O professor consciente do processo educativo e que aspira a desenvolver um bom trabalho pedagógico com base na Didática, quando entra na sala de aula, sabe o que pretende realizar e aonde quer chegar, isto é, ele tem em mente, ainda que de forma implícita, os objetivos que quer atingir. Entretanto, para atingir efetivamente seus objetivos, é preciso que ele realize vários processos didáticos coordenados entre si, tais como o planejamento, a direção do ensino da aprendizagem e da avaliação (LIBÂNEO, 1994). É preciso levar em consideração, ainda, questionamentos relacionados aos objetivos, tais como: o que ensinar?
Para que ensinar? Como ensinar? Para quem ensinar?. Vejamos agora a importância do objetivo no planejamento escolar. Nesse momento, vamos discorrer sobre o estudo dos objetivos, seu conceito e suas características.
Objetivos
É impossível desvincular a prática educativa dos objetivos, uma vez que a prática educacional busca direção nos objetivos por meio de uma ação sistêmica e intencional. Ao planejar uma aula, toda escolha de objetivos carrega consigo fundamentos políticos e sociais. Como diz Zabala (1998, p. 27), “um modo de determinar os objetivos ou finalidades da educação consiste em fazê-lo em relação às capacidades que se pretende desenvolver nos alunos.” Por isso, precisamos saber, antes de tudo, que tipo de cidadão queremos formar, que concepção de ensino embasa nossa prática docente.
Os objetivos carregam consigo propósitos definidos e têm por finalidade preparar o docente a estabelecer metas a serem alcançadas. Nesse sentido, “os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho do professor e dos alunos [...]” (LIBÂNEO, 1994, p. 119). Além disso, exigem do professor um posicionamento reflexivo, levando-o a questionamentos de sua própria prática. Para que esse processo aconteça de forma coerente e sistemática, precisamos definir os objetivos de acordo com seus propósitos, dos mais amplos, denominados objetivos gerais, aos mais específicos, que se destinam aos alunos, pois, dessa forma, os professores terão um guia que orienta a prática pedagógica, dando norte ao processo educativo. Haydt (2006, p. 114) apresenta os objetivos educacionais em dois níveis: Objetivos gerais – São aqueles previstos para um determinado grau ou ciclo, uma escola ou uma certa área de estudos, e que serão alcançados a longo prazo.
Objetivos específicos – São aqueles definidos especificamente para uma disciplina, uma unidade de ensino ou uma aula. Consistem no desdobramento e na operacionalização dos objetivos gerais.
Nesse sentido, concluímos que os objetivos gerais são diretrizes para uma ação pedagógica a longo prazo. Os específicos, por sua vez, definem de forma mais direta o processo de ensino-aprendizagem, pois desdobram o objetivo maior a fim de alcançá-lo. Devemos atentar ainda para os níveis de abrangência dos objetivos gerais que devem ser considerados do mais amplo aos mais específicos. Antes de o professor traçar seus objetivos gerais e suas implicações para seu trabalho em sala de aula, é preciso levar em consideração os objetivos estabelecidos pelo sistema escolar de ensino e as diretrizes da própria instituição escolar. Haja vista que esses documentos expressam finalidades educativas, princípios e diretrizes de orientação do trabalho docente. Nessa direção, faz-se necessário compreender que concepções de homem, de sociedade e de ensino esses documentos caracterizam, pois, assim, o docente terá um fio condutor na reflexão de sua prática.
Para que a compreensão fique mais clara, iremos exemplificar a seguir. Digamos que fôssemos ministrar uma aula com o tema “Tendências Pedagógicas na Educação Brasileira”. Nela, poderíamos traçar o seguinte
objetivo geral:
a) Compreender a evolução histórica das tendências pedagógicas brasileiras, perpassando pelas diferentes dimensões que organizam o trabalho docente. Percebam que o objetivo geral fornece subsídios para a prática educativa docente, é amplo e com resultados a serem atingidos a longo prazo. Para tanto, faz-se necessário desdobrá-lo em objetivos específicos.
