sexta-feira, 2 de outubro de 2026

POVOS MESOAMERICANOS E ANDINOS

OS DIVERSOS POVOS ANTIGOS DA MESOAMÉRICA 

Embora cada povo tivesse as próprias características culturais, na região da Mesoamérica, alguns deles apresentavam modos de vida semelhantes: praticavam a agricultura, tinham o milho como a base da alimentação, construíam grandes cidades e grandes pirâmides com templos para cultos religiosos, faziam uso de um sistema de calendário e utilizavam um tipo de escrita hieroglífica, com símbolos e desenhos. As técnicas e tecnologias desenvolvidas também guardavam certas similaridades, como o uso de determinadas matérias-primas para confeccionar ferramentas, utensílios, armas e enfeites. 
A área geográfica e os aspectos culturais da Mesoamérica são frequentemente associados aos povos maias e astecas, que serão estudados a seguir. Isso se deve, entre outras razões, pelo intenso contato dessas culturas com a cultura europeia, a partir do século XV d.C. No entanto, havia dezenas de outros povos indígenas, como os olmecas, os zapotecas e os toltecas, que habitaram a região em diferentes períodos e que influenciaram em grande medida essas culturas mais recentes da Mesoamérica. 
Estudar esses primeiros povos nos ajuda a compreender as manifestações culturais das comunidades mesoamericanas até a atualidade, percebendo as permanências e as transformações culturais na região. Observe a linha do tempo a seguir e conheça algumas das características dessas antigas sociedades.

OS MAIAS 

Os maias viviam na península de Iucatã, situada no sul do atual México. Ao longo do tempo, eles se espalharam pelos territórios que hoje correspondem a Guatemala, Honduras, Belize e El Salva dor. Essa sociedade atingiu o auge entre os anos 200 e 900, foi muito influenciada pelos olmecas e foi contemporânea dos zapotecas. Assim como outros povos do mundo antigo, os maias se organizavam em cidades-Estado, independentes entre si. 
Em cada cidade-Estado se falava uma das línguas que fazem parte da família linguística maia. Muitas delas são faladas por descendentes maias ainda hoje. Na Guatemala atual, por exemplo, são reconhecidas cerca de 20 línguas dessa família e, no México, outras oito. 
As sociedades maias eram hierarquizadas, ou seja, a autoridade máxima assumia o controle social e político da cidade. A elite era composta de nobres, sacerdotes e militares, que auxiliavam essa autoridade a governar. Abaixo da elite estava a maior parte da população, formada por artesãos, comerciantes e camponeses. A principal atividade econômica maia era a agricultura. O milho era a base da alimentação dos maias, mas eles também cultivavam feijão, abóbora, cacau e abacate. Além disso, praticavam o comércio com povos vizinhos. O conhecimento dos maias sobre astronomia era bastante desenvolvido. Eles dominavam com precisão a duração dos ciclos da Lua, do Sol e do planeta Vênus. Nos observatórios astronômicos, faziam o mapeamento do céu a olho nu. 
Com base nesse mapeamento, elaboraram um calendário solar que marcava as estações do ano e os auxiliava na agricultura. Esse calendário era dividido em um ano de 365 dias, distribuídos em 18 meses com 20 dias cada um. Sobravam 5 dias, nos quais eles ofereciam sacrifícios aos deuses.

Detalhe de relevo maia, do século X d.C., representando dois jogadores de bola. Além de palácios, observatórios astronômicos, praças e pirâmides, os maias dedicavam construções para jogos com bolas.


OS ASTECAS 

Os povos astecas são originários do norte do atual México. Eles fazem parte das antigas comunidades mexicas, que com partilham características culturais. No século XII, eles se deslocaram para o sul, onde fica o lago Texcoco. Ao se fixarem nessa região, conquistaram com guerras comunidades mexicas vizinhas, como as dos toltecas e dos zapotecas. Em pouco tempo, formaram um grande Estado, com quase 500 cidades. Estima-se que, no início do século XVI, a capital Tenochtitlán, onde hoje se localiza a Cidade do México, contava com uma população entre 100 mil e 400 mil habitantes.

