quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Método de projetos

O método de projetos foi sistematizado por William Kilpatrick, discípulo de John Dewey. Kilpatrick desenvolveu seu trabalho no Teachers College, da Universidade de Colúmbia, em Nova York. Ele idealizou esse sistema didático baseando-se no pensamento pedagógico de John Dewey e no trabalho de seu mestre na escola primária experimental da Universidade de Chicago.
Teoricamente, fundamentou-se na psicologia funcional da qual Dewey era o fundador. Esse filósofo e educador afirmava que o interesse não se contrapõe ao esforço, mas são duas faces de uma mesma realidade. Para Dewey, "o que se chama interesse é o aspecto interno da experiência, o que move o educando e assim é por ele sentido; o que se chama esforço é o aspecto externo pelo qual podemos observar a situação funcional resultante.
Na realidade, não há interesse sem dispêndio de energia, em ação continuada para alcançar um alvo; reciprocamente, o esforço é o interesse em ação, sob forma ativa, ou dinâmica. (...) Do ponto de vista prático, nos modelos da ação educativa, Dewey insistia em que o interesse não pode ser assimilado a um simples artifício, pelo qual se tornem agradáveis as tarefas inadequadas aos níveis de desenvolvimento dos educandos, sua experiência e recursos de direção própria. O que há a fazer é aproveitar as energias motivadoras, de início dispersas, em formas que pouco a pouco possam integrar-se, seja por efeito daquilo que os alunos diretamente percebam, ou pelo que suas representações ou criações imaginativas ofereçam. E isso só se torna possível, quando se admite o papel que os propósitos pessoais representam na ordenação das atividades".

Desse pressuposto geral que afirma a inter-relação entre interesse e esforço, decorrem vários outros princípios:

a) A aprendizagem deve realizar-se através da atividade própria do educando. b) O trabalho educativo deve adequar-se aos níveis de desenvolvimento do aluno.

c) A educação não é uma mera preparação para uma vida futura, mas é a própria vida. Vida e educação tornam-se uma e a mesma coisa. Por isso, a ação de educar deve estar intimamente relacionada com as atividades da vida real.

d) O pensamento é considerado um instrumento de adaptação ou ajustamento individual. Isto significa que o pensamento se origina de uma situação problemática e decorre da necessidade de ajustamento do homem ao ambiente físico ou ao meio social e cultural em que vive. O pensamento não se forma isolado da ação; logo, pensamento e ação estão interligados.

e) É preciso considerar não só o valor prático de nossos atos, mas a sua eficácia na vida social. Nós agimos no meio social fazendo parte de vários grupos, dos quais somos membros. Por isso, é preciso aprender a cooperar e agir em comunidade, somando esforços e tendo em vista o bem comum. Este é o princípio da eficácia social. A concepção educativa que fundamenta o método de projetos ressalta a importância das relações humanas e determina que um dos objetivos do trabalho escolar seja o desenvolvimento dessas relações.
No método de projetos, o ensino realiza-se através de amplas unidades de trabalho com um fim em vista e supõe a atividade propositada do aluno, isto é, o esforço motivado com um propósito definido.
O projeto é uma atividade que se processa a partir de um problema concreto e se efetiva na busca de soluções práticas. É por isso que o professor Nérici diz que "o método de projetos consiste em levar o educando, individualmente ou em grupo, a projetar algo de concreto e executá-lo.(...) Dos mesmos princípios que propiciaram o advento do método de problemas saiu o método de projetos. Enquanto o método de Dewey procura atuar mais no campo do intelecto, o de Kilpatrick procura atuar mais no campo da prática, da realização efetiva".
Portanto, enquanto o problema escolar pode ser inteiramente abstrato e formal, o projeto, ao contrário, tem que exprimir uma situação de vida real. Irene Carvalho diz que "o projeto se ajusta ao conhecimento que parte da experiência sensível e que se expressa pela realização de algo concreto, material. O método de problemas, por outro lado, se aplica sobretudo a questões predominantemente intelectuais, a disciplinas que pressupõem compreensão de ideias e julgamentos de valor".

O método de projetos é socioindividualizado, pois supõe atividade individual e grupal, e caracteriza-se por cinco aspectos básicos:

a) o objetivo principal é o desenvolvimento do raciocínio aplicado à vida real, e não a simples memorização de informações;

b) o ato problemático desencadeia o projeto, despertando o exercício do pensamento com valor funcional; o projeto pretende resolver um problema concreto ou confeccionar algo material;

c) a aprendizagem é realizada em situação real, integrando pensamento, sentimento e ação dos educandos;

d) a informação é procurada e pesquisada pelo aluno a partir da necessidade de solucionar um ato problemático e servir a uma situação real, permitindo-lhe construir sua experiência e pôr à prova suas próprias conclusões;

e) o ensino é globalizado, criando condições para a interdisciplinaridade, pois as disciplinas não são transmitidas isoladamente, mas integradas em função do projeto a ser realizado.

Os projetos devem ser propostos, preferencialmente, pelos próprios alunos. Às vezes, o professor pode sugerir um projeto, mas este não deve ser imposto.

O método de projetos não tem procedimentos rígidos nem estereotipados. No entanto, alguns didatas afirmam que ele pode seguir certas etapas como as apresentadas abaixo:

a) Escolha do projeto, sempre que possível, pelos próprios alunos.

b) Planejamento do trabalho com a previsão das tarefas necessárias para sua realização.

c) Coleta de informações e obtenção do material previsto para a efetivação do projeto.

d) Execução do projeto.

e) Apresentação em classe do trabalho executado.

f) Apreciação e avaliação do trabalho realizado.

No método de projetos, a atividade do aluno é fundamental. O professor desempenha o papel de facilitador e orientador da aprendizagem, assistindo os alunos quando se fizer necessário.

O método de projetos deu margem a certas variações. Dele surgiram novas modalidades de ensino, como as unidades de trabalho e as unidades de experiência. Nas unidades de trabalho, o ensino se realiza em torno de um tema central, de forma globalizada e interdisciplinar, e abrange estudo individual e atividades de grupo. As unidades de experiência, por sua vez, enfatizam o valor da experiência direta no ensino, e utilizam o meio físico e social em que o aluno vive como o centro aglutinador do trabalho escolar.

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