terça-feira, 29 de setembro de 2026

A cultura hebraica

O legado cultural dos hebreus é especialmente sociocultural religioso. Dispersas em diversas regiões em diferentes momentos da história, as comunidades judaicas uniram-se em torno de suas tradições religiosas, que influenciaram os modos de vida, costumes e valores de seu povo. Alguns de seus rituais e cerimônias religiosas, inclusive, celebram diferentes passagens da história do povo hebraico.
Os hebreus adotaram o monoteísmo, a crença em um único deus, e anunciaram a vinda de um salvador para o povo. A consolidação do monoteísmo entre eles foi um processo longo e recebeu influência das crenças dos povos com os quais mantinham contatos e trocas culturais; é provável que inicialmente cultuassem várias divindades, das quais destacaram uma. Mais tarde, o judaísmo influenciou outras religiões monoteístas, como o cristianismo e o islamismo, fundadas, respectivamente, nos séculos I e VII d.C.

Fontes para o estudo dos hebreus

São três as principais fontes para o estudo dos hebreus.
Uma das fontes é a Torá, livro sagrado do judaísmo. A Torá é composta dos seguintes livros: Bereshit (Gênesis), Shemot (Êxodo), Vaicrá (Levítico), Bamidbar (Números) e Devarim (Deuteronômio). Esses livros também integram a Bíblia, com o nome de Pentateuco.
Para judeus e cristãos, suas bíblias são sagradas, pois foram escritas sob inspiração divina. Já para os historiadores são fontes históricas, a serem usadas para conhecer povos, paisagens e culturas da Antiguidade.
Outra fonte importante para o conhecimento dos hebreus são os vestígios arqueológicos. Alguns episódios narrados na Bíblia não foram comprovados pela Arqueologia e continuam sendo objeto de interesse e debate.
Outra fonte histórica ainda são os relatos antigos, como os do historiador judeu Flávio Josefo (37-100 d.C.). Esse historiador nascido em Jerusalém teve uma vida atribulada; foi soldado e lutou contra a opressão romana. Escreveu e publicou uma obra vasta, entre as quais Antiguidades Judaicas. Seus livros nos ajudam a conhecer o modo de vida de judeus, romanos e primeiros cristãos.

O CÓDICE MENDOZA

Um dos mais conhecidos conjuntos de desenhos e escritos feitos pelos astecas é o Códice  Mendoza, que descreve passagens importantes da história desse povo, como cenas do cotidiano e a organização do Estado.
Originalmente, as narrativas eram contadas apenas com desenhos. Após a conquista, os espanhóis adicionaram textos às ilustrações.

As imagens dessa página do Códice retratam um pai ensinando o filho a realizar algumas atividades do cotidiano asteca antigo.

Identidades em Jerusalém

Jerusalém é a maior cidade de Israel, um território sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos. Suas antigas edificações guardam a memória de diferentes impérios que disputaram a região ao longo de séculos. Hoje, Jerusalém conta com uma população de aproximadamente 944.000 pessoas (dados de 2020). 
Do total de habitantes da cidade, 64% são judeus, 34% são árabes muçulmanos e 2% são formados principalmente de cristãos, muitos deles árabes. Jerusalém está dividida em dois agrupamentos urbanos: a cidade nova, moderna, que cresceu em todas as direções; e a cidade velha, cercada por uma grande muralha. 
No interior dessa muralha estão localizados os monumentos sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos: o Muro das Lamentações (sagrado para judeus), a Igreja do Santo Sepulcro (sagrada para cristãos) e o Domo da Rocha (sagrado para muçulmanos).

Pessoas em feira de rua na Cidade Velha de Jerusalém. Fotografia de 2020.


