quarta-feira, 23 de setembro de 2026

As civilizações do Extremo Oriente: China e Japão

Estudaremos algumas das civilizações que surgiram no Extremo Oriente. Suas tradições, assim como muitas de suas criações, fazem parte de nosso dia-a-dia e regem a vida de muitas pessoas que habitam os lugares nos quais surgiram essas culturas milenares.
Os chineses utilizam até hoje a medicina desenvolvida na Antiguidade, a acupuntura e a cura com o uso de plantas medicinais. Muitas das suas criações - como a imprensa, o papel e a tinta, a pólvora, a bússola, a seda e a porcelana - fazem parte do nosso cotidiano.
A Índia nos legou os números que utilizamos e o jogo de xadrez. Foi o berço das ciências e da filosofia, preservando, até os dias de hoje, muitos costumes ligados a crenças espirituais e religiosas.
Além disso, as famosas especiarias indianas, tais como a pimenta, a canela e o cravo, foram responsáveis, até certo ponto, pela revolução geográfica impulsionada pela expansão marítima europeia no final do século XV.

A China

Há mais ou menos 600 anos, um menino italiano da cidade de Veneza partiu com o pai para uma longa viagem por terra em direção ao Oriente, para lugares nos quais, provavelmente, nenhum outro menino europeu estivera.
Essa viagem maravilhosa durou mais de 25 anos. Quando o menino voltou, já era um homem e tinha visto lugares e coisas que estavam muito além do mundo europeu. O menino chamava-se Marco Polo, e o país maravilhoso que ele descreveu no diário de sua viagem era a China.

Localização

A China se localiza no extremo sul do continente asiático, muito longe do mundo onde Marco Polo fora criado. O país é cortado por grandes rios: o rio Amarelo e o rio Azul, que, com outros rios, como o rio Branco e o Vermelho, formam vales longos que fertilizam os campos do coração da China.
Essa terra muito fértil fez com que muita gente se fixasse nas margens dos rios, que até hoje abrigam a maior concentração de pessoas do planeta. Para se ter uma idéia do tamanho dessa população, lembre-se de que no Brasil vivem cerca de 140 milhões de pessoas. Mas na China, cujo território é menor que o nosso, vivem oito ou nove vezes mais pessoas que aqui.
As grandes cidades chinesas cresceram nas desembocaduras dos rios: é o caso de Pequim (no rio Branco), Nanquim (rio Azul), Cantão (rio Vermelho).
O clima é muito variado. Nas terras do norte, faz muito frio no inverno e muito calor no verão. Esse clima é ideal para o cultivo de cereais - como o trigo e o centeio.
Já nas terras do sul, a temperatura se mantém agradável durante todo o ano. Essa região é mais fértil: tem muitos rios e vales nos quais são cultivados arroz e chá, produtos muito importantes para os chineses. Também foi nessa parte da China que surgiu a famosa indústria da seda.

O Império do Centro

Foi na desembocadura do rio Amarelo que a civilização chinesa começou a se estabelecer e a se organizar politicamente. Isso se deu mais claramente quando os chineses sentiram a necessidade de nomear um chefe para ajudar a organizar a sociedade à medida que ela crescia.
O chefe, no princípio das civilizações, era escolhido entre os mais fortes do grupo. Com o passar do tempo, começou-se a aceitar como chefe o filho ou algum parente próximo daquele que já havia sido chefe. Daí surgiram os reis, que eram vistos como “filhos do céu”, isto é, como pessoas sagradas.
A civilização chinesa ia se expandindo e muitos reinos foram sendo formados. Os reis eram, então, os chefes de territórios relativamente pequenos. Não existia um poder central, um governo ao qual os reis também estivessem ligados. Por volta do ano 2000 a.C., os chineses formaram seu primeiro império, ou seja, nomearam um imperador, autoridade máxima à qual até mesmo os reis deviam obediência. O primeiro imperador da China foi Yu, que criou a primeira família, ou dinastia, de imperadores.

Guerras civis

Tudo ia bem até que surgiram imperadores “folgados”, que só pensavam em se divertir e não em governar. Além disso, à medida que o império ia crescendo, o imperador não conseguia governar tudo sozinho. Por isso o poder dos imperadores foi diminuindo, ao mesmo tempo em que o poder dos governantes locais foi aumentando.
A China foi dividida em províncias - mais ou menos como os Estados brasileiros de hoje em dia - que eram administradas por um governador nomeado pelo imperador. Com o fortalecimento desses governadores, que se tornaram nobres, o império se dividiu em mais de 1.500 principados.
Esse momento da história da China é conhecido como a época das guerras civis. Uma guerra civil é uma guerra entre pessoas do mesmo país, ou do mesmo império. Os principados lutaram uns contra os outros durante muitos anos, até que, em 220 a.C., um príncipe conseguiu vencer e tornar-se imperador. Ele se chamava Chin-Huang-ti e inaugurou a dinastia Chin. É daí que vem o nome da China.
Depois de derrotar os príncipes, o imperador acabou com os principados e dividiu seu império em 55 províncias. Esse foi o início de uma era de grande desenvolvimento para o império, a chamada Idade do Ouro, que durou cerca de 400 anos. Nessa época foi construída a famosa muralha da China, ou Grande Muralha, uma poderosa barreira com mais de 2.500 quilômetros de extensão e quatro metros de largura. Ela servia paradificultar a invasão dos inimigos, especialmente dos temidos tártaros, habitantes do norte do país.

Decadência

Mas nem essa grande muralha foi capaz de deter o avanço dos hunos, povo que acabou conseguindo invadir o norte do império e estabeleceu sua capital na cidade de Nanquim. Ali começou a decadência do império chinês, que viveu séculos de guerras entre o norte e o sul.
O império só se unificou novamente por volta de 1200, quando os mongóis - outro povo que veio do centro da Ásia, liderado pelo príncipe Gêngis Khan - conseguiram dominar a China.

Sociedade e cultura

Mas, entre tantas lutas e conquistas, como viviam os chineses dessa época?
A família chinesa era organizada da seguinte forma: o pai mandava dentro de casa e a mulher e os filhos tinham de obedecê-lo - caso contrário, ele podia até vendê-los como escravos.
Assim como os pais de família, o imperador era considerado o “pai” de todos os chineses.
Você pode perceber que não era muito fácil ser mulher ou filho na China imperial!
O imperador governava com a ajuda de um grupo de ajudantes chamados mandarins. Eles podiam governar como se fossem o próprio imperador e eram considerados nobres, pois pertenciam a famílias muito antigas.
Havia também o grupo dos chamado letrados, pessoas que dominavam a leitura e a escrita - coisa que muito pouca gente sabia fazer naquela época.
A maioria das pessoas morava no campo e quem cultivava a terra eram os lavradores. Os artesãos faziam móveis, cerâmicas e muitas outras coisas. Moravam nas cidades e, juntamente com os comerciantes, que compravam e vendiam mercadorias, formavam a plebe.
Todas essas ocupações eram hereditárias, ou seja, passavam de pai para filho. Assim, se o pai fosse agricultor, o filho também seria agricultor. Esse era o chamado regime (ou sociedade) de castas. Nele, a condição de nascimento determinava o que o indivíduo seria pelo resto de sua vida. É por isso que podemos dizer que a sociedade chinesa era uma sociedade estática, que quase não sofria mudanças.

A religião

Os chineses eram muito religiosos, mas não tinham “uma” religião: eles acreditavam num conjunto de regras, ou seja, num código de comportamento, que todos respeitavam. Uma dessas regras, o respeito aos antepassados, foi formulada por Confúcio, que viveu entre 551 e 479 a.C. Ele acreditava que o homem podia ser perfeito se fosse correto com as demais pessoas.
Os chineses também acreditavam na filosofia de Lao-tsé, o taoísmo, que cultuava o respeito à natureza e a tranqüilidade do espírito.

