quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MESOPOTÂMIA

A Mesopotâmia é uma estreita faixa de terra situada na Ásia Ocidental, entre as mesetas do Irã, a Armênia, os desertos da Síria e da Arábia e o Golfo Pérsico. Seu clima é extremado com rigorosos invernos e ardentes verões. A parte sul, mais fértil, chamava-se Caldéia. Ao norte, numa região montanhosa, desolada, com escassas pastagens, encontrava-se a Assíria. A fertilidade do seu solo deve-se aos rios Tigre e Eufrates, que nascem nas montanhas da Armênia e deságuam no golfo Pérsico.

Os povos

A Mesopotâmia, durante muito tempo, foi o centro do mundo antigo, importante passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Mediterrâneo. Sempre esteve exposta à infiltração de nômades do deserto, montanheses rudes e povos indo-europeus. Sua história é uma sucessão de guerras, de invasões, de massacres, de dominações diferentes. Sucederam-se no domínio da ''terra entre rios'' sumérios, acádios, amoritas, cassitas, assírios e caldeus. Comecemos com os sumérios.

HISTÓRIA POLÍTICA

Sumérios:

As realizações Sumerianas - Os sumérios, de origem desconhecida, ocuparam o Sul do vale no início do terceiro milênio antes de Cristo. Pacíficos, desempenharam relevante sistema de escrita chamada ''cuneiforme''. Elaboram leis. Construíram casas de tijolos cozidos ao sol, aplicando o princípio do arco. Fundaram bibliotecas, escolas, cidades-estados. Dedicaram-se à agricultura, à indústria e ao comércio. Eram baixos, atarracados, com barba e cabelo raspados.
As cidades-estados - As mais notáveis cidades-estados fundadas pelos súmerios foram: Ur, Uruk e Lagash. Estas cidades, grandes centros mercantis, eram governadas por déspotas locais denominados ''patésis''. Estavam em freqüentes lutas pela imposição da supremacia. A mais importante de todas era Ur, opulenta e orgulhosa com seu poderio econômico. Com o declínio de Ur, Lagash tornou-se a cidade hegemônica. O progresso das cidades sumerianas foi interrompido pelas invasões de tribos seminômades, procedentes do deserto da Síria, entre as quais destaca-se a dos acádios.

Acádios:

Sagrão (2772 a 2717 a.C.) - Os acádios, semitas, estabeleceram-se ao Norte da Caldéia. Fundaram as cidades de Agadê, Sippar e, mais tarde, Babilônia. Dividiu-se a Mesopotâmia: ao Norte, o país de Acad, ao Sul, o país de Sumer. Lutam pela hegemonia as cidades sumérias e acádias, principalmente Ur e Agadê. Triunfou esta última.
O grande rei acádio guerreiro e conquistador, Sargão I, ''soberano dos quatro cantos da terra'', o primeiro monarca da história da Mesopotâmia, impôs o seu domínio. O poderio de Agadê é obra sua. depois da sua morte, novas invasões ocorreram.
Novas invasões Semitas - As cidades sumérias revoltaram-se. Lagash, sob o comando de Gudea, reconquistou o poder. Outros povos semitas atacaram a região: os guti. Semitas e sumérios se confundem. Dungi restaurou o poderio dos sumérios, que durou pouco tempo. A Mesopotâmia caiu sob o domínio dos amoritas, também semitas, fundadores do Primeiro Império Babilônico.

PRIMEIRO IMPÉRIO BABILÔNICO

Babilônia - Capital dos amoritas, era, até então uma pequena cidade do Eufrates. Tornou-se sede de poderoso império e grande centro comercial.

Hamurábi (1792 a 1750 a.C.) - O mais famoso soberano de Babilônia, foi o verdadeiro fundador do Império. Fortificou a capital, cercando-a com muralhas. Estendeu suas conquistas e realizou grandes obras públicas. Sua mais célebre realização é o ''Código de Leis'', o mais antigo código completo escrito que a História registra.

O Domínio Cassita - No começo do II milênio, o poderio babilônico foi sacudido por invasões de povos indo-europeus, provenientes da Ásia Central. Essas tribos bárbaras possuíam o cavalo e usavam o ferro. Destacaram-se os hititas, cassitas e militanos. Os cassitas estabeleceram-se nos flancos do Tigre. O cavalo por eles introduzido na região era chamado pelo povo ''animal das montanhas''. Babilônia caiu em seu poder e entrou em declínio. Com a decadência de Babilônia, um povo começou a erguer-se nos arredores de Assur: os assírios.

IMPÉRIO ASSÍRIO

Origens - Os assírios, semitas, rudes, nômades, pastores e caçadores, foram vassalos dos babilônios por muito tempo. As lutas contra os indo-europeus favoreceram a sua ascensão. Formaram um pequeno reino com sede em Assur transferida, mais tarde, para Nínive. A belicosidade do povo, a arides do solo e a explosão demográfica contribuíram para as conquistas assírias e a formação de um poderoso império. Os soberanos assírios que mais se destacaram na luta pela expansão foram: Teglatfalazar, conquistador de Babilônia, A Sagrão II, fundador da dinastia dos sargônidas, Senaqueribe e Assurbanipal.
Sagrão II (722 a 705 a.C.) - sucessor de Salmanasar V. Foi um dos últimos grandes reis da Assíria. Apoderou-se do trono pela violência. Destruiu Samaria, capital do Reino de Israel. Conquistou a Síria e fez do exército assírio notável instrumento de conquista. Seu filho, Senaqueribe, estabeleceu a capital em Nínive e continuou as conquistas militares. Dentre suas muitas conquistas estão a Babilônia, a Armênia e o antigo reino de Israel.

Assurbanipal (669 a 626 a.C.) - Grande guerreiro e administrador. Organizou a Biblioteca de Nínive.

Causas do Declínio - Muitos foram os fatores que contribuíram para o declínio do Império Assírio, destacando-se: o tratamento cruel e sanguinário aos vencidos, que eram cegados e esfolados vivos; pouco interesse pelas atividades econômicas; revoltas dos povos dominados; expedições militares dispendiosas; intrigas palacianas. Nabopolassar, de Babilônia, aliado aos medos, sitiou a odiada Nínive que caiu em 612 a.C. Surgiu o Segundo Império Babilônico.

SEGUNDO IMPÉRIO BABILÔNICO

Babilônia, Metrópole do Oriente - Com a queda de Nínive, o poder retornou a Babilônia, que se tornou a mais notável cidade do Oriente. O extraordinário progresso econômico permitiu o seu embelezamento: templos, palácios, muralhas e os famosos ''Jardins Suspensos''. No centro da cidade, erguia-se o ''Zigurat'', a grande torre do templo, onde os sacerdotes caldeus observavam os astros.

