terça-feira, 20 de outubro de 2026

O construtivismo e a aquisição da leitura e escrita

Construtivismo: você sabe o que é isso?
Como a criança aprende a ler e escrever?
Uma das perguntas mais frequentes feitas por pais de alunos na fase de alfabetização é: “Será que meu filho vai aprender a ler logo? O que fazer quando ele escrever tudo errado?
No construtivismo é levado em consideração o ser cognoscente, isto é, as dimensões afetivas, racionais e relacionais da criança, além a sua competência linguística e a neurológica (o corpo).
Emília Ferreiro é uma das pesquisadoras que descobriu o que é que uma pessoa pensa quando ela tem contato com coisas escritas e com gente que já lê e escreve. E graças a trabalhos como o dela é que hoje nós podemos alfabetizar as crianças respeitando as ideias que elas têm sobre o que é escrever e como se escreve, o que é ler e como se lê.
Nossa metodologia de ensino se baseia nos estudos de Emília Ferreiro – que considera o processo de alfabetização uma questão conceptual – e Ana Teberosky. Elas concebem a psicogênese do ser em formação no processo de escrita e leitura e partem do princípio de que, para aprender a língua escrita, a criança precisa construir respostas para duas questões:

1 – O que a escrita representa.
2 – Como a escrita representa a fala.

A primeira questão significa que a criança deve entender que a escrita representa a linguagem da fala. Na segunda queremos que a criança perceba que ela não possui só a linguagem como forma de comunicação e que esta linguagem pode ser representada pela escrita.
Se a criança percebe: “Se eu sei que a escrita representa a linguagem, como saberei de que forma ela representa esta linguagem? É nesse momento que ela descobre(decifra) a linguagem dos signos e passa a se utilizar dos códigos, ou seja, das letras, das palavras, frases, etc.
Se acreditamos no ser cognoscente precisamos nos ater aos diferentes processos de pensamento de cada criança levando em consideração as diversidades de cada ser e os seus ritmos de assimilação de conteúdos.
A s crianças não aprendem simplesmente porque veem os outros ler e escrever e sim porque tentam compreender que atividade é essa. As crianças não aprendem simplesmente porque veem letras escritas e sim porque se propõem a compreender porque estas marcas gráficas são diferentes das outras. As crianças não aprendem por terem lápis e papel a disposição, e sim porque buscam compreender o que se pode obter com estes instrumentos.
Em nossa escola nós ouvimos o “autor” (o aluno) da escrita que está sendo produzida. E a partir daí construímos pelo erro. Examinamos a sua curiosidade e estímulo para a descoberta dos signos. Ao mesmo tempo criamos situações desafiadoras através de problemas que estimulem uma resposta para que a criança construa a partir de seus erros e hipóteses.
Para simplificar este processo de aquisição de escrita e leitura, dividamos em três níveis, chamados de hipóteses. No primeiro, definido como hipótese pré-silábica o aluno “pensa” que se escreve com desenhos. As letras não querem dizer nada para ele. Em um segundo momento a criança já diferencia o desenho da escrita. Dizemos que este é o período do realismo nominal. A criança acha por exemplo, que as coisas grandes devem ter nomes com muitas letras e as coisas pequenas devem ter nomes com poucas letras. Já uma criança na hipótese silábica, isto é, quando ela corresponde uma letra para cada sílaba – para escrever casa ela usa as letras cs por exemplo, ela está estabelecendo uma relação entre a emissão sonora e escrita. O aluno passa a acreditar que existe uma relação entre a fala e a escrita. Na terceira hipótese , a alfabética, o aluno já compreendeu como se escreve usando as letras do alfabeto. Neste nível o aluno descobriu que cada letra representa um som da fala e que é preciso juntá-las de um jeito que formem sílabas de palavras da nossa língua.
Um trabalho de estímulos com ótimos resultados é uma leitura significativa de textos que as crianças já conhecem isto vai permitir com que elas façam “leituras incidentais” e formais, pois já estão familiarizadas com as palavras apresentadas. É importante reconhecermos na criança na criança o momento em que ela descobre a estrutura de frases, a separação das palavras e a pontuação. É a partir desse momento que ela começa a construir sua entonação. Enfatizamos aí o trabalho com diversos gêneros literários, diversos tipos de texto que requerem diferentes leituras. Por exemplo: uma lista de compras exige uma entonação diferente da de um conto de fadas. A criança é dada a prova para saber distinguir uma leitura de outra.
Este é todo um processo gradual de transição e descobertas que se dá desde que a criança passa a distinguir o desenho da escrita.
Em suma, no construtivismo entendemos como a criança recebe as informações e constrói o seu aprendizado. Sem decorar, sem formatar, permitimos ao ser fazer deduções lógicas e inteligentes e percebemos que, “quando uma criança se alfabetiza ela está, na verdade, reinventando a escrita.”(Emília Ferreiro)

Veja em que fase o seu filho está:

J1 (3,5 anos) – pré-silábica = escrita aleatória
J2 (4 anos) – silábica = associa letras as palavras
P.A.. (5 anos) – silábico para silábico alfabético = já faz correspondência
C.A.. (6 a 7 anos) – silábico alfabético para alfabético = já representa os sons pelas letras e sílabas correspondentes.
