As ciências e as artes

As ciências que os chineses criaram foram as mais avançadas da Antiguidade. Muitas práticas são empregadas até hoje: a acupuntura e a utilização de ervas medicinais, por exemplo. Eles inventaram a imprensa para publicar livros, o papel e a tinta; descobriram a pólvora (usada em fogos de artifício) e inventaram a bússola. Aliás, a astronomia chinesa era muito desenvolvida para a época: eles sabiam o que provocava os eclipses do Sol e da Lua; além disso, dividiram o ano em doze meses iguais, e o dia em doze horas.
Nas artes, os chineses ergueram grandes palácios para os imperadores. Sua engenharia e sua arquitetura construíram, além da Grande Muralha, o Canal Imperial, com mais de 1.500 quilômetros de comprimento, que liga os rios Azul, Amarelo e Branco, cortando desertos e montanhas.
Além disso, os chineses se especializaram na fabricação de tecidos de seda e da porcelana, produtos tão perfeitos que nenhum outro país os podia igualar.

O Japão

Ainda no Oriente, uma outra civilização se constituiu na Antiguidade e se tornou fundamental para o desenvolvimento do mundo: o Japão. Geograficamente, o que conhecemos como Japão é na verdade um arquipélago composto de 4 mil ilhas, das quais 600 são habitadas. Apenas cinco dessas ilhas são grandes. Isso condicionou os japoneses à vida da pesca e da marinhagem.
Os povos que formaram o Japão vieram da Coréia e da região sul da Ásia, chegando ao arquipélago japonês e expulsando os nativos. O fundador mítico do império japonês é Amaterasu, “neto da deusa do Sol”, que recebeu o título de Tennos (rei celeste). Por volta de 660 a.C., Jimmu Tenno foi sagrado primeiro imperador.

Culturalmente, a China dominava o arquipélago japonês.

Durante os séculos VII e XII, o Japão assimilou essas importações e criou as suas tradições, consolidadas nos séculos XII e XIII. Em 1543, comerciantes portugueses atingiram o Japão. Os jesuítas tentaram estabelecer lá a cultura religiosa ocidental, sendo expulsos apenas em 1640. Os japoneses só voltaram a manter contatos com o Ocidente na segunda metade do século XIX, na era Meiji.

A vida política

Por volta do século V, havia no Japão vários clãs de origem nobre. Yamato, o chefe de um deles, se sobrepôs aos outros chefes. Formou um império de inspiração divina, e nos dois séculos seguintes a essas tradições político-religiosas juntou-se outra: as idéias chinesas de Confúcio, que foram introduzidas no século VI. A hierarquização da sociedades se deu como na China, e fixou-se uma capital para os dirigentes, até então nômades, em Nara.
O poder era dividido entre o teno, ou “imperador que é a encarnação da divindade”, e o regente, uma espécie de primeiro-ministro, porta-voz de uma aristocracia do tipo da chinesa.
Uma série de guerras civis eclodiu do século XIII ao século XVI. O teno permanecia fora do jogo político, mas o regente tornou-se o chefe da guerra, o shogun. Os aristocratas criam uma estrutura feudal, sob a suserania do shogun, com os daimio - os samurais, ou guerreiros, vassalos a serviço do senhor.
No século XVII (1603), uma nova dinastia de shoguns, os Tokugawa, se instalou e governou o país até 1668, criando uma barreira militar fechada ao mundo externo. Durante esse período, o Japão não manteve contato com o restante do mundo.

A vida religiosa

Os japoneses eram animistas, isto é, acreditavam na presença dos espíritos em toda parte. Esse corpo de crenças recebe o nome de xintó, o “caminho dos espíritos”. Ao lado do xintoísmo, o budismo - originário da Índia, mas introduzido no Japão por influência da China - tornou-se também uma religião japonesa, pois se modificou e assumiu novas características no arquipélago.

A cultura japonesa

Como aconteceu com a religião, a cultura japonesa foi bastante influenciada pela chinesa. Mas essa cultura possui aspectos muito particulares. Na literatura e no teatro criou-se o Nô, um tipo de drama de inspiração religiosa. Outro tipo de espetáculo é o Kabuqui, menos formal e mais movimentado que o Nô.
Ressaltem-se também a extraordinária originalidade da arquitetura e o trabalho inovador com a madeira; as delicadas pinturas sobre seda, chamadas Kakemono; ou, ainda, os jardins admiráveis.


Índia Antiga


A chegada dos Árias


Uma das primeiras sociedades a se formar no vale do rio Indo, no atual Paquistão, surgiu por volta de 3000 a.C. Foi organizada por um povo conhecido como dravidiano, responsável pela construção de importantes cidades, como Mohenjo-Daro e Harapa. Por volta de 1500 a.C., o vale do Indo foi invadido por povos nômades indo-europeus vindos da região do atual Irã.
Os árias venceram os dravidianos, conquistaram seu território e assimilaram boa parte de sua cultura. Talvez por influência do povo conquistado, deixaram de ser nômades e passaram a viver de forma sedentária.
Esse momento da história da Índia é narrado num conjunto de textos em forma de hinos conhecidos como Veda. Um desses textos conhecidos como Rig-Veda, conta as lutas dos árias contra os dravidianos no vale do rio Indo, descrevendo as sociedades existentes nessa época.
Os árias assim como os dravidianos, acreditavam em muitos deuses e deusas. Ao conquistar o vale do Indo, suas crenças religiosas foram se misturando com as da sociedade dravidiana. Dessa mistura surgiu o Hinduísmo, religião politeísta (religião que adora vários deuses) segundo a qual a sociedade está dividida naturalmente em castas (ver box de informações). No século VI a.C., dois guias espirituais rejeitaram essa divisão da sociedade em castas e criaram novas correntes de pensamento.
Um deles foi Sidarta Gautama, conhecido como Buda. Sidarta criou o budismo, sistema religioso que prega a não violência, a meditação, a moderação e a prática de virtudes como a bondade, a moralidade e a paciência. Da Índia, o budismo se expandiu e hoje reúne muitos adeptos em todo mundo.
O outro foi Mahavira (540 a.C - 468 a.C). Também chamado de Jina Mahavira era contrário a violência, mas não reconhecia nenhuma divindade. Por isso, seu sistema filosófico, o jainismo, não pode ser considerado uma religião.

Os Vedas


Todos nós conhecemos ou já ouvimos falar da Biblia. A biblia é o livro sagrado dos cristãos. Uma parte dela chamada de Velho Testamento, foi escrita há mais de 3 mil anos.
Os árias também tinham o seu livro sagrado. Eram os Vedas, conjunto de hinos e preceitos religiosos (regras), escritos entre os séculos XV a. C e V a.C em sânscrito, lingua falada pelos árias.

O Sânscrito (Escrita)


Hoje se conhece a Índia Antiga, graças ao Sânscrito. São muitos os textos registrados nessa língua, as obras em sânscrito são editadas e traduzidas em muitos países, há também muitos manuscritos ainda desconhecidos do público em geral, pois são obras arquivadas em bibliotecas apenas catalogadas ou mantidos por famílias que os transmitem geração após geração.
Foram compostas obras muito importantes nessa língua, na Índia o sânscrito possibilita a compreensão dos princípios da origem. Trata-se de uma língua que serviu de ajuste para a divulgação de conhecimentos dos mais diversos tipos.
Considera-se o sânscrito como uma língua pertencente à família das línguas indo-europeus. A maioria dos idiomas europeus incluindo o português, o espanhol, o francês e o italiano pertencem a essas famílias que são de origem romana e estas originadas do latin vulgar.

