Trabalho em grupo
Grupo é o conjunto de duas ou mais pessoas em situação de interação e agindo em função de um objetivo comum. Irene Carvalho afirma que "o estudo dos grupos tem sido feito sobretudo pelos psicólogos sociais, a partir do fim da década de 30. Inspirados na Psicologia da Gestalt e na teoria topológica de Kurt Lewin, criaram um ramo novo, conhecido por dinâmica de grupo, o qual analisa a natureza dos grupos, as inter-relações de seus membros, as alterações que se processam em seu âmago, geradas por forças internas ou externas. Posteriormente, os educadores descobriram que este assunto também era relevante para a Pedagogia"5 . Assim, os educadores começaram a aplicar a teoria da dinâmica de grupo à escola, pois lidavam com grupos de alunos nas salas de aula. Além disso, as pessoas que trabalham na escola constituem um grupo social.
Em termos didáticos, os principais objetivos do trabalho em equipe são:
a) facilitar a construção do conhecimento;
b) permitir a troca de ideias e opiniões;
c) possibilitar a prática da cooperação para conseguir um fim comum.
Em outro livro de nossa autoria, afirmamos que "na escola em geral, e na sala de aula em particular, o trabalho de equipe desempenha uma função importante, criando oportunidade para o diálogo e a troca de ideias e informações. Ao participar dessa troca de experiências possibilitada pelo trabalho em equipe, o indivíduo precisa organizar seu pensamento a fim de exprimir suas ideias de forma a serem compreendidas por todos. Na dinâmica do trabalho em grupo, o aluno fala, ouve os companheiros, analisa, sintetiza e expõe ideias e opiniões, questiona, argumenta, justifica, avalia. Portanto, o trabalho de grupo contribui para o desenvolvimento das estruturas mentais do indivíduo, mobilizando seus esquemas operatórios de pensamento. Além de contribuir para o desenvolvimento dos esquemas cognitivos, o trabalho em equipe também favorece a formação de certos hábitos e atitudes de convívio social, como:
— cooperar e unir esforços para que o objetivo comum seja atingido;
— planejar, em conjunto, as etapas de um trabalho;
— dividir tarefas e atribuições, tendo em vista a participação de todos;
— expor ideias e opiniões sucinta e objetivamente, de forma a serem compreendidas;
— aceitar e fazer críticas construtivas;
— ouvir com atenção os colegas e esperar a vez de falar;
— respeitar a opinião alheia;
— acatar a decisão quando ficar resolvido que prevalecerá a opinião da maioria.
Ao utilizar o trabalho em grupo na sala de aula, o professor precisa se conscientizar de que não está apenas aplicando mais um recurso didático para a construção do conhecimento, mas está lançando mão de um poderoso instrumento formador de hábitos de estudo e atitudes sociais".
O uso de jogos
O jogo é uma atividade física ou mental organizada por um sistema de regras. É uma atividade
lúdica, pois joga-se pelo simples prazer de realizar esse tipo de atividade. Jogar é uma atividade
natural do ser humano.
Ao recorrer ao uso de jogos, o professor está criando na sala de aula uma atmosfera de
motivação que permite aos alunos participar ativamente do processo ensino-aprendizagem,
assimilando experiências e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e valores.
O jogo é um recurso didático valioso pelas seguintes razões:
a) Corresponde a um impulso natural do aluno, seja ele criança ou adulto. Neste sentido, satisfaz
uma necessidade interior, pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica.
b) Absorve o jogador de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo, pois na situação
de jogo coexistem dois elementos: o prazer e o esforço espontâneo. É este aspecto de
envolvimento emocional que torna o jogo uma atividade com forte teor motivacional, capaz de
gerar um estado de vibração e euforia.
Em virtude dessa atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola, o jogo é portador de um
interesse intrínseco, que canaliza as energias no sentido de um esforço total para a consecução de
seu objetivo. Portanto, o jogo é uma atividade excitante, mas é também um esforço voluntário.
c) Mobiliza os esquemas mentais de forma a acionar e ativar as funções psiconeurológicas e as
operações mentais, estimulando o pensamento.
d) Integra as dimensões afetiva, motora e cognitiva da personalidade. Como atividade física e
mental que mobiliza as funções e operações, o jogo aciona as esferas motora e cognitiva e, à
medida que gera envolvimento emocional, apela para a esfera afetiva. O ser que brinca e joga
é também o ser que age, sente, pensa, aprende, se desenvolve. Portanto, o jogo, assim como a
atividade artística, é um elo integrador entre os aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais.
