domingo, 6 de setembro de 2026

O PROCESSO DE SEDENTARIZAÇÃO

NOMADISMO E SEDENTARIZAÇÃO


Para alguns grupos de pesquisadores, com a transformação do modo de vida nômade para o modo de vida sedentário, isto é, com a fixação de moradia, a humanidade passou por uma de suas principais revoluções. Isso porque o processo de sedentarização foi acompanhado pelo intenso desenvolvimento de tecnologias de caça, agricultura e pecuária, além do surgimento de expressões religiosas e artísticas particulares.
No entanto, esse processo não foi uniforme. Diferentes po vos, espalhados pelos continentes, se tornaram sedentários em temporalidades também distintas, e há ainda aqueles que atualmente são nômades ou seminômades, sendo este um aspecto cultural. Ou seja, a transformação de uma sociedade nômade em sedentária não indica sua evolução de um modo de vida inferior para outro superior, porque cada uma tem uma forma de expressar seu modo de organização social.

O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA 


Em várias partes do mundo, em diferentes momentos, os se res humanos desenvolveram técnicas e atividades para garantir a alimentação mesmo em condições climáticas adversas. Uma dessas atividades é a agricultura. 
Uma das hipóteses para o desenvolvimento das práticas agrícolas é a de que elas tenham sido criadas por mulheres, que eram responsáveis pela coleta de frutos, sementes e raízes. Possivelmente, as mulheres observaram que novas plantas germinavam no local em que sementes caíam na terra, dando início às atividades agrícolas.
Aliado a essas percepções, um fator climático contribuiu para o avanço do cultivo de alimentos: o aumento da temperatura do planeta, que acabava de sair da última glaciação, há cerca de 10 mil anos. Os invernos mais amenos facilitavam a manutenção das plantações e propiciavam a existência de vegetação em diferentes regiões do planeta durante a maior parte do ano. 
Uma das principais regiões em que a agricultura prosperou foi a do chamado Crescente Fértil, localizado entre o norte da África e o Oriente Médio. Apesar do clima desértico, nessa região correm três grandes rios que nunca secam: o Nilo, na África, e o Tigre e o Eufrates, no atual Iraque.
Acredita-se que as primeiras plantações tenham sido de ce reais, como linho, trigo e cevada. Posteriormente, foram cultiva dos tubérculos, frutas e hortaliças. 
A domesticação de animais, iniciada também há cerca de 10 mil anos, proporcionou aos grupos humanos fonte regular de carne e leite, além de couro e peles, utilizados na confecção de vestimentas. 

NOVAS TÉCNICAS E TECNOLOGIAS


Por centenas de anos, houve o aperfeiçoamento da produção de ferramentas, que passaram a ser feitas de pedras polidas e, mais tarde, de metais, tornando-se mais úteis e resistentes. Em algumas cronologias mais tradicionais, o desenvolvimento das técnicas de confecção de utensílios de metal, isto é, a metalurgia, marca o início da Idade dos Metais. 
Esse marco corresponde a uma grande transformação no uso de metais para a elaboração de ferramentas, armas e outros objetos. Há evidências do uso do cobre de cerca de 8 mil anos e do uso do bronze de cerca de 6 mil anos, em regiões da África Central e da Ásia. Na Europa, a metalurgia só começou a ser desenvolvida há aproximadamente 4,5 mil anos.
A olaria, que consiste em técnicas de confecção de objetos de argila, também continuou a se desenvolver e, indiretamente, passou a ser uma prática importante para a alimentação das comunidades, pois com essa técnica eram fabricados utensílios para armazenar gêneros alimentícios e água. Ao longo dos milênios de Neolítico, foram desenvolvidos diferentes tipos de vaso, com vários tipos de ornamento e significado.
A olaria também servia para a construção de moradias, que eram feitas de estruturas de madeira, pedra e argila, colocadas para secar ao sol. Essas técnicas rudimentares se transforma ram até os atuais tijolos de cerâmica, utilizados na construção de diversos tipos de prédio. 
A técnica de tecelagem, ou trançamento de fios, foi desenvolvida, primeiro, com fios de fibras vegetais, como cipó e ervas secas. Depois, começaram a ser utilizados algodão e lã. Até então, as vestimentas eram feitas do couro e da pele de animais.