A sociedade asteca 

A sociedade asteca era controlada por um governante, que, apoiado por uma oligarquia militar, aristocrática e sacerdotal, dirigia o Estado. A maior parte da população era formada por agricultores e soldados. A educação ocupava um papel importante no cotidiano dos astecas. Até os seis anos de idade, os meninos aprendiam a carregar água e lenha e as meninas fiavam e teciam. Ao alcançar a juventude, os meninos podiam frequentar dois tipos de centro de estudos: um voltado ao ensino religioso e outro reservado aos filhos de famílias comuns, que preparava os jovens para a vida prática. A terra reservada para o cultivo pertencia ao governante, que distribuía lotes aos camponeses. 
As colheitas eram repartidas conforme o trabalho de cada agricultor. No entanto, eles eram obrigados a pagar tributos aos sacerdotes, além de entregar à comunidade parte do que produziam. A cobrança de tributos e impostos era importante para a manutenção do Estado asteca.

VIVENDO NOS ANDES 

Os povos conhecidos como andinos formaram dezenas de pe quenos reinos que ocupavam as terras centrais da cordilheira dos Andes, uma área que se estende desde a Venezuela até a Patagônia, na Argentina. Eles começaram a estabelecer seus assenta mentos por volta de 3500 a.C. e destacaram-se pela construção de pirâmides, praças e conjuntos residenciais habitados por uma população hierarquizada e centralizada na figura do soberano. 
 Com o passar do tempo, formaram diversos centros políticos, como Caral, Chavín, Tiahuanaco e o Império Chimu. A cidade de Caral é uma das ocupações mais antigas da região dos Andes, sendo reconhecida como uma das mais antigas do mundo, de cerca de 3000 a.C. Localizava-se no vale Supe, no atual Peru. Pirâmides de pedra, anfiteatros, praças circulares e geoglifos são os principais vestígios dessa cultura, que também desenvolveu um calendário, instrumentos musicais e um siste ma de escrita, conhecido como quipu. 
A cidade de Chavín surgiu por volta de 900 a.C. e estava loca lizada a 3 150 metros acima do nível do mar. Chavín teve grande importância agrícola e apresentava uma arquitetura monumen tal, além de um centro de peregrinação para onde se dirigiam muitos povos andinos. Já a cidade de Tiahuanaco ganhou importância na região dos Andes a partir do ano 1000 a.C., com a criação de um centro político e cerimonial frequentado por cerca de 150 mil pessoas. Essa cidade se destacou por apresentar uma rede de caminhos e estradas usada, depois, pelo Império Inca. 
No século XII, o Império Chimu era governado por uma elite considerada descendente de uma ordem divina. Os chimus desenvolveram artefatos sofisticados de cerâmica e de metal e destacaram-se na planificação de redes de irrigação. A capital do império chegou a ter 80 mil habitantes. 
Ao longo do tempo, em di ferentes períodos históricos e por motivos diversos, essas culturas entraram em declínio: Caral sofreu com uma seca em 1800 a.C.; Chavín entrou em crise em 300 a.C., assim como Tiahuanaco a partir de 1200 a.C.; e o Império Chimu decaiu por volta de 550 d.C. Nas regiões em que cada cultura dominava, surgiram outros rei nos e, entre eles, destacou-se o Império Inca.

Ruínas de Chan Chan, capital do Império Chimu, no Peru.

