domingo, 20 de setembro de 2026

Os povos Tupi-Guarani

Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Os povos falantes de idiomas do grupo tupi se formaram há cerca de 5 mil anos, em uma vasta região do norte do atual território do país, onde atualmente fica Rondônia. Uma parte desses povos permaneceu nessa área, mas outros se espalharam em diversas direções. 
Uma das famílias de línguas tupi, que os pesquisadores chamaram de tupi-guarani, apresentou a mais rápida e ampla expansão territorial. Outro grupo linguístico importante, que reunia diversos povos no interior do território, era o macro-jê.
Há indícios de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”, um lugar onde havia fartura e não se morria. 
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.
Esses grupos saíram da parte sul da região amazônica em direção às áreas central e meridional do território. Nos locais em que se estabeleciam, cultivavam milho e mandioca usando a técnica da coivara. Essa técnica consiste na derrubada e na queimada de partes da floresta a fim de abrir espaço para a plantação.
O uso contínuo dessa técnica esgotava rapidamente o solo. Por isso, os grupos indígenas precisavam se mudar com frequência em busca de outras áreas de plantio. Essa constante necessidade de deslocamento favoreceu a difusão da prática agrícola pelo território.

Muitos povos, muitas rivalidades


Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios. 
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré, Tremembé etc.
Os Tupi-Guarani dominavam o plantio de mandioca e do milho, e sabiam explorar os recursos das florestas tropicais, tanto na Amazônia quanto nas áreas da Mata Atlântica. Eram habilidosos produtores de cerâmica, que utilizavam para fins diversos e em cerimônias fúnebres.
As aldeias e os agrupamentos humanos tinham proporções variadas, mas, em geral, eram formadas por poucas centenas de pessoas, sob comando de um chefe guerreiro. Não havia diferenças sociais marcantes e o prestígio de alguém dependia das próprias habilidades, especialmente nas artes da guerra.
Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando ocorria a morte de um líder.
Os diferentes povos tupis-guaranis nutriam rivalidades entre si e com outros grupos, por isso guerreavam com frequência. As rivalidades ancestrais eram revividas a cada guerra ou confronto, em que os inimigos aprisionados eram mortos e, por meio de um ritual, eram devorados por todos os habitantes da aldeia. Com tais rituais antropofágicos, vingavam a morte dos ancestrais e, ao mesmo tempo, acreditavam adquirir as virtudes do guerreiro sacrificado.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião, pessoas de outras aldeias eram convidadas a participar do ritual.  Entre os Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento de tributos.
Ao praticar a antropofagia, os indígenas acreditavam que assumiriam as qualidades do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo com a onça, animal que admiravam e temiam. Isso explica por que eles não comiam animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém desejava ser.

A cerâmica tupi-guarani e os sítios arqueológicos


A imagem a seguir é uma fotografia de uma escavação no sítio arqueológico Domingos, próximo ao rio Parauapebas (Pará). No centro da imagem, você pode observar um vaso largo de cerâmica, datado de cerca de 650 d.C., desenterrado pelas equipes de arqueologia. Esses objetos foram encontrados embaixo da chamada Terra Preta de Índio (TPI), um tipo de solo muito fértil, produzido pelos povos originários por meio de mistura com resíduos orgânicos (restos de animais e plantas).
Os vestígios encontrados no sítio Domingos mostram que o local serviu de habitação permanente para grupos tupis-guaranis, pois possui grande quantidade de material cerâmico, além de material de pedra lascada e polida.

Fotografia de data desconhecida que mostra vasilhame inteiro encontrado em escavação no sítio arqueológico
Domingos, no estado do Pará.



Os Marajoara

Na foz do Rio Amazonas, no Pará, existe uma ilha chamada Marajó. Há aproximadamente 1600 anos, habitou esse local um dos principais povos agricultores: os Marajoara. Pesquisas realizadas nos sítios arqueológicos indicam que em seu auge, entre os anos 1000 e 1300, a população pode haver alcançado até 100 mil pessoas.
Os primeiros habitantes de Marajó chegaram à ilha por volta de 5000 a.C. e formaram uma sociedade cujo meio de vida também estava integrado ao movimento das cheias e das secas.
Durante o período das inundações, peixes e tartarugas iam dos leitos profundos dos rios para as regiões alagadas em busca de alimento ou para botar ovos. Quando as águas diminuíam, os peixes nem sempre conseguiam voltar para o leito do rio e ficavam presos em lagoas e grandes poças de água. Formavam-se, assim, verdadeiros tanques naturais cheios de peixes que permitiam alimentar uma população numerosa.
Com uma dieta rica em peixes e tartarugas, os marajoaras contavam ainda com uma área mais fértil da ilha, onde se plantava mandioca, e realizavam o manejo de espécies da mata, como o buriti e o açaí. Não se sabe exatamente a razão, mas, por volta de 400 d.C., os antigos marajoaras passaram a alterar em grande escala o ambiente e viveram a partir daí um longo período de transformações em sua cultura material. 
Na época das secas, eles passaram a transportar terra das regiões que tinham sido mais alagadas para as regiões mais altas. Assim, eles aumentaram a extensão das áreas secas, criando morros artificiais, chamados de “tesos” pelos moradores atuais da ilha. Ao mesmo tempo, os marajoaras aumentaram a profundidade dos poços e das represas onde os peixes ficavam presos no fim da época das cheias.
Esse engenhoso sistema parece ter garantido uma oferta mais segura e variada de alimentos: os marajoaras passaram assim a controlar melhor os viveiros de peixes. Com o crescimento desse sistema, houve uma diferenciação social mais intensa e, com ela, o surgimento de uma elite que controlava os poços e as represas em torno dos tesos onde moravam.
A sociedade marajoara provavelmente era dividida por funções sociais: algumas famílias se responsabilizavam pela caça, outras pelo artesanato e outras assumiam funções religiosas e de governo. Os principais vestígios deixados pela cultura marajoara foram suas cerâmicas. 

