domingo, 20 de setembro de 2026

Os maias

Os maias ocupavam a Península de Yucatán (região que hoje corresponde à parte sul do atual México e aos territórios da Guatemala e de Belize), além de uma pequena faixa de terra mais ao sul, correspondente ao oeste da atual Honduras.
O berço da civilização maia são as montanhas onde hoje é a Guatemala. Lá foram encontradas suas cidades mais antigas. Depois, os maias se deslocaram através da floresta tropical e ocuparam quase toda a Guatemala e as terras onde hoje é o sul do México, Belize, parte de Honduras e de El Salvador.
Os primeiros indícios da presença maia na região datam de 1000 a.C. Os maias construíram e mantiveram suas cidades por quase 2 mil anos, até por volta do século X, quando começaram a abandoná-las. Entre as mais importantes estavam Chichén Itzá e Palenque (México), Tikal (Guatemala) e Copán (Honduras).
A civilização maia desenvolveu-se entre os séculos III e X e foi formada por vários povos. Entre eles estavam os olmecas, que habitaram a região em um período anterior aos maias, mas que já haviam desenvolvido elaboradas técnicas de arquitetura, como as utilizadas para a construção de centros cerimoniais.
Inicialmente, os maias viviam da caça, pesca e coleta de vegetais da própria floresta. 
Posteriormente, domesticaram plantas, como o milho, a pimenta e o feijão, e ergueram cidades, modificando a natureza e a paisagem.
A agricultura tinha grande importância na vida dos maias e o milho era a base da sua alimentação. Eles comiam milho assado, cozido ou na forma de farinha. Além do milho, cultivavam feijão, abóbora, algodão, cacau e abacate.
Nesse período de apogeu, os maias construíram cidades-estados como Copán (na atual Honduras), Tikal (na atual Guatemala), Chichén Itzá e Palenque (ambas no atual México). Eram cidades autônomas que tinham governos, leis e costumes próprios. Apesar da autonomia, essas cidades-estados mantinham certas alianças e relações comerciais. O comércio incluía bens como cacau, sal, conchas e jade (pedra ornamental). 
Em muitas cidades maias, foram erguidos belos palácios e templos em forma de pirâmide. Na cidade de Tikal, por exemplo, arqueólogos encontraram mais de 3 mil construções. Entre elas, o Templo do Grande Jaguar, que tinha aproximadamente a altura de um prédio de 20 andares. Atualmente, a área da antiga cidade de Tikal foi transformada em um parque nacional e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Vista do Templo do Grande Jaguar, em Tikal, Guatemala.

As cidades-Estado maias


Embora apresentassem muitas semelhanças linguísticas e culturais, as populações maias não chegaram a formar um império unificado. Cada cidade tinha seu exército, seu governante e suas leis. Pode-se afirmar, portanto, que os maias estavam organizados em cidades-Estado, ou seja, em cidades que funcionavam como unidades políticas independentes. O poder em cada cidade era centralizado e transmitido hereditariamente. Nobres, funcionários do Esta do e sacerdotes compunham a elite. Eles moravam nas cidades, de onde controlavam os agricultores.
Diferentemente dos astecas, os maias nunca formaram um grande império. Mas, como  os astecas, construíram grandes cidades. As cidades maias, como Copán, Chichén-Itzá, Maiapán, Uxmal, Palenque e Tikal, eram independentes entre si, ou seja, tinham governos, leis e costumes próprios. E, por isso, podem ser chamadas de cidades-Estado. O que as unia era o culto aos mesmos deuses, a língua que falavam, os saberes e as técnicas.
Nas cidades maias viam-se palácios, estradas com até dez metros de largura e templos em forma de pirâmide. Enquanto as pirâmides egípcias serviam de túmulos para os imperadores, as pirâmides maias serviam de esteio para os templos religiosos, erguidos no seu topo. Algumas pirâmides, como a de Tikal, tinham mais de 60 metros de altura. Os sacerdotes desses templos consideravam-se, assim, mais próximos aos deuses.
Os maias eram bons construtores e foram os inventores de um tipo de cimento eficiente, que permitia colar, umas às outras, as grossas pedras de suas construções. A exuberância das cidades maias revela seus conhecimentos de engenharia e cálculo.

Vista das ruínas da cidade maia de Palenque, sul do México, 2016. Note que o conjunto arquitetônico emerge da exuberante floresta tropical.


Sociedade e economia 


A sociedade maia tinha divisões hierárquicas entre os diferentes grupos. Havia uma pequena elite composta de nobres, sacerdotes e guerreiros. Mas a maioria da população era formada por agricultores e artesãos que pagavam tributos para o governo. Cada cidade tinha um chefe de governo que era considerado um representante dos deuses. 
A principal atividade econômica dos maias era a agricultura. Entre os ali mentos que cultivavam estavam milho, algodão, feijão, cacau, abacate e chili (pimenta). Eles empregavam uma técnica agrícola chamada coivara, que inclui a derrubada e queima das plantas nativas, abrindo espaço para o cultivo. Os homens e as mulheres desse povo dominavam técnicas de cerâmica, o ofício de modelar ouro e prata (ourivesaria), a fiação e a tintura de tecidos. Entre as criações da arte maia podemos destacar as obras arquitetônicas, as esculturas em baixo-relevo e as pinturas murais. Os maias também dominavam técnicas de produção de diferentes tipos de borracha, utilizando látex e extratos de plantas.