 OS INCAS 

Após conquistarem algumas cidades andinas, os incas cons truíram, no início do século XII, um grande império chamado Tahuantinsuyu (ou Reino das Quatro Partes, em quéchua), que se estendeu por regiões que abrangem atualmente países como Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina. 
O auge desse império ocorreu no final do século XV, período que antecedeu a chegada dos espanhóis à região. Estima-se que os incas tenham domina do mais de cem povos distintos, impondo-lhes sua língua, suas leis e crenças religiosas. Os povos dominados tinham uma vida rigorosamente controlada e eram obrigados a trabalhar para o governante do Império Inca. 
As terras incas, que pertenciam ao Estado, eram divididas em lotes entre as famílias camponesas. Nessas terras, essas famílias podiam cultivar o necessário para a sobrevivência. Porém, durante alguns dias do ano, elas eram obrigadas a trabalhar nos lotes do governo e dos sacerdotes e na construção de obras públicas e a participar das guerras. Essas obrigações eram chamadas de mita. 
O poder político e religioso concentrava-se na figura de um soberano que controlava os governadores e os chefes locais. Ele era considerado um descendente do Sol, a principal divindade cultuada pelos incas, que também eram politeístas. A cidade de Cuzco, localizada no atual Peru, era a capital do império e também centro religioso e administrativo. 
Para melhor administrar o império, o governo utilizou e expandiu a rede de caminhos desenvolvida pelo povo de Tiahuanaco – esses caminhos se estendiam por mais de 7 mil quilômetros. Neles, havia postos de envio e de recebimento de mensagens que facilitavam a comunicação, o controle militar, o comércio e a cobrança de impostos.

Vista parcial das construções em Machu Picchu, Peru. Foto de 2022. A cidade inca contava com canais de água e com um sofisticado sistema de drenagem. As construções foram edificadas com grandes blocos de pedra encaixados sem o uso de argamassa, evidenciando os conhecimentos das comunidades andinas antigas.




POVOS ORIGINÁRIOS NO BRASIL

As partes dos territórios que hoje formam o Brasil favoreceram diferentes modos de ocupação ao longo de milhares de anos. As pesquisas arqueológicas trazem informações importantes sobre os primeiros povos da América e, em consequência, sobre o passado dos povos indígenas atuais que habitam o Brasil.
Por meio das datações estabelecidas, das possibilidades de uso dos vestígios encontrados e dos materiais de que eles são constituídos, é possível identificar características de cada tradição arqueológica.

POVOS DO INTERIOR 

Com base na análise dos vestígios, sabe-se que os primeiros habitantes do continente americano eram nômades e dedicavam-se à caça, à pesca e à coleta de espécies vegetais e de insetos. À medida que se deslocavam pelo continente, eles aprimoravam técnicas de caça e de produção de utensílios, além de desenvolver a agricultura e costumes próprios, como maneiras de se comunicar, de se reunir, de enterrar os mortos, de demonstrar afeto, etc. 

SAMBAQUIEIROS: POVOS DO LITORAL 

Há 8 mil anos, alguns grupos humanos se fixaram ao longo do litoral do continente americano, principalmente na porção sul do território, na área que se estende do atual estado do Rio de Janeiro até Santa Catarina. Graças à fartura de peixes e de crustáceos que o mar lhes oferecia, esses povos criaram comunidades estáveis, muitas vezes sedentárias. 
A marca mais característica dos povos antigos do litoral são os chamados sambaquis, grandes montes formados pelo acúmulo de conchas e de restos de outros animais marinhos. Em geral, eles apresentam forma arredondada e alguns atingem até 30 metros de altura. O termo sambaqui é de origem tupi-guarani e significa monte de conchas.
Esse tipo de estrutura também é comum nos litorais da África e da Europa. Em alguns locais do Brasil e também de Portugal, por exemplo, os sambaquis são chamados de concheiros. Com base nos materiais encontrados nos sambaquis, pesquisadores formulam hipóteses sobre as funções dessas estruturas. 
Nesses sítios arqueológicos, além de cerâmicas e ossadas humanas, é comum encontrar: 
• ferramentas de pedra: como machados, martelos e que bra-coquinhos; 
• objetos feitos de ossos: como anzóis, farpas serrilhadas, agulhas, espátulas e recipientes; 
• objetos feitos de conchas: as conchas tinham utilidade variada – podiam tornar-se facas, serras e colares e, quando cobertas por argila, eram utilizadas como recipientes para ferver água; 
• zoólitos: esculturas de pedra polida na forma de animais, como tubarões e outros peixes, mamíferos marinhos, tatus, pássaros, etc. Eram enterrados com os mortos em ritual funerário.