As artes marajoaras


Em alguns tesos, foram descobertas numerosas sepulturas que continham “bens funerários”, isto é, objetos que eram enterrados com os mortos. Os vestígios analisados revelam que os Marajoara desenvolveram uma extraordinária cultura em torno das cerimônias fúnebres, usadas para distinguir as pessoas comuns das integrantes da elite que dominava os tesos.
Os mais fascinantes objetos da cultura material marajoara que chegaram até os nossos dias foram suas cerâmicas: vasos, cachimbos, estatuetas e objetos ritualísticos diversos, como as urnas funerárias.

Urna funerária marajoara datada de 400 d.C.-1400 d.C. Urna funerária em forma de um animal (zoomorfa), com motivo decorativo pintado em preto e vermelho, e apliques em relevo de boca, olhos e nariz. Embora o significado das decorações tenham se perdido com o tempo, sabe-se que essas urnas tinham uma função sagrada. 
O povo marajoara acreditava que as urnas eram um meio de passagem para outra vida. Os mortos eram enterrados em urnas de diversos tamanhos, algumas vezes ricamente adornadas e outras vezes lisas. A decoração mais elaborada indicava que o morto possuía um lugar de destaque na sociedade.

Estatueta antropomorfa representando uma mulher grávida. As estatuetas marajoaras são caracterizadas por atributos femininos, como seios, e pela diversidade de decoração, como tamanho e forma. Algumas reúnem características do sexo feminino e do masculino no mesmo objeto. Muitas delas eram utilizadas como instrumentos musicais, por isso são ocas e possuem pedrinhas em seu interior. 
Por terem sido sempre encontradas em cemitérios, é possível inferir que possuíam função cerimonial e, provavelmente, eram utilizadas em rituais. A posição da estatueta remete à posição de parto usada pelas mulheres nas sociedades amazônicas. 



Os zapotecas

Os zapotecas viveram na região de Oaxaca, localizada no litoral do Pacífico e formada pelas montanhas e vales da Sierra Madre del Sur, no México. Evidências arqueológicas indicam que eles chegaram, por volta de 2500 a.C., aos três vales e às áreas elevadas que formam essa região. Aproveitando-se dos rios, cultivaram o milho e desenvolveram ao menos três sociedades diferentes, que aparentemente competiam entre si.
Por volta de 500 a.C., os zapotecas começaram a construir, em uma área denominada Monte Albán, um importante centro urbano com vários espaços monumentais e edifícios dedicados à religiosidade, à habitação e a funções administrativas. Esse espaço parece ter contribuído para unificar a defesa das aldeias ao redor contra inimigos. Ele também representou o surgimento de uma organização política dos zapotecas, que expandiu seu domínio sobre a região de forma crescente até chegar ao auge, entre 100 a.C. e 200 d.C.
Do Monte Albán, os zapotecas exerceram controle sobre todo o Vale de Oaxaca e estenderam suas conquistas e influência para outras regiões com contatos comerciais e culturais. Esse crescente domínio transcorreu ao longo de centenas de anos até que, por volta de 500 d.C., Monte Albán entrou em declínio. Posteriormente, um povo chamado mixteca tomou a cidade.
Os zapotecas eram politeístas, cultuavam deuses relacionados a aspectos de seu cotidiano e a suas crenças e valores, como: o deus da chuva e dos trovões, Pitao Cocijo; o deus do milho, Pitao Cozibi; e o deus dos mortos, Coqui Bezelao. Os sacerdotes eram responsáveis por organizar os ritos religiosos sagrados que pudessem favorecer as plantações e as colheitas, realizando, inclusive, sacrifícios humanos como forma de venerar seus deuses.

Escultura em cerâmica de Camazotz, deus-morcego zapoteca, datado entre 300 d.C. e 900 d.C. Na cultura zapoteca, o morcego era associado com a noite, com a morte e com o sacrifício. O culto a esse deus iniciou-se por volta de 100 a.C.


Olmecas

O desenvolvimento do cultivo de milho, entre 1200 e 400 a.C., foi fundamental para os povos da Mesoamérica, pois permitiu a eles que se tornassem sedentários. Um desses povos vivia em uma região conhecida como “lugar da borracha”, que, na língua dos antigos astecas, era chama da de Olman. Por isso, esse povo passou a ser chamado de olmeca. 
Os olmecas fixaram-se na região do Golfo do México por volta do século XII a.C. A região tinha água e fauna abundantes, o que facilitava o plantio de alimentos e as atividades de caça e pesca. A cultura olmeca espalhou sua influência por uma vasta área que se estende, atualmente, do México (estados de Veracruz e Tabasco) ao Panamá. 
Os olmecas habitavam os vales dos rios e passaram a se dedicar à agricultura, aprimorando técnicas de plantio, construindo plataformas de terra e canais de irrigação. Com o tempo, a ampliação na capacidade de produzir alimentos provocou o crescimento populacional.
Para promover o encontro entre suas aldeias, eles construíram locais marcados pela presença de grandes monumentos de pedra e amplos espaços, onde praticavam rituais religiosos.
Pesquisas arqueológicas indicam a existência de, ao menos, quatro grandes centros urbanos olmecas, cujos nomes atuais são: São Lourenço, Três Zapotes, Laguna de Los Cerros e La Venta. 
Nesses lugares, os arqueólogos encontraram vestígios de uma rica cultura que construiu, entre outras obras, pirâmides, templos, praças e imensas esculturas de basalto. La Venta foi, provavelmente, o centro olmeca mais populoso, abrigando cerca de 18 mil habitantes.
Os olmecas cultivavam plantas como milho, feijão e abóbora. Também caçavam e recolhiam frutas silvestres. Extraíam látex e produziam borracha. Por isso, ficaram conhecidos como “povo da borracha”. 
A religião desse povo era politeísta. Eles cultuavam vários deuses, simbolizados por animais e forças da natureza, como o jaguar, a serpente, o Sol, a água, as montanhas e certas plantas agrícolas. Em alguns cultos, os dirigentes olmecas podiam atuar como sacerdotes, pois acreditava-se que eram dotados de poderes sobrenaturais.
Monumentos funerários, centros cerimoniais e esculturas sugerem que na sociedade olmeca havia alguma diferenciação social. Também foram encontradas grandes praças públicas, o que pode indicar que suas cerimônias religiosas eram realizadas ao ar livre.
Pesquisadores acreditam que, influenciados por trocas culturais com outros povos da região, os olmecas foram responsáveis pela criação das primeiras formas americanas de escrita e de um calendário. 
Os olmecas desenvolveram um calendário que servia para orientar as atividades agrícolas, do plantio à colheita. Inventaram também um sistema de numeração e de escrita com base em sinais (glifos) que eram gravados ou pintados. 
A sociedade olmeca não formou um império unificado, dirigido por um governo centralizado. O que havia eram centros regionais que organizavam sua sociedade. Nesses centros, os historiadores perceberam a existência de diversos grupos sociais, constituídos por camponeses, artesãos, comerciantes, escribas, sacerdotes e dirigentes políticos.
Não se sabe ainda o que provocou a decadência dessa sociedade por volta do século IV a.C., mas acredita-se que guerras e mudanças ambientais tenham causado um rápido declínio populacional dos olmecas.