Nabucodonosor (604 a 561 a.C.) - Foi o mais célebre soberano dos caldeus. Estendeu as fronteiras do Império até o Egito. Aniquilou os fenícios. Subjugou os hebreus, levando-os como cativos para Babilônia. No seu reinado, Babilônia recebeu o título de ''Rainha da Ásia''. Depois da sua morte o Império Caldeu declinou.

O domínio Estrangeiro - Os sucessores de Nabucodonosor, déspotas sangüinários, viviam no luxo e no esplendor. Freqüentes eram as lutas internas. Estavam abertas as portas ao domínio estrangeiro. O Império Caldeu foi conquistado por Ciro, o Grande, rei persa, em 539 a.C. Mais tarde, chegaram os gregos, os romanos e os árabes.

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

O governo - A forma de governo dos assírios e caldeus era monarquia absoluta. O poder centralizava-se nas mãos do rei, chefe militar, administrador, legislador supremo, sacerdote máximo e supervisor das atividades comerciais. Não era considerado um ser divino, como no Egito. Mas um cerimonial minuciosos o separava dos mortais comuns.

ORGANIZAÇÃO SOCIAL

As classes sociais - A sociedade estava dividida em classes: nobres, sacerdotes versados em ciências e respeitados, comerciantes, pequenos proprietários e escravos.

RELIGIÃO

Mitos sumerianos - Os sumerianos eram politeísta e não acreditavam em recompensas após a morte. Visavam apenas a obter, através da religião, dádivas materiais e imediatas. Acreditavam que Marduk, depois de lutar contra os deuses invejosos, criou o mundo e o homem de barro com sangue de dragão. Conheciam o mito do dilúvio, mandado pelos deuses para castigar a humanidade. Guigamesh, orientado por Marduk, salvou-se recolhendo-se numa arca a sua família.

Os deuses - A religião dos babilônios tinha as seguintes características: politeísmo, desprezo pela vida além-túmulo, crença em gênios, demônios, heróis, adivinhações e magia. Seus deuses eram numerosos com qualidades e defeitos, sentimentos e paixões, imortais, despóticos e sangüinários. Anu, deus do céu; Enlil, deus do ar, Ea, deusa das águas, Sin, deusa da lua, Shamash, deus do sol e da justiça, Istar, deusa do amor e da guerra. Os sacerdotes se esforçam por agrupar os deuses em famílias ou ''tríades''. Cada divindade era uma força da natureza e do dono da sua cidade. Marduk, deus de Babilônia, o cabeça de todos, tornou-se deus do Império, durante o reinado de Hamurábi. Foi substituído por Assur, durante o domínio dos assírios. Voltou ao posto com Nabucodonosor.

Os gênios e a adivinhação - Os gênios bons ajudavam os deuses a defender-se contra os demônios, contra as divindades perversas, contra as enfermidades, contra a morte. Os homens procuravam conhecer a vontade dos deuses manifestada em sonhos, eclipses, movimento dos astros. Essas observações feitas pelos sacerdotes deram origem à astrologia.

ECONOMIA

A agricultura - Era a base econômica dos babilônios. A construção de canais era controlada pelo Estado. Cultivavam trigo, cevada, árvores frutíferas, legumes. Usavam o arado semeador, a grade e carros de rodas.

A indústrias - Era bem desenvolvida. Os artesãos fabricavam tecidos, ferramentas, armas, jóias, brinquedos, cerâmica.

O comércio - A situação geográfica, a pobreza de matérias-primas favoreceram os empreendimentos mercantis. As caravanas de mercadores iam vender seus produtos e buscar o marfim da Índia, o cobre de Chipre e o estanho do Cáucaso. As transações comerciais eram feitas na base de troca, usando-se também barras de ouro e de prata. Usavam recibos, escritas, cartas de crédito.

ARTES

A arquitetura - A mais desenvolvida das artes, porém não era tão notável quanto a egípcia. Caracterizou-se pelo exibicionismo e luxo. Construíam templos e palácios de tijolos, por ser escassa a pedra na região.
A Escultura e a Pintura - A escultura era pobre, representada pelo baixo-relevo. A pintura mural existia em função da Arquitetura.

CIÊNCIAS

A astronomia - Foi a principal ciência entre os babilônios. Notáveis eram os conhecimentos dos sacerdotes no campo do Astronomia. A torres dos templos serviam de observatórios. Previram eclipses. Distinguiram os movimentos dos planetas. Dividiram o ano em meses, os meses em semanas e as semanas em sete dias, os dias em doze horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos.

A matemática - Alcançou grande progresso entre os caldeus. São considerados os inventores da álgebra. Elaboraram tábuas correspondentes às tábuas de logaritmos atuais. Calcularam a hipotenusa. Inventaram medidas de comprimento, superfícies e capacidade de peso.

LETRAS

A literatura - Era pobre. Destacam-se apenas o ''Mito da Criação'' e a ''Epopéia de Guilgamesh''.
A escrita ''cuneiforme'', grande realização sumeriana, usada pelos sírios, hebreus e persas mais tarde, foi decifrada por vários investigadores, destacando-se Grotefend e Rawlison.
O código de Hamurábi - Não é original. É uma compilação de leis sumerianas mescladas com tradições semitas. Contém 282 leis, abrangendo os mais variados assuntos. Suas principais características são: pena de talião , isto é, ''olho por olho, dente por dente'', desigualdade perante a lei, divisão da sociedade em classes, igualdade de filiação na distribuição da herança.

CONTRIBUIÇÕES

· código de leis;

· sistema de escrita;

· estudo da Astronomia e da Matemática;

· calendário;

· princípio do arco nas construções;

· ciência militar;