É possível entender a diversidade em Jerusalém observando o cotidiano de seus habitantes. Os membros de algumas seitas judaicas ultraortodoxas, por exemplo, usam chapéus que identificam aqueles que nasceram e vivem em Jerusalém. Na tradição judaica, cobrir a cabeça é um sinal de devoção a Deus. Mas, em geral, os judeus religiosos ou ortodoxos usam o kipá, nome hebraico do pequeno solidéu tradicional. 
As diferentes denominações cristãs em Jerusalém também se distinguem pelo tipo de chapéu. O chapéu cônico preto, utilizado pelos sacerdotes armênios, que são cristãos ortodoxos, remete ao formato do Monte Ararat, na Armênia, que é sua terra natal. 
Por sua vez, as mulheres muçulmanas cobrem a cabeça com os tradicionais hijabs. Em Jerusalém, os lenços tendem a ser coloridos e alegres, com lantejoulas ou bordados. 
Jerusalém é hoje a capital oficial do Estado de Israel. Mas essa condição não é reconhecida pela maior parte da comunidade internacional. Judeus e palestinos reivindicam o direito histórico sobre a cidade e ainda não há uma solução definitiva para o conflito entre eles.


O reino hebreu

Muitos anos após estabelecerem-se novamente em Canaã, no século XI a.C., os hebreus consolidaram um Estado com o poder centralizado em torno de um rei. Sob o governo do rei Davi, que durou de 1000 a.C. a 965 a.C., a cidade de Jerusalém foi transformada na capital do reino. Na nova capital, Davi centralizou o culto ao Deus único Yahweh (Javé ou Jeová), convertendo o monoteísmo hebraico em religião do Estado. 
Em 926 a.C., o norte do reino se rebelou e criou o Reino de Israel, com capital em Samaria. No sul, formou-se o Reino de Judá, que manteve sua capital em Jerusalém. Após a divisão dos dois reinos, os habitantes do Reino de Judá passaram a ser conhecidos como judeus.
Em 722 a.C., os assírios conquistaram o Reino de Israel, deportaram sua população para os territórios assírios e levaram estrangeiros para ocupar as terras conquistadas. 
O Reino de Judá resistiu por mais tempo aos ataques de outros povos. Contudo, no século I a.C., a região passou a ser domínio do Império Romano, e os conflitos entre os governantes romanos e os judeus passaram a ser constantes. 
Em 70 d.C., os romanos impulsionaram uma grande revolta judaica, saquearam e destruíram o Templo de Jerusalém e expulsaram os judeus da região. A maior parte deles espalhou-se então por vários domínios romanos. Esse movimento de dispersão geográfica ficou conhecido como Diáspora (ou a Grande Diáspora).


Os hebreus

A língua, a religião e os costumes dos judeus da atualidade têm sua origem nos antigos hebreus. O povo hebreu era formado por comunidades de agricultores e pastores que habitavam a região de Ur, na Mesopotâmia, há cerca de 4 mil anos. Essas comunidades eram compostas de famílias patriarcais, em que a figura masculina era o chefe da família. Cabia ao patriarca assumir as principais responsabilidades e decisões, exercendo funções políticas e religiosas.
Quase não há esculturas, sarcófagos, pinturas, templos ou outras fontes para pesquisar a história dos hebreus; por isso, a Bíblia é a principal fonte de estudo sobre esse povo. Como a Bíblia é uma narrativa religiosa escrita por muitas mãos, é um desafio permanente para os pesquisadores separar o que é narrativa religiosa do que é evidência histórica.


Em busca da Terra Prometida


Segundo a Bíblia, os hebreus viviam do pastoreio nas proximidades da cidade de Ur, na Mesopotâmia. Por volta de 1800 a.C., eles deixaram Ur, guiados por Abraão e partiram em busca de água e boas pastagens. Depois de uma longa caminhada, chegaram a Canaã, região cortada pelo Rio Jordão. Após disputarem território com outros povos que ali viviam, fixaram-se na chamada Terra Prometida, território que, atualmente, corresponde à Palestina. 
Diversas famílias o seguiram e se estabeleceram na região, vivendo do cultivo de trigo, cevada, pepinos, uvas e figos, além da criação de animais, como ovelhas e cabras. 
Para alguns especialistas, os hebreus teriam saído da Mesopotâmia por volta de 1900 a.C. Outros acreditam que essa migração teria acontecido cinco séculos mais tarde. No entanto, depois de um período de seca e fome na região, por volta de 1600 a.C., os hebreus tiveram de procurar novos territórios. 

A vida na Palestina


A Palestina está situada em uma região quente, semiárida e pobre em metais e madeiras. Na região, chovia pouco e raramente.
Nas terras férteis do vale do Rio Jordão, os hebreus cultivavam trigo, cevada, vinhas, figueiras, romãzeiras e oliveiras; e criavam abelhas para produzir o mel. Nas colinas e
montanhas, viviam principalmente do pastoreio, levando e trazendo ovelhas e cabras, das quais extraíam leite, carne e lã.
Os hebreus, inicialmente, viviam em pequenos grupos nômades e semi-nômades que eram liderados por um patriarca.
Essa sociedade se caracterizava por adorar apenas uma divindade, colocando-a acima de todas as outras, o que gerou, mais tarde, o monoteísmo, ou seja, a crença em uma divindade única.
Por muitas gerações, o povo hebreu manteve-se organizado em clãs, grupos de famílias que acreditavam ter um ancestral comum. Nos clãs, os patriarcas tinham funções religiosas, políticas e militares.
De acordo com a Bíblia, Abraão foi o primeiro patriarca e teve um filho chamado Isaac, que liderou os hebreus após a morte do pai, e foi sucedido por Jacó, que teve 12 descendentes, originando as 12 tribos de Israel. Com o tempo, a seca obrigou um grupo de hebreus, que estavam sob a liderança de Abraão, a migrarem para o Egito, onde foram escravizados.

Abraão recebe a promessa. Século II. Afresco. Museu Nacional de Damasco, Damasco, Síria. Esta pintura mural foi encontrada na Sinagoga de Dura-Europos, na Síria. A sinagoga, fundada por volta de 300 a.C., é uma das mais antigas e um importante exemplo da arte judaica na Antiguidade.

Só uma pequena parte da população vivia em cidades. As cidades hebreias, como Jerusalém e Jericó, eram pequenas e tinham cerca de três a quatro mil habitantes; cada cidade era governada por um rei que residia em seu palácio, rodeado de guardas, servidores e artesãos (carpinteiros, oleiros e ceramistas). Nessas cidades viviam também mercadores que faziam comércio interno e também com os povos vizinhos.

Os hebreus e os Dez Mandamentos


Segundo a Bíblia, por volta de 1700 a.C., um longo período de seca e fome obrigou os hebreus a emigrarem de Canaã para o Egito que, na época, estava sob o domínio dos hicsos. Enquanto durou essa dominação, os hebreus viveram em liberdade. Mas, após a expulsão dos hicsos, por volta de 1550 a.C., os hebreus foram escravizados pelos egípcios que os acusavam de terem colaborado com os invasores.
Depois de um longo cativeiro, os hebreus se revoltaram e, por volta de 1250 a.C., saíram do Egito de volta para Canaã, liderados por Moisés. Eles caminharam pelo deserto por 40 anos e, em meio a essa longa viagem, conhecida como Êxodo, Deus entregou a Moisés, no Monte Sinai, duas tábuas contendo os Dez Mandamentos, o código de leis do povo hebreu.

A disputa pela Terra Prometida


Ao chegar a Canaã, os hebreus encontraram outros povos e, então, decidiram lutar para reconquistá-la. Como, na época, estavam divididos em 12 tribos, eles escolheram chefes militares, políticos e religiosos, os juízes, para comandá-los.
Josué, sucessor de Moisés, foi o primeiro juiz hebreu e iniciou a luta pela reconquista do território, começando pela cidade de Jericó. Depois dele, dois outros juízes se destacaram: Sansão e Samuel. Na época de Sansão, os principais adversários dos hebreus eram os filisteus.
Conta a Bíblia que, para enfrentar Sansão, os filisteus usaram Dalila, uma filisteia por quem ele havia se apaixonado. Dalila descobriu que a força de Sansão estava no cabelo e o fez adormecer em seu colo; chamou então um homem que cortou o cabelo de Sansão. Sem forças, Sansão teve os olhos perfurados e foi escravizado pelos filisteus.
Os hebreus, liderados pelos juízes, se envolveram em conflitos com os filisteus (que agora ocupavam a Palestina). Durante uma das guerras, os hebreus decidiram reunir as suas 12 tribos e proclamaram Saul como rei, formando o reino de Israel. Depois de Saul, destacaram-se os reis Davi e Salomão.

