terça-feira, 20 de outubro de 2026

E. P. Thompson, Educação e Experiência

O objetivo principal dessa comunicação consiste em apontar alguns eixos sobre as relações históricas entre educação, experiência e consciência social, no contexto de um resgate crítico dos principais conceitos e noções da "tradição" da 'escola britânica de História Social'. Ao mesmo tempo, interroga por que, ao contrário da forte influência francesa, essa "tradição" tem orientado tão pouco as pesquisas em História da Educação na academia brasileira e reafirma que a 'escola britânica de História Social' ainda pode ser tomada como referência para novas investigações, pela importância de seu esquema conceitual e pela atualidade de suas propostas. No conjunto dos objetivos da pesquisa, ainda buscamos identificar essas temáticas em relação às questões do ensino e da própria escrita da História da Educação, e localizar esse quadro na conjuntura política e acadêmica atual - sobretudo a brasileira.
Ao propor o resgate da "tradição" da 'escola britânica de História Social', a pesquisa indica a necessidade de um olhar mais crítico sobre a produção de uma imaginação e de uma consciência democrática, assim como de sua memória histórica. Nessa direção, procuramos avaliar as implicações intelectuais e políticas das práticas pedagógicas, científicas e eruditas de historiadores, pedagogos e cientistas sociais como um todo. Uma discussão que se encontra resumida na proposta de E. P. Thompson, baseada em William Morris, de "educação do desejo".
Nesse sentido, a partir de alguns comentários de Thompson, vale a pena lembrar o exemplo de William Morris (1834-1903). Um dos aspectos do projeto de Morris era incorporar nas formas da fantasia valores alternativos projetados em uma forma alternativa de vida. O que distingue esse empreendimento é, exatamente, sua qualidade aberta, especulativa, e o afastamento da imaginação das demandas da precisão conceitual. inda segundo Thompson, conforme as condições objetivas, o assenso pode ser mais adequado do que o dissenso. Mas, talvez mais importante do que uma escolha, seja o desafio de se deixar a imaginação imersa em uma exploração aberta de possibilidades. Nessa aventura duas situações podem acontecer. Primeiro, nossos valores usuais (o "senso comum" da sociedade burguesa) são 'revirados', questionados. Em seguida, entramos no campo próprio, específico, da Utopia: a "educação do desejo". Isto é mais do que uma "educação moral" dirigida a uma dada finalidade. Trata-se de abrir um caminho de aspirações, de "ensinar desejo ao desejo, de desejar mais e melhor e, acima de tudo, de se desejar de um modo diferente". Esse procedimento, baseado nos princípios utópicos de Morris, se realizado, libera o desejo para uma interrogação ininterrupta de nossos valores, como também a uma interrogação de si mesmo.


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