Cabeça colossal olmeca, exposta no Museu La Venta, Villa hermosa, México. Foto de 2019. As cabeças olmecas foram esculpidas em pedra e podem medir três metros de altura e pesar até 20 toneladas. Os pesquisadores acreditam que essas esculturas representavam os governantes das cidades olmecas.

Teotihuacán 


Localizada na parte central do México, Teotihuacán é um dos mais impressionantes núcleos urbanos da Mesoamérica. A cidade formou-se pela união de várias aldeias, de diferentes grupos mesoamericanos, por volta do ano 100 a.C., e atingiu o auge na metade do século V, quando sua população chegou a cerca de 150 mil pessoas.
O centro de Teotihuacán, muito bem organizado e planificado, estava dividido em setores, cada um deles dedicado a uma atividade econômica. Havia também nesses setores grandes templos e edifícios públicos. Nas áreas destinadas às moradias da elite teotihuacana, os quarteirões eram regulares, com ruas e avenidas geometricamente desenhadas.
Após um longo período de existência, por volta de 900 a.C., Tenochtitlán entrou em declínio, provavelmente em razão de mudanças climáticas. Pesquisadores acreditam que as razões de seu colapso estão relacionadas a conflitos entre os diversos grupos sociais que a habitavam ou entre habitantes de outras cidades que pagavam tributos a Teotihuacán.
Com isso, La Venta passou a ser o principal centro da cultura olmeca até 400 a.C. Já o sítio arqueológico de Tres Zapotes, ocupado depois de desse ano, representa o momento do desaparecimento da cultura olmeca, lentamente incorporada e substituída por outras.
Parte da população migrou para outras áreas, e outra parte continuou vivendo no local, sob domínio dos toltecas.

Domínio tolteca 


Os toltecas eram povos nômades que viviam no norte do México. No século VIII, começaram a se deslocar para o sul e se estabeleceram na região central do México, assimilando muitos costumes dos morado res de Teotihuacán. Conheciam a metalurgia, praticavam a agricultura, a coleta e a caça, e comercializavam regularmente com povos do sul e do leste, trocando sobretudo obsidiana por algodão e cacau.
A capital tolteca era Tula, cidade que pode ter chegado a abrigar entre 20 mil e 50 mil pessoas durante o século XI, período em que atingiu seu auge. No século XII, porém, a cidade foi invadida e, na primeira metade do século seguinte, incendiada. 
Não é possível definir os motivos exatos do declínio da civilização tolteca. As principais explicações seriam a dificuldade de impedir o avanço de grupos invasores vindos do norte e as temporadas de seca, que teriam prejudicado a produção agrícola.

A invenção do milho


O milho que conhecemos hoje (Zea mays) é o resultado de um longo trabalho de desenvolvimento de técnicas de agricultura entre os primeiros povos americanos. Cultivado há milhares de anos, essa planta foi domesticada e tornou-se completamente dependente da ação humana para se reproduzir. Por isso, o milho pode ser considerado uma “invenção agrícola” dos povos originários da América.
O milho começou a ser cultivado desde aproximadamente 8 mil anos atrás, na região que corresponde ao atual México. Dali, foi levado para outras partes da América e incorporado à alimentação de vários povos. 
Os olmecas, por exemplo, consideravam o milho um alimento tão importante que, com o tempo, o tornaram uma planta sagrada, sendo utilizado em rituais artísticos e religiosos.
Atualmente, o milho é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. Ele é utilizado em diversos pratos tradicionais, como o taco, a polenta, a pamonha e a canjica. Além disso, é usado na fabricação de óleos, combustíveis e ração de animais.

A fotografia mostra algumas variedades de milho, cereal importante para várias civilizações americanas.

A cultura olmeca 


Os olmecas desenvolveram uma espécie de “cultura-mãe” de quase todas as outras culturas que a sucederam na região da Mesoamérica, como os maias. Eles criaram uma arte que incluía estátuas monumentais de pedra, cuja matriz foi encontrada em outras criações, de vários tamanhos e materiais, como a cerâmica e o jade. As peças retratam pessoas, animais e deuses com uma grande riqueza de detalhes.
A arte olmeca indica que esse povo reverenciava divindades ligadas aos fenômenos da natureza (como o sol e a chuva) e animais considerados sagrados, como a serpente e o jaguar. Ela revela ainda uma relação muito forte entre a agricultura do milho, os deuses e os rituais, que tinham como objetivo garantir ajuda divina para a abundância das colheitas.
Ainda existem muitas dúvidas sobre a cultura olmeca. Registros feitos em uma estela revelam, por exemplo, que os olmecas podem ter sido o primeiro povo da região a construir um calendário, fator que certamente ajudou a desenvolver essa sociedade agrícola. Outro aspecto marcante é a escrita deixada por eles, ainda não decifrada.

