sexta-feira, 2 de outubro de 2026

O Império de Axum

Na Antiguidade, a cidade de Axum, na atual Etiópia, ficava a três ou quatro dias de viagem a pé das margens do rio Nilo. Parece muito? Para a época, não era, especialmente para os comerciantes que realizavam longas viagens para comprar e vender mercadorias em diferentes regiões.
Um povo originário da península Arábica, conhecido como sabeus, deslocou-se para a África por volta de 2000 a.C. e lá estabeleceu aldeias agrícolas que deram origem a cidades. Entre elas estava Axum. 
O Reino de Axum se formou em torno da cidade do mesmo nome, localizada ao norte da atual Etiópia. Ao ocupar a região, os grupos humanos começaram a desenvolver a agricultura focada na produção de cereais e em atividades como o pastoreio. 
Ao formar comunidades agrícolas, começaram a surgir poderes centralizados em torno dessas áreas. Essa ordenação política levou à construção de palácios, túmulos, altares ricamente decorados, indicando uma sociedade que era dividida por pessoas com diferentes poderes econômicos e influência sobre a população. 
Embora a cidade tenha sido fundada no século I a.C., muito antes disso a região já era visitada pelos egípcios que buscavam mirra, planta utilizada em seus rituais religiosos. Além do Egito, os habitantes locais estiveram sob influência de Cuxe e dos povos da península Arábica, que vinham do outro lado do Mar Vermelho para comercializar produtos diversos. Graças à influência destes últimos, os axumitas se tornaram hábeis navegantes e ricos mercadores.
No primeiro século da nossa era, isto é, no século I d.C., Axum havia se tornado a capital de um reino que, em seguida, passou a dominar os povos vizinhos e a cobrar-lhes impostos, transformando-se em um império.
Os axumitas construíram uma complexa civilização que fabricava moedas de cobre, prata e ouro e praticava uma sofisticada metalurgia.
O império tinha escrita própria, baseada no idioma ge’ez. Além disso, a elite axumita falava e escrevia em grego, idioma utilizado nas trocas comerciais daquela região. Naquela época, Axum era um importante centro de comércio entre o Vale do Nilo e os portos do mar Vermelho, por onde circulavam mercadorias entre o continente africano e o sudoeste asiático.
A partir do século II d.C., o Império de Axum atravessou o mar Vermelho e expandiu-se ainda mais, conquistando algumas cidades no território do atual Iêmen. No século IV, voltou-se para o rio Nilo, onde dominou o Reino de Cuxe, ampliando seu poder imperial. Como você já sabe a distância entre Axum e o Nilo, pode imaginar que essa expansão imperial dos exércitos exigia muitos recursos e longos deslocamentos.
O declínio da sociedade axumita começou no século VII, quando a religião islâmica surgiu na Arábia e os muçulmanos começaram sua expansão para o norte da África. Como a maior parte da região acabou convertida ao islamismo, os axumitas cristãos acabaram isolados e sem parceiros comerciais. O declínio do comércio também levou ao declínio do Império. Por volta dos séculos XII e XIII, o Reino experimentou uma breve recuperação, vivendo novo momento de prosperidade.

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