Atualmente, milhares de turistas visitam todos os anos a cidade de Cuzco,
no Peru. Essa cidade foi a capital do Império Inca, civilização que habitava
essa região desde antes do século XII
Um mito inca inca diz que os incas tinham origem divina, por isso eram chamados de filhos do Sol. Diz também que o Império Inca foi fundado por dois personagens lendários, Manco Cápac e sua esposa, Mama Ocilla.
Hoje se sabe que, por volta do ano 1400, os incas viviam da agricultura e do pastoreio nas terras altas (temperadas e frias), onde ergueram a cidade de Cuzco, no atual Peru. Por meio da guerra ou de alianças com povos da região, os incas expandiram seus domínios e, em 1438, fundaram um império. O primeiro Sapa Inca (imperador) chamava-se Pachakuti.
Os incas formaram um império na região da cordilheira dos Andes, onde atual mente se localizam partes do Equador, do Peru, da Bolívia, do Chile e da Argentina. A partir do século XIII, eles passaram a dominar os povos que viviam na região por meio de acordos e da imposição de pagamento de tributos. Politicamente, o poder do governo era centralizado nas mãos de um imperador, que assumia o título divino de “filho do Sol”. A sede do Império se situava na cidade de Cusco, no atual Peru.
Ao longo de sua história, os incas foram se tornando mais poderosos
que as sociedades andinas anteriores, como os reinos de Huari ou Chimu.
Ao expandir seu território, os incas dominaram vários povos, alcançando uma população de cerca de 12 milhões de pessoas.
No seu apogeu,
o território inca abrangia uma área que hoje se estenderia do Equador
ao Chile. Essa área era atravessada por uma rede de caminhos de cerca
de 40 mil quilômetros. Por esses caminhos, os incas levavam suas leis,
língua e crenças a centenas de povos submetidos.
Além de Cuzco, os incas construíram diversas cidades. Uma delas é Machu Picchu, que
fica no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude. Provavelmente, essa cidade era
visitada pelo imperador para descansar, caçar e receber autoridades estrangeiras.
Machu
Picchu foi abandonada pouco depois da conquista espanhola, no século XVI. Séculos depois,
em 1911, uma equipe de arqueólogos liderada pelo estadunidense Hiram Bingham chegou à
cidade, que estava coberta pela vegetação, mas era conhecida pelos moradores do entorno.
Em 1983, Cuzco e Machu Picchu foram declaradas Patrimônios da Humanidade pela Unesco.
Quanto à religiosidade,
além de cultuarem divindades relacionadas à natureza, os incas reverenciavam um deus criador,
chamado Viracocha.
Imperadores incas
O imperador inca era considerado uma divindade que recebia o nome de Sapa Inca e de
“Filho do Sol”. Quando morria, o Sapa Inca era mumificado e cultuado. Entre os imperadores
incas, podemos destacar Pachacuti, que governou de 1438 a 1471.
Além do imperador, a elite inca era
composta de sacerdotes, chefes militares, governadores locais e funcionários do Estado. Também havia grupos
privilegiados de artesãos, guerreiros,
projetistas e contabilistas.
A vida nos Andes
Na agricultura inca, o principal produto de cultivo era a batata, mas eram cultivados também
milho, quinoa, batata-doce, abacate, feijão, toma
te, vagem, algodão, entre outros. Como o relevo
da região andina é bastante acidentado, os incas
desenvolveram terraços nas cordilheiras, que formavam superfícies planas para o plantio.
Dedicavam-se também à atividade pastoril,
com a criação de alpaca e lhama, que, além de
fornecer leite, lã e carne, serviam de meio de
transporte de cargas.
Os incas não desenvolveram formas de escrita,
como os maias e os astecas. No entanto, criaram
um sistema de registro de quantidades numéricas
denominado quipo. Os quipos eram artefatos de
cores e tamanhos variados que apresentavam nós
simbolizando valores unitários ou dezenas. Assim,
eles podiam organizar a produção agrícola, registrar aspectos demográficos e controlar o pagamento de tributos.
