terça-feira, 3 de novembro de 2026

História da educação

A pedagogia é a teoria crítica da educação, isto é, da ação do homem quando transmite ou modifica a herança cultural. A educação não é um fenômeno neutro, mas sofre os efeitos da ideologia, por estar de fato envolvida na política.


Sociedades Tribais: a educação difusa


Nas comunidades tribais as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais. As crianças aprendem "para a vida e por meio da vida", sem que alguém esteja especialmente destinado a tarefa de ensinar.


Antiguidade Oriental: a educação tradicionalista


Nas sociedades orientais, ao se criarem segmentos privilegiados, a população, composta por lavradores, comerciantes e artesãos, não tem direitos políticos nem acesso ao saber da classe dominante. A princípio o conhecimento da escrita é bastante restrito, devido ao seu caráter sagrado e esotérico. Tem início, então, o dualismo escolar, que destina um tipo de ensino para o povo e outro para os filhos dos funcionários. A grande massa é excluída da escola e restringida à educação familiar informal.


Antigüidade Grega: a paidéia


A Grécia Clássica pode ser considerada o berço da pedagogia. A palavra paidagogos significa aquele que conduz a criança, no caso o escravo que acompanha a criança à escola. Com o tempo, o sentido se amplia para designar toda a teoria da educação. De modo geral, a educação grega está constantemente centrada na formação integral – corpo e espírito – mesmo que, de fato, a ênfase se deslocasse ora mais para o preparo esportivo ora para o debate intelectual, conforme a época ou lugar. Nos primeiro tempos, quando não existia a escrita, a educação é ministrada pela própria família, conforme a tradição religiosa. Apenas com o advento das póleis começam a aparecer as primeiras escolas, visando a atender a demanda.


Antiguidade Romana: a humanitas

De maneira geral, podemos distinguir três fases na educação romana: a latina original, de natureza patriarcal; depois, a influência do helenismo é criticada pelos defensores da tradição; por fim, dá-se a fusão entre a cultura romana e a helenística, que já supõe elementos orientas, mas nítida supremacia dos valores gregos.


Idade Média: a formação do homem de fé

Os parâmetros da educação na idade média se fundam na concepção do homem como criatura divina, de passagem pela Terra e que deve cuidar, em primeiro lugar, da salvação da alma e da vida eterna. Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão, recomenda-se respeitar sempre o princípio da autoridade, que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes, autorizados pela igreja, sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados. Evita-se, assim, a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da igreja. Predomina a visão teocêntrica, a de Deus como fundamento de toda a ação pedagógica e finalidade da formação do cristão. Quanto às técnicas de ensinar, a maneira de pensar rigorosa e formal cada vez mais determina os passos do trabalho escolar.


Renascimento: humanismo e reforma


Educar torna-se questão de moda e uma exigência, segundo a nova concepção de homem. O aparecimento dos colégios, do século XVI até o XVIII, é fenômeno correlato ao surgimento de uma nova imagem da infância e da família. A meta da escola não se restringe à transmissão de conhecimentos, mas a formação moral. Essa sociedade, embora rejeite a autoridade dogmática da cultura eclesiástica medieval, mantém-se ainda fortemente hierarquizada: exclui dos propósitos educacionais a grande massa popular, com exceção dos reformadores protestantes, que agem por interesses religiosos.


Os Pensadores: 
SÓCRATES - (469-399 a.C.) 