Sidarta Gautama - Buda


Os contos de Jatakas relatam histórias sobre as centenas de vidas passadas de Sidart Gautama o Buda. Denominado um bodhisattva, passou muito tempo praticanto a perfeição que o levou a Iluminação. Reza a lenda que, depois de completa-las saiu do paraíso de Tushita e renasceu como um príncipe no norte da Índia por volta de 560 a.C.
Filho do rei do povo Sakhya, habitava na região da fronteira entre a Índia e o Nepal. A vida de Sidarta Gautama era cercada de conforto. Casou-se, teve seu filho e vivia protegido do contato externo. Uma tarde fugindo do palácio viu 3 coisas que iriam mudar sua vida totalmente; viu um ancião que não conseguia andar sem o apoio de seu bastão, um homem que agonizava com dores terríveis e um cadáver envolto em linho branco. Essas três visões o puseram em contato com "as três marcas da impermanência" (velhice, doença e morte) e o deixaram muito abalado.
Voltando ao palácio ele teve uma quarta visão, um Shadu eremita errante (religioso que vive na solidão) que o impressionou por suas feições que irradiavam profunda dignidade e paz.
Depois dessas visões Sidarta Gautama decidiu renunciar à sua vida de conforto e comodidade e se dedicar à sua busca pela verdade.
Durante sete anos estudou com os filósofos da região, mas continuava insatisfeito. Em uma de suas viagens chegou a Bodh Gaya e permaneceu alí por 49 dias sentado à sombra de uma figueira em profunda meditação, transcendendo todos os estágios até chegar ao Nirvana.
Desde então foi chamado de Buda (o Iluminado). Segundo a tradição quandfo estava meditando recebeu uma iluminação divina e descobriu que o caminho para chegar a verdade é o da meditação, da moderação e da não violência.
Seus ensinamentos, criados à partir dessa experiência são conhecidos como o "Caminho do Meio" ou "Dharma" (a lei).
Desde que atingiu o Nirvana aos 35 anos até sua morte aos 8o anos, Buda viajou por toda Índia ensinando e fundando comunidades monásticas (monges).
Buda ensinou o Dharma a todos. Costumava recomendar a seus discípulos que ensinassem em suas próprias línguas. Foi assim que sua doutrina ficou conhecida em vários países.

"A decadência é inerente a todas as coisas compostas. Vivei fazendo a vós mesmos a vossa ilha, convertendo-vos no vosso refúgio. Trabalhe com diligência para alcançar a vossa iluminação"

A sociedade de castas


Presente na cultura indiana há milhares de anos, o sistema de castas segue uma regra básica: todos são criados desiguais. A existência de castas na sociedade hindu originou-se de uma lenda na qual os quatro principais grupos, ou varnas, surgiram de um deus. De sua boca, vieram os brâmanes – sacerdotes e mestres. De seus braços, os xátrias – governantes e soldados. De suas coxas, os vaixás – mercadores e negociantes – e, de seus pés, os sudras – trabalhadores braçais. Cada varna, por sua vez, é formado por centenas de castas que passam de pai para filho.
Um quinto grupo consiste nas pessoas que são achuta, ou dalit, ou intocáveis. Não vieram desse deus. Eles são os excluídos. Pessoas consideradas impuras demais. Sofrem todo tipo de preconceito, principalmente nas áreas rurais, onde vive a maioria da população indiana. Os intocáveis são evitados, insultados, proibidos de frequentar templos e casas de castas superiores, obrigados a comer e beber em pratos e copos separados em lugares públicos e em casos extremos, são estuprados, queimados, linchados e baleados.
O estadista indiano Ghandi deu um nome a esse grupo de pessoas, Harijan “povo de deus”, esse grupo soma 160 milhões de pessoas. Apesar de a Constituição da Índia proibir a discriminação de castas e não reconhecer a condição de intocável, o hinduísmo, religião da maioria da população indiana governa a vida diária com seus rígidos códigos sociais. Um pai ou uma mãe intocável geram filhos intocáveis marcados como impuros desde o momento em que começam a respirar.
Antes da constituição de 1950 eles eram obrigados a usar sinos para alertar sobre sua aproximação e carregavam baldes para não contaminar o chão ao cuspir. Se a sombra deles tocasse alguém de uma casta superior eles eram espancados.
Os intocáveis executam o “trabalho sujo” da sociedade – atividade que exige contato físico com sangue e excrementos humanos. Os intocáveis cremam os mortos, limpam latrinas, cortam cordões umbilicais, removem animais mortos da rua, curtem couro, varrem sarjetas. Esses trabalhos e a condição de intocável são transmitidos aos descendentes. Mesmo os numerosos intocáveis que exercem serviços “limpos”, principalmente trabalhos agrícolas mal remunerados em terras de grandes proprietários, são considerados impuros.

Da invasão Persa ao império Gupta


Em 521 a.C, forças do imperador Dario, da Persia, situada na região do atual Irã, invadiram e conquistaram todo o território do rio Indo. Dois séculos depois, entre 333 a.C e 326 a.C., o imperador Alexandre, da Macedônia, venceu os persas e anexou a região do Indo a seu Império. A reação dos antigos habitantes do vale do Indo ocorreu em 321 a.C., quando um guerreiro de nome Chandragupta Mauria unificou seu povo, expulsou os macedônios e fundou o Império mauria, cujo território ocupava quase toda a Índia atual. O período Gupta se destacou pela arte e literatura das ciências, matemática, esse período também é conhecido popularmente como "idade do ouro". O império mauria entrou em declínio após a morte do imperador Asoka, neto de Chandragupta, em 232 a.C. A partir de então, seu território se fragmentou em diversos reinos. Somente em 320 d.C, a região dos rios Indo e Ganges seria reunificada, agora sob o Império gupta.

Os Três deuses mais poderosos do hinduísmo

São três os deuses mais importantes do Hinduísmo, Shiva, Brahma e Vishnu eles formam a trindade da religião. a chamada Trimurti. Brahma é o primeiro deus da trimurti, mas não recebe tanta importância quanto Shiva e Vishnu.

A arte da Índia Antiga


Nas obras de arte criadas na Antiguidade Indiana é comum a representação de deuses e mortais realizando diversas ações.
Duas tradições antigas são representadas pelas artes gandhara e mathura, porém esta fase da arte indiana chegou ao apogeu um pouco mais tarde, na era Gupta que atingiu sua melhor expressão no século V d.C.. A pintura (especialmente em Ajanta) e a escultura alcançaram novos patamares, estabelecendo-se também a grande era da construção de templos. Estes, aliás, continuaram a representar o principal foco do desenvolvimento artístico da Índia e no seu esplendor e beleza de decoração podem em muitos casos ser comparados às grandes catedrais românicas e góticas européias: os templos de Elephanta, Ellora e Khajuraho estão entre os mais notáveis.

Taj Mahal


O Taj Mahal é o monumento mais conhecido da Índia, construído na cidade de Agra faz parte do patrimônio histórico da humanidade, em 2007 foi anunciado como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno, construído todo em mármore branco pelo Imperador Shah Jahan em homenagem à sua esposa favorita que morreu após dar a luz ao seu décimo quarto filho. O monumento foi construído sobre seu túmulo junto ao rio Yamuna. Considerado um monumento ao amor contendo inscrições retiradas do Corão, encrustado com pedras semi preciosas e sua cúpula é costurada por fios de ouro, o Taj Mahal é considerado a mais bela construção na Índia.

CARDOSO, Oldimar. coleção Tudo é História. ensino fundamental.

A Organização Social da Índia

De acordo com o vedismo, cada pessoa nasce com funções e papéis pré-definidos na sociedade. Estes eram determinados por ordem divina e não podiam ser alterados.
Tal crença influenciava toda sociedade hindu, que se encontrava rigidamente dividida em grupos hierarquizados, denominados castas. Não existia qualquer possibilidade de uma pessoa mudar de uma casta para outra.
Desde o seu nascimento, a pessoa tinha determinado onde poderia morar, quem poderia desposar (casar), que atividades exerceria e até mesmo o modo de se vestir e o que comer.
A esperança dos hindus era a reencarnação, o contínuo renascer da alma para alcançar estágios mais puros. Isso significava que, em uma vida futura, qualquer indivíduo poderia nascer em uma casta mais elevada.
A organização social da Índia compreendia inúmeras castas. No topo da hierarquia, destacavam-se:

Brâmanes – Sacerdotes que tinham acesso aos textos sagrados e eram responsáveis por sua aplicação.