Escultura de pedra, produzida entre 1000 e 400 a.C. Esta imagem representa uma impressionante escultura olmeca, impressionante escultura olmeca, que revela a relação entre a que revela a relação entre a mitologia desse povo e as mitologia desse povo e as relações entre pais e filhos. relações entre pais e filhos. A figura masculina tem nos braços A figura masculina tem nos braços um bebê com traços característicos um bebê com traços característicos das figuras divinas, como uma das figuras divinas, como uma fenda sobre a cabeça e o formato fenda sobre a cabeça e o formato dos olhos. O bebê representa o dos olhos. O bebê representa o broto do milho e, por isso, o centro broto do milho e, por isso, o centro do mundo, pois o milho era o do mundo, pois o milho era o alimento fundamental dos olmecas, alimento fundamental dos olmecas, a base de sua sobrevivência.

Máscara olmeca, pedra verde, produzida entre 900 e 400 a.C. Os olmecas criaram belas esculturas de pedra verde. Nesta máscara, de pedra verde. Nesta máscara, os detalhes do nariz e dos lábios os detalhes do nariz e dos lábios entreabertos dão leveza e vida à entreabertos dão leveza e vida à figura, como se não fosse esculpida figura, como se não fosse esculpida na pedra. A marca horizontal na testa, na pedra. A marca horizontal na testa, bem acima dos olhos, sugere que se bem acima dos olhos, sugere que se trata de uma representação de uma trata de uma representação de uma divindade olmeca relacionada com divindade olmeca relacionada com o milho.


Os maias

Os maias ocupavam a Península de Yucatán (região que hoje corresponde à parte sul do atual México e aos territórios da Guatemala e de Belize), além de uma pequena faixa de terra mais ao sul, correspondente ao oeste da atual Honduras.
O berço da civilização maia são as montanhas onde hoje é a Guatemala. Lá foram encontradas suas cidades mais antigas. Depois, os maias se deslocaram através da floresta tropical e ocuparam quase toda a Guatemala e as terras onde hoje é o sul do México, Belize, parte de Honduras e de El Salvador.
Os primeiros indícios da presença maia na região datam de 1000 a.C. Os maias construíram e mantiveram suas cidades por quase 2 mil anos, até por volta do século X, quando começaram a abandoná-las. Entre as mais importantes estavam Chichén Itzá e Palenque (México), Tikal (Guatemala) e Copán (Honduras).
A civilização maia desenvolveu-se entre os séculos III e X e foi formada por vários povos. Entre eles estavam os olmecas, que habitaram a região em um período anterior aos maias, mas que já haviam desenvolvido elaboradas técnicas de arquitetura, como as utilizadas para a construção de centros cerimoniais.
Inicialmente, os maias viviam da caça, pesca e coleta de vegetais da própria floresta. 
Posteriormente, domesticaram plantas, como o milho, a pimenta e o feijão, e ergueram cidades, modificando a natureza e a paisagem.
A agricultura tinha grande importância na vida dos maias e o milho era a base da sua alimentação. Eles comiam milho assado, cozido ou na forma de farinha. Além do milho, cultivavam feijão, abóbora, algodão, cacau e abacate.
Nesse período de apogeu, os maias construíram cidades-estados como Copán (na atual Honduras), Tikal (na atual Guatemala), Chichén Itzá e Palenque (ambas no atual México). Eram cidades autônomas que tinham governos, leis e costumes próprios. Apesar da autonomia, essas cidades-estados mantinham certas alianças e relações comerciais. O comércio incluía bens como cacau, sal, conchas e jade (pedra ornamental). 
Em muitas cidades maias, foram erguidos belos palácios e templos em forma de pirâmide. Na cidade de Tikal, por exemplo, arqueólogos encontraram mais de 3 mil construções. Entre elas, o Templo do Grande Jaguar, que tinha aproximadamente a altura de um prédio de 20 andares. Atualmente, a área da antiga cidade de Tikal foi transformada em um parque nacional e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Vista do Templo do Grande Jaguar, em Tikal, Guatemala.

As cidades-Estado maias


Embora apresentassem muitas semelhanças linguísticas e culturais, as populações maias não chegaram a formar um império unificado. Cada cidade tinha seu exército, seu governante e suas leis. Pode-se afirmar, portanto, que os maias estavam organizados em cidades-Estado, ou seja, em cidades que funcionavam como unidades políticas independentes. O poder em cada cidade era centralizado e transmitido hereditariamente. Nobres, funcionários do Esta do e sacerdotes compunham a elite. Eles moravam nas cidades, de onde controlavam os agricultores.
Diferentemente dos astecas, os maias nunca formaram um grande império. Mas, como  os astecas, construíram grandes cidades. As cidades maias, como Copán, Chichén-Itzá, Maiapán, Uxmal, Palenque e Tikal, eram independentes entre si, ou seja, tinham governos, leis e costumes próprios. E, por isso, podem ser chamadas de cidades-Estado. O que as unia era o culto aos mesmos deuses, a língua que falavam, os saberes e as técnicas.
Nas cidades maias viam-se palácios, estradas com até dez metros de largura e templos em forma de pirâmide. Enquanto as pirâmides egípcias serviam de túmulos para os imperadores, as pirâmides maias serviam de esteio para os templos religiosos, erguidos no seu topo. Algumas pirâmides, como a de Tikal, tinham mais de 60 metros de altura. Os sacerdotes desses templos consideravam-se, assim, mais próximos aos deuses.
Os maias eram bons construtores e foram os inventores de um tipo de cimento eficiente, que permitia colar, umas às outras, as grossas pedras de suas construções. A exuberância das cidades maias revela seus conhecimentos de engenharia e cálculo.

Vista das ruínas da cidade maia de Palenque, sul do México, 2016. Note que o conjunto arquitetônico emerge da exuberante floresta tropical.


