Esparta era muito diferente de Atenas, a começar pela localização. Estava situada entre altas montanhas e não tinha saída para o mar. A cidade foi fundada pelos dórios e, desde o começo de sua história, se assemelhava a um acampamento militar. Sentindo a necessidade de ter mais terras férteis, os espartanos conquistaram e dominaram seus vizinhos, os messênios.
Segundo o historiador Heródoto, o lema dos espartanos era “não fugir do campo de batalha diante de qualquer número de inimigos, mas permanecer firmes em seus postos e neles vencer ou morrer”.
Entre os séculos VII e VI a.C., a pólis de Esparta exerceu hegemonia sobre as demais cidades gregas e tornou-se modelo para elas.
A pólis de Esparta tem sua origem com a chegada dos dórios à península do Peloponeso. Eles dominaram toda a região, se apropriaram das melhores terras e fundaram a cidade de Esparta. Seus descendentes, chamados de esparciatas, controlavam as instituições políticas da cidade e se dedicavam às atividades militares durante a maior parte da vida.
A educação em Esparta
Quando uma criança nascia, era levada aos mais velhos, que a examinavam. Se fosse sadia, era devolvida aos pais; se tivesse alguma deficiência, era lançada em um precipício.
Até os 7 anos de idade, os meninos eram criados pelas suas mães. Elas os deixavam andar descalços para ter pés calejados e os cobriam só com uma única túnica para aprenderem a suportar o frio.
Dos 7 anos em diante, passavam a viver com outros garotos da mesma idade em acampamentos do governo. Nesses acampamentos, aprendiam a ler, escrever e contar. No resto do tempo, praticavam esportes, recebiam instrução militar e treinavam sobrevivência no mato.
Após o período de treinos, os jovens espartanos eram submetidos a um ritual de passagem. Os que não fossem considerados aptos para a guerra eram rebaixados para uma condição inferior. Voltados para a guerra, os cidadãos espartanos sobreviviam basicamente dos produtos cultivados em suas terras.
A partir dos 16 anos os meninos passavam por uma série de provas, das quais a mais terrível era a Krypteia: levantavam-se de madrugada, armavam-se de punhais e, em bandos, invadiam as casas dos hilotas para assassiná-los. Com isso, os espartanos regulavam o crescimento da população hilota. Aos 20 anos de idade, os espartanos ingressavam no exército.
Aos 30, casavam-se e recebiam um lote de terra do governo, acompanhado de um certo número de hilotas. A partir dessa data, os espartanos eram considerados cidadãos, ou seja, podiam votar, ocupar cargos públicos etc.
As mulheres, por sua vez, também faziam exercícios físicos e, assim, se preparavam para ser mães de filhos fortes e saudáveis. Em Esparta, era essa a principal função da mulher.
Você talvez se pergunte: se os esparciatas viviam para a guerra, quem produzia alimentos e outros bens necessários à sobrevivência da população? Essa tarefa era exercida pelos hilotas, antigos habitantes da região que foram dominados pelos dórios e despojados de terras e direitos políticos. Ainda que não fossem escravos, os hilotas não eram livres, pois eram obrigados a cultivar a terra dos esparciatas e a entregar a eles parte do que produziam.
Os habitantes dos arredores de Esparta que não eram descendentes dos dórios e nem hilotas formavam um grupo de homens livres chamados periecos. Eles se dedicavam à agri cultura, ao artesanato e ao comércio e, como os hilotas, não tinham direitos políticos.
Estátua de Leônidas.
Rei de Esparta entre 491
e 480 a.C., Leônidas
morreu em uma batalha
no desfiladeiro das
Termópilas, na Grécia.
A oligarquia espartana
Em
Esparta, apenas os esparciatas tinham direitos políticos,
e somente os membros das famílias mais importantes
podiam ser eleitos para as funções de comando. Por essas características, o governo de Esparta pode ser definido como uma oligarquia, palavra de origem grega que quer dizer “governo de poucos”, ou "governo exercido por uma minoria".
Esparta, ao contrário de outras cidades gregas importantes, preservou a monarquia. Na cidade, dois reis
comandavam o exército e cuidavam das tarefas sacerdotais. As leis eram formuladas pela Gerúsia, um conselho
formado pelos dois reis e por 28 cidadãos com mais de 60
anos. Um comitê de cinco cidadãos, os éforos, era eleito
todo ano pela assembleia para supervisionar as atividades políticas e julgar crimes importantes.
Os cidadãos maiores de 20 anos podiam participar da
Ápela, assembleia que se reunia periodicamente para votar
as leis propostas pela Gerúsia. Mas o poder da assembleia
era limitado; quem comandava a cidade, de fato, eram os
dois reis e os 28 anciãos da Gerúsia, que tinha o poder de
rejeitar as decisões da assembleia caso decidisse que os
cidadãos tinham votado de maneira incorreta.
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