Império Babilônico

O Império Babilônico compreende dois períodos distintos. O primeiro deles estende-se de 1728 a.C. a 1513 a.C. e o segundo, de 614 a.C. a 539 a.C. No intervalo entre eles, o império é arrasado por sucessivas invasões e domínios estrangeiros. 
A origem da civilização babilônica remonta à 3.000 a.C., com a chegada de povos semitas à Mesopotâmia, região entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque. Em 2.330 a.C. os semitas estabelecem como cidade hegemônica Akad, que dá nome aos acádios (seus descendentes), e ampliam seus domínios. Aproveitam-se da guerra entre as cidades-Estado sumérias de Lagash e Urdo e avançam sobre a Mesopotâmia meridional, Elam e parte da Ásia Menor, formando os Estados de Isin, Larsa e Babilônia.
O 1º Império Babilônico, uma monarquia hereditária, surge em 1.728 a.C., sob o reinado de Hamurabi (?-1.686 a.C.), sexto rei da primeira dinastia babilônica. Babel torna-se a capital do império e pólo econômico-cultural. Hamurabi cerca a capital com muralhas, impulsiona a agricultura e restaura os templos. Além disso, manda transcrever obras literárias mesopotâmicas para o acadiano e institui impostos em benefício das obras públicas. É autor do código jurídico mais antigo da História (o Código de Hamurabi ), que determina penas para infrações baseado na Lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”.
Com a morte de Hamurabi, o império sofre o impacto de sucessivas invasões e, em 1.513 a.C., é arruinado pelos hititas e assírios.
O poder da Babilônia renasce com a destruição dos assírios pelos medos, povo oriundo das margens do Mar Cáspio. Aliados dos medos, os caldeus aproveitam-se da vitória contra os assírios e recuperam o domínio babilônico a partir de 614 a.C. Nesse ano, Nabopalasar funda uma nova dinastia e inicia o 2o Império. 
O reinado do seu filho, Nabucodonosor (604 a.C.-562 a.C.), tem início em 604 a.C. Torna-se o principal soberano dessa segunda fase e transforma Babilônia na “rainha da Ásia”. Líder militar de grande energia e crueldade, ele aniquila os fenícios e obtém a hegemonia no Oriente Médio, com exceção do Egito. Na segunda metade do século VI a.C., conquista Jerusalém e realiza a primeira deportação de judeus para a Mesopotâmia, no episódio conhecido como o cativeiro da Babilônia. Com sua morte, após 42 anos de poder, o reino entra em declínio e, em 539 a.C., a Babilônia é conquistada por Ciro, rei dos Persas (559 a.C.-529 a.C.). Ele obtém uma aliança com as classes dominantes (comerciantes e sacerdotes), que aceitam a dominação estrangeira em troca da manutenção de seus privilégios.
China: Com dimensões continentais, a China é o país mais populoso do planeta. É famoso por sua cultura milenar, suas cidades e edifícios e pela Grande Muralha, construída entre 215 e 210 a.C. contra o avanço dos mongóis.
Alexandre, o Grande: Rei da Macedônia (356 a.C.-323 a.C.). Responsável pela unificação do mundo antigo sob a cultura grega. Filho do rei Felipe II e Olímpia, nasce em Pela, na Macedônia, região no norte da Grécia. Sob a influência do filósofo grego Aristóteles, seu preceptor dos 13 aos 16 anos, passa a apreciar Filosofia, Medicina e Ciências. Assume o trono aos 20 anos, após o assassinato do pai. 
Durante seus 13 anos de reinado, Alexandre, também conhecido como Magno (do latim, grande), cria o maior império territorial conhecido até então. Estabelece completo domínio sobre Grécia, Palestina e Egito , avança através da Pérsia e da Mesopotâmia e chega à Índia. Organiza o Império Macedônico em nove reinos, ou diádocos, considerados propriedades privadas. 
Funda mais de 70 cidades, entre elas Alexandria , localizada no delta do Rio Nilo , no Egito. Essas cidades funcionam como mercados de intercâmbio comercial com China, Arábia, Índia e interior da África. Suas conquistas e a criação dos reinos diádocos permitem a difusão cultural grega no Oriente. 
A fundação da Biblioteca de Alexandria, com 700 mil volumes, transforma a cidade num centro irradiador da cultura helenística, incentivando o florescimento da Geografia, Matemática, Astronomia, Medicina, Filosofia, Filologia e Artes. Morre aos 33 anos, na Babilônia.



ASSURBANIPAL

Assurbanipal, último grande rei dos assírios. Durante o seu reinado (668-627 a.C.), a Assíria viveu um grande esplendor político e cultural. Seu império incluía a Babilônia, a Pérsia, a Síria e o Egito.
Assurbanipal foi não só um guerreiro temido, como também um grande patrono das artes. Ele reuniu em seu palácio real – o Palácio de Nínive – uma imensa coleção de escritos sumérios, babilônios e assírios. Esta famosa biblioteca de placas de barro, que se encontra no Museu Britânico, é ainda o melhor guia para a história e a cultura da Antiga Mesopotâmia.
No fim de seu reinado, o Império Assírio desagregou-se. Uma década mais tarde, a Assíria cairia em mãos de babilônios e persas.

Assírios (1800 a 600 a.C.)


O poeta inglês Lorde Byron iniciou um de seus poemas, "A Destruição de Sennacherib", com "Os Assírios chegaram como um lobo a um curral.". 
Na plenitude de seu poder, os assírios estavam muito mais do que um lobo entre as ovelhas, embora sua reputação seja expandida através das várias referências a eles no Antigo Testamento e pelas cenas de batalha achadas em suas ruínas. Por um período, eles aceitaram o desafio de estarem rodeados por inimigos e se tornaram mesmo assim a força militar mais poderosa no mundo conhecido. As suas lendárias crueldades e selvagerias eram uma política deliberada que destinava-se a nutrir o temor dos inimigos e minimizar a ameaça de revolta dos seus escravos.

Localização


A Assíria estava localizada no norte da Mesopotâmia (moderno Iraque), junto ao rio Tigre. Foi popularizada após os Sumérios migrarem para o sul mas mesmo assim foi influenciada culturalmente e politicamente pelos Sumérios, primeiro povo mesopotâmico.

Capital


O capital da Assíria foi Assur na maioria de sua existência, mas se mudou para outros locais quando os reis construíam novos palácios. Outras cidades importantes e capitais da civilização assíria eram Nínive, Arbela, Khorsabad, e Nimrud.

Ascensão e apogeu


Por volta de 2000 a.C., a Assíria foi invadida por bárbaros semitas chamados de Amoritas. Antes de 1800 a.C., um rei Amorita dos assírios tinha estabelecido o controle da maioria do norte da Mesopotâmia. Seu poder foi muito breve, devido ao crescimento da Babilônia por Hamurábi.
O período de 1363 a 1000 a.C. foi conhecido como o Império Assírio Mediano. Vários poderosos reis reafirmaram a soberania assíria, e então, começaram a invadir impérios vizinhos. Os assírios evitaram seu declínio em um forte desastre em 1200 a.C., talvez porque tinham inovado com novas táticas militares e armas que os reinos mais antigos não adotavam. Foi na antiga Idade das Trevas que os assírios prosperaram. Antes das 1076 a.C., Tiglapileser já tinha alcançado do oeste do mediterrâneo.
O Novo Império Assírio, 1000 a 600 a.C., foi o cume das suas conquistas. Seu império expandiu-se até a ponta do Golfo Pérsico, pelas regiões do Crescente Fértil ( o crescente fértil é justamente a região que se engloba as antigas civilizações, no Oriente Próximo), por Damasco, Fenícia, Palestina e ao sul, pelo Egito até Tebas. A fronteira noroeste do domínio eram as Montanhas de Taurus, na moderna Turquia.

