sexta-feira, 2 de outubro de 2026

POVOS MESOAMERICANOS E ANDINOS

OS DIVERSOS POVOS ANTIGOS DA MESOAMÉRICA 

Embora cada povo tivesse as próprias características culturais, na região da Mesoamérica, alguns deles apresentavam modos de vida semelhantes: praticavam a agricultura, tinham o milho como a base da alimentação, construíam grandes cidades e grandes pirâmides com templos para cultos religiosos, faziam uso de um sistema de calendário e utilizavam um tipo de escrita hieroglífica, com símbolos e desenhos. As técnicas e tecnologias desenvolvidas também guardavam certas similaridades, como o uso de determinadas matérias-primas para confeccionar ferramentas, utensílios, armas e enfeites. 
A área geográfica e os aspectos culturais da Mesoamérica são frequentemente associados aos povos maias e astecas, que serão estudados a seguir. Isso se deve, entre outras razões, pelo intenso contato dessas culturas com a cultura europeia, a partir do século XV d.C. No entanto, havia dezenas de outros povos indígenas, como os olmecas, os zapotecas e os toltecas, que habitaram a região em diferentes períodos e que influenciaram em grande medida essas culturas mais recentes da Mesoamérica. 
Estudar esses primeiros povos nos ajuda a compreender as manifestações culturais das comunidades mesoamericanas até a atualidade, percebendo as permanências e as transformações culturais na região. Observe a linha do tempo a seguir e conheça algumas das características dessas antigas sociedades.

OS MAIAS 

Os maias viviam na península de Iucatã, situada no sul do atual México. Ao longo do tempo, eles se espalharam pelos territórios que hoje correspondem a Guatemala, Honduras, Belize e El Salva dor. Essa sociedade atingiu o auge entre os anos 200 e 900, foi muito influenciada pelos olmecas e foi contemporânea dos zapotecas. Assim como outros povos do mundo antigo, os maias se organizavam em cidades-Estado, independentes entre si. 
Em cada cidade-Estado se falava uma das línguas que fazem parte da família linguística maia. Muitas delas são faladas por descendentes maias ainda hoje. Na Guatemala atual, por exemplo, são reconhecidas cerca de 20 línguas dessa família e, no México, outras oito. 
As sociedades maias eram hierarquizadas, ou seja, a autoridade máxima assumia o controle social e político da cidade. A elite era composta de nobres, sacerdotes e militares, que auxiliavam essa autoridade a governar. Abaixo da elite estava a maior parte da população, formada por artesãos, comerciantes e camponeses. A principal atividade econômica maia era a agricultura. O milho era a base da alimentação dos maias, mas eles também cultivavam feijão, abóbora, cacau e abacate. Além disso, praticavam o comércio com povos vizinhos. O conhecimento dos maias sobre astronomia era bastante desenvolvido. Eles dominavam com precisão a duração dos ciclos da Lua, do Sol e do planeta Vênus. Nos observatórios astronômicos, faziam o mapeamento do céu a olho nu. 
Com base nesse mapeamento, elaboraram um calendário solar que marcava as estações do ano e os auxiliava na agricultura. Esse calendário era dividido em um ano de 365 dias, distribuídos em 18 meses com 20 dias cada um. Sobravam 5 dias, nos quais eles ofereciam sacrifícios aos deuses.

Detalhe de relevo maia, do século X d.C., representando dois jogadores de bola. Além de palácios, observatórios astronômicos, praças e pirâmides, os maias dedicavam construções para jogos com bolas.


OS ASTECAS 

Os povos astecas são originários do norte do atual México. Eles fazem parte das antigas comunidades mexicas, que com partilham características culturais. No século XII, eles se deslocaram para o sul, onde fica o lago Texcoco. Ao se fixarem nessa região, conquistaram com guerras comunidades mexicas vizinhas, como as dos toltecas e dos zapotecas. Em pouco tempo, formaram um grande Estado, com quase 500 cidades. Estima-se que, no início do século XVI, a capital Tenochtitlán, onde hoje se localiza a Cidade do México, contava com uma população entre 100 mil e 400 mil habitantes.

A sociedade asteca 

A sociedade asteca era controlada por um governante, que, apoiado por uma oligarquia militar, aristocrática e sacerdotal, dirigia o Estado. A maior parte da população era formada por agricultores e soldados. A educação ocupava um papel importante no cotidiano dos astecas. Até os seis anos de idade, os meninos aprendiam a carregar água e lenha e as meninas fiavam e teciam. Ao alcançar a juventude, os meninos podiam frequentar dois tipos de centro de estudos: um voltado ao ensino religioso e outro reservado aos filhos de famílias comuns, que preparava os jovens para a vida prática. A terra reservada para o cultivo pertencia ao governante, que distribuía lotes aos camponeses. 
As colheitas eram repartidas conforme o trabalho de cada agricultor. No entanto, eles eram obrigados a pagar tributos aos sacerdotes, além de entregar à comunidade parte do que produziam. A cobrança de tributos e impostos era importante para a manutenção do Estado asteca.

