Para refletir, sonhar, pensar o possível e o inacreditável, mas, acima de tudo conhecer com responsabilidade!
Emília Ferreiro
As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização.
Base Pedagógica:
COMO A INTELIGÊNCIA SE DESENVOLVE:
Para o biólogo que Piaget nunca deixou de ser, "vida é, em essência, auto-regulação". Ele incluía aí vida mental, pois achava que é para manter um equilíbrio dinâmico com o meio ambiente que desenvolvemos a inteligência. Quando o equilíbrio se rompe, o indivíduo age sobre o que o afetou (seja um som, uma imagem ou uma informação) buscando se reequilibrar.
"Para Piaget, isso é feito por ADAPTAÇÃO e por ORGANIZAÇÃO" . A ADAPTAÇÃO tem duas formas básicas: a ASSIMILAÇÃO e a ACOMODAÇÃO.
Na ASSIMILAÇÃO, o indivíduo usa as estruturas psíquicas que já possui. Se elas não são suficientes, é preciso construir novas estruturas. Isso é ACOMODAÇÃO. Piaget diz que "na assimilação e na acomodação se pode reconhecer a correspondência prática daquilo que serão mais tarde a dedução e a experiência: a atividade da mente e a pressão da realidade".
Já a ORGANIZAÇÃO articula esses processos com as estruturas existentes e reorganiza todo o conjunto. Assim, o indivíduo constrói e reconstrói continuamente as estruturas que o tornam cada vez mais apto ao equilíbrio. Mas essas construções seguem um padrão, em idades mais ou menos determinadas. São os estágios, que se dividem em vários subestágios, com formas específicas de inteligência.
Ensino/Aprendizagem:
Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, que Emilia escreveu com Ana Teberosky em 1979. A obra trouxe a grande referência de que a alfabetização não deve partir "do zero" pois prova que as crianças não chegam à escola vazias, mas já trazem um certo repertório da linguagem escrita advindas de seu universo cultural e deve ser analisado também, de acordo com a teoria, que toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada: pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada; silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra; silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas; alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.
As teorias de Emília não se constituem em um método mas enunciam princípios importantes para a organização da prática educativa.
Célestin Freinet
Ninguém avança sozinho em sua aprendizagem. A cooperação é fundamental.
Levar a turma a aulas-passeio não faz do professor um praticante da pedagogia de Freinet. É preciso considerar a realidade em que os alunos estão inseridos.
Base Pedagógica:
O educador compreendia que a aprendizagem se dá pelo tateio experimental. "Quando a criança faz um experimento e dá certo, a tendência é que repita aquele procedimento e vá avançando". Mas, de acordo com Freinet, ela não avança sozinha.
Ensino/Aprendizagem:
Muito das ações educativas recentes de aulas extra-classe, criação de jornais, ambientes de leitura(cantinho), trabalho coletivo ou em grupo trazem a linha de pensamento do educador Célestin Freinet. Ele teorizou e aplicou a partir dos anos vinte do século XX a mudança da escola que considerava teórica, desligada da vida. Buscou a educação através do trabalho prazeiroso, da sala de aula interessante e que estimulasse a aprendizagem. Freinet fundamentou-se na pesquisa dos modos de pensar da criança e como ela constrói o conhecimento. A partir da observação constante, o autor saberia onde intervir para despertar a vontade do educando para aprender. Entendia que a aprendizagem se dava pela experienciação do aluno que ao perceber o certo, tende a repetir a experiência e ir avançando. Mas o avanço, segundo Freinet só se efetiva na cooperação e interação entre professor e aluno essenciais para o avanço na aprendizagem. Para que haja profunda interação, é fundamental que o professor considere o conhecimento das crianças, advindo do meio em que vivem. Em sintonia com o pensamento de Freinet, em Natal na Escola Freinet, mantida por uma cooperativa de professores, as idéias do mestre francês são a essência do projeto pedagógico. Para Freinet, aproximando as crianças dos conhecimentos da comunidade elas podem transformá-los e, assim, modificar a sociedade em que vivem. Esse pode se um exemplo de trabalho de cidadania, de democratização do ensino. Ele dizia que o educador deve ter a sensibilidade de atualizar sua prática e isso, aliás, é o que faz com que ele ainda seja moderno. Realizar aulas-passeio e jornais, não garante ter aplicado a pedagogia Freinet se as atividades não se articularem num tripé que chamou Pedagogias do Bom Senso, do Trabalho e do Êxito, sempre considerando a criança o centro de sua própria educação. Assim, cada atividade era um trabalho útil e criativo, decidido e organizado coletivamente pelos estudantes. O essencial era valorizar a livre expressão dos alunos, motivando-os a partir do que considerava necessidades vitais do ser humano: criar, se expressar, se comunicar, viver em grupo, ter sucesso, agir-descobrir e se organizar. Observadas essas condições, a escola formaria, enfim, "cidadãos autônomos e cooperativos", como queria Freinet.