Agricultura maia


A agricultura era a principal atividade da economia maia. Os maias cultivavam vários produtos, como o abacate, o cacau, o feijão, a pimenta e o milho, o qual era considerado por eles e por grande parte dos demais povos da Mesoamérica o mais importante alimento. Em razão disso, muitas celebrações e mitos sobre esse grão foram criados. De acordo com uma das narrativas do poema maia Popol Vuh, por exemplo, os seres humanos foram criados por um grande deus que utilizou o milho como matéria-prima.
As técnicas de cultivo desenvolvidas pelos maias eram simples. A principal era a do sistema de coivara, que consistia em derrubar a mata, queimar a vegetação original e, dias depois, fazer a semeadura. Para planejar as atividades agrícolas, os maias desenvolveram calendários bastante precisos, o que só foi possível porque tinham conhecimentos avançados de matemática e astronomia.
Os calendários também tinham função religiosa. Assim, os rituais e as cerimônias eram associados aos ciclos terrestres e celestiais, que buscavam expressar a lógica divina para o universo.
Influenciados pelas trocas culturais realizadas criaram um sistema de escrita que combinava de senhos e símbolos fonéticos, ou seja, símbolos que representavam sons produzidos pela fala humana.
As cidades maias começaram a declinar provavelmente por volta do ano 900. Esse processo durou cerca de dois séculos. Uma das explicações para esse declínio está nas mudanças climáticas, que teriam provocado longos períodos de estiagem. Outra hipótese é a de que as guerras entre as cidades maias colaboraram para sua decadência. O motivo exato do abandono das cidades, contudo, ainda é objeto de controvérsias. É bem provável que a causa tenha sido uma combinação de fatores. 
O declínio dos centros maias, no entanto, não causou o desaparecimento dos povos, mas sua reorganização em centros mais simples. Populações de origem maia ainda vivem na região, concentradas principalmente no sul do México e na Guatemala.

Religiosidade


Os maias eram politeístas, ou seja, cultuavam diversos deuses, geralmente associados a elementos e fenômenos da natureza, como o dia e a noite, o Sol, a chuva e a fertilidade. Era comum que esses deuses fossem representados em objetos do cotidiano e em esculturas.

     Divindade maia associada à cultura do milho, século VIII. 


A escrita e o sistema numérico dos maias


Os maias criaram um sistema de escrita e produziram livros chamados códices. Embora a maioria dos códices tenha sido destruída pelos europeus, alguns deles sobreviveram e foram decifrados na segunda metade do século XX. 
Os códices são fontes históricas importantes que apresentam aspectos da cultura maia. Nesses livros, os maias registraram, por exemplo, o cotidiano, as crenças religiosas e os conhecimentos científicos. Além dos livros, a escrita maia foi grafada em monumentos de pedra, escadarias e artigos de cerâmica.
Os maias criaram um complexo sistema de escrita, baseado em símbolos que representavam ideias e sons. Além da escrita, os maias desenvolveram conhecimentos astronômicos e matemáticos (sistema numérico e o conceito do número zero).

Astronomia


Os maias se destacavam também no campo da Astronomia. Os astrônomos maias conseguiam prever os eclipses do Sol, descrever as fases de Vênus e calcular a duração do ano com bastante precisão.
Os maias possuíam dois calendários e os utilizavam ao mesmo tempo. Um deles era um calendário religioso e festivo de 260 dias, divididos em 13 grupos de 20 dias; o outro era um calendário solar formado de 365 dias, divididos em 18 grupos de 20 dias mais cinco adicionais. A cada 52 anos, esses calendários se reencontravam no mesmo ponto de partida.

O observatório El Caracol, da cidade de Chichén-Itzá, no México, foi construído por volta de 1050. Yucatán (México), fotografia de 2021. Esse tipo de construção, um sólido edifício de pedra com argamassa e plataformas nos quatro lados, permitia uma ampla visibilidade do céu.

O Caracol funcionava como um observatório astronômico, um dos poucos edifícios circulares construídos pelos maias. O edifício tem esse nome por causa de uma escadaria espiral nele existente.

O calendário maia 


Os conhecimentos desenvolvidos pelos maias possibilitaram a realização de diversos estudos astronômicos e também a criação de dois calendários, um deles referente aos rituais, com 260 dias, e outro solar, de 365 dias. 
Observando o movimento da Lua, do Sol e de outras estrelas, eles elaboraram calendários de alta precisão que ajudavam a organizar as atividades agrícolas e as festividades religiosas.
O calendário de 260 dias era dividido em 13 grupos de 20 dias. Ele tinha nomes e números para os dias. O ciclo dos nomes se repetia a cada 20 dias, e o dos números, a cada 13 dias. 

A partir do século IX, a civilização maia entrou em declínio. Os maias abandonaram suas cidades e se espalharam. O motivo para isso é desconhecido pelos historiadores.
Várias possíveis causas foram apontadas para explicar o abandono das cidades maias: secas prolongadas, insuficiência da produção de alimentos para abastecer as populações, epidemias, invasões de povos vizinhos, rebeliões internas, etc.




Nenhum comentário:

POVOS DO MEDITERRÂNEO

O Mediterrâneo está intimamente ligado à história da Europa, da África e da Ásia. Algumas civilizações se desenvolveram às suas margens. Lo...