O mestre em busca da verdade. O pensamento do filósofo grego Sócrates marca uma reviravolta na história humana. A preocupação dele era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem. Enquanto os sofistas preocupavam-se em formar as elites dirigentes (transmitindo aos jovens o saber enciclopédico, além de desenvolver a retórica). Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, a alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental, uma delas é a idealista que partiu de Platão e outra realista partindo de Aristóteles. Sócrates defendia o diálogo como método de educação, por isso valorizava o contato direto com os interlocutores. Esse diálogo educacional era composto por dois momentos: o primeiro – era o dar-se conta de que nada se sabe, o segundo era a (re)construção dos conceitos. O pensador afirmava que o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações isoladas) conduz á prática da virtude. Então, só age erradamente quem desconhece a verdade e o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana. O papel do educador é ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio “iluminar” sua mente e sua consciência. Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Para o filósofo, só a troca de ideias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão – condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento humano. LATÃO (427-347 a. C) O primeiro pedagogo. Concebeu um sistema educacional e integrou-o a dimensão ética e política. O objetivo final da educação, para ele, era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo. Para Platão toda a virtude é conhecimento. O homem virtuoso conhece o bem e o belo. A busca da virtude deve prosseguir pela vida inteira, portanto a educação deve continuar sempre e é importante para manter a ordem política baseada na justiça. Sendo assim, tarefa de toda a sociedade. Para ele, o poder deveria ser exercido por uma espécie de aristocracia, mas não constituída pelos mais ricos ou por uma nobreza. Os governantes tinham de ser definidos pela sabedoria então, os reis deveriam ser filósofos. Platão defendia a ideia de que a alma precede o corpo e que, antes de encarnar, tem acesso ao conhecimento. Dessa forma, todo aprendizado não passaria de um esforço de lembrança. Por isso, não é possível ou desejável transmitir conhecimentos aos alunos, mas sim, levá-los a procurar respostas para as suas dúvidas. Por isso, o filósofo rejeitava métodos de ensino autoritários. Ele acreditava que deveria deixar os estudantes livres para que pudessem se desenvolver. O professor e o aluno deveriam pensar sobre o próprio pensar. 

ARISTÓTELES (384-322 a.C.) 


O defensor do ensino para a virtude. Foi o que mais influenciou a civilização ocidental. A contribuição de Aristóteles para o ensino está principalmente em escritos sobre outros temas. Em suas reflexões sobre ética, por exemplo, ele afirma que o propósito da vida humana é a obtenção do que ele chama de vida do bem e harmoniosa, ou seja, o objetivo era ser feliz e útil à comunidade. A educação é um caminho para a vida pública e cabe à educação a formação do caráter do aluno. Um dos fundamentos do pensamento do filósofo é que todas as coisas têm uma finalidade. O ser humano só será feliz e contribuirá no mundo se conseguir desenvolver todas as suas potencialidades e cabe a educação contribuir para esse desenvolvimento. Ninguém nasce virtuoso, a virtude é uma prática e precisa virar hábito adquirido na escola. Na escola, o princípio do aprendizado seria a imitação, as crianças aprenderiam pelo exemplo dos adultos. Uma das contribuições de Aristóteles foi negar a existência de mundo onde residiriam as ideias como pensava Platão (Idealismo). Defendia a ideia de que a perfeição seria alcançada a partir das coisas reais, (Realismo). Outra inovação de Aristóteles foi o método lógico conhecido como “silogismo”. A observação empírica (experiências) ganha papel central na concepção de ciência em contraste com o pensamento de Platão. 

SANTO AGOSTINHO (354-430 Tagaste-África) 


O teórico da revelação divina. Idealismo Influenciou o pensamento ocidental nos primeiros séculos da Idade Média. Fundamentava-se na fé religiosa, educação e catequese se equivaliam, as escolas eram orientadas para a formação do clero, ficando para o segundo plano a transmissão dos conteúdos tradicionais. A educação estimulava a obediência aos mestres, a disciplina, o conformismo, e a humildade diante do desconhecido. O objetivo era treinar o controle das paixões para merecer a salvação da alma depois da morte. O conhecimento seria a capacidade de concluir verdades imutáveis por meio dos processos mentais. Como o homem é imperfeito e sujeito a erros, Deus ilumina o seu pensamento humano. Assim, o bem vem de Deus e o mal ocorre porque o homem prioriza suas vontades. O professor não ensina sozinho, depende também do aluno. A pessoa que ensina não transmite, mas desperta o saber do interior. No final da Idade Média surgem os Jesuítas que ministram o ensino voltado para a disciplina e a obediência com rigorosidade militar, visando o temor a Deus. Os jesuítas foram os criadores do método de ensino tradicional e tiveram grande importância na história das colônias. 

TOMÁS DE AQUINO (1224-1274 Sicília-Itália) 


O pregador da razão e da prudência. Realismo Formulou um amplo sistema filosófico que conciliava a fé cristã com o pensamento do grego Aristóteles que colocava a razão e a investigação intelectual em primeiro plano. A realidade material era considerada a fonte primordial de conhecimento científico e de satisfação pessoal. Para Tomás cabe a razão ordenar e classificar o mundo para entendê-lo. O conhecimento não depende da fé e nem de uma verdade divina no interior do indivíduo, mas é um meio de se aproximar de Deus. A inteligência é uma potência espiritual. Para ele, existem dois tipos de conhecimento o sensível (sentidos) e o intelectivo (razão). Pelo primeiro se pode conhecer a realidade e pelo segundo pode-se fazer relações, conceituar, classificar, conhecer a essência das coisas, que é o objetivo da ciência. O conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor. Assim, o conhecimento depende da iniciativa de cada um. 