A fundação do Reino de Israel


Os hebreus chegaram a Canaã por volta de 1200 a.C. e encontraram a região ocupada por povos como cananeus e filisteus. 
Após anos de conflitos, em 1030 a.C., os hebreus fundaram o Reino de Israel, unificando as diversas comunidades hebraicas sob o comando de um rei. Um dos reis mais conhecidos foi Davi, que derrotou os filisteus e conquistou a cidade de Jerusalém. 
A partir de então, os hebreus passaram por um período de prosperidade, mantendo relações comerciais com os povos árabes e africanos e realizando grandes obras, como sistemas de irrigação e o Templo de Salomão, em Jerusalém, capital do Reino de Israel.
Essas obras mobilizaram muitos trabalhadores livres e escravizados. Além disso, seus altos custos geraram grande aumento dos impostos.
Davi conquistou a cidade de Jerusalém, tornando-a capital de Israel. Ele foi sucedido pelo seu filho, Salomão, cujo reinado foi marcado por um período de estabilidade. 
Depois da sua morte, as disputas pelo trono levaram à formação de dois reinos: Judá e Israel. Essa divisão tornou esses reinos vulneráveis aos ataques estrangeiros, sofrendo ataques dos assírios e dos babilônicos. Jerusalém foi devastada pelo exército babilônico, o que resultou no fim do reino de Judá e no aprisionamento de um grupo de hebreus, que foi levado à força para a Babilônia e escravizado. 

A divisão dos hebreus


Com a morte de Salomão, em 932 a.C., iniciou-se um período de instabilidade. Roboão, o novo rei, manteve a cobrança de altos impostos, provocando insatisfação popular e conflitos que levaram à divisão do reino. 
Ao norte se formou o Reino de Israel, situado ao norte e formado por dez tribos, com capital em Siquém (depois mudada para Samaria); e Reino de Judá, localizado ao sul e composto por duas tribos, com capital em Jerusalém. Com essa divisão política, enfraquecidos, os hebreus sofreram sucessivas invasões e dominações de povos estrangeiros. 
Divididos, os hebreus não resistiram aos seus poderosos vizinhos. O Reino de Judá conseguiu sobreviver até 587 a.C., quando foi dominado pelos babilônios, que levaram os hebreus como prisioneiros para a Babilônia. Na Bíblia, esse episódio foi chamado de Cativeiro da Babilônia e é visto como um castigo de Deus, por causa da corrupção e da ganância dos líderes hebreus.
Esse cativeiro dos hebreus durou até 539 a.C., quando os persas conquistaram a Babilônia e permitiram a volta dos hebreus. 
Os persas, povos liderados por Ciro, que eram provenientes da região em que hoje se localiza o Irã, conquistaram o Império Babilônico. Sob o domínio dos persas, os hebreus foram libertados, voltaram para a região de Judá e retomaram os seus cultos ancestrais. 
Posteriormente, os hebreus foram dominados por outros povos, inclusive os romanos.
Os judeus se revoltaram contra a dominação romana por duas vezes. A primeira revolta durou de 66 a 70 d.C. e a segunda, de 132 a 135 d.C. Nessas duas ocasiões, foram duramente reprimidos pelos romanos. Diante disso, os judeus se dispersaram pelo mundo, episódio conhecido como Diáspora judaica.

O judaísmo


Mesmo dispersos, os judeus mantiveram-se em comunidades, fiéis aos seus hábitos e suas tradições. Eles passaram a se reunir em sinagogas, locais de oração, de culto e de convívio comunitário. Enquanto a maioria dos povos da Antiguidade acreditava na existência de vários deuses sendo, portanto, politeístas, os hebreus desenvolveram o monoteísmo ético.
Os hebreus acreditavam também que Deus os escolheu para servir de exemplo à humanidade e lhes revelou sua lei por meio da Torá (livro sagrado). Essa religião criada pelos hebreus e praticada por seus descendentes (os judeus) é chamada de judaísmo.
O judaísmo influencia diretamente o dia a dia dos seus seguidores. Exemplos disso são o uso do quipá (um gorro que cobre a cabeça em reconhecimento da presença divina) e a realização de cerimônias como a Bar Mitzvá, que marca a iniciação dos meninos na leitura da Torá, e a Bat Mitzvá, cerimônia equivalente para as meninas.

