Os primeiros grupos humanos começaram a se instalar no Vale do Rio Nilo por volta de 6000 a.C. Vivendo inicialmente de forma igualitária, com o tempo as comunidades cresceram e surgiram diferenças sociais entre seus membros. É provável que a necessidade de organizar a irrigação tenha levado essas comunidades a se unirem formando grupos maiores, chamados nomos.
Os nomos cresceram rapidamente. Por volta de 3300 a.C. a união de vários nomos deu origem a dois reinos: o Alto Egito, no sul, e o Baixo Egito, no norte. Conta a tradição que duzentos anos mais tarde o rei Menés, do sul, unificou os dois reinos e fundou a realeza faraônica. Por isso, Menés é considerado o primeiro faraó do Egito.
O poder dos faraós era hereditário, ou seja, era transmitido de uma geração para outra no interior da mesma família. No entanto, houve casos de faraós que morreram (por causas naturais ou assassinados) sem deixar herdeiros. Nesses casos, eles foram substituídos por um parente próximo ou por alguma pessoa muito influente no reino.
No longo período que vai de 2700 a.C. a 1069 a.C. o Estado egípcio se fortaleceu
e conquistou novas terras, formando um império. A fase de maior extensão territorial se deu entre 1570 a.C. e 1069 a.C. Os faraós desse período estenderam os
domínios egípcios à Palestina, à Síria, à Ásia Menor e à Núbia.
Durante os séculos
em que o Império Egípcio se manteve no poder, os territórios sob seu domínio
foram governados por dinastias reais, ou seja, famílias de faraós que se sucederam
no poder. Organizar e distribuir a produção agrícola, controlar a ordem pública e
supervisionar toda e qualquer atividade eram tarefas realizadas por funcionários do
Estado. Todos eles estavam subordinados ao faraó.
Durante cerca de 2 600 anos o Egito foi assim governado por um deus-rei, embora tenha havido algumas quebras nessa unidade, como entre os séculos XVIII a.C. e XVI a.C., quando os hicsos conseguiram invadir e dominar temporariamente o reino. Os principais problemas que enfraqueciam o poder dos faraós eram verificados nos tempos de seca, pois a baixa na produção e no abastecimento de alimentos causava fome e revoltas.
Na segunda metade do século XVI a.C., após a expulsão dos hicsos, o Império Egípcio ficou mais estável, poderoso e próspero, tornando-se a maior potência militar da região. Esse período de expansão terminou com as derrotas para os persas (525 a.C.), para os gregos (332 a.C.) e para os romanos (30 a.C.).
No Egito Antigo, a vida após a morte era um elemento importante para toda a sociedade. Com isso, o poder do faraó não acabava após a morte, pois o corpo do governante deveria passar por diferentes rituais funerários e ser colocado em túmulos ricamente decorados e com diversos objetos valiosos, como as pirâmides. Um exemplo de artefato que era deixado no túmulo dos faraós eram as chamadas máscaras mortuárias. Elas tinham como função representar a face do faraó falecido em seu estado divino, relacionando os faraós aos deuses egípcios.
Os faraós, no entanto, não governavam sozinhos. Eles eram apoiados por um grupo de pessoas poderosas, como sacerdotes, militares e funcionários burocráticos. Apesar de muitos poderes, alguns perderam o trono por causa de conspirações feitas por membros das elites ou pela invasão de inimigos estrangeiros.
O faraó e seus colaboradores
O faraó era o rei e o supremo sacerdote do Egito
Antigo. Era considerado um deus encarnado, escolhido
por outros deuses para garantir a estabilidade no mundo.
Ele estava ligado ao deus Hórus, filho dos deuses Ísis e
Osíris e rei do mundo dos vivos.
Com sua autoridade divina, o faraó definia os objetivos
do governo, comandava o exército e controlava a administração de todo o Egito.
Na prática, ele era auxiliado por
pessoas encarregadas de celebrar os cultos e de administrar e proteger as terras egípcias. Desde cerca de 2500 a.C.,
havia no Egito uma camada numerosa de funcionários que
coordenavam as obras públicas, cobravam impostos e cuidavam dos templos e dos palácios. Os funcionários mais
importantes eram o vizir, os sacerdotes e os escribas.
O vizir era o mais importante funcionário do Estado.
Ele presidia o tribunal de justiça, chefiava a polícia e
os assuntos externos e controlava a arrecadação de
impostos em todo o império.
Detalhe do trono do faraó Tutankhamon.
1327 a.C. Madeira, ouro, prata e pedras
preciosas. Museu Egípcio, Cairo, Egito.
