Por volta de 2000 a.C., grupos humanos de origem indo-europeia se instalaram em uma região de terras férteis entre a Mesopotâmia, a Índia e o Golfo Pérsico. Com o tempo, esses grupos formaram dois povos: os medos e os persas.
Os medos se fixaram próximo aos montes Zagros, no norte do Planalto do Irã. Eles viviam da agricultura e do pastoreio e dominavam a metalurgia do cobre, do bronze e do ouro. Os persas, por sua vez, ocuparam territórios menos férteis ao sul e desenvolveram principalmente atividades comerciais. No início do século VII a.C., os medos já haviam estabelecido um reino e dominavam vários povos, inclusive os persas.
Os medos e os persas habitavam regiões próximas e havia
trocas comerciais e culturais entre eles. Permaneceram independentes até 550 a.C. Nesse ano, um nobre persa chamado
Ciro, que descendia dos medos, destronou o rei dos medos e
unificou os reinos. Surgia, assim, o Reino Persa, com capital em
Pasárgada. Iniciava-se, também, a dinastia Aquemênida.
Por volta de 550 a.C., o rei persa Ciro II derrotou os medos e unificou os dois reinos. Com um exército de 300 mil homens, ele conquistou os reinos da Lídia e da Babilônia, além de cidades gregas na Ásia Menor.
Os principais feitos dos persas estão narrados nos escritos do
historiador grego Heródoto. Por meio dessa fonte foi possível aos
historiadores buscar outros vestígios sobre o rei Ciro. Há inscrições
persas, egípcias e babilônicas que, ao abordar o governo desse rei,
indicam que ele se aliou à nobreza persa para iniciar a expansão
territorial do reino.
Com um exército eficaz, formado por mais de
300 mil soldados, Ciro ampliou
as fronteiras persas, dominando povos vizinhos e acumulando
riquezas. Durante seu governo,
conquistou importantes reinos,
como os da Lídia e da Babilônia.
Ciro II, conhecido por ser bom administrador e guerreiro, era respeitado pelos persas e por outros povos. Os gregos o chamavam de “grande legislador”, e os judeus, de “o ungido de Deus”. As regiões dominadas pelo exército persa podiam manter sua religião e seus costumes.
Com a morte de Ciro II, em 530 a.C., seu filho Cambises o sucedeu no trono e prosseguiu com a expansão do império, conquistando o Egito.
Ruínas da antiga
cidade de Persépolis, capital do
Império Persa, localizadas na
atual cidade de Shiraz, no Irã.
Fotografia de 2020.
A DIVERSIDADE CULTURAL DO IMPÉRIO PERSA
Uma das marcas do governo Aquemênida foi a relativa liberdade cultural concedida aos povos conquistados. A estes era
permitido manter o idioma, a religião e os costumes locais após
o domínio persa, desde que não se insurgissem contra o Império e pagassem corretamente os tributos.
Muitas vezes, os governantes locais eram mantidos no poder como representantes
do governo persa. Por suas proporções e por permitir a manutenção das tradições locais dos povos conquistados, o Império
Persa se caracterizou pelo multiculturalismo. Muitos historia
dores usam o adjetivo multiétnico para se referir a esse período
da história persa.
Em seu auge, o Império governou povos da península Arábica
e dos litorais do golfo Pérsico, do mar Cáspio, do mar Negro e do
mar Mediterrâneo. O domínio sobre essa vasta região garantia
aos persas o controle comercial e militar, já que o trânsito terrestre e marítimo entre a Ásia, a África e a Europa passava por
seus territórios.
Porém, para que esse controle fosse efetivo, era necessário
ter aliados locais, que acabavam conquistados pela estratégia
da preservação de suas culturas no interior do Império. Portanto, havia no mundo persa uma profusão de línguas, religiões e
costumes de diferentes povos, e a aproximação entre eles permitiu que se influenciassem mutuamente.
Há registros de que Cambises, após conquistar o Egito, teria
se caracterizado como faraó egípcio (e não como imperador persa) para ser reconhecido pelo povo egípcio como legítimo governante da região após as vitórias militares.
Essa estratégia indica que as trocas culturais não apenas favoreciam os povos conquistados, mas também facilitavam o controle por parte do Império e
a aceitação do governo persa
pelos povos locais.
ORGANIZANDO O IMPÉRIO: O governo de Dario
Cambises morreu sem deixar descendentes e o trono do Império foi ocupado por Dario I, seu sobrinho, em 522 a.C. Dario I
foi um grande estadista e durante seu governo o Império Persa
viveu seu apogeu.
Em seu reinado, os domínios persas
atingiram a máxima extensão: da Trácia, no Ocidente, até as
margens do rio Indo, no Oriente.
Em seu governo, Dario I implantou importantes medidas
para estimular a economia e tornar a administração do império
mais eficiente:
• Dividiu o império em satrapias (regiões administrativas),
controladas por um sátrapa, uma espécie de governador
escolhido pelo rei.
• Criou uma moeda única, o dárico, impedindo que as satrapias tivessem as próprias moedas.
• Ordenou a construção de uma grande rede de estradas (a
via principal, que ligava as cidades de Sardes e Susa, tinha
cerca de 2500 quilômetros de extensão).
As medidas tomadas por Dario I facilitaram a administração
do império e propiciaram maior circulação de produtos e in
formações entre as diversas províncias.
Moeda de dárico cunhada em ouro
no século V a.C. Moedas como essa
eram usadas, principalmente, no
pagamento de tributos ao Império
Persa. O dárico foi a primeira
unidade monetária a ser adotada
por diferentes povos.