O monoteísmo hebraico 


Diferentemente dos demais povos do Oriente na Antiguidade, os hebreus eram monoteístas, ou seja, acreditavam na existência de um Deus único, Yahweh. A base de sua crença estava na Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia, que contêm os 613 mandamentos para a vida judaica. 
Entre eles estão os Dez Mandamentos, que são considerados uma síntese das leis de Deus. Os mandamentos da Torá abrangiam praticamente todos os aspectos da vida dos hebreus, como a família, o trabalho, a alimentação e as obrigações religiosas.

A Torá


Muitas informações sobre a história do povo hebreu ficaram conhecidas por meio da Torá, obra sagrada para os judeus. Trata-se de um conjunto de cinco livros — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio —, que também fazem parte do Velho Testamento da Bíblia cristã. A Torá reúne 613 mandamentos, que devem ser seguidos pelos judeus.

A religião judaica 


A religião judaica é uma das religiões monoteístas mais antigas das quais temos conhecimento. Segundo a Torá, Javé criou o Universo e tudo o que há nele, sendo considerado um ser perfeito. Esse deus não pode ser representado em pinturas ou esculturas, pois o culto a imagens é negado por um dos Dez Mandamentos. 
É considerado judeu aquele que é filho de uma mulher judia. Também é possível uma pessoa se converter ao judaísmo, mas, para isso, ela deve passar pelos critérios de avaliação das autoridades religiosas judaicas.

Verifique a seguir alguns símbolos da religião judaica.

Estrela de Davi

A estrela de Davi, composta de dois triângulos entrecruzados, é um dos símbolos mais antigos da cultura judaica. Ela também é conhecida como escudo de Davi, que foi um dos reis de Israel.

Menorá

Antigo símbolo judaico derivado do candelabro sagrado feito de ouro e que originalmente ficava no Templo de Salomão. A Menorá representa o centro do qual a espiritualidade é irradiada para o mundo.

Muro das Lamentações

De acordo com a tradição judaica, o Muro das Lamentações é parte do que restou do Templo de Salomão, após ser destruído pelos romanos no século I. Trata-se de um lugar sagrado para os judeus, atraindo peregrinos até os dias atuais. Ao visitar o local, os judeus fazem orações e depositam pedaços de papel com seus pedidos nos vãos do muro.

Menino judeu orando no Muro das Lamentações, um vestígio do que se acredita ser as ruínas do Templo de Jerusalém. Israel, 2015.

As celebrações judaicas


Grande parte dos seguidores da religião judaica procura manter vivas suas tradições e sua história, promovendo-as por meio de símbolos, celebrações e rituais característicos do judaísmo. Esses elementos foram, portanto, essenciais para construir uma forte identidade em torno dessa religião ao longo do tempo. Mesmo depois que os judeus se dispersaram pelo mundo, a identidade religiosa desse povo contribuiu para a manutenção de sua cultura. 
Conheça algumas das celebrações da religião judaica.

Pessach

Também conhecida como Festa da Libertação, celebra a fuga dos hebreus do Egito de volta para Canaã. Durante os sete dias da Pessach, os judeus devem consumir um pão fino e sem fermento chamado matzá. Segundo a tradição judaica, um pão semelhante a esse foi consumido pelos hebreus ao fugirem do Egito.

Yom Kippur 

É a data mais importante para a religião judaica, considerada o Dia do Perdão. Essa data é celebrada entre setembro e outubro. No Yom Kippur, os judeus se de dicam às orações e ao jejum para demonstrar o arrependimento por suas falhas e para buscar o perdão divino.

Bar Mitzvah e Bat Mitzvah

Ao completar 13 anos de idade, os garotos judeus participam da cerimônia do Bar Mitzvah, que marca a passagem deles para a maioridade religiosa. A partir do século XIX, teve início também a cerimônia do Bat Mitzvah, que marca essa passagem entre as garotas judias.

Cerimônia de Bar Mitzvá. Israel, 2015.


Cerimônia de Bat Mitzvá. Michigan (EUA), 2019.


Chanucá

Também conhecida como Festival das Luzes, a Chanucá (ou Hanuká) é uma celebração judaica que ocorre todos os anos, durante oito dias no mês de dezembro. A palavra em hebraico significa “dedicação” ou “inauguração”. 
Durante o Festival das Luzes, a cada noite é acesa uma vela da chanukiá, um candelabro especial para essa festa, que tem nove pontas. A vela do meio, a principal, é a primeira a ser acesa.

Os judeus também fazem festas para relembrar passagens de sua história e manter vivas a memória e as tradições judaicas. Conheça algumas delas.
Shabat (Dia do Descanso); existe para lembrar o trecho da Torá que diz que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo, descansou. O Shabat começa na sexta-feira, com o pôr-do-sol, e termina no início da noite de sábado.
Pessach ou Páscoa judaica é uma festa que comemora a libertação dos hebreus que viviam como escravizados no Egito e o retorno deles para a Terra Prometida.
Atualmente, essa festa é comemorada por judeus do mundo todo. A comemoração inclui um jantar em que se lê trechos da história dos hebreus e os jovens questionam os adultos sobre o significado da liberdade.
Shavout comemora a entrega da Torá a Moisés no Monte Sinai; isso, segundo a Torá, ocorreu sete semanas após os hebreus terem deixado o Egito. Daí o Shavout ser conhecido também como Festa das Semanas.
Rosh Hashaná é a comemoração do Ano Novo. A festa inclui reuniões familiares nas quais se come alimentos especiais, como a maçã com mel, a fim de “adoçar” o novo ano.
Yom Kippur (Dia do Perdão) é o dia mais sagrado do calendário judaico. Dia de jejum, orações e arrependimento pelos pecados cometidos. Dia em que se pede perdão pelas promessas feitas a Deus e não cumpridas. O Yom Kippur ocorre dez dias após o Ano Novo.
O judaísmo foi a principal fonte do cristianismo.

OS PERSAS

Por volta de 2000 a.C., grupos humanos de origem indo-europeia se instalaram em uma região de terras férteis entre a Mesopotâmia, a Índia e o Golfo Pérsico. Com o tempo, esses grupos formaram dois povos: os medos e os persas.
Os medos se fixaram próximo aos montes Zagros, no norte do Planalto do Irã. Eles viviam da agricultura e do pastoreio e dominavam a metalurgia do cobre, do bronze e do ouro. Os persas, por sua vez, ocuparam territórios menos férteis ao sul e desenvolveram principalmente atividades comerciais. No início do século VII a.C., os medos já haviam estabelecido um reino e dominavam vários povos, inclusive os persas.
Os medos e os persas habitavam regiões próximas e havia trocas comerciais e culturais entre eles. Permaneceram independentes até 550 a.C. Nesse ano, um nobre persa chamado Ciro, que descendia dos medos, destronou o rei dos medos e unificou os reinos. Surgia, assim, o Reino Persa, com capital em Pasárgada. Iniciava-se, também, a dinastia Aquemênida.
Por volta de 550 a.C., o rei persa Ciro II derrotou os medos e unificou os dois reinos. Com um exército de 300 mil homens, ele conquistou os reinos da Lídia e da Babilônia, além de cidades gregas na Ásia Menor. 
Os principais feitos dos persas estão narrados nos escritos do historiador grego Heródoto. Por meio dessa fonte foi possível aos historiadores buscar outros vestígios sobre o rei Ciro. Há inscrições persas, egípcias e babilônicas que, ao abordar o governo desse rei, indicam que ele se aliou à nobreza persa para iniciar a expansão territorial do reino. 
Com um exército eficaz, formado por mais de 300 mil soldados, Ciro ampliou as fronteiras persas, dominando povos vizinhos e acumulando riquezas. Durante seu governo, conquistou importantes reinos, como os da Lídia e da Babilônia. 
Ciro II, conhecido por ser bom administrador e guerreiro, era respeitado pelos persas e por outros povos. Os gregos o chamavam de “grande legislador”, e os judeus, de “o ungido de Deus”. As regiões dominadas pelo exército persa podiam manter sua religião e seus costumes. 
Com a morte de Ciro II, em 530 a.C., seu filho Cambises o sucedeu no trono e prosseguiu com a expansão do império, conquistando o Egito.

Ruínas da antiga cidade de Persépolis, capital do Império Persa, localizadas na atual cidade de Shiraz, no Irã. Fotografia de 2020.