A ESPECIALIZAÇÃO DO TRABALHO 


As mudanças climáticas e o desenvolvimento de técnicas que dependiam da presença constante de pessoas na produção de alimentos foram processos que, ao longo de milênios, levaram à sedentarização.
O crescimento das populações foi favorecido pela facilidade de acesso aos alimentos, acesso esse que se intensificou conforme se desenvolviam as técnicas de fabricação de utensílios e ferramentas de metal e de cerâmica, além das técnicas de tecelagem, as quais possibilitaram diversificar as vestimentas para o abrigo do frio. 
Tal crescimento resultava, por exemplo, na ampliação da quantidade de pessoas disponíveis para a produção de mais ali mentos e utensílios. Dessa forma, com o passar do tempo, em diferentes comunidades, surgiram especialistas em cada função, isto é, pessoas que realizavam determinadas atividades durante muito tempo, aprimorando-se nelas.
Geralmente, a divisão do trabalho nas comunidades neolíticas levava em consideração o gênero e a idade de seus integrantes. No começo, as mulheres, por exemplo, eram responsáveis pela agricultura, pelo preparo dos alimentos e pelo cuidado com as crianças, mas também teciam roupas e faziam cestos e objetos de cerâmica. Os homens, por sua vez, caçavam, cuidavam dos rebanhos e eram responsáveis pela segurança das aldeias, além de construir ferramentas, moradias, cercas, etc.
A invenção de ferramentas, como o arado, e de técnicas agrícolas, como os canais de irrigação, provocou grande aumento na produção de alimentos, que, por sua vez, facilitou o surgimento de novas ocupações, já que não era mais necessário que toda a mão de obra da comunidade fosse empregada no campo. Assim, algumas pessoas tornaram-se artesãs, outras passaram a servir aos deuses que protegiam a todos, tornando-se sacerdotes, etc. 
A divisão do trabalho permitiu maior especialização, pois as pessoas responsáveis por determinada tarefa, com o tempo, se aprimoravam em seus ofícios e, dessa forma, promoviam melhorias e faziam novas descobertas.



Paleolítico

O período Paleolítico (“pedra antiga” ou “pedra lascada”) teve início com o desenvolvimento dos primeiros hominídeos e se estendeu até cerca de 12 mil anos atrás. Esse período compreende a evolução dos hominídeos que deram origem ao Homo sapiens, na África.
Os hominídeos ancestrais do ser humano foram denominados pelos estudiosos com termos que se relacionam a alguma característica marcante que tiveram. Por exemplo, há cerca de 2,2 milhões de anos, viveu o Homo habilis (homem hábil), que desenvolveu habilidade para construir alguns instrumentos de madeira e de pedra.
Atribui-se ao Homo habilis a elaboração dos primeiros utensílios e ferramentas de pedra, confeccionados pela fricção de uma pedra na outra. Essa técnica dá nome ao período chamado de Paleolítico, que significa Idade da Pedra. Dessa época, há também vestígios de objetos feitos de madeira, mas estes são a minoria.
Além de instrumentos de pedra, os humanos que viveram nesse período utilizavam outros tipos de material, como ossos, sementes e madeira. Eles compunham pequenos grupos e não havia definição de papéis para homens e mulheres, ou seja, indivíduos de ambos os sexos realizavam as mesmas atividades, apesar de poder existir uma divisão de tarefas entre eles. 
É provável que nossos antepassados da espécie Homo habilis, que viveram entre 2,2 e 1,6 milhões de anos atrás, se alimentassem principalmente de folhas, frutas e grãos e de restos de animais mortos. Eventualmente, deviam matar e comer pequenos animais. Usavam ferramentas rudimentares, fabricadas sem uma finalidade específica.
O grande salto na evolução do ser humano ocorreu há 1,5 milhão de anos, quando nossos ancestrais passaram a manter a coluna reta e a andar sobre os dois pés. Por isso, esse hominídeo foi chamado Homo erectus (homem ereto). Ele era mais alto, enxergava mais longe, construía ferramentas mais eficazes, caçava com agilidade, além de registrar acontecimentos de seu dia a dia em pinturas nas paredes das cavernas onde vivia. Sua principal conquista foi aprender a usar o fogo e a controlá-lo.
A descoberta do uso do fogo pelos Homo erectus, há mais de um milhão de anos, possibilitou o cozimento da carne, tornando-a mais fácil de ser digerida e favorecendo o aumento do consumo de proteína. Além disso, garantiu proteção aos grupos humanos, que utilizavam o fogo para afugentar animais e para iluminar ambientes escuros, sobretudo à noite. Os Homo erectus foram também a primeira espécie humana a planejar os instrumentos de pedra lascada de acordo com funções predefinidas e a desenvolver a fala, o que fortaleceu a capa cidade de organização dos bandos. 
A garantia de sobrevivência no Paleolítico dependia de muito trabalho, e nesse período houve intenso desenvolvimento de grande variedade de objetos. 
Das espécies humanas primitivas, o Homo neanderthalensis foi o mais parecido com o Homo sapiens. Muito robustos e inteligentes, os neandertais foram habilidosos caçadores. Eles mantinham laços afetivos fortes no interior do bando, preocupando-se com os membros mais frágeis e enterrando seus mortos.
Há 200 mil anos, alguns grupos humanos começaram a se comunicar por meio da fala para compartilhar ideias. Essa habilidade caracterizou uma nova espécie, chamada Homo sapiens (homem que sabe), que se espalhou da África para outros continentes cerca de 70 mil anos atrás.