Na sequência do planejamento, digamos que fossem estabelecidos os seguintes objetivos específicos:
a) conhecer a evolução histórica das tendências pedagógicas brasileiras;
b) identificar as principais características das tendências pedagógicas brasileiras;
c) analisar, a partir das tendências, os determinantes históricos do fazer docente;
d) entender que o projeto de educação, a forma de organização de funcionamento da escola, bem como a ação didática dos professores assumiram diferentes propósitos no decorrer do tempo;
e) investigar concepções que norteiam as práticas educativas de professores, utilizando-se do conhecimento das tendências pedagógicas, de modo a relacioná-las com sua área de conhecimento.
f) Possibilitar uma leitura crítica da prática pedagógica e redimensioná-la em função das características das tendências pedagógicas e de seu papel na formação e atuação docente.
Observem que é por meio do desdobramento dos objetivos específicos que podemos perceber uma ação a curto e médio prazos. E neles descrevemos o que esperamos do aluno, porque o foco é nele e não no professor. Observem também que cada objetivo específico descreve um resultado de aprendizagem por vez. Assim, os objetivos, sejam eles gerais ou específicos, são a base para a organização e para a sistematização do trabalho docente, pois têm um caráter orientador que norteia a prática pedagógica.
Conteúdos
Libâneo (1994) diz que se perguntássemos aos professores o que são conteúdos de ensino, eles provavelmente responderiam que são conhecimentos de cada componente curricular transmitidos aos alunos. Nesse sentido, dar conteúdos é transmitir a matéria do livro didático. O autor afirma ainda que esta ideia não estaria totalmente errada. Entretanto, primeiro temos de compreender que no ensino existem três elementos – a matéria, o professor e o aluno. E que eles não devem ser pensados de forma linear, estanque e fragmentada.
Se seguirmos essa ótica, o ensino passa a ser utilizado como uma ação mecânica, em que o professor transmite o conteúdo e o aluno absorve a matéria, responde exercícios e reproduz o que foi trabalhado pelo docente. Sob esse ponto de vista, os conteúdos de ensino se tornam estáticos, rígidos e sem significado, o que, por sua vez, priva o desenvolvimento das capacidades e habilidades dos alunos. Se pensarmos por outro ângulo, no entendimento que a matéria, o professor e o aluno estabelecem relações recíprocas entre si e com o ensino de conteúdos, chegaremos à conclusão de que os conteúdos vão além da matéria estabelecida no currículo e repassada em sala de aula.
Pensando sob essa perspectiva, Libâneo (1994, p. 128) afirma que, Através do ensino criam-se as condições para a assimilação consciente e sólida de conhecimentos, habilidade e atitudes e, nesse processo, os alunos formam suas capacidades e habilidades intelectuais para se tornarem, sempre mais, sujeitos da própria aprendizagem.
Desse modo, não basta selecionar, organizar e transmitir os conteúdos, é preciso torná-los significativos, funcionais. Para tanto, faz-se necessário trazer à sala de aula questões presentes no cotidiano do aluno, que vão possibilitar a reflexão sobre o meio em que se encontra, levando-o a agir como construtor e transformador da própria realidade. Assim, os conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida (LIBÂNEO, 1994, p. 128).
Eles englobam conceitos, ideias, fatos, leis e regras que são expressos em programas, estruturas curriculares, livros didáticos, planos de ensino e de aulas. Enfim, são organizados de forma dinâmica em matérias de ensino e articulados aos objetivos e métodos que dependerão das condições em que ocorre o processo de ensino.
Método Para que o processo de ensino aconteça de forma eficaz, é preciso realizar um trabalho sistematizado e planejado, em que objetivos, conteúdos, métodos e formas de organização estejam bem concatenados. A escolha do método deve estar relacionada à necessária unidade entre objetivos-conteúdos-métodos e formas de organização do ensino e das situações didáticas que se apresentam. Assim, o método é a forma de organização de ensino do professor, a fim de alcançar os objetivos, isto é, o meio pelo qual se atingem os objetivos. Sob essa perspectiva, Haydt (2006) afirma que, ao escolher o procedimento de ensino, é preciso considerar sua adequação aos objetivos, à natureza dos conteúdos, às características dos alunos e às condições disponíveis. Em virtude da necessária vinculação dos métodos de ensino com os objetivos gerais e específicos, a decisão de selecioná los e utilizá-los nas situações didáticas específicas depende de uma concepção metodológica mais ampla do processo educativo (LIBÂNEO, 1994, p. 150).