Sociedade e economia 


A sociedade maia tinha divisões hierárquicas entre os diferentes grupos. Havia uma pequena elite composta de nobres, sacerdotes e guerreiros. Mas a maioria da população era formada por agricultores e artesãos que pagavam tributos para o governo. Cada cidade tinha um chefe de governo que era considerado um representante dos deuses. 
A principal atividade econômica dos maias era a agricultura. Entre os ali mentos que cultivavam estavam milho, algodão, feijão, cacau, abacate e chili (pimenta). Eles empregavam uma técnica agrícola chamada coivara, que inclui a derrubada e queima das plantas nativas, abrindo espaço para o cultivo. Os homens e as mulheres desse povo dominavam técnicas de cerâmica, o ofício de modelar ouro e prata (ourivesaria), a fiação e a tintura de tecidos. Entre as criações da arte maia podemos destacar as obras arquitetônicas, as esculturas em baixo-relevo e as pinturas murais. Os maias também dominavam técnicas de produção de diferentes tipos de borracha, utilizando látex e extratos de plantas.

Agricultura maia


A agricultura era a principal atividade da economia maia. Os maias cultivavam vários produtos, como o abacate, o cacau, o feijão, a pimenta e o milho, o qual era considerado por eles e por grande parte dos demais povos da Mesoamérica o mais importante alimento. Em razão disso, muitas celebrações e mitos sobre esse grão foram criados. De acordo com uma das narrativas do poema maia Popol Vuh, por exemplo, os seres humanos foram criados por um grande deus que utilizou o milho como matéria-prima.
As técnicas de cultivo desenvolvidas pelos maias eram simples. A principal era a do sistema de coivara, que consistia em derrubar a mata, queimar a vegetação original e, dias depois, fazer a semeadura. Para planejar as atividades agrícolas, os maias desenvolveram calendários bastante precisos, o que só foi possível porque tinham conhecimentos avançados de matemática e astronomia.
Os calendários também tinham função religiosa. Assim, os rituais e as cerimônias eram associados aos ciclos terrestres e celestiais, que buscavam expressar a lógica divina para o universo.
Influenciados pelas trocas culturais realizadas criaram um sistema de escrita que combinava de senhos e símbolos fonéticos, ou seja, símbolos que representavam sons produzidos pela fala humana.
As cidades maias começaram a declinar provavelmente por volta do ano 900. Esse processo durou cerca de dois séculos. Uma das explicações para esse declínio está nas mudanças climáticas, que teriam provocado longos períodos de estiagem. Outra hipótese é a de que as guerras entre as cidades maias colaboraram para sua decadência. O motivo exato do abandono das cidades, contudo, ainda é objeto de controvérsias. É bem provável que a causa tenha sido uma combinação de fatores. 
O declínio dos centros maias, no entanto, não causou o desaparecimento dos povos, mas sua reorganização em centros mais simples. Populações de origem maia ainda vivem na região, concentradas principalmente no sul do México e na Guatemala.

Religiosidade


Os maias eram politeístas, ou seja, cultuavam diversos deuses, geralmente associados a elementos e fenômenos da natureza, como o dia e a noite, o Sol, a chuva e a fertilidade. Era comum que esses deuses fossem representados em objetos do cotidiano e em esculturas.

     Divindade maia associada à cultura do milho, século VIII. 


A escrita e o sistema numérico dos maias


Os maias criaram um sistema de escrita e produziram livros chamados códices. Embora a maioria dos códices tenha sido destruída pelos europeus, alguns deles sobreviveram e foram decifrados na segunda metade do século XX. 
Os códices são fontes históricas importantes que apresentam aspectos da cultura maia. Nesses livros, os maias registraram, por exemplo, o cotidiano, as crenças religiosas e os conhecimentos científicos. Além dos livros, a escrita maia foi grafada em monumentos de pedra, escadarias e artigos de cerâmica.
Os maias criaram um complexo sistema de escrita, baseado em símbolos que representavam ideias e sons. Além da escrita, os maias desenvolveram conhecimentos astronômicos e matemáticos (sistema numérico e o conceito do número zero).

Astronomia


Os maias se destacavam também no campo da Astronomia. Os astrônomos maias conseguiam prever os eclipses do Sol, descrever as fases de Vênus e calcular a duração do ano com bastante precisão.
Os maias possuíam dois calendários e os utilizavam ao mesmo tempo. Um deles era um calendário religioso e festivo de 260 dias, divididos em 13 grupos de 20 dias; o outro era um calendário solar formado de 365 dias, divididos em 18 grupos de 20 dias mais cinco adicionais. A cada 52 anos, esses calendários se reencontravam no mesmo ponto de partida.

O observatório El Caracol, da cidade de Chichén-Itzá, no México, foi construído por volta de 1050. Yucatán (México), fotografia de 2021. Esse tipo de construção, um sólido edifício de pedra com argamassa e plataformas nos quatro lados, permitia uma ampla visibilidade do céu.

O Caracol funcionava como um observatório astronômico, um dos poucos edifícios circulares construídos pelos maias. O edifício tem esse nome por causa de uma escadaria espiral nele existente.

O calendário maia 


Os conhecimentos desenvolvidos pelos maias possibilitaram a realização de diversos estudos astronômicos e também a criação de dois calendários, um deles referente aos rituais, com 260 dias, e outro solar, de 365 dias. 
Observando o movimento da Lua, do Sol e de outras estrelas, eles elaboraram calendários de alta precisão que ajudavam a organizar as atividades agrícolas e as festividades religiosas.
O calendário de 260 dias era dividido em 13 grupos de 20 dias. Ele tinha nomes e números para os dias. O ciclo dos nomes se repetia a cada 20 dias, e o dos números, a cada 13 dias. 

A partir do século IX, a civilização maia entrou em declínio. Os maias abandonaram suas cidades e se espalharam. O motivo para isso é desconhecido pelos historiadores.
Várias possíveis causas foram apontadas para explicar o abandono das cidades maias: secas prolongadas, insuficiência da produção de alimentos para abastecer as populações, epidemias, invasões de povos vizinhos, rebeliões internas, etc.




