Os Antigos Romanos sentiam um grande respeito para as almas dos defuntos, eles tinham a convicção que estes continuassem a vigiar e proteger a cidade de Roma e o seu povo.
Em cada domus romana tinha um quarto dedicado a Lararium, ou seja, uma espécie de pequeno templo privado, onde os antigos honravam os seus antepassados e deixavam suas oferendas.
Os espíritos dos defuntos vinham chamados com diferentes nomes segundo a 'qualidade' deles:
- os Lares os espíritos protetores de um lugar especifico: os Lares de uma casa, de uma rua, do lugar de trabalho e assim por diante;
- os Penates eram os espíritos protetores da lareira, cujo eram dedicados pequenos templos, estatuas e moedas;
- os Manes e não obstante o termo seja plural, vinha usado para indicar um espírito de um defunto especifico.
Naturalmente os romanos celebravam festas em honra aos seus defuntos: de 13 até o dia 21 de Fevereiro aconteciam as Festas Parentali, dedicadas aos espíritos dos Antepassados.
Se fazia um banquete dedicados a eles e era costume deixar oferendas, principalmente de cereais, aos lados das ruas; naqueles dias não se podia celebrar casamentos e até os templos ficavam fechados.
No dia 22 de Fevereiro a festividade tinha o nome de Feralia e era dedicada principalmente aos Lares Familiares.
Desde o momento que o homem morria, ao rito do funeral, até o banquete final que acontecia no lugar da tumba mesmo e o enterro ou cremação, se passavam nove dias, por este motivo a Parentalia também durava nove dias.
Até o século I d.C era costume cremar os defuntos e colocar suas cinzas dentro de uma urna que depois era enterrada ou murada no interior de uma tumba.
Uma outra festividade dedicada aos defuntos era a Compitalia, também conhecida como Laralia, festa dedicada aos Lares Viales que eram os Lares protetores dos compita, ou seja, as encruzilhadas. Esta festa não era considerada como privada, ao contrario da Parentalia e da Lemuria, e a sua celebração era deixada ao colégio dos Larum.
Enfim tinham os Lemures ou Larvae, os espíritos daqueles que depois da morte continuavam a vagar sobre a terra e eram considerados como maléficos e danosos. Em sua honra celebrava-se, de 9 até 13 de Maio umas festividades chamadas Lemuria; nestes cinco dias também os casamentos não eram celebrados e os templos ficavam fechados.
Os dias 11 e 13 o Pater Familias celebrava o rito das favas, ou seja, depois de ter purificado suas mãos com a água, ia na entrada da casa e atirava para fora nove favas pretas, uma por vez, pronunciando a seguinte frase: "Com estas favas libero eu e os meus (familiares)", depois lavava ainda as mãos e fazia um barulho com alguns recipientes em bronze e dizia: "Sombras, saiam". Assim os espíritos inquietos se acalmavam e paravam de apavorar os homens.
Os romanos adoravam os espíritos dos Lares como se eles fossem Divindades, e com eles confiavam para que a colheita fosse rica, para trazer fertilidades a terra e sobretudo para que a protegessem e para ter sua 'autorização' de colher os produtos daquela terra que pertencia primeiro aos Lares mesmo.
O funeral
O funeral para os romanos era um rito sagrado, onde participavam os familiares e os parentes do defunto.
A preparação do defunto, que consistia emlavar e untar com óleo para depois vesti-lo, era um rito efetuado pela funerária, no caso de um defunto vindo de uma família nobre; uma vez terminado o rito preparatório, o corpo do defunto era colocado num leito, deixando-o com os pés dirigidos até a porta de entrada, e assim ele ficava por sete dias.
O rito fúnebre, chamado “exequie”, se efetuava em publico, acompanhado por cortejos de mulheres vestidas com um pano preto e que caminhavam de pés descalços e traziam imagens dos Antepassados, e por tocadores de flautas e mimos que imitavam os gestos e a voz do defunto.
Quando o cortejo chegava no lugar onde o defunto devia ser enterrado ou queimado, era colocado em sua boca uma moeda que serviria com pagamento ao Caronte, Divindade que se ocupava de levar a alma do defunto na outra parte do rio Stige, além da qual tinha o Reino dos Infernos.
Depois de ter saudado o defunto, a família e os amigos participavam de um banquete, uma janta e somente um dia depois o defunto era enterrado.
A segunda da época, o corpo do defunto vinha enterrado enquanto os familiares lhe dedicavam uma reza: "Vale, vale, vale, nos te ardire quo natura iusserit, cuncti sequentur" (Adeus, adeus, adeus, nós te seguiremos um dia, quando a natureza querer).
Quando o corpo do defunto vinha cremado, colocava-se o cadáver sobre uma pira cercada por ciprestes e então, acendia os fogos.