Além desses motivos, o jogo tem um valor formativo porque supõe relação social, interação.
Por isso, a participação em jogos contribui para a formação de atitudes sociais: respeito mútuo,
solidariedade, cooperação, obediência às regras, senso de responsabilidade, iniciativa pessoal e
grupal. É jogando que se aprende o valor do grupo como força integradora, da colaboração
consciente e espontânea e o sentido da competição salutar.
Com crianças, a utilização dos jogos no ensino torna-se mais imperiosa. Brincando e jogando,
a criança aplica seus esquemas mentais à realidade que a cerca, apreendendo-a e assimilando-a.
Brincando e jogando, a criança reproduz as suas vivências, transformando o real de acordo com seus desejos e interesses. Por isso, pode-se dizer que é através do brinquedo e do jogo que a
criança expressa, assimila e constrói a sua realidade.
A ideia de aplicar o jogo à educação difundiu-se principalmente a partir do movimento da
Escola Nova e da adoção dos métodos ativos. No entanto, esta ideia não é tão nova nem tão
recente quanto possa parecer. Em 1632, Comenius terminou de escrever sua obra Didática
magna, na qual preconizava a utilização de um método "de acordo com a natureza" e
recomendava a prática de jogos, por causa de seu valor formativo.
No século XVIII, Rousseau e Pestalozzi afirmavam que a educação não deveria ser um
processo artificial e repressivo, mas um processo natural, de acordo com o desenvolvimento
mental da criança e que levasse em consideração seus interesses e suas tendências inatas.
Salientaram a importância dos jogos como instrumento formativo, pois, além de exercitar o
corpo, os sentidos e as aptidões, os jogos também preparavam para a vida em comum e para as
relações sociais.
Froebel, que viveu de 1782 a 1852, pregava uma pedagogia da ação, e mais particularmente
do jogo. Ele dizia que a criança, para se desenvolver, não devia apenas olhar e escutar, mas agir
e produzir. Essa necessidade de criação, de movimento, de jogo produtivo deveria encontrar seu
canal de expansão através da educação. Como a natureza da criança tende à ação, a educação
deveria levar em conta seus interesses e suas atividades espontâneas. Por isso, considerava que o
trabalho manual, os jogos e os brinquedos infantis tinham uma função educativa básica: é por
meio dos jogos e brinquedos que a criança adquire a primeira representação do mundo e é por
meio deles também que ela penetra no mundo das relações sociais, desenvolvendo um senso de
iniciativa e auxilio mútuo.
No seu trabalho docente, Froebel pôs em prática a teoria do valor
educativo do brinquedo e do jogo, principalmente no jardim de infância. Para isso elaborou um
currículo centrado em jogos para a iniciação à matemática e para o desenvolvimento da
expressão e da percepção sensorial.
Como vemos, alguns dos grandes educadores do passado já reconheciam o valor pedagógico
do jogo e tentavam aproveitá-lo como agente educativo.
Ronca e Escobar afirmam que os "jogos e simulações não são brinquedos que o educador
possa usar para 'criar um clima gostoso em sala de aula' ou apenas para variar as estratégias.
Pelo contrário, eles não só devem fazer parte do planejamento de ensino visando a uma situação
de aprendizagem muito clara e específica, como exigem certos procedimentos para a sua
elaboração e aplicação".
O professor deve usar sua inventividade para criar seus próprios jogos, de acordo com os
objetivos de ensino-aprendizagem que tenha em vista e de forma a adequá-los ao conteúdo a ser
estudado.
Apresentamos, a seguir, algumas sugestões que o ajudarão a utilizar os jogos de forma mais
adequada e proveitosa no ensino:
a) Defina, de forma clara e precisa, os objetivos a serem atingidos com a aprendizagem. Os
jogos podem ser usados para adquirir determinados conhecimentos (conceitos, princípios e
informações), para praticar certas habilidades cognitivas e para aplicar algumas operações
mentais ao conteúdo fixado.
b) Determine os conteúdos que serão abordados ou fixados através da aprendizagem pelo jogo.
c) Elabore um jogo ou escolha, dentre a relação de jogos existentes, o mais adequado para a
consecução dos objetivos estabelecidos.