Economia


A economia assíria estava baseada na agricultura e nos rebanhos, mas os assírios também lucraram por estarem situados em algumas importantes rotas de comércio. Eles não davam prioridade ao comércio, por isso, talvez só lucravam com os impostos que cobravam para que os comerciantes atravessassem seus territórios. Durante o período do Novo Império, eles ganharam impostos e tributos que arrecadavam de suas várias províncias e colônias, incluindo até mesmo o Egito durante alguns anos.

Religião e cultura


A religião assíria foi influenciada fortemente pelos seus antecessores da Mesopotâmia, principalmente a civilização Suméria. Seu principal deus era Assur, de quem sua cultura e cidade herdaram o nome. Seus templos eram grandes zigurates, construídos de tijolos de argila.
A atividade principal dos ricos estavam em caçar de carruagens, destinando-se para o aprimoramento na guerra como em uma atividade cultural. Apesar da sua assombrosa reputação, os assírios tinham uma forte cultura. Eles escreviam usando formas cuneiformes e enfeitando suas cidades com vários monumentos, construções de pedras e esculturas.

Governo


O rei era o principal administrador do governo, apoiado por governadores provincianos locais. O palácio era a sede do governo. Conselheiros eram consultados para prognosticar decisões importantes antes delas serem tomadas.
Províncias e colônias pagavam impostos e tributos na forma de comida, bens, ouro, trabalho, materiais militares e soldados para o exército. Uma rede extensa de estradas e depósitos de grãos foi construída durante o Império Novo para fazer correr rapidamente a comunicação e os exércitos que se moviam para conter rebeliões.

Arquitetura


Os assírios construíram em uma larga e pródiga quantidade, usando principalmente tijolos de barro, mas também pedras que estavam disponíveis no sul. Vários reis do Novo Império construíram palácios extensos e os decoraram com os saques das guerras e os tributos pagos pelas colônias. Os palácios também estavam enfeitados com estátuas de pedras, jardins extensos e riachos artificiais. Um ornamento decorativo comum era o lamassu: uma criatura híbrida, parte touro e parte humana.

Exército


Os primeiros exércitos assírios eram camponeses com lanças. Seguindo uma série de reformas militares por volta de 800 a.C., como o emprego do exército permanente de recrutas e efetivos. Este exército estava melhor armado, blindado e mais bem preparado que a maioria de seus inimigos, dando isto vantagens importantes. Os benefícios dos exércitos do Império Novo foi o emprego do ferro em espadas e armaduras.
Os assírios estavam entre os primeiros em adotar o conceito do exército integrado composto por uma infantaria de choque, apoiado por tropas de flechas em carruagens e cavalaria. O exército era capaz de lutar nas planícies onde carruagens e cavalaria eram de máxima importância, como também em terrenos ásperos onde cavalos e carruagens tinham pouco uso. Eles faziam batidas regularmente ao norte e leste contra bárbaros que se posicionavam como ameaça. A elite do exército foi por muitos anos cavaleiros em bigas, quando seguiu para a cavalaria, pois as carruagens se tornaram obsoletas.
Os assírios eram especializados em saquear cidades muradas. Seus registros históricos recontam numerosas cidades assaltadas e as brutalidades que as seguiram. Eram destruídas frequentemente e totalmente cidades que não se submetiam a eles. Os habitantes ou eram chacinados ou enviados ao império como escravos.

Declínio e Fim


As políticas severas de submissão e a alta taxa de tributos e impostos fizeram os assírios serem mestres da impopularidade. Apesar da ferocidade das suas represálias, colônias se revoltaram continuamente. Reis mais fracos não puderam unir o império em face da pressão interna e externa. Em 612 a.C., a capital a Nínive caiu a uma invasão babilônica aliados aos Medos. Os babilônicos estavam em revolta (a Babilônia tinha sido saqueada em 648 a.C.) e o Medas (do Irã ocidental moderno) estavam buscando a vingança pelas invasões assírias passadas em suas terras.
O último exército assírio foi derrotado logo depois disso pela mesma invasão e os assírios como uma cultura distinta, desapareceu neste estágio da Idade Antiga.

Legado


Dos assírios recordam-se suas inscrições orgulhosas ao seu respeito e as referências bíblicas como guerreiros ferozes. Se eles de forma importante eram mais brutais que o normal durante a época, isto não é evidente.
Por vários séculos, entretanto, eles eram o maior poder militar no mundo civilizado. Os seus exércitos eram inovadores e parecem ter estado entre os primeiro em usar a cavalaria pesada. Eles influenciaram certamente os exércitos Persas que os seguiram.
Não se conhece nenhuma contribuição inovadora na tecnologia, filosofia, artes ou ciência. Suas cidades hoje não passam de pilhas de pedras e não deixaram tesouros fabulosos que possam ser comparados com os egípcios ou com os gregos.


A Arte Mesopotâmica


INTRODUÇÃO


Entendemos por povos mesopotâmicos, as civilizações que se desenvolveram na área das terras férteis localizadas entre os rios Tigre e Eufrates, denominada comumente “Mesopotâmia”. Entre eles estão os sumérios, os assírios e os babilônicos.
A arte mesopotâmica era mais prática do que estética: glorificava o poder religioso e político do momento. O templo e o palácio eram as principais construções. As paredes, de adobe ou tijolo, eram recobertas de mármore, azulejos e pinturas. Muitas tinham frisos em alto-relevo, representando façanhas dos reis. Também se encontram relevos nas estelas ou lápides comemorativas como a de Hamurabi e a de Naram-Sim. É uma arte sólida e monumental, que introduziu o uso do arco e da abóbada.
As principais manifestações da arquitetura mesopotâmica eram os palácios, em geral muito grandiosos; como havia pouca pedra, as paredes tinham que ser grossas, pois eram feitas de tijolos. Os templos possuíam instalações completas, com aposentos para os sacerdotes e outros compartimentos. Um traço característico dessa arquitetura era o “Zigurate”, torre de vários andares, em geral sete, sobre a qual havia uma capela, usada para observar o céu.
Os escultores representavam o corpo humano de forma rígida, sem expressão de movimento e sem detalhes anatômicos. Pés, mãos e braços ficavam colados ao corpo, coberto com longos mantos; os olhos eram completados com esmalte brilhante. As estátuas conservavam sempre uma postura estática ante a grandiosidade dos deuses. As figuras esculpidas em baixo-relevo se caracterizavam por um grande realismo.
Na pintura, os artistas se utilizavam de cores claras e reproduziam caçadas, batalhas e cenas da vida dos reis e dos deuses. A produção de objetos de cerâmica alcançou notável desenvolvimento entre os persas, que utilizavam também tijolos esmaltados.

