Entre os povos que viviam no território do atual Brasil, estão os Tupi-guarani. Os povos falantes de idiomas do grupo tupi se formaram há cerca de 5 mil anos, em uma vasta região do norte do atual território do país, onde atualmente fica Rondônia. Uma parte desses povos permaneceu nessa área, mas outros se espalharam em diversas direções.
Uma das famílias de línguas tupi, que os pesquisadores chamaram de tupi-guarani, apresentou a mais rápida e ampla expansão territorial. Outro grupo linguístico importante, que reunia diversos povos no interior do território, era o macro-jê.
Há indícios de que esses povos iniciaram um movimento de migração do sul da Floresta Amazônica em direção ao litoral por volta de 500 d.C. Eles buscavam a mitológica “Terra sem Mal”, um lugar onde havia fartura e não se morria.
Como vários povos em diferentes espaços e tempos históricos, os Tupi-guarani buscavam um mundo imaginário onde a existência seria mais feliz e plena para todos.
Esses grupos saíram da parte sul da região amazônica em
direção às áreas central e meridional do território. Nos locais
em que se estabeleciam, cultivavam milho e mandioca usando
a técnica da coivara. Essa técnica consiste na derrubada e na
queimada de partes da floresta a fim de abrir espaço para a
plantação.
O uso contínuo dessa técnica esgotava rapidamente o solo.
Por isso, os grupos indígenas precisavam se mudar com frequência em busca de outras áreas de plantio. Essa constante
necessidade de deslocamento favoreceu a difusão da prática
agrícola pelo território.
Muitos povos, muitas rivalidades
Apesar de terem certa unidade linguística e cultural, os Tupi-guarani não formavam um único povo. Eles se subdividiam em grupos que falavam línguas diferentes, mas parecidas entre si, como Carijó, Tupiniquim, Tupinambá, Potiguar, Guarani etc.
Segundo alguns pesquisadores, havia uma população de aproximadamente 1 milhão de Tupi-guarani antes do contato com os europeus. Essa população ocupava longos trechos do litoral e do interior, acompanhando o vale dos rios.
Havia também outros povos no território brasileiro. Os Tupi-guarani chamavam esses povos de tapuias, os “inimigos” que falavam outras línguas. Eram Cariri, Aimoré, Tremembé etc.
Os Tupi-Guarani dominavam o plantio de mandioca e do milho, e sabiam explorar os recursos das florestas tropicais, tanto na Amazônia quanto nas áreas da Mata Atlântica. Eram habilidosos produtores de cerâmica, que utilizavam para fins diversos e em cerimônias fúnebres.
As aldeias e os agrupamentos humanos tinham proporções variadas, mas, em geral, eram formadas por poucas centenas de pessoas, sob comando de um chefe guerreiro. Não havia diferenças sociais marcantes e o prestígio de alguém dependia das próprias habilidades, especialmente nas artes da guerra.
Os Tupi-guarani estavam divididos em diversos grupos. Cada um desses grupos abrangia um conjunto de aldeias que, em geral, reuniam entre 500 e 2 mil pessoas. Eles moravam em casas coletivas feitas de madeira e cobertas com palha. Essas aldeias eram lideradas por chefes e conselheiros, como os pajés e os caraíbas, que tinham funções religiosas.
Os Tupi-guarani podiam deslocar suas aldeias para novos locais quando havia desgaste do solo, diminuição de animais de caça, disputas internas entre grupos rivais ou quando ocorria a morte de um líder.
Os diferentes povos tupis-guaranis nutriam rivalidades entre si e com outros grupos, por isso guerreavam com frequência. As rivalidades ancestrais eram revividas a cada guerra ou confronto, em que os inimigos aprisionados eram mortos e, por meio de um ritual, eram devorados por todos os habitantes da aldeia. Com tais rituais antropofágicos, vingavam a morte dos ancestrais e, ao mesmo tempo, acreditavam adquirir as virtudes do guerreiro sacrificado.
Para realizar os rituais antropofágicos, eles cuidavam bem de seus prisioneiros por dias ou meses. Depois, o prisioneiro era executado, geralmente na época da colheita. Nessa ocasião, pessoas de outras aldeias eram convidadas a participar do ritual. Entre os Tupi-guarani não havia a prática de escravizar os vencidos ou exigir deles o pagamento de tributos.
Ao praticar a antropofagia, os indígenas acreditavam que assumiriam as qualidades do guerreiro sacrificado. Faziam o mesmo com a onça, animal que admiravam e temiam. Isso explica por que eles não comiam animais como o bicho-preguiça, que era considerado lento e indefeso, algo que ninguém desejava ser.
A cerâmica tupi-guarani e os sítios arqueológicos
A imagem a seguir é uma fotografia de uma escavação no sítio arqueológico Domingos, próximo ao rio Parauapebas (Pará). No centro da imagem, você pode observar um vaso largo de cerâmica, datado de cerca de 650 d.C., desenterrado pelas equipes de arqueologia. Esses objetos foram encontrados embaixo da chamada Terra Preta de Índio (TPI), um tipo de solo muito fértil, produzido pelos povos originários por meio de mistura com resíduos orgânicos (restos de animais e plantas).
Os vestígios encontrados no sítio Domingos mostram que o local serviu de habitação permanente para grupos tupis-guaranis, pois possui grande quantidade de material cerâmico, além de material de pedra lascada e polida.
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