A vida no Paleolítico 


Os grupos humanos do Paleolítico viviam basicamente da caça e da coleta. Os homens eram responsáveis pela caça, enquanto as mulheres faziam a coleta de frutos, sementes, folhas, mel, ovos e larvas. Como era preciso se deslocar para encontrar o alimento, os grupos humanos eram nômades, ou seja, mudavam-se constantemente. Por isso, não construíam moradias permanentes. 
Eles se alimentavam de pequenos mamíferos, peixes, crustáceos, insetos, raízes e frutas. Eram, portanto, caçadores-coletores. Como a caça se movimentava e a coleta dependia das estações do ano, esses grupos eram nômades. 
Ocupavam cavernas e grutas ou faziam tendas para se abrigar. Por causa da dificuldade da vida nessas condições, os grupos humanos eram pequenos, com poucas crianças e idosos.

VIDA NÔMADE 


No Paleolítico, predominava o nomadismo, modo de vida que se caracteriza pela constante procura por um novo lugar para habitar; ou seja, os grupos humanos desse período não tinham habitação fixa. 
São comuns os vestígios humanos em grutas e cavernas, su gerindo que eram utilizadas como moradias, cemitérios ou lo cais religiosos. Outros tipos de habitação existentes no período eram cabanas feitas de madeira, folhas e fibras de plantas, peles e ossos de animais. 
A alimentação dos diversos grupos humanos era baseada no que estava disponível no local onde viviam. Era comum a coleta de frutos, raízes e plantas, assim como a caça de animais de vários tamanhos. Destes, tudo era aproveitado: couro para vestimentas e abrigo, ossos para ferramentas e objetos, carne para consumo, entre outros usos. 
Em lugares onde havia rios e lagos ou no litoral, praticavam--se a pesca e a coleta de moluscos e de outros frutos do mar. Conforme os gêneros alimentícios se extinguiam, era necessário buscar novos lugares onde a comida fosse abundante. 
Além disso, os diferentes tipos de clima em nosso planeta apresentavam temperaturas alguns graus mais baixas que as atuais. Isso ocasionava invernos mais rigorosos em diversas regiões, motivando migrações em busca de localidades com temperaturas mais amenas.

