quinta-feira, 1 de outubro de 2026

OS NÚBIOS

Os núbios habitavam a região do atual Sudão, entre a segunda e a sexta cataratas do rio Nilo. Sabe-se que eles formaram aldeamentos fixos no local desde 4000 a.C. O contato com os egípcios favoreceu o compartilhamento de características culturais, como a construção de pirâmides, o cuidado com os mortos e os estilos de pintura e de ornamentação.
A partir de 2000 a.C., a elite da cidade núbia de Querma se impôs sobre as outras cidades núbias e se tornou capital de um novo império: o Império de Cuxe. Com governo centralizado em uma figura semelhante à do faraó egípcio, esse Estado enriqueceu ao intermediar o comércio entre os povos mediterrâneos, o Egito e os povos ao sul da Núbia.
Os núbios exportavam para os egípcios peles, madeira, mar fim, cascos de tartaruga, resina, incensos e ovos de avestruz, e do Egito importavam tecidos, azeite, pedras preciosas, mel e objetos de cobre. Com a descoberta de minas de ouro no sul da Núbia, Cuxe passou a ser o maior fornecedor desse metal precioso para a corte do faraó. A comercialização de escravos também era intermediada pelos núbios. Em geral, tornavam-se escravos os devedores e os prisioneiros de guerra. 
Além de Querma, outros centros urbanos núbios se destacaram no Império de Cuxe: Napata e Méroe.

Pirâmides de Méroe, no atual Sudão, construídas entre os séculos III a.C. e III d.C.  

Napata se tornou a capital de Cuxe, por volta de 1000 a.C., até a invasão dos assírios em 660 a.C. Para fugir deles e assegurar a continuidade do Império, os governantes núbios se mudaram para uma cidade mais ao sul: Méroe. O fim definitivo do Império de Cuxe ocorreu no século III, com a destruição de Méroe por uma nova potência: Axum.

REIS E RAINHAS DE CUXE 

O Estado cuxita era governado por um rei que, provavelmente, representava o papel de um deus para seu povo, semelhante ao que ocorria com os faraós egípcios. Os súditos de Cuxe acre ditavam que o rei era escolhido pelos deuses em um processo comandado pelos sacerdotes, o que garantia a união do escolhi do com o plano divino. 
A escolha do rei era complexa. Os candidatos eram sempre membros da família real, preferencialmente os irmãos do soberano. A sucessão real cuxita não se dava, portanto, de pai para filho. Muitos grupos participavam da escolha do rei, incluindo nobres, militares, altos funcionários do Estado e sacerdotes.

RAINHAS GOVERNANTES 

Uma característica do Estado cuxita era o importante papel político desempenhado pelas mulheres. Desde o princípio do Império de Cuxe, a rainha-mãe, ou seja, a mãe do rei, detinha grande poder e prestígio, tomando parte de algumas decisões do governo. 
Como a sucessão ao trono de Cuxe se dava principalmente entre irmãos, a rainha-mãe era, na prática, a mãe de muitos reis, o que aumentava seu poder. As mulheres da família real também alcançavam altos postos no Estado, principalmente como sacerdotisas de Amon, cargo de grande poder político e econômico.
A partir do século II a.C., surgiram as primeiras governantes mulheres, rainhas que não dividiam o poder com nenhum outro nobre. Eram as candaces. No fim do século I a.C., uma candace que habitava Méroe enfrentou as tropas de Roma que dominavam o Egito, fato que foi registrado pelos romanos.

Relevo em parede do templo cuxita do deus Apedemak, o deus Leão, em Naga, atual Sudão. A cena mostra a candace Anamitare de Cuxe (à direita) golpeando seus inimigos. 





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