A maioria da população era forma
da por camponeses, que se dedicavam, sobretudo, ao cultivo de milho,
batata, feijão, quinoa, tomate e tabaco
e à criação de animais como lhamas e
alpacas. Esses animais eram utilizados
para o transporte de cargas e para a
obtenção de lã, leite e carne. Durante
um período do ano, os camponeses
eram obrigados a realizar serviços para
o Estado, trabalhando como agricultores, pastores e construtores.
Os incas desenvolveram a tecelagem, a cerâmica, a metalurgia do
bronze e do cobre e a ourivesaria de
ouro e prata.
Construíram palácios, templos, estradas pavimentadas,
aquedutos, canais de irrigação e terraços de cultivo na en
costa de montanhas.
Um império interligado
As cidades incas eram interligadas por uma
vasta rede de estradas. Eram caminhos que atravessavam
vales, desfiladeiros e montanhas. Ao longo das principais
estradas, havia abrigos, armazéns e postos com jovens
corredores. Esses jovens deveriam memorizar mensagens
e transmiti-las oralmente até o próximo posto. Isso permitiu
a rápida comunicação entre diversas regiões do império.
Os incas desenvolveram um sistema de registro de informações em quipos (nós feitos num cordão). Os quipos
eram feitos em uma série de cordões coloridos nos quais
a posição e a quantidade de nós representam números.
Serviam para registrar, por exemplo, impostos e divisões
do tempo.
Muitos quipos foram destruídos pelos conquistadores
espanhóis, mas aqueles que resistiram se tornaram importantes fontes para o estudo da história dos incas.
No contato com outras culturas, os incas assimilaram a língua quéchua e a tornaram a língua oficial do império. Depois, continuaram conquistando terras e povos, ao norte e ao sul; assim, construíram o maior império indígena da América.
Hoje, essa língua é falada por cerca de 10 milhões
de pessoas na América do Sul. O quíchua influenciou também o português brasileiro, dando origem a palavras como
condor, chácara, mate e pampa.
As cidades incas
Entre as principais cidades do Império Inca estavam Cuzco e Machu Picchu. A cidade de Machu Picchu é um exemplo da capacidade arquitetônica dos incas. Erguida nas montanhas, a cerca de 2 400 metros de altitude, sua construção intriga arqueólogos. Isso porque os incas dispunham apenas de instrumentos rudimentares, não tinham carroças nem animais capazes de transportar grandes pedras como as que foram utilizadas na obra. Escadarias foram cavadas na própria montanha, ligando palácios, templos, casas e guarnições.
Abandonada e esquecida pouco depois da chegada dos espanhóis, Machu Picchu foi redescoberta somente em 1911 pelo arqueólogo estadunidense Hiram Bingham, que serviu de inspiração para o personagem Indiana Jones, arqueólogo dos filmes de Hollywood. Quando Bingham encontrou Machu Picchu, a cidade estava coberta pela vegetação da floresta, o que manteve as construções praticamente intactas.
O kipu
O povo inca não desenvolveu a escrita, mas possuía um interessante sistema de registro: o kipu. O kipu era um cordão no qual estavam amarrados vários cordões menores de cores e tamanhos variados, em que se faziam diferentes tipos de nós.
As cores dos cordões menores permitiam identificar os tipos de objetos. Os nós indicavam quantidades e datas. O nó mais próximo da ponta do cordão menor correspondia à unidade, o seguinte referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Pelo unidade, o seguinte referia-se às dezenas, e assim sucessivamente. Pelo kipu, o imperador tinha informações sobre a população, a administração e a economia.
O kipu registrava tipos e quantidades de produtos armazenados, datas, número de pessoas, animais e armazéns existentes no império. O nome do armazém e da região representada, bem como outros detalhes, era memorizado por especialistas treinados para essa tarefa.
Durante a conquista da América, os espanhóis queimaram milhares de kipus que certamente poderiam ter nos revelado muito sobre os incas e sua história.
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