Os sacerdotes administravam os templos e realizavam os serviços religiosos. Possuíam muitas terras e milhares
de pessoas trabalhavam para eles.
Os escribas se destacavam porque
sabiam ler e escrever. Eles registravam
os impostos arrecadados, faziam o
censo da população, dos animais e
das colheitas.
As guerras travadas contra os invasores hicsos, iniciadas por volta de
1600 a.C., fortaleceram o exército e seus
chefes militares. No esforço para expulsar o invasor, o governo egípcio criou
um exército profissional. Mas, enquanto
os oficiais provinham geralmente das
camadas mais abastadas da população egípcia, os soldados eram recrutados
entre os estrangeiros.
VIVER NO EGITO ANTIGO
A maior parte da população do Egito era constituída
de camponeses. Eles cultivavam as terras do faraó, dos
sacerdotes e dos altos funcionários do Estado.
As cheias periódicas do rio Nilo organizavam a vida
cotidiana. De julho a setembro, o nível do rio subia e
inundava as margens. Nesse período, os camponeses
eram recrutados pelo faraó para trabalhar na construção
de templos, canais de irrigação e outras obras públicas.
A partir de outubro, as águas baixavam e os camponeses
começavam a semear a terra. O solo, umedecido e fertilizado pelo húmus, estava pronto para a semeadura.
Os camponeses viviam com poucos recursos, pois
apenas uma pequena parte da colheita ficava com eles.
A maior parte dos rendimentos era destinada aos donos
da terra e ao faraó, como pagamento pelo uso da terra e
dos impostos cobrados pelo Estado.
Vários relatos da época descrevem a vida difícil dos
camponeses. Além do trabalho duro da semeadura e da
colheita, eles tinham de combater insetos, pássaros e
ratos que estragavam as plantações. E nem sempre as
cheias do rio Nilo eram suficientes para irrigar e adubar
o solo. Quando chovia pouco, os egípcios passavam por
graves crises de fome.
Camponeses
recolhendo
trigo. c. 1420--1411 a.C.
Pintura mural
(detalhe) na
tumba de
Menna, em
Luxor (antiga
Tebas). As
pinturas murais
egípcias —
como esta, na
tumba de um
escriba — são
importantes
fontes para
conhecer
aspectos do
cotidiano
daquela
sociedade.
Sociedade e riqueza no Egito
A sociedade egípcia era hierarquizada, com o faraó ocupando o topo da pirâmide social devido ao seu controle sobre a riqueza e o seu poder de decisão política do reino. Em seguida, vinha a sua família e os tjatis, chefes de todos os funcionários. Depois vinham os nomarcas, que coordenavam o trabalho dos camponeses, e os sacerdotes, que detinham o poder religioso.
Abaixo dessa elite achavam-se os militares, responsáveis pelas conquistas e combate a inimigos internos e externos, e os funcionários, encarregados de administrar o reino por meio da coleta de impostos e cálculos. Os registros eram feitos pelos escribas, que dominavam a escrita, conhecimento restrito a poucas pessoas.
Em posição inferior estavam os comerciantes e artesãos. Os últimos eram considerados funcionários do faraó, e tudo o que produziam pertencia a ele. Em troca do seu trabalho, recebiam salários modestos. Também os comerciantes serviam ao faraó. Embora houvesse alguns pequenos mercadores que atuavam por conta própria, o comércio de grande porte era controlado pelo Estado.
Por fim, na base da pirâmide social, estavam os camponeses e os escravizados. Em geral não havia muitas pessoas escravizadas no Egito. Os poucos que existiam eram prisioneiros de guerra e pertenciam ao faraó ou às famílias mais ricas. A produção de alimentos, assim como a construção de grandes obras, era feita pelos camponeses livres, mas que tinham a mão de obra explorada por meio da cobrança de tributos e trabalhos.
Os trabalhadores egípcios
A base da economia egípcia era a agricultura, isso explica a importância de dessa atividade para a cultura egípcia. O trabalho nos campos era coordenado pelos nomarcas, que concediam a cada família camponesa um pequeno trecho de terra para cultivarem seus alimentos, cobrando em troca impostos sobre aquilo que era produzido, o que os impedia de juntar excedentes para manter trocas comerciais significativas. Nos períodos de cheia do Rio Nilo, como não podiam trabalhar na lavoura devido às inundações, os camponeses eram obrigados a trabalhar nas grandes obras, que inicialmente eram a construção de canais, diques e represas, mas depois passaram a incluir palácios, templos, túmulos e gigantescos monumentos.
