A Didática Fundamental está ligada ao movimento pela redefinição do campo da didática, cuja maior expressão foram os eventos de didática realizados no início da década de 1980. Entre os principais representantes desse movimento estão, por exemplo, Marli André (1988, 1993), Candau (1984, 1988), Oliveira (1992). Segundo Freitas (2003), “mais que um enfoque propriamente dito, a Didática Fundamental foi um amplo movimento de reação a um tipo de didática baseada na neutralidade, fundamentada na idéia da didática como método único de ensino e, como tal, nos procedimentos formalizados...” (p. 22).
A didática fundamental parte da afirmação da multidimensionalidade de seu objeto de estudo, isto é, o processo de ensino-aprendizagem, o qual, “para ser adequadamente compreendido, precisa ser analisado de tal modo que articule consistentemente as dimensões humana, técnica e político-social” (CANDU, 1984, p. 13).
Essa proposta crítica se constitui em oposição à didática instrumental (considerada como um tipo de didática convencional, formalizada e descontextualizada) e está ancorada na análise da prática pedagógica concreta e seus determinantes. Segundo Candau (1988) o grande desafio da didática fundamental é o de assumir que o método didático tem diferentes estruturantes e que o importante é articular esses diferentes estruturantes e não exclusivizar qualquer um deles, tentando considerá-los como o único estruturante.
Tal como aponta Freitas (2003), os principais representantes da didática fundamental ainda que denotem uma perspectiva crítica em relação à sociedade capitalista, não apresentam uma proposta alternativa de sociedade, nem configuram um sistema explicativo como ocorre com a Pedagogia Histórico-Crítica e com a Pedagogia dos Conflitos Sociais. Só em Oliveira fica mais claro um projeto histórico alternativo inspirado no marxismo.
Segundo a autora, “o objetivo deste estudo é sugerir elementos teórico-metodológicos para se reconstruir a Didática, com base numa concepção dialético-materialista do ensino...” (OLIVEIRA, 1992, p. 13).
Freitas (2003) analisa a Pedagogia Histórico-Crítica e a Crítico-social dos Conteúdos como se tratassem de uma mesma teoria. Já Saviani (2007), por sua vez, as separa e as apresenta como concepções diferentes que têm em comum um mesmo tronco filosófico: o marxismo histórico-dialético.
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