Arte e Arquitetura da Mesopotâmia 


Arte e arquitetura da Mesopotâmia, foi o conjunto de obras realizadas pelas civilizações do antigo Oriente Médio que habitaram a região compreendida entre os rios Tigres e Eufrates, atual Iraque, desde a pré-história até o século VI a.C. As terras baixas da Mesopotâmia abarcam a planície fértil, porém seus habitantes tiveram que enfrentar o perigo das invasões, as extremas temperaturas atmosféricas, os períodos de seca, as violentas tormentas e os ataques das feras. Sua arte reflete, ao mesmo tempo, sua adaptação e seu medo destas forças naturais, assim como suas conquistas militares. Estabeleceram núcleos urbanos nas planícies, cada um dominado por um templo, que foi o centro do comércio e da religião, até que foi desbancado em importância pelo palácio real. O solo da Mesopotâmia proporcionava o barro para o adobe, material de construção mais importante desta civilização. 
Os mesopotâmicos também fizeram a cozedura da argila para obter terracota, com a qual fizeram cerâmica, esculturas e tábuas para a escrita. Conservaram-se poucos objetos de madeira. Na escultura, empregaram ainda basalto, arenito, diorita, alabastro e alguns metais, como o bronze, o cobre, o ouro e a prata, bem como o nácar e as pedras preciosas nos trabalhos mais finos e de incrustação. Pedras como lápis-lazúli, jaspe, alabastro e hematitas foram igualmente usadas nos selos cilíndricos, marca pessoal usada em correspondências e documentos. A arte da Mesopotâmia abrange uma tradição de 4.000 anos que, em estilo e iconografia, é aparentemente homogênea. De fato, foi criada e mantida pelas ondas de povos invasores, diferentes tanto étnica como linguisticamente. Até a conquista pelos persas, no século VI a.C., cada um desses grupos fez sua própria contribuição à arte mesopotâmica. 
O povo sumério foi o primeiro a controlar a região e desenvolveu a arte, seguidos pelos acádios, os babilônios e os assírios. O controle político mesopotâmico e suas influências artísticas se estenderam às culturas vizinhas, chegando inclusive, em certas ocasiões, a regiões tão distantes como a costa sírio-palestina, de modo que também os motivos artísticos dessas áreas longínquas influíram nos centros mesopotâmicos. Além disso, os demais povos que invadiram o local recolheram tradições artísticas mesopotâmicas.

O PERÍODO PRÉ-HISTÓRICO


Os períodos neolítico e calcolítico da arte mesopotâmica (c. 7000 a.C.-c. 3500 a.C.), anteriores à aparição definitiva da escrita, são designados pelo nome de seus depósitos arqueológicos: no norte, Hassuna, onde têm sido achadas algumas moradas e cerâmicas pintadas; Samarra, cujos desenhos abstratos e figurativos das cerâmicas parecem ter significado religioso; e Tell Halaf, onde se fez cerâmicas decoradas e estatuetas de mulheres sentadas, interpretadas como deusas da fertilidade. 
No sul, os primeiros períodos recebem as denominações de El-Obeid (c. 5500-c. 4000 a.C.) e antigo e médio Uruk (c. 4000-c. 3500 a.C.). A cultura de El-Obeid se caracteriza pela cerâmica brilhante decorada em negro encontrada na localidade, ainda que existam exemplos posteriores em Ur, Uruk, Eridu e Uqair. Também surgiram nessa época os zigurates, ou torres escalonadas, típicas construções religiosas da Mesopotâmia.

O PERÍODO PROTODINÁSTICO OU ÉPOCA DO DINÁSTICO ARACAICO


A primeira época histórica do domínio sumério se estendeu aproximadamente de 3000 a.C. até 2340 a.C. Ao mesmo tempo que continuaram as antigas tradições construtivas, introduziu-se uma nova tipologia arquitetônica: o templo oval, recinto com uma plataforma central que sustenta um santuário. As cidades-estado, dirigidas por governantes ou soberanos que não eram considerados seres divinos, localizavam-se em Ur, Umma, Lagash (atual Al-Hiba), Kis e Eshnunna (atual Tell Asmar). Muitos dos objetos feitos nesse período são comemorativos: relevos que descrevem cenas de banquetes, celebrações de vitórias militares ou construções de templos. Vários deles, como a esteira de calcário litográfico do rei Eannatum de Lagash, eram utilizados, frequentemente, como limites. Nos selos cilíndricos talhados, assim como na escultura de metal, os temas mitológicos são os motivos mais comuns de representação. Num grande relevo em cobre do templo de El-Obeid (c. 2340 a.C.), uma águia com cabeça de leão e asas estendidas se lança sobre dois cervos. As figuras, metade homem, metade touro, foram motivos destacados. A escultura suméria, geralmente de alabastro, exibe uma grande variedade de estilos e algumas de suas formas geométricas são muito expressivas. Incluem figuras de oferendas, sacerdotes ou governantes, algumas do sexo feminino. 
No templo de Abu, em Tell Asmar, foram encontradas 12 delas. Estas esculturas de pedra (c. 2740 a.C.-2600 a.C.), com seus braços dispostos diante do peito com as mãos juntas, têm olhos enormes, redondos e saltados, de olhar fixo, feitos com conchas marinhas e calcário negro. A arquitetura desse período, em Mari (atual Tell Hariri, Síria), mostra influências da área ocidental da Mesopotâmia.


O PERÍODO ACÁDIO


Os povos semitas acádios alcançaram gradualmente o domínio da zona em fins do século XXIV a.C. Durante o reinado de Sargon I o Grande, aproximadamente entre 2335 a.C. e 2279 a.C., estenderam seu domínio sobre a Suméria, unificando toda a Mesopotâmia. Ainda que subsistam poucos vestígios de sua arte, os restos conservados são dotados de excelência técnica e forte energia. 
Nas cidades acádias de Sippar, Assur, Eshnunna e Tell Brak e em sua ainda não encontrada capital, Acad, o palácio era o edifício mais importante, em substituição ao templo. Uma magnífica cabeça de cobre de Nínive, que representa, provavelmente, Naramsin, enfatiza a nobreza dos soberanos acádios, que assumiram o aspecto de semideuses.

O PERÍODO NEO-SUMÉRIO


Depois de um século e meio, o império Acádio caiu sob o domínio dos gutis, povos nômades que não centralizaram seu poder. Isto permitiu que as cidade sumérias de Uruk, Ur e Lagash se reorganizasse, iniciando o período neo-sumério ou terceira dinastia de Ur (c. 2121-2004 a.C.). Em Ur, Eridu, Nippur e Uruk, foram construídos impressionantes santuários, que incorporavam zigurates feitos com tijolos e adobe.