Guerreiros - Defendiam o território e ocupavam cargos políticos.

Mercadores – Eram aqueles que se dedicavam ao comércio


Brâmane Anjum

Havia ainda os párias ou intocáveis. Considerados impuros, pertenciam a uma casta social inferior. De modo geral, realizavam atividades em que lidavam com animais mortos ou dejetos humanos. Eram sapateiros, curtidores, coveiros, limpadores de fossa.

Nelson Piletti. Claudino Piletti. Thiago Tremonte. História e Vida Integrada. ensino fundamental

Religiões da Índia

Inúmeras religiões se desenvolveram na península da Índia, algumas delas praticadas até hoje por milhões de pessoas. O vedismo, o bramanismo e o budismo são algumas dessas religiões.
O vedismo e o bramanismo são orientados pelos Vedas, conjunto de escrituras sagradas composto de quatro livros que reúnem orações, hinos, poemas., preceitos litúrgicos e narrativas. O budismo possui origem distinta, isto é, não está relacionado ao vedismo nem ao bramanismo.
Vedismo – Antiga religião dos Hindus, contava com diversos deuses ligados aos elementos da natureza, como Agni (deus do fogo) e Indra (deus das tempestades).
Bramanismo – Os brâmanes (ou sacerdotes) ganharam destaque dentro do vedismo e modificaram as práticas religiosas. O bramanismo, como então ficou conhecido, passou a ter como preceitos fundamentais o respeito à ordem cósmica, a obediência ao destino e o dever de pureza, base do sistema de castas. O pensamento religioso do bramanismo, tem como princípio o Braman (que significa o absoluto, a totalidade, o supremo), do qual tudo deriva. Os diversos deuses são personificados de seus aspectos: os principais são Brahma (criador), Vishnu (conservador/preservador) e Shiva (destruidor), que formam a última trindade. O bramanismo prega ainda que a alma está sujeita a uma sucessão de vidas e renascimentos (reencarnação), que só se esgota ao atingir o grau supremo de pureza (libertação). A partir do século III de nossa era, o bramanismo passou a ser conhecido como hinduísmo.

Budismo – Religião fundada por Sidarta Gautama, o Buda, no século V a.C. Buda nasceu na região do Himalaia em 480 a.C. e morreu aos 80 anos. Segundo a tradição, seus ensinamentos foram transmitidos oralmente aos seguidores e apenas séculos depois ganharam uma versão escrita. De acordo com esses ensinamentos, nada seria permanente ou indestrutível, sobretudo a realidade, sempre mutável. Os budistas acreditavam que o universo não possuía uma ordem pré-definida, como pregavam os hinduístas. Por isso, negavam o sistema de castas. A doutrina fundamental do budismo compreende as chamadas quatro nobres verdades: a vida é dor; a causa da dor é o desejo; o fim do desejo é obtido pela prática das regras morais e da disciplina ascética. Enquanto o indivíduo não se liberta do desejo, está submetido ao ciclo do renascimento.

Nelson Piletti, Claudino Piletti, Thiago Tremonte. História e Vida Integrada.

Gandhi e a Marcha do Sal

Em 1930, o líder Mahatma Gandhi iniciou uma campanha de desobediência civil com um gesto que ganhou repercussão em todo mundo.
À frente de um grupo de oitenta pessoas, no dia 12 de março de 1930 Gandhi saiu de Ahmadabad, onde morava, e caminhou 400 quilômetros até Dandi, na costa oeste do país, onde chegou no dia 6 de abril. Dirigindo-se ao mar, recolheu o sal que secara na areia. Fazer isso era proibido, pois havia uma lei que dava à Inglaterra o monopólio sobre a extração e o comércio de sal.
O governo britânico tentou ignorar o ato, mas não conseguiu conter a onda de protestos que se seguiu ao gesto de Gandhi: piquetes, passeatas, assaltos às salinas. Cerca de 60 mil pessoas foram presas, entre elas o próprio Gandhi. Momentaneamente derrotado, o movimento de desobediência civil e não-violência logo ressurgia sob a liderança de Gandhi, levando a Índia à independência em 1947.

Gislane e Reinaldo. História. ensino médio. volume único


Os persas - Zoroastro


“Aquele que ficar do lado justo, dele será a glória futura”.

Zoroastro (628-521 a.C.)


A mais antiga civilização conhecida na região do antigo Irã, ao norte da Mesopotâmia, data do século XX a.C. Apesar de sucessivas ocupações pelos povos medas e persas, uma certa homogeneidade cultural é preservada até a invasão muçulmana, no século VII da era cristã. Sua religião, o zoroastrismo ou masdeísmo, teria influenciado a religião judaica à época da sua diáspora, no exílio da Babilônia, principalmente com sua doutrina dos anjos e demônios, e convertido Histaspes (ou Vishtaspa), pai do imperador arquemênida Dario I, conquistando grande influência no povo. A religião dos antigos iranianos foi registrada nos Avestas, conjunto de textos sagrados escritos por discípulos de Zoroastro, após sua oficialização no reinado de Dario I (522-486 a.C.).

Os Avestas mencionam a existência de um homem que foi legislador e conquistador, tendo dado a seu povo uma religião e uma lei. Ele tinha o nome de Yima (Ram) e Zoroastro disse que ele foi o primeiro homem a quem Ormuz, o Deus vivo, falou. No Ramayana, epopeia hindu, o encontramos com o nome de Rama (cerca de 16.000 anos atrás). Nas tradições egípcias sua época corresponderia ao reino de Osíris, o senhor da luz, que antecede ao reino de Ísis a rainha dos mistérios. Na Grécia chama-se ao mesmo antigo herói com o nome de Dionísio (Baco).

Conta que Ram rebelou-se contra as sacerdotisas que praticavam magia negra à época, com sacrifícios humanos e rituais sangrentos. Salvou todo o seu povo delas e de uma epidemia que o estava dizimando, dando origem a um novo culto e a uma festa da “nova salvação”, o “Navidad” que coincidia com o início do ano. Sua religião consistia de um culto a inúmeros deuses e espíritos da natureza. Fez prodígios (segundo os Avestas) como surgir mantimentos no deserto, utilizando uma espécie de maná, cujo aproveitamento fez cessar à epidemia do povo – semelhante a Moisés. Conquistou toda a Pérsia, na área ocidental da Ásia (entre o Cáucaso e o mar Cáspio ao Norte, as montanhas da Índia a Leste, o golfo Pérsico e a Arábia ao Sul, e o Mediterrâneo e o deserto da Líbia até o Egito a Oeste), e depois marchou contra a Índia dominando-a. Criou um sistema de castas não rivais (sacerdotes, guerreiros, camponeses, trabalhadores e artesãos), que se converteram posteriormente em fonte de ódios.

O reino persa cresceu e foi governado por Reis que eram também os seus sacerdotes e magos (os Reis magos dos Evangelhos), até que surgiu Zoroastro. Nascido da união entre um sacerdote, que tinha ingerido uma bebida sagrada, o haoma, a qual continha a energia de um anjo que tinha nela se inserido, e uma virgem. Concebido assim, quando nasceu sorriu em vez de chorar. Segundo os Avestas, nascido numa família nobre e sacerdotal, foi tirado de sua mãe e abandonado.

De acordo com escritores gregos como Exodus, Aristóteles (384-322 a.C.) e Hermudorius, Zoroastro teria vivido em cerca de 6.000 a.C.. Outras fontes como o alemão Haug e o francês Edouard Schuré (1.841-1.929) falam em 2.000 a.C.. Mas o mais aceito é que tenha vivido no século VI (628-521 a.C.). Reza a lenda que Zoroastro desde pequeno demonstrava grande sabedoria e queria saber Quem criara o mundo e porque ele era repleto de polaridades. As respostas dos sacerdotes não o convenciam e por isso questionou o poder deles, a tradição religiosa de barganha com os “deuses” e decidiu procurar as respostas por si mesmo. Retirou-se às montanhas conhecendo grandes sábios até que teve a visão do próprio Criador.