Trilogia do afeto: Livro, Biblioteca, Primeira Infância

As vezes pensamos que crianças abaixo de 6 anos não necessitam de livros. Ledo engano, nesta idade, a leitura ocupa um lugar muito significativo na construção do afeto (em latin afectio = poder de afetar e ser afetado), isto é, na capacidade de se comunicar.

O livro pode, e deve, fazer parte da vida da criança muito antes dela conhecer e ter habilidade de leitura, entendida como interpretação de textos.

O mundo dos livros é o mundo da comunicação e da linguagem, no sentido mais amplo. A literatura infantil é uma realidade interdisciplinar que muitas vezes está relacionada a outros modos de expressão como música, movimento e imagens, que formam a bagagem comunicativa da criança desde seus primeiros anos. Assim, o prazer de ler é antecedido pelo prazer da escrita e da observação e evolui para uma atitude de curiosidade leitora diante da vida. As bibliotecas, a começar pela domiciliar, são lugares de encontros e descobertas. São lugares de criação de experiências culturais de todos os tipos de linguagem. O cantinho de leitura em nossa escola, incrementado pelo Projeto PLIC, é dedicado aos nossos pequenos leitores como um recurso infindável de afeto e é entendido como um espaço integrado ao nosso processo pedagógico.

Dentro das etapas de crescimento, cada criança vai objetivando mais seus conhecimentos. Ao longo deste período é que se produz grande avanço no processo de leitura: dos livros de imagens até interpretação dos primeiros textos escritos. É esse o momento de trabalhar com a criança a leitura e a imagem: descobrir as figuras dominantes, as cores, localização espacial

dos objetos, e mais tarde descobrir conexões entre os desenhos e o texto literário. Salientando uma leitura não só compreensiva mas também critica, dotamos as crianças de instrumentos de interpretação de imagens, que mais tarde irá convertê-la em receptor ativo frente a linguagem inconsciente do mundo audiovisual em que está inserida.

Procurando incentivar a capacidade de cada criança, damos a proporção que o livro tem para cada faixa etária, isto é: desde como um brinquedo, até com o reconhecimento do seu verdadeiro sentido e sua múltiplas possibilidades.

Enfim, educar com afeto significa permitir aos pequenos leitores desvendar seus próprios caminhos. A nós cabe a tarefa de lhes apresentar possibilidades com livros de tecido, livros de tela, livros plastificados, livros com estímulos sonoros, livros virtuais, etc. Estas múltiplas informações geram prazer na criança. E é o acompanhamento do adulto que vai auxiliá-lo em suas necessidades, perspectivas e afetividades para que as crianças possam, aos poucos, formarem conceitos, fazer generalizações e enumerações e, o que é mais importante, elaborar uma primeira associação entre a percepção visual e a palavra.

Com o desenvolvimento da linguagem e da função simbólica do livro abre-se um grande leque de opções para o educador e os pais: utilizar os livros para jogos, a narração, a imaginação e a criatividade. E o que é mais importante: pais e educadores unidos na tarefa de, ludicamente, através das horas de história, dramatizações e exposições, familiarizarem a criança com este grande prazer que é a descoberta de um livro!

Baseado no texto Formando o Leitor: Revista do Professor, POA 18(71): 5-8, Jul./Set. 2002









Aprendendo o Hino Nacional




I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos destes solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
" Nossos bosques têm mais vida,"
" Nossa vida" no teu seio "mais amores."

Ó Pátria amada ...

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula

- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada ...








E os seus significados

Ipiranga - É o riacho junto a qual D. Pedro I teria proclamado a independência. O Ipiranga nasce junto ao zoológico da cidade de SP.
Brado retumbante - Grito forte, que provoca eco

Penhor - Usado de maneira figurada, "penhor desta igualdade"é a garantia, a segurança de que haverá liberdade.

Imagem do Cruzeiro resplandece - O "cruzeiro"é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu.

Impávido Colosso - "Colosso"é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar "impávido" é estar tranquilo, calmo.

Florão - "Florão"é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas.
O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América.

Garrida - Enfeitada, que chama a atenção pela beleza.

Lábaro - "Lábaro"era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira.

Clava forte - Clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.









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