PERÍODO ARCAICO BABILÔNIO OU PERÍODO PALEOBABILÔNICO


Após o declive da civilização suméria, a Mesopotâmia foi uma vez mais unificada por governantes semitas (c. 2000-1600 a.C.), como Hamurabi da Babilônia. De Mari procede a arte mais original desse período, incluindo arquitetura, escultura, artesanato em metal e pintura mural. Os pequenos frisos de Mari e de outras cidades mostram cenas da vida cotidiana, com músicos, lutadores, carpinteiros e camponeses. Tais representações são muito mais reais que as da solene arte religiosa ou oficial. 
Os casitas, de origem mesopotâmica, que apareceram na Babilônia pouco depois da morte de Hamurabi, no ano 1750 a.C., substituíram os governantes anteriores até 1600 a.C. e adotaram a cultura e a arte mesopotâmicas. Os elamitas do oeste do Irã destruíram o reino casita em 1150 a.C. e sua arte parece uma imitação rudimentar dos primeiros estilos mesopotâmicos.

O IMPÉRIO ASSÍRIO


A história da arte primitiva assíria data do século XVIII ao XIV a.C., mas é pouco conhecida. A arte do período assírio médio ou mesoassírio (1350 a.C. a 1000 a.C.) mostra sua dependência das tradições estilísticas babilônicas. Os temas religiosos são apresentados de uma forma solene e as cenas profanas, de maneira mais naturalista. O zigurate foi a principal forma de arquitetura religiosa assíria e o uso de tijolos vitrificados policromáticos, muito comum nessa fase. A arte assíria genuína teve sua época fulgurante no período neoassírio ou período assírio tardio (1000-612 a.C.). Com Assurbanipal II, que converteu a cidade de Nimrud (antiga Calah da Bíblia) em capital militar. 
Dentro de seus muros, encontravam-se a cidadela e as principais construções reais, como o palácio do noroeste, decorado com esculturas em relevo. Sargon II, que reinou entre 722 e 705 a.C., criou uma cidade de planta nova, Dur Sharrukin (atual Jorsabad), que estava rodeada por uma muralha com sete portas, três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior, erguia-se o palácio de Sargon, um grande templo, as residências e os templos menores. Seu filho e sucessor, Senaqueribe, que reinou entre os anos de 705 e 681 a.C., mudou a capital para Nínive, onde construiu seu próprio palácio, o qual denominou “palácio sem rival”. 
Os assírios adornaram seus palácios com magníficos relevos esculturais. A arte dos entalhadores de selos do último período assírio é uma combinação de realismo e mitologia. Mesmo nas cenas naturalistas, aparecem símbolos dos deuses. Datam desse período, em Nimrud e em Jorsabad, fabulosas esculturas de marfim. Na primeira, foram encontradas milhares de pequenas figuras de elefantes, que manifestam uma grande variedade de estilos.

AS ARTES SÍRIA, FENÍCIA E PALESTINA


Por encontrarem-se a Síria, a Fenícia e a Palestina na rota terrestre entre a Ásia Menor e a África, a arte antiga destas regiões mostra a influência dos povos que as conquistaram, as atravessaram ou comercializaram com seus habitantes. Foram encontrados selos cilíndricos mesopotâmicos do período artístico Jemdet Nasr tanto na cidade israelense de Megido como em Biblos, capital da Fenícia. 
Posteriormente, os hurritas do norte da Síria especializaram-se no estalhe desses selos. A cerâmica, os trabalhos em pedra e os escaravelhos do século XXIX a.C. foram influenciados pela arte egípcia. As estatuetas de bronze encontradas em Biblos, assim como os punhais e outras armas cerimoniais, do início do segundo milênio a.C., são já marcadamente fenícios. Ainda que os motivos utilizados pelos artistas locais procedam de mais além do que de sua região imediata (Creta, Egito, Império Hitita e Mesopotâmia), a técnica empregada nos objetos artísticos encontrados em Biblos e Ugarit, com todo seu significado cultural, é especialmente fenícia. 
Os ourives fenícios foram adestrados artesãos, porém a qualidade de seu trabalho dependia da sensibilidade da clientela. Quiçá graças à competência egípcia, o trabalho em marfim foi sempre excelente. Os fenícios venderam suas mercadorias por todo o Oriente Médio e a expansão de sua iconografia e de seu alfabeto podem ser atribuídos ao fato de terem sido grandes comerciantes da Antiguidade.

O PERÍODO NEOBABILÔNICO


A criatividade neobabilônica se manifesta em sua arquitetura, principalmente na Babilônia, capital do reino, que alcançou seu máximo esplendor entre 626 a.C. e 539 a.C. Essa enorme cidade, destruída em 689 a.C. por Senaqueribe, rei da Assíria, foi reconstruída por iniciativa do rei Nabopolasar e de seu filho Nabucodonosor II. Esagila, o templo de Marduk, foi seu edifício mais notável, juntamente com Etemenanki, um zigurate, aproximadamente de sete andares, conhecido mais tarde como a Torre de Babel. Também se sobressaía o palácio de Nabucodonosor II, uma das sete maravilhas do mundo. 
A Porta de Istar (c. 575 a.C.) é uma das poucas estruturas conservadas. O último rei babilônio, Nabônido, cujo reinado se estendeu entre os anos 556 a.C. e 549 a.C., reconstruiu a antiga capital suméria de Ur, incluindo o zigurate de Nanna, que competia em esplendor com o zigurat de Etemenanki, na Babilônia. No ano de 539 a.C., o reino neobabilônico caiu sob o domínio de Ciro o Grande, rei aquemênida dos persas.






A civilização do Indo

Uma das quatro primeiras grandes civilizações do mundo. Surgiu por volta de 2700 a.C., ao longo do vale do rio Indo, onde hoje estão o Paquistão e o oeste da Índia. Essa civilização, também denominada harappa, floresceu por quase mil anos até ser devastada pelos arianos. Seus habitantes eram os drávidas, um povo de pele escura que vivia em cidades prósperas e bem organizadas.
Escavações arqueológicas revelaram que a civilização do Indo se estendia por cerca de 1.600 km, dos sopés dos montes do Himalaia até o oceano Índico. Suas maiores cidades eram Mohenjo-daro, no rio Indo, e Harappa, no rio Ravi, um afluente do Indo. Havia também centenas de povoações menores, como aldeias agrícolas, portos marítimos e postos de comércio.

Cultura do Indo


Essa civilização planejava suas cidades cuidadosamente. As ruas eram bem traçadas, havia rede de esgotos e sistema de fornecimento de água. Suas casas eram de tijolos e argila. O povo do Indo estocava cereais em grandes armazéns e possuía um sistema de pesos e medidas. Eles negociavam com os povos da Mesopotâmia, da Ásia Central, do sul da Índia e da Pérsia. Também fabricavam utensílios em cerâmica e ferramentas em cobre e bronze. Utilizavam um sistema de escrita ainda não decifrado pelos estudiosos.