Zoroastro viu o próprio Ahura-Mazdâ envolto em luz e ao som de trovões, na montanha sagrada de Albordj, entre os seus trinta e quarenta anos, e tornou-se o profeta de uma nova religião, anunciada pelo próprio Deus. Reformou a religião persa declarando-se inimigo dos falsos deuses. Realiza uma reforma religiosa: conservando os gênios ou espíritos bons, procurou espiritualizar, transformando todos os antigos deuses em maus espíritos. As divindades secundárias são excluídas e Ahura-Mazdâ é elevado a Deus único, passando a ser incentivada a prática da virtude através da capacidade humana de livre-arbitrar.

O Zoroastrismo ensina a existência de um Ser ou Princípio do bem – Ormuz (ou Ahura-Mazdâ) e um princípio do mal – Ahrimán (ou Angra Mainyu). Ambos emanações do Eterno, o Ser Supremo. Ormuz, o rei da luz (ou do fogo), criou o mundo puro, mediante a palavra, do qual era conservador e juiz. Começou criando sete espíritos chamados Amshapands (Imortais Sagrados), que rodeavam o seu trono e eram seus mensageiros para os espíritos inferiores e homens, modelos e exemplos de perfeição: Vohu-Mano (Espírito do Bem, entidade que cuida dos animais), Asa-Vahista (Retidão Suprema, divindade do fogo), Khsathra Varya (Governo Ideal, divindade do céu e dos metais), Spenta Armaiti (Piedade Sagrada, divindade da terra), Spenta Mainyu (Espírito Criador, divindade que cuida dos homens), Haurvatat (Perfeição, divindade da água) e Ameretat (Imortalidade, divindade das plantas).

Depois criou sucessivas hostes de espíritos puros, com missões diferentes para criar o mundo. Ahrimán (ou Angra Mainyu), a segunda emanação do Eterno, também foi criado puro mas sua ambição e soberba fez o Ser Supremo condená-lo a permanecer 12 mil anos nas trevas, tempo suficiente para que a batalha do bem contra o mal terminasse, com a vitória daquele. Ahrimán, conseguiu criar inúmeros maus espíritos que encheram a Terra de miséria, mal estar e pecado. Eram os espíritos maus da impureza, da violência, da crueldade, os demônios do frio, da doença, da pobreza, da esterilidade, da ignorância, da morte e o mais perverso de todos, Petash, o demônio da calúnia. Spenta Mainyu seria o Espírito Santo de Ahura-Mazdâ, em oposição direta a Angra Mainyu, dualismo que se tornou o conflito entre asha (a Verdade, a energia vital) e druj (a Mentira) de onde provém toda a criação.

Ormuz criou o mundo em seis etapas: primeiro a luz terrena e depois, sucessivamente, a água, a terra, o reino vegetal, os animais e finalmente o homem, tudo através de um simples ato de sua vontade e sua palavra. Criou o homem e a mulher (Meshia e Meshiana) e Ahrimán seduziu a mulher e depois o homem levando-os ao mal, pervertendo a natureza do homem, assim como também a dos animais que eram inócuos e se transformaram em ferozes ou nocivos. Ahrimán e seus perversos espíritos foram vencidos e expulsos em todas as partes, mas iniciou-se uma guerra entre o bem e o mal.

Transcorridos os doze mil anos, quando a Terra se vir livre de todos os espíritos maus, surgirão três profetas que estarão ao lado dos homens ajudando-lhes com seus poderes e ciência, e devolvendo à Terra sua beleza original. Os bons espíritos e os homens de bem voltarão à região dos bens eternos e imutáveis, menos Ahrimán com todos os seus demônios e seguidores humanos, que afundarão num mar de metal derretido e em estado de liquefação. A lei de Ormuz imperará triunfante. Ormuz comanda as divindades luminosas e benévolas, como Mithra, deus-pastor e deus da luz, protetor das chuvas, mais tarde associado ao Sol, e Anahita, deusa das fontes e da fecundidade.

Zoroastro, ou Zaratustra, é o Verbo encarnado dos caldeus, medas e persas, profeta e reformador religioso e social do século VI a.C.. Segundo alguns escritores, ele teria sido discípulo de Elias e haveria predito a ida de três Reis magos a Jerusalém, para adorar ao Cristo recém-nascido, guiados por uma estrela (como visto no apócrifo “Evangelho árabe da Infância”). Religião centrada na pureza de coração e na prática das virtudes, diz que as boas palavras, os bons pensamentos e as boas ações abririam o caminho para o paraíso, onde o bem suplantaria definitivamente o mal. Defendia a existência do divino em cada ser humano.

Zoroastro combateu a aristocracia, questionou os sacerdotes e propôs a separação entre o governo e o líder espiritual. Esse, escolhido por eleição, deveria ter como obrigação a tarefa de salvar os oprimidos. Perseguido pelos nobres e sacerdotes, Zoroastro e seus seguidores migraram para o reino de Vishtaspa, príncipe dos medos, onde pôde pregar e converteu o príncipe, que decidiu apoiar e divulgar a doutrina de Zoroastro. Ciro, o Grande, no século VI a.C. tornou o zoroastrismo a religião oficial da Pérsia, sem impô-la ao povo, o que fez com que, ao passar dos anos, a doutrina se mesclasse com elementos do velho politeísmo. A deturpação foi tanta que a religião ganhou um outro nome: zurvanismo. Conta a lenda que após uma vida longa, Zoroastro foi consumido por um raio e ascendeu aos céus.

Viam o fogo, como símbolo da força da vontade humana, mas também a terra e as águas eram sagradas. Para não poluí-las, não enterravam seus mortos, considerados impuros. Os cadáveres eram deixados em torres para serem devorados por aves de rapina. Adotavam preces e invocações, e penitências e purificações. Ofereciam sacrifícios animais a Ormuz, mas também pastos, flores, frutos, perfumes e vestidos. O Zend-Avesta, escrito em “avéstico” (iraniano arcaico), língua semelhante ao sânscrito dos Vedas hindus, compõe-se de cinco livros sagrados: o Vispered (textos litúrgicos), o Yasna (livro litúrgico com os gathas, 17 hinos arcaicos com as palavras de Zoroastro), o Vendidad (leis rituais e civis), os Yasht (hinos a heróis e espíritos benignos) e os Jeshts (coletânea de textos diversos). O mais interessante é o segundo que constitui a parte principal dos Avestas. Muitos documentos registram a estadia de Jesus (Hazrat Isa) na Pérsia, com suas curas e pregações. O volume I do Farhang-Asafia, cita que ele era conhecido como Yuz Asaf, que quer dizer “líder dos purificados”, nome derivado de suas curas a leprosos. Outros livros, como o Ahwali Ahaliau-i-Paras, escrito por Agha Mustafai, confirmam Yuz Asaf e Jesus como sendo a mesma pessoa.

O zoroastrismo sobrevive, de uma maneira deturpada, até hoje em populações do interior do Irã e na religião dos parsis, grupo que fugiu da antiga Pérsia para a Índia após a invasão muçulmana. A comunidade parsis, instalada na região de Bombaim, reúne cerca de 100 mil pessoas. Veneram o fogo, praticam longas abluções (lavagens) e purificações à beira-mar e preservam o ritual de deixar os mortos sobre os lugares altos, chamados de torres do silêncio.