O mesmo jogo pode ser utilizado para alcançar objetivos diversos e para abordar ou fixar os
mais variados conteúdos.
d) Formule as regras de forma clara e precisa para que não deem margem a dúvidas, no caso da
criação ou invenção de novos jogos.
e) Especifique os recursos ou materiais que serão usados durante a realização do jogo,
preparando-os com antecedência ou verificando se estão completos e em perfeito estado para
serem utilizados.
f ) Explique aos alunos, oralmente ou por escrito, as regras do jogo, transmitindo instruções claras
e objetivas, de modo que todos entendam o que é para ser feito ou como proceder.
g) Permita que os participantes, após a execução do jogo, relatem o que fizeram, perceberam,
descobriram ou aprenderam.
O uso de jogos no ensino não deve ser considerado um evento ao acaso ou uma atividade
isolada, com um fim em si mesmo. Deve ser considerada uma atividade dentro de uma
sequência definida de aprendizagem e um meio a ser usado para alcançar certos objetivos
educacionais.
Dramatização
A dramatização consiste na representação, pelos alunos, de um fato ou fenômeno, de forma
espontânea ou planejada. É uma técnica ativa e socializada, de grande valor formativo, pois
integra as dimensões cognitiva e afetiva do processo educacional e instrucional.
A técnica da dramatização pode também ser denominada desempenho de papéis (role
playing). Esta é uma atividade criadora por natureza, na qual os alunos, baseados em suas
observações, representam situações reais de vida e expressam sentimentos e emoções.
A dramatização, como prática educativa, deve ser considerada uma atividade dentro de uma
sequência definida de aprendizagem e um recurso a ser usado para atingir certos objetivos
educacionais.
A técnica da dramatização pode ser usada para a aquisição de determinados conhecimentos,
para desenvolver certas habilidades ou para favorecer o relacionamento e a interação entre os
alunos.
Do ponto de vista didático, a técnica da dramatização apresenta os seguintes objetivos:
1. Propiciar uma situação de aprendizagem clara e específica que facilite a percepção e análise
de situações reais de vida, ajudando o aluno a compreender melhor os fatos e fenômenos
estudados.
2. Facilitar a comunicação de situações problemáticas e sua posterior análise, evidenciando os
pontos críticos e contribuindo para a indicação de possíveis alternativas de solução.
3. Desenvolver a criatividade, o senso de observação e a capacidade de expressar-se pela
representação corporal e dramática.
Portanto, a técnica da dramatização leva o aluno a concretizar uma situação-problema,
ajudando-o a analisá-la e melhor compreendê-la, em busca de uma possível solução.
O uso da dramatização no processo didático contribui para aumentar o nível de motivação dos
alunos, estimulando o seu interesse pela aprendizagem, pois supõe um envolvimento maior e
favorece a participação mais intensa do aluno no ato de aprender.
Bordenave e Pereira afirmam que "tecnicamente a dramatização é uma forma particular do
estudo de casos", pois ajuda a "desenvolver a 'empatia', isto é, capacidade de os alunos se
colocarem imaginariamente em um papel que não é o próprio".
A dramatização pode ser de dois tipos ou modalidades:
a) Planejada — Nesse caso os alunos preparam a representação, selecionando as personagens e
discutindo os papéis que vão desempenhar. Se acharem necessário, podem também montar o
cenário mais adequado para o desenvolvimento da dramatização.
b) Espontânea — Nesse caso a dramatização não é planejada, e os alunos intervêm nela no
momento que decidirem, por acharem oportuno, improvisando a representação.
Ronca e Escobar dizem que "qualquer que seja o tipo de simulação algumas características
estão sempre presentes:
— os participantes assumem papéis que são representativos do mundo real e tomam decisões de
acordo com os papéis assumidos;
— os participantes experienciam consequências simuladas que estão relacionadas com suas
decisões e sua performance geral;
— os participantes acompanham os resultados de suas ações e são levados a refletir sobre as
relações entre suas decisões e as consequências".
O desenvolvimento da técnica da dramatização se realiza através das seguintes fases:
a) Caracterização da situação - Nessa fase, o professor, em conjunto com os alunos, caracteriza a situação a ser dramatizada.
Se a representação for planejada, é neste momento que os alunos se reúnem para escolher
suas personagens e trocar ideias sobre os papéis que vão desempenhar.
Cabe ao professor definir claramente o objetivo da dramatização, explicitando-o para a classe.
