domingo, 6 de setembro de 2026

Paleolítico

O período Paleolítico (“pedra antiga” ou “pedra lascada”) teve início com o desenvolvimento dos primeiros hominídeos e se estendeu até cerca de 12 mil anos atrás. Esse período compreende a evolução dos hominídeos que deram origem ao Homo sapiens, na África.
Os hominídeos ancestrais do ser humano foram denominados pelos estudiosos com termos que se relacionam a alguma característica marcante que tiveram. Por exemplo, há cerca de 2,2 milhões de anos, viveu o Homo habilis (homem hábil), que desenvolveu habilidade para construir alguns instrumentos de madeira e de pedra.
Atribui-se ao Homo habilis a elaboração dos primeiros utensílios e ferramentas de pedra, confeccionados pela fricção de uma pedra na outra. Essa técnica dá nome ao período chamado de Paleolítico, que significa Idade da Pedra. Dessa época, há também vestígios de objetos feitos de madeira, mas estes são a minoria.
Além de instrumentos de pedra, os humanos que viveram nesse período utilizavam outros tipos de material, como ossos, sementes e madeira. Eles compunham pequenos grupos e não havia definição de papéis para homens e mulheres, ou seja, indivíduos de ambos os sexos realizavam as mesmas atividades, apesar de poder existir uma divisão de tarefas entre eles. 
É provável que nossos antepassados da espécie Homo habilis, que viveram entre 2,2 e 1,6 milhões de anos atrás, se alimentassem principalmente de folhas, frutas e grãos e de restos de animais mortos. Eventualmente, deviam matar e comer pequenos animais. Usavam ferramentas rudimentares, fabricadas sem uma finalidade específica.
O grande salto na evolução do ser humano ocorreu há 1,5 milhão de anos, quando nossos ancestrais passaram a manter a coluna reta e a andar sobre os dois pés. Por isso, esse hominídeo foi chamado Homo erectus (homem ereto). Ele era mais alto, enxergava mais longe, construía ferramentas mais eficazes, caçava com agilidade, além de registrar acontecimentos de seu dia a dia em pinturas nas paredes das cavernas onde vivia. Sua principal conquista foi aprender a usar o fogo e a controlá-lo.
A descoberta do uso do fogo pelos Homo erectus, há mais de um milhão de anos, possibilitou o cozimento da carne, tornando-a mais fácil de ser digerida e favorecendo o aumento do consumo de proteína. Além disso, garantiu proteção aos grupos humanos, que utilizavam o fogo para afugentar animais e para iluminar ambientes escuros, sobretudo à noite. Os Homo erectus foram também a primeira espécie humana a planejar os instrumentos de pedra lascada de acordo com funções predefinidas e a desenvolver a fala, o que fortaleceu a capa cidade de organização dos bandos. 
A garantia de sobrevivência no Paleolítico dependia de muito trabalho, e nesse período houve intenso desenvolvimento de grande variedade de objetos. 
Das espécies humanas primitivas, o Homo neanderthalensis foi o mais parecido com o Homo sapiens. Muito robustos e inteligentes, os neandertais foram habilidosos caçadores. Eles mantinham laços afetivos fortes no interior do bando, preocupando-se com os membros mais frágeis e enterrando seus mortos.
Há 200 mil anos, alguns grupos humanos começaram a se comunicar por meio da fala para compartilhar ideias. Essa habilidade caracterizou uma nova espécie, chamada Homo sapiens (homem que sabe), que se espalhou da África para outros continentes cerca de 70 mil anos atrás.

A vida no Paleolítico 


Os grupos humanos do Paleolítico viviam basicamente da caça e da coleta. Os homens eram responsáveis pela caça, enquanto as mulheres faziam a coleta de frutos, sementes, folhas, mel, ovos e larvas. Como era preciso se deslocar para encontrar o alimento, os grupos humanos eram nômades, ou seja, mudavam-se constantemente. Por isso, não construíam moradias permanentes. 
Eles se alimentavam de pequenos mamíferos, peixes, crustáceos, insetos, raízes e frutas. Eram, portanto, caçadores-coletores. Como a caça se movimentava e a coleta dependia das estações do ano, esses grupos eram nômades. 
Ocupavam cavernas e grutas ou faziam tendas para se abrigar. Por causa da dificuldade da vida nessas condições, os grupos humanos eram pequenos, com poucas crianças e idosos.

VIDA NÔMADE 


No Paleolítico, predominava o nomadismo, modo de vida que se caracteriza pela constante procura por um novo lugar para habitar; ou seja, os grupos humanos desse período não tinham habitação fixa. 
São comuns os vestígios humanos em grutas e cavernas, su gerindo que eram utilizadas como moradias, cemitérios ou lo cais religiosos. Outros tipos de habitação existentes no período eram cabanas feitas de madeira, folhas e fibras de plantas, peles e ossos de animais. 
A alimentação dos diversos grupos humanos era baseada no que estava disponível no local onde viviam. Era comum a coleta de frutos, raízes e plantas, assim como a caça de animais de vários tamanhos. Destes, tudo era aproveitado: couro para vestimentas e abrigo, ossos para ferramentas e objetos, carne para consumo, entre outros usos. 
Em lugares onde havia rios e lagos ou no litoral, praticavam--se a pesca e a coleta de moluscos e de outros frutos do mar. Conforme os gêneros alimentícios se extinguiam, era necessário buscar novos lugares onde a comida fosse abundante. 
Além disso, os diferentes tipos de clima em nosso planeta apresentavam temperaturas alguns graus mais baixas que as atuais. Isso ocasionava invernos mais rigorosos em diversas regiões, motivando migrações em busca de localidades com temperaturas mais amenas.

O DOMÍNIO DO FOGO 


Não há consenso entre os cientistas sobre quando teria se dado o domínio do fogo. Os vestígios e as respectivas análises in dicam um período que varia entre 1 milhão e 400 mil anos atrás. Para alguns grupos de pesquisadores, o Homo erectus teria sido o primeiro hominídeo a dominar o fogo, enquanto para outros grupos esse domínio teria ocorrido pelo Homo sapiens.
Uma das dificuldades para identificar com precisão o período em que o fogo foi dominado é que, antes disso, já havia o uso de fogueiras formadas naturalmente de raios que causavam incêndios na vegetação, por exemplo. Parte do trabalho dos cientistas consiste em analisar os vestígios das fogueiras paleolíticas para descobrir se o uso delas era cotidiano (indicando o domínio) ou se foram feitas por determinado período e depois cessaram (indicando o uso do fogo, mas não a maestria de produzi-lo).
Porém, os cientistas concordam e reconhecem que o domínio do fogo é um dos marcos na história da humanidade, relacionado diretamente ao desenvolvimento das primeiras comunidades. 
O fogo possibilitou a cocção de alimentos, a iluminação durante a noite e a defesa contra eventuais predadores. O cozimento dos alimentos melhorou a qualidade da alimentação, o que fortaleceu a saúde de nossos ancestrais e, consequentemente, favoreceu o surgimento de grupos maiores. 
Além disso, vestígios de fogueiras paleolíticas revelaram que os grupos humanos passaram a ter o costume de se reunir à noite, ao redor do fogo. Esse tipo de contato possibilitava o uso de códigos de linguagem cada vez mais elaborados, além de fortalecer os vínculos da comunidade.
O fogo também estimulou o desenvolvimento de técnicas de olaria, que se constitui no cozimento de objetos de barro, conferindo maior durabilidade às peças produzidas.

AS EXPRESSÕES RELIGIOSAS MAIS ANTIGAS 


As técnicas desenvolvidas na produção de utensílios a partir da pedra lascada e da manipulação da argila não resultaram apenas em armas para a caça ou em ferramentas para a coleta de alimentos vegetais. Essas técnicas também possibilitaram aos primeiros grupos humanos criarem objetos que indicam sua relação com aquilo que consideravam sagrado, sendo, portanto, vestígios das expressões religiosas mais antigas da humanidade.
Existem indícios de práticas religiosas de comunidades paleolíticas em várias partes do mundo. Os tipos de vestígio nesse sentido são diversificados: desenhos feitos em rochas (pinturas rupestres), estatuetas e túmulos. 
Há pinturas rupestres, por exemplo, que representam caça das. Para alguns especialistas, isso indica que as caçadas e as representações delas eram um tipo de ritual. O registro dessa atividade não indicaria que ela tinha sido realizada, mas que ainda iria ocorrer. Ao retratar as caçadas, os membros das comunidades paleolíticas acreditavam que elas ocorreriam da maneira como desejavam.
Algumas estatuetas, feitas de cerâmica ou esculpidas em pedra, também representam temas relacionados à alimentação e à proteção. Elas datam de períodos paleolíticos diferentes e têm formas femininas estilizadas, por isso, foram chamadas genericamente de “vênus”. No entanto, essa nomenclatura é questionada atualmente por alguns grupos de cientistas, já que, na época em que foram criadas, essas estatuetas não eram assim denominadas.
Nos vestígios paleolíticos que sugerem o sepultamento dos mortos, foram encontrados, com certa constância, diferentes objetos, como colares, urnas funerárias e estatuetas, além de corpos cuidadosamente posicionados. De acordo com os especialistas, esses tipos de vestígio evidenciam a crença de que haveria vida após a morte. Mostram também o desenvolvimento da capacidade humana de conferir significados a objetos, para além de seu uso ou de seu formato. Ou seja, evidenciam a capacidade humana de transcender e de compreender símbolos.

OS REGISTROS RUPESTRES 


Os registros rupestres estão entre os principais vestígios gráficos das comunidades do Paleolítico e eram utilizados como meio de comunicação e de expressão. Trata-se de imagens gravadas em grandes rochas, em paredões de pedra e nas paredes internas e externas de grutas ou de cavernas. Essas imagens foram encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida.
Há várias teorias sobre as funções desses registros. A função religiosa, que você conheceu na página anterior, é uma delas. Outra hipótese é que esses registros possibilitavam trocas culturais, já que foram encontrados em diferentes regiões. Quando passava por determinado local, um grupo de pessoas gravava imagens sobre sua passagem, as quais seriam vistas pelos próximos ocupantes desse lugar. 
Do mesmo modo, ao chegar a um novo local, esse grupo também poderia encontrar os registros deixados por outros que haviam estado ali antes. As imagens gravadas representavam cenas de momentos em grupo e do cotidiano, além de caçadas, alimentos vegetais e símbolos que poderiam servir para fazer a contagem de algo, como calendários ou representações astronômicas.
Entre as técnicas utilizadas para fazer as gravuras estavam as de abrasão e as de incisão: primeiro, era feita uma raspagem (abrasão) na superfície rochosa; depois, essa superfície recebia pequenos cortes (incisões) com um instrumento cortante, formando grafismos chamados petróglifos. Também podia ser empregada a técnica da picotagem, que consistia em bater uma pedra sobre a rocha em que se desejava marcar os grafismos.

PRODUÇÃO PICTÓRICA 


Há indícios de que as primeiras pinturas rupestres tenham sido feitas há mais de 30 mil anos. Geralmente, essas pinturas eram produzidas com corantes extraídos de plantas, de carvão vegetal ou de rochas. Muitas vezes, esses corantes eram diluídos ou fixados com uso de água, sangue ou gordura animal ou vegetal. 
As técnicas de pintura podiam ser realizadas com carimbos das mãos, pincéis feitos de pontas de ossos ou de pedras ou, ainda, com o sopro dos pigmentos (com a ajuda de uma espécie de canudo). As produções incluíam grafismos ou representações de animais e de seres humanos em cenas diárias.




Neolítico

No período Neolítico, os humanos passaram a polir a pedra,  aumentando com isso a eficiência e a durabilidade  de suas ferramentas e armas.  Entre as grandes conquistas desse período estão a agricultura e a domesticação de animais; por isso, os grupos humanos daqueles tempos ficaram conhecidos  como agricultores e pastores.
O período em que isso ocorreu, marcado pelo aperfeiçoamento de pilões e moinhos de grãos, além de enxadas, foices e machados de pedra, entre outros objetos, é denominado Neolítico.
No período Neolítico (“pedra nova” ou “pedra polida”), os seres humanos desenvolveram a agricultura e a criação de animais, passando assim, a produzir os próprios alimentos. Esse novo meio de sobrevivência permitiu que eles se fixassem em um lugar.
Uma grande mudança marcou o fim do período Paleolítico e o início do Neolítico: o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. 

O início da agricultura 


No início do Neolítico (10 000 a.C.), a Terra passou por uma por uma grande mudança climática. Nas regiões de clima temperado, as temperaturas se elevaram e as camadas de gelo que cobriam parte da superfície terrestre recuaram. Os animais acostumados a climas frios, como os bisões e os mamutes, desapareceram, e a carne tornou-se menos abundante; intensificou-se, então, a busca por outras fontes de alimentos. Nessa busca, os seres humanos desenvolveram a agricultura e, ao mesmo tempo, começaram a domesticar e criar animais como cabras, ovelhas e bois.
Há cerca de 12 mil anos, alguns grupos humanos começaram a cultivar plantas comestíveis e a criar animais. Isso causou uma transformação no modo de vida desses grupos, mudando o curso da história da humanidade. 
Tudo começou quando alguns seres humanos perceberam que as sementes que caíam no chão davam origem a novas plantas. Eles começaram, então, a enterrar as sementes e constataram que, tempos depois, essas plantas germinavam. Esse processo deu início então à prática da agricultura, possibilitando que os grupos humanos produzissem grandes quantidades de cereais, por exemplo.
Pesquisas recentes indicam que o desenvolvimento da agricultura se deu em vários pontos da Terra ao mesmo tempo. No Oriente, há evidências de que os seres humanos já cultivavam o trigo e a cevada há cerca de 8 mil anos a.C. 
Nesse processo, modificaram frutos, folhas e grãos por meio da seleção das sementes, aperfeiçoando as plantações. Além disso, passaram a escolher os terre nos mais adequados para plantar e programar as regas, a colheita e o armazenamento do que foi colhido, por exemplo.
Esse processo de domesticação da natureza, que recebeu o nome de Revolução Agrícola, durou milhares de anos e aconteceu em diversos lugares do planeta. São considerados berços da agricultura: o Oriente Próximo, a China e o sul do México.

A criação de animais 


Na mesma época em que começaram a ser cultivadas as primeiras lavouras, começou também a domesticação de animais. O cachorro foi provavelmente o primeiro animal a ser domesticado pelo ser humano, ainda no Paleolítico. Posteriormente, no Neolítico, animais como carneiros, cabritos e bois também passaram a ser domesticados. 
A domesticação do cachorro foi muito importante para as sociedades do Neolítico, pois ajudava a cuidar dos grupos humanos com os quais viviam, dando o alerta da chegada de animais ferozes ou de grupos inimigos. Além disso, os cães auxiliavam os homens na captura de animais durante as caçadas.

O processo da sedentarização


A Revolução Agrícola causou alterações profundas na vida dos humanos. Com o domínio da agricultura, vários grupos abandonaram os deslocamentos periódicos, tornando-se gra dualmente sedentários. Como as plantações precisavam de cuidados constantes, as pessoas tinham de permanecer perto dos locais cultivados. Por isso, começaram a construir nas proximidades das lavouras moradias com diferentes materiais, como pedra, madeira e barro.
Ao se fixar para cuidar das plantações, os humanos passaram a precisar de vasilhas para guardar o que colhiam e para cozinhar. Assim, desenvolveram a cerâmica. Ao mesmo tempo que isso ocorria, começaram a domesticar animais e explorá-los a fim de obter carne, leite e pele (para confeccionar roupas e utensílios).
A sedentarização tornou os humanos mais dependentes do grupo e do sucesso da colheita, da qual todos participavam de alguma forma. Além disso, eles precisavam garantir a segurança alimentar e física uns dos outros (pois grãos em abundância podiam atrair grupos rivais buscando comida fácil), e a organização social foi ficando cada vez mais complexa. Com mais comida, eles puderam ampliar a capacidade de formar grupos maiores.

A formação de aldeias 


A agricultura e a pecuária tiveram grande impacto no modo de vida das primeiras populações. A agricultura fornecia cereais, que constituíam a base da alimentação, enquanto a criação de animais fornecia carne e leite, além de lã e couro para a confecção de vestimentas. A força animal podia ser utilizada para facilitar a realização de várias tarefas, principalmente a de arar a terra para plantar. 
Como resultado, houve aumento na oferta de alimentos, com a produção de excedentes que podiam ser armazenados. Isso propiciou o aumento da população, que passou a se fixar nos vales férteis dos rios, formando as primeiras aldeias. Assim, o ser humano passou a deixar a vida nômade e, aos poucos, tornou-se sedentário.
Com a sedentarização e a formação das primeiras aldeias, houve uma mudança significativa no modo de vida dos seres humanos. As pessoas que viviam nas aldeias do período Neolítico dedicavam-se principalmente às atividades da agricultura e da pecuária. Como a produção de alimentos era maior do que o consumo, nem todos precisavam realizar essas atividades. Por isso, havia vários trabalhadores, como ceramistas e artistas, que podiam se dedicar exclusivamente a essas atividades.

A Revolução Neolítica


Há cerca de 12 mil anos, a elevação da temperatura e da umidade, decorrente do fim da última era glacial, provocou mudanças na fauna e na flora, como a redução das savanas e a formação de florestas, além da extinção de grandes animais, como o mamute e a preguiça-gigante, que não se adaptaram ao novo clima. 
Pressionados pelas mudanças no ambiente, os grupos humanos se fixaram às margens de rios e lagos, onde a disponibilidade de alimento era maior. Acredita-se que essa situação possibilitou às mulheres, responsáveis pela coleta, observar mais atentamente o ciclo de vida dos vegetais e perceber que uma nova planta brotava no local em que as sementes eram atiradas após o consumo dos frutos. 
Assim, há aproximadamente 10 mil anos, os seres humanos começaram a praticar a agricultura e a domesticar animais como ovelhas, cabras, porcos, bois e galinhas.
Para cuidar dos rebanhos e das plantações, muitos grupos humanos se sedentarizaram, isto é, fixaram moradia em um lugar, sem se deslocar constantemente como os caçadores-coletores.  Nesses locais, desenvolveram novos instrumentos de trabalho, como pás e foices. Também começaram a fabricar recipientes de barro e cerâmica para transportar líquidos, cozinhar e armazenar alimentos.
Ao longo do tempo, as sociedades humanas desenvolveram tecnologias para aumentar a produção, a variedade e a qualidade dos alimentos cultivados: construíram canais de irrigação, ergueram celeiros para armazenar os grãos e passaram a selecionar sementes para o cultivo e animais para a domesticação. Isso aumentou a oferta de alimentos, o que tornou possível o estabelecimento de sociedades cada vez maiores e mais complexas.
O desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais causaram um impacto tão profundo na organização e no modo de vida dos grupos humanos que os historiadores se referem às transformações que acompanharam esses fatos como Revolução Neolítica
No entanto, é preciso ressaltar que nem todos os povos passaram por essas mudanças. Muitos permaneceram exclusivamente como caçadores-coletores e outros combinaram a caça e a coleta com a prática da agricultura. Ou seja, as sociedades diversificaram-se e selecionaram as práticas e atividades econômicas mais favoráveis à sua sobrevivência.

A Idade dos Metais

Alguns grupos humanos desenvolveram a técnica de produzir objetos de metal no final do Período Neolítico. Há cerca de 8 mil anos, o cobre começou a ser empregado na produção de ornamentos e utensílios.
O uso de metais para fabricar utensílios e armas foi uma das maiores realizações dos seres humanos do período Pré-histórico. Além de serem mais resistentes que a pedra ou a madeira, os metais podiam ser fundidos e moldados com o formato desejado, originando uma grande diversidade de objetos.
O primeiro metal a ser utilizado foi o cobre, há cerca de 8 mil anos. Inicialmente, ele era moldado a frio, com golpes de martelo, e usado para fabricar estatuetas e enfeites. Tempos depois, os seres humanos desenvolveram a técnica de fundição do cobre, o que facilitou o trabalho de modelagem dos objetos.
Por volta de 5 mil anos atrás, os artesãos descobriram que a mistura de cobre e estanho resultava em uma liga mais dura e resistente: o bronze. 
A utilização do fogo para fundir o minério de cobre ao estanho originou o bronze, 2 mil anos depois. Essa liga metálica foi uti lizada para produzir armas e ferramentas, entre outros objetos.
O emprego desse metal revolucionou os equipamentos de guerra. Machados, escudos, espadas, lanças e flechas foram alguns dos  instrumentos feitos com bronze. 
Por volta de 3500 anos atrás, passou a ser difundido o uso do minério de ferro aquecido em fornos e misturado ao carbono e ao manganês, obtendo uma liga ainda mais resistente. 
Durante centenas de anos, os ferreiros fizeram experiências para obter um metal de melhor qualidade. Descobriu-se, então, que o minério de ferro, misturado ao carbono existente no carvão vegetal e aquecido em altas temperaturas, produzia uma liga muito resistente. 
Com o ferro foi possível fabricar ferramentas e armas mais eficientes e aperfeiçoar instrumentos agrícolas, como a enxada e o arado.
O primeiro metal a ser fundido foi o cobre, encontrado na forma de veios no meio das rochas. Por volta de 3000 a.C., os sumérios – povo que vivia em regiões do atual Oriente Médio – descobriram que, ao misturá-lo com estanho (outro metal), obtinha-se uma liga muito mais resistente e moldável: o bronze. Já o ferro foi descoberto pelos chineses, cerca de 2000 a.C. Com ele, foi possível produzir ferramentas e armas mais rígidas ainda, como facas, enxadas, machados, agulhas e pregos. 
O uso constante de técnicas de metalurgia trouxe um avanço tecnológico capaz de promover um grande aumento na produção agrícola. Consequentemente, a produção de alimentos em quantidades satisfatórias propiciou um significativo aumento populacional. As comunidades estabelecidas em um mesmo lugar passaram a construir moradias mais resistentes e a formar as primeiras cidades.
Assim como ocorreu com a agricultura, nem todos os grupos humanos criaram técnicas para fundir o ferro no mesmo período. Há até muitos grupos que nunca o fizeram, como os povos indígenas americanos. Além disso, antigos materiais e técnicas continuaram a ser utilizados após o desenvolvimento de outros.
Isso mostra como os grupos humanos são diferentes uns dos outros e, principalmente, que uma época não é melhor do que a anterior apenas por contar com uma tecnologia aperfeiçoada ou pela possibilidade de usar um metal mais resistente que outro.


O que é cultura?

Já utilizamos algumas vezes a palavra “cultura”. Vamos, agora, apresentar alguns de seus sentidos. Os biólogos, por exemplo, quando se referem à criação de certos seres vivos, falam em cultura de peixes, rosas, milho, feijão etc. Na linguagem popular, é comum o uso da palavra “cultura” para designar um vasto conjunto de conhecimentos (repertório), desenvolvido por uma pessoa por meio de leituras, estudos e experiências de vida em geral. 
Com frequência, também deparamos com expressões como “casa de cultura”, “centro cultural” e “secretaria de cultura”. Nesse caso, “cultura” se refere ao conjunto de atividades intelectuais e artísticas desenvolvido por determinada sociedade.
Assim, os diferentes sentidos da palavra “cultura” trazem consigo uma ideia básica: a noção de desenvolvimento, formação e realização. Essa noção também faz parte do uso mais amplo que os historiadores dão à palavra “cultura”.
Cultura são os modos de ser e de viver criados e transmitidos de uma geração para outra. Abrange elementos materiais e imateriais que constituem as artes, as ciências, as normas, os costumes etc. Cultura envolve o que pensamos e fazemos como membros de um grupo social e engloba as modificações na natureza e na paisagem promovidas pela ação humana.
Com isso, podemos afirmar que somos seres culturais. Somos criaturas e criadores do mundo em que vivemos. Em muitos aspectos, transformamos a natureza mesmo fazendo parte dela. Nesse processo, criamos coisas extraordinárias, mas também destruímos de modo devastador.

Sítios arqueológicos

Os locais onde são encontrados vestígios das atividades humanas são chamados de sítios arqueológicos. O continente africano apresenta muitos desses sítios. Um dos mais conhecidos é Maropeng, localizado na África do Sul, pois lá foram encontrados alguns dos fósseis mais antigos de hominídeos. A palavra “Maropeng”, na língua setswana, significa “retorno ao local de origem”. Ali existem áreas de escavação que foram consideradas “berço da humanidade”.
Na região de Maropeng foi construído um moderno museu que expõe inúmeros fósseis de hominídeos. Entre esses fósseis, destaca-se um, conhecido como “Senhora Ples”, que consiste em um esqueleto de Australopithecus africanus de mais de 2 milhões de anos; outro, conhecido como “Pezinho”, é um exemplar de um ancestral com idade entre 3,1 e 4,1 milhões de anos.

Big Bang: cientistas explicam a origem do Universo

A teoria do Big Bang é a mais aceita pela comunidade científica para explicar a origem do Universo. Ela foi formulada por cientistas no século XX e, até hoje, muitos pesquisadores estudam evidências para comprová-la ou para demonstrar que ela não é adequada. 
Segundo essa teoria, há cerca de 13,7 bilhões de anos ocorreu uma explosão provocada por uma grande concentração de massa e energia, da qual se originou o Universo. A teoria está fundamentada em observações feitas por cientistas que demonstraram que o Universo está em constante expansão.
O ser humano sempre teve interesse em saber como o nosso planeta, o Sol e as outras estrelas, a Lua, os mares e os animais foram criados. Ao longo da história, vários povos, em diferentes lugares e períodos, procuraram explicar o surgimento do Universo, muitas vezes com base em sua religião.
Por isso, existem diversas explicações para a origem do Universo, para o surgimento da vida e da natureza. Os gregos antigos, por exemplo, acreditavam que, no início, o Universo era uma grande escuridão, um vazio, governado pelo único deus que existia, conhecido como Caos. Depois surgiu a Terra, chamada de Gaia, que gerou o céu, o mar e as montanhas. Na Bíblia cristã, está escrito que Deus criou o mundo, o ser humano e todas as coisas. 
Com o desenvolvimento da ciência, outras explicações foram elaboradas.
No século XX, cientistas chegaram à conclusão de que o Universo surgiu de uma explosão ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos. Do resfriamento e do endurecimento dos fragmentos dessa explosão surgiram os planetas e as estrelas. Esse evento recebeu o nome de big bang, expressão em inglês que significa “grande explosão”.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ORIGENS E DISPERSÃO DOS SERES HUMANOS

Evidências arqueológicas indicam que o Homo sapiens originou-se na África há pelo menos 200 mil anos. Cem mil anos atrás, ele começou a se espalhar pelos outros continentes. O primeiro destino foi a atual região do Oriente Médio.
No entanto, muito antes dessas descobertas, os seres humanos tentavam desvendar suas origens mais remotas, bem como as do planeta. Quem somos? De onde viemos? Como começou a vida na Terra? Em busca de respostas, povos antigos propuseram explicações religiosas e científicas para as origens do ser humano.

Explicações de nossas origens


Vários povos do mundo desenvolveram explicações para a questão da origem humana. Elas podem ser encontradas nos mitos, nas religiões e nas ciências. 
As explicações mitológicas ou religiosas são baseadas em crenças. Já as da ciência são obtidas por meio de um conjunto de procedimentos conhecido como método científico
Ao empregar esse método, o cientista observa e analisa evidências para formular hipóteses que o ajudem a solucionar determinada questão. Em seguida, realiza testes e experimentos e, depois, apresenta a outros cientistas as conclusões que obteve. Após debater essas conclusões, os cientistas podem chegar a consensos e elaborar teorias. No entanto, os resultados podem gerar outras dúvidas. Nesse caso, a pesquisa deve ser retomada até que se produza consenso. Algumas vezes, ela dá origem a pesquisas científicas diferentes, em um ciclo constante de produção de conhecimento.
Os mitos são narrativas cheias de elementos sobrenaturais, como deuses, animais falantes e acontecimentos mágicos. Por meio delas, as pessoas tentam explicar o porquê de as coisas serem como são e como os integrantes de cada sociedade devem se comportar.
As explicações religiosas, nas quais um ou mais seres divinos teriam criado o ser humano e todo o Universo, são chamadas de criacionistas. Para cristãos e judeus, por exemplo, essa criação levou seis dias para ser concluída; no sétimo dia, o criador teria descansado.
De acordo com os iorubás, povo originário da África, o deus supremo Olodumarê deu vida, com seu sopro, a homens e mulheres feitos de barro. Para ajudá-lo a conceber tudo o que existe no mundo, Olodumarê também criou as divindades chamadas de orixás.
Na explicação dos indígenas guaranis sobre a concepção do mundo, Tupã, o deus do trovão, colocou as estrelas no céu e moldou tudo sobre a Terra, como oceanos, florestas e animais. Tupã então criou os guarani, e deles descenderam todos os outros povos.
Já entre os maias, o deus Hunab Ku criou a si mesmo, o céu e a Terra; depois, misturou terra e água e moldou o primeiro ser humano.
De acordo com um mito chinês, por exemplo, a origem do Universo, da Terra e dos seres humanos teria ocorrido de um “ovo cósmico”; dentro dele esta riam yin e yang, as duas forças opostas que compõem o Universo. Um dia, essas energias conflitantes quebraram o ovo: os elementos mais pesados formaram a Terra, os mais leves formaram o céu e, entre eles, surgiu o primeiro ser. 
Narrativas como essas são consideradas explicações mítico- religiosas. Elas têm em comum uma ideia mágica ou sobrenatural de que os humanos foram criados pela vontade de um ou de vários deuses. 
No Brasil, onde vivem mais de duzentos povos indígenas, há inúmeros mitos que explicam como o mundo e a humanidade foram criados.
Essas explicações, também conhecidas como mitos de fundação, são bastante variadas e dependem do povo, do lugar e da época em que foram desenvolvidas. Os mitos de fundação fazem parte da cultura dos povos e dão fundamentação às práticas religiosas e celebrações diversas ao redor do mundo. 
É importante valorizar essa diversidade, respeitando as diferentes tradições e culturas. No Brasil, onde convivem pessoas de diferentes religiões, uma das explicações religiosas mais conhecidas é o Criacionismo, para o qual a origem do mundo, dos animais e das pessoas é resultado da ação de um criador.
Os mitos que contam a origem dos seres humanos variam bastante de uma cultura para outra, porém quase sempre atribuem a criação da humanidade à iniciativa de deuses e de outros seres fantásticos, que teriam criado os homens e as mulheres moldando-os no barro, esculpindo-os na madeira, utilizando milho ou outros materiais.
A mitologia de um povo traz sentido às suas tradições e influencia sua visão de mundo e seus valores. Ela é transmitida por meio da tradição oral de geração a geração e mantém viva a identidade do povo. Como os relatos orais mudam ao longo do tempo, um mesmo mito pode ter várias versões; contudo, sua essência permanece.

Mitologia grega


A mitologia grega tem algumas histórias para explicar a origem dos seres humanos. Em uma delas, o titã Prometeu criou os homens a partir do barro. Para terminar sua criação, ele decidiu roubar uma centelha do Sol (fogo divino) e entregá-la aos homens. De acordo com a mitologia grega, porém, o fogo celeste era privilégio apenas dos deuses, seres imortais. Zeus, soberano dos deuses, ficou então furioso, punindo Prometeu e os homens. Como punição, Prometeu foi acorrentado a um rochedo e ali uma águia devorava seu fígado, que, no entanto, se regenerava a cada dia. Depois de sofrer por muito tempo, Prometeu foi libertado.
Já os mortais foram punidos com a criação de Pandora, que representa a primeira mulher. Como muitos personagens da mitologia grega, Pandora era repleta de virtudes e defeitos. Ela foi criada por vários deuses e cada um deles lhe deu um talento especial. Ao final, Zeus confiou a Pandora uma caixa, recomendando que ela jamais a abris se. Porém, um dia, Pandora decidiu abrir essa caixa e dela saíram todos os males do mundo. Assustada, ela fechou a caixa rapidamente, tendo restado ali dentro apenas o último consolo dos mortais: a esperança.
Segundo especialistas, as histórias da criação dos seres humanos não ocupam um lugar de destaque na mitologia grega. Mas existem algumas narrativas sobre a criação humana, bem como mitos que mostram interações dos seres humanos com os deuses e os heróis. Na maioria dessas narrativas, os humanos são caracterizados como mortais, ambíguos e contraditórios, conscientes de suas limitações. E, por isso, eles reverenciam os deuses buscando ajuda e proteção.

Criacionismo judaico-cristão 


O criacionismo defende que a vida e toda matéria existente no universo são resultados O criacionismo defende que a vida e toda matéria existente no universo são resultados da ação direta de um Criador. 
A perspectiva criacionista está presente em várias culturas da ação direta de um Criador. A perspectiva criacionista está presente em várias culturas e religiões, como o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. 
No mundo ocidental, marcado pelas tradições do judaísmo e do cristianismo, a narrativa criacionista mais conhecida está contida no livro do Gênesis, que integra o Antigo Testamento da Bíblia.
Observe trechos desse livro:

“No princípio, Deus criou o céu e a terra. [...] 
Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que ele domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra’. [...] 
Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou.”

