Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam na existência de vários deuses. Esses deuses ficaram conhecidos pela população por meio de histórias.
"Mito" quer dizer narrativa, relato sobre alguma coisa ou acontecimento que mistura realidade e fantasia ou que é apenas fantasia, enquanto “logia” significa estudo, conhecimento.
Assim, as histórias dos deuses, ao misturarem situações da vida comum dos seres humanos com histórias inventadas, foram denominadas mitologia grega. Por meio dessas histórias, os gregos explicaram a origem do mundo, os fenômenos da natureza, as situações do dia a dia, a morte e até a fundação de cidades.
As narrativas sobre a criação do mundo são encontradas no poema Teogonia, escrito no século VIII a.C. pelo poeta Hesíodo. O poema conta que, no início, o
mundo era um grande vazio, chamado de Caos. Dali surgiu a Terra, Gaia, que criou
o Céu, Urano, e os dois foram os primeiros senhores do Universo.
A união entre Gaia e Urano gerou várias criaturas. Primeiro, foram os doze titãs (seis homens e seis mulheres), que eram seres muito fortes e altos; depois,
os três ciclopes, gigantes de um só olho; e, por fim, os três hecatônquiros,
seres de cem mãos e cinquenta cabeças.
Um dos titãs, Cronos, destronou Urano e o matou. O sangue de Urano,
ao respingar no mar, deu origem a Afrodite, a deusa do amor, e, ao tocar a
terra, originou criaturas chamadas de Gigantes.
Deuses do Olimpo, parecidos
com os humanos
Zeus era considerado o deus soberano dos próprios deuses e
dos seres humanos. Filho de Cronos e Reia, foi representado em
diversos templos gregos, sendo a cidade de Olímpia o principal
local de culto a ele.
Zeus teve vários filhos com sua irmã e esposa
Hera, protetora do casamento, e com outras deusas. Entre seus filhos, destacaram-se Atena, deusa
da sabedoria; Ares, deus da guerra; Apolo, deus do Sol;
Dioniso, deus do vinho; Héfeso, deus do fogo; Ártemis, deusa da
Lua, da caça e da fertilidade; Poseidon, deus dos mares; Deméter, deusa da agricultura e da fertilidade; e Hermes, mensageiro
dos deuses.
Esses deuses eram representados com a forma humana e
tinham personalidade própria, com qualidades, defeitos e interesses diversos. A diferença entre eles e os seres humanos
era que os deuses eram imortais, ficavam invisíveis e viajavam grandes
distâncias rapidamente.
Os gregos acreditavam que os deuses também se relacionavam
com os seres humanos. Da união de Zeus com Dânae, filha do rei Acrísio, da cidade de Argos, por exemplo, nasceu Perseu. Este e todos os
seres gerados da união entre deuses e humanos eram chamados de
semideuses ou heróis – metade deus, metade humano.
Perseu com a cabeça da
Medusa, escultura de
Antonio Canova,
1797-1801. O
herói Perseu ficou
conhecido por ter
decapitado Medusa,
monstro feminino
que transformava em
pedra quem a olhasse
diretamente. Para se livrar
desse perigo, Perseu
utilizou o reflexo de seu
escudo de bronze e
conseguiu decapitá-la.
Havia ainda outros deuses, que estavam ligados diretamente à natureza,
como Pã, o deus bode das florestas; as ninfas, das nascentes dos rios; as
dríades, espírito das árvores; e as nereidas, habitantes do mar.
Os gregos antigos acreditavam que os doze deuses mais importantes de
seu panteão moravam no monte Olimpo, que era considerado um santuário,
lugar sagrado. O Olimpo é o monte mais alto da Grécia. Está situado próximo
ao mar Egeu, na região da Tessália.
Oráculos, cultos e festivais
Na Grécia antiga, a comunicação entre os seres humanos e divinos se
fazia por intermédio das pitonisas nos oráculos, locais onde os deuses
respondiam às perguntas feitas pelas pessoas.
O oráculo de Delfos, situa
do na cidade de mesmo nome, foi dedicado ao deus Apolo e considerado
um dos centros religiosos mais importantes da Grécia antiga.
Os gregos acreditavam também que os deuses interferiam diretamente em suas vidas. Esses deuses eram cultuados nos templos por meio de
orações, ofertas de alimentos e sacrifícios de animais.
Cada cidade organizava cultos e realizava festivais, procissões, oferendas e sacrifícios em homenagem a seus deuses protetores.
Registros da mitologia
A mitologia grega foi registrada em obras como a Ilíada e a Odisseia, escritas há quase 3 mil anos pelo poeta Homero, em poemas
e em peças teatrais, além de ter sido pintada em vasos ou esculpi
da em colunas.
Heródoto (c. 485 a.C.-c. 420 a.C.), historiador que viajou pelas
cidades do mundo grego e pelo Egito, registrou várias dessas histórias e mitos que ouvia aqui e ali, alguns com versões diferentes.
Atena, a deusa protetora
A cidade de Atenas tinha como
deusa protetora uma divindade feminina: Atena. Em sua homenagem,
ocorriam festivais de caráter cívico
e religioso, denominados Grandes
Panateneias, que incluíam a realização de rituais, jogos, danças e banquetes por vários dias seguidos.
Representada como guerreira,
astuta e divindade dos serviços manuais, ela ocupava papel de desta
que no conjunto das divindades gregas não só em Atenas; seu culto se
expandiu por toda a região do Mediterrâneo, manifestando-se também
nas cidades da Magna Grécia.
Sua sabedoria e inteligência foram registradas na literatura do antigo mundo grego: conta-se que por
sua intervenção os gregos venceram
a Guerra de Troia, e que sua ajuda
ao herói Ulisses foi decisiva para ele
conseguir voltar ao lar após derrotar os troianos. Essas narrativas fazem parte
dos poemas épicos Ilíada e Odisseia, cuja autoria é atribuída a Homero.
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