segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Pensadores gregos

Alguns cidadãos gregos começaram a tentar explicar o mundo não mais pelos mitos. Essa nova maneira de pensar foi chamada de Filosofia, palavra que significa “amor pelo conhecimento, pela sabedoria”. 
Tradicionalmente, considera-se que o primeiro filósofo foi Tales de Mileto (c. 624 a.C.-c. 548 a.C.), nascido na colônia grega de Mileto. Ele também era matemático e astrônomo. Elaborou uma explicação para a origem do Uni verso que não fazia referência a nenhum deus e atribuía à água a origem de todas as coisas. 
No século V a.C., período do auge das manifestações da cultura grega, da democracia, do esplendor da cidade de Atenas, surgiram filósofos que ficaram conhecidos como sofistas. Eram sábios que ensinavam de cidade em cidade a arte do convencimento, chamada de retórica, instruindo os jo vens a debater com políticos e preparando-os para ocupar cargos políticos. Os sofistas tinham muito prestígio e eram respeitados.

Sócrates, Platão e Aristóteles 


Enquanto os sofistas estavam preocupados com a arte do convencimento, outros pensadores, como Sócrates (c. 470 a.C.-c. 399 a.C.), buscavam compreender o que era a verdade. 
Sócrates dedicou sua vida ao conhecimento e ao ensino. Estimulava seus alunos a alcançar o conhecimento pelo esforço individual. Esse método ficou conhecido como maiêutica, palavra grega que significa “dar à luz”, gerar o conhecimento. 
Acusado de desrespeitar os deuses gregos e de ser má influência para a juventude, Sócrates foi condenado pelas autoridades atenienses, em 399 a.C., a nunca mais voltar a Atenas ou ter a língua cortada. Por recusar ambas as alternativas, foi condenado à morte pela ingestão de um veneno chamado cicuta.

Jacques-Louis David. A morte de Sócrates, 1787. Óleo sobre tela. A obra representa Sócrates na prisão, sentado ao centro, fazendo um gesto vigoroso aos seus discípulos, que estão desolados com a sentença de morte imposta ao filósofo.

Sócrates foi tão importante que os estudiosos dividem parte da história da Filosofia da Antiguidade em dois períodos: o pré-socrático e o pós-socrático. 
O período pós-socrático corresponde ao final do século IV a.C., tendo Platão e Aristóteles como os filósofos mais importantes. Platão (c. 428 a.C.-c. 348 a.C.) foi o principal discípulo de Sócrates e um dos maiores pensadores gregos. Uma de suas teorias de maior destaque foi a de que existem dois mundos: o mundo das coisas concretas, que podemos ver com os olhos, e o mundo das ideias, que podemos alcançar somente pela razão. 
Em 387 a.C., fundou a Academia, escola de Filosofia que tinha por objetivo difundir o pensamento socrático. Entre os discípulos de Platão, destacou-se Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), que organizou uma nova área do conhecimento, a Lógica, cujo objetivo é explicar como funciona o raciocínio que leva à conclusão correta.
Um bom exemplo para entendermos o pensamento lógico é: “Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. Percebe-se que, com base nas duas primeiras frases, conseguimos chegar à terceira como conclusão.

Busto de Sócrates, escultura de mármore, cópia romana de original do século IV a.C.


Os conhecimentos desenvolvidos nessas reflexões filosóficas, em muitos casos, serviram de base para diversas áreas de estudo existentes na atualidade, como a medicina, a matemática, a física, a geografia, entre outras. 
Entre elas, Aristarco de Samos propôs a teoria baseada no modelo heliocêntrico, em que a Terra gira em torno do Sol; Arquimedes demonstrou o poder da energia solar ao desenvolver um sistema para incendiar navios com o uso de espelhos; Herófilo examinou o corpo humano e percebeu a diferença entre veias e artérias, além de ponderar sobre a substância que fluía por elas.




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