ERASMO DE ROTERDÃ (1469-1536 Holanda) 


O porta-voz do humanismo. Realismo Divulgou o fim da predominância religiosa na educação, na cultura e na ciência; e, defendeu a importância da leitura dos livros antigos. Era a época da releitura, de redescoberta e de reinterpretação da produção cultural da antiguidade greco-romana. O eixo da nova filosofia era o antropocentrismo (homem como centro) contrário de teocentrismo (centro de tudo é Deus). A nova forma de compreender as coisas, posteriormente, foi chamado de humanismo. O objetivo final da educação era a moralidade. Erasmo criticava as escolas de seu tempo porque se baseavam em manuais imutáveis, repetições de conceitos e priorizavam a disciplina. Para Erasmo o principal era ir além da alfabetização para a interpretação dos textos. Para o pensador, ao ensinar era necessário levar em conta a pouca idade da criança cercando-a de cuidados. Porém, o seu programa pedagógico não era para todos. A recente invenção da impressora de tipos móveis entusiasmou Erasmo para a divulgação e ampla circulação de textos da literatura clássica. Suas idéias foram desprezadas na época, sendo resgatadas um século depois pelo educador tcheco João Comênio (1592-1670), considerado pai da didática moderna. 

MARTINHO LUTERO (1483-1546 Alemanha) 


O autor do conceito de educação útil. Idealismo Indignou-se com os costumes da igreja Católica de cobrar pela salvação eterna e foi o responsável pela reforma protestante. Essa divisão teve implicações sociais, econômicas e políticas. 
Outro ponto de divergência entre Lutero e a Igreja era que esta pregava que o mal que acontecia aos homens era fruto do castigo divino, para ele isto produzia medo e tornava impossível o sentimento espontâneo de amor a Deus. Ao interpretar os Evangelhos, Lutero, concluiu que os homens vivem por uma graça divina e que a justiça é revelada pelas escrituras, assim todos deveriam ler e interpretar os textos. 

Na educação, o pensamento de Lutero produziu uma reforma global no ensino alemão, inaugurando a escola moderna, que se espalhou pelo ocidente chegando à atualidade. A ideia de escola pública e para todos, organizada em três ciclos (fundamental, médio e superior) e voltada para o saber útil nasceram do projeto de Lutero. A classe econômica emergente gostou destas ideias, pois a educação poderia servir para a ascensão social.


Brasil: início da colonização e catequese


A atividade missionária facilita sobremaneira a dominação metropolitana e, nessas circunstâncias, a educação assume papel de agente colonizador.


Idade Moderna: a pedagogia realista


De maneira geral as escolas continuam ministrando um ensino conservador, predominantemente nas mãos dos jesuítas. Além disso, é preciso reconhecer, está nascendo a escola tradicional, como passaremos a conhecê-la a partir do século XIX.


O Brasil do séc. XVII


Por se tratar de uma sociedade agrária e escravista, não há interesse pela educação elementar, daí a grande massa de iletrados.


Século das Luzes: o ideal liberal de educação


O iluminismo é um período muito rico em reflexões pedagógicas. Um de seus aspectos marcantes está na pedagogia política, centrada no esforço para tornar a escola leiga e função do Estado. Apesar dos projetos de estender a educação a todos os cidadãos, prevalece a diferença de ensino, ou seja, uma escola para o povo e outra para a burguesia. Essa dualidade era aceita com grande tranquilidade, sem o temor de ferir o preceito de igualdade, tão caro aos ideais revolucionários. Afinal, para a doutrina liberal, o talento e a capacidade não são iguais, e portanto os homens não são iguais em riqueza...


O Brasil na era pombalina


Persiste o panorama do analfabetismo e do ensino precário, agravado com a expulsão dos jesuítas e pela democracia da reforma pombalina. A educação está a deriva. Durante esse longo período do Brasil colônia, aumenta o fosso entre os letrados e a maioria da população analfabeta.


Século XIX: a educação nacional


É no séc. XIX que se concretizam, com a intervenção cada vez maior do Estado para estabelecer a escola elementar universal, leiga, gratuita e obrigatória. Enfatiza-se a relação entre educação e bem-estar social, estabilidade, progresso e capacidade de transformação. Daí, o interesse pelo ensino técnico ou pela expansão das disciplinas científicas.


