A "pedagogia renovada" é uma concepção que inclui várias correntes que, de uma forma ou de outra, estão ligadas ao movimento da Escola Nova ou Escola Ativa. Tais correntes, embora admitam divergências, assumem um mesmo princípio norteador de valorização do indivíduo como ser livre, ativo e social.
Surgiu de um movimento iniciado na Inglaterra em fins do século XIX e se espalhou por toda Europa e EUA, tendo chegado ao Brasil na década de 1920. Há vários tipos de escola nova, mas todos se baseiam na noção de que não há uma essência humana determinada desde o nascimento; ela se faz durante a existência. O ser humano é mutável, incompleto desde o nascimento e continua inacabado até a morte. Assim, a educação segue o ritmo da vida, que varia de pessoa para pessoa, pois é determinado pela existência. A escola nova foi a primeira a reconhecer as diferenças individuais; consequentemente, advogou um currículo individual.
A atividade como princípio educativo, tema central da Escola Nova, revolucionou a educação e a didática. Os impactos ainda são visíveis e o principio da atividade atrai grande contingente de educadores no mundo inteiro.
O termo escola ativa, cunhado por Dewey (1859 - 1952), nasceu da compreensão da necessidade das atividades práticas, como o trabalho, o brinquedo e o jogo, fazerem parte do processo educativo.
Na perspectiva tradicional e racionalista, a atividade se limita ao exercício mental. Assim, a atividade tem um fim em si mesma e não diz respeito direto aos objetos da ação. Dito de outra forma, a atividade, na concepção tradicional, só se dá no plano do pensamento e pelo pensamento e se realiza de forma ideal, distante da prática. Era essa perspectiva que o pragmatismo deweyano se propunha a superar, objetivando enfatizar a prática, ao invés da especulação racionalista.
As ideias de John Dewey se desenvolveram no contexto de decadência da sociedade tradicional e ao lado da revolução industrial. Esta teve, como epicentro, a grande indústria. Através dela, muitas cidades se tronaram grandes centros urbanos e novas relações sociais se estabeleceram. A grande indústria foi ainda responsável pelo êxodo rural, pelo novo papel da mulher na sociedade, pelo crescimento do trabalho infantil e pelo nascimento de um novo principio educativo: a atividade.
Como vimos, Herbart intentou aplicar os conhecimentos da ciência experimental à educação. No entanto, havia dificuldades práticas na efetivação de sua proposta, pois a revolução industrial constituía uma realidade muito mais rica e diversificada do que aquela compreendida por Herbart, em sua lógica positivista.
Desse modo, a proposta pedagógica elaborada pelo filósofo alemão, não mais respondia à dinâmica social, caracterizada por uma nova forma de organizar o trabalho, como também pela quebra de muitos costumes e preconceitos, decorrentes do processo em questão.
Herbart, não conseguiu compreender o movimento da realidade, a riqueza de fatores que envolviam as mudanças sociais e como estas se relacionavam com a educação. Neste contexto, outra força disputa espaço na interpretação dos fenômenos sociais, tomando como foco a escola e buscando realizar uma revolução educacional que respondesse à altura à revolução industrial: a Escola Nova.
Um marco deste movimento foi a descoberta da importância da atividade como princípio educativo. Essa descoberta está relacionada, mais diretamente, a dois campos do conhecimento: por um lado à psicologia e, por outro, à economia.
No campo da psicologia, passou-se a compreender que a criança possui processos mentais próprios e diferenciados dos adultos, na apreensão do conhecimento. Isto levou ao entendimento acerca da necessidade de mudanças nos processos pedagógicos e na Didática, de modo a propiciar um ambiente ativo, na formação escolar. Passou-se a defender que o movimento próprio do organismo infantil deveria ter as energias mobilizadas para a aprendizagem.
Se for próprio da criança, o movimento físico, que ele seja canalizado em nome da aprendizagem infantil. Daí, surgem propostas de realização de atividade diversas, nas quais a criança passou a agir sobre os objetos do conhecimento, deixando de ser apenas receptora de conteúdos provindos do professor ou dos livros.
