sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Egito e Cuxe: expansão e dominação

A navegação pelo Rio Nilo era um fator de integração entre o Egito e a Núbia. Detalhe da peregrinação para Abidos, dinastia XVIII. Afresco em tumba localizada em Tebas, Egito. 84 Apesar da relação comercial estabelecida entre egípcios e cuxitas, suas interações nem sempre foram amigáveis. Em primeiro lugar, a presença núbia nos arredores do Rio Nilo representava uma ameaça à unidade do Império Egípcio e ao poder faraônico. Deste modo, os egípcios guerreavam frequentemente com os cuxitas. 
Além disso, a cobiça pelas riquezas núbias transformou os egípcios, antigos parceiros comerciais do Reino de Cuxe, em conquistadores. Por volta de 2500 a.C. os egípcios dominaram Cuxe e mantiveram o poder sobre o território cuxita até o período em que o próprio Egito foi invadido pelos hicsos. Após o domínio dos hicsos, os núbios conseguiram se libertar dos egípcios. 
Quando os egípcios expulsaram os hicsos, por volta do ano 1552 a.C., o Egito se fortaleceu e novamente ocupou os territórios cuxitas. A partir do século XI a.C., com as disputas internas enfraquecendo o poder dos faraós, os núbios se livraram da dominação egípcia.
Em 751 a.C. a situação se inverteu, Cuxe fortaleceu seu exército e submeteu o Império Egípcio ao seu domínio. Piankhy, líder guerreiro cuxita, tomou o palácio real em Tebas e inaugurou a 25a dinastia de faraós, conhecida como a dinastia núbia. Deste modo, os núbios passaram a governar todo o Império Egípcio. Essa foi a época de maior glória de Cuxe. 
Algumas décadas depois, os assírios conquistaram o Egito (672 a.C.) e o Reino de Cuxe se separou, continuando como um território independente ao sul e mantendo uma organização política típica dos povos da região e, ao mesmo tempo, influenciada pelos egípcios. Mesmo depois destes eventos, as relações entre Egito e Cuxe continuaram tensas, até que a cidade de Napata foi invadida, saqueada e incendiada (591 a.C.). 
Após a invasão de Napata, a capital de Cuxe foi transferida para Meroé, localizada mais ao sul. Isso reduziu as relações culturais e comerciais entre egípcios e cuxitas. Cuxe voltou-se cada vez mais para o sul, consolidando-se por muitos séculos como a principal potência da região.

O declínio de Cuxe


A condição de principal potência do continente africano só começou a ser ameaçada pelo desenvolvimento do Reino de Axum, que começou a ascender a partir do século I. Parece ter havido uma série de fatores para a decadência do Reino de Cuxe, como a concorrência com o Reino de Axum, o recomeço dos ataques do Egito (nesse período sob domínio romano), entre outros motivos.
A partir de então, os grandes monumentos, sobretudo os gigantes cos túmulos dos reis, começaram a se tornar progressivamente mais raros e menos monumentais, deixando de ser construídos por volta do século IV. A ausência de novos túmulos é um indício de que, nesse período, Meroé e demais regiões de Cuxe já estavam sob o controle de Axum e outros povos da região.

Reino de Cuxe: vida e sociedade


O Egito exerceu forte influência cultural sobre diversos povos africanos, principalmente sobre o Reino de Cuxe. O povo núbio assimilou aspectos da cultura egípcia e os incorporou aos seus costumes, desenvolvendo uma nova cultura.

Sociedade


O Reino de Cuxe também tinha uma divisão social que tinha como base a organização política do reino. Os reis ocupavam a posição mais alta na sociedade núbia. Abaixo deles, os sacerdotes, chefes locais e anciãos das famílias mais importantes (cuja função era preservar as leis e as tradições religiosas). A seguir, vinham os militares, funcionários estatais, comerciantes, artesãos e, na base, os trabalhadores (camponeses ou mineradores). Em Cuxe, a escravidão era mais comum do que no Egito, mas também não era a principal forma de trabalho. A maior parte dos escravizados capturados em batalhas era vendida para outros povos.

Economia


O Reino de Cuxe tinha a sua economia pautada na agricultura (principalmente de cereais para a alimentação e algodão para as vestimentas), criação de animais (cabras, burros e cavalos que eram usados para o transporte), artesanato, comércio, mineração (sobretudo de ouro) e metalurgia, pois os núbios se notabilizaram como ourives, ou seja, artesãos que produziam joias em ouro.

Cultura e religião


Os núbios aderiram às crenças egípcias, mas também cultuavam seus deuses locais. A influência do Egito igualmente estava presente na arquitetura (como se pode observar nas ruínas de pirâmides ainda existentes no Sudão) e na adoção dos hieróglifos como sistema de escrita. No entanto, os cuxitas chegaram a desenvolver uma escrita própria, chamada meroítica, que ainda não foi totalmente decifrada.

As mulheres no Egito e as candaces de Cuxe


Exemplos de igualdade total entre homens e mulheres na Antiguidade são desconhecidos. No entanto, houve casos em que a mulher tinha mais direitos e liberdades em comparação à maioria dos outros povos da época. Entre esses casos estão Egito e Cuxe. No Egito, embora a maioria das mulheres se dedicasse às atividades domésticas, de acordo com as leis e tradições elas tinham direitos próximos aos dos homens.
Além disso, a figura feminina era considerada sagrada e a monarquia era matrilinear, ou seja, embora fossem mais comuns faraós homens do que mulheres, a linhagem era uma herança da mãe, e não do pai. Existiram, inclusive, alguns faraós do sexo feminino, dos quais a mais célebre foi Hatchepsut, que governou entre 1479 a.C. e 1458 a.C.
Na sociedade cuxita, sobretudo na política, o papel da mulher era reconhecido. Houve várias rainhas governantes, que geralmente as- sumiam o poder após a morte de seus maridos ou quando seus filhos herdeiros do trono ainda eram muito jovens para governar. Essas mulheres recebiam o nome de candaces, e, além das funções administrativas, frequentemente se destacavam como rainhas guerreiras, liderando as tropas em batalha.

Nenhum comentário:

GUERRA DE TRÓIA

Conflito em que a Grécia antiga teria derrotado a cidade de Tróia, localizada na Ásia Menor, no séc. XIII a.C., valendo-se de um estratagema...