Principais pedagogos:


Pestalozzi – é considerado um dos defensores da escola popular extensiva a todos. Reconhece firmemente a função social do ensino, que não se acha restrito à formação do gentil-homem.

Froebel – privilegia a atividade lúdica por perceber o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório-motor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades.

Herbart – segundo ele, a conduta pedagógica segue três procedimentos básicos: o governo, a instrução e a disciplina.


Brasil: a educação no Império


Ainda não há propriamente o que poderia ser chamada de uma pedagogia brasileira. É uma atuação irregular, fragmentária e quase nunca com resultados satisfatórios. O golpe de misericórdia que prejudicou de uma vez a educação brasileira vem de uma emenda à Constituição, o Ato adicional de 1834. Essa reforma descentraliza o ensino, atribuindo à Coroa a função de promover e regulamentar o ensino superior, enquanto que as províncias são destinadas a escola elementar e a secundária. A educação da elite fica a cargo do poder central e a do povo confinada às províncias.


Século XX: a educação para a democracia


A pedagogia do século XX, além de ser tributária da psicologia, da sociologia e de outras como a economia, a linguística, a antropologia, tem acentuado a exigência que vem desde a Idade moderna, qual seja, a inclusão da cultura científica como parte do conteúdo a ser ensinado.


Sociologia: Durkheim


Antes dele a teoria da educação era feita de forma predominantemente intelectualista, por demais presa a uma visão filosófica idealista e individualista. Durkheim introduz a atitude descritiva, voltada para o exame dos elementos do fato da educação, aos quais aplica o método científico.


Psicologia: o behaviorismo


O método dessa corrente privilegia os procedimentos que levam em conta a exterioridade do comportamento, o único considerado capaz de ser submetido a controle e experimentação objetivos. Suas experiências são ampliadas e aplicadas nos EUA por Watson e posteriormente por Skinner. O behaviorismo está nos pressupostos da orientação tecnicista da educação.


Gestalt


As aplicações das descobertas gestaltistas na educação são importantes por recusar o exercício mecânico no processo de aprendizagem. Apenas as situações que ocasionam experiências ricas e variadas levam o sujeito ao amadurecimento e à emergência do insight.


Dewey e a escola progressiva


O fim da educação não é formar a criança de acordo com modelos, nem orientá-la para uma ação futura, mas dar-lhe condições para que resolva por si própria os seus problemas. A educação progressiva consiste justamente no crescimento constante da vida, à medida que aumentamos o conteúdo da experiência e o controle que exercemos sobre ela. Ao contrário da educação tradicional, que valoriza a obediência, Dewey estimula o espírito de iniciativa e independência, que leva à autonomia e ao autogoverno, virtudes de uma sociedade democrática.


Realizações da escola nova


Principais características da escola nova:

educação integral ( intelectual, moral, física); educação ativa; educação prática, sendo obrigatórios os trabalhos manuais; exercícios de autonomia; vida no campo; internato; co-educação; ensino individualizado. Para tanto as atividades são centradas nos alunos, tendo em vista a estimulação da iniciativa. Escolas de métodos ativos: Montessori e Decroly Montessori estimula a atividade livre concentrada, com base no princípio da auto-educação. Decroly observa, de maneira pertinente, que, enquanto o adulto é capaz de analisar, separar o todo em partes, a criança tende para as representações globais, de conjunto. Resta lembrar outros riscos dessa proposta: o puerilismo ou pedocentrismo supervaloriza a criança e minimiza o papel do professor, quase omisso nas formas mais radicais do não-diretivismo; a preocupação excessiva com o psicológico intensifica o individualismo; a oposição ao autoritarismo da escola tradicional resulta em ausência de disciplina; a ênfase no processo faz descuidar da transmissão do conteúdo.

Teoria socialista – Gramsci A educação proposta por ele está centrada no valor do trabalho e na tarefa de superar as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar, entre cultura erudita e cultura popular. Teorias crítico-reprodutivistas Por diversos caminhos chegaram a seguinte conclusão: a escola está de tal forma condicionada pela sociedade dividida que, ao invés de democratizar, reproduz as diferenças sociais, perpetuando o status quo.

Teorias progressistas – Snyders Contra as pedagogias não-diretivas, defende o papel do professor, a quem atribui uma função política. Condena a proposta de desescolarização de Ivan Illich. Ressalta o caráter contraditório da escola, que pode desenvolver a contra-educação.