Depois do corpo ter virado cinzas, apagaba-se definitivamente com o vinho e as cinzas eram recolhidas numa urna, que vinha por sua vez colocada nos colombari , ou seja os lugares, geralmente subterrâneos, onde se conservavam, dentro de uns espaços feitos nas paredes, as urnas que continham as cinzas.
O Culto dos Mortos na Etruria
Os Etruscos pensavam que no momento em que o individuo morria, a alma saia dos lábios dele junto com o ultimo suspiro.
Era costume chamar o recém defunto três vezes consecutivas como forma de assegurar que realmente morrido, então o corpo era lavado, untado, vestido e o corpo era colocado num palco fúnebre no quintal da casa com os pés dirigidos na entrada da habitação. Logo depois era efetuado o banquete fúnebre.
O fogo na lareira era então apagado e a casa varrida com uma vassoura cujo objetivo era, além da limpeza, o de caçar os espíritos malvados. Um ramo de cipreste (cipreste (ou de uma outra arvore que dá frutos escuros) era posto no lado externo da habitação como forma de assinalar aos outros que os habitantes da casa eram impuros devido a morte do familiar.
Por causa dessa impureza mesmo os membros da família mantinham-se longe da comunidade por um certo tempo, ou seja, até quando o vinculo entre eles e o defunto tinha se desfeito de vez por meio de enterro que acontecia, caso o defunto fosse de família rica, nove dias depois da sua morte; no caso de gente pobre então o defunto vinha enterrado o mesmo dia da morte.
O defunto era acompanhado perto do túmulo (que era colocado fora da cidade, em próprias necropolis) pelos familiares vestidos com roupa preta.
Os túmulos eram edificados e decorados como se fossem verdadeiras e próprias habitações que deviam durar eternamente, pois os Etruscos acreditavam que a individualidade do defunto continuasse a viver em sua veste mortal no lugar onde era enterrado: por este motivo os túmulos dos defuntos eram construídos com grande atenção e era costume até doar ao defunto um enxoval de roupa, objetos de utilidade cotidiana, comidas e bebidas pela qual ele se servia simbolicamente ou magicamente.
Se o defunto fosse cremado, era lavado, junto com sua cama e com os últimos dons como comidas, panos, perfumes, flores, etc., no lugar do enterro onde uma pilha de lenha era tida precedentemente colocada, e então, o corpo era queimado. Enfim a ultima brasa era apagada com água e os ossos recolhidos, para depois lavá-los com água, leite ou vinho e colocados numa urna que muitas vezes tinha uma forma humana.
Os Etruscos davam grande importância aos túmulos dos defuntos, principalmente na época Villanoviana; naquele tempo era costume cremar o defunto e depois de ter colocados os restos numa urna, era enterrada num buraco feito no terreno na qual, em alguns casos, as paredes eram feitas de pedra e enfim fechada, ou se usava também edificar o túmulo dando-lhe o aspecto e uma pequena casa.
É claro que quanto mais rica era a família, mais luxuoso era o túmulo, maior e decorado: em alguns destes túmulos eram pintados cenas de vida cotidiana, colocados moveis como cadeiras, camas. Desse jeito o defunto, que continuava a viver no túmulo, podia sentir-se bem.
Muitas vezes encontravam-se nas entradas dos túmulos, esculturas de leões e/ou panteras e outros animais, que tinham a qualidade de Guardiões.
Na classe pobre era costume pintar cenas de vida cotidianas na mesma urna que vinha enterrada depois junto com os vários dons feitos ao defunto.
Num tempo mais além, aconteceu uma mudança do rito do enterro: os defuntos não eram mais cremados mas sim enterrados diretamente em falhas no terreno; existem provas encontradas um século depois, de túmulos feitos na rocha e também comprovações que era costume enterrar num único túmulo os membros da mesma família.
Por volta do século V e IV a.C. nasceu entre os Etruscos a crença no além, influenciada da Grécia, principalmente na existência do mundo inferior, o reino dos mortos, cujo portão de acesso vinha chamado de Mundus e era constantemente guardado pelo demônio Tuchulcha, visto com orelhas de burro, face de urubu e serpentes no lugar do cabelo.
As divindades dos infernos eram Aita e Phersipnai, ou seja Hades e Perséfone (não esquecemos que os etruscos "importaram" no panteão deles algumas divindades gregas e assimilaram outras).
Acreditava-se que a alma do defunto era acompanhada no além por um demônio dos infernos, Charun (parecido com o grego Caronte), visto como semi-fera e armado de um martelo.
Entre as inumeráveis figuras infernais, podemos destacar com certa importância Vanth, demônio feminino infernal da morte e Culsu, outro demônio feminino que provavelmente mantinha a guarda de uma porta nos infernos e que segurava nas mãos uma tocha e uma chave.
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