A evolução histórica do império persa

O planalto localizado entre o mar Cáspio e o atual golfo Pérsico é conhecido como planalto iraniano. Por volta de 2000 a.C., povos indo-europeus (arianos ou iranianos) estabeleceram-se na região. O movimento desses povos atingiu várias outras regiões, mas foi onde se localiza o atual Irã que os iranianos construíram um Estado muito forte.
Esse povo tinha duas grandes tribos, os medos e os persas, que formara dois reinos independentes no planalto iraniano. O reino dos persas, governado por uma família com o nome de Aquemênida, foi rapidamente dominado pelos medos, sob liderança do rei Ciaxares (625 a 585 a.C.). Esse soberano organizou um poderosos exército de pesada infantaria e ágil cavalaria, e derrotou os citas ( povos da região do mar negro), que ameaçava suas fronteiras; em seguida, fez uma aliança com os neobabilônicos e derrotou os assírios, em 612 a.C.
O sucessor de Ciaxares não tinha as mesmas qualidades de liderança do rei anterior. Essa foi uma das razões para que Ciro ( da família dos Aquemênidas ) tomasse o poder em 559 a.C.

A formação do império persa


Ciro inaugurou o chamado império persa. Com o aumento da população, houve a necessidade de expansão geográfica, que se iniciou com a dominação da Lídia; as colônias gregas que existiam na região passaram a fazer parte da área de influência do império persa. O exército de Ciro começou, então, a marchar para a Índia, chegando às margens do indo. Em 539 a.C., esse exército tomou a babilônia, e os povos que se encontravam sob o domínio neobabilônico ficaram sob a hegemonia da Pérsia. Foi aí que se deu o fim do lendário cativeiro babilônico dos judeus, pois Ciro permitiu que voltassem a Jerusalém e ajudou-os na reconstrução do templo, em 538 a.C.
Ciro não proibia as crenças nativas dos povos conquistados. Concedia alguma autonomia para as classes altas, que governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia, em troca, homens para seu exército, alimentos e metais preciosos. Ciro morreu em 529 a.C.
Cambises, filho e sucessor de Ciro, iniciou uma difícil campanha militar contra o Egito, em 525 a.C., finalmente vencida pelos persas na batalha de Pelusa. Nessa época o império persa abrangia o mar Cáspio, o mar Negro, o Cáucaso, grande parte do Mediterr6aneo oriental, os desertos da África e da Arábia, o golfo Pérsico e a Índia. Cambises pretendia estender seus domínios até Cartago, mas não conseguiu levar esse plano adiante por causa da violenta luta pelo poder.
A luta pelo poder prosseguiu após a morte de Cambises. Dario continuou a política expansionista de seus antecessores. Sua obra mais notável foi organizar a administração desse enorme território que se tornara o império persa. Dividiu o território em províncias, chamadas satrapias, administradas pelos sátrapas (governadores). Os sátrapas tinha poder absoluto sobre seus territórios, mas prestavam contas aos fiscais do rei. Havia ainda uma espécie de primeiro-ministro que auxiliava o rei na administração. Importante é ressaltar que as principais funções eram monopólio dos persas.
Os povos dominados gozavam de uma autonomia cultural bastante grande, mas era obrigados a pagar pesados impostos; o Egito e a Mesopotâmia, por exemplo, forneciam gado, trigo, ouro, prata etc.
Dario criou um sistema de estradas ligando as mais distantes satrapias ao centro do império; essas estradas tinham postos de reabastecimento e tropa de cavalos. Introduziu a moeda ( darico), facilitando o comércio. Toda essa organização contribuiu para a centralização do poder, que era reforçada pela crença de que o imperador recebia o direito de governar das mãos dos deuses.
A riqueza para sustentar esse enorme império era fornecida por camponeses livres, que viviam em comunidades e pagavam impostos ao imperador. Havia também o trabalho escravo, mas a maioria dos trabalhadores não pertencia a essa categoria.

A decadência do império


A tomada do estreito de Bósforo e Darnelos no mar Negro pelas forças persas prejudicou o intenso comércio grego na região. O clima de tensão entra várias cidades Gregas e o império persa transformou-se em longa guerra. Em 490 a.C., Dario tentou invadir a Grécia, mas foi derrotado pelos gregos na batalha de maratona. Dario morrei e o poder passou às mãos de seu filho Xerxes, que continuo a luta contra a Grécia, sendo derrotado em 480 e 479 a.C., nas batalhas de Salamina e Plateia.
Após sucessivas derrotas, os persas foram obrigados a se retirar e reconhecer a hegemonia grega no Mar Egeu e na Ásia menor ( Lídia). Com o enfraquecimento do império, várias satrapias se revoltaram contra o domínio persa. Internamente a luta pelo poder tornou-se mais violenta. Entretanto, durante a guerra do Peloponeso (entre Atenas e Esparta) os persas tomaram novamente a Ásia Menor.
Com o assassinato de Dario III, um dos últimos sucessores do império, Alexandre Magno dominou toda a Pérsia e suas satrapias e anexou-as ao império greco-macedônico.

CULTURA E RELIGIÃO


Pelo fator de Ter dominado diferentes civilizações, os persas mais sofreram influências dos dominados do que os influenciaram. Seus palácios e monumentos lembram, quase sempre, as obras dos assírios e babilônicos. Sua escrita era derivada da cuneiforme mesopotâmica. Executaram grandes obras da engenharia, como o canal que ligava o mar vermelho ao Mediterrâneo (atual Suez).
Foi na religião, entretanto que os persas demonstraram certa originalidade. Primitivamente adoravam o Sol, a Lua e a Terra; até que Zoroastro ( ou Zaratustra) reorganizou a religião, sofisticando-a. O deus maior era Ormuz, deus do bem, que se opunha a Arimã, deus do mal. A luta entre o bem e o mal era a essência da religião de Zoroastro, que ficou conhecida como masdeísmo, fusão entre as crenças populares e os ensinamentos de Zoroastro. Essa religião baseava-se na sinceridade entre as pessoas e foi transcrita no livro sagrado Avesta. O imperador era quase um deus, pois, segundo a crença, governava por ordem de deus.


Pérsia - Império Persa

A unificação política do Planalto Iraniano e a criação do Império Persa foi obra de Ciro, rei da Pérsia, que logrou anexar o Reino da Média (555 a.C.). Em seguida, Ciro derrotou Creso, rei da Lídia, e conquistou o Segundo Império Babilônico, permitindo que os hebreus retomassem à Palestina. Em seu reinado, procurou instaurar uma certa unidade econômica no império e tratou os povos submetidos com benevolência, deixando-os com seus próprios costumes, língua e tradição. Foi visto pelos hebreus como um libertador do jugo dos caldeus.
Cambises, filho e sucessor de Ciro, conquistou o Egito na batalha de Pelusa (525 a.C.), vencendo o faraó Psamético III. Morreu quando se preparava para voltar à Pérsia, a fim de sufocar uma revolta.
A leste da Mesopotâmia, nas terras elevadas do Planalto iraniano, viviam medos e persas, povos de origem indo-européia que desenvolveram uma intensa atividade pastoril, devido à inexistência de grandes rios como o Tigre e o Eufrates. No início, houve a preponderância dos medos sobre os persas, quando Ciáxares construiu um poderoso reino. Com o declínio da hegemonia medá, Ciro, rei dos persas, uniu os dois povos e fundou o Império Persa, o maior até então organizado na Ásia Ocidental. Esse império desapareceu quando da expansão macedônica, comandada por Alexandre Magno.
Em 522, Dario I subiu ao poder; com ele, o Império Persa atingiu o apogeu. Seus domínios estendiam-se desde a Trácia, na Europa, até a Ásia Central. Dano consolidou o despotismo real, dando à sua pessoa um caráter semi- divino. Dividiu o império em satrápias, cuja administração civil e militar era confiada aos nobres escolhidos; não obstante, tais sátrapas eram vigiados por funcionários reais (os “olhos e ouvidos do rei”), que percorriam as províncias fiscalizando a ação dos dirigentes. Houve estímulos ao comércio e o florescimento de várias capitais (Susa, Persépolis e Pasárgada), pois a Corte persa se deslocava periodicamente.
Dano envolveu-se em uma disputa pela hegemonia comercial nos mares Egeu e Negro e, apoiado por seus aliados fenícios, deu início às Guerras Médicas, sendo derrotado pelos atenienses na batalha de Maratona.
A derrocada do grande Império Persa teve início no reinado de Xerxes, que também foi derrotado pelos gregos (batalha de Salamina); o fim de sua independência política veio com a derrota e morte de Dano III ante a investida dos gregos e macedônios, comandados por Alexandre Magno.

