POR MAGDA BECKER SOARES
A PALAVRA ANALFABETISMO NOS É FAMILIAR, USAMOS ESSA PALAVRA HÁ SÉCULOS,ELA ESTÁ PRESENTE EM TEXTOS DO TEMPO EM QUE ÉRAMOS COLÔNIA DE PORTUGAL.
É um fenômeno interessante: usamos há séculos , o substantivo que nega (a(n) + alfabetismo e não sentíamos necessidade do substantivo que afirmasse: alfabetismo ou letramento.
A palavra letramento aparece só agora quando novas idéias ou novos fenômenos surgem.
Convivemos com o fato de existirem pessoas analfabetas desde o Brasil colônia. E ao longo dos séculos vamos enfrentando o problema de alfabetizar.
À medida que o analfabetismo vai sendo superado, que o número cada vez maior de pessoas aprende a ler e a escrever, e à medida que concomitantemente, a sociedade vai se tornando cada vez mais centrada na escrita ( cada vez mais grafocêntrica), um novo fenômeno se evidencia: não basta apenas aprender a ler e a escrever. As pessoas se alfabetizam, aprendem a ler e a escrever, mas não necessariamente incorporam a prática da leitura e da escrita, para envolver-se com práticas sociais de escrita: não leem livros, jornais, e revistas; não sabem redigir um oficio, um requerimento ou declaração; não sabem preencher um formulário; sentem dificuldade para escrever um simples telegrama ou uma carta; não conseguem encontrar informações num catálogo telefônico, num contrato de trabalho, numa conta de luz, ou numa bula de remédio...
Esse novo fenômeno só ganha visibilidade depois que é minimamente resolvido o problema do analfabetismo e que o desenvolvimento social e cultural, econômico , e político traz novas, intensas e variadas praticas de leitura e de escrita, fazendo emergir novas necessidades, além de novas alternativas de lazer. Aflorando o novo fenômeno, foi preciso dar nome a ele: quando surge na língua uma nova palavra , é quando um novo fenômeno surgiu e teve de ser nomeado. Por isso, e para nomear este fenômeno, surgiu a palavra LETRAMENTO.
Definições :
Alfabetização : ação de ensinar/aprender a ler e escrever.
Letramento: estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita.
Cultiva = dedica-se a atividades de leitura e escrita.
Exerce = responde às demandas sócias de leitura e escrita.
Podemos concluir que alfabetizar refere-se ao processo de ensino e aprendizagem da língua escrita e estar alfabetizado diz respeito às competências e habilidades construídas por alguém que já compreende o sistema de escrita. É fundamental para o professor saber quais conhecimentos aquele que já está alfabetizado construiu, pois as atividades de ensino da prática de alfabetização devem tematizar esses mesmos conhecimentos de tal forma que o aluno possa deles apropriar-se.
É fundamental para o professor saber quais conhecimentos aquele que já está alfabetizado construiu, pois as atividades de ensino da prática de alfabetização devem tematizar esses mesmos conhecimentos de tal forma que o aluno possa deles apropriar-se.
Nessa perspectiva, a alfabetização pode ser entendida como o processo de compreensão do sistema de escrita, inevitavelmente da linguagem escrita e de seus usos sociais possíveis – o letramento.
Não é qualquer atividade que faz o aluno pensar de fato sobre o que escreve.
No processo de alfabetização , alguns aspectos trazem serias implicações para organização da pratica pedagógica: a compreensão da língua como sistema de representação – e não como código de transcrição; a compreensão de que a linguagem escrita não e a mesma coisa que a escrita da linguagem (quer dizer, o entendimento de que produzir um texto em linguagem escrita não é a mesma coisa que grafar um texto); a compreensão de que a alfabetização é um processo discursivo.
APRENDER A LER E A ESCREVER BONS TEXTOS, PORTANTO, ENVOLVE MUITO MAIS CONHECIMENTOS DO QUE SIMPLESMENTE CODIFICAR E DECODIFICER PALAVRAS OU ESCREVER FRASES JUSTAPOSTAS. ANTES DE QUALQUER COISA, IMPLICA ORGANIZAR DISCURSOS ADEQUADOS AO SEU CONTEXTO DE PRODUÇÃO. E ISTO É SER LETRADO.
ALFABETIZAR, PORTANTO, É PARTE DE UM PROCESSO MAIS AMPLO – O LETRAMENTO.NÃO É MAIS POSSÍVEL CONCEBER O PROCESSO DE COMPREENSÃO DOS DEMAIS ASPECTOS DA LINGUAGEM.
A prática pedagógica precisa prever, desde muito cedo, a participação dos alunos de linguagem diversas, as quais devem supor o contato dos mesmos com textos que circulam, efetivamente, nas diversas esferas sociais de comunicação.
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