Portanto, um método que permita ao aluno refletir sobre sua realidade, construir e reconstruir seu conhecimento, desenvolvendo as capacidades e habilidades necessárias, é um método que colabora satisfatoriamente com o processo educativo. Assim, é importante que os docentes organizem e selecionem seus métodos alinhados à luz de seus objetivos e conteúdos, identificando, assim, qual o método mais adequado para atingir seus objetivos. Dentre os métodos a serem selecionados, podemos destacar alguns apresentados por Libâneo (1994): método de exposição pelo professor, método de trabalho indepen dente, método de elaboração conjunta, método de trabalho em grupo.
Avaliação
O processo educativo bem planejado não pode deixar de ser avaliado, pois a avaliação é uma tarefa que deve ser contínua no trabalho docente. É por meio dela que é possível obter resultados durante todo o processo e verificar se os objetivos traçados, no planejamento da aula, foram atingidos de forma satisfatória.
Nesse sentido, que tipo de avaliação deve embasar nossa prática pedagógica? Uma avaliação reprodutora das informações adquiridas, que fragmenta o conhecimento do aluno não o levando a pensar de forma crítica e reflexiva? Ou uma avaliação que faz parte de todo o processo educativo, que compreende a realidade vivenciada e é instrumento transformador da consciência política e social de cada indivíduo?
É claro que, quando pensamos em formar o indivíduo com base na formação humana integral, a avaliação alinhada a essa concepção de ensino deve propiciar o desenvolvimento das capacidades e habilidades intelectuais e deve estar alinhada à emancipação e transformação social e política de cada ser humano.
Sabemos que avaliar é uma tarefa complexa, mas não devemos nos deixar levar por concepções arcaicas, segundo as quais se entende que avaliar é realizar provas, trabalhos, atribuir notas, passar ou reprovar o aluno. O conceito de avaliação está ligado a uma concepção pedagógica muito mais ampla e depende da postura filosófica de cada professor.
Para tanto, devemos verificar a aprendizagem por meio da análise das funções do processo avaliativo. Segundo Haydt (2006), esse processo admite as funções:
a) diagnóstica: aquela realizada no início do ano letivo, para verificar os conhecimentos prévios dos alunos sobre os conteúdos a serem estudados. Nessa avaliação, é possível determinar por onde o professor deve começar os conteúdos, quando devem ser retomados e quando é possível introduzir o conteúdo novo, além de identificar se os alunos avançaram na aprendizagem após determinado tempo de ensino-aprendizagem;
b) formativa: ao verificar na avaliação diagnóstica o nível de conhecimento dos alunos em relação à matéria e que habilidades devem ser desenvolvidas, é preciso que, à medida que esses conhecimentos vão sendo avançados, eles sejam constantemente avaliados. Conforme os alunos forem alcançando os objetivos previstos, o professor vai avançando no conteúdo. Caso as metas não tenham sido atingidas, o professor precisa reorganizar novas situações de aprendizagem para dar a todos condições de êxito nesse processo. Essa forma de avaliar é denominada avaliação formativa.
c) somativa: a avaliação é utilizada com o propósito de atribuir ao aluno uma nota ou conceito final para fins de promoção. Isso acontece quando o sistema escolar seriado propõe que o aluno seja promovido de uma série para outra de acordo com o aproveitamento dos componentes curriculares estudados. Como observamos, as três funções da avaliação que estudamos devem estar presentes nas práticas pedagógicas do professor. No entanto, o docente deve ser consciente dos propósitos de cada avaliação, que deve estar em conformidade com os objetivos propostos e ser um elemento pedagógico capaz de contribuir para a aprendizagem do aluno.
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