A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas, 1989. Gn 1: 1, 3, 4, 5, 24, 26, 27.

Os trechos citados trazem a ideia de que o ser humano é uma criação especial de Deus, diferenciando-se dos outros animais por sua espiritualidade. Essa espiritualidade se revela, por exemplo, na consciência, na linguagem simbólica, na imaginação artística e no senso ético.
O criacionismo é uma explicação para a origem do universo e da vida que se baseia na fé. Para os criacionistas, todas as coisas existentes foram criadas exatamente como são por uma ou mais entidades sobrenaturais superiores, ou seja, um deus ou vários deuses.
O criacionismo não é uma teoria porque não está amparado em evidências. Trata-se de uma narrativa mítica cuja aceitação depende das crenças religiosas das pessoas.

Teoria da Evolução 


Ao longo dos séculos XVIII e XIX, os cientistas passaram a dar mais atenção ao estudo de fósseis. Eles ficaram intrigados com o grande número de fósseis de animais desconhecidos e que não podiam ser encontrados vivos na natureza. Entre esses animais havia répteis e mamíferos que guardavam semelhanças com alguns animais conhecidos. Os fósseis de mamutes, por exemplo, tinham grande semelhança com os elefantes.
Um dos cientistas que ofereceu explicações para esses fatos foi o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882), que em meados do século XIX elaborou a chamada Teoria da Evolução. Para Darwin, os fósseis de animais desconhecidos eram, na verdade, restos de animais que já haviam sido extintos.
Em meados do século XIX, a explicação criacionista para a origem da vida em geral e dos seres humanos em particular foi contesta da pelas descobertas de dois naturalistas britânicos: Alfred Russel Wallace e Charles Darwin. Suas ideias deram origem à teoria da evolução, também conhecida como evolucionismo.
Em 1831, Darwin participou de uma expedição científica a bordo do navio Beagle. Durante a viagem, ele estudou e comparou espécies de animais e de plantas de diferentes regiões. Também coletou fósseis e percebeu semelhanças entre organismos extintos e vivos. Com base nessas observações, Darwin concluiu que todas as espécies de seres vivos passam, no decorrer do tempo, por um processo natural de transformação.
Wallace viajou para o Brasil, para a Indonésia e para a Malásia entre 1848 e 1852, e, assim como Darwin, coletou plantas e animais para suas pesquisas. Com seus estudos, chegou às mesmas conclusões que Darwin a respeito das transformações das espécies.
A base dessa teoria consolidou-se com os estudos do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829) e do botânico austríaco Gregor Mendel (1822-1884), que realizaram pesquisas sobre hereditariedade e genética. Influenciado por esses estudos e pelas próprias observações, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) publicou, em 1859, o livro A origem das espécies, no qual propôs que os seres vivos compartilham um mesmo ancestral e que as espécies mudaram, evoluíram e se diferenciaram por meio de uma seleção natural. 
Nessa obra, ele apresentou um amplo estudo sobre a formação, a evolução e a extinção das espécies. Essa explicação para a origem dos seres vivos foi chamada de Teoria da Evolução.
Para Darwin, a Teoria da Evolução também se aplica à espécie humana. Isso significa que nós, como todos os seres vivos, somos resultado de um longo processo de seleção natural, no qual os indivíduos mais adaptados às condições do meio em que vivem obtêm melhores chances de produzir descendentes e, assim, transmitir suas características.  
Depois de muita pesquisa, ele concluiu que os seres vivos passaram por uma seleção natural ao longo de milhões de anos e que as espécies mais adaptadas ao ambiente eram as que deixavam descendentes. As que não se adaptavam desapareciam.
Nas sociedades cristãs do século XIX, essa teoria provocou grandes polêmicas – Darwin foi criticado por religiosos e cientistas cristãos. Na época, era difícil aceitar a ideia de que os seres humanos tinham um “parentesco” com outros animais.
Essa teoria, ao apresentar uma explicação científica para as origens do ser humano, entrou em choque com as interpretações de caráter religioso. Segundo os cientistas que reconhecem a teoria da evolução, evidências como fósseis de ancestrais humanos e ferramentas de pedra produzidas por eles, assim como pegadas de animais gigantes extintos, reforçam as ideias defendidas por Darwin.

Seleção natural


Charles Darwin percebeu que indivíduos da mesma espécie se relacionavam com o ambiente de acordo com as características que apresentavam. Assim, dependendo das condições ambientais, alguns se tornavam mais aptos a sobreviver do que outros de sua espécie. 
Aqueles que melhor se adaptam às mudanças no ambiente são os que têm maiores chances de sobrevivência e, consequentemente, de se reproduzir e transmitir suas características aos descendentes. Por outro lado, os seres vivos que não conseguem se adaptar ao ambiente têm mais dificuldade de se reproduzir e, com o passar do tempo, podem ser extintos.
Com base nessas observações, Darwin e o naturalista britânico Alfred Wallace propuseram a denominada teoria da seleção natural.
De acordo com a teoria evolucionista, há muitas variações entre indivíduos da mesma espécie. Algumas características aumentam as chances de reprodução ou de sobrevivência de um indivíduo, que, por isso, consegue deixar mais descendentes. 
Os indivíduos que não têm essas características vivem menos tempo e, portanto, têm menos descendentes. Após várias gerações, as características que aumentam as chances reprodutivas e de sobrevivência dos indivíduos da espécie estarão cada vez mais acentuadas e presentes na população. Darwin chamou esse processo de seleção natural.
Para explicar como funciona a seleção natural, Darwin utilizou o exemplo da girafa. Os ancestrais das girafas tinham pescoço de comprimentos variados: algumas nasciam com o pescoço mais comprido; outras, com o pescoço mais curto. Essas variações eram hereditárias, ou seja, passavam de uma geração a outra. 
Ao longo do tempo as girafas de pescoço mais longo, com melhores condições de sobrevivência, deixaram mais descendentes e foram se tornando predominantes, enquanto as girafas de pescoço curto foram desaparecendo.
Situações parecidas com esse exemplo aconteceram com vários outros animais ao redor do mundo. Esse processo de seleção natural foi chamado de evolução das espécies. E, assim como os outros animais, o ser humano passou por ele.
A seleção natural sucessiva, em uma escala extensa de tempo, pode levar a um acúmulo significativo de características selecionadas, resultando em novas espécies de seres vivos.
Darwin não conhecia a causa dessas variações entre os indivíduos da mesma espécie. Atualmente, os cientistas reconhecem que a variação de características em uma espécie é causada por mutações nos genes de alguns indivíduos. Essas mutações acontecem ao acaso na natureza, mas podem resultar também da intervenção humana.
A Terra passou por consideráveis mudanças ao longo do tempo: houve períodos mais quentes, outros frios; alguns mais chuvosos, outros secos. Além disso, a história do planeta é marcada por eventos como erupções vulcânicas e terremotos.
Em um mundo em constante transformação, algumas espécies ancestrais do ser humano sobreviveram por apresentar determinadas características vantajosas, enquanto outras acabaram sendo extintas. Isso mesmo: no passado, existiram várias espécies de hominídeos, a família de espécies que incluía a humana.