As salas de aula tomaram nova vida: o silêncio foi substituído pela fala ou pelo riso das crianças e as salas de aula passaram a ser coloridas e enfeitadas. A organização da sala de aula rompeu com o estilo de cadeiras enfileiradas e abriu-se para a formação de círculos, de cantinhos de aprendizagens especificas, nos quais o interesse da criança propunha as atividades, antes rigidamente impostas pelo professor.
A espontaneidade da criança, suas emoções, suas dúvidas, suas fantasias, passaram a ser objeto de acolhimento por parte dos professores. Agora, as crianças recortam, pintam, desenham, dançam, cantam, jogam, brincam: a escola adaptou-se à dinâmica infantil. Para além da sala de aula, as crianças passaram a serem estimuladas em atividades de manipulação de objetos da natureza, seja em laboratórios, seja no contato direto com a água, o solo, a vegetação, ou com matérias pedagógicos criado por especialistas em educação.
Interessa agora pôr a criança em contato com aquilo que é considerado concreto: os objetos palpáveis.
O processo educacional sofre uma virada do racionalismo para o empirismo. Interessa, agora, a sensação, o toque e, com eles, a criatividade, a iniciativa, as atividades grupais, a aceitação do erro. Neste contexto, as excursões, foram elementos profundamente importantes para a realização deste ideal de educação, pois proporcionavam contato variado com diferentes aspectos da cultura, como vegetação, relevo, hidrografia, solo, clima, alimentação, vestuário, cultura, música, dança, teatro, variedade linguística, costumes, dentre outros aspectos relevantes.
Como resgate histórico, informamos que o movimento da Escola Nova surgiu na Europa, especialmente na Suíça, na França e na Inglaterra, marcada mente nas últimas décadas do século XIX. Aparece também de maneira muito influente nos Estados Unidos, na forma de um pragmatismo filosófico-educacional, donde destacamos a figura do educador estadunidense John Dewey.
O termo movimento se adequou à nova teoria da educação, justamente por a mesma caracterizar-se como uma proposta que busca relacionar pensamento e ação. Há, portanto, um rompimento epistemológico com uma escola somente teórica, para uma proposta pedagógica que privilegia a atividades prática e que se propõe a unir cabeça e mãos na realização das tarefas educativas.
A Escola Nova surge, assim, como uma escola de movimento (ação). Para os educadores escolanovistas, a instituição escolar deveria compreender, interpretar e reproduzir o movimento da sociedade em desenvolvimento, especialmente quanto ao progresso da ciência experimental aplicada ao mundo do trabalho.
Como já afirmamos, o contexto social do nascimento das ideias renovadoras (Escola Nova), está relacionado a uma nova complexidade social, da qual a grande indústria aparece como centro. Em torno dela, organizaram-se bairros operários. Ao mesmo tempo, a ciência e a técnica receberam nova guarida, a nova divisão social e sexual do trabalho tomou contornos inéditos e o trabalho infantil eclodiu como um problema do mundo moderno.
Ao lado disto, novas concepções de sociedade foram sendo elaboradas: o antigo entendimento de uma sociedade estática foi sendo substituído por abordagens que passaram a perceber a mobilidade, a mudança.
A modernidade burguesa estava sendo construída e um aparato constitucional passou a selar as relações entre os homens. Rousseau (1712 - 1778) há muito, havia proposto o Contrato Social, ao mesmo tempo em que publicava Emílio, ou Da educação, obra clássica do pensamento pedagógico que exerceu profunda influência nos educadores da Escola Nova, como registra Nosella (1992). As leis, os direitos, a igualdade, a justiça e a liberdade passaram a ser focos da humanidade e os educadores escolanovistas assumiram o humanismo liberal próprio ao espírito transformador desse período.