As condições de vida dos camponeses eram duras. Eles ficavam com pequena parte dos alimentos que produziam e o trabalho, sobretudo na época das grandes obras, era muito pesado. Mas nem sempre eles se sujeitaram a essas condições. O mais antigo registro de uma paralisação de trabalhadores da história ocorreu no reinado de Ramsés III (1182 a.C. – 1151 a.C.) e suspendeu as obras de construção do túmulo do faraó.
Os ofícios da cidade
À medida que os domínios egípcios se expandiram e a economia se desenvolveu, novas profissões apareceram. Por exemplo, a de “carregador de sandálias”,
trabalhador que transportava as sandálias do faraó e uma chaleira com água para
lavar seus pés; ou a de passarinheiro, pessoa encarregada de caçar as aves no céu.
A maior diversidade de profissões era encontrada nas cidades. No Egito Antigo,
um assentamento era considerado urbano se uma parte expressiva dos seus habitantes se dedicava a atividades não agrícolas, ainda que essas atividades estives
sem muito ligadas ao trabalho no campo.
As cidades egípcias se diferenciavam pelas suas funções. Havia cidades de
pirâmides, como Gizé, que abrigavam operários que construíam as tumbas reais
e sacerdotes que cuidavam do culto ao faraó morto. Outras cidades tinham sido
construídas para ser a residência da família real. Era o caso de Per-Ramsés, na
região do delta, que abrigava joalheiros, sapateiros, oleiros, padeiros, entre outros
artesãos, além de escribas e sacerdotes.
Nas cidades-porto, que funcionavam como centros de comércio ou bases navais,
havia mercadores, construtores de barcos, ferreiros, militares, entre outros ofícios.
Muitas dessas profissões, ainda existem nos dias de hoje, embora as técnicas, os
materiais e o local de trabalho sejam diferentes.
Trabalhadores egípcios produzindo vasos. Século XV a.C. Pintura mural (detalhe). Esta pintura foi feita
na tumba do vizir Rekhmire, em Luxor (antiga Tebas). Além do faraó, apenas os altos funcionários
tinham tumbas tão ricamente decoradas.
Homens e mulheres na terra dos faraós
A real situação da mulher no Egito Antigo é motivo de
muita polêmica entre os estudiosos. Há, de um lado, os
que defendem que as mulheres e os homens tinham os
mesmos direitos e importância social; e, de outro, os que
avaliam que as mulheres estavam relegadas a uma posição secundária naquela sociedade. Para estes autores, as
poucas rainhas-faraós conhecidas só assumiram o trono
porque não havia sucessores do sexo masculino.
Apesar da incerteza, os estudiosos admitem que as
mulheres egípcias tinham direitos que inexistiam na
maior parte das civilizações antigas. Em geral, podiam
exercer os mesmos ofícios que os homens e aparecer
em público sem restrições. No entanto, tudo indica que
não havia uma situação homogênea entre
elas. Se as mulheres da elite gozavam
de ampla proteção legal, o mesmo
não acontecia com as mais pobres,
como as camponesas e as arte
sãs. Mas estas podiam recorrer
aos tribunais caso se sentissem
maltratadas.
Homens e mulheres podiam
adquirir bens próprios. Os
casamentos podiam ser arranjados ou ocorrer por amor,
mas nada indica que houvesse uma cerimônia religiosa
ou jurídica, apenas uma festa
para celebrar a união do casal.
É provável que os homens
casassem entre os 16 e os
20 anos, e as mulheres, por
volta dos 14 anos. Existia o
divórcio, e podia ser solicitado por ambos. As razões
podiam ser várias, como adultério, incapacidade de gerar
filhos ou desentendimento
entre o casal.
Monumento funerário
representando um casal.
c. 2000 a.C. Museu
Egípcio, Cairo, Egito.
A RELIGIÃO
No Egito dos faraós a religião estava presente em todos
os momentos da vida. Cada cidade, cada vila e cada lar
cultuavam divindades específicas, mas havia também
deuses e deusas cultuados em todo o Egito. De tempos
em tempos, o deus relacionado à dinastia do faraó poderia chegar a ser uma divindade reverenciada em todo o
território, pois, afinal de contas, o faraó também era um
escolhido dos deuses.
“Por que chove tanto em alguns meses? Por que há o
dia e a noite? Por que a Lua muda de fases?” Questões
como estas, no Egito Antigo, tinham respostas religiosas.
O deus Hapi, por exemplo, era a divindade que trazia as
inundações e cobria a terra com o húmus fertilizante. Os
deuses também simbolizavam as qualidades humanas.
