Assim como no presente, as guerras faziam parte da vida social, política e econômica dos povos antigos. No entanto, aqueles povos tinham uma visão diferente de infância da que temos hoje, e preparavam as crianças desde cedo para o combate.
O desenvolvimento comercial das cidades-Estado e das colônias gregas provocou diversos conflitos internos e externos na região; os períodos de paz alternavam-se com os de guerra. Nesse contexto, as pólis concorriam para estabelecer seu poder econômico e sua liderança política, e a prosperidade da Grécia também atraía o interesse de povos estrangeiros.
Primeira Guerra Médica
Os governantes do Império Persa, especialmente no século V a.C., desejavam conquistar a Grécia e, assim, dominar seu comércio. Naquele período, os persas (conhecidos como medos) enfrentaram os gregos nas chamadas Guerras Médicas. Dario, imperador persa, liderava um exército numeroso, bem armado e muito bem treinado. Confiante de que as rivalidades entre as cidades gregas facilitariam sua vitória, iniciou a conquista pelas colônias da Ásia Menor e, em 490 a.C., avançou para a Grécia continental.
Diante dessa ameaça, as cidades gregas se uniram sob a liderança de Atenas e conseguiram derrotar o exército persa. Conta-se que, depois da última batalha, na planície de Maratona, um soldado grego correu até Atenas para contar que haviam vencido a guerra. Esse episódio teria originado o nome maratona, uma modalidade de corrida de longa distância.
Segunda Guerra Médica
Dez anos após a derrota persa, o imperador Xerxes, sucessor de Dario, liderou uma nova invasão à Grécia. Diante da necessidade de organizar a defesa e de equipar suas tropas, Atenas formou a Confederação de Delos, uma aliança política e econômica entre várias cidades gregas para suprir as demandas da guerra. Os persas atacaram e incendiaram Atenas. No entanto, o combate no mar, na batalha de Salamina, foi vencido pelos atenienses.
Esse resultado surpreendente pode ser explicado por diferentes fatores: o sucesso na batalha de Maratona contribuíra para aumentar a confiança dos cidadãos de Atenas; eles sentiam-se comprometidos com sua cidade, dispostos a defendê-la mesmo em circunstâncias difíceis; a frota ateniense era a melhor da Grécia e estava treinada para combates em seu próprio território.
Até então, Esparta não havia se envolvido diretamente na guerra. Após a batalha de Salamina e sob ameaça de ter seu território invadido pelos persas, a pólis decidiu entrar na guerra, e sua participação nos combates terrestres definiu a vitória final dos gregos. Em 449 a.C. ocorreu o fim definitivo das Guerras Médicas.
Conflitos entre Atenas e Esparta
Além do desenvolvimento econômico e militar, Atenas firmou-se à época
como um rico e diversificado centro cultural do mundo grego. Os atenienses
mantiveram a liderança sobre a Confederação de Delos e transformaram as
contribuições das cidades aliadas em tributos obrigatórios.
Algumas cidades gregas se julgavam ameaçadas pelo desenvolvimento de
Atenas e, para conter seu poderio, uniram-se sob a liderança de Esparta, for
mando a Liga do Peloponeso.
As rivalidades entre a Confederação de Delos e a Liga do Peloponeso se
acentuaram, culminando, em 431 a.C., na Guerra do Peloponeso, que se prolongou por quase trinta anos.
Com o objetivo de resistir aos ataques do exército espartano, o governo de
Atenas decidiu concentrar a população dentro das muralhas da cidade. Tal medida prejudicou a produção no campo e provocou uma epidemia que matou
cerca de um terço de seus habitantes.
Desgastados pela fome e derrotados, os atenienses se renderam em 404 a.C.
Após a guerra, Esparta passou a dominar as cidades gregas. Algum tempo de
pois, outras cidades, como Tebas, passaram a disputar essa liderança. As disputas entre as cidades-Estado acabaram por enfraquecer a Grécia, facilitando o
domínio estrangeiro no século IV a.C.
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