Também devem ser transmitidas aos alunos as informações necessárias sobre o assunto ou
conteúdo que será objeto da dramatização, para seu melhor desenvolvimento.
b) Representação - Essa é a fase da dramatização propriamente dita, em que os alunos representam uma
determinada situação, fato ou fenômeno, para melhor estudá-los.
A dramatização constitui uma situação de aprendizagem em que há menos censura e na qual a
livre iniciativa, a exploração e a descoberta, tanto individual como grupal, podem ser
encorajadas.
c) Discussão - Primeiramente, os participantes relatam suas impressões sobre a cena desenvolvida, dizendo o
que perceberam, sentiram ou compreenderam. Depois, todos os alunos, sob a orientação do
professor, analisam a situação dramatizada e o tema abordado.
O uso da dramatização na sala de aula exige do educador alguns cuidados, principalmente com
alunos que não saibam lidar com conflitos e situações grupais, devido ao intenso envolvimento
emocional que acarreta. O professor também precisa tomar precaução ao utilizar esta técnica
com indivíduos tímidos e acanhados e com aqueles que têm medo de se submeter à opinião de
seus colegas. Não se deve excluir antecipadamente esses alunos deste tipo de atividade, mas
compete ao professor fazer uma preparação prévia, incentivando-os a participar e orientando-os
de forma que eles possam expressar livremente suas ideias, suas opiniões e seus sentimentos
numa situação em que existe menos censura e mais aceitação por parte do grupo.
Na prática da dramatização, o papel do professor é o de orientador e facilitador da
aprendizagem. Sua função é estimular os alunos a expressar ideias e sentimentos.
Estudo de casos
O estudo de casos é uma técnica que consiste em apresentar aos alunos uma situação real,
dentro do assunto estudado, para que analisem e, se for necessário, proponham alternativas de
solução. É uma forma de os alunos aplicarem os conhecimentos teóricos a situações práticas.
O estudo de casos é uma variação da técnica de solução de problemas.
Caracteriza-se,
principalmente, pelo fato de as situações propostas serem reais ou baseadas na realidade. Isto
significa que os casos apresentados devem ser, de preferência, reais. No entanto, o professor
pode elaborar alguns casos hipotéticos, tendo sempre como parâmetro a realidade.
Em geral, a situação é apresentada aos alunos por escrito, em forma de descrição, narração,
diálogo ou artigo jornalístico. Pode também ser apresentada por meio de um filme.
O estudo de casos, como técnica didática, apresenta os seguintes objetivos básicos:
a) Oferecer oportunidade para que o aluno possa aplicar os conhecimentos assimilados a
situações reais.
b) Criar condições para que o educando exercite a atitude analítica e pratique a capacidade de
tomar decisões.
Irene Carvalho diz que o estudo de casos "favorece a participação ativa, é muito dinâmico e
estabelece excelentes correlações com o real, sendo portanto altamente motivador".
Deve ser
usado "sempre que, no ensino, seja preciso levar o aluno a compreender uma situação e a
interpretar fatos, como fundamento para uma ação posterior. (...) Além de ter por objetivo
incrementar a aprendizagem, torná-la mais viva e dinâmica, visa também à formação de boas
atitudes de convívio social (capacidade de ouvir, habilidade em apresentar os próprios pontos de
vista, respeito pelas opiniões alheias, aprender a discordar sem agressividade etc."
Existem dois tipos de casos que podem ser propostos aos alunos, de acordo com o objetivo que
se tem em vista: o caso-análise e o caso-problema.
Bordenave e Pereira fazem a distinção entre essas duas modalidades de casos, dizendo que "o
caso-análise tem como objetivo desenvolver a capacidade analítica dos alunos. (...) Tudo que se
pretende dos alunos com o caso-análise é que a situação seja discutida, 'destrinchada', sem
aspirar a chegar a solução alguma, já que muitas soluções alternativas poderiam ser possíveis
dentro do marco dos dados fornecidos pelo caso. O caso-problema, porém, tem um objetivo
diferente: trata-se de um esforço de síntese, isto é, de chegar a uma solução, a melhor possível
dentro dos dados fornecidos pelo caso. O objetivo educacional aqui é desenvolver a capacidade
de tomar decisões, de adotar uma linha de ação depois de analisar várias alternativas. O professor deve distinguir esta diferença de objetivos entre o caso-análise e o caso-problema, para
não se deixar levar, no caso de análise, pela tendência natural dos alunos a chegar a conclusões
únicas e dogmáticas. Se o professor deixar nos alunos a impressão de que o propósito do
exercício é chegar a uma solução, estes podem ficar frustrados ao termo da sessão por não
terem conseguido um consenso geral. No caso-análise o consenso geral não é o propósito
almejado".
