Os astecas, ou mexicas, um povo originário da América do Norte, chegaram ao Vale do México em 1325 e lá ergueram a cidade de Tenochtitlán. Aos poucos, Tenochtitlán cresceu e os astecas se expandiram, dominando cidades e povos da região e formando um império imenso, composto de diversos povos.
A princípio, Tenochtitlán era apenas mais uma cidade-Estado entre
as muitas que existiam na região. Porém, no século XV, os mexicas
firmaram uma aliança militar com as cidades vizinhas de Texcoco e
Tlacopán, formando a Confederação Asteca. Com o tempo, a confederação passou a conquistar as demais cidades da região até obter o
controle sobre boa parte da Mesoamérica.
O Império Asteca nunca foi uma unidade política; era formado, na verdade, por povos com diferentes graus de subordinação aos astecas:
• alguns povos eram administrados por governantes astecas;
• outros pagavam tributos, mas tinham relativa autonomia;
• outros, ainda, só pagavam tributos à força, quando eram vítimas de expedições punitivas promovidas pelos astecas.
A riqueza do Império Asteca vinha principalmente dos impostos cobrados dos povos dominados que, embora mantivessem a posse
das terras em que viviam, deviam produzir para o próprio sustento
e para pagar os tributos astecas. Esses tributos garantiam a expansão do império e o investimento na ampliação e no embelezamento
de Tenochtitlán.
Os povos que aceitavam a dominação asteca podiam manter seu
governo, seus costumes e o culto a seus deuses. No entanto, além de
pagar os impostos em dia, deviam atender às convocações do Estado
para cumprir obrigações militares e para trabalhar na construção e na
manutenção de obras públicas – como templos religiosos e aquedutos –,
além de aceitar o culto a Huitzilopochtli, a principal divindade asteca.
As comunidades que resistiam à dominação recebiam tratamento
mais duro. Não podiam eleger seus governantes e perdiam o direito à
terra, na qual eram obrigadas a permanecer e trabalhar para pagar os
tributos impostos pelo império.
A cidade de Tenochtitlán
A civilização asteca habitou a região onde atualmente está localizado o México desde o início do século XIV. Os povos que formaram essa civilização se fixaram nas terras próximas ao lago Texcoco, onde fundaram a capital, Tenochtitlán, atual Cidade do México.
No centro dessa
cidade havia um imponente templo construído em forma piramidal. Os historiadores
calculam que Tenochtitlán chegou a ter entre 100 mil e 230 mil habitantes, alcançando uma área de 13,5 quilômetros quadrados. Para ter uma ideia do tamanho
dessa cidade asteca, podemos compará-la à movimentada Sevilha, que tinha cerca
de 150 mil habitantes e era a maior cidade espanhola no século XVI.
No início do século XVI, Tenochtitlán era uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, quatro vezes mais do que Londres, a maior capital europeia na época. Era cortada por dezenas de canais, por onde circulavam barcos carregados de mercadorias, e aquedutos, que traziam água doce das montanhas. A capital asteca possuía também templos, ruas retas e amplas e um mercado central rico e movimentado.
De acordo com uma lenda asteca, a escolha do local de fundação da cidade de Tenochtitlán foi determinada pelo sinal de um deus. O local onde deveria ser construí da a cidade teria sido indicado pela visão de uma águia com uma serpente no bico e pousada em um cacto. Assim, os astecas foram conduzidos até encontrarem o sinal divino, em uma ilha no centro do lago Texcoco, onde fundaram Tenochtitlán.
Por meio de alianças e conquistas militares, os astecas expandiram seus territórios,
dominando regiões centrais do atual México, desde o Atlântico até o Pacífico. Calcula-se
que a população desse império atingiu cerca de 6 milhões de pessoas.
Grandes centros urbanos, como Tenochtitlán, eram sustentados por tributos, muitas
vezes pagos sob a forma de alimentos que vinham das diferentes regiões dominadas
pelos astecas.
Tenochtitlán, a interessante capital asteca, resistiu e manteve sua autonomia até 1521, data em que foi invadida e conquistada pelos espanhóis.
A sociedade asteca
Por volta do século XII, os astecas tinham uma organização social
de tendência igualitária. Com o tempo, porém, formou-se uma diferenciação social que refletia a hierarquização da sociedade.
A sociedade asteca era fortemente hierarquizada. No topo da hierarquia social estava o imperador, que comandava o exército e a justiça e tinha influência nos assuntos religiosos.
Sua função não era hereditária. O governante era escolhido entre
vários membros da elite militar e sacerdotal.
Era composta de nobres, comerciantes,
artesãos e camponeses. Entre os nobres, estavam o imperador, os sacerdotes, os chefes
militares, os governadores de províncias e os altos funcionários do Estado. Também havia uma
elite de ricos comerciantes e artesãos. A maioria da população era formada por camponeses
obrigados a pagar tributos para o governo.
A elite asteca era formada por altos oficiais do exército, nobres e
sacerdotes. Os filhos dos membros da elite estudavam nos calmécac,
escolas administradas por sacerdotes. Nelas, os alunos aprendiam
artes, ciência, religião e os conhecimentos necessários para servir
ao Estado.
