OS DIVERSOS POVOS ANTIGOS DA MESOAMÉRICA
Embora cada povo tivesse as próprias características culturais, na região da Mesoamérica, alguns deles apresentavam
modos de vida semelhantes: praticavam a agricultura, tinham o
milho como a base da alimentação, construíam grandes cidades
e grandes pirâmides com templos para cultos religiosos, faziam
uso de um sistema de calendário e utilizavam um tipo de escrita
hieroglífica, com símbolos e desenhos.
As técnicas e tecnologias desenvolvidas também guardavam
certas similaridades, como o uso de determinadas matérias-primas para confeccionar ferramentas, utensílios, armas e enfeites.
A área geográfica e os aspectos culturais da Mesoamérica
são frequentemente associados aos povos maias e astecas, que
serão estudados a seguir. Isso se deve, entre outras razões, pelo
intenso contato dessas culturas com a cultura europeia, a partir do século XV d.C. No entanto, havia dezenas de outros povos
indígenas, como os olmecas, os zapotecas e os toltecas, que habitaram a região em diferentes períodos e que influenciaram em
grande medida essas culturas mais recentes da Mesoamérica.
Estudar esses primeiros povos nos ajuda a compreender as
manifestações culturais das comunidades mesoamericanas até
a atualidade, percebendo as permanências e as transformações
culturais na região. Observe a linha do tempo a seguir e conheça
algumas das características dessas antigas sociedades.
OS MAIAS
Os maias viviam na península de Iucatã, situada no sul do atual
México. Ao longo do tempo, eles se espalharam pelos territórios
que hoje correspondem a Guatemala, Honduras, Belize e El Salva
dor. Essa sociedade atingiu o auge entre os anos 200 e 900, foi muito influenciada pelos olmecas e foi contemporânea dos zapotecas.
Assim como outros povos do mundo antigo, os maias se organizavam em cidades-Estado, independentes entre si.
Em cada
cidade-Estado se falava uma das línguas que fazem parte da família linguística maia. Muitas delas são faladas por descendentes
maias ainda hoje. Na Guatemala atual, por exemplo, são reconhecidas cerca de 20 línguas dessa família e, no México, outras oito.
As sociedades maias eram hierarquizadas, ou seja, a autoridade máxima assumia o controle social e político da cidade. A elite era
composta de nobres, sacerdotes e militares, que auxiliavam essa
autoridade a governar. Abaixo da elite estava a maior parte da população, formada por artesãos, comerciantes e camponeses.
A principal atividade econômica maia era a agricultura. O
milho era a base da alimentação dos maias, mas eles também
cultivavam feijão, abóbora, cacau e abacate. Além disso, praticavam o comércio com povos vizinhos.
O conhecimento dos maias sobre astronomia era bastante
desenvolvido. Eles dominavam com precisão a duração dos ciclos da Lua, do Sol e do planeta Vênus. Nos observatórios astronômicos, faziam o mapeamento do céu a olho nu.
Com base nesse mapeamento, elaboraram um calendário solar que marcava
as estações do ano e os auxiliava na agricultura. Esse calendário
era dividido em um ano de 365 dias, distribuídos em 18 meses
com 20 dias cada um. Sobravam 5 dias, nos quais eles ofereciam
sacrifícios aos deuses.
Detalhe de relevo maia, do século X d.C., representando dois jogadores de bola. Além de palácios, observatórios astronômicos, praças e pirâmides, os maias dedicavam construções para jogos com bolas.
OS ASTECAS
Os povos astecas são originários do norte do atual México.
Eles fazem parte das antigas comunidades mexicas, que com
partilham características culturais. No século XII, eles se deslocaram para o sul, onde fica o lago Texcoco. Ao se fixarem nessa
região, conquistaram com guerras comunidades mexicas vizinhas, como as dos toltecas e dos zapotecas.
Em pouco tempo, formaram um grande Estado, com quase 500 cidades. Estima-se que, no início do século XVI, a capital
Tenochtitlán, onde hoje se localiza a Cidade do México, contava
com uma população entre 100 mil e 400 mil habitantes.
A sociedade asteca
A sociedade asteca era controlada por um governante, que,
apoiado por uma oligarquia militar, aristocrática e sacerdotal,
dirigia o Estado. A maior parte da população era formada por
agricultores e soldados.
A educação ocupava um papel importante no cotidiano dos
astecas. Até os seis anos de idade, os meninos aprendiam a carregar água e lenha e as meninas fiavam e teciam. Ao alcançar
a juventude, os meninos podiam frequentar dois tipos de centro
de estudos: um voltado ao ensino religioso e outro reservado aos
filhos de famílias comuns, que preparava os jovens para a vida
prática.