AULAS PASSEIO
Atividades devem ser bem articuladas com os objetivos gerais e as formas específicas de execução Além da organização coletiva, uma atividade freinetiana deve proporcionar oportunidades de: expressão, comunicação, criação, pesquisa e tateio experimental. Freinet chamava de tateio experimental a capacidade da criança de realizar uma pesquisa usando a reflexão. Ou seja, formular sua próprias hipóteses, tentar verifica-las e, com isso, apreender informações cada vez mais complexas. Veja o exemplo da aula-passeio, segundo a coordenadora do Núcleo Freinet de São Paulo, Rosa Maria Whitaker Sampaio, especializada no tema: "A aula-passeio tem quatro etapas: a motivação, a preparação, a ação e a comunicação." Depois de motivado, o grupo passa a cumprir assim as fases seguintes: Preparação: planejam-se os aspectos materiais (tempo, transporte, alimentação). Levantam-se. com pesquisa e entrevistas, as leis ou regras do assunto, a situação geográfica, dados históricos e outros. Por último, faz-se um levantamento de hipóteses. Ação e prolongamento: terminado o passeio, os alunos verificam suas hipóteses e fazem pesquisas complementares sobre pontos obscuros ou novas descobertas. Comunicação: as conclusões devem ser transmitidas pela imprensa escolar, murais, teatro etc.
Paulo Freire
É preciso pôr fim à educação bancária, em que o professor deposita em seus alunos os conhecimentos que possui.
Para ele, não havia educação neutra. O processo educativo seria um ato político, uma ação que resultaria em relação de domínio ou de liberdade entre as pessoas.
Base Pedagógica:
"Ele dizia que antes de ensinar uma pessoa a ler as palavras era preciso ensiná-la a ler o mundo. Essa é a essência de suas idéias."
Ensino/Aprendizagem:
Mais do que um educador, Paulo Freire foi um pensador. Sua obra mais famosa, Pedagogia do Oprimido, dá as linhas da educação popular que desejava. Para ele, não havia educação neutra. O processo educativo seria um ato político, uma ação que resultaria em relação de domínio ou de liberdade entre as pessoas. De um lado, estaria a burguesia e, do outro, os operários. Uma pedagogia que libertasse as pessoas oprimidas deveria passar por um intenso diálogo entre professores e alunos. Paulo Freire se opunha ao que chamava de educação bancária. "Esse tipo de ensino se caracteriza pela presença de um professor depositante e um aluno depositário da educação", afirma José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, de São Paulo, e professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (MG). "Quem é educado assim tende a tornar-se alienado, incapaz de ler o mundo criticamente." A formação docente era uma preocupação constante do pesquisador pernambucano. "Ele acreditava que o educador deve se comportar como um provocador de situações, um animador cultural num ambiente em que todos aprendem em comunhão", explica Romão. Segundo o velho mestre, ninguém ensina nada para ninguém e as pessoas não aprendem sozinhas. Essas e outras idéias de Freire estão hoje em grande evidência no meio educacional. São exemplos o conceito de escola cidadã (que prepara a criança para tomar decisões) e a necessidade de cada escola ter um projeto pedagógico que reconheça a cultura local. Uma experiência bem sucedida nesse sentido acontece nas escolas municipais de Betim onde o projeto pedagógico de cada escola é definido com a participação dos alunos e da comunidade, que escolhem os diretores pelo voto direto. Conselhos pedagógicos discutem currículo, avaliação, conteúdo, calendário e metodologia. Foi criada também a escola de pais, um espaço de formação em que as famílias têm acesso a informações científicas e filosóficas. "Formados, eles podem participar mais ativamente dos fóruns decisórios", justifica Alfredo Johnson Rodriguez, coordenador da Divisão Pedagógica de Betim. O município mantém ainda um programa de alfabetização de adultos, baseado no "método Paulo Freire", criado no início da década de 60, que tornou o educador conhecido internacionalmente. Até então, os adultos eram alfabetizados pelos mesmos procedimentos adotados com crianças. A mudança tinha como pressuposto a utilização de "palavras geradoras", termos que faziam parte da vida dos alunos. Eles, a seu ver, não deveriam apenas aprender a formar palavras fora de um contexto, mas compreender seu próprio papel na sociedade.
