De acordo com Jean Piaget em sua obra Psicologia e Pedagogia, os métodos de ensino são assim classificados:
1. Métodos verbais tradicionais, que tiveram seus fundamentos ratificados pela epistemologia associacionista.
2. Métodos ativos, que se desenvolveram a partir das pesquisas e conclusões da Psicologia do desenvolvimento e, mais especificamente, do construtivismo operacional e cognitivo.
3. Métodos intuitivos ou audiovisuais, baseados na Psicologia da forma ou Gestalt.
4. Ensino programado, que tem por base a reflexologia e a Psicologia comportamental ou behaviorista. Piaget afirma que desde 1935 vem se difundindo um movimento de renovação dos procedimentos pedagógicos em favor dos métodos ativos. Métodos ativos são aqueles que recorrem à atividade dos alunos, incentivando-a.
Esta atividade apregoada pelos defensores dos métodos ativos não se reduz a ações concretas, pois inclui também, e principalmente, a ação interiorizada, ou melhor dizendo, a reflexão.
Os precursores dos métodos ativos foram Rousseau, Pestalozzi, Froebel e Herbart. Mais recentemente, os mentores dos métodos ativos foram Kerchensteiner, Dewey, Claparède, Decroly, Maria Montessori e Freinet.
Quanto aos métodos ativos, Piaget os divide em:
a) métodos fundados sobre os mecanismos individuais do pensamento;
b) métodos fundados sobre a vida social da criança.
Em seu livro, O processo didático, a professora Irene Carvalho classifica os métodos de ensino
da seguinte forma:
a) Métodos individualizados de ensino — São aqueles que valorizam o atendimento às diferenças
individuais e fazem a adequação do conteúdo ao nível de maturidade, à capacidade intelectual
e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno, considerado individualmente. Entre estes estão o
trabalho com fichas, o estudo dirigido e o ensino programado.
"A aprendizagem é sempre uma atividade pessoal, embora muitas vezes se realize em situação
social. Por isso, as tarefas ou deveres escolares, a pesquisa bibliográfica, as sessões de trabalho
em oficinas ou laboratórios, os exercícios efetuados na sala de aula ou fora dela, as revisões ou
recapitulações periódicas, são atividades discentes individualizadas, mesmo quando os alunos
estejam agrupados em um local, e haja entre eles processos interativos. A situação pode ser
socializada, mas a tônica recai no esforço pessoal, e a atividade de cada um tem conotações
próprias, que refletem características individuais diversificadas."
b) Métodos socializados de ensino — São os métodos que valorizam a interação social, fazendo a
aprendizagem efetivar-se em grupo. Incluem as técnicas de trabalho em grupo, a
dramatização e o estudo de casos.
c) Métodos socio individualizados — São os que combinam as duas atividades, a individualizada e
a socializada, alternando em suas fases os aspectos individuais e sociais. Abrangem, entre
outros, o método de problemas, as unidades de trabalho, as unidades didáticas e as unidades de experiência.
Nos próximos capítulos, analisaremos alguns desses procedimentos de ensino-aprendizagem,
expondo seus fundamentos, suas principais características e como utilizá-los de forma mais
eficiente.
Uma didática operatória baseada no construtivismo cognitivo de Jean Piaget, que concebe o
conhecimento como uma redescoberta e uma reconstrução por meio da atividade do educando,
tem dois objetivos básicos:
a) estimular as estruturas e os esquemas mentais do aluno, contribuindo para o desenvolvimento
do pensamento operatório;
b) permitir que o aluno aplique seus esquemas mentais ao conteúdo a ser aprendido, para facilitar
sua compreensão, assimilação e fixação, e para desenvolver habilidades operatórias,
garantindo uma aprendizagem mais duradoura.
Nessa perspectiva, a função do professor é coordenar e facilitar o processo de reconstrução do
conhecimento por parte do aluno:
— apresentando situações desafiadoras que acionem os esquemas operatórios de pensamento;
— dialogando e dando explicações claras;
— criando condições para que a pesquisa, a manipulação e a experimentação se realizem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário