O desenvolvimento do cultivo de milho, entre 1200 e 400 a.C., foi fundamental para os povos da Mesoamérica, pois permitiu a eles que se tornassem sedentários. Um desses povos vivia em uma região conhecida
como “lugar da borracha”, que, na língua dos antigos astecas, era chama
da de Olman. Por isso, esse povo passou a ser chamado de olmeca.
Os olmecas fixaram-se na região do Golfo do México por volta do
século XII a.C. A região tinha água e fauna abundantes, o que facilitava o plantio de alimentos e as atividades de caça e pesca. A cultura olmeca espalhou sua influência por uma vasta área que se estende, atualmente, do México (estados de Veracruz e Tabasco) ao Panamá.
Os olmecas habitavam os vales dos rios e passaram a se dedicar à
agricultura, aprimorando técnicas de plantio, construindo plataformas de
terra e canais de irrigação. Com o tempo, a ampliação na capacidade de
produzir alimentos provocou o crescimento populacional.
Para promover o encontro entre suas aldeias, eles construíram locais marcados pela presença de grandes monumentos de pedra e amplos espaços,
onde praticavam rituais religiosos.
Pesquisas arqueológicas indicam a existência de, ao menos, quatro grandes centros urbanos olmecas, cujos nomes atuais são: São Lourenço, Três Zapotes, Laguna de Los Cerros e La Venta.
Nesses lugares, os arqueólogos encontraram vestígios de uma rica cultura que construiu, entre outras obras, pirâmides, templos, praças e imensas esculturas de basalto. La Venta foi, provavelmente, o centro olmeca mais populoso, abrigando cerca de 18 mil habitantes.
Os olmecas cultivavam plantas como milho, feijão e abóbora. Também caçavam e recolhiam frutas silvestres. Extraíam látex e produziam borracha. Por isso, ficaram conhecidos
como “povo da borracha”.
A religião desse povo era politeísta. Eles cultuavam vários deuses, simbolizados por
animais e forças da natureza, como o jaguar, a serpente, o Sol, a água, as montanhas e
certas plantas agrícolas. Em alguns cultos, os dirigentes olmecas podiam atuar como
sacerdotes, pois acreditava-se que eram dotados de poderes sobrenaturais.
Monumentos funerários, centros cerimoniais e esculturas sugerem
que na sociedade olmeca havia alguma diferenciação social. Também
foram encontradas grandes praças públicas, o que pode indicar que
suas cerimônias religiosas eram realizadas ao ar livre.
Pesquisadores acreditam que, influenciados por trocas culturais
com outros povos da região, os olmecas foram responsáveis pela criação das primeiras formas americanas de escrita e de um calendário.
Os olmecas desenvolveram um calendário que
servia para orientar as atividades agrícolas, do plantio
à colheita. Inventaram também um sistema de numeração
e de escrita com base em sinais (glifos) que eram gravados
ou pintados.
A sociedade olmeca não formou um império unificado,
dirigido por um governo centralizado. O que havia eram
centros regionais que organizavam sua sociedade. Nesses
centros, os historiadores perceberam a existência de diversos grupos sociais, constituídos por camponeses, artesãos,
comerciantes, escribas, sacerdotes e dirigentes políticos.
Não se sabe ainda o que provocou a decadência dessa sociedade por volta do século IV a.C., mas acredita-se que guerras e mudanças ambientais tenham causado um rápido declínio populacional dos olmecas.
Cabeça colossal olmeca, exposta
no Museu La Venta, Villa hermosa,
México. Foto de 2019. As cabeças
olmecas foram esculpidas em
pedra e podem medir três metros
de altura e pesar até 20 toneladas.
Os pesquisadores acreditam que
essas esculturas representavam os
governantes das cidades olmecas.
Teotihuacán
Localizada na parte central do México, Teotihuacán é um dos mais
impressionantes núcleos urbanos da Mesoamérica. A cidade formou-se
pela união de várias aldeias, de diferentes grupos mesoamericanos, por
volta do ano 100 a.C., e atingiu o auge na metade do século V, quando
sua população chegou a cerca de 150 mil pessoas.
O centro de Teotihuacán, muito bem organizado e planificado, estava
dividido em setores, cada um deles dedicado a uma atividade econômica. Havia também nesses setores
grandes templos e edifícios públicos.
Nas áreas destinadas às moradias da
elite teotihuacana, os quarteirões
eram regulares, com ruas e avenidas
geometricamente desenhadas.
Após um longo período de existência, por volta de 900 a.C., Tenochtitlán entrou em declínio, provavelmente em razão de mudanças climáticas. Pesquisadores acreditam que as razões de seu colapso estão relacionadas a conflitos entre os diversos grupos sociais que a habitavam ou entre habitantes de outras cidades que pagavam tributos a Teotihuacán.
Com isso, La Venta passou a ser o principal centro da cultura olmeca até
400 a.C. Já o sítio arqueológico de Tres Zapotes, ocupado depois de desse ano, representa o momento do desaparecimento da cultura olmeca,
lentamente incorporada e substituída por outras.