A teoria e a polêmica


Doze anos depois, Darwin publicou A origem do homem e a seleção sexual, que trata da evolução da espécie humana. Nesse livro, o naturalista inglês defendeu a ideia de que os seres humanos e os grandes primatas, como os gorilas e os chimpanzés, evoluíram de um ancestral comum. 
Algumas polêmicas ocorreram em virtude de interpretações incorretas da Teoria da Evolução, como a ideia de que os seres humanos descendem dos macacos. O que a Teoria da Evolução sugere é que humanos e demais primatas (macacos, chimpanzés, gorilas etc.) compartilharam, em algum momento, um mesmo ancestral. 
Ele nunca afirmou que descendíamos diretamente dos macacos, embora alguns críticos de seu trabalho tenham lhe atribuído equivocadamente essa ideia.
Mas atenção: não se deve pensar na evolução das espécies como um “aperfeiçoamento” em linha reta. A situação se parece mais com uma teia complexa. 
Atualmente, a Teoria da Evolução é estudada nas ciências e, assim como todas as teorias científicas, é continuamente questionada, revista e aprimorada. 

A EVOLUÇÃO DO SER HUMANO 


A teoria evolucionista de Darwin e Wallace resolveu um grande mistério científico. Desde o século XIX, arqueólogos e outros estudiosos encontravam em suas pesquisas ossos muito semelhantes aos de humanos modernos, mas nenhum ser humano conhecido tinha ossos exatamente como aqueles.
Utilizando a teoria evolucionista, os cientistas ligaram a origem do ser humano a um grupo de mamíferos chamado primatas, que surgiu na África há cerca de 70 milhões de anos.
Um grupo de primatas deve ter originado os primeiros hominídeos, ou seja, seres que já apresentavam características semelhantes às do homem moderno. Os mais antigos hominídeos de que se tem evidência foram os australopitecos. Eles viviam no sul da África, já andavam eretos sobre os dois pés e tinham habilidade com as mãos, mas não fabricavam instrumentos. 
Em 1974, descobriu-se na Etiópia o esqueleto de um australopiteco quase completo, de 3,2 milhões de anos. Depois de se comprovar que se tratava de uma mulher, o esqueleto foi batizado com o nome de Lucy, porque no momento da descoberta os arqueólogos estavam ouvindo a canção Lucy in the sky with dia monds, dos Beatles.
Em 2010 foi descoberto, também na Etiópia, um esqueleto 400 mil anos mais velho que o de Lucy, mas da mesma espécie que ela, um Australopithecus afarensis. Denominado pelos pesquisadores de Kadanuumuu, o esqueleto teria 3,6 milhões de anos.
As contínuas descobertas de esqueletos de hominídeos muito antigos na África levaram os cientistas a concluir que o ser humano provavelmente surgiu na África e de lá se espalhou para os outros continentes.

Os primatas 


Segundo o evolucionismo, os seres humanos pertencem à ordem dos primatas, isto , isto é, mamíferos com capacidade de agarrar objetos e de perceber visualmente a distância em que eles se encontram. Acredita-se que uma família de primatas deu origem aos primeiros hominídeos, indivíduos com algumas características humanas.
Com base em estudos científicos, os pesquisadores concluíram que os seres humanos são primatas, grupo do qual fazem parte os chimpanzés e os gorilas. Os primatas que deram origem ao ser humano se desenvolveram no continente africano há mais de 70 milhões de anos.
Ao longo do processo de evolução, eles adquiriram características específicas que os diferenciaram dos demais primatas, como o cérebro maior e o modo ereto de andar sobre duas pernas. Assim, há evidências de que os primeiros humanos também tiveram origem na África.

A hominização 


Com base na Teoria da Evolução, os cientistas passaram a analisar o processo de hominização, isto é, o desenvolvimento de características típicas do ser humano. 
Durante o processo de hominização, nossos ancestrais (hominídeos) desenvolveram uma grande capacidade de adaptação aos mais diferentes ambientes. Entre essas adaptações estão a forma ereta de andar, sobre duas pernas, e o desenvolvimento de um cérebro maior, capaz de elaborar pensamentos mais complexos.
Os cientistas denominam a espécie humana como Homo sapiens. Os Homo sapiens surgiram no continente africano há cerca de 300 mil anos e há cerca de 100 mil anos começaram a migrar para outros continentes. Os seres humanos modernos são chamados Homo sapiens sapiens.

Os primeiros humanos 


Um dos primeiros exemplares de hominídeos de que foram encontrados vestígios era do gênero Australopithecus. Existiram várias espécies desse gênero. Esses hominídeos viveram na África, ao sul do deserto do Saara, há cerca de 5,5 milhões de anos e andavam eretos sobre os dois pés. Com o tempo, algumas espécies sobreviveram, e outras se extinguiram. 
Cerca de 2 milhões de anos atrás surgiu um novo gênero de hominídeos mais semelhante aos seres humanos atuais. A esse novo gênero, chamado de Homo, pertence a espécie humana.
O esqueleto de Australopithecus mais conhecido foi descoberto na Etiópia, país do leste africano, em 1974. Era de uma fêmea da espécie Australopithecus afarensis e foi batizado de Lucy, porque, no momento da descoberta, os arqueólogos estavam ouvindo a canção Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles, grupo musical britânico. Na época, a descoberta causou sensação, pois se tratava de um ancestral humano com cerca de 3,2 milhões de anos.
Lucy tinha um pouco mais de um metro de altura e compartilhava com os humanos algumas características, como andar sobre duas pernas (bipedismo). No entanto, apresentava características de outros primatas, como os chimpanzés: braços longos e curvados e mandíbula inferior saliente, mais adaptada para mastigar vegetais crus. 
Ao longo de milhões de anos, muitas espécies de hominídeos apareceram e foram extintas. Algumas deram origem aos seres humanos atuais; outras aos gorilas, chimpanzés e orangotangos. 

O gênero Homo 


Por volta de 2,5 milhões de anos atrás, surgiu o gênero Homo, do qual faz parte a espécie Homo sapiens. É provável que esse gênero tenha evoluído do Australopithecus, mas isso ainda está em investigação. Conheça a seguir características de algumas das espécies do gênero Homo.