O DOMÍNIO DO FOGO 


Não há consenso entre os cientistas sobre quando teria se dado o domínio do fogo. Os vestígios e as respectivas análises in dicam um período que varia entre 1 milhão e 400 mil anos atrás. Para alguns grupos de pesquisadores, o Homo erectus teria sido o primeiro hominídeo a dominar o fogo, enquanto para outros grupos esse domínio teria ocorrido pelo Homo sapiens.
Uma das dificuldades para identificar com precisão o período em que o fogo foi dominado é que, antes disso, já havia o uso de fogueiras formadas naturalmente de raios que causavam incêndios na vegetação, por exemplo. Parte do trabalho dos cientistas consiste em analisar os vestígios das fogueiras paleolíticas para descobrir se o uso delas era cotidiano (indicando o domínio) ou se foram feitas por determinado período e depois cessaram (indicando o uso do fogo, mas não a maestria de produzi-lo).
Porém, os cientistas concordam e reconhecem que o domínio do fogo é um dos marcos na história da humanidade, relacionado diretamente ao desenvolvimento das primeiras comunidades. 
O fogo possibilitou a cocção de alimentos, a iluminação durante a noite e a defesa contra eventuais predadores. O cozimento dos alimentos melhorou a qualidade da alimentação, o que fortaleceu a saúde de nossos ancestrais e, consequentemente, favoreceu o surgimento de grupos maiores. 
Além disso, vestígios de fogueiras paleolíticas revelaram que os grupos humanos passaram a ter o costume de se reunir à noite, ao redor do fogo. Esse tipo de contato possibilitava o uso de códigos de linguagem cada vez mais elaborados, além de fortalecer os vínculos da comunidade.
O fogo também estimulou o desenvolvimento de técnicas de olaria, que se constitui no cozimento de objetos de barro, conferindo maior durabilidade às peças produzidas.

AS EXPRESSÕES RELIGIOSAS MAIS ANTIGAS 


As técnicas desenvolvidas na produção de utensílios a partir da pedra lascada e da manipulação da argila não resultaram apenas em armas para a caça ou em ferramentas para a coleta de alimentos vegetais. Essas técnicas também possibilitaram aos primeiros grupos humanos criarem objetos que indicam sua relação com aquilo que consideravam sagrado, sendo, portanto, vestígios das expressões religiosas mais antigas da humanidade.
Existem indícios de práticas religiosas de comunidades paleolíticas em várias partes do mundo. Os tipos de vestígio nesse sentido são diversificados: desenhos feitos em rochas (pinturas rupestres), estatuetas e túmulos. 
Há pinturas rupestres, por exemplo, que representam caça das. Para alguns especialistas, isso indica que as caçadas e as representações delas eram um tipo de ritual. O registro dessa atividade não indicaria que ela tinha sido realizada, mas que ainda iria ocorrer. Ao retratar as caçadas, os membros das comunidades paleolíticas acreditavam que elas ocorreriam da maneira como desejavam.
Algumas estatuetas, feitas de cerâmica ou esculpidas em pedra, também representam temas relacionados à alimentação e à proteção. Elas datam de períodos paleolíticos diferentes e têm formas femininas estilizadas, por isso, foram chamadas genericamente de “vênus”. No entanto, essa nomenclatura é questionada atualmente por alguns grupos de cientistas, já que, na época em que foram criadas, essas estatuetas não eram assim denominadas.
Nos vestígios paleolíticos que sugerem o sepultamento dos mortos, foram encontrados, com certa constância, diferentes objetos, como colares, urnas funerárias e estatuetas, além de corpos cuidadosamente posicionados. De acordo com os especialistas, esses tipos de vestígio evidenciam a crença de que haveria vida após a morte. Mostram também o desenvolvimento da capacidade humana de conferir significados a objetos, para além de seu uso ou de seu formato. Ou seja, evidenciam a capacidade humana de transcender e de compreender símbolos.

OS REGISTROS RUPESTRES 


Os registros rupestres estão entre os principais vestígios gráficos das comunidades do Paleolítico e eram utilizados como meio de comunicação e de expressão. Trata-se de imagens gravadas em grandes rochas, em paredões de pedra e nas paredes internas e externas de grutas ou de cavernas. Essas imagens foram encontradas em todos os continentes, exceto na Antártida.
Há várias teorias sobre as funções desses registros. A função religiosa, que você conheceu na página anterior, é uma delas. Outra hipótese é que esses registros possibilitavam trocas culturais, já que foram encontrados em diferentes regiões. Quando passava por determinado local, um grupo de pessoas gravava imagens sobre sua passagem, as quais seriam vistas pelos próximos ocupantes desse lugar. 
Do mesmo modo, ao chegar a um novo local, esse grupo também poderia encontrar os registros deixados por outros que haviam estado ali antes. As imagens gravadas representavam cenas de momentos em grupo e do cotidiano, além de caçadas, alimentos vegetais e símbolos que poderiam servir para fazer a contagem de algo, como calendários ou representações astronômicas.
Entre as técnicas utilizadas para fazer as gravuras estavam as de abrasão e as de incisão: primeiro, era feita uma raspagem (abrasão) na superfície rochosa; depois, essa superfície recebia pequenos cortes (incisões) com um instrumento cortante, formando grafismos chamados petróglifos. Também podia ser empregada a técnica da picotagem, que consistia em bater uma pedra sobre a rocha em que se desejava marcar os grafismos.