A deusa Ísis, por exemplo, representava a boa esposa e
a mãe que cuida muito bem do seu filho (o deus Hórus).
A espiritualidade tinha enorme importância na sociedade egípcia e, por isso, os sacerdotes detinham grande influência sobre a sociedade. Além disso, os sacerdotes contavam com grande apoio material, pois recebiam parte das riquezas do reino, como oferendas. Havia vários templos e todos eram construções tão luxuosas quanto os palácios e os túmulos dos faraós.
Os egípcios eram politeístas. Deusas e deuses eram representados com figuras humanas, animais ou antropozoomórficas, ou seja, que combinavam características humanas e de animais. Eles representavam forças da natureza (como o Sol, o deserto ou as águas), além de ideias e valores (como justiça, guerra ou sabedoria). Segundo sua crença, os deuses controlavam os fenômenos naturais (como as chuvas, as secas ou as cheias) e julgavam as pessoas após a morte, sendo necessário agradá-los por meio de oferendas.
Os deuses e o faraó
Segundo a mitologia egípcia, Osíris foi o primeiro rei dos deuses. No entanto, ele foi morto por seu irmão e rival, Seth, que despedaçou seu corpo e o espalhou por várias partes do reino. A esposa de Osíris, Ísis, reuniu as partes do corpo do marido e as costurou, ressuscitando-o magicamente.
Dessa forma, Osíris tornou-se a primeira múmia. Enquanto esses episódios se desenrolavam, Hórus, filho de Ísis e Osíris, vingou o seu pai vencendo o tio Seth em batalha. A história termina com a divisão do poder entre pai e filho: Osíris passa a ser o governante do mundo dos mortos e Hórus o do mundo dos vivos. Essa história era extremamente importante, pois tratava a respeito do exercício do poder pelos faraós: Osíris representava o faraó morto que era mumificado e transmitia o poder ao herdeiro.
Quando um faraó assumia a coroa, ele, passava por um ritual conhecido como entronização, no qual incorporava o deus Hórus, a quem ele representaria até o final da sua vida – daí a sacralidade da monarquia egípcia. Além disso, há no mito uma referência à unificação do Egito, já que Hórus, o falcão, representava o reino do Baixo Egito, e Seth, a serpente, o reino do Alto Egito.
O mundo dos mortos
A crença na vida após a morte é outro aspecto importante da religião egípcia, e a conservação do corpo falecido era fundamental para isso. Assim, os egípcios desenvolveram as técnicas de mumificação.
Na visão de mundo dos egípcios
havia uma relação de continuidade entre
a vida terrena e o que eles chamavam de
mundo inferior. A vida, para eles, era vista
como uma caminhada. No momento da
morte física, o coração parava e essa
caminhada era interrompida. Por isso,
era necessário preparar o morto para
retomar, após a morte, o caminho iniciado no mundo terreno.
A rainha egípcia Nefertari
(à esquerda) e a deusa Ísis
(à direita) representadas
na tumba de Nefertari.
c.1290-1224 a.C. Afresco
(detalhe). Vale dos Reis,
Egito.
O preparo do morto para renascer no
mundo inferior envolvia várias práticas
funerárias que tinham como centro o
ritual da mumificação. Os rituais funerários, da preparação da múmia ao enterro
na tumba, tinham como função eliminar
do corpo tudo que causasse corrupção
e podridão, criando, assim, um corpo
purificado para trilhar o caminho da
eternidade.
O processo de mumificação incluía a retirada dos órgãos internos (que eram guardados em potes cerimoniais) e o preenchimento do corpo com serragem. A pele, que passava por um processo de ressecamento, era untada com óleos e bálsamos. Por fim, o morto era enfaixado para impedir a ação de insetos. O desenvolvimento desse processo possibilitou o acúmulo de conhecimento sobre a anatomia humana.
No começo, apenas os corpos dos faraós recebiam esse tratamento, mas com o tempo ele passou a estar disponível para as famílias mais ricas também. Os egípcios não foram os únicos a praticar a mumificação, mas suas técnicas eram tão sofisticadas que se tornaram famosas.
O LIVRO DOS MORTOS
O Livro dos Mortos é uma coletânea de orações, cânticos e hinos religiosos produzidos durante o Novo Império. Antes de começarem a ser escritos, provavelmente, os textos foram recitados e transmitidos por uma longa tradição oral; por isso, é difícil determinar quando eles de fato surgiram. O que se acredita é que eles eram usados para guiar o falecido em sua viagem pelo mundo inferior.