A terra reservada para o cultivo pertencia ao governante, que
distribuía lotes aos camponeses.
As colheitas eram repartidas
conforme o trabalho de cada agricultor. No entanto, eles eram
obrigados a pagar tributos aos sacerdotes, além de entregar à
comunidade parte do que produziam. A cobrança de tributos e
impostos era importante para a manutenção do Estado asteca.
VIVENDO NOS ANDES
Os povos conhecidos como andinos formaram dezenas de pe
quenos reinos que ocupavam as terras centrais da cordilheira dos
Andes, uma área que se estende desde a Venezuela até a Patagônia, na Argentina. Eles começaram a estabelecer seus assenta
mentos por volta de 3500 a.C. e destacaram-se pela construção
de pirâmides, praças e conjuntos residenciais habitados por uma
população hierarquizada e centralizada na figura do soberano.
Com o passar do tempo, formaram diversos centros políticos,
como Caral, Chavín, Tiahuanaco e o Império Chimu.
A cidade de Caral é uma das ocupações mais antigas da região dos Andes, sendo reconhecida como uma das mais antigas
do mundo, de cerca de 3000 a.C. Localizava-se no vale Supe, no
atual Peru. Pirâmides de pedra, anfiteatros, praças circulares e
geoglifos são os principais vestígios dessa cultura, que também
desenvolveu um calendário, instrumentos musicais e um siste
ma de escrita, conhecido como quipu.
A cidade de Chavín surgiu por volta de 900 a.C. e estava loca
lizada a 3 150 metros acima do nível do mar. Chavín teve grande
importância agrícola e apresentava uma arquitetura monumen
tal, além de um centro de peregrinação para onde se dirigiam
muitos povos andinos.
Já a cidade de Tiahuanaco ganhou importância na região dos
Andes a partir do ano 1000 a.C., com a criação de um centro
político e cerimonial frequentado por cerca de 150 mil pessoas.
Essa cidade se destacou por apresentar uma rede de caminhos
e estradas usada, depois, pelo Império Inca.
No século XII, o Império Chimu era governado por uma elite
considerada descendente de uma ordem divina. Os chimus desenvolveram artefatos sofisticados de cerâmica e de metal e destacaram-se na planificação de redes de irrigação. A capital do império
chegou a ter 80 mil habitantes.
Ao longo do tempo, em di
ferentes períodos históricos e
por motivos diversos, essas
culturas entraram em declínio:
Caral sofreu com uma seca
em 1800 a.C.; Chavín entrou
em crise em 300 a.C., assim
como Tiahuanaco a partir de
1200 a.C.; e o Império Chimu
decaiu por volta de 550 d.C. Nas
regiões em que cada cultura
dominava, surgiram outros rei
nos e, entre eles, destacou-se
o Império Inca.
OS INCAS
Após conquistarem algumas cidades andinas, os incas cons
truíram, no início do século XII, um grande império chamado
Tahuantinsuyu (ou Reino das Quatro Partes, em quéchua), que
se estendeu por regiões que abrangem atualmente países como
Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.
O auge desse império
ocorreu no final do século XV, período que antecedeu a chegada
dos espanhóis à região. Estima-se que os incas tenham domina
do mais de cem povos distintos, impondo-lhes sua língua, suas
leis e crenças religiosas.
Os povos dominados tinham uma vida rigorosamente controlada e eram obrigados a trabalhar para o governante do Império
Inca.
As terras incas, que pertenciam ao Estado, eram divididas
em lotes entre as famílias camponesas. Nessas terras, essas famílias podiam cultivar o necessário para a sobrevivência. Porém,
durante alguns dias do ano, elas eram obrigadas a trabalhar nos
lotes do governo e dos sacerdotes e na construção de obras públicas e a participar das guerras. Essas obrigações eram chamadas de mita.
O poder político e religioso concentrava-se na figura de um
soberano que controlava os governadores e os chefes locais. Ele
era considerado um descendente do Sol, a principal divindade
cultuada pelos incas, que também eram politeístas. A cidade de
Cuzco, localizada no atual Peru, era a capital do império e também centro religioso e administrativo.
Para melhor administrar o império, o governo utilizou e expandiu a rede de caminhos desenvolvida pelo povo de Tiahuanaco – esses caminhos se estendiam por mais de 7 mil quilômetros.
Neles, havia postos de envio e de recebimento de mensagens
que facilitavam a comunicação, o controle militar, o comércio e a
cobrança de impostos.
Vista parcial das construções em
Machu Picchu, Peru. Foto de 2022.
A cidade inca contava com canais de
água e com um sofisticado sistema
de drenagem. As construções foram
edificadas com grandes blocos
de pedra encaixados sem o uso
de argamassa, evidenciando os
conhecimentos das comunidades
andinas antigas.
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