Os comerciantes passaram a ser informantes do imperador asteca, levando mensagens às cidades dominadas e informações à capital
Tenochtitlán sobre a defesa das cidades que o exército pretendia conquistar. Dessa forma, eles se tornaram importantes para a manutenção e a
ampliação do poder dos astecas na região, adquirindo bastante prestígio.
Os artesãos eram bem recompensados por seu trabalho, sobretudo
quando se revelavam artistas habilidosos. Os conhecimentos artísticos
dos artesãos eram transmitidos de pai para filho.
A maioria da população que habitava os territórios dominados
pela confederação era composta de camponeses. Os que viviam
em Tenochtitlán ou nas cidades próximas plantavam milho, feijão,
abóbora, abacate e pimenta, entre outros produtos, em ilhas artificiais,
as chinampas, construídas no lago.
Os astecas desenvolveram uma agricultura complexa. Drenaram pântanos, abriram
canais de irrigação e construíram chinampas, ilhas artificiais destinadas ao cultivo agrícola.
Além disso, os astecas criavam animais como perus, patos e cachorros. Comercializavam
bens como tecidos, peles, cerâmicas, sal, ouro e prata. Dominavam técnicas de ourivesaria,
cerâmica, tecelagem e engenharia, que aplicavam, por exemplo, na construção de diques,
templos e aquedutos.
Produziam obras de arte como máscaras em forma de mosaico, muitas
vezes representando divindades. Os astecas desconheciam o uso do ferro e da roda.
Assim como os maias, os astecas desenvolveram um calendário, um sistema de escrita baseado
em signos e produziram códices (livros). O Códice
Boturini e o Códice Mendoza foram criados por
volta de 1540, cerca de vinte anos após a chegada
dos espanhóis.
Os astecas eram politeístas, ou seja, cultuavam
diversos deuses. Entre eles, estavam:
• Huitzilopochtli – deus da guerra e do Sol;
• Tlaloc – deus da chuva e do trovão;
• Quetzalcóatl – também conhecido como
serpente emplumada, deus da água, da terra,
da escrita, do calendário e das artes.
Para cultuar esses deuses, os astecas erguiam
templos com forma de pirâmide e realizavam rituais
de sacrifício humano. As pessoas sacrificadas eram,
em sua maioria, prisioneiros de guerra. Na cultura
asteca, esse ritual era um momento de renovação
da aliança entre deuses e seres humanos.
O modo de vida asteca
A agricultura era uma atividade fundamental para a sociedade asteca, tanto que,
ao longo do tempo, eles desenvolveram e aperfeiçoaram diversas técnicas para a
produção de alimentos em seu território.
Em Tenochtitlán, situada próximo a
lagos e pântanos, eles elaboraram um
sistema chamado chinampa, que consistia na construção de ilhas artificiais utilizadas como campos de cultivo.
Além disso, os astecas criavam animais como perus, patos e cachorros. Comercializavam bens como tecidos,
peles, cerâmicas, sal, ouro e prata.
Dominavam técnicas de ourivesaria, cerâmica, tecelagem e engenharia, aplicada, por exemplo, na construção de
diques, templos e aquedutos. Produziam obras
de arte como máscaras em forma de mosaico
representando, muitas vezes, divindades. Os
astecas desconheciam o uso do ferro e da roda.
A estrutura urbana e o comércio
também se desenvolveram significativamente. Em grandes cidades, como
Tenochtitlán, que chegou a ter cerca de
300 mil habitantes, existiam mercados
com grande variedade de produtos.
Os astecas tinham grande paixão pelo esporte, sabiam da importância da atividade física para a saúde e praticavam uma série de jogos; um de seus jogos preferidos era o tlachtli.
O tlachtli era um jogo de bola bastante popular entre os astecas, que lembra tanto o futebol quanto o basquete. As duas equipes adversárias se enfrentavam em um campo em forma de T maiúsculo. A bola de borracha era bastante pesada e só podia ser tocada e lançada com os joelhos ou os quadris. Os jogadores se esforçavam para fazê-la passar entre dois anéis de pedra fixados nas muralhas laterais, mais ou menos, como nas cestas de basquete.
Em relação à saúde, os astecas desenvolveram tratamentos eficientes para várias doenças, com base no grande conhecimento da flora e fauna locais. O médico do rei espanhol, Felipe II, registrou cerca de 1 200 plantas usadas pelos astecas para fins medicinais. Os astecas sabiam curar fraturas, feridas e fazer remédios à base de gordura animal e plantas medicinais para os mais diversos fins. Algumas doenças eram atribuídas à vontade dos deuses ou a feitiços. Para fazer frente a elas, os astecas usavam a adivinhação e a oração.
Os astecas eram povos guerreiros que conquistaram outros povos da região, for mando um poderoso Estado. Eles eram politeístas e cultuavam principalmente os deuses relacionados aos elementos e fenômenos da natureza, como o Sol.
Para homenageá-los, os astecas e outros povos mesoamericanos construíram grandes templos religiosos. Muitas dessas construções tinham formato de pirâmide, feitas com grandes blocos de rochas, com degraus e escadarias que levavam ao topo.
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