PRODUÇÃO PICTÓRICA 


Há indícios de que as primeiras pinturas rupestres tenham sido feitas há mais de 30 mil anos. Geralmente, essas pinturas eram produzidas com corantes extraídos de plantas, de carvão vegetal ou de rochas. Muitas vezes, esses corantes eram diluídos ou fixados com uso de água, sangue ou gordura animal ou vegetal. 
As técnicas de pintura podiam ser realizadas com carimbos das mãos, pincéis feitos de pontas de ossos ou de pedras ou, ainda, com o sopro dos pigmentos (com a ajuda de uma espécie de canudo). As produções incluíam grafismos ou representações de animais e de seres humanos em cenas diárias.




Neolítico

No período Neolítico, os humanos passaram a polir a pedra,  aumentando com isso a eficiência e a durabilidade  de suas ferramentas e armas.  Entre as grandes conquistas desse período estão a agricultura e a domesticação de animais; por isso, os grupos humanos daqueles tempos ficaram conhecidos  como agricultores e pastores.
O período em que isso ocorreu, marcado pelo aperfeiçoamento de pilões e moinhos de grãos, além de enxadas, foices e machados de pedra, entre outros objetos, é denominado Neolítico.
No período Neolítico (“pedra nova” ou “pedra polida”), os seres humanos desenvolveram a agricultura e a criação de animais, passando assim, a produzir os próprios alimentos. Esse novo meio de sobrevivência permitiu que eles se fixassem em um lugar.
Uma grande mudança marcou o fim do período Paleolítico e o início do Neolítico: o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. 

O início da agricultura 


No início do Neolítico (10 000 a.C.), a Terra passou por uma por uma grande mudança climática. Nas regiões de clima temperado, as temperaturas se elevaram e as camadas de gelo que cobriam parte da superfície terrestre recuaram. Os animais acostumados a climas frios, como os bisões e os mamutes, desapareceram, e a carne tornou-se menos abundante; intensificou-se, então, a busca por outras fontes de alimentos. Nessa busca, os seres humanos desenvolveram a agricultura e, ao mesmo tempo, começaram a domesticar e criar animais como cabras, ovelhas e bois.
Há cerca de 12 mil anos, alguns grupos humanos começaram a cultivar plantas comestíveis e a criar animais. Isso causou uma transformação no modo de vida desses grupos, mudando o curso da história da humanidade. 
Tudo começou quando alguns seres humanos perceberam que as sementes que caíam no chão davam origem a novas plantas. Eles começaram, então, a enterrar as sementes e constataram que, tempos depois, essas plantas germinavam. Esse processo deu início então à prática da agricultura, possibilitando que os grupos humanos produzissem grandes quantidades de cereais, por exemplo.
Pesquisas recentes indicam que o desenvolvimento da agricultura se deu em vários pontos da Terra ao mesmo tempo. No Oriente, há evidências de que os seres humanos já cultivavam o trigo e a cevada há cerca de 8 mil anos a.C. 
Nesse processo, modificaram frutos, folhas e grãos por meio da seleção das sementes, aperfeiçoando as plantações. Além disso, passaram a escolher os terre nos mais adequados para plantar e programar as regas, a colheita e o armazenamento do que foi colhido, por exemplo.
Esse processo de domesticação da natureza, que recebeu o nome de Revolução Agrícola, durou milhares de anos e aconteceu em diversos lugares do planeta. São considerados berços da agricultura: o Oriente Próximo, a China e o sul do México.