Os astecas

Os astecas, ou mexicas, um povo originário da América do Norte, chegaram ao Vale do México em 1325 e lá ergueram a  cidade de Tenochtitlán. Aos poucos, Tenochtitlán cresceu e os astecas se expandiram, dominando cidades e povos da região e formando um império imenso, composto de diversos povos.
A princípio, Tenochtitlán era apenas mais uma cidade-Estado entre as muitas que existiam na região. Porém, no século XV, os mexicas firmaram uma aliança militar com as cidades vizinhas de Texcoco e Tlacopán, formando a Confederação Asteca. Com o tempo, a confederação passou a conquistar as demais cidades da região até obter o controle sobre boa parte da Mesoamérica.
O Império Asteca nunca foi uma unidade política; era formado, na verdade, por povos com diferentes graus de subordinação aos astecas:  
• alguns povos eram administrados por governantes astecas;
• outros pagavam tributos, mas tinham relativa autonomia;
• outros, ainda, só pagavam tributos à força, quando eram vítimas de expedições punitivas promovidas pelos astecas.

A riqueza do Império Asteca vinha principalmente dos impostos cobrados dos povos dominados que, embora mantivessem a posse das terras em que viviam, deviam produzir para o próprio sustento e para pagar os tributos astecas. Esses tributos garantiam a expansão do império e o investimento na ampliação e no embelezamento de Tenochtitlán.
Os povos que aceitavam a dominação asteca podiam manter seu governo, seus costumes e o culto a seus deuses. No entanto, além de pagar os impostos em dia, deviam atender às convocações do Estado para cumprir obrigações militares e para trabalhar na construção e na manutenção de obras públicas – como templos religiosos e aquedutos –, além de aceitar o culto a Huitzilopochtli, a principal divindade asteca.
As comunidades que resistiam à dominação recebiam tratamento mais duro. Não podiam eleger seus governantes e perdiam o direito à terra, na qual eram obrigadas a permanecer e trabalhar para pagar os tributos impostos pelo império.

A cidade de Tenochtitlán


A civilização asteca habitou a região onde atualmente está localizado o México desde o início do século XIV. Os povos que formaram essa civilização se fixaram nas terras próximas ao lago Texcoco, onde fundaram a capital, Tenochtitlán, atual Cidade do México.
No centro dessa cidade havia um imponente templo construído em forma piramidal. Os historiadores calculam que Tenochtitlán chegou a ter entre 100 mil e 230 mil habitantes, alcançando uma área de 13,5 quilômetros quadrados. Para ter uma ideia do tamanho dessa cidade asteca, podemos compará-la à movimentada Sevilha, que tinha cerca de 150 mil habitantes e era a maior cidade espanhola no século XVI.
No início do século XVI, Tenochtitlán era uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, quatro vezes mais do que Londres, a maior capital europeia na época. Era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias, e aquedutos, que traziam água doce das montanhas. A capital asteca possuía também templos, ruas retas e amplas e um mercado central rico e movimentado.
De acordo com uma lenda asteca, a escolha do local de fundação da cidade de Tenochtitlán foi determinada pelo sinal de um deus. O local onde deveria ser construí da a cidade teria sido indicado pela visão de uma águia com uma serpente no bico e pousada em um cacto. Assim, os astecas foram conduzidos até encontrarem o sinal divino, em uma ilha no centro do lago Texcoco, onde fundaram Tenochtitlán.
Por meio de alianças e conquistas militares, os astecas expandiram seus territórios, dominando regiões centrais do atual México, desde o Atlântico até o Pacífico. Calcula-se que a população desse império atingiu cerca de 6 milhões de pessoas. Grandes centros urbanos, como Tenochtitlán, eram sustentados por tributos, muitas vezes pagos sob a forma de alimentos que vinham das diferentes regiões dominadas pelos astecas.
Tenochtitlán, a interessante capital asteca, resistiu e manteve sua autonomia até 1521, data em que foi invadida e conquistada pelos espanhóis.


A sociedade asteca


Por volta do século XII, os astecas tinham uma organização social de tendência igualitária. Com o tempo, porém, formou-se uma diferenciação social que refletia a hierarquização da sociedade.
A sociedade asteca era fortemente hierarquizada. No topo da hierarquia social estava o imperador, que comandava o exército e a justiça e tinha influência nos assuntos religiosos. Sua função não era hereditária. O governante era escolhido entre vários membros da elite militar e sacerdotal.
Era composta de nobres, comerciantes, artesãos e camponeses. Entre os nobres, estavam o imperador, os sacerdotes, os chefes militares, os governadores de províncias e os altos funcionários do Estado. Também havia uma elite de ricos comerciantes e artesãos. A maioria da população era formada por camponeses obrigados a pagar tributos para o governo. 
A elite asteca era formada por altos oficiais do exército, nobres e sacerdotes. Os filhos dos membros da elite estudavam nos calmécac, escolas administradas por sacerdotes. Nelas, os alunos aprendiam artes, ciência, religião e os conhecimentos necessários para servir ao Estado.
Os comerciantes passaram a ser informantes do imperador asteca, levando mensagens às cidades dominadas e informações à capital Tenochtitlán sobre a defesa das cidades que o exército pretendia conquistar. Dessa forma, eles se tornaram importantes para a manutenção e a ampliação do poder dos astecas na região, adquirindo bastante prestígio.
Os artesãos eram bem recompensados por seu trabalho, sobretudo quando se revelavam artistas habilidosos. Os conhecimentos artísticos dos artesãos eram transmitidos de pai para filho.
A maioria da população que habitava os territórios dominados pela confederação era composta de camponeses. Os que viviam em Tenochtitlán ou nas cidades próximas plantavam milho, feijão, abóbora, abacate e pimenta, entre outros produtos, em ilhas artificiais, as chinampas, construídas no lago.
Os astecas desenvolveram uma agricultura complexa. Drenaram pântanos, abriram canais de irrigação e construíram chinampas, ilhas artificiais destinadas ao cultivo agrícola. 
Além disso, os astecas criavam animais como perus, patos e cachorros. Comercializavam bens como tecidos, peles, cerâmicas, sal, ouro e prata. Dominavam técnicas de ourivesaria, cerâmica, tecelagem e engenharia, que aplicavam, por exemplo, na construção de diques, templos e aquedutos. 
Produziam obras de arte como máscaras em forma de mosaico, muitas vezes representando divindades. Os astecas desconheciam o uso do ferro e da roda.
Assim como os maias, os astecas desenvolveram um calendário, um sistema de escrita baseado em signos e produziram códices (livros). O Códice Boturini e o Códice Mendoza foram criados por volta de 1540, cerca de vinte anos após a chegada dos espanhóis.