Segundo a tradição egípcia, quando uma pessoa morria, a alma se separava do corpo e o reencontrava antes de se apresentar no Tribunal de Osíris. No tribunal, ocorria o momento decisivo para a regeneração do morto e sua admissão na eternidade: a pesagem do coração. Na presença do deus Anúbis, o coração do morto era colocado em uma balança que tinha como contrapeso a pluma de Maat, deusa da verdade, da justiça, da ordem e do equilíbrio.
Hunefer se ajoelha diante de 14 deuses e juízes da morte.
Página do Livro dos Mortos de Hunefer, escriba do Novo Império, representando seu julgamento diante de Osíris. c. 1307-1306 a.C. Museu Britânico, Londres, Inglaterra.
A sabedoria e a arte egípcias
Os antigos egípcios se destacaram pelos conhecimentos desenvolvidos na arquitetura, engenharia, matemática, astrologia e medicina. Todas essas atividades se relacionavam com a religião e a administração faraônica. Um fator que nos ajuda a compreender como esses elementos se relacionavam é que os sábios geralmente eram funcionários do templo ou do governo e, por isso, a produção de seu conhecimento deveria servir a esse regime político. O mesmo ocorria com a arte e os artistas, e quase todas as pinturas e esculturas faziam parte dos palácios, santuários ou túmulos dos faraós. Além disso, a produção artística era controlada por regras e fórmulas que mudaram pouco com a passagem do tempo. Entre essas regras podemos citar a da frontalidade, que podemos ver representada na imagem ao lado. Nela, é possível identificar uma das regras da pintura egípcia de acordo com a qual as figuras humanas deveriam ser representadas sempre na mesma posição.
A ESCRITA EGÍPCIA
A escrita egípcia parece ser tão antiga quanto a suméria, mas não há certeza
sobre isso. A primeira forma de escrita no Egito foi o hieróglifo, que surgiu por
volta de 3300 a.C.
No início, a escrita egípcia era pictográfica, isto é, representava
objetos por meio de desenhos. Com o tempo, essa escrita passou a ser ao mesmo
tempo ideográfica, contendo sinais representando ideias, e fonética, com sinais
que representavam sons da fala.
Hieróglifos eram os símbolos que formavam a escrita egípcia principal. Os egípcios dominavam três tipos de escrita. A hieroglífica era a mais antiga e complexa, usada principalmente nas inscrições religiosas e funerárias.
A hierática era uma versão simplificada da primeira, utilizada pelos escribas para escrever com rapidez nos papiros. O registro mais antigo dessa escrita data de meados do terceiro milênio antes de Cristo.
A demótica era a mais simples, para textos administrativos e para a comunicação com outros povos. A escrita
demótica, ou popular, apareceu por volta do ano 700 a.C. Era uma escrita mais
simples, que servia também para escrever cartas, fazer contas e registros.
Os egípcios usavam vários materiais para escrever. Os hieróglifos eram usados
principalmente para escrever nas paredes dos templos, em monumentos funerários e, em alguns casos, no papiro. Anotações cotidianas eram feitas em madeira e
papiro, tanto na escrita hierática quanto na demótica.
Saber ler e escrever no Egito Antigo era indispensável ao indivíduo que quisesse
seguir uma carreira de funcionário do faraó, ser sacerdote de um templo ou mesmo
general de um exército.
Com o passar dos anos e o fim da realeza faraônica, os hieróglifos caíram em
desuso e nem mesmo os egípcios compreendiam aqueles sinais.
A decifração dos hieróglifos
Em 1799, um grupo de soldados franceses descobriu na cidade
de Roseta, no Egito, uma pedra com inscrições em hieróglifo,
demótico e grego.
Ao traduzir as inscrições em grego e
em demótico, pesquisadores concluíram que se tratava
do mesmo documento, escrito em duas línguas diferentes.
O próximo passo era descobrir a relação entre os
hieróglifos e os caracteres gregos e demóticos.
O trabalho de tradução mais bem-sucedido foi o do linguista
francês Jean-François Champollion, grande conhecedor
da cultura egípcia.
Graças aos estudos do físico e egiptólogo britânico
Thomas Young, Champollion reconheceu o nome do
faraó egípcio Ptolomeu, comparando a posição dele
na escrita hieroglífica e nas escritas demótica e grega.
A descoberta descortinou uma história de milhares
de anos.
Pedra de Roseta. Século II a.C.
Inscrições em granito negro, 114 cm # 72 cm.
Museu Britânico, Londres, Inglaterra.