Nos últimos anos, os conflitos entre israelenses e palestinos na região do Oriente Médio, sobretudo na área denominada Faixa de Gaza, são assunto frequente nos noticiários. Há mais de 60 anos esses povos disputam territórios que ambos consideram seus por direito, pelo fato de terem sido ocupados por seus antepassados.
De acordo com suas tradições religiosas, os israelenses consideram-se descendentes dos hebreus, povo que na Antiguidade viveu em diversas regiões do Oriente. Foi na Palestina que esse povo se sedentarizou e desenvolveu grande parte de sua cultura. A história e a cultura do povo hebraico estão, portanto, ligadas à sua religião, que deu origem ao atual judaísmo.
Na Antiguidade, os hebreus migraram pelo Oriente em busca de melhores
condições de vida. Após serem expulsos da Suméria, iniciaram uma jornada
rumo à Palestina, que, de acordo com sua tradição, era a terra que Deus lhes
havia prometido. Por quase três séculos eles ocuparam essa região, localizada
entre as montanhas da Síria, o Deserto da Arábia, o Mar Vermelho e o Mar
Mediterrâneo. Como o solo palestino era pouco fértil, os hebreus, após enfrentarem um longo período de seca – aproximadamente em 1700 a.C., migraram
para áreas próximas ao delta do Rio Nilo, no Egito.
Os hebreus no Egito
De acordo com a narrativa religiosa tanto da Torá quanto da Bíblia, os he
breus migraram para o Egito porque José, filho do patriarca Jacó, foi vendido
como escravo pelos irmãos e levado ao Egito. Lá, acusado injustamente de um
crime, foi preso e ficou conhecido por interpretar sonhos dos prisioneiros.
Enquanto isso, o faraó Apopi I, intrigado em decifrar um sonho que se repe
tia todas as noites, soube da fama de José e ordenou que ele interpretasse seu
sonho, em que sete vacas magras devoravam sete vacas gordas e permaneciam
magras. Segundo José, o sonho era uma previsão de que o Egito viveria sete
anos de abundância seguido por igual período de escassez.
O faraó ficou tão satisfeito com a interpretação que mandou construir celei
ros onde seriam armazenados alimentos suficientes para que seu povo enfrentasse o período de dificuldades. Além disso, libertou José e o transformou em
um de seus homens de confiança. A boa condição em que José passou a viver
no Egito teria atraído crescente número de hebreus para lá.
No entanto, nem sempre a história dos hebreus narrada nos textos bíblicos
tem evidência em fontes arqueológicas e em documentos não religiosos. Estudos
internacionais recentes, feitos com base nessas fontes, apontam para uma realidade histórica diversa da apresentada em passagens das escrituras religiosas.
Inicialmente a convivência entre hebreus e egípcios foi pacífica, mas a si
tuação modificou-se a partir de 1580 a.C., quando os hebreus passaram a ser
perseguidos e escravizados no Egito.
A
escravização dos hebreus pelos egípcios
pode ter se iniciado por dois motivos:
- pelo fato de os hebreus se aliarem aos
hicsos, povo que invadira e dominara
o Egito entre 1800 a.C. e 1700 a.C.;
- para conter o aumento da população
hebraica, cujo crescimento preocupava o governo egípcio.
Por volta de 1250 a.C., os hebreus se
livraram da opressão, fugindo do Egito.
Segundo a narrativa religiosa, eles retornaram à Palestina liderados por Moisés.
A peregrinação pelo deserto teria dura
do 40 anos, durante os quais o povo hebraico se dividiu em várias tribos. Essa
passagem da história hebraica é conhecida como Êxodo.
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