Calendário asteca feito de pedra. Museu Nacional de Antropologia do México, Cidade do México. 

Os astecas eram politeístas, ou seja, cultuavam diversos deuses. Entre eles, estavam: 
• Huitzilopochtli – deus da guerra e do Sol; 
• Tlaloc – deus da chuva e do trovão; 
• Quetzalcóatl – também conhecido como serpente emplumada, deus da água, da terra, da escrita, do calendário e das artes.
Para cultuar esses deuses, os astecas erguiam templos com forma de pirâmide e realizavam rituais de sacrifício humano. As pessoas sacrificadas eram, em sua maioria, prisioneiros de guerra. Na cultura asteca, esse ritual era um momento de renovação da aliança entre deuses e seres humanos.

O modo de vida asteca


A agricultura era uma atividade fundamental para a sociedade asteca, tanto que, ao longo do tempo, eles desenvolveram e aperfeiçoaram diversas técnicas para a produção de alimentos em seu território. 
Em Tenochtitlán, situada próximo a lagos e pântanos, eles elaboraram um sistema chamado chinampa, que consistia na construção de ilhas artificiais utilizadas como campos de cultivo.
Além disso, os astecas criavam animais como perus, patos e cachorros. Comercializavam bens como tecidos, peles, cerâmicas, sal, ouro e prata.  
Dominavam técnicas de ourivesaria, cerâmica, tecelagem e engenharia, aplicada, por exemplo, na construção de diques, templos e aquedutos. Produziam obras de arte como máscaras em forma de mosaico representando, muitas vezes, divindades. Os astecas desconheciam o uso do ferro e da roda.
A estrutura urbana e o comércio também se desenvolveram significativamente. Em grandes cidades, como Tenochtitlán, que chegou a ter cerca de 300 mil habitantes, existiam mercados com grande variedade de produtos.
Os astecas tinham grande paixão pelo esporte, sabiam da importância da atividade física para a saúde e praticavam uma série de jogos; um de seus jogos preferidos era o tlachtli.

Ilustração do jogo de tlachtli feita com base em pesquisa histórica. 

O tlachtli era um jogo de bola bastante popular entre os astecas, que lembra tanto o futebol quanto o basquete. As duas equipes adversárias se enfrentavam em um campo em forma de T maiúsculo.  A bola de borracha era bastante pesada e só podia ser tocada e lançada com os joelhos ou os quadris. Os jogadores se esforçavam para fazê-la passar entre dois anéis de pedra fixados nas muralhas laterais, mais ou menos, como nas cestas de basquete.
Em relação à saúde, os astecas desenvolveram tratamentos eficientes para várias doenças, com base no grande conhecimento da flora e fauna locais. O médico do rei espanhol, Felipe II, registrou cerca de 1 200 plantas usadas pelos astecas para fins medicinais. Os astecas sabiam curar fraturas, feridas e fazer remédios à base de gordura animal e plantas medicinais para os mais diversos fins. Algumas doenças eram atribuídas à vontade dos deuses ou a feitiços. Para fazer frente a elas, os astecas usavam a adivinhação e a oração.
Os astecas eram povos guerreiros que conquistaram outros povos da região, for mando um poderoso Estado. Eles eram politeístas e cultuavam principalmente os deuses relacionados aos elementos e fenômenos da natureza, como o Sol. 
Para homenageá-los, os astecas e outros povos mesoamericanos construíram grandes templos religiosos. Muitas dessas construções tinham formato de pirâmide, feitas com grandes blocos de rochas, com degraus e escadarias que levavam ao topo.




Os incas

Atualmente, milhares de turistas visitam todos os anos a cidade de Cuzco, no Peru. Essa cidade foi a capital do Império Inca, civilização que habitava essa região desde antes do século XII
Um mito inca inca diz que os incas tinham origem divina, por isso eram chamados de filhos do Sol. Diz também que o Império Inca foi fundado por dois personagens lendários, Manco Cápac e sua esposa, Mama Ocilla.
Hoje se sabe que, por volta do ano 1400, os incas viviam da agricultura e do pastoreio nas terras altas (temperadas e frias), onde ergueram a cidade de Cuzco, no atual Peru. Por meio da guerra ou de alianças com povos da região, os incas expandiram seus domínios e, em 1438, fundaram um império. O primeiro Sapa Inca (imperador) chamava-se Pachakuti.
Os incas formaram um império na região da cordilheira dos Andes, onde atual mente se localizam partes do Equador, do Peru, da Bolívia, do Chile e da Argentina. A partir do século XIII, eles passaram a dominar os povos que viviam na região por meio de acordos e da imposição de pagamento de tributos. Politicamente, o poder do governo era centralizado nas mãos de um imperador, que assumia o título divino de “filho do Sol”. A sede do Império se situava na cidade de Cusco, no atual Peru.
Ao longo de sua história, os incas foram se tornando mais poderosos que as sociedades andinas anteriores, como os reinos de Huari ou Chimu. Ao expandir seu território, os incas dominaram vários povos, alcançando uma população de cerca de 12 milhões de pessoas. 
No seu apogeu, o território inca abrangia uma área que hoje se estenderia do Equador ao Chile. Essa área era atravessada por uma rede de caminhos de cerca de 40 mil quilômetros. Por esses caminhos, os incas levavam suas leis, língua e crenças a centenas de povos submetidos. 
Além de Cuzco, os incas construíram diversas cidades. Uma delas é Machu Picchu, que fica no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude. Provavelmente, essa cidade era visitada pelo imperador para descansar, caçar e receber autoridades estrangeiras. 
Machu Picchu foi abandonada pouco depois da conquista espanhola, no século XVI. Séculos depois, em 1911, uma equipe de arqueólogos liderada pelo estadunidense Hiram Bingham chegou à cidade, que estava coberta pela vegetação, mas era conhecida pelos moradores do entorno. Em 1983, Cuzco e Machu Picchu foram declaradas Patrimônios da Humanidade pela Unesco.
Quanto à religiosidade, além de cultuarem divindades relacionadas à natureza, os incas reverenciavam um deus criador, chamado Viracocha.