Teorias antiautoritárias – Carl Rogers Visam antes de tudo colocar o aluno como centro do processo educativo, como sujeito, livrando-o do papel controlador do professor. O professor deve acompanhar o aluno sem dirigi-lo, o que significa dar condições para que ele desenvolva sua experiência e se estruture, por conta própria. O principal representante dessa teoria é Carl Rogers. Segundo ele, a própria relação entre as pessoas é que promove o crescimento de cada uma, ou seja, o ato educativo é essencialmente relacional e não individual.


Escola tecnicista


Proposta consiste em: planejamento e organização racional da atividade pedagógica; operacionalização dos objetivos; parcelamento do trabalho, com especialização das funções; ensino por computador, teleensino, procurando tornar a aprendizagem mais objetiva.


Teorias construtivistas


Piaget – segundo ele, à medida que a influência do meio altera o equilíbrio, a inteligência, que exerce função adaptativa por excelência, restabelece a auto-regulação.

Vygotshy - Ao analisar os fenômenos da linguagem e do pensamento, busca compreendê-los dentro do processo sócio-histórico como "internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas". Portanto, a relação entre o sujeito que conhece e o mundo conhecido não é direta, mas se faz por mediação dos sistemas simbólicos.


Brasil no século XX: o desafio da educação


Nesse contexto, os educadores da escola nova introduzem o pensamento liberal democrático, defendendo a escola pública para todos, a fim de se alcançar uma sociedade igualitária e sem privilégios. Podemos dizer que Paulo Freire é um dos grandes pedagogos da atualidade, não só no Brasil, mas também no mundo. Ele se embasa em uma teologia libertadora, preocupada com o contraste entre a pobreza e a riqueza que resulta privilégios. Em sua obra Pedagogia do Oprimido faz uma abordagem dialética da realidade, cujos determinantes se encontram nos fatores econômicos, políticos e sociais. Considera que o conhecer não pode ser um ato de "doação" do educador ao educando, mas um processo que se estabelece no contato do homem com o mundo vivido. E este não é estático, mas dinâmico, em contínua transformação. Na educação autêntica, é superada a relação vertical entre educador e educando e instaurada a relação dialógica. Paulo Freire defende a autogestão pedagógica, o professor é um animador do processo, evitando as formas de autoritarismo que costumam minar a relação pedagógica. Na década de 70 destaca-se a produção teórica dos críticos-reprodutivistas, que desfazem as ilusões da escola como veículo da democratização. Com a difusão dessas teorias no Brasil, diversos autores se empenham em fazer a reeleitura do nosso fracasso escolar. A tarefa da pedagogia histórico-crítica se insere na tentativa de reverter o quadro de desorganização que torna uma escola excludente, com altos índices de analfabetismo, evasão, repetência e, portanto, de seletividade. Para Saviani, tanto as pedagogias tradicionais como a escola nova e a pedagogia tecnicista são, portanto, não-críticas, no sentido de não perceberem o comprometimento político e ideológico que a escola sempre teve com a classe dominante. Já a partir de 70, começam a ser discutidos os determinantes sociais, isto é, a maneira pela qual a estrutura socioeconômica condiciona a educação. O trunfo de se tornar um dos países mais ricos contrasta com o fato de ser um triste recordista em concentração de renda, com efeitos sociais perversos: conflitos com os sem-terra, os sem-teto, infância abandonada, morticínio nas prisões, nos campos, nos grandes centros. Persiste na educação uma grande defasagem entre o Brasil e os países desenvolvidos, porque a população não recebeu até agora um ensino fundamental de qualidade.


A Educação no Terceiro Milênio


A explosão dos negócios mundiais, acompanhada pelo avanço tecnológico da crescente robotização e automação das empresas, nos faz antever profundas modificações no trabalho e, consequentemente, na educação. Na tentativa de incorporar os novos recursos, no entanto, a escola nem sempre tem obtido sucesso porque, muitas vezes, apenas adquire as novas máquinas sem, no entanto, conseguir alterar a tradição das aulas acadêmicas. Diante das transformações vertiginosas da alta tecnologia, que muda em pouco tempo os produtos e a maneira de produzi-los, criando umas profissões e extinguindo outras. Daí a necessidade de uma educação permanente, que permita a continuidade dos estudos, e portanto de acesso às informações, mediante uma autoformação controlada.



 

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