A criação de animais 


Na mesma época em que começaram a ser cultivadas as primeiras lavouras, começou também a domesticação de animais. O cachorro foi provavelmente o primeiro animal a ser domesticado pelo ser humano, ainda no Paleolítico. Posteriormente, no Neolítico, animais como carneiros, cabritos e bois também passaram a ser domesticados. 
A domesticação do cachorro foi muito importante para as sociedades do Neolítico, pois ajudava a cuidar dos grupos humanos com os quais viviam, dando o alerta da chegada de animais ferozes ou de grupos inimigos. Além disso, os cães auxiliavam os homens na captura de animais durante as caçadas.

O processo da sedentarização


A Revolução Agrícola causou alterações profundas na vida dos humanos. Com o domínio da agricultura, vários grupos abandonaram os deslocamentos periódicos, tornando-se gra dualmente sedentários. Como as plantações precisavam de cuidados constantes, as pessoas tinham de permanecer perto dos locais cultivados. Por isso, começaram a construir nas proximidades das lavouras moradias com diferentes materiais, como pedra, madeira e barro.
Ao se fixar para cuidar das plantações, os humanos passaram a precisar de vasilhas para guardar o que colhiam e para cozinhar. Assim, desenvolveram a cerâmica. Ao mesmo tempo que isso ocorria, começaram a domesticar animais e explorá-los a fim de obter carne, leite e pele (para confeccionar roupas e utensílios).
A sedentarização tornou os humanos mais dependentes do grupo e do sucesso da colheita, da qual todos participavam de alguma forma. Além disso, eles precisavam garantir a segurança alimentar e física uns dos outros (pois grãos em abundância podiam atrair grupos rivais buscando comida fácil), e a organização social foi ficando cada vez mais complexa. Com mais comida, eles puderam ampliar a capacidade de formar grupos maiores.

A formação de aldeias 


A agricultura e a pecuária tiveram grande impacto no modo de vida das primeiras populações. A agricultura fornecia cereais, que constituíam a base da alimentação, enquanto a criação de animais fornecia carne e leite, além de lã e couro para a confecção de vestimentas. A força animal podia ser utilizada para facilitar a realização de várias tarefas, principalmente a de arar a terra para plantar. 
Como resultado, houve aumento na oferta de alimentos, com a produção de excedentes que podiam ser armazenados. Isso propiciou o aumento da população, que passou a se fixar nos vales férteis dos rios, formando as primeiras aldeias. Assim, o ser humano passou a deixar a vida nômade e, aos poucos, tornou-se sedentário.
Com a sedentarização e a formação das primeiras aldeias, houve uma mudança significativa no modo de vida dos seres humanos. As pessoas que viviam nas aldeias do período Neolítico dedicavam-se principalmente às atividades da agricultura e da pecuária. Como a produção de alimentos era maior do que o consumo, nem todos precisavam realizar essas atividades. Por isso, havia vários trabalhadores, como ceramistas e artistas, que podiam se dedicar exclusivamente a essas atividades.

A Revolução Neolítica


Há cerca de 12 mil anos, a elevação da temperatura e da umidade, decorrente do fim da última era glacial, provocou mudanças na fauna e na flora, como a redução das savanas e a formação de florestas, além da extinção de grandes animais, como o mamute e a preguiça-gigante, que não se adaptaram ao novo clima. 
Pressionados pelas mudanças no ambiente, os grupos humanos se fixaram às margens de rios e lagos, onde a disponibilidade de alimento era maior. Acredita-se que essa situação possibilitou às mulheres, responsáveis pela coleta, observar mais atentamente o ciclo de vida dos vegetais e perceber que uma nova planta brotava no local em que as sementes eram atiradas após o consumo dos frutos. 
Assim, há aproximadamente 10 mil anos, os seres humanos começaram a praticar a agricultura e a domesticar animais como ovelhas, cabras, porcos, bois e galinhas.
Para cuidar dos rebanhos e das plantações, muitos grupos humanos se sedentarizaram, isto é, fixaram moradia em um lugar, sem se deslocar constantemente como os caçadores-coletores.  Nesses locais, desenvolveram novos instrumentos de trabalho, como pás e foices. Também começaram a fabricar recipientes de barro e cerâmica para transportar líquidos, cozinhar e armazenar alimentos.
Ao longo do tempo, as sociedades humanas desenvolveram tecnologias para aumentar a produção, a variedade e a qualidade dos alimentos cultivados: construíram canais de irrigação, ergueram celeiros para armazenar os grãos e passaram a selecionar sementes para o cultivo e animais para a domesticação. Isso aumentou a oferta de alimentos, o que tornou possível o estabelecimento de sociedades cada vez maiores e mais complexas.
O desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais causaram um impacto tão profundo na organização e no modo de vida dos grupos humanos que os historiadores se referem às transformações que acompanharam esses fatos como Revolução Neolítica. 
No entanto, é preciso ressaltar que nem todos os povos passaram por essas mudanças. Muitos permaneceram exclusivamente como caçadores-coletores e outros combinaram a caça e a coleta com a prática da agricultura. Ou seja, as sociedades diversificaram-se e selecionaram as práticas e atividades econômicas mais favoráveis à sua sobrevivência.

A Idade dos Metais

Alguns grupos humanos desenvolveram a técnica de produzir objetos de metal no final do Período Neolítico. Há cerca de 8 mil anos, o cobre começou a ser empregado na produção de ornamentos e utensílios.
O uso de metais para fabricar utensílios e armas foi uma das maiores realizações dos seres humanos do período Pré-histórico. Além de serem mais resistentes que a pedra ou a madeira, os metais podiam ser fundidos e moldados com o formato desejado, originando uma grande diversidade de objetos.
O primeiro metal a ser utilizado foi o cobre, há cerca de 8 mil anos. Inicialmente, ele era moldado a frio, com golpes de martelo, e usado para fabricar estatuetas e enfeites. Tempos depois, os seres humanos desenvolveram a técnica de fundição do cobre, o que facilitou o trabalho de modelagem dos objetos.
Por volta de 5 mil anos atrás, os artesãos descobriram que a mistura de cobre e estanho resultava em uma liga mais dura e resistente: o bronze. 
A utilização do fogo para fundir o minério de cobre ao estanho originou o bronze, 2 mil anos depois. Essa liga metálica foi uti lizada para produzir armas e ferramentas, entre outros objetos.
O emprego desse metal revolucionou os equipamentos de guerra. Machados, escudos, espadas, lanças e flechas foram alguns dos  instrumentos feitos com bronze. 
Por volta de 3500 anos atrás, passou a ser difundido o uso do minério de ferro aquecido em fornos e misturado ao carbono e ao manganês, obtendo uma liga ainda mais resistente. 
Durante centenas de anos, os ferreiros fizeram experiências para obter um metal de melhor qualidade. Descobriu-se, então, que o minério de ferro, misturado ao carbono existente no carvão vegetal e aquecido em altas temperaturas, produzia uma liga muito resistente. 
Com o ferro foi possível fabricar ferramentas e armas mais eficientes e aperfeiçoar instrumentos agrícolas, como a enxada e o arado.
O primeiro metal a ser fundido foi o cobre, encontrado na forma de veios no meio das rochas. Por volta de 3000 a.C., os sumérios – povo que vivia em regiões do atual Oriente Médio – descobriram que, ao misturá-lo com estanho (outro metal), obtinha-se uma liga muito mais resistente e moldável: o bronze. Já o ferro foi descoberto pelos chineses, cerca de 2000 a.C. Com ele, foi possível produzir ferramentas e armas mais rígidas ainda, como facas, enxadas, machados, agulhas e pregos. 
O uso constante de técnicas de metalurgia trouxe um avanço tecnológico capaz de promover um grande aumento na produção agrícola. Consequentemente, a produção de alimentos em quantidades satisfatórias propiciou um significativo aumento populacional. As comunidades estabelecidas em um mesmo lugar passaram a construir moradias mais resistentes e a formar as primeiras cidades.
Assim como ocorreu com a agricultura, nem todos os grupos humanos criaram técnicas para fundir o ferro no mesmo período. Há até muitos grupos que nunca o fizeram, como os povos indígenas americanos. Além disso, antigos materiais e técnicas continuaram a ser utilizados após o desenvolvimento de outros.
Isso mostra como os grupos humanos são diferentes uns dos outros e, principalmente, que uma época não é melhor do que a anterior apenas por contar com uma tecnologia aperfeiçoada ou pela possibilidade de usar um metal mais resistente que outro.


O que é cultura?