Zoólito, de cerca de 6000 a.C., em formato de peixe. Ele foi encontrado em sítio arqueológico de Santa Catarina.

AGRICULTORES NO BRASIL 

A agricultura começou a ser praticada no atual território brasileiro há cerca de 5 mil anos, principalmente com o cultivo do milho e da mandioca. 
No entanto, o desenvolvimento dessa atividade não representou o abandono completo do nomadismo. Muitos povos permaneceram seminômades, utilizando a produção agrícola apenas como complemento da caça e da coleta de frutos, folhas e raízes. 
Contudo, em algumas áreas da Amazônia e do Brasil Central, a agricultura tornou-se a principal fonte de alimentos, pra ticada por grupos que adotaram o sedentarismo.

AS GRANDES ALDEIAS AMAZÔNICAS 

Há cerca de 2 mil anos, alguns grupos de agricultores da região amazônica formaram grandes aldeias, os cacicados, com milhares de habitantes. Os cacicados eram governados por poderosos chefes, os caciques, que dominavam extensos territórios, submetendo outros povos ao seu poder. 
Dois importantes cacicados amazônicos situavam-se no norte do Brasil, no atual estado do Pará. Um deles ocupava terras da ilha de Marajó, e o outro situava-se às margens do rio Tapajós, onde se localiza hoje a cidade de Santarém. Por esse motivo, essas grandes aldeias ficaram conhecidas, respectivamente, como cultura marajoara e cultura tapajana ou de Santarém.
Nessas aldeias, havia trabalhadores especializados, como agricultores e pescadores, além de artesãos, que produziam artefatos sofisticados, principalmente utensílios de cerâmica e de pedra, que eram trocados com outras aldeias.

OS TUPI-GUARANI 

Entre os grupos indígenas, o mais numeroso era o da família linguística tupi-guarani, do tronco linguístico tupi. De acordo com algumas pesquisas, os povos falantes de tupi-guarani eram originários da região amazônica e teriam partido em direção ao litoral há mais de 1 400 anos. 
Durante esse processo, dividiram-se em dois grandes grupos: os Tupi, que tinham a mandioca como principal cultura agrícola, e os Guarani, que cultivavam vários gêneros alimentícios, em especial o milho.
À época da chegada dos portugueses, em 1500, os Tupi ocupavam quase toda a faixa costeira, entre os atuais estados do Ceará e de São Paulo, e os Guarani localizavam-se mais ao sul, na região litorânea dos atuais estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul. 
No interior, viviam povos que falavam línguas de outras famílias linguísticas.

Técnicas e tecnologias 

Os vestígios materiais dos Tupi-guarani foram encontrados em diversas partes do território brasileiro, especialmente na faixa litorânea, em alguns locais da Amazônia e ao longo dos rios da bacia do Prata. 
A cerâmica está presente em praticamente todos os sítios e é asso ciada à agricultura. Acredita-se que, para limpar um terreno que seria utilizado para cultivar alimentos vegetais, esses povos realizavam a técnica da coivara, que consistia em colocar fogo na mata. Também desenvolveram canoas, feitas dos troncos de árvores, para navegar pelos rios. Isso sugere que eles conseguiam alcançar grandes distâncias rapidamente, utilizando a navegação fluvial.
De acordo com alguns historiadores, havia comunidades tupis-guaranis espalhadas por outras grandes áreas da América do Sul. Elas seriam organizadas em confederações e comandadas por chefes de guerra, criando uma rede de relações e influências entre os diferentes grupos.



O kipu

O povo inca não desenvolveu a escrita, mas possuía um interessante sistema de registro: o kipu. O kipu era um cordão no qual estavam amarrados vários cordões menores de cores e tamanhos variados, em que se faziam diferentes tipos de nós.
As cores dos cordões menores permitiam identificar os tipos de objetos. Os nós indicavam quantidades e datas. O nó mais próximo da ponta do cordão menor correspondia à unidade, o seguinte referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Pelo kipu, o imperador tinha informações sobre a população, a administração e a economia.
O kipu registrava tipos e quantidades de produtos armazenados, datas, número de pessoas, animais e armazéns existentes no império. O nome do armazém e da região representada, bem como outros detalhes, era memorizado por especialistas treinados para essa tarefa.
Durante a conquista da América, os espanhóis queimaram milhares de kipus que certamente poderiam ter nos revelado muito sobre os incas e sua história.

