube-lhe, ainda narrar com fidelidade as guerras médicas, concluindo com o choque fatal entre a Grécia e a Pérsia, em dialeto Jônico.
Contrário a alguns ensinamentos da Escola Jônica, viajou por todo o mundo grego (Europa e África), mas passou a maior parte da vida em Atenas, onde se tornou adepto da política de Péricles e foi amigo de Sófocles e participou da fundação da colônia grega de Túrio (443 a. C.), no sul da Itália, cidade onde inclusive viveria até sua morte. Relatou seus conhecimentos sobre as regiões visitadas em seu livro Histórias, dividida em nove volumes, abrangendo os dois séculos que precederam as guerras greco-pérsicas e relatando os principais episódios do conflito. 
A narrativa começa com Creso, rei da Lídia, termina às vésperas da guerra do Peloponeso, e inclui episódios que se tornaram clássicos, como Leônidas e a batalha das Termópilas, Salamina, Maratona etc. Escrevendo em jônio e no estilo de reportagem, foi o primeiro escritor em prosa e historiador do mundo ocidental. Fez uma pioneira e grande descrição do mundo antigo descrevendo o império persa, sua organização, seu exército e as diversas etapas de agressão às cidades gregas. 
Cada região do império é mostrada em detalhe, descrevendo com precisão assuntos como a religião, a história e as características étnicas de cada povo, tudo comprovado atualmente pela antropologia. 
Contribuiu, assim, com sua extensa obra, para o conhecimento de uma das mais importantes civilizações de todos os tempos, a grega clássica e, por isso, é chamado de o pai da história, denominação dada por Cícero. Aparentemente morreu em Turios. 
O modo de narrar deste pai da história alia a grandeza e a simplicidade. Os seus relatos, de linguagem musical e frase bem estruturada, são ricos de anedotas e estão cheios de vida. A sua obra denota uma filosofia da história em que as vicissitudes dos homens estão sujeitas à força incontestável do destino. Neste sentido, o universo de Heródoto está próximo do da tragédia. Em outros aspectos, Heródoto acompanhava as crenças de sua época, como por exemplo quando atribuía importância aos oráculos, prodígios e outras evidências da intervenção direta dos deuses na vida humana.


Nenhum comentário:

Os Paradigmas da História - Positivismo, Marxismo e Nova História

O ensino como um todo está passando por um período de transição, com muitos problemas e debates, sobre a importância do ensino, e o que real...