A economia e a sociedade do Império persa


O ambiente econômico do Império teve seu período de apogeu sob o reinado de Dario I, que procurou estimular o comércio e a agricultura. Com a introdução de um padrão monetário que ficou conhecido com o nome de dárico, cunhado em ouro ou prata, de peso fixo e com a efígie do rei (inovação trazida da Lídia), o comércio interno foi incrementado de maneira espetacular. A construção de estradas, bem como um eficiente policiamento efetuado por tropas reais, permitiram um tráfego maior de caravanas que demandavam a Mesopotâmia, provenientes dos confins da Ásia. Os correios reais facilitavam as comunicações e dizia-se que “na capital podia-se comer o peixe pescado no mar no mesmo dia”.
O Império Persa nasceu do conflito entre as tribos pastoras e agricultoras. Quando o persa Ciro se impôs pela força, a nobreza agrária e guerreira também se sobrepôs. O povo, constituído de artesãos, agricultores e pastores, que podiam ser recrutados para a guerra, ocupava uma posição superior aos escravos.
Entre os persas, o poder da camada sacerdotal era menor do que na maioria das civilizações da Antigüidade Oriental.

A religião dualista do Império persa


Antes mesmo do processo de unificação dos persas, realizado por Ciro, um personagem semi- lendário deu aos persas uma forma peculiar de religião: o dualismo.
Esse personagem, conhecido como Zoroastro ou Zaratustra, escreveu o Zend-Avesta, estabelecendo os princípios gerais da religião persa. Apesar de distorcido por seus seguidores, o zoroastrismo teve grande repercussão em certas regiões da Ásia e ainda é praticado, se bem que com modificações.
Baseado na existência dos princípios opostos do bem (representado pelo deus Aura-Mazda) e do Imal (Ahriman), afirmava que ambos viviam em constante luta pelo controle das ações humanas. Os homens, agindo corretamente, estariam ajudando o bem a vencer o mal. Zoroastro previa que no final dos tempos Aura-Mazda venceria e os que ficassem ao lado do mal seriam destruídos.
O dualismo persa acabou por influenciar o Cristianismo, no que tange à dicotomia entre Céu e Inferno. Previa a vinda de um Messias e se apresentava na condição de religião revelada. A religião persa sofreu influência da Mesopotâmia, acabando por adotar fórmulas de horóscopos e a predição do futuro através da posição dos astros. O culto de Mitra (auxiliar de Aura-Mazda) chegou a influenciar os próprios romanos, que o representavam pelo Sol.

A cultura Persa


Os persas procuraram fora das suas fronteiras os elementos que marcaram suas construções. Influências egípcias e mesopotâmicas fizeram-se sentir na arquitetura e a esculturas persas e os restos de seus palácios evidenciam esse ecletismo cultural.
Os palácios do Império Persa possuíam alicerces de pedra, vastos terraplanos, paredes de tijolos, colunas finas e elegantes, com capitéis esculpidos com cabeças de touro ou de cavalo. O teto era forrado com madeira pintada. Muros recobertos de baixos-relevos ou ladrilhos esmaltados caracterizam as principais construções existentes.


CIVILIZAÇÃO FENÍCIA - História do Povo

Os fenícios era semitas pertencentes ao ramo dos cananeus. Sua origem é praticamente desconhecida, mas certamente, não eram autóctones. Segundo o Heródoto, teriam vindo do oceano Índico. É provável que tenham imigrado da região compreendida entre o mar Morto e o Mar Vermelho, mas ainda hoje é esse um ponto discutível. Denominava-se a região onde se estabeleceram, na Síria de Canaã.
Entre si denominavam-se cananeus – e sidonianos. Esses termos são encontrados nos documentos fenícios, assírios, no velho testamento e mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios, assírios, no velho testamento e mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios foi lhe atribuída pelos gregos milênio, que estabeleceram contatos comerciais com Canaã, por volta do fim do II milênio. Originalmente a palavra expressava uma tonalidade de avermelhada, que os gregos acreditavam ver na pele dos fenícios.
Importância histórica dos fenícios. Ao contrário de outros povos da Antiguidade, que se destacam como criadores de formas próprias e inéditas de civilização, os fenícios apresentam-se como expressão de uma cultura sincrética, sem muita originalidade, mas que, imbuída de um senso prático agudo, soube adaptar e aperfeiçoar com êxito conquistas alheias. A concretização mais significativa desse traço foi, sem dúvida alguma, invenção do alfabeto de 22 letras, que veio substituir o intricado sistema hieroglífico ou cuneiforme utilizado na época. O alfabeto fenício – seu maior legado para a cultura ocidental – nasceu pela necessidade de existência de um meio de comunicação e documentação e documentação simplificado, dado ser o comércio a atividade básica do povo.
Atividade comercial; intensa transformou os fenícios em importantíssimos transmissores de culturas de umas regiões para outras, as quais, por via direta, talvez só muito mais tarde tivessem estado em contato. Na própria antiguidade , escritores como Heródoto, Tucídides, Estrabão e outras já salientavam o papel relevante dos fenícios como intermediários na divulgação de técnicas e de ideias. Para o geógrafo Estrabão, por exemplo, os fenícios seriam a fonte utilizada para compor as rotas constantes da Odisseia.
De outro lado, os fenícios diferenciam-se por terem constituído, não um Estado unificado, mas uma cultura peculiar, subordinada a traços comuns de língua, religião, tendências, interesses e uma mentalidade pragmática característica, estivessem ele em Sídon ou na Sicília.
Os fenícios eram semitas pertencentes ao ramo dos cananeus. Sua origem é praticamente desconhecida, mas, certamente, não eram autócnes. Segundo Heródoto, teriam vindo do oceano Índico. É provável que tenham emigrado da região compreendida entre o mar morto e o mar vermelho, mas ainda hoje é esse um ponto discutível. Denominavam a região onde se estabeleceram, na Síria, de Canaã. Entre si denominavam-se cananeus – apesar de terem desenvolvido um tipo de vida totalmente diverso do dos cananeus do interior – e sidonianos. Esses termos são encontrados nos documentos fenícios, assírios, no velho testamento e o mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios foi lhes atribuída pelos gregos micênicos, que estabeleceram contatos comerciais com Canaã, por volta do fim do II milênio. Originalmente a palavra expressava uma tonalidade avermelhada, que os gregos acreditavam ver na pele dos fenícios.

Localização


A fenícia correspondia à maior parte do litoral do Líbano atual. Ao sul, seus limites alcançavam o monte Carmelo, e, em algumas ocasiões, até mesmo Dor ou Jaffa; na região norte limitavam-se com o território da cidade de Árado; a leste com a cadeia do Líbano e a oeste com o mar. Essa posição geográfica, nas proximidades de importantes áreas de civilização, o pequeno território de que dispunha para a agricultura, a costa acidentada e a presença de grande quantidade de madeira na região montanhosa determinaram, em parte, o rumo tomado pelo seu desenvolvimento histórico – voltado para o mar, sujeito às dominações políticas de grandes potências, sem unificação política e economicamente baseado no comércio e na indústria.