Parte da população
migrou para outras áreas, e outra
parte continuou vivendo no local,
sob domínio dos toltecas.
Domínio tolteca
Os toltecas eram povos nômades que viviam no norte do México.
No século VIII, começaram a se deslocar para o sul e se estabeleceram
na região central do México, assimilando muitos costumes dos morado
res de Teotihuacán. Conheciam a metalurgia, praticavam a agricultura,
a coleta e a caça, e comercializavam regularmente com povos do sul e
do leste, trocando sobretudo obsidiana por algodão e cacau.
A capital tolteca era Tula, cidade que pode ter chegado a abrigar entre 20 mil e 50 mil pessoas durante o século XI, período em
que atingiu seu auge. No século XII, porém, a cidade foi invadida e,
na primeira metade do século seguinte, incendiada.
Não é possível definir os motivos exatos do declínio da civilização
tolteca. As principais explicações seriam a dificuldade de impedir o
avanço de grupos invasores vindos do norte e as temporadas de seca,
que teriam prejudicado a produção agrícola.
A invenção do milho
O milho que conhecemos hoje (Zea mays) é o resultado de um longo trabalho de desenvolvimento de técnicas de agricultura entre os primeiros povos americanos. Cultivado
há milhares de anos, essa planta foi domesticada e tornou-se completamente dependente
da ação humana para se reproduzir. Por isso, o milho pode ser considerado uma
“invenção agrícola” dos povos originários da América.
O milho começou a ser cultivado
desde aproximadamente 8 mil anos
atrás, na região que corresponde ao
atual México. Dali, foi levado para outras partes da América e incorporado à
alimentação de vários povos.
Os olmecas, por exemplo, consideravam o milho um alimento tão importante que, com o tempo, o tornaram
uma planta sagrada, sendo utilizado
em rituais artísticos e religiosos.
Atualmente, o milho é um dos cereais mais produzidos e consumidos no mundo. Ele é
utilizado em diversos pratos tradicionais, como o taco, a polenta, a pamonha e a canjica.
Além disso, é usado na fabricação de óleos, combustíveis e ração de animais.
A fotografia mostra algumas variedades de milho, cereal importante para várias civilizações americanas.
A cultura olmeca
Os olmecas desenvolveram uma espécie de “cultura-mãe” de quase todas as outras culturas que a sucederam na região da Mesoamérica, como os maias. Eles criaram uma arte que incluía estátuas monumentais de pedra, cuja matriz foi encontrada em outras criações, de vários tamanhos e materiais, como a cerâmica e o jade. As peças retratam pessoas, animais e deuses com uma grande riqueza de detalhes.
A arte olmeca indica que esse povo reverenciava divindades ligadas aos fenômenos da natureza (como o sol e a chuva) e animais considerados sagrados, como a serpente e o jaguar. Ela revela ainda uma relação muito forte entre a agricultura do milho, os deuses e os rituais, que tinham como objetivo garantir ajuda divina para a abundância das colheitas.
Ainda existem muitas dúvidas sobre a cultura olmeca. Registros feitos em uma estela revelam, por exemplo, que os olmecas podem ter sido o primeiro povo da região a construir um calendário, fator que certamente ajudou a desenvolver essa sociedade agrícola. Outro aspecto marcante é a escrita deixada por eles, ainda não decifrada.
Escultura de pedra, produzida
entre 1000 e 400 a.C. Esta
imagem representa uma
impressionante escultura olmeca, impressionante escultura olmeca,
que revela a relação entre a que revela a relação entre a
mitologia desse povo e as mitologia desse povo e as
relações entre pais e filhos. relações entre pais e filhos.
A figura masculina tem nos braços A figura masculina tem nos braços
um bebê com traços característicos um bebê com traços característicos
das figuras divinas, como uma das figuras divinas, como uma
fenda sobre a cabeça e o formato fenda sobre a cabeça e o formato
dos olhos. O bebê representa o dos olhos. O bebê representa o
broto do milho e, por isso, o centro broto do milho e, por isso, o centro
do mundo, pois o milho era o do mundo, pois o milho era o
alimento fundamental dos olmecas, alimento fundamental dos olmecas,
a base de sua sobrevivência.
Máscara olmeca, pedra verde,
produzida entre 900 e 400 a.C. Os
olmecas criaram belas esculturas
de pedra verde. Nesta máscara, de pedra verde. Nesta máscara,
os detalhes do nariz e dos lábios os detalhes do nariz e dos lábios
entreabertos dão leveza e vida à entreabertos dão leveza e vida à
figura, como se não fosse esculpida figura, como se não fosse esculpida
na pedra. A marca horizontal na testa, na pedra. A marca horizontal na testa,
bem acima dos olhos, sugere que se bem acima dos olhos, sugere que se
trata de uma representação de uma trata de uma representação de uma
divindade olmeca relacionada com divindade olmeca relacionada com
o milho.
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