VIVENDO NOS ANDES 

Os povos conhecidos como andinos formaram dezenas de pe quenos reinos que ocupavam as terras centrais da cordilheira dos Andes, uma área que se estende desde a Venezuela até a Patagônia, na Argentina. Eles começaram a estabelecer seus assenta mentos por volta de 3500 a.C. e destacaram-se pela construção de pirâmides, praças e conjuntos residenciais habitados por uma população hierarquizada e centralizada na figura do soberano. 
 Com o passar do tempo, formaram diversos centros políticos, como Caral, Chavín, Tiahuanaco e o Império Chimu. A cidade de Caral é uma das ocupações mais antigas da região dos Andes, sendo reconhecida como uma das mais antigas do mundo, de cerca de 3000 a.C. Localizava-se no vale Supe, no atual Peru. Pirâmides de pedra, anfiteatros, praças circulares e geoglifos são os principais vestígios dessa cultura, que também desenvolveu um calendário, instrumentos musicais e um siste ma de escrita, conhecido como quipu. 
A cidade de Chavín surgiu por volta de 900 a.C. e estava loca lizada a 3 150 metros acima do nível do mar. Chavín teve grande importância agrícola e apresentava uma arquitetura monumen tal, além de um centro de peregrinação para onde se dirigiam muitos povos andinos. Já a cidade de Tiahuanaco ganhou importância na região dos Andes a partir do ano 1000 a.C., com a criação de um centro político e cerimonial frequentado por cerca de 150 mil pessoas. Essa cidade se destacou por apresentar uma rede de caminhos e estradas usada, depois, pelo Império Inca. 
No século XII, o Império Chimu era governado por uma elite considerada descendente de uma ordem divina. Os chimus desenvolveram artefatos sofisticados de cerâmica e de metal e destacaram-se na planificação de redes de irrigação. A capital do império chegou a ter 80 mil habitantes. 
Ao longo do tempo, em di ferentes períodos históricos e por motivos diversos, essas culturas entraram em declínio: Caral sofreu com uma seca em 1800 a.C.; Chavín entrou em crise em 300 a.C., assim como Tiahuanaco a partir de 1200 a.C.; e o Império Chimu decaiu por volta de 550 d.C. Nas regiões em que cada cultura dominava, surgiram outros rei nos e, entre eles, destacou-se o Império Inca.

Ruínas de Chan Chan, capital do Império Chimu, no Peru.

 OS INCAS 

Após conquistarem algumas cidades andinas, os incas cons truíram, no início do século XII, um grande império chamado Tahuantinsuyu (ou Reino das Quatro Partes, em quéchua), que se estendeu por regiões que abrangem atualmente países como Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina. 
O auge desse império ocorreu no final do século XV, período que antecedeu a chegada dos espanhóis à região. Estima-se que os incas tenham domina do mais de cem povos distintos, impondo-lhes sua língua, suas leis e crenças religiosas. Os povos dominados tinham uma vida rigorosamente controlada e eram obrigados a trabalhar para o governante do Império Inca. 
As terras incas, que pertenciam ao Estado, eram divididas em lotes entre as famílias camponesas. Nessas terras, essas famílias podiam cultivar o necessário para a sobrevivência. Porém, durante alguns dias do ano, elas eram obrigadas a trabalhar nos lotes do governo e dos sacerdotes e na construção de obras públicas e a participar das guerras. Essas obrigações eram chamadas de mita. 
O poder político e religioso concentrava-se na figura de um soberano que controlava os governadores e os chefes locais. Ele era considerado um descendente do Sol, a principal divindade cultuada pelos incas, que também eram politeístas. A cidade de Cuzco, localizada no atual Peru, era a capital do império e também centro religioso e administrativo. 
Para melhor administrar o império, o governo utilizou e expandiu a rede de caminhos desenvolvida pelo povo de Tiahuanaco – esses caminhos se estendiam por mais de 7 mil quilômetros. Neles, havia postos de envio e de recebimento de mensagens que facilitavam a comunicação, o controle militar, o comércio e a cobrança de impostos.

Vista parcial das construções em Machu Picchu, Peru. Foto de 2022. A cidade inca contava com canais de água e com um sofisticado sistema de drenagem. As construções foram edificadas com grandes blocos de pedra encaixados sem o uso de argamassa, evidenciando os conhecimentos das comunidades andinas antigas.




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