O MÉTODO FREIRE
Reconhecido e aplicado nos cinco continentes, o "método Paulo Freire" é uma proposta em que pedagogia e política estão entranhadas. Junto com o ensino das letras, sílabas e palavras, dizia Freire, os alunos deveriam ser incentivados a entender seu papel na sociedade. Por mais humilde que fosse, todo ser humano seria um "fazedor de cultura", quer dizer, teria um repertório cultural rico como o de qualquer outra pessoa de formação mais acabada. O processo de alfabetização propriamente dito deveria ser iniciado com palavras conhecidas pelos alunos. Seriam as "palavras geradoras". O exemplo clássico é tirado do esforço de alfabetização feito com os operários que construíam Brasília, nos anos 60. Escrevia-se uma palavra geradora conhecida por eles:
TIJOLO
Em seguida, a mesma palavra era grafada com suas sílabas separadas:
TI-JO-LO
No passo seguinte, eram apresentadas as "famílias fonêmicas" das três sílabas:
TA - TE - TI - TO - TU
JA - JE - JI - JO - JU
LA - LE - LI - LO - LU
A sala era, então, convidada a formar palavras com as novas sílabas. O método continuava com a apresentação das vogais e de palavras com um grau maior de dificuldade, por exemplo as com dígrafos - lh, nh, ss, rr... - como TELHADO ou MASSA.
Howard Gardner
A escola deve valorizar as diferentes habilidades dos alunos e não apenas a lógico-matemática e a lingüística, como é mais comum.
Para que as diversas inteligências sejam desenvolvidas, a criança tem de ser mais que uma mera executora de tarefas. É preciso que ela seja levada a resolver problemas.
Base Pedagógica:
Considera as diferenças individuais e respeita as potencialidades dos alunos que são entendidos cada um como ser total,nos quais se devem desenvolver as múltiplas inteligências, não privilegiando apenas algumas de acordo com hierarquias vigentes.
Ensino/Aprendizagem:
O psicólogo americano de 56 anos é professor de Cognição e Educação e integrante do Projeto Zero, um grupo de pesquisa em cognição humana mantido pela Universidade de Harvard. Também leciona neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston. Escreveu dezoito livros. Dezoito anos se passaram desde que o livro Estruturas da Mente: Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, foi lançado nos Estados Unidos. Publicado no Brasil em 1994, ele causou um boom. De lá para cá, a teoria do psicólogo americano, que propõe a existência de um espectro de inteligências a comandar a mente humana, suscitou muitos comentários, contrários e favoráveis.
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS
De acordo com Gardner, estas seriam nossas sete inteligências:
LÓGICO-MATEMÁTICA: capacidade de realizar operações matemáticas e de analisar problemas com lógica. Matemáticos e cientistas têm essa capacidade privilegiada.
LINGÜÍSTICA: habilidade de aprender línguas e de usar a língua falada e escrita para atingir objetivos. Advogados, escritores e locutores a exploram bem.
ESPACIAl: capacidade de reconhecer e manipular uma situação espacial ampla ou mais restrita. É importante tanto para navegadores como para cirurgiões ou escultores.
FÍSICO-CINESTÉSICA: potencial de usar o corpo para resolver problemas ou fabricar produtos. Dançarinos, atletas, cirurgiões e mecânicos se valem dela.
INTERPESSOAl: capacidade de entender as intenções e os desejos dos outros e, conseqüentemente, de se relacionar bem com eles. É necessária para vendedores, líderes religiosos, políticos e, o mais importante, professores.
INTRAPESSOAL: capacidade de a pessoa se conhecer, incluindo aí seus desejos, e de usar essas informações para alcançar objetivos pessoais.
MUSICAL: aptidão na atuação, apreciação e composição de padrões musicais. Atualmente, Gardner admite a existência de uma oitava inteligência, a naturalista, que seria a capacidade de reconhecer objetos na natureza, e discute outras, a existencial ou espiritual e até mesmo uma moral - sem, no entanto, adicioná-las às sete originais.
Jean Piaget
O professor deve respeitar o nível de desenvolvimento das crianças. Não se pode ir além de suas capacidades nem deixá-las agir sozinhas.
"Uma máxima da teoria piagetiana é que o conhecimento é construído na experiência"
Base Pedagógica:
Nascido na Suíça, em 1896, numa família rica e culta, aos 7 anos já se interessava por estudos científicos. Biólogo de formação, estudou Filosofia e doutorou-se em Ciências Naturais aos 22 anos. Em 1923, lançou A linguagem e o Pensamento na Criança, o primeiro de seus mais de sessenta livros. Faleceu em 1980, na Suíça.