Declínio da Civilização


Os historiadores não sabem ao certo as causas do declínio e desaparecimento da civilização do Indo. Alguns estudos apontam a ocorrência de catástrofes naturais, como uma prolongada enchente em Mohenjo-daro e em extensas áreas do baixo Indo, além de mudança nos cursos dos rios. Essa alteração pode ter causado a perda do suprimento regular de água. Enfraquecidos, os drávidas não conseguiram resistir aos ataques de invasores provenientes da Ásia Central, os arianos. Por volta de 1750 a.C., esses povos destruíram a civilização do Indo.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Império Egípcio e a hierarquia social

Por volta de 3000 a.C., o Alto e o Baixo Egito, dois reinos vizinhos localizados em torno do rio Nilo, foram unificados por um chefe político chamado Narmer (ou Menés). Ele se tornou o primeiro rei do Egito, do ou faraó, como os egípcios chamavam seus monarcas.
O faraó não era visto apenas como um líder político, mas como uma divindade ou a encarnação divina na Terra. Para os egípcios, não havia separação entre política e religião; por isso, eles criaram um Estado teocrático.
A partir de 2700 a.C., a concentração do poder do faraó se intensificou, e os chefes locais, chamados nomarcas, perderam sua autonomia. Com o Estado fortalecido, os faraós expandiram sua influência em torno do rio Nilo graças a um exército poderoso, administradores preparados e uma classe de sacerdotes. Em seguida, ocorreram as grandes conquistas territoriais: o Império Egípcio avançou sobre vastas regiões na África, expandiu-se para o Oriente Médio e se tornou conhecido em todo o Mediterrâneo.
A sociedade egípcia baseava-se na exploração do trabalho agrícola de camponeses, servos e escravizados, que compunham a imensa maioria da população e eram obrigados a entregar parte de sua produção na forma de tributos para os administradores do faraó, os escribas.
Havia uma hierarquia social rígida, com o faraó e os sacerdotes no topo, seguidos dos nobres (ligados ao faraó), dos militares e dos funcionários do Estado. Na base da hierarquia, estavam os artesãos, os camponeses, os servos e os escravizados.
A propriedade passava pela linhagem feminina, de mães para filhas, e as mulheres não dependiam legalmente dos homens para fazer negócios ou tomar qualquer decisão. Mas, na visão de mundo egípcia, cabia às mulheres gerar, curar e manter o equilíbrio da família; enquanto aos homens cabia julgar, guerrear e liderar.

A vida dos camponeses e dos servos


No Egito antigo, a população pobre e camponesa vivia em casas construídas de madeira, junco e barro, nos locais mais elevados e distantes das áreas de inundação do rio Nilo e seus afluentes.
Em geral, as casas não tinham móveis ou divisões internas, apenas esteiras e utensílios de cozinha.
A base da alimentação era o pão, combinado com diversas verduras e legumes (vagens, cebolas e lentilhas), leite e peixes. Os homens vestiam-se com um tecido ajustado à cintura, as mulheres usavam túnicas, e as crianças, geralmente, ficavam nuas.
O trabalho nas lavouras de trigo, linho e cevada obedecia aos períodos anuais de cheias do Nilo.
Nas entressafras, camponeses e escravizados eram convocados para trabalhar na construção de grandes obras, como represas, templos e pirâmides. Os artesãos também formavam a base da sociedade egípcia, mas, em geral, tinham melhores condições de vida: suas casas, por exemplo, eram feitas de tijolos de barro sobre fundações de pedra.
O casamento entre os pobres não era realizado em cerimônias oficiais, mas o casal que decidia morar junto dava uma festa para a comunidade. As separações entre casais também não envolviam juízes ou sacerdotes. Tanto mulheres quanto homens podiam se casar novamente e construir novas famílias, que se integravam à anterior.
Na morte, o destino dos camponeses não era muito favorável. Ser sepultado sem oferendas e alimentos podia transformar a alma em uma entidade maligna no mundo dos espíritos. Por isso, havia especialistas em sepultamento que ofereciam alternativas mais baratas para realizar a mumificação e fabricar um sarcófago. Na melhor das hipóteses, para um camponês, a vida depois da morte significava continuar seu trabalho no outro mundo.

Escravos


Originários da escravidão por dívidas e da dominação de outros povos através das conquistas militares. Faziam os serviços domésticos e também trabalhavam nas pedreiras e nas minas. Eram, em geral, bem tratados. Naquela época, os egípcios ofereciam certa segurança a seus escravos, o que não era comum entre os povos primitivos. Foram duramente forçados ao trabalho nas grandes construções, como as pirâmides, por exemplo.
Na sociedade egípcia desenvolveu-se o chamado modo de produção asiático, em que todas as terras pertenciam ao Estado e os camponeses das aldeias tinham o direito de cultivar o solo desde que pagassem um imposto coletivo. Esse imposto era pago com cereais, que eram estocados nos armazéns reais. Nessa sociedade, a base da economia era a agricultura. Cultivavam-se principalmente trigo, cevada, frutas, legumes, linho e algodão. Dentre outras atividades destacamos o comércio a indústria artesanal de tecidos e de vidro, a construção de navios, a cerâmica e a criação de bois, carneiros, cabras, asnos etc. O Estado intervinha na economia controlando a produção, recrutando mão-de-obra e cobrando impostos.

Fotografia de 1979 que mostra vestígios da vila de Deir Almedina, no Egito, onde moravam os artesãos responsáveis pela construção das tumbas do Vale dos Reis, entre 1550 a.C. e 1069 a.C.

A religiosidade egípcia


A religiosidade marcava o cotidiano dos egípcios, que eram politeístas. Eles acreditavam que a terra do Egito tinha sido criada por Nun, o deus que representava o líquido que deu origem ao universo. Esse líquido era associado às águas do Rio Nilo. Para eles, o deus Khnum e suas esposas Satis e Anuket eram responsáveis pela fertilidade do solo das margens do Rio Nilo. Os antigos egípcios adoravam ainda várias outras divindades, como Anúbis, Ísis e Tot. O nome e as características de cada deus podiam variar de uma região para outra. Muitos tinham características de ani mais e em cada cidade era adorado um ou mais deuses. Os egípcios pensavam que, se alguém contrariasse as divindades, uma severa punição poderia se abater sobre esse indivíduo, sua família e até sobre todo o Egito. Eles também acreditavam na vida após a morte. Essa crença era expressa em práticas como a da mumificação.