Na técnica do estudo de casos, as situações podem ser apresentadas aos alunos individualmente
ou em grupos. Mesmo quando as situações forem propostas a cada aluno individualmente, deve
haver, após o estudo individual do caso, uma discussão em grupos, seguida de um debate geral
com toda a classe.
Para o melhor desenvolvimento da técnica de estudo de casos, convém o professor adotar os
seguintes procedimentos:
1. Quanto ao planejamento:
1.1. Definir o objetivo a ser alcançado com a utilização da técnica, estabelecendo os
conhecimentos a serem aplicados na análise do caso e as habilidades cognitivas a serem
praticadas.
1.2. Selecionar um fato real relacionado ao conteúdo estudado, ou elaborar uma situação
hipotética, tendo por base dados da realidade.
1.3. Prever o tempo necessário para o trabalho individual, quando for o caso, para o trabalho
em grupo e para a síntese final.
2. Quanto à execução:
2.1. Explicar o desenvolvimento da técnica para os alunos.
2.2. Apresentar o caso aos alunos, por escrito ou através de um filme. Primeiramente os alunos
devem ler o material escrito ou assistir ao filme, para se inteirarem do caso apresentado;
depois, devem analisar a situação exposta com consulta às fontes desejadas e, quando for
necessário, propor alternativas de solução para o caso.
2.3. Pedir aos alunos para relatarem aos demais o resultado de suas análises, fazendo uma
síntese do trabalho de cada grupo. Quando se fizer necessário, aclarar os conceitos aplicados
no estudo do caso.
Estudo do meio
Estudo do meio é uma técnica que permite ao aluno estudar de forma direta o meio natural e
social que o circunda e do qual ele participa.
É uma prática educativa que se utiliza de entrevistas, excursões e visitas como formas de
observar e pesquisar diretamente a realidade. No entanto, não se deve confundir o estudo do
meio com uma simples excursão, visita ou viagem. É uma atividade mais ampla, que começa e
termina na sala de aula, embora se desenvolva em grande parte fora dela. Assim sendo, o estudo
do meio é uma atividade curricular extraclasse, que consiste em promover o estudo de parcelas
significativas da realidade por meio da observação e pesquisa realizadas diretamente pelos
alunos.
Newton César Baizan diz que o "estudo do meio é, antes de mais nada, uma atividade não
livresca. Ele se inicia na própria sala de aula, quando é proposto e planejado a partir de um
problema mais geral e termina também na sala de aula, quando os resultados das visitas,
entrevistas etc., são explorados em profundidade e avaliados. Mas ele é experiência, e, mais que
isso, vivência. (...) É atividade permanente, não apenas atividade física, mas principalmente
mental, no sentido de elaboração, que apela para esquemas já atingidos e os põe em execução. É
uma técnica de grande importância, pois é através dela que se leva o aluno a tomar contato com
o complexo vivo, com um conjunto significativo que é o próprio meio, onde natureza e cultura se
interpenetram. O aluno sintetiza, observa, descobre".
No estudo do meio o aluno é mobilizado para a ação. Aqui o termo ação deve ser entendido
não apenas como atividade física, como movimento, mas principalmente como atividade
intelectual, cognitiva. O aluno é mobilizado para a ação porque é estimulado a participar
diretamente no planejamento do estudo do meio, na proposição de seus objetivos, na sua
execução por intermédio da realização de entrevistas, visitas, coleta de dados (informações e
materiais), na organização e interpretação dos dados colhidos, na elaboração das conclusões
gerais e na avaliação do estudo do meio no que se refere ao seu processo e ao seu resultado.
O estudo do meio difundiu-se a partir do trabalho pedagógico de Freinet, que o utilizava como
uma prática educativa nas escolas onde lecionou. Roger Gilbert, descrevendo o trabalho
pedagógico de Freinet em 1928, na escola da aldeia de Saint Paul-de-Vence, relata: "as crianças
passam a tomar o hábito das técnicas novas. Apaixonam-se pelos trabalhos executados na sua
aldeia, transformam-se muito naturalmente em entrevistadores, informam-se segundo a natureza
das suas investigações, multiplicam as visitas e desenvolvem, para dizer tudo, a mais dinâmica
das atividades".
