Nossa análise de alguns métodos de ensino individualizantes começa pela aula expositiva, por ser um dos procedimentos de ensino mais antigos e tradicionais, e também o mais difundido nos vários graus escolares. De acordo com o professor Nérici "o método expositivo consiste na apresentação oral de um tema, logicamente estruturado". Segundo esse autor, a exposição pode assumir duas posições didáticas:
a) Exposição dogmática — De acordo com essa posição, a mensagem transmitida não pode ser contestada, devendo ser aceita sem discussões e com a obrigação de repeti-la, por ocasião das provas de verificação.
b) Exposição aberta ou dialogada — Nessa posição a mensagem apresentada pelo professor é simples pretexto para desencadear a participação da classe, podendo haver, assim, contestação, pesquisa e discussão. É neste sentido que hoje se entende o método expositivo nos domínios da educação.
Na exposição dogmática o professor assume uma posição dominante, enquanto o aluno se mantém passivo e receptivo. Por outro lado, na exposição aberta ou dialogada, o professor dialoga com a classe, ouvindo o que o aluno tem a dizer, fazendo perguntas e respondendo às dúvidas dos alunos. Portanto, na exposição dialogada o aluno desempenha um papel mais ativo, pois participa da exposição do professor, fazendo comentários, relatando fatos, dando exemplos, argumentando, expondo suas dúvidas e respondendo perguntas. A aula expositiva, quando dialogada, favorece a participação dos alunos e estimula sua atividade reflexiva.
A aula expositiva pode ser usada nas seguintes situações:
— quando há necessidade de transmitir informações e conhecimentos seguindo uma estrutura lógica e com economia de tempo;
— para introduzir um novo conteúdo, apresentando e esclarecendo os conceitos básicos da unidade e dando uma visão global do assunto;
— para fazer uma síntese do conteúdo abordado numa unidade, dando uma visão globalizada e sintética do assunto.
O professor Luiz Alves de Mattos, em seu livro Sumário de Didática Geral, indica as características de uma boa exposição didática:
a) perfeito domínio e segurança do conhecimento que é objeto da exposição;
b) exatidão e objetividade dos dados apresentados;
c) discriminação clara entre o que é essencial ou básico e o que é acidental ou secundário;
d) organicidade, ou seja, boa concatenação das partes e subordinação dos itens de cada parte;
e) correção, clareza e sobriedade do estilo empregado;
f ) linguagem clara, correta e expressiva;
g) conclusões, aplicações ou arremate definido.
Assim, para que a aula expositiva preencha os requisitos de uma boa exposição didática, recomenda-se que o professor prepare a aula com antecedência, considerando as características dos alunos e adaptando-a ao seu grau de desenvolvimento (sua faixa etária, os conhecimentos que já possuem sobre o conteúdo estudado, seus interesses e motivações).
Ao planejar a exposição, o professor deve:
— definir os objetivos com clareza e precisão;
— selecionar as informações que pretende transmitir e organizar a sequência de ideias em função do tempo disponível;
— escolher e criar exemplos adequados e esclarecedores;
— prever os materiais e os recursos audiovisuais a serem utilizados;
— fazer um esquema ou sumário dos conteúdos essenciais a serem transmitidos, sob a forma de resumo ou sinótico, para usar no decorrer da aula como material de apoio;
— distribuir os assuntos a serem transmitidos pelo tempo disponível.
Para que a aula expositiva atinja os objetivos para os quais foi planejada e se desenrole de forma eficiente, sugere-se que o professor:
a) Apresente inicialmente, aos alunos, o assunto que vai ser abordado no decorrer da exposição e mostre suas ligações com os temas já estudados e conhecidos.
b) Introduza o novo conteúdo partindo dos conhecimentos e experiências anteriores, isto é, do que o aluno já conhece e experienciou.
c) Estabeleça um clima adequado entre os participantes e mantenha a atenção dos alunos, relacionando o conteúdo apresentado aos objetivos, interesses e motivos dos estudantes.
d) Seja objetivo e preciso na exposição e dê ao tema um tratamento ordenado e lógico. Há várias formas de se organizar o conteúdo de uma exposição:
— apresentar primeiramente as ideias amplas e abrangentes que servem de ponto de apoio ou de ponto de ancoragem " para as ideias mais específicas; em seguida, expor as informações particulares, mostrando sua relação com as ideias mais genéricas e com os princípios gerais;
— usar uma abordagem indutiva, expondo primeiramente os fatos particulares e as situações concretas, para depois apresentar os conceitos e princípios mais gerais e abrangentes a eles relacionados;
e) Destaque e fixe as ideias mais importantes, registrando-as no quadro de giz.
f) Dê exemplos esclarecedores e relacionados à vivência dos alunos.
g) Estimule a participação dos alunos e mantenha-os em atitude reflexiva
h) Use uma linguagem simples e coloquial e vá direto ao assunto, de forma clara e objetiva, sem rodeios nem floreios. Quando empregar uma palavra que você presuma seja desconhecida dos alunos, ou um termo científico, explique o seu significado, para facilitar a compreensão do assunto exposto.
i) Fale com desembaraço e entusiasmo, pronunciando as palavras com clareza e variando o tom de voz, os gestos e movimentos.
j) Use humor quando achar oportuno, pois ajuda a relaxar, prende a atenção e cria um clima descontraído.
k) Use, sempre que possível, para ilustrar a explanação, recursos audiovisuais auxiliares, como o quadro de giz, cartazes, gravuras, álbum seriado, quadros murais, gráficos, mapas, retroprojetor etc.
l) "Sinta" a classe, percebendo o grau de atenção dos alunos através de suas reações, e verificando o seu nível de compreensão por meio de perguntas sobre o assunto exposto.
m) Intercale a exposição com exercícios para aplicação do conteúdo apresentado, quando achar oportuno.
n) Ao concluir a explicação, enfatize as ideias básicas e essenciais, sintetizando-as e sistematizando-as num quadro sinótico, ou pedindo aos alunos para resumirem o conteúdo transmitido.
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