Segundo os arqueólogos, o Vale do Rio Indo, onde hoje se localiza o Paquistão, começou a ser ocupado por volta de 7000 a.C. Como ocorreu na Mesopotâmia e na China, a agricultura irrigada pela água dos rios foi fundamental para o desenvolvimento da civilização indiana antiga. Por volta de 2600 a.C., grandes cidades, como Harapa e Mohenjo-daro, já existiam nas margens do rio Indo e de seus afluentes.
Estudos arqueológicos indicam que Harapa era a cidade mais antiga do Vale do Rio Indo e pode ter sido o centro dessa civilização. Isso porque os artefatos encontrados nos diversos sítios arqueológicos da região são semelhantes aos que foram descobertos em Harapa.
A principal característica das cidades do Vale do Rio Indo era o planejamento urbano.
Harapa era circundada por grandes muralhas e possuía espaçosas avenidas separando os
bairros. Além disso, a cidade dispunha de um sistema de fornecimento de água, de áreas
de banho e de uma rede subterrânea de esgotos.
A agricultura constituía a base econômica da civilização harapense. Os habitantes do
Vale do Rio Indo foram os primeiros cultivadores do algodão, cujas fibras eram usadas para
produzir tecidos.
Os harapenses também desenvolveram um artesanato bastante variado. Eles produziam
ferramentas de pedra e metal, utensílios domésticos, armas e joias tanto para o uso cotidiano
como para a troca.
As cidades harapenses entraram em declínio por volta de 1900 a.C. Por razões ainda desconhecidas, essas cidades foram progressivamente abandonadas.
A Índia do período védico
A desorganização das cidades harapenses coincidiu com a
chegada de povos nômades e guerreiros de origem ariana,
vindos da Europa Oriental. Eles entraram na Índia e se estabeleceram no Vale do Rio Ganges, onde construíram uma nova
civilização.
A principal fonte para o estudo da história da Índia do período ariano são os livros chamados Vedas (palavra do sânscrito
que significa “livros do conhecimento”). Trata-se de um conjunto de hinos religiosos, preces, fórmulas mágicas e comentários
sobre a natureza humana e o Universo transmitidos oralmente
ao longo das gerações. Os Vedas trazem muitas informações
sobre a sociedade, os costumes e as cerimônias religiosas na
Índia ariana.
A sociedade de castas
Os arianos sentiam-se superiores aos nativos. Esse preconceito foi um dos fatores que deram origem à sociedade de
castas, uma divisão social em que cada pessoa tinha um lugar
hierarquicamente definido.
Uma vez nascida em uma casta, a
pessoa, assim como todos seus descendentes, jamais mudaria de posição social. Veja a seguir as castas que formavam a
sociedade indiana na Antiguidade.
• Brâmanes: eram os sacerdotes, que compunham
a casta dominante. Controlavam os rituais e interpretavam os Vedas para estabelecer as leis, além de
ocupar altos cargos no Estado.
• Xátrias: formada pelos nobres guerreiros. Com os
brâmanes, constituíam as castas dominantes.
Mohenjo--Daro
g
Harapa
• Vaixás: eram os comerciantes, artesãos e agricultores. Embora pudessem até ser muito ricos, eram
obrigados a contribuir com impostos e a servir na
guerra.
• Sudras: casta constituída pelos servos, trabalhado
res dependentes de um senhor. Em geral, descendiam dos antigos habitantes da Índia.
Além desses grupos, existiam os chamados intocáveis, pessoas que não faziam parte de nenhuma casta
e que, por isso, eram consideradas impuras. Hoje, esse
grande grupo se autodenomina dalit, e luta contra a
discriminação.
A religião hindu
A antiga religião ariana estava fortemente relacionada às
forças da natureza, como os ventos, o fogo e as tempestades.
Acreditava-se que os deuses eram como os humanos, que se
alegram e se entristecem.
Por volta do século VII a.C., introduziu-se na religião védica
a ideia de um deus maior (Brahma), que abrangeria todo o
Universo. Também foi criada uma teoria para justificar o sistema
de castas: cada casta teria origem em uma parte do corpo de
Brahma e, por isso, cada uma tinha uma função na sociedade.
As crenças em um ser eterno e absoluto, o Brahma, e na
existência de um estágio final de purificação da alma constituem a base do bramanismo, religião que predomina na
Índia até hoje. Atualmente, o bramanismo é mais conhecido
como hinduísmo.
Os hinduístas acreditam que a alma humana
passa por várias vidas (reencarnações) até libertar--se do sofrimento e atingir o moksha, o estágio da
libertação final. A crença na reencarnação está as
sociada à ideia do carma, ou seja, de que o Universo
é regido por uma lei imutável, que determina a
sucessão de nascimentos e mortes pelos quais o
ser humano teria de passar.
Assim, o tipo de vida que cada pessoa tem
seria determinado pelas ações que praticou
em vidas anteriores. Para se libertar do ciclo de
reencarnações, chamado samsara, o indivíduo
deveria seguir os caminhos da iluminação: o do
conhecimento; o da ação, que implica aceitar o
sofrimento e renunciar aos desejos materiais;
e o da santidade individual, percorrido por
meio da meditação, das orações e da prática
da ioga.
Templo hinduísta de Meenakshi, em Madurai, na Índia. O templo foi construído no século XVII, mas a cidadela
de Madurai data de mais de 2.500 anos atrás.
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