O estudo do meio como técnica pedagógica apresenta os seguintes objetivos básicos:
1. Criar condições para que o aluno entre em contato com a realidade circundante, promovendo
o estudo de seus vários aspectos de forma direta, objetiva e ordenada.
2. Propiciar a aquisição de conhecimentos geográficos, históricos, econômicos, sociais, políticos,
científicos, artísticos etc., de forma direta por meio da experiência vivida.
3. Desenvolver as habilidades de observar, pesquisar, descobrir, entrevistar, coletar dados,
organizar e sistematizar os dados coletados, analisar, sintetizar, tirar conclusões e utilizar
diferentes formas de expressão para descrever o que observou.
O estudo do meio favorece a integração e a coordenação dos vários componentes curriculares
(disciplinas e áreas de estudo), ajudando o educando a perceber de forma integrada os fatos
físicos, econômicos, sociais, políticos e artísticos, tais como aparecem na realidade. Imídeo
Nérici afirma que "o estudo do meio se presta para trabalhos de alto valor informativo e
formativo para o educando, principalmente pelo seu aspecto integrativo, uma vez que um mesmo
fato do meio pode ser estudado por todas ou quase todas as disciplinas de um currículo, o que
torna os estudos mais ricos e significativos".
Assim sendo, o estudo do meio pode abranger
várias disciplinas e áreas de estudo integrantes do currículo, permitindo que fatos e fenômenos,
geralmente estudados na escola de modo isolado e compartimentalizado, possam ser observados
e analisados de forma integrada e dentro de um contexto mais amplo, como se apresentam na
realidade.
O estudo do meio deve ser planejado, executado e avaliado com seriedade. Por isso, apresenta
as seguintes fases:
1. Planejamento — É a fase em que se delimita a problemática e se definem os aspectos da
realidade a serem estudados para solucionar o problema proposto.
Os alunos planejam, em conjunto com o professor, a realização do estudo do meio, definindo
aquilo que será objeto de estudo, estabelecendo todos os aspectos a serem observados,
prevendo as visitas e entrevistas a serem realizadas e indicando a bibliografia a ser consultada
antes de sua execução. Durante o planejamento, "os alunos são motivados para o estudo do
meio, que desde essa fase já se lhes afigura como algo sério, um estudo de fato e não um
passeio".
É na fase de planejamento que professores e alunos, em conjunto, levantam padrões de
comportamento a serem seguidos, analisando a atitude que deve ser assumida durante a
execução do estudo do meio, para que este se torne uma experiência de aprendizagem rica e
séria. Esta reflexão sobre as normas de conduta ajuda a desenvolver nos alunos a
autodisciplina.
2. Execução — É o estudo do meio propriamente dito. É nessa fase que os alunos fazem as visitas
e entrevistas programadas, pesquisando, observando, perguntando, anotando, coletando e
comparando dados.
3. Exploração e apresentação dos resultados — Nesta fase, os alunos organizam, sistematizam e
interpretam os dados coletados, extraindo conclusões. Essas conclusões devem ser analisadas e
discutidas pelo grupo-classe.
Os alunos que participaram do estudo do meio podem elaborar um relatório das atividades
realizadas (visitas, entrevistas etc.), a partir das anotações feitas e dos dados coletados. Essa
fase atinge sua culminância com um painel ou com uma assembleia de síntese, em que
professores e alunos reunidos selecionam as ideias básicas e analisam os conceitos abordados
durante o estudo do meio e previstos no planejamento. Cabe ao professor esclarecer as dúvidas
enunciadas pelos alunos e surgidas durante o estudo do meio, bem como explicitar as ideias e
conceitos estudados, sistematizando-os.
4. Avaliação — O estudo do meio deve ser avaliado pelos professores e alunos conjuntamente, no
sentido de verificar se os objetivos propostos para esta atividade foram realmente atingidos.
Tanto o processo como o produto devem ser avaliados, isto é, todos os aspectos envolvidos
devem ser analisados criticamente: os conhecimentos e habilidades adquiridos; a quantidade e
qualidade dos dados coletados; a forma de organizar estes dados e as conclusões propostas; o
nível das discussões em grupo e dos relatórios elaborados; a atitude dos participantes e sua
autodisciplina.
O papel do professor no estudo do meio é o de orientar e coordenar seu planejamento,
execução e avaliação. Cabe a ele sugerir problemas para estudo, estimular a pesquisa, orientar os
alunos na proposição de hipóteses e ajudá-los a tirar conclusões de suas observações e pesquisas.
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