Para viabilizar essa estruturação, o Império Persa foi dividi
do em províncias, chamadas satrapias. Elas eram governadas
pelos sátrapas, líderes que exerciam o poder local. Parte das
atividades dos sátrapas era recolher os tributos e entregá-los
ao governo central. Os tributos eram proporcionais à riqueza de
cada satrapia; por isso, essa riqueza devia ser declarada pelos
sátrapas. Para fiscalizar os sátrapas e os demais súditos do Império, foi criado um serviço de informações e espionagem, com
posto de funcionários de sua confiança.
Para interligar as satrapias e facilitar a comunicação e o
comércio entre os diferentes pontos do Império, bem como
o envio de tributos à capital, uma ampla rede de estradas foi
construída e pavimentada. A principal delas era a Estrada
Real, que unia as cidades de Susa e Sardes. Essa estrada tinha
cerca de 2 400 quilômetros de extensão, e os súditos demoravam
cerca de oito dias para percorrê-la a cavalo. A segurança nos
deslocamentos era garantida por patrulhas com mais de cem
postos de controle.
A sociedade persa
A sociedade persa dividia-se em três grupos: os sacerdotes ou magos, respeitados por
sua riqueza e sabedoria; os nobres, que controlavam a terra e a administração palacial; e os
camponeses, que sobreviviam da agricultura e do pastoreio nas terras dos nobres e do rei.
O comércio era a principal atividade econômica dos persas e alcançava terras tão distantes como Egito, Fenícia, Chipre, Índia e a costa do mar Negro. O artesanato persa era muito
valorizado, especialmente os tecidos, as armas, objetos esmaltados e as joias.
ARTE E RELIGIOSIDADE PERSA
Os monumentos, os palácios e as obras de arte persas demonstram traços das sociedades egípcias, babilônicas e de vá
rios outros povos. A tapeçaria, uma das expressões clássicas da
arte persa, adaptou elementos dessas culturas diversas, mas
permaneceu como arte acessível apenas à elite dos povos, para
ser apreciada no interior de cômodos particulares.
O principal registro dos feitos de Dario I foi encontrado no
monte Behistun, na província de Kermanshah, no atual Irã. Escritas em primeira pessoa, as declarações foram grafadas em
três idiomas: persa antigo, elamita e babilônico. Nelas, Dario I
registrou suas ações, reafirmando seu poderio sobre diferentes
povos. Nessas declarações, a religião do Império Persa se destaca: o zoroastrismo.
Em suas origens, os persas eram zoomorfistas, cultuando
deuses representados com formas animais. Também se caracterizavam pela crença totêmica, isto é, consideravam símbolos
sagrados ou totens determinados elementos da natureza, como o
Sol, a Lua, a terra, a água e os ventos, e lhes ofereciam sacrifícios.
Nos séculos VII a.C. e VI a.C, o zoroastrismo, religião professada por Zoroastro (628 a.C.-551 a.C.), também conhecido como
Zaratustra, começou a se expandir entre os persas, e Dario I
foi um dos principais devotos, como afirmam as inscrições de
Behistun.
Zoroastro negou a adoração de várias divindades e a
realização de sacrifícios para homenageá-las. De acordo com
os relatos tradicionais, o profeta teria vivido na Ásia Central, em
território que corresponde atualmente ao leste do Irã e à região
ocidental do Afeganistão.
A nova religião tinha como princípio o dualismo divino, ou
seja, a luta incessante entre o bem e o mal.
Para os zoroastristas,
Ahura-Mazda (ou Sábio Senhor)
era considerado a deidade
suprema e representava o Bem.
Arimã correspondia ao princípio
destrutivo, ou seja, o Mal. Os dois
deuses estavam em permanente
conflito e cabia aos homens
praticar boas ações para que
Ahura-Mazda prevalecesse.
Detalhe de inscrições do monte
Behistun, no Irã, com a imagem de
Zoroastro. Na parte superior, foram
registrados o símbolo do profeta e as
declarações, em três idiomas – persa
antigo, elamita e babilônico –, sobre
os feitos de Dario I.
O palácio de Persépolis
A família do rei Dario I e de seu filho Xerxes I pertencia à dinastia
Aquemênida, que iniciou a notável expansão do Império Persa, a partir do
século VI a.C. Para demonstrar poder, os governantes aquemênidas ergueram palácios monumentais em Pasárgada, Persépolis e Susa, as três capitais
do Império. Para isso, os persas buscaram inspiração nos povos dominados da
Mesopotâmia e também trouxeram artesãos da Grécia. No entanto, o que marcou a beleza das cidades persas foi a habilidade artística e a originalidade dos
próprios artesãos persas.
O terraço do palácio de Persépolis tinha cerca de 150 mil metros quadrados
e suas paredes chegavam a atingir 13 metros de altura. As paredes externas
eram decoradas com baixos-relevos de soldados alinhados, servos, heróis lutando contra leões e outros detalhes.
Os vários elementos do palácio revelam
a influência de diversas culturas: colunas caneladas à moda grega, baixos-relevos e esculturas inspirados na arte dos assírios, motivos florais à maneira
do Egito e painéis de tijolos esmaltados que lembram os palácios da Babilônia.
Costumes persas
As conquistas e o comércio persas possibilitaram um grande intercâmbio cultural. Ao
entrar em contato com diferentes povos, os persas se apropriaram de muitos costumes estrangeiros, sem, com isso, abandonar antigas tradições.
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