Cleópatra VII

Rainha do Egito (51-30 a.C.). Filha de Ptolomeu XII. Ascendeu ao trono com a condição de se casar com o irmão Ptolomeu XIII. Destituída por uma conjuração palaciana, recuperou o trono com a ajuda de Júlio César. No entanto, Ptolomeu revoltou-se, mas foi derrotado. Após a vitória, César regressou a Roma. Posteriormente, Cleópatra e o filho de ambos, Cesarião, reuniram-se a ele. 
Após a morte de César, retornou ao seu país, pactuou uma aliança com Marco Antônio e mandou assassinar o irmão. Unida a Marco Antônio, tentou recuperar o Oriente helenístico incorporando ao seu reino a Fenícia, a Cele-Síria, Chipre, a Judeia, a Cilícia e uma parte da Arábia. No entanto, Otávio decidiu acabar com o seu rival Marco Antônio e lutou contra ele e Cleópatra na batalha naval de Áccio (31 a.C.), derrotando-os. 
Marco Antônio e Cleópatra fugiram para o Egito, onde se suicidaram. A lenda mais conhecida sobre a morte da rainha narra que esta, ataviada com a indumentária real, fez-se morder por uma áspide.

Geoglifos: mistério arqueológico e desmatamento da floresta Amazônica

Os geoglifos são grandes figuras feitas no solo, encontradas tanto em áreas planas quanto em cumes de morros. Elas ocupam quatro metros ou mais de ex tensão e foram feitas em períodos que variam de milênios a séculos atrás. Essas figuras intrigam especialistas de diversas áreas do conhecimento, pois, até o momento, não se sabe ao certo a finalidade delas. As primeiras teorias sugeriam que a formação dos desenhos era acidental e que as áreas eram desmatadas para a construção de templos. No entanto, não há fontes materiais expressivas que comprovem essa teoria. Recentemente, foram descobertos centenas de geoglifos no Acre e em outras áreas de floresta Amazônica. Os estudos mais impactantes sobre eles são os das arqueólogas brasileiras Ivandra Rampanelli e Denise Schaan.

A formação dos sambaquis

Considerados grandes montes de materiais orgânicos, areia e conchas, os sambaquis são estruturas construídas por alguns dos primeiros habitantes do atual território brasileiro e nos dão valiosas pistas sobre um dos modos de vida nesse longínquo passado.
Os sambaquis foram construídos pelo acúmulo intencional de materiais ao longo de muito tempo, feito por povos que habitaram regiões litorâneas na América e na Europa. Essas características levaram os pesquisadores a concluir que muitas dessas populações sambaquieiras eram sedentárias e viviam da caça, da pesca e da coleta.

Vivendo entre o mar e a lagoa

No Brasil, os sambaquis se concentram em trechos do litoral, entre o Rio Grande do Sul e a Bahia e entre o Maranhão e o Pará, sempre próximos a reservatórios de água (como rios, lagos e lagoas), de onde os sambaquieiros extraíam moluscos e outros alimentos.

O sambaqui Jabuticabeira II

Localizado em Jaguaruna (SC), esse sítio arqueológico aparenta ser uma pequena elevação natural.
Porém, as escavações mostraram que esse sambaqui é um grande cemitério e foi constituído em camadas sobrepostas ao longo dos mais de mil anos em que foi ocupado.

