A denominação “concepção pedagógica tradicional” ou “pedagogia tradicional” foi introduzida no final do século XIX com o advento do movimento renovador que, para marcar a novidade das propostas que começaram a ser veiculadas, classificaram como “tradicional” a concepção até então dominante.
A constituição dos chamados nacionais
de ensino" data de inícios do século XIX. Sua organização inspirou-se no principio de que a educação é
direito de todos e dever do Estado. O direito todos à educação decorria do tipo de sociedade correspondente
aos interesses da nova classe que se consolidara no poder: a burguesia. Tratava-se. pois, de construir uma sociedade
democrática, de consolidar a democracia burguesa.
Para superar a situação opressão, própria do ''Antigo Regime", e ascender a um tipo de sociedade fundada no
contrato social celebrado "livremente" entre os indivíduos, era necessário vencer a barreira da ignorância. Só
assim seria possível transformar os súditos em cidadãos,
isto é, em indivíduos livres porque esclarecidos, ilustrados.
Como realizar essa tarefa? Através ensino. A
escola é erigida, pois, no grande instrumento para converter os súditos em cidadãos, "redimindo os homens de
seu duplo pecado histórico: a ignorância, miséria moral e
a opressão. miséria politica"
Ao entusiasmo dos primeiros tempos suscitado
pelo tipo de escola acima descrito de forma simplificada.
sucedeu progressivamente uma crescente decepção. A referida escola, além de não conseguir realizar seu desiderato de universalização (nem todos nela ingressavam e mesmo os que ingressavam nem sempre eram bem sucedidos)
ainda teve de curvar-se ante o fato de que nem todos os
bem sucedidos ajustavam ao tipo de sociedade que se
queria consolidar. Começaram, então, a se avolumar as
criticas a essa teoria da educação e a essa escola que
passa a ser chamada de escola tradicional.
A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor cuja função define-se por vigiar os alunos, aconselhá-los, ensinar a matéria e corrigi-la. A metodologia decorrente de tal concepção tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do professor, frequentemente expositiva, numa sequência predeterminada e fixa, enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização .
Valoriza o conteúdo livresco e a quantidade. O professor fala, o aluno ouve e aprende. Não propicia ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem, que é aceita como vinda de fora para dentro. Muitas vezes não leva em consideração o que a criança aprende fora da escola, seus esforços espontâneos, a construção coletiva.
A figura do professor como detentor do saber é uma força motriz nessas escolas.
A função primordial da escola, nesse modelo, é transmitir conhecimentos disciplinares para a formação geral do aluno, formação esta que o levará, ao inserir-se futuramente na sociedade, a optar por uma profissão valorizada.
Na maioria das escolas essa prática pedagógica se caracteriza pela sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o que torna o processo de aquisição de conhecimento, muitas vezes burocratizado e destituído de significação.
A postura da escola se caracteriza como conservadora. No processo de alfabetização, apoia-se principalmente nas técnicas para codificar/decodificar a escrita. A escrita espontânea da criança em fase de alfabetização não é levada em conta, sendo a cartilha sequencialmente seguida, a base do processo de alfabetização.
Assim, a expressão “concepção tradicional” subsome correntes pedagógicas que se formularam desde a Antiguidade, tendo em comum uma visão filosófica essencialista de homem e uma visão pedagógica centrada no educador (professor), no adulto, no intelecto, nos conteúdos cognitivos transmitidos pelo professor aos alunos, na disciplina, na memorização. Distinguem-se, no interior dessa concepção, duas vertentes: a religiosa e a leiga.
Concepção pedagógica tradicional religiosa
A vertente religiosa da pedagogia tradicional afunda raízes na Idade Média tendo como manifestação filosófica característica as correntes do tomismo e do neotomismo, referência fundamental para a educação católica. A pedagogia desenvolvida pelas escolas de confissão protestante também se insere nessa concepção, ainda que, como um movimento de reforma da Igreja Católica, o protestantismo participa do movimento de laicização, de crítica à hierarquia, de defesa do livre arbítrio que marcou a constituição da ordem burguesa.
Concepção pedagógica tradicional leiga
A vertente leiga da pedagogia tradicional centra-se na ideia de “natureza humana”. Diferentemente, portanto, da vertente religiosa que considerava a essência humana como criação divina, aqui a essência humana se identifica com a natureza humana. Essa concepção foi elaborada pelos pensadores modernos já como expressão da ascensão da burguesia e instrumento de consolidação de sua hegemonia. A escola surge, aí, como o grande instrumento de realização dos ideais liberais, dado o seu papel na difusão das luzes, tal como formulado pelo racionalismo iluminista que advogava a implantação da escola pública, universal, gratuita, leiga e obrigatória.
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