Sua teoria, chamada Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética, é a mais conhecida concepção construtvista da formação da inteligência. Ele explicou detalhadamente como, desde o nascimento, o indivíduo constrói o conhecimento.
Para Piaget, a forma de raciocinar e de aprender da criança passa por estágios. Por volta dos 2 anos, ela evolui do estágio sensório-motor, em que a ação envolve os órgãos sensoriais e os reflexos neurológicos básicos (como sugar a mamadeira) e o pensamento se dá somente sobre as coisas presentes na ação que desenvolve, para o pré-operatório. "Nessa etapa, a criança se torna capaz de fazer uma coisa e imaginar outra. Ela faz isso, por exemplo, quando brinca de boneca e representa situações vividas em dias anteriores". Outra progressão se dá por volta dos 7 anos, quando ela passa para o estágio operacional-concreto. Aqui, consegue refletir sobre o inverso das coisas e dos fenômenos e, para concluir um raciocínio, leva em consideração as relações entre os objetos. Percebe que 3 - 1 = 2 porque sabe que 2 + 1 = 3. Finalmente, por volta dos 12 anos, chegamos ao estágio operacional-formal. "O adolescente pode pensar em coisas completamente abstratas, sem necessitar da relação direta com o concreto. Ele compreende conceitos como amor ou democracia."
Essas informações, bem utilizadas, ajudam o professor a melhorar sua prática
Ensino/Aprendizagem:
A teoria do conhecimento, construída por Jean Piaget, não tem intenção pedagógica. Porém, ofereceu aos educadores importantes princípios para orientar sua prática. "Piaget mostra que o sujeito humano estabelece desde o nascimento uma relação de interação com o meio"
O QUE É CONSTRUTIVISMO?
Concepção teórica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entro o indivíduo e o meio. A ideia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio. Ao contrário, responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada
CONSTRUTIVISMO não é apenas o termo pelo qual é conhecida a linha pedagógica que mais vem ganhando adeptos entre os professores de primeiro grau. Possui outro significado, mais antigo e mais amplo, que ultrapassa as fronteiras do universo escolar. É, sobretudo, o nome de uma das três grandes correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve. As outras duas são o empirismo e o racionalismo. Por ser o nome do sistema ao qual se filia Piaget, a palavra construtivismo passou a designar também a linha pedagógica inspirada em sua obra. Essas três escolas divergem quanto à relação entre meio ambiente e inteligência. "As teorias empiristas e racionalistas são chamadas de reducionistas porque reduzem o desenvolvimento intelectual só à ação do indivíduo ou só à força do meio", explica Mércia Moreira, professora de Psicologia Educacional da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Belo Horizonte. Já o construtivismo atribui um papel ativo ao indivíduo, sob a influência do meio. "É a pessoa que constrói o seu própria conhecimento", completa o psicólogo Fernando Becker, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Além de Piaget, outros estudiosos importantes para a educação, como o russo Lev Vygotsky (1896-1934) e o francês Henry Wallon (1879-1962), também são considerados construtivistas.
EMPIRISMO : Concepção teórica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio ambiente e não pelo sujeito. Portanto, de fora para dentro. A ideia é que o ser humano não nasce inteligente, mas é passivamente submetido às forças do meio, que provocam suas reações. As reações satisfatórias são incorporadas e as insatisfatórias tendem a ser eliminadas. Assim, o desenvolvimento intelectual pode ser totalmente modelado de fora, pois a força que o determina se encontra nos estímulos externos e não no indivíduo
RACIONALISMO : Concepção teórica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo indivíduo e não pelo meio. Portanto, de dentro para fora. A ideia é que o ser humano já nasce com a inteligência pré-moldada. A lógica, por exemplo, seria uma capacidade inata do homem. À medida que o ser humano amadurece, ele vai reorganizando sua inteligência pelas percepções que tem da realidade. Essas percepções dependem de capacidades que são inerentes ao indivíduo e não dos estímulos externos
FASES DO DESENVOLVIMENTO
SENSÓRIO-MOTOR (0 A 2 ANOS)
A partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a consturir esquemas de ação para assimilar mentalemnte o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo, por exemplo, são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento
PRÉ-OPERATÓRIO (2 A 7 ANOS)
A criança se torna capaz de representar mentalment pessoas e situações. Já pode agir por simulação, "como se". Sua percepção é global, sem discriminar detalhes. Deixa-se levar pela aparência, sem relacionar aspectos. É centrada em si mesma, pois não consegue colocar-se, abstratamente, no lugar do outro
OPERATÓRIO-CONCRETO (7 A 11 ANOS)
Nessa fase, a criança já é capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Não se limita a uma representação imediata, mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. Desenvolve também a capacidade de refazer um trajeto mental, voltando ao ponto inicial de uma situação
LÓGICO-FORMAL (12 ANOS EM DIANTE)
A representação agora permite a abstração total. A criança não se limita mais à representação imediata nem somente às relações previamente existentes, mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente
Lev Vygotsky
O aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá sobretudo pela interação social.