Os construtores dos sambaquis

Entre 8 mil anos atrás e o início da era cristã, grupos humanos foram ocupando diferentes áreas do atual litoral brasileiro e algumas regiões da Amazônia. Esses agrupamentos viviam da caça e da pesca e demarcavam o seu território construindo grandes amontoados de restos de alimentação como conchas de moluscos, ossos de peixes e de outros animais, que formavam colinas artificiais onde eram feitos seus cemitérios e praticavam festas e rituais. 
Os vestígios disso na atualidade são denominados sambaquis, termo que tem sua origem na língua tupi, tamba = “conchas” e ki = “amontoado”. Alguns sambaquis chegaram a ter cerca de 30 metros de altura e eram construídos geralmente ao redor de lagoas. Os pesquisadores acre ditam que o tamanho deles indicava poder de determinado grupo na região. Vale ressaltar que alguns arqueólogos argumentam que os sambaquis poderiam ser utilizados também como local de moradia dos indígenas dessas regiões.
Alguns vestígios (como os fósseis humanos) também sugerem que dentro de um sambaqui existia uma área destinada aos procedimentos funerários. Próximos às ossadas, os arqueólogos encontraram esculturas de pedra (zoólitos e antropólitos) e objetos pessoais. Esses sítios arqueológicos construíram uma paisagem cultural no litoral brasileiro por mais de 5 000 anos, trazendo informações sobre a alimentação dos povos originários e sua atividade ritualística.



O estudo da história da África

Durante muito tempo, a África foi tratada pelos estudiosos europeus como um continente sem história. Eles disseminaram a ideia de que os africanos eram povos sem cultura, portanto não mereciam ser objeto de seus estudos científicos.
Na segunda metade do século XX, essa situação começou a mudar. Alguns pesquisadores passaram a considerar a história da África com base em uma visão mais científica e fundamentada, combatendo os preconceitos e valorizando outros povos para além do europeu.
As principais fontes de estudo para a história da África são antigos relatos escritos (sobre tudo em egípcio, grego, latim e árabe), vestígios arqueológicos e a tradição oral. Ao serem analisadas, essas fontes históricas revelam a grande riqueza cultural dos povos do continente africano. A tradição oral, até recente mente negligenciada, fornece muitas informações sobre a história das sociedades africanas, além de permitir que se saiba mais sobre os valores que fundamentam as culturas nativas da África. Desse modo, a tradição oral revela ao historiador um conhecimento que os africanos transmitiram de geração em geração, ao longo dos séculos, e que, muitas vezes, não se encontra nos relatos escritos.

A formação das comunidades agrícolas


A civilização egípcia se desenvolveu em uma região desértica da África, às margens do Rio Nilo. Segundo estudos arqueológicos, desde cerca de 8000 a.C. essa região já era ocupada por grupos seminômades, que sobreviviam praticando a caça, a pesca e a coleta de frutos e de cereais. Por volta de 5000 a.C., vários desses grupos já haviam se tornado sedentários e aproveitavam a fertilidade propiciada pelo rio para desenvolver a agricultura e a criação de animais.
Esses grupos enfrentavam dificuldades impostas pela natureza, como o clima quente e seco e as cheias do Rio Nilo. Com isso, eles tiveram de criar técnicas apropriadas para a sobrevivência e a permanência no local. Com o passar do tempo, esses grupos for maram comunidades agrícolas independentes entre si, chamadas nomos. Os nomarcas, como ficaram conhecidos os chefes dessas comunidades, disputavam com frequência o domínio das áreas férteis.


Pintura mural que representa egípcios navegando no Rio Nilo. Cerca de 1400 a.C.

A unificação do Egito


Para melhor enfrentar essas disputas entre os nomarcas, os membros das co munidades agrícolas foram se unindo e formaram dois reinos distintos: o Baixo Egito e o Alto Egito. Cerca de 300 anos depois, em 3100 a.C., um governante do Alto Egito, chamado Menés, unificou os dois reinos e tornou-se o primeiro faraó egípcio. Ele assumiu o controle dos nomos, criando, assim, um Estado unificado.
Com essa unificação, as funções que antes eram exercidas pelos chefes dos nomos passaram a ser realizadas pelos funcionários do Estado. Entre essas fun ções, estavam a aplicação das leis, a fiscalização das atividades econômicas — co mo agricultura, criação de animais e comércio — e o controle sobre a construção de obras hidráulicas, por exemplo, canais de irrigação, diques e poços.
Desde que teve origem, com a unificação dos nomos, a figura do faraó esteve relacionada à re ligiosidade egípcia. O faraó, que exercia um governo teocrático, era considerado um rei divino, detentor de grandes poderes.
Ao longo da história do Egito antigo, a autoridade exercida pelo faraó na sociedade sofreu trans formações, porém esteve sempre relacionada a seu suposto caráter divino.