Sistemas de escrita no Egito antigo


No Egito havia três sistemas de escrita. O mais antigo, formado por volta de 4000 a.C., combinava símbolos que representavam ideias (ideogramas) e outros que representavam sons (fone mas). Esse sistema era usado em inscrições em monumentos, templos, túmulos e documentos oficiais. Era chamado de hieroglífico, que vem da palavra grega hyeroglúphos e significa “escrita sagrada”. Além do hieroglífico, os egípcios criaram dois sistemas de escrita mais simples: o hierático (usado em documentos religiosos ou sacerdotais) e o demótico (empregado nos contratos de venda e em textos jurídicos e administrativos cotidianos).

Detalhe de escrita hieroglífica produzida entre 1323 a.C. e 1295 a.C., encontrada na tumba de Horemheb, nas ruínas da antiga cidade de Tebas, Egito.

A unificação do Egito


Na história do Egito anterior à escrita, ao longo do Rio Nilo formaram-se aldeias. Tais aldeias, que realizavam trocas comerciais e alianças entre si, juntaram-se, formando agrupamentos maiores denominados nomos. É provável que isso tenha ocorrido por causa da necessidade de construir obras para controlar as águas do Rio Nilo. Com o tempo, alguns nomos da região do Baixo Nilo se uniram, formando o chamado Reino do Baixo Egito, enquanto outros nomos constituíram o Reino do Alto Egito, ao sul. Por volta de 3200 a.C., Menés (ou Narmer) tornou-se o primeiro faraó, ou seja, o líder do Alto e do Baixo Egito, dando início à história do Egito antigo propriamente dita. De acordo com a tradição egípcia, ele era descendente dos chefes das últimas aldeias neolíticas ao norte do Nilo.

O Antigo Império 


Entre os anos 2700 a.C. e 2220 a.C., iniciou-se o período da história do Egito chamado Antigo Império. O faraó, governante desse império, detinha o poder político e, ao mesmo tempo, era reconhecido como um deus encarnado entre os seres humanos. Na visão dos antigos egípcios, a prosperidade e a estabilidade do reino dependiam do faraó, que tinha como missão garantir as cheias do Nilo. Sob sua responsabilidade também estavam o comando do exército, os tribunais de justiça e as atividades econômicas essenciais, como a exploração das minas e o controle dos armazéns. Para auxiliar o faraó, havia uma grande rede de funcionários reais que sabiam ler, escrever e fazer contas. Esses funcionários eram chamados escribas.

Organização administrativa no Antigo Império


Durante o Antigo Império, os egípcios construíram grandes cidades e centros administrativos e religiosos. Muitos egípcios habitavam esses locais, mas a maior parte da população vivia nas aldeias. As aldeias e as cidades constituíam os nomos, que eram administrados pelos nomarcas. Eles tinham autonomia para governar em nome do faraó. Junto aos nomarcas, o vizir (que, de origem árabe, significa “ministro”) era o responsável pelos tribunais de justiça e pela supervisão dos departamentos do governo. Funcionários do governo, sacerdotes e nomarcas constituíam a elite da sociedade egípcia. Os cargos que eles exerciam eram hereditários. Os camponeses, que eram chamados de felás, formavam a maioria da população. Em geral, os felás pagavam impostos pelo uso da terra a eles destinada pelo faraó com parte da produção de cereais que cultivavam. Os felás eram obrigados a trabalhar em obras públicas, como canais de irrigação, palácios, templos e túmulos, caso fossem convocados pelas autoridades.

A organização social 


Apesar de realizarem trabalho forçado, os campone ses do Egito antigo não eram escravizados. Nessa socie dade, os escravizados normalmente eram prisioneiros de guerra e compunham a minoria da população. Entre os felás e a elite, havia artesãos bastante valorizados, comerciantes, soldados e escribas.

O papel das mulheres 


Na sociedade egípcia, as mulheres possuíam alguns direitos, como o de ter bens, escolher uma profissão e casar-se com quem quisessem. O divórcio era previsto nas leis egípcias e, caso ocorresse, os bens tendiam a ficar com as mulheres. Essas práticas diferem das de outras sociedades que você estudará no decorrer deste ano.

O Médio Império


A partir de 2300 a.C., os nomarcas do Alto e do Baixo Egito passaram a questionar a autoridade do faraó, reduzindo progressivamente seu poder. Quando as disputas entre eles diminuíram, por volta de 2050 a.C., teve início o Médio Império. Esse período foi marcado pela elevada produção de alimentos e pela intensificação do comércio. 
O Médio Império se encerrou em 1710 a.C. com a invasão dos hicsos. Proveniente da Ásia, esse povo fundou no Egito uma dinastia de governantes, que se manteve por cerca de mil anos. Durante esse período, ocorreram no Egito inovações, como a invenção de carros de guerra e a melhora nas técnicas de forjar o bronze. Os hicsos foram expulsos do território pelos egípcios por volta de 1570 a.C. Teve início, então, uma nova dinastia, que inaugurou, em 1560 a.C., o que os historiadores chamam de Novo Império.

O Novo Império 


Durante o Novo Império, que se prolongou até 1069 a.C., os egípcios estenderam seus domínios até a Palestina, a Síria e a Fenícia e, ao sul, reconquistaram a Núbia. Nesse período, desenvolveu-se uma experiência religiosa singular na história do Egito antigo. Entre os anos de 1348 a.C. e 1346 a.C., o faraó Amenófis IV determinou que, em seus domínios, apenas Aton (o deus solar) poderia ser cultuado. Essa decisão pode ter sido uma das for mas encontradas pelo faraó para enfraquecer os sacerdotes de Tebas, que estavam cada vez mais poderosos. Amenófis passou, então, a se autodenominar Aquenáton (“aquele que louva Aton”).
Apesar da decisão do faraó de cultuar apenas Aton, muitos egípcios continuaram cultuando outros deuses em segredo. Além disso, o faraó nunca chegou a negar a existência de outros deuses. Dessa maneira, os egípcios não se tornaram monoteístas naquele período. Após a morte de Aquenáton, seu filho Tutancâmon foi levado ao poder quando tinha 9 anos. Ele restabeleceu o culto aos demais deuses e os privilégios dos sacerdotes.

Busto desgurado de Aquenáton, produzido entre 1353 a.C. e 1337 a.C., encontrado em Amarna, Egito

O fim do Egito antigo Após um longo período, entre o século XI a.C. e por volta de 660 a.C., o poder centralizado pelos faraós foi enfraquecido. Na prática, os egípcios voltaram a ser governados por líderes locais, até ser dominados por seus vizinhos cuxitas, que você estudará a seguir. A partir de 660 a.C., os egípcios foram dominados por diversos povos, como os assírios, os persas, os gregos e os romanos. O Egito antigo chegou, então, ao fim, após trinta dinas tias de faraós, o que equivaleu a uma história de 150 gerações seguidas.



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