Por outro lado, Durkheim (1858 - 1917) apresentava os princípios de uma cultura científica em acordo com a modernidade em ascensão. Os educadores da Escola nova compreenderam a posição durkheimiana e fundamentaram suas propostas educacionais tomando a ciência como a grande referência de um novo fazer pedagógico.
Tanto em fins do século XIX, nos Estados Unidos e na Europa, como a partir dos anos 20, do século passado, no Brasil, os educadores liberais da Escola Nova apresentaram-se à sociedade com ideais renovadores, tendo como mote a defesa da democracia, da escola pública gratuita e laica. Ao lado de educadores socialistas, comunistas e anarquistas, os liberais da Escola Nova atuaram em frentes de luta, na defesa de princípios modernizadores comuns às diferentes ideologias há pouco referidas.
Historicamente, os educadores escolanovistas apareceram como reformadores da sociedade e da escola, sempre numa crítica ferrenha à tradição e ao conservadorismo. Obviamente, o movimento possuía várias correntes internas e posturas mais avançadas ou mais austeras.
No entanto, não podemos afirmar que os educadores da Escola Nova assumiram posições reacionárias ou politicamente atrasadas. A misteriosa morte de Anísio Teixeira, em 1971, durante a ditadura militar, ilustra como os conservadores encaravam esse educador escolanovista.
Os fundamentos da Escola Nova foram sistematizados em uma importante reunião ocorrida na França, em 1919. As principais deliberações da reunião reali zada em Calais, conforme relato de Lourenço Filho (1978), estabeleceram impor tantes princípios gerais de uma nova educação, dos quais, apresentaremos qua tro, apenas como ilustração e devido à expressão de seus significados.
No que diz respeito à organização geral, “A Escola Nova é um laboratório de pedagogia prática”. Quanto à formação intelectual: “o ensino será baseado na experiência”. Já, quanto à formação moral, o encontro propôs, além de outros pontos, que a mesma fosse “crítica e livre; e que a escola deve ser um ambiente belo”.
Além desses princípios, Lourenço Filho informa que o movimento da Escola Nova acrescentou o compromisso com a cidadania, com a pátria e com a humanidade.
O norte-americano John Dewey foi o nome de maior expressão da Es cola Nova e o maior representante da corrente mais vigorosa do movimento renovador, o pragmatismo. Suas ideias influenciaram todos os continentes, inclusive os países ditos socialistas.
No Brasil, o pragmatismo teve como maior expoente o educador baiano Anísio Teixeira (1900 - 1971). As ideias pragmáticas de John Dewey repercutiram fortemente na educação mundial e alcançam, ainda hoje, grande relevo. Dewey é o pai das pedagogias do aprender a aprender, como também da pedagogia de projetos.
Quanto ao método de trabalho docente, Dewey propunha que se partisse de:
1) Uma dificuldade prática diante do conhecimento, para daí
2) Se estabelecer as características do problema em foco, e, em seguida
3) Levantar as hipóteses de solução do referido problema.
4) Refletir sobre os possíveis resultados das ações realizadas a partir das hipóteses levantadas no momento anterior.
5) Já o quinto e último passo relaciona-se à aceitação ou rejeição de hipóteses, o que exige observação e experimento, por parte do aprendiz.
As características da escola nova foram definidas em oposição às da escola tradicional . Em um ponto, no entanto, não há diferença: ambas se declaram politicamente neutras.
A ideia de um ensino guiado pelo interesse dos alunos acabou, em muitos casos, por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado, perdendo-se de vista o que deve ser ensinado e aprendido.
Essa tendência, que teve grande penetração no Brasil na década de 30, no âmbito do ensino pré-escolar (jardim de infância), até hoje influencia muitas práticas pedagógicas.
A Atualidade das ideias pragmáticas de John Dewey é fato, ante o predomínio do lema do aprender a aprender, como da atualidade da pedagogia de projetos. Por outro lado, o neopragmatismo de Richard Rorty (1931 - 2007) alcança força expressiva na educação mundial, especialmente em seu aspecto imediatista e antiteórico.
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