Imperadores incas 


O imperador inca era considerado uma divindade que recebia o nome de Sapa Inca e de “Filho do Sol”. Quando morria, o Sapa Inca era mumificado e cultuado. Entre os imperadores incas, podemos destacar Pachacuti, que governou de 1438 a 1471.
Além do imperador, a elite inca era composta de sacerdotes, chefes militares, governadores locais e funcionários do Estado. Também havia grupos privilegiados de artesãos, guerreiros, projetistas e contabilistas.

A vida nos Andes 


Na agricultura inca, o principal produto de cultivo era a batata, mas eram cultivados também milho, quinoa, batata-doce, abacate, feijão, toma te, vagem, algodão, entre outros. Como o relevo da região andina é bastante acidentado, os incas desenvolveram terraços nas cordilheiras, que formavam superfícies planas para o plantio.
Dedicavam-se também à atividade pastoril, com a criação de alpaca e lhama, que, além de fornecer leite, lã e carne, serviam de meio de transporte de cargas.
Os incas não desenvolveram formas de escrita, como os maias e os astecas. No entanto, criaram um sistema de registro de quantidades numéricas denominado quipo. Os quipos eram artefatos de cores e tamanhos variados que apresentavam nós simbolizando valores unitários ou dezenas. Assim, eles podiam organizar a produção agrícola, registrar aspectos demográficos e controlar o pagamento de tributos.
A maioria da população era forma da por camponeses, que se dedicavam, sobretudo, ao cultivo de milho, batata, feijão, quinoa, tomate e tabaco e à criação de animais como lhamas e alpacas. Esses animais eram utilizados para o transporte de cargas e para a obtenção de lã, leite e carne. Durante um período do ano, os camponeses eram obrigados a realizar serviços para o Estado, trabalhando como agricultores, pastores e construtores.
Os incas desenvolveram a tecelagem, a cerâmica, a metalurgia do bronze e do cobre e a ourivesaria de ouro e prata. 
Construíram palácios, templos, estradas pavimentadas, aquedutos, canais de irrigação e terraços de cultivo na en costa de montanhas.

Um império interligado


As cidades incas eram interligadas por uma vasta rede de estradas. Eram caminhos que atravessavam vales, desfiladeiros e montanhas. Ao longo das principais estradas, havia abrigos, armazéns e postos com jovens corredores. Esses jovens deveriam memorizar mensagens e transmiti-las oralmente até o próximo posto. Isso permitiu a rápida comunicação entre diversas regiões do império. 
Os incas desenvolveram um sistema de registro de informações em quipos (nós feitos num cordão). Os quipos eram feitos em uma série de cordões coloridos nos quais a posição e a quantidade de nós representam números. Serviam para registrar, por exemplo, impostos e divisões do tempo.
Muitos quipos foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, mas aqueles que resistiram se tornaram importantes fontes para o estudo da história dos incas. 
No contato com outras culturas, os incas assimilaram a língua quéchua e a tornaram a língua oficial do império. Depois, continuaram conquistando terras e povos, ao norte e ao sul; assim, construíram o maior império indígena da América.
Hoje, essa língua é falada por cerca de 10 milhões de pessoas na América do Sul. O quíchua influenciou também o português brasileiro, dando origem a palavras como condor, chácara, mate e pampa.

As cidades incas


Entre as principais cidades do Império Inca estavam Cuzco e Machu Picchu. A cidade de Machu Picchu é um exemplo da capacidade arquitetônica dos incas. Erguida nas montanhas, a cerca de 2 400 metros de altitude, sua construção intriga arqueólogos. Isso porque os incas dispunham apenas de instrumentos rudimentares, não tinham carroças nem animais capazes de transportar grandes pedras como as que foram utilizadas na obra. Escadarias foram cavadas na própria montanha, ligando palácios, templos, casas e guarnições.
Abandonada e esquecida pouco depois da chegada dos espanhóis, Machu Picchu foi redescoberta somente em 1911 pelo arqueólogo estadunidense Hiram Bingham, que serviu de inspiração para o personagem Indiana Jones, arqueólogo dos filmes de Hollywood. Quando Bingham encontrou Machu Picchu, a cidade estava coberta pela vegetação da floresta, o que manteve as construções praticamente intactas.

Vista do Santuário Histórico de Machu Picchu (Peru), Patrimônio Mundial da Humanidade. 

O kipu


O povo inca não desenvolveu a escrita, mas possuía um interessante sistema de registro: o kipu. O kipu era um cordão no qual estavam amarrados vários cordões menores de cores e tamanhos variados, em que se faziam diferentes tipos de nós. 
As cores dos cordões menores permitiam identificar os tipos de objetos. Os nós indicavam quantidades e datas. O nó mais próximo da ponta do cordão menor correspondia à unidade, o seguinte referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Pelo unidade, o seguinte referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Pelo kipu, o imperador tinha informações sobre a população, a administração e a economia.
O kipu registrava tipos e quantidades de produtos armazenados, datas, número de pessoas, animais e armazéns existentes no império. O nome do armazém e da região representada, bem como outros detalhes, era memorizado por especialistas treinados para essa tarefa.
Durante a conquista da América, os espanhóis queimaram milhares de kipus que certamente poderiam ter nos revelado muito sobre os incas e sua história.



CONSTRUTIVISMO

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