Estátua do faraó Ramsés II, criada por volta de 1250 a.C., no Templo de Luxor, Egito.


A organização social A organização social no Egito antigo caracterizava-se pela concentração do poder político nas elites e pela situação de pobreza da maioria da população.

Faraós e sacerdotes


Mesmo com a autoridade exercida pelo faraó, ocorriam disputas pelo controle político da sociedade. Em diferentes momentos da história do Egito antigo, o poder do faraó foi contestado, principalmente pelos sacerdotes.
Os sacerdotes eram pessoas com grande prestígio na sociedade egípcia antiga. Além de serem responsáveis pela organização e pela condução dos cultos, cuidavam da administração dos templos religiosos. Muitos eram considerados sábios, pois tinham conhecimentos de Astronomia, Geometria e Aritmética.

Nobres, militares e funcionários do Estado


A nobreza era formada pelos parentes do faraó e pelos descendentes dos antigos chefes dos nomos. Essas pessoas geralmente ocupavam altos cargos administrativos. Havia também uma elite militar, que detinha os principais cargos no exército. Os funcionários do Estado desempenhavam diferentes funções, como fiscalizar as plantações e cobrar tributos dos camponeses. Entre os funcionários do Estado, havia os escribas, que sabiam ler, escrever e fazer cálculos e eram muito respeita dos na sociedade egípcia.


Relevo de cerca de 1350 a.C. que representa um casal da nobreza egípcia.

Camponeses, artesãos e pessoas escravizadas


A maioria da população egípcia era composta de camponeses pobres, que vi viam em condições precárias e eram obrigados a pagar tributos ao Estado. Muitos se ocupavam com a criação de animais, a caça, a pesca e o cultivo de produtos agrícolas, como trigo, linho e algodão.


Afresco de cerca de 1350 a.C. que representa egípcios trabalhando na criação de gado bovino.


Existiam muitos trabalhadores especializados, como os artesãos, que faziam roupas, sandálias, pinturas, esculturas, joias, móveis, carros de guerra, barcos, entre outros itens. As pessoas escravizadas, que em sua maioria eram estrangeiras capturadas em guerras, trabalhavam nos campos, nas mi nas no deserto ou na realização de tarefas domésticas. Elas não eram a principal mão de obra na sociedade egípcia.



Afresco de 1500 a.C. representando artesãos trabalhando na produção de ouro e de vasos de cerâmica.

As práticas religiosas no Egito antigo


A principal característica da religião no Egito antigo era o politeísmo, isto é, a cren ça em vários deuses. Para os egípcios, os deuses eram seres poderosos que contro lavam o dia e a noite, a chuva e a seca, a vida e a morte, entre outros aspectos.
Os egípcios acreditavam que essas divindades sentiam vontades semelhantes às dos seres humanos e, por isso, faziam-lhes oferendas de comidas e bebidas. Entre os deuses mais cultuados, estavam Hórus (deus do céu), Ísis (deusa da fertilidade), Osíris (deus dos mortos), Tot (deus da escrita e da sabedoria) e Rá (deus do Sol).
A crença na vida após a morte Os egípcios acreditavam na vida após a morte. Por isso, para eles, era muito importante que seus corpos ficassem preservados depois que morressem. Assim, desenvolveram elaboradas técnicas de mumificação para conservar os corpos.


Vasos canopos, 600 a.C.


