segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Contribuições de Vigotsky à educação

Vigotsky, professor e pesquisador viveu na Rússia, em plena efervescência da Revolução Comunista.
Tendo sido contemporâneo de Piaget, Vigotsky elaborou uma teoria que tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico e o papel de linguagem e da aprendizagem neste desenvolvimento.
Para Vigotsky, as origens da vida consciente e do pensamento abstrato deveriam ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social e nas formas histórico-sociais de vida da espécie humana e não, como muitos acreditavam, no mundo espiritual e sensorial dos homens. Sendo, portanto, necessário analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos a partir da interação destes com a realidade.
Enquanto no referencial Construtivista o conhecimento é entendido como ação do sujeito sobre a realidade (sendo o sujeito considerado ativo), o referencial Histórico Cultural enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias relações. Na troca com outros sujeitos e consigo próprio vão se internalizando os conhecimentos, papéis e funções sociais, o que permite a constituição de conhecimentos e da própria consciência.

Há convergências e divergências entre o pensamento de Vigotsky e Piaget.

Na relação entre linguagem e pensamento - concentra-se a grande divergência entre Piaget e os teóricos da linha histórico-social (Vigotsky e Luria), já que para estes, a linguagem age decisivamente na organização do raciocínio, sendo que, a partir do momento em que ela assume a Função Planejadora, age decisivamente sobre a organização do raciocínio, reestruturando diversas funções psicológicas, como a memória, a atenção, a formação de conceito.
Há que se entender, no entanto, que tais divergências devem-se mais ao foco dos estudos de cada pesquisador. O interesse primordial de Piaget era estudar o desenvolvimento das estruturas lógicas, enquanto o de Vigotsky era o de entender a relação pensamento/linguagem e suas implicações no processo de desenvolvimento intelectual.
Hoje, diferentes pesquisadores, como Slobin, Cromer, Schlesinger, Karmieloff-Smith, discutem a importância da linguagem e o fato de Piaget tê-la subestimado como objeto de atenção cognitiva da criança, negligenciando seu papel como fator constitutivo do conhecimento.

A questão ainda está em aberto, merecendo maiores estudos e pesquisas.

Se, para Piaget, a linguagem não exerceria primordialmente papel cognitivo em novas explorações feitas pela criança, para Vigotsky, é ela quem abre caminhos para a da Zona de Desenvolvimento Proximal, isto é, ajuda a criança a avançar de um nível de desenvolvimento real para uma área de potencialidades, através da mediação realizada pelo "outro".
Na perspectiva construtivista de Piaget, as pressões sociais e linguísticas não se dão em bloco e vão sendo exercitadas sempre em interação com as possibilidades de cada indivíduo, ao longo do processo de desenvolvimento. Neste sentido, a linguagem transmite ao indivíduo um sistema que contém classificações, relações, conceitos produzidos pelas gerações anteriores, porém a criança utiliza este sistema segundo sua estrutura intelectual. Desta forma, se a criança não tiver construído uma operação de classificação, uma palavra relativa a um conceito geral será apropriada de forma indevida.
No entanto, ainda que mantendo uma certa divergência no papel da linguagem e da mediação do "outro" na construção do conhecimento, ambos os autores (Piaget e Vigotsky) reconhecem o papel ativo da criança na construção do conhecimento.
Vigotsky afirmará que "a experiência prática mostra que o ensino de conceitos é impossível. Um professor que tentar fazer isto ocorrerá num verbalismo vazio, uma repetição de palavras pela criança, semelhante a um papagaio, que simula um conhecimento dos conceitos correspondentes, mas que na realidade oculta um "vácuo" (1987, p. 71).
Piaget, por outro lado, afirmará: "O objetivo da educação intelectual não é saber repetir verdades acabadas, é aprender por si próprio..." (1973, p. 69).
Na realidade, pode-se afirmar que tanto um quanto o outro distinguem na educação o que precisa ser construído pelos alunos: os conceitos.


LATAILLE, Yves et alii. Piaget, Vigotsky, Wallon: Teorias psicogenéticas em discussão. SP, Summus, 1992.

VIGOTSKY, L. - A formação social da mente. SP, Martins Fontes, 1987.

VIGOTSKY, L. - Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988.

VIGOTSKY, Leontiev, Luria. - Psicologia e Pedagogia. Lisboa, Estampa, 1977.

VIGOTSKY, Leontiev, Luria. - Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Icone, 1988.


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