Até meados do século VIII a.C., Atenas era comandada por um rei, que realizava tarefas
de juiz, sacerdote e chefe militar. No final do século VII a.C., o poder do rei passou a ser
exercido por representantes da aristocracia (em grego, aristós = o melhor + cracia = poder).
Originalmente, aristocracia significava o “governo dos melhores”.
A aristocracia ateniense era formada por homens ricos, que possuíam grandes propriedades de terra e alegavam descender de algum deus ou herói. A concentração de
poder nas mãos da aristocracia gerou tensões com outros grupos sociais. Na época, por
exemplo, pequenos proprietários e camponeses reivindicavam o acesso a terras mais
produtivas e o fim da escravidão por dívidas.
A escravidão por dívidas afetava a vida da população mais pobre de Atenas, principalmente a dos camponeses. Caso eles fizessem um empréstimo e não conseguissem
pagá-lo, perdiam seus bens e, até mesmo, sua liberdade para quitar a dívida.
Nesse cenário de tensões sociais, a maioria da população ateniense começou a exigir reformas que, em alguns casos, foram atendidas.
Em 594 a.C., o aristocrata Sólon
(638 a.C.-558 a.C.) pôs fim à escravidão por dívidas. Posteriormente, por volta de 507 a.C.,
outro político aristocrata chamado Clístenes (565 a.C.-492 a.C.) aprofundou as reformas
de Sólon e introduziu a democracia em Atenas.
O principal órgão da democracia ateniense era a Assembleia Popular (Eclésia), na qual todos os cidadãos podiam expressar opiniões, e a decisão da maioria era respeitada. No Conselho dos Quinhentos (Bulé), os integrantes elaboravam leis, que depois eram votadas pela Assembleia Popular. Havia também os estrategos, cidadãos que lideravam o exército e punham em prática as decisões da Assembleia Popular, e os membros do Tribunal de Justiça (Heleia).
Na tentativa de garantir o bom funcionamento da democracia, o governo ateniense criou o ostracismo, lei que previa um exílio de dez anos a quem fosse considerado uma ameaça à democracia. Ostracismo vem da palavra grega óstrakon, um caco de cerâmica no qual eram escritos os nomes dos candidatos ao exílio. O indivíduo que tivesse seu nome citado por 6 mil cidadãos era condenado.
Aos poucos, a democracia ateniense foi sendo aperfeiçoada. Os cidadãos pobres passaram a receber pagamento para exercer atividades políticas, por exemplo, o que ajudou a garantir sua participação na Assembleia.
Democracia direta
A democracia ateniense apresentava uma ideia básica: todos os cidadãos
tinham os mesmos direitos perante a lei. Essa igualdade, que é chamada de
isonomia (do grego, iso = igual + nomia = o que é de direito), abriu caminho
para que todos os cidadãos (ricos e pobres, aristocratas e não aristocratas)
participassem do governo da cidade.
Porém, a expressão “todos os cidadãos” não queria dizer “todos os habitantes” da cidade. Em Atenas, cidadãos eram só os homens atenienses livres
maiores de 21 anos. Assim, estrangeiros, escravizados, mulheres e menores
de 21 anos não tinham direitos de cidadania. Calcula-se que, no século V a.C.,
Atenas tinha por volta de 310 mil habitantes, dos quais apenas cerca de
42 mil eram cidadãos.
Os cidadãos atenienses podiam ocupar cargos públicos e participar da
Assembleia do Povo (Eclésia), que aprovava ou rejeitava projetos para a
cidade. Esses projetos eram elaborados pelo Conselho dos Quinhentos,
composto de 500 cidadãos sorteados todo ano. Os projetos aprovados
eram executados pelos estrategos, chefes de governo que cuidavam da
administração e dos assuntos militares. Todos os anos, dez estrategos eram
eleitos pela Assembleia.
A participação dos cidadãos
na Eclésia era direta, ou seja, os
cidadãos compareciam pessoal
mente para votar os assuntos da
vida pública. Eles decidiam quais
obras deveriam ser construídas,
onde aplicar o dinheiro, com quem
deveriam manter paz ou declarar guerra. Além disso, era pelo
voto que os cidadãos puniam
quem fosse considerado um perigo para a democracia. Umas das
punições para os condenados era
o ostracismo, isto é, a expulsão de
Atenas por um período de dez anos.
Consolidação da democracia
Em meados do século V a.C., os estrategos Efialtes e
Péricles consolidaram a democracia de Atenas. Eles fizeram
reformas que reduziram o poder político da aristocracia e
aumentaram a participação dos cidadãos no governo. Foi
criada, por exemplo, a remuneração para funções públicas.
Com isso, cidadãos pobres puderam se dedicar à vida
política de Atenas.
Péricles foi estratego por cerca de 15 anos.
Durante seu
governo, Atenas atingiu prosperidade econômica e esplendor cultural. Ele construiu grandes obras e embelezou
a cidade, encomendando trabalhos a grandes artistas.
A democracia ateniense, por ser direta, era bem diferente das democracias de hoje em dia. Atualmente no Brasil,
por exemplo, o regime político em vigor é a democracia
representativa, em que cidadãos e cidadãs elegem seus
representantes para o parlamento ou para o governo.