Formas de registro: os hieróglifos


Por volta de 3100 a.C., os antigos egípcios criaram um complexo sistema de escrita chamado escrita hieroglífica. Esse sistema utilizava diferentes sinais (hieróglifos) para representar ideias ou os sons da fala. Os hieróglifos representavam geralmente elementos do cotidiano egípcio, como animais, rios, o Sol, a Lua, embarcações, cordas, plantas, pessoas e partes do corpo humano, como a cabeça, os pés e os braços.


Relevo egípcio de cerca de 1500 a.C.


Uma escrita complexa


Um hieróglifo podia representar um som, uma palavra ou uma ideia completa. Outra dificuldade dessa escrita era saber o sentido da leitura do texto, pois ela podia ser de cima para baixo, de baixo para cima, da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Por isso, a escrita hieroglífica é considerada bastante complexa e exige muito estudo para sua compreensão.
Como suporte para a escrita, os escribas costumavam utilizar pequenas tábuas de madeira ou pedaços de calcário e cerâmica. O papiro, por ser um material mais difícil de produzir, era usado apenas por escribas especializados. O equipa mento usado para escrever podia ser uma vareta, uma pena ou um pincel, além de um pequeno recipiente para misturar a tinta.

Os cuxitas


A Núbia, onde se formou o Reino de Cuxe, era uma região localizada ao sul do território egípcio, também às mar gens do Rio Nilo. Essa região, rica em jazidas de ouro, ferro e pedras precio sas, era habitada por diferentes civili zações, entre elas a cuxita, que se esta beleceu no local por volta de 2500 a.C. As riquezas naturais da região atraíam a atenção de povos estrangeiros.
As principais cidades do Reino de Cuxe eram Napata e Méroe. Em Napa ta, os cuxitas se dedicavam principal mente à pecuária e, em Méroe, à agri cultura e ao comércio.
Entre 1530 a.C. e 1070 a.C., a região de Cuxe foi dominada pelo Egito. Nes se período, seus habitantes sofreram forte influência cultural dos egípcios. Os cuxitas passaram a construir tem plos e cidades com características ar quitetônicas egípcias, além de cultua rem deuses semelhantes.

Os faraós negros


Entre cerca de 730 a.C. e 650 a.C., os cuxitas dominaram o território egíp cio. Tebas, nessa época a capital egípcia, esteve sob domínio de reis cuxitas, conhecidos como “faraós ne gros”. Nesse período, também houve um grande intercâmbio cultural entre cuxitas e egípcios.


Estátua do século VII a.C. representando Taraca, faraó negro que reinou em Cuxe e no Egito nesse período.

As candaces


Em Méroe, governavam um rei (faraó) e uma rainha-mãe (candace), que eram escolhidos por um conselho para administrar o Reino de Cuxe. As candaces exerciam um papel preponderante na organização da família e do Estado, na distribuição dos bens da sociedade, na liderança dos cultos, nos acor dos políticos com povos estrangeiros, nas guerras etc.
As pirâmides cuxitas Quando a capital do Reino de Cuxe foi a cidade de Méroe, entre 591 a.C. e 330, os faraós e candaces cuxitas construíram várias pirâmides para lhes servi rem de túmulo.


Pirâmides cuxitas, em Méroe, 2019.


As pirâmides simbolizavam o poder dos faraós e das candaces, que eram considerados seres divinos. Algumas necrópoles podiam reunir dezenas de pirâmides, em que eram sepultados os soberanos e príncipes herdeiros. As pirâmides cuxitas eram menores (6 a 30 metros de altura) que as pirâmides egípcias (podiam chegar a 140 metros de altura). Além disso, essas construções cuxitas eram mais íngremes que as egípcias.
Os materiais utilizados na construção das pirâmides cuxitas eram mais leves, como o arenito e o cascalho, extraídos na região. Os faraós e as candaces que governavam por mais tempo geralmente eram sepultados em pirâmides maiores e com maior quantidade de joias, cerâmicas e alimentos.


CONSTRUTIVISMO

Na área da pedagogia, a inspiração para o construtivismo vem principalmente de Jean Piaget. A ideia mais importante da teoria desse psicólog...