Já utilizamos algumas vezes a palavra “cultura”. Vamos, agora, apresentar alguns de seus sentidos. Os biólogos, por exemplo, quando se referem à criação de certos seres vivos, falam em cultura de peixes, rosas, milho, feijão etc. Na linguagem popular, é comum o uso da palavra “cultura” para designar um vasto conjunto de conhecimentos (repertório), desenvolvido por uma pessoa por meio de leituras, estudos e experiências de vida em geral. 
Com frequência, também deparamos com expressões como “casa de cultura”, “centro cultural” e “secretaria de cultura”. Nesse caso, “cultura” se refere ao conjunto de atividades intelectuais e artísticas desenvolvido por determinada sociedade.
Assim, os diferentes sentidos da palavra “cultura” trazem consigo uma ideia básica: a noção de desenvolvimento, formação e realização. Essa noção também faz parte do uso mais amplo que os historiadores dão à palavra “cultura”.
Cultura são os modos de ser e de viver criados e transmitidos de uma geração para outra. Abrange elementos materiais e imateriais que constituem as artes, as ciências, as normas, os costumes etc. Cultura envolve o que pensamos e fazemos como membros de um grupo social e engloba as modificações na natureza e na paisagem promovidas pela ação humana.
Com isso, podemos afirmar que somos seres culturais. Somos criaturas e criadores do mundo em que vivemos. Em muitos aspectos, transformamos a natureza mesmo fazendo parte dela. Nesse processo, criamos coisas extraordinárias, mas também destruímos de modo devastador.

Sítios arqueológicos

Os locais onde são encontrados vestígios das atividades humanas são chamados de sítios arqueológicos. O continente africano apresenta muitos desses sítios. Um dos mais conhecidos é Maropeng, localizado na África do Sul, pois lá foram encontrados alguns dos fósseis mais antigos de hominídeos. A palavra “Maropeng”, na língua setswana, significa “retorno ao local de origem”. Ali existem áreas de escavação que foram consideradas “berço da humanidade”.
Na região de Maropeng foi construído um moderno museu que expõe inúmeros fósseis de hominídeos. Entre esses fósseis, destaca-se um, conhecido como “Senhora Ples”, que consiste em um esqueleto de Australopithecus africanus de mais de 2 milhões de anos; outro, conhecido como “Pezinho”, é um exemplar de um ancestral com idade entre 3,1 e 4,1 milhões de anos.

Big Bang: cientistas explicam a origem do Universo

A teoria do Big Bang é a mais aceita pela comunidade científica para explicar a origem do Universo. Ela foi formulada por cientistas no século XX e, até hoje, muitos pesquisadores estudam evidências para comprová-la ou para demonstrar que ela não é adequada. 
Segundo essa teoria, há cerca de 13,7 bilhões de anos ocorreu uma explosão provocada por uma grande concentração de massa e energia, da qual se originou o Universo. A teoria está fundamentada em observações feitas por cientistas que demonstraram que o Universo está em constante expansão.
O ser humano sempre teve interesse em saber como o nosso planeta, o Sol e as outras estrelas, a Lua, os mares e os animais foram criados. Ao longo da história, vários povos, em diferentes lugares e períodos, procuraram explicar o surgimento do Universo, muitas vezes com base em sua religião.
Por isso, existem diversas explicações para a origem do Universo, para o surgimento da vida e da natureza. Os gregos antigos, por exemplo, acreditavam que, no início, o Universo era uma grande escuridão, um vazio, governado pelo único deus que existia, conhecido como Caos. Depois surgiu a Terra, chamada de Gaia, que gerou o céu, o mar e as montanhas. Na Bíblia cristã, está escrito que Deus criou o mundo, o ser humano e todas as coisas. 
Com o desenvolvimento da ciência, outras explicações foram elaboradas.
No século XX, cientistas chegaram à conclusão de que o Universo surgiu de uma explosão ocorrida há cerca de 15 bilhões de anos. Do resfriamento e do endurecimento dos fragmentos dessa explosão surgiram os planetas e as estrelas. Esse evento recebeu o nome de big bang, expressão em inglês que significa “grande explosão”.

CONSTRUTIVISMO

Na área da pedagogia, a inspiração para o construtivismo vem principalmente de Jean Piaget. A ideia mais importante da teoria desse psicólog...