A ideia de que quanto maior for o aprendizado maior será o desenvolvimento não justifica o ensino enciclopédico. A pessoa só aprende quando as informações fazem sentido para ela.
Base Pedagógica:
Segundo Vygotsky, a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de conhecimento para outro. A fim de explicar esse processo, ele desenvolveu o conceito de ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL, que definiu como a "distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes".
Ensino/Aprendizagem:
Vygotsky entende que o desenvolvimento é fruto de uma grande influência das experiências do indivíduo. O significado e a forma de apreender o mundo está de acordo com a individualidade de cada um. Para ele, desenvolvimento e aprendizado estão intimamente ligados: nós só nos desenvolvemos se (e quando) aprendemos. Além disso, o desenvolvimento não depende apenas da maturação, como acreditavam os inatistas. As potencialidades da estrutura biológica humana só se desenvolvem no meio cultural em que haja o estímulo. A ideia de um maior desenvolvimento quanto maior for o aprendizado suscitou erros de interpretação. Uma das ideias errôneas é de que o ensino enciclopédico, do acúmulo de conteúdos apenas é que favoreciam a aprendizagem. As ideias de Vigotsky no entanto postulam que para haver assimilação tem que haver sentido. Isso se dá quando as informações incidem no que o psicólogo chamou de zona de desenvolvimento proximal, a distância entre aquilo que a criança sabe fazer sozinha (o desenvolvimento real) e o que é capaz de realizar com ajuda de alguém mais experiente (o desenvolvimento potencial). Dessa forma, o que é zona de desenvolvimento proximal hoje vira nível de desenvolvimento real amanhã.
DESENVOLVIMENTO REAL
É determinado por aquilo que a criança é capaz de fazer sozinha porque já tem um conhecimento consolidado. Se domina a adição, por exemplo, esse é um nível de desenvolvimento real
ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL
É a distância entre o desenvolvimento real e o potencial, que está próximo mas ainda não foi atingido
DESENVOLVIMENTO POTENCIAL
É determinado por aquilo que a criança ainda não domina, mas é capaz de realizar com auxílio de alguém mais experiente. Por exemplo, uma multiplicação simples, quando ela já sabe somar
O NOME SOCIOCONSTRUTIVISMO:
Esse termo (ou, como preferem alguns especialistas, sociointeracionismo) é usado para fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o construtivismo Jean Piaget. Ambos estariam na linha do construtivistas em suas concepções do desenvolvimento intelectual. Ou seja, sustentam que a inteligência é construída a partir das relações recíprocas do homem com o meio. Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual a evolução da inteligência é produto apenas da ação do meio sobre o indivíduo) quanto à concepção racionalista (que parte do princípio de que já nascemos com a inteligência pré-formada). Para o ser humano, segundo Vygotsky, o meio é sempre revestido de significados culturais. Por exemplo, o objeto armário (meio) não tem sentido em si. Só tem o sentido cultural) que lhe damos, como ser útil ou inútil, valioso ou não, rústico ou sofisticado e assim por diante. E os significados culturais só são aprendidos com a participação dos mediadores. O fator cultural, básico para Vygotsky, e pouco enfatizado por Piaget, é a diferença central entre os dois teóricos construtivistas. Ambos divergem também quanto à sequência dos processos de APRENIDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO MENTAL. Para Vygotsky, é o primeiro que gera o segundo. Em suas palavras, "o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis". Piaget, ao contrário, defende que é o desenvolvimento progressivo das estruturas intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases pré-operatóra ou lógico-formal).
Conhecimento é sempre intermediado
Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial para a transformação do homem de ser biológico em ser humano. É pela APRENDIZAGEM nas relações com os outros que construímos os conhecimentos que permitem nosso desenvolvimento mental. Segundo o psicólogo, a criança nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS ELEMENTARES, como os reflexos e a atenção involuntária, presentes em todos os animais mais desenvolvidos. Com o aprendizado cultural, no entanto, parte dessas funções básicas transforma-se em FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES, como a consciência, o planejamento e a deliberação, características exclusivas do homem. Essa evolução acontece pela elaboração das informações recebidas do meio.
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