No grupo das teorias pedagógicas modernas, Libâneo (2005) situa:
1. Pedagogia Tradicional;
2. Pedagogia Renovada;
3. Tecnicismo Educacional;
4. Pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como:
a. Pedagogia Libertária;
b. Pedagogia Libertadora;
c. Pedagogia Crítico-social.
Segundo Libâneo (2005), as práticas pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostravam que tais tendências continuavam ativas e estáveis, mantendo seu núcleo teórico forte, ainda quando já se observavam outras nuanças, outros focos de compreensão teórica e outras formas de aplicabilidade pedagógica. Todas essas teorias tinham em comum:
1. Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade racional, científica, tecnológica, como objeto de conhecimento;
2. Que os conhecimentos e modos de ação deduzidos de uma cultura universal objetiva precisavam ser comunicados às novas gerações e recriados em função da continuidade dessa cultura;
3. Que os seres humanos possuem uma natureza humana básica, postulando, a partir daí, direitos básicos universais;
4. Que os educadores são representantes legítimos dessa cultura e cabe lhes ajudar os alunos a internalizarem valores universais tais como, por exemplo, racionalidade, autoconsciência, autonomia, liberdade etc.
Além das teorias pedagógicas contemporâneas modernas, Libâneo (2005), no próprio texto em questão, elabora um esboço de quadro geral das correntes pedagógicas contemporâneas que, de certa maneira, influenciavam se pelo pensamento pós-moderno.
Essas correntes podem ser consideradas uma “pedagogia” já que influenciam as práticas docentes, mesmo pela sua negação. Constituem-se a partir das críticas às concepções globalizantes do destino humano e da sociedade, isto é, as metanarrativas assentadas na razão, na ciência, no progresso, na autonomia individual. Para as correntes pós-modernas não há valores transcendentais e crença na transformação social, pois, para elas, tudo isso não tem muito fundamento “porque foi dessas ideias que apareceram os problemas mais candentes da nossa época como a perda do sujeito, a docilidade às estruturas, a exploração do trabalho, a degradação ambiental etc.” (LIBÂNEO, 2005, p.34-35). Integram o grupo das correntes “pós-modernas” as seguintes:
1. O pós-estruturalismo;
2. O neopragmatismo.
Para Silva (2004) os pós-estruturalistas “olham com desconfiança para conceitos como alienação, emancipação, libertação, autonomia, que supõem, todos, uma ausência subjetiva que foi alterada e precisa ser restaurada” (SILVA, 2004, p. 150). Em outras palavras, a partir de um viés antifundacional “acaba com qualquer vanguardismo, qualquer certeza e qualquer pretensão de emancipação” (SILVA, 2004, p.116). Em outras palavras, “são desestabilizados os projetos de formação de um sujeito emancipado e consciente, capaz de dirigir a transformação social” (LOPES, 2013, p. 18), uma vez que “[...] não existe sujeito a não ser como o simples e puro resultado de um processo de produção cultural e social” (SILVA, 2004, p. 120).
As categorias pós-críticas seriam aquelas correntes identificadas com o pós modernismo e pós-estruturalismo, ainda que heterogêneas, mas que buscam premissas diferentes das vertentes críticas e se consolidam no sentido de superação da concepção curricular crítica. Segundo o quadro teórico elaborado por Silva (2009), os pós-críticos enfatizam a cultura, o gênero, a etnia, a diferença e a linguagem. Já os críticos ressaltam o poder, a economia, a classe social e o conflito. O autor desconsidera possibilidades de hibridismos teóricos entre as vertentes, como por exemplo, na questão da cultura: central para os críticos e também pós-críticos.
As teorias pós–críticas abordam com ênfase as preocupações com a diferença, com as relações saber-poder no âmbito escolar, o multiculturalismo, as diferentes culturas raciais e étnicas, enfim, não é uma questão de superação da teoria crítica, mas segundo Silva (2007, p. 147), [...] a teoria pós–crítica deve se combinar com a teoria crítica para nos ajudar a compreender os processos pelos quais, através de relações de poder e controle, nos tornamos aquilo que somos.
O currículo é visto a partir da teoria crítica e pós-crítica, segundo Silva (2007), como espaço de poder, de lutas, sendo uma construção social. Prioriza se a problematização, o diálogo, instigando o aluno na sua fala com a realidade. O professor não reproduz meramente saberes prontos e sistematizados, mas caminha junto com o aluno numa relação com a experiência vivenciada.
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