• Homo habilis (2,4-1,4 milhão de anos): É considerado o primeiro representante do gênero Homo; sabia fazer utensílios de pedra, com os quais caçava pequenos animais, o que lhe permitiu incluir a carne em sua dieta. Daí o seu nome que, em latim, significa “homem hábil”, “habilidoso”, “engenhoso”. Os indivíduos dessa espécie desenvolveram a habilidade de produzir instrumentos cortantes de pedra, que utilizavam para preparar alimentos. 


• Homo erectus (1,9 milhão-110 mil anos): É descendente direto do Homo habilis. Aperfeiçoou instrumentos de pedra, com os quais caçava animais grandes. Foi o primeiro a aprender a usar o fogo, conseguindo, com isso, adaptar-se a regiões frias da Europa e da Ásia.
Os indivíduos dessa espécie eram caçadores-coletores e usavam ferramentas de pedra lascada, como machados. Foram os primeiros a sair da África, ocupando regiões da Ásia e da Europa.

• Homo neanderthalensis (400-40 mil anos): Muitos dos restos do homem de Neandertal foram encontrados em cavernas, daí a expressão “homem das cavernas”. Acredita-se que ele tenha evoluído ao mesmo tempo que o humano moderno. Seu desaparecimento ainda é objeto de debates. O homem de Neandertal praticava a coleta e a caça em grupos de 20 ou 30 pessoas, fazia sepulturas para seus mortos cobertas com pedra e terra. Por isso, acredita-se ter sido a primeira espécie a realizar cerimônias religiosas.
Os neandertais viviam na Europa e na Ásia Ocidental em grupos de caçadores-coletores. Vestiam-se com peles de animais, fabricavam instrumentos de ossos, galhos e pedras e realizavam pinturas rupestres.  

• Homo sapiens: surgiu há cerca de 300 mil anos. É a espécie da qual fazemos parte. Originou-se na África há pouco mais de 100 mil anos e depois se espalhou por todos os continentes, adaptando-se a qualquer ambiente.
Eles produziram instrumentos e desenvolveram técnicas elaboradas, como as da cerâmica, da metalurgia e do curtume. Isso demonstra que eles tinham alta capacidade inventiva e de aprendizagem, atributos favorecidos pelo desenvolvimento da linguagem verbal.

A espécie Homo sapiens 


Fósseis de diferentes espécies de hominínios foram encontrados em várias regiões do planeta e receberam nomes específicos, conforme suas características físicas ou o lugar onde seus vestígios foram descobertos. Essas espécies desenvolveram particularidades próprias de acordo com o ambiente e as diferentes necessidades de sobrevivência, evoluindo ao longo de milhões de anos. Algumas delas conviveram entre si, às vezes de forma pacífica, às vezes nem tanto. 
Sabemos que, ao longo do tempo, as espécies de hominínios desapareceram, menos a Homo sapiens. Por que só a nossa espécie sobreviveu? Ainda não temos certeza, mas a maioria dos cientistas concorda que desenvolvemos características cerebrais específicas que nos diferenciaram de outras espécies. 
Os cientistas acreditam que, por ter um cérebro maior que o das outras espécies de Homo, o Homo sapiens era também mais inteligente. Foi graças à sua inteligência que desenvolveu a fala, além de outras habilidades,  como costurar, tocar, esculpir, desenhar. Assim, conseguiu sobreviver.
Adquirimos, por exemplo, as inovadoras capacidades de criar símbolos, de comunicar e de trocar informações. Essas habilidades permitiram, por exemplo, que um indivíduo alertasse seu grupo sobre a aproximação de um tigre-dentes-de-sabre ou sobre os efeitos prejudiciais provoca dos pela ingestão de uma fruta ou semente.
Assim, com o passar do tempo, os Homo sapiens conseguiram acumular e partilhar conhecimentos, realizar atividades colaborativas mais complexas, organizar-se em grupos maiores e cuidar do grupo com mais eficiência. Isso permitiu a eles que se alimentassem melhor, caças sem grandes mamíferos, se protegessem de predadores e de outros hominínios, garantindo a sobrevivência para um número cada vez maior de descendentes. 
A ciência sugere que essas vantagens, em milhares de anos, tiveram um efeito surpreendente para o crescimento dos grupos de Homo sapiens e, em algumas regiões, esse crescimento colaborou para o desaparecimento de outros hominínios menos adaptados.
Os cientistas ainda não conseguiram fazer a árvore genealógica completa da nossa espécie. Com base nas técnicas e nos materiais utilizados pelos nossos ancestrais, os pesquisadores dividem a chamada Pré-História em dois períodos: o Paleolítico, da pedra antiga  ou pedra lascada; e o Neolítico, da pedra nova ou pedra polida.

Discussões sobre a origem do gênero Homo


Entre os cientistas dos diversos ramos do conhecimento, há uma longa discussão sobre a origem do gênero Homo. A polêmica gira em torno dos locais onde surgiu a espécie Homo sapiens. Embora essa questão pareça ser meramente científica, foi com base em uma dessas explicações que certas teorias racistas foram desenvolvidas, especialmente no século XX. 
A ideia de que o ser humano, tal como ele é hoje, surgiu na África não foi muito bem aceita, especialmente por alguns europeus. Ainda no século XVIII, o naturalista sueco Carl Linnaeus (1707-1778) apresentou uma classificação da espécie humana separada em raças e as qualificou segundo o que alegava ser as características próprias das raças. 
Leia a seguir um trecho da classificação proposta por Linnaeus, apresentado pelo médico geneticista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sergio Danilo Pena.

[…] 
Homo sapiens europaeus: Branco, sério, forte 
Homo sapiens asiaticus: Amarelo, melancólico, avaro 
Homo sapiens afer [africanus]: Negro, impassível, preguiçoso Homo sapiens americanus: Vermelho, mal-humorado, violento 

[…] 
Sergio Danilo Pena. O DNA do racismo. Revista Ciência Hoje.

Os argumentos da teoria criada por Linnaeus serviram de base para outras teorias racistas ao longo dos séculos XIX e XX. 
A ideia de raça serviu de argumento para o extermínio de diversas populações ao longo da história e para a discriminação que ainda persiste, especialmente contra os afrodescendentes. 
A ciência atual reconhece que não existem raças humanas, já que todos os seres humanos pertencem a uma única espécie: o Homo sapiens.

DA ÁFRICA PARA O MUNDO 


Todas as evidências indicam que os seres humanos surgiram na África e, a partir dela, se espalharam para os outros continentes. Durante muito tempo, acreditou-se que essa dispersão havia se dado em uma única migração, ocorrida há 50 mil anos, com os grupos humanos seguindo até o norte da África e atravessando a península Arábica também pelo norte, em direção à Ásia central. 
Estudos recentes, contudo, concluíram que muito antes dessa migração houve outra, há cerca de 130 mil anos, quando grupos humanos deixaram a região nordeste da África em direção ao sul da península Arábica.


              



POVOS DO MEDITERRÂNEO

O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens. Lo...