Economia e expansão marítima


A agricultura e a pecuária eram importantes para a sobrevivência dos fenícios, mas suas principais atividades econômicas se concentravam no comércio e no artesanato. Com as excelentes madeiras de suas florestas, construíam navios. Fabricavam jóias de âmbar, ouro, prata e marfim. Produziam o vidro transparente e descobriram a púrpura, matéria corante vermelho- escuro que usavam para tingir tecidos. Essas manufaturas, bem como suas madeiras, eram comerciadas do mar Negro até o Egeu.
Os fenícios eram exímios navegadores, em função de suas atividades comerciais. Em suas viagens, orientavam-se durante o dia pelo sol e durante a noite pela Ursa Maior. Utilizavam em seus barcos a combinação de remos e velas, o que lhes proporcionava maior velocidade. Comerciavam todas as "mercadorias" imagináveis (inclusive escravos) e isso fez com que navegassem a lugares muito distantes para a época.
Os comerciantes de Tiro chegaram à ilha de Malta, onde estabeleceram uma de suas principais bases. Fundaram colônias desde a Sicília até o estreito de Gibraltar, destacando-se Cartago. Adotavam três sistemas para o estabelecimento de bases comerciais: simples entrepostos, associação com outros povos e colônias de dominação.
Segundo Herótodo, esse povo foi o primeiro a contornar o continente africano, a serviço do faraó Necao.

Cultura e Religião


A constante presença de potências estrangeiras na vida cultural da Fenícia parece Ter sido a causa de sua pouca originalidade: as sepulturas fenícias, por exemplo, eram decoradas com motivos egípcios ou mesopotâmicos. Apesar de serem mais habilidosos que criativos, foram encontradas, na biblioteca de Ugarit, pequenas tábuas de argila contendo documentos administrativos, cânticos religiosos, hinos e textos mitológicos que trouxeram maiores informações sobre as crenças religiosas desse povo.
Os fenícios erguiam altares nas partes mais altas de suas cidades para sacrificar pequenos animais em oferenda aos deuses. Esses deuses representavam fenômenos da Natureza: El dagon representavam os rios e anunciava as chuvas: Baal era o deus das alturas, tempestades e raios: Ayan e Anat, filhos de Baal, representavam as águas subterrâneas e a guerra, respectivamente. Os fenícios tinham deuses comuns, embora com nomes diferentes em cada local; por exemplo, na cidade de Tiro Baal era demoninado Melgart.
Como comerciantes, os fenícios desenvolveram o espírito prático. Para facilitar os registros necessários aos seus negócios, criaram, a partir, principalmente, dos cuneiformes mesopot6amicos e da escrita egípcia, um novo sistema de escrita, muito mais simples e prático. Era uma escrita fonética e serviu de base para o alfabeto grego e, posteriormente, para o alfabeto atual.



CIVILIZAÇÃO FENÍCIA


Os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas orientais da península ibérica. O maior legado que deixaram foi um alfabeto do qual derivam os caracteres gregos e latinos.
Chamou-se Fenícia à antiga região que se estendia pelo território do que mais tarde seria o Líbano e por parte da Síria e da Palestina, habitada por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute) e Árado foram as suas cidades principais. O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke ("país da púrpura" ou, segundo alguns, "terra das palmeiras"). Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani, "mercador".
História. Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 3000 a.C. Sua origem é obscura, mas sabe-se que eram semitas, procedentes provavelmente do golfo Pérsico. No começo, estiveram divididos em pequenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâmia e do Egito. Apesar de submetidos, os fenícios conseguiram desenvolver uma florescente atividade econômica que lhes permitiu, com o passar do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemônicas do mundo banhado pelo Mediterrâneo.
A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio iniciou-se com a IV dinastia (2613-2494, aproximadamente), e é notada pela grande quantidade de objetos de influência egípcia encontrados nas escavações arqueológicas. No século XIV a.C., a civilização grega de Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado. As invasões dos chamados povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâneo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egito e Creta começavam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima.
A cidade de Tiro assumiu o papel hegemônico na região. Em pouco tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior, comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes. Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Mediterrâneo, onde fundaram muitas colônias e feitorias.
Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito mantinham contato, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca). A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colônias permanentes. No sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assentaram-se colônias comerciais estáveis, assim como no Egito, sobretudo no delta do Nilo.
O Mediterrâneo ocidental foi, no entanto, a região de maior atração para os fenícios, que mantiveram relações econômicas com Creta, mas a presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios tinham-se estabelecido em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais Cartago. Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C., foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior. Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C.
O esplendor econômico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir do século IX a.C., quando a Assíria, que precisava de uma saída para o mar a fim de fortalecer sua posição política no Oriente Médio, começou a introduzir-se na região. O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a Tiro, Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação assíria obrigou as cidades fenícias a firmarem uma aliança: em meados do século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para enfrentar os assírios, aos quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de independência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também submetidos à influência assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro no início do século VII a.C., mas foram vencidos.
No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilônia no Oriente Médio. O rei babilônico conquistou a região da Palestina e, depois de longo assédio, submeteu Tiro em 573 a.C. A Pérsia substituiu a Babilônia em 539 a.C. como poder hegemônico. A partir de então, Sídon passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com o império persa contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do controle comercial do Mediterrâneo. Os persas incluíram a Fenícia em sua quinta satrapia (província), junto com a Palestina e Chipre. Sídon procurou então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se acentuou na Fenícia.
No século IV, o macedônio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; mais uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, mas, esgotada por anos de lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre em 322 a.C. Depois da derrota, toda a Fenícia foi tomada pelos gregos. Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da província da Síria, em 64 a.C.

Economia.


A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguidade. Suas cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia os mais distantes mercados. Objetos de madeira talhada (cedro e pinho) e tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a famosa púrpura de Tiro, extraída de um molusco, foram as manufaturas fenícias de maior prestígio e difusão. Também eram muito procurados os objetos de metal; o cobre, obtido em Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em objetos suntuários e em jóias de fino valor. Os trabalhos em marfim alcançaram grande perfeição técnica na forma de pentes, estojos e estatuetas. Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do vidro e aperfeiçoaram-na para confeccionar belos objetos.
O comércio se fez principalmente pelo mar, já que o transporte terrestre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência contribuiu para desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os transformou em hábeis navegadores.

Sociedade e política.


Para a construção de suas cidades e feitorias, os fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da navegação. Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que permitiam aos barcos atracar com facilidade e penínsulas abrigadas. As cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os edifícios chegavam a uma altura considerável.
A classe dos comerciantes ricos exercia o domínio político em cada cidade, governada por um rei. A diversidade arquitetônica das casas fenícias que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferenciação social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores artesanais e agrícolas.

Religião.


A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Oriente Médio, embora também apresentasse características e influências de religiões e crenças de outras áreas como o mar Egeu, o Egito e mais tarde a Grécia, em conseqüência dos contatos comerciais.
A religiosidade se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A divindade principal era El, adorado junto com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. As cidades fenícias tinham ainda divindades particulares; Melqart foi o deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao Ocidente, concretamente a Cartago e Gades.
Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças. Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estelas decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas freqüentemente herdavam da família o ofício sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.

Cultura e arte.


A civilização ocidental deve aos fenícios a difusão do alfabeto, cuja origem é incerta. Povo pragmático por natureza, os fenícios parecem haver adotado e simplificado formas de escrita mais complexas, talvez de procedência egípcia, para criar um alfabeto consonântico de 22 letras, que se escreviam da direita para a esquerda. Os gregos foram os primeiros a receber essa importante herança fenícia, que remonta ao século XIV a.C.; a exemplo dos latinos e outros povos da antiguidade, transformaram esse alfabeto e lhe incorporaram as vogais.
A arte fenícia constituiu um sincretismo de elementos egípcios, egeus, micênicos, mesopotâmicos, gregos e de outros povos, e tinha um caráter essencialmente utilitário e comercial. A difusão dos objetos fenícios pelo Mediterrâneo contribuiu para estender as influências orientalizantes à arte dos gregos, dos etruscos, dos iberos e outros. A peça mais destacada da escultura fenícia é o sarcófago de Ahiram, encontrado em Biblo, cuja decoração apresenta motivos talhados em relevo.


CONSTRUTIVISMO

Na área da pedagogia, a inspiração para o construtivismo vem principalmente de Jean Piaget. A ideia mais importante da teoria desse psicólog...