A DIVERSIDADE CULTURAL DO IMPÉRIO PERSA 


Uma das marcas do governo Aquemênida foi a relativa liberdade cultural concedida aos povos conquistados. A estes era permitido manter o idioma, a religião e os costumes locais após o domínio persa, desde que não se insurgissem contra o Império e pagassem corretamente os tributos. 
Muitas vezes, os governantes locais eram mantidos no poder como representantes do governo persa. Por suas proporções e por permitir a manutenção das tradições locais dos povos conquistados, o Império Persa se caracterizou pelo multiculturalismo. Muitos historia dores usam o adjetivo multiétnico para se referir a esse período da história persa.
Em seu auge, o Império governou povos da península Arábica e dos litorais do golfo Pérsico, do mar Cáspio, do mar Negro e do mar Mediterrâneo. O domínio sobre essa vasta região garantia aos persas o controle comercial e militar, já que o trânsito terrestre e marítimo entre a Ásia, a África e a Europa passava por seus territórios. 
Porém, para que esse controle fosse efetivo, era necessário ter aliados locais, que acabavam conquistados pela estratégia da preservação de suas culturas no interior do Império. Portanto, havia no mundo persa uma profusão de línguas, religiões e costumes de diferentes povos, e a aproximação entre eles permitiu que se influenciassem mutuamente.
Há registros de que Cambises, após conquistar o Egito, teria se caracterizado como faraó egípcio (e não como imperador persa) para ser reconhecido pelo povo egípcio como legítimo governante da região após as vitórias militares. 
Essa estratégia indica que as trocas culturais não apenas favoreciam os povos conquistados, mas também facilitavam o controle por parte do Império e a aceitação do governo persa pelos povos locais. 

ORGANIZANDO O IMPÉRIO: O governo de Dario 


Cambises morreu sem deixar descendentes e o trono do Império foi ocupado por Dario I, seu sobrinho, em 522 a.C. Dario I foi um grande estadista e durante seu governo o Império Persa viveu seu apogeu. 
Em seu reinado, os domínios persas atingiram a máxima extensão: da Trácia, no Ocidente, até as margens do rio Indo, no Oriente. Em seu governo, Dario I implantou importantes medidas para estimular a economia e tornar a administração do império mais eficiente:
• Dividiu o império em satrapias (regiões administrativas), controladas por um sátrapa, uma espécie de governador escolhido pelo rei. 
• Criou uma moeda única, o dárico, impedindo que as satrapias tivessem as próprias moedas.  
• Ordenou a construção de uma grande rede de estradas (a via principal, que ligava as cidades de Sardes e Susa, tinha cerca de 2500 quilômetros de extensão).
As medidas tomadas por Dario I facilitaram a administração do império e propiciaram maior circulação de produtos e in formações entre as diversas províncias.

Moeda de dárico cunhada em ouro no século V a.C. Moedas como essa eram usadas, principalmente, no pagamento de tributos ao Império Persa. O dárico foi a primeira unidade monetária a ser adotada por diferentes povos.
Para viabilizar essa estruturação, o Império Persa foi dividi do em províncias, chamadas satrapias. Elas eram governadas pelos sátrapas, líderes que exerciam o poder local. Parte das atividades dos sátrapas era recolher os tributos e entregá-los ao governo central. Os tributos eram proporcionais à riqueza de cada satrapia; por isso, essa riqueza devia ser declarada pelos sátrapas. Para fiscalizar os sátrapas e os demais súditos do Império, foi criado um serviço de informações e espionagem, com posto de funcionários de sua confiança.
Para interligar as satrapias e facilitar a comunicação e o comércio entre os diferentes pontos do Império, bem como o envio de tributos à capital, uma ampla rede de estradas foi construída e pavimentada. A principal delas era a Estrada Real, que unia as cidades de Susa e Sardes. Essa estrada tinha cerca de 2 400 quilômetros de extensão, e os súditos demoravam cerca de oito dias para percorrê-la a cavalo. A segurança nos deslocamentos era garantida por patrulhas com mais de cem postos de controle.

A sociedade persa 


A sociedade persa dividia-se em três grupos: os sacerdotes ou magos, respeitados por sua riqueza e sabedoria; os nobres, que controlavam a terra e a administração palacial; e os camponeses, que sobreviviam da agricultura e do pastoreio nas terras dos nobres e do rei. 
O comércio era a principal atividade econômica dos persas e alcançava terras tão distantes como Egito, Fenícia, Chipre, Índia e a costa do mar Negro. O artesanato persa era muito valorizado, especialmente os tecidos, as armas, objetos esmaltados e as joias. 

ARTE E RELIGIOSIDADE PERSA 


Os monumentos, os palácios e as obras de arte persas demonstram traços das sociedades egípcias, babilônicas e de vá rios outros povos. A tapeçaria, uma das expressões clássicas da arte persa, adaptou elementos dessas culturas diversas, mas permaneceu como arte acessível apenas à elite dos povos, para ser apreciada no interior de cômodos particulares. 
O principal registro dos feitos de Dario I foi encontrado no monte Behistun, na província de Kermanshah, no atual Irã. Escritas em primeira pessoa, as declarações foram grafadas em três idiomas: persa antigo, elamita e babilônico. Nelas, Dario I registrou suas ações, reafirmando seu poderio sobre diferentes povos. Nessas declarações, a religião do Império Persa se destaca: o zoroastrismo.
Em suas origens, os persas eram zoomorfistas, cultuando deuses representados com formas animais. Também se caracterizavam pela crença totêmica, isto é, consideravam símbolos sagrados ou totens determinados elementos da natureza, como o Sol, a Lua, a terra, a água e os ventos, e lhes ofereciam sacrifícios. 
Nos séculos VII a.C. e VI a.C, o zoroastrismo, religião professada por Zoroastro (628 a.C.-551 a.C.), também conhecido como Zaratustra, começou a se expandir entre os persas, e Dario I foi um dos principais devotos, como afirmam as inscrições de Behistun. 
Zoroastro negou a adoração de várias divindades e a realização de sacrifícios para homenageá-las. De acordo com os relatos tradicionais, o profeta teria vivido na Ásia Central, em território que corresponde atualmente ao leste do Irã e à região ocidental do Afeganistão.
A nova religião tinha como princípio o dualismo divino, ou seja, a luta incessante entre o bem e o mal.
Para os zoroastristas, Ahura-Mazda (ou Sábio Senhor) era considerado a deidade suprema e representava o Bem. Arimã correspondia ao princípio destrutivo, ou seja, o Mal. Os dois deuses estavam em permanente conflito e cabia aos homens praticar boas ações para que Ahura-Mazda prevalecesse.

Detalhe de inscrições do monte Behistun, no Irã, com a imagem de Zoroastro. Na parte superior, foram registrados o símbolo do profeta e as declarações, em três idiomas – persa antigo, elamita e babilônico –, sobre os feitos de Dario I.

O palácio de Persépolis 


A família do rei Dario I e de seu filho Xerxes I pertencia à dinastia Aquemênida, que iniciou a notável expansão do Império Persa, a partir do século VI a.C. Para demonstrar poder, os governantes aquemênidas ergueram palácios monumentais em Pasárgada, Persépolis e Susa, as três capitais do Império. Para isso, os persas buscaram inspiração nos povos dominados da Mesopotâmia e também trouxeram artesãos da Grécia. No entanto, o que marcou a beleza das cidades persas foi a habilidade artística e a originalidade dos próprios artesãos persas.
O terraço do palácio de Persépolis tinha cerca de 150 mil metros quadrados e suas paredes chegavam a atingir 13 metros de altura. As paredes externas eram decoradas com baixos-relevos de soldados alinhados, servos, heróis lutando contra leões e outros detalhes. 
Os vários elementos do palácio revelam a influência de diversas culturas: colunas caneladas à moda grega, baixos-relevos e esculturas inspirados na arte dos assírios, motivos florais à maneira do Egito e painéis de tijolos esmaltados que lembram os palácios da Babilônia.

Detalhe de relevo nas paredes do palácio de Persépolis, no Irã atual. Foto de 2020.
 

Costumes persas 


As conquistas e o comércio persas possibilitaram um grande intercâmbio cultural. Ao entrar em contato com diferentes povos, os persas se apropriaram de muitos costumes estrangeiros, sem, com isso, abandonar antigas tradições.
 

CONSTRUTIVISMO

Na área da pedagogia, a inspiração para o construtivismo